Quinta-feira, Dezembro 10, 2009


É o mesmo :na Democracia ou na Autocracia, quem se lixa é o mexilhão.

Deve cansar a todos este estado comatoso em que o processo democrático mergulhou.
Á mais violenta crise económica (da nossa vida) junta-se agora uma crise da mais abjecta intencionalidade. A de através da insinuação, que não da prova, se pretender visar, para fins políticos a destruição do adversário, assassinando-lhe o carácter. Ora o assassínio de carácter dói mais que o fuzilamento pelo pelotão de execução.
Uma estranha e obsessiva paranóia torna aliados de momento, os interesses partidários e o sensacionalismo de uma comunicação social persecutória, onde uma cáfila de ineptos corruptos vende corpo e alma a interesses privados que, sem outras alternativas, tentam a chantagem da notícia irresponsável em troca de migalhas que alimente a podridão do demérito.
A uns e a outros, uma ausência total de responsabilização impede de ver que o País está á beira da ingovernabilidade, cujos custos recairão sobre os que suportaram o pior da crise. E que ainda não refeitos de uma já se vêm alvoroçados por outra.
Parece que já ninguém manda neste País. Sem Presidente da Republica, refém no Palácio em tortuosas maquinações à espera que as coisas caiam por si, de podres. Sem justiça em que já ninguém acredita -nem os seus executores! -,sucedem-se os atropelos para ver quem fala mais alto. Se os Magistrados se o seu Sindicato. E o mais alto Magistrado da Nação aos quesitos diz: - nada! (A propósito continuo a não perceber a lógica, num sistema democrático, da existência de Sindicatos de Juízes, como não percebo a lógica dos Sindicatos das Forças Armadas, ou os da Policia.)
Percebo mal como é que o Governo se já não fartou das palhaçadas na AR e até colabora nelas. As oposições querem governar? Que façam um Governo desgovernado. A Manela não quer ir sozinha para o fundo? Que se faça acompanhar pelo genial Louçã, o poluto dos impolutos.
Estamos de novo no País ridicularizado por Eça. O País há trinta e tal anos apresenta sempre o mesmo grupo de onde saltam os títeres que mais ou menos alternadamente, hoje têm o poder, perdem-no amanhã para o reconquistar passados uns tempos. O poder não sai,assim , de um certo circulo vicioso ,como se fosse uma panela de iguarias desfrutada por um grupo de crianças esfomeadas.
Quando um grupo de meia dúzia de um daqueles está no poder, esse(s) são, no dizer de todos : incompetentes, esbanjadores, ruinosos,corruptos. E muitas mais :- brindam-nos com nomes, injúrias e epítetos ,dirigidos ao seu carácter, quando não ás pobres das mães. Os que por então não estão no poder, «são os únicos» salvadores da pobre pátria desvalida com tanta falta de sentido pátrio, os verdadeiros zeladores do povo, os salvadores e guardiões da causa publica.
E o que sucede ?: os que estão no poder fazem tudo para continuar a esbanjar e a arruinar o País. E os que lá não estão? - esses fazem tudo : conspiram, intrigam, tramoiam, cansam-se para deixarem de ser os salvadores e se tornarem, eles-cruel destino-, os carrascos da pátria.Lutam por esse triste destino.Esfarrapam-se .
E cai o governo.
Os que lá não estavam são os novos vendilhões do templo; e os que lá estavam passam a ser os ferozes defensores dos pobres, daqueles que outrora castigaram impiedosamente.
É isto a democracia que nos prometeram?
Ou isto é uma «autocracia sistémica» do quanto pior melhor, e os fracos que se lixem….
Porque lhes continuam a acenar que é preciso sofrer para «gozar» das virtudes das ditas democracia. Só que as virtudes da dita não chegam para alimentar a sofreguidão dos «pedintes» partidários.
Já Salazar justificava o sofrimento em nome da salvação da Pátria.
Quem se lixa é sempre o mexilhão….
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Sempre descrente

Esta história do aquecimento global pelas emissões de CO2 mete-me muito engulhos.
O terrível esfriamento verificado no séc. XIII, que fez cobrir de gelo os territórios nas latitudes altas do Norte, até ali amenos e perfeitamente habitáveis (Groenlândia ,Islândia etc)- e em que uma das suas consequências(entre muitos) foi o aparecimento de sardinha no nosso litoral- é, hoje, provado ter sido devido a variações gravitacionais que alteraram a inclinação do eixo terrestre.
O escândalo agora conhecido de «escutas» aos computadores de muitos cientistas que organizaram a tramóia para fazer «comer» o prato de lentilhas aos poderosos do mundo ,por motivos ainda pouco transparentes e conhecidos, é a notícia mais sensacional do dia. A comunidade cientifica está claramente dividida. Porque podem estar a ser pedidos sacrifícios enormes, em nome de nada,ou de outra coisa bem diferente.
Esta questão pode parecer, mas não ser, exactamente, como no-la querem vender.
Eu vou esperar para crer.
Mas mais vale prevenir enquanto se não esclarece totalmente a questão.

Aladino

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Pintem o mundo de pomada preta..


Quando era puto ,passava longas horas na Farmácia. Claro que nunca quis ser Farmacêutico. Aquilo era negócio para senhoras.
Mas apreciava a feitura de manipulados. E até apreciava os «bruxos» da região que confiavam na «Ti» Eduardinha, que, a rigor, sabia confeccionar as suas(dele…) mistelas. O «Bruxo» da Pedricosa era sem dúvida o mais afamado. A receita já a minha mãe a sabia de cor.
-Vão à «D Eduardinha» – ditava - e peçam o garrafão miraculoso. Fui lá levar pipas de garrafões da mezinha miraculosa. Tenho a impressão que um qualquer dia devo ter tomado um gole da poção mágica.
O «bruxo» tinha razão em receitá-la ao mulherio…
E assim era. Um garrafão de uma mistela que se nada fazia (mas fazia(!) ,digo-o eu,e perdura a sua benfeitoria) tinha com ele «o milagre» . Que diferença existia nessa, noutra,ou em qualquer água milagrosa? São todas iguais. O crédito ao sobrenatural é sempre a questão :parece que temos tudo e de repente descobrimos que não temos nada. À espera que um outro qualquer –deus - menor ou maior, venha interferir.
Porque fui buscar isto, hoje?
Porque na Farmácia faziam-se, diariamente, quilos de« pomada preta».Que faziam explodir todos os abcessos, exteriores e interiores. Pomada milagrosa.
Hoje o mundo precisaria de mezinha especial como aquela, tão putrefacto ,e com tantos abcessos prontos a rebentar. Que jeito daria. Brochávamo-lo com a dita e o pus infecto saltava todo cá para fora.
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Nem por sombras queria outra Pátria. Mais : nem outra Terra eu queria.
Mas que ando envergonhado com uma e com outra,lá isso confesso, que ando. Pensei aqui há um tempo que ia ter paz. Tinha-a «comprado». A questão é que eu não quero paz. Nem a sei dar. Nem a mim nem aos outros.
Vivo claramente desassossegado. E transmito esse desassossego. Os únicos que parecem queixar-se são os que, aqui dentro das paredes, me vão suportando. E tanto se habituaram que, se eu peço uma, duas(!) horas para mim, para em silêncio me aquietar (comigo), logo reclamam inspecção médica.
Nem me deixam morrer inédito: -em paz.
Mas não são só os de cá,os de dentro. Espécie de pára raios, nem me deixam acreditar no que decifro: o sol aquece e arrefece os instáveis sentimentos alheios.E os meus estavam gelados postos em sossego.E vai...
E aparecem a falar-me de que um beijo, cura tudo. Oh!...isto de morto sem ter morrido ,custa, raio!
Nunca acreditei em« bruxas» .Mas lá que as hay…hay..
Aladino

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Ser Solidária

Ser Solidária é desejar ir correndo ao rumo.
Ir sem medo de regressar
Mesmo que a caminhada seja inútil.

É ousar e logo transformar o sonho
Na fartura dos abraços.

É bater à porta e ouvir dizer :-Não!
É ter frio e não ter agasalho;
Para os outros,
Para si, Não!

É suportar a hostilidade dos que
Nem sequer sabem abrir a mão,
Pois só sabem dizer : -Não!

É sentir-se escorraçada, vexada, intolerada
Pelos que têm poder para dizer sim,
Mas só sabem dizer : Não!

É voltar sempre de novo
A gritar…
A ousar .. .
A levantar os olhos do chão
Para dizer :
Vencida eu(?!).... Não!

SF (25.11. 2009)


A «ZECA» ousou sempre ser Solidária.

Sábado, Novembro 21, 2009


Lá lírico ,sou…

Fazer ,ou alinhar um texto sobre um familiar próximo, é exercício a que fujo porque é aterrador.
O visado fica sempre a perder. Porque tenho pudor de falar dele , em toda a sua dimensão .
E contudo – outros pensarão exactamente como eu ,se bem que não todos –tenho ,guardo e revejo, amiúde, a « glória» mas também o peso ,de os carregar no meu nome.
Hoje obrigaram-me a falar da «Zeca»
Houve alguém que escorregou e até me disse, Ela tinha o defeito dos «Fonsecas».
Não me contive e tive de lhe dizer, o
defeito de serem sempre iguais,do principio ao fim, e não andarem mais tarde a explicar porque dobraram ,amiúde no antigamente, a espinha, na bajulação aos poderosos.
Tenho a certeza que a «Zeca» cá em baixo - porque haveria ela de estar noutro lado(?) se aqui é que conta... - dirá.
-Continuas um lírico a perder tempo com outros líricos.
Bem!.Lá escrevi umas palavras tôscas. Os sentimentos,no caso, obrigar-me-iam a escrever milhões de palavras,numa Elegia à Vida,inultrapassável . Mas as palavras que escrevi, parcas, simples e medidas, reforçam o meu sentimento. E isso me basta .Guardo-o por inteiro.

Raro o dia em que não dirijo palavras aos meus. Exprimindo os sentimentos. É tudo o que posso fazer, quando ainda ando metido na barafunda que me souberam apontar, com o fim de me justificar....
Na barafunda da vida..
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DOAÇÂO

Julgo que foi uma semana onde se insitiu na necessidade de concorrermos com a doação dos nossos órgãos ,para salvar vidas quando deles já não precisarmos.
Há muito que defendo essa ideia, que é do conhecimento de quem tiver de decidir.
Mas….
Ontem, contudo, em conversa de grupo, um amigo mais hesitante, perguntava-me:
-Mas não pões qualquer limite à doação?
-Ponho, carago!, atalhei eu de imediato. (A rir ,claro). Doo todos menos um. Porque indo para o inferno ,pode ser que com tantas boas companhias, esse ainda me faça falta.
Veio uma resposta à altura:
-Eh pá se já não te faz falta aqui, para que o querias lá…(?!)
Ele há cada amigo falho de comiseração,carago!.
Aladino

Domingo, Novembro 15, 2009

Paraíso ? Qual?


Deus falou no Paraíso ,e os Homens pensaram que sim ,que se poderiam habilitar a ganhá-lo. Crédulos impenitentes.
Ir de vez em quando ao céu já me sucedeu. Mas ver lá pelas suas beiras, o tal Paraíso onde «corre o leite e mel»,isso não vi.
E também adianto desde já que me não cativava. Leite nunca bebi e nem sei a que sabe. De coisas doces(de qualquer tipo, mesmo humanas) não gosto; não uso açúcar em nada. Nem nas palavras e muito menos nos gestos.
Depois de Cristo, Marx. Já aqui o disse.
Este ultimo ideólogo também precisou de inventar um Paraíso para convencer «os seus crentes». Haveria um «Paraíso» no objectivo final de construir um mundo comunista: a satisfação de cada um segundo as suas necessidades. Materiais , intelectuais, artísticas e espirituais. Um Éden na Terra.
Viu-se o que foi.
Não sei se o meu leitor (se o houver) sabe o que quer dizer « Paraíso».
Ora paraíso vem da palavra persa antigo, paradaisa,que em hebraico de dizia pardez, significando um belo jardim entre muros.
O primeiro era recompensa de Deus aos bons. Ora os bons só o eram, se Deus o quisesse. O árbitro era no caso parcial.
O segundo era uma conquista do homem .
Era pois preciso acreditar no Homem, em si, para si, e igualmente para os outros.
E Este mostrou que prefere o «inferno» a ser igual. E foi o «inferno»ou quase, o que fez.
E para isso nem descansou ao sétimo dia. Todos os dias eram (e são!) dias para fazer da vida o dito.
Aladino

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Uma leitora enviou-me uma ideia sobre «Andorinha a olhar a Primavera».

Porque gostei,e até achei muito mais doce e menos provocador-por isso muito mais poético- pedi autorização para o publicar.

Aqui vai
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Uma nova leitura

VEM COMIGO PRINCESA
TROUXE ESTE LINHO BORDADO
ONDE FESTEJAR TEU CORPO

MORANGO DOS TEUS LÁBIOS
ROSADO DO TEU PEITO
SALGADO MAR
MINHA SEDE DE TI

TEU CORPO FUNDO
TEU CORPO MUNDO

ENROLO O FIO DOS TEUS CABELOS
COMO O SOL A PENETRAR A SOMBRA
PARA TRAZER A MADRUGADA

E QUEM NOS OLHA CEGOS DESLUMBRADOS
DIGO

SOU UMA ANDORINHA
ACOITADA NO NINHO A OLHAR A PRIMAVERA.


MR.

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Agradeço.Os meus leitores também agradecerão,certamente.

Aladino

NOS VINTE ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM

Hoje, quando se comemoram os vinte anos da queda do muro de Berlim, data das mais memoráveis -porque na altura inacreditável que acontecesse -, marco civilizacional que teve como consequência o desmembramento de um mundo comunista - que se dizia ser sem na verdade o ser,na práxis nem nas intenções - não pude deixar de me lembrar do episódio que há quarenta anos vivi, ao atravessá-lo.



Talvez valha a pena contar.
Tinha então trinta anos. Foi-me dada a oportunidade de, durante três semanas, viajar nos países do leste, com estadia prolongada na Polónia. Já neste Blog contei passagens desta atribulada – e inacreditável - viagem.
Ia desejoso de confirmar aquilo que na altura me merecia crédito e esperança. Tinha estudado desde os meus tempos da Universidade tudo sobre a teoria comunista. A minha bíblia, era então, o CAPITAL. À sua custa brilhei no derradeiro exame, na cadeira de Economia, arrancando um deslumbrante dezoito.
O que vi, aquilo que ali vivi (e muito foi), o espírito aventureiro de me meter em coisas que não lembrariam ao diabo, depressa me levou a perceber que aquilo era, pura e simplesmente, uma mistificação execrável de um falso regime para os trabalhadores. Uma falsidade que deveria ser denunciada. O que logo me propus fazer. Certo é que me senti profundamente magoado,descrente e desiludido, por ter sido tão ingénua e convincentemente enganado.


O que vi – vi com os meus olhos e apreciei com os meus sentidos-, não me matou a ideologia. Mas revelou-me até onde um bom conceito pode ser manejado, distorcido e depois levado á prática totalmente em contrário do que diz querer fazer.
Adiante: …
No final da viagem, no regresso, depois de mil e uma peripécias onde não faltou uma ida ao «chilindró» - já aqui a contei - eis que no aeroporto de Varsóvia me preparava para embarcar, já farto daquilo tudo, para Berlim (claro Ocidental). Teria um dia para visitar a cidade que me despertava imenso desejo de conhecer.
No aeroporto, à hora anunciada, ouço em alemão, língua que sempre me recusei a aprender (ainda que tenha andado três dias em explicações ao fim dos quais, rapidamente, concluí que era bem mais agradável dá-las (?!) eu à jovem explicadora alemã), vi um aviso - Berlin.Embarquei sem qualquer tipo de oposição.Ainda hoje estou para saber como. Depois percebi, claramente,a razão.
O avião vinha praticamente vazio. Interessante, era que estava a viajar num TUPOLEV o que me sucedia pela primeira vez (eu que os elogiava tanto, como indicador da «superioridade do sistema!). Estranhei o aspecto esquisito da pouca limpeza, do ar cansado dos assentos, da falta de bagageiras fechadas, da oferta de uma bebida (já não digo um menu, o que era habitual naquele tempo) etc.Vinha tão entretido a esquadrinhar o avião e a sentir o seu suave voar, que nem dei muita atenção àquelas questões.
Quando o avião aterrou, olhei com curiosidade pela janela.Achei, surpreendido, que o «aeroporto de Berlim (?)» era estranhamente pouco mais do que um edifício de linhas direitas, cor amarelada, desbotada, sem nenhum pormenor arquitectural espectacular.Enfim pouco mais do que uma cantina.


O pior foi quando saí. Olharam, reviraram o passaporte, e depois de um palavreado ininteligível mandaram-me para uma sala. Esperei horas até que me apareceram dois polícias de aspecto feroz,encharcados em vodka, que procuraram saber como teria eu,ali, aparecido. Claro que nem eles nem eu percebemos. Eu ao que queriam; eles como ali estava,porque nem sabia onde estava. Aonde perguntava-me eu? Deu contudo para entender algo estranho quando me pediram os dóllars (ainda não havia cartões de crédito) e o passaporte onde ,era verdade- tinha-o aprendido na Polónia-, estava registada a quantidade de moeda com que entrei na Polónia, e anotados todos os gastos nas lojas não estatais(cantinas ).Por aviso do Cônsul fiquei a saber do sarilho em que me meti (e os outros) quando numa loja de casacos, comprei e paguei em dollars, cabedais para toda a família e um casaco especial de peles, soberbo, para a minha mulher .Quando na loja anunciei que queria pagar em dollars, mandaram-me calar de imediato, agarraram em mim e levaram-me para um cubículo. Espantado consegui com os dóllars, preços de 50% dos marcados em Zlots. Uma pechincha.Fui chamar os colegas de viagem e a loja ia ficando vazia. Valeu-nos, á noite, o referido Cônsul alertar para o grave erro e consequências. E para o resolver passou-nos «uma carta» de divida, de empréstimo nosso ao Consulado. Receberíamos (lá se dizia) que o valor emprestado o receberíamos em Portugal.
Voltemos a Berlim.Agora estava a fazer ,sózinho,a viagem de regresso.
Nova espera. Outro par de horas. Pelo meio, recordo-me, mandaram-me umas almôndegas intragáveis. Eu começava a compreender que algo de errado se estava a passar. Mas não me tinha apercebido, exactamente de :-o quê(?).
Só me faltava mais esta, ia dizendo de mim para mim. Às tantas entra uma mulher Policia, uma cara patibular montada num corpo de vassoura que, falando num inglês correcto, me clarifica, só então, a questão. Você (YOU) está em Berlim Oriental,Queremos saber como foi possível chegar aqui, Se o seu bilhete era para Berlim ocidental,perguntava.Eu?! Eu não fiz nada, Apanhei o avião que dizia Berlim, e nada,nem ninguém, me disseram estar eu errado, ou o evitaram…
Tá bem... Eles é que não acreditavam. Vieram as malas. Abriram tudo, conferiram dinheiro, interrogaram-me sobre o empréstimo feito ao Consulado etc. …etc. Saíam, deixavam-me sozinho; depois vinham outros (agora já a falar inglês, valeu-me isso),E as horas, a noite, a passar.
E eu fulo. A praguejar com aquela corja, estuporado com o sistema ao sentir que as minhas ilusões tinham ficado por terra (Berlim era a cereja no bolo…) naquelas ultimas semanas.
Deram-me um quarto(uma enxovia ,tipo prisão sem grades, para dormir(?). Ainda sugeri que me deixassem ir à cidade, comer ou beber qualquer coisa. Nem pensar! No aeroporto nada havia para comer além dum gulash aquoso.
De manhã batem á porta.Fui ver.Prepare-se que vai sair,disseram-me.Antes terá de pagar em dollars a viagem Varsórvia -Berlim.Mas eu tinha-a no bilhete ,recalcitrei,mas eles tinha o poder de me manter ali,disseram-meo melhor era pagar e não bufar.
Um minuto depois puxava das notas,nem recibo nem meio recibo ,Alguém as meteu ao bolso,A essa caça ao dollar já me tinha habituado.Acabou-se, Acompanhado, meteram –me num táxi (um carro infecto, uma charanga).E nele vejo-me a atravessar o tão falado muro de Berlim, depois de uma breve paragem de controlo.Tempo de o mirar, danado de não o apreciar em pormenor.Ali estava o muro que Krutvchov dizia ter sido feito para evitar que os alemães ocidentais fugissem para o paraíso do Leste. Para o que ele tinha sido feito,percebia eu ,jáentão ,perfeitamente para quê.

Vejo-me a percorrer as avenidas. Mal tive tempo de olhar. Fiquei sem ter ideia precisa da cidade. Nunca mais lá voltei. Parecia -me estar a viver um filme de James Bond e estava doido que a cena chegasse ao fim.
Passada uma meia hora deixam-me à porta do Aeroporto de Berlim, especado no passeio,malas na mão. Arrancaram com uma leve saudação. Nome dos tipos (?): nem deu para saber.
Ento olho no Aeroporto de Berlim (W), miro o edifício e noto: bem este agora, pelo menos, é outra coisa.Movimento intenso de aviõe militares,era algo de inusual num aeroporto civil.
Tempo de entrar, beber uma caneca e forrar o estômago com um scwheinaxel, Comprar um «toblarone» para o jonh, E eram horas de tomar o avião para Frnkfurt e daqui para Lisboa.
Quando cheguei e me pus a contar,em casa, as desventuras daquele mundo, ninguém queria acreditar. E correram-me com «foi o que sempre pensámos: -és um reaccionário».
Depois foram anos e anos a ouvir alguns dos que assim me apelidaram, a sucessivamente evocarem: estávamos enganados. Eu sorria-me com a cupidez daqueles iluminados,alguns que por lá tinham vivido á custa do Partido.Que deshonestidade intelectual! Alguns por aí andam sentados noutras cadeiras, jurando que agora, dizendo o contrário do que naquele tempo diziam,acreditam piamente no novo dictat.
E quando mudavam de sítio(partido) o que eu achava e acho engraçado (?), era que passavam por cima de mim e iam «empanturrar-se» lá para as direitas capitalistas.
A doutrina comunista era (e é) teoricamente boa; a sua aplicação foi criminosamente trágica. Soube-o felizmente muito cedo .Muito antes do 25 de Abril .Por isso não fiz algumas figuras tristes.
E por isso é que soube (e sei!) muito bem, e sempre, o que queria e por onde ia.

Aladino

Domingo, Novembro 08, 2009

Andorinha a olhar a primavera


Vem comigo, princesa;
Trouxe-te este alinhado bordado
Para enfeitares o leito
Onde quero festejar o teu corpo


Sorver o morango dos teus lábios
Carnudos,
Beijar os figos melaços
Que te rosam o peito;
Sorver o salgado do mar
No declive do teu ventre
Onde guardas a fonte
Que sacia a minha sede
(De ti.


Esmordaçar o teu corpo
Fundo
Dardejando -o e endoidando-o
No latejar dos sentidos loucos
Deste mundo.
Trocaremos beijos entre gemidos
Enquanto de olhos fechados
Sentirás a maré a subir;
Que vinda do mar nos trás a maresia
Para perfumar a nossa cama
De uma doce poesia.
Afogando-nos na espuma que se desmancha
Contra os novelos que tecem
O teu e o meu corpo.



Fujo para o interior dos lábios
Encostando a língua ao céu da tua boca;
Entrelaço-a nos ais falados
Molhados,
Na saliva quente das margens do sonho
Enquanto enrolo os fios do teu cabelo
Desalinhados,
Para com eles fazer uma trança ao luar;
Encaixados na noite,
Somos como sol a penetrar a sombra
Para trazer a madrugada.

Sinto o anel das tuas coxas
Enlaçando,
Enforcando , o meu corpo
Numa avidez louca de desejo.
Parecemos na noite barcos negros
A marear a vaga alterosa
Em vai-vem frenético ,contínuo.
Perdidos não param de se procurar
Ligados pela fantasia da intimidade
Dos teus e meus, abraços.


E só por fim quando a acalmia vem
Com ternura me colo aos teus recantos
A minha boca inerte, entreaberta, saciada
Pousa nos teus ombros suados,
Cansados.
E enquanto a minha mão enforma o teu seio
Túmido e pontiagudo,
Abandonado,
Os meus pés tocam os teus
Que estremecem de novo,
Inquietados.
De mansinho lavram os meus,
Deitando a semente à terra
Que não tarda a germinar
E logo a florir no jardim
Encantado
Do teu regaço lindo.
Como que dizendo
A quem nos olha,cegos,deslumbrados,
Que é tempo de voltar a’mar
Chegou ao fim
O Intervalo.

Sou uma andorinha acoitada no ninho
A olhar a Primavera.

SF –Nov 2009