quarta-feira, março 18, 2020






MITOS QUE GAGO COUTINHO DERRUBOU....


Nos inícios do Séc. XX, ainda poucas as certezas haveria  sobre a historia dos descobrimentos  portugueses. O que se sabia ,era mais a fazer fé nos relatos dos cronistas de então que ,claramente, nada(ou pouco sabendo)de navegação, não mais eram que contadores exaltados dos feitos acontecidos(ou recriados), quase sempre destinados para satisfação do Rei;  momentos épicos ,de superação de tempestados, nevoeiros, encontros fortuitos, medonhos, a que só a bravura dos navegadores portugueses era capaz de superar.
E se a história no referente às viagens no Atlântico Sul e Índico,tinham relatos em que fixavam lugares identificados, e rotas (exemplo das que levaram Vasco da Gama à Índia com uma certeza indiciadora de ser viagem habitual para os mouros), as viagens do norte do Atlântico ,feitas segundo intenções, fins e sem  regimento rigoroso, obrigatório, pareciam apagadas da história, deliberadamente.
Seja.
Importa insistir que no inicio do referido século, historiadores  que com diversos ramos de saber, foram, passo a passo, clarificando e desmistificando a aventura, tornando-a mais humana, com  uma dimensão mais próxima do homem do que do acaso.
De entre esse grupo de historiados do princípio do século, distingue-se Armando e Jaime Cortesão ,Gago Coutinho ,   Luís Albuquerque, Damião Góis e uns poucos outros.
Achamos do maior interesse os elementos carreados por Gago Coutinho que mostrou por ciência vivida, experimental, provada, que muito dos mitos expressos nas crónicas e croniquetas avulsas que nas bibliotecas pululavam, eram claramente deturpados e induziam a uma leitura distorcida da realidade.
Gago Coutinho, oficial da Armada com mais de cincoenta travessias do Atlântico ,dispôs-se a embarcar na barca “Foz Do Douro”, capitaneda pelo Experiente Cap Fernandes Mano Agualusa, levando como imediato e piloto, os capitães Domingos Magano e Fernandes Matias, todos de Ílhavo. Homens experimentadissimos, conhecedores exímios das pilot charters americanas, com a indicação,para cada época do ano, dos ventos no Atlântico.

A Gago Coutinho interessava-lhe demonstrar o pequeno erro entre as leituras feitas no seu pequeno seu astrolábio de latão, propositadamente mandado construir,e as leituras feitas pela tripulação com o sextante moderno. Assim, a cada medida Gago Coutinho praticava lado a lado com os oficiais,estes equipados com sextantes e cronómetro, ele com o seu astrolábio.
Até ali haveria a ideia de que o astrolábio teria tido importância e permitido a navegação para fora do alcance de terá,com a permissão da leitura da Estrela Polar.
Gago Coutinho  veio demonstrar é que a leitura que interessou, e foi fundamental,(já conhecida no tempo do Infante) nas navegações(leitura da latitude) foi a observação do Sol ,e nunca a observação da Estrela , porque de resultados e prática duvidosas(até porque a Estrela não coincide com o polo,pois descreve em seu torno uma circunferência de sete graus de diâmetro). Ora o Regimento do Sol era já conhecido anteriormente ao tempo do Infante(Libros de Saber).
Que era o astrolábio o utilizado isso parece bem claro no Roteiro da Viagem de D.João de Castro.
E terá sido depois de 1481 que feitas tabelas mais correctas se construíram as- trolábios de grande dimensão, que em terra montados sobre cavaletes permitiam tomadas de posição com erro inferior a 1/10 do grau.(2 léguas).
Claro que o erro a bordo com a oscilação do navio era maior.(Gago Coutinho assume 1/6 de grau).

Outro mito desfeito por Gago Coutinho nas suas inúmeras navegações Atlânticas, centra-se na absoluta e categórica prova que as rotas atlânticas de Gama e Cabral ,não foram obra de acontecimentos fortuitos (ou empurrados por terríveis ciclones, ou tormentas)pois ,como conclui  Gago Coutinho ,quer ele nas suas travessias do Cabo ,cinco vezes), quer nas informações colhidas nos CLIPPERS da altura, constataram (e isso era conhecimento de todos os bons práticos) que as rotas adoptadas por Gama e Cabral-diferentes porque a partida foi diferente na época-denotam firme certeza de que os ventos dominantes ,em várias estações do ano ,sempre permitiam montar a terra saliente entre os actuais cabo São Roque e Santo Agostinho, da costa ocidental – aliàs prevista no tratado de Tordesilhas de 1497). Isto é: essas rotas tinham sido intensivamente estudadas e delineadas, de modo a dobrar-se o Cabo da Boa Esperança na abordagem correcta . Gago Coutinho  diz que em todas as dobragens que fez (e de que tem conhecimento das mesmas )que  a travessia foi feita sempre com bom tempo, sem dificuldade alguma, tão longe do modo  como os cronistas exaltados e verbo hiperbólico , descreveram (talvez para infundir medo á concorrência).A dobragem custou nove dias a Gama, muito longe dos terríveis seis meses das Lendas,onde o descrevem,  sujeito a terríveis e medonhas procelas.





Resta por fim uma clarificação sobre o achamento do Açores. Coutinho refere que já antes de 1.300 os Açores vinham mapeados. A abordagem feita directamente por acaso ou por decisão, directamente da costa africana(aquando das viagens para as Canárias) era complicada e havia por isso sempre a tendência a colocar tais ilhas a mais de 300 léguas do que efectivamente  estavam.Por isso as ilhas continuavam a ser cobertas. Só quando dominámos a volta do largo no retorno  da Mina, é que facilmente as descobrimos.

Os portugueses(Gama) encontraram os mouros ,no Índico utilizando para lá do quadrante e da  da balestilha,certamente já com o astrolábio.De facto Coutinho  equaciona que a viagem guiada pelo piloto mouro de Melinde, apesar de ser feita com a monção, demorou três semanas tendo passado  (certeiramente)entre as ilhas Laquidivas e Maldinas,no canal dos 9,5,o que só poderia ter acontecido se feita pelos astros.

SEnos 



sexta-feira, fevereiro 21, 2020


  VIDA CUMPRIDA:...

Ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, desenvolvi,a convite honroso, a palestra: “As Artes da pesca no Norte Atlântico ,no Tempo de João Vaz Corte Real”.
E embora as condições físicas não fossem as melhores, creio que correu muito bem.
Presentes vários conterrâneos que me deram o grato prazer de ali se deslocarem, a partilharem comigo  tão honrosa presença.
Bem: fui fazer uma palestra e vim com o Convite, agora da Academia Portuguesa de História (cuja directora ali esteve, propositadamente, para apreciar)para, naquele  centro de grandes pergaminhos na  divulgação de saberes, ali fazer uma conferência. Aceitei se a saúde o permitir.
E com neste honroso convite, atingi em absoluto o que confesso, sempre sonhei. Sonhei-o por meu Pai que certamente ficaria deslumbrado pelo modo como concretizei a motivação e gosto pela procura histórica, que cedo me transmitiu. A leitura, o modo como a história deveria ser olhada, dele intuída, estiveram no êxito que colhi.
Tive assim três vidas intensamente vividas: a vida profissional de que guardo grande orgulho por tudo novo que na mesma fiz. A  vida cívica pelos 36 anos de inteira entrega à direcção das Associações de referência da minha Terra. E finalmente esta dedicada ao estudo histórico em várias vertentes, iniciada logo que encerrada a vida profissional, com passos seguros, intensos e bem programados, que agora atingem a divulgação que me atrevo a supor merecida. Pena não ter começado mais cedo.Mas que a vida foi soberanamente preenchida,foi!.
Valeu a pena. Por mim, e por Eles, por todos os meus. Porque para eles guardei sempre lugar primeiro.
E hoje volto ao trabalho.A preparar uma nova intervenção este que causa alguma preocupação .Subordinada ao Tema “AS NOVAS FORMAS DE ESCRAVATURA”.
Vamos lá então que o dia 2 está próximo.
Senos da Fonseca

quarta-feira, fevereiro 12, 2020





Eutanásia...




O problema é tão delicado e tem tantas vertentes de análise,que me parece perfeitamente estulto e de uma inconsciência chocante, decidi-lo numa simples votação de "iluminados".Não importa a minha posição pessoal ,e qual seria a minha votação ,importa-me que poucas outras questões justifiquem um referendo ,mais do que esta o exigiria.
Pérfida utilização da democracia.O País político perdeu a consciência e mergulha no lamaçal da iniquidade.
Senos da Fonseca

terça-feira, fevereiro 11, 2020




 RUMOS POR  "quartas"
Na pesca à linha, os pescadores, abandonado o barco-mãe, faziam emposta nos seus dóris, em rumos variados referenciados no agulhão, agulha levada no dóri, em procura do pesqueiro que julgavam, o melhor.
De um modo geral os pescadores do final século XIX e princípio do século XX, não tinham ainda instrução capaz de os levarem a orientarem-se pela leitura da agulha magnética, em graus. Para isso, quer os mesmos, quer também os oficiais, faziam, e davam a leitura da agulha por quartas, na tradição vinda dos tempos das grandes navegações.
As divisões Norte, Sul, Este e Oeste são os pontos cardeais. Entre cada dois cardeais consecutivos, existem os pontos quadrantais ou colaterais, dividindo ao meio (45°) os quadrantes: NW (Noroeste) NE (Nordeste), SW (Sudoeste) e SE (Sudeste). Dividindo agora cada um destes oito quadrantes, teremos o NNE (nor-Nordeste), NNW (nor-Noroeste), ENE (lés-Nordeste), ESE (lés-Sueste), SSW (sul-Sudoeste), WSW (oés-Sudoeste), WNW (oés-Noroeste), divisões que se chamam de meios quadrantes (meios rumos ou meios ventos). Dividindo agora estes dezasseis a meio, obtêm-se as quartas. Um quadrante (90°) tem pois oito quartas. A rosa dos ventos compreende, assim, 32 quartas, sendo que uma quarta representa 11°25; e um quarto (quarta parte de uma quarta) 2,5°.
As quartas designam-se do seguinte modo: primeiro pelo ponto cardeal (ou o quadrantal) mais próximo da divisão que se quer ler. Lê-se em seguida essa divisão e, no fim, o quadrantal ou o cardeal que se segue.
Assim (exemplificando):
Norte N
Norte um quarto a Nordeste N 1/4 NE
Norte meio a Nordeste N 1/2 NE
Norte três quartos a Nordeste N 3/4 a NE
Norte quarta e três quartos a Nordeste N4 3/4 NE
Nor-Nordeste NNE
Senos Fonseca in Os Últimos Terranovas Portugueses

segunda-feira, fevereiro 03, 2020



Vamos indo que há pressa...





Hoje fui à Grafica para ver a 3ª Edição do Ilhavo Ensaio Monográfico -Séc.X-SécXX.Estava pronto ,acabado de sair do forno.Ser-me -à entregue amanhã ,mas trouxe um exemplar.

Curiosamente -e talvez não- tenho um certo pudor em manuseá-lo.Deve ter sido uma coisa semelhante ao que meu Pai sentiu quando nasci.Nem me quis tocar com medo de... e pensou,certamente:
-Tens o melhor de mim,agora a vida vai ser contigo.Tens de provar que mereceste.E assim foi....















Bem ! fui "buscar" o Ensaio e levei comigo o próximo trabalho: A LUTA PELA LIBERDADE-Joaquim José Queiroz (Da Revolução de 1820 à revolução de 1828).



Uma achega para a comemoração dos 200 anos das lutas liberais,onde o Conselheiro Queiroz(e outros seus companheiros ,Mártires da Liberdade) foram grandiosos
Pois:assim continua a saga.Enquanto puder farei o que sempre soube fazer: trabalharei no que gosto.
Senos Fonseca
Fotos:
capa e contracapa do Ensaio(3ª ed).
Capa da "Luta Pela Liberdade"- Joaquim José Queiroz.

sexta-feira, janeiro 31, 2020





BLOG: Terralampada.blogspot.com

E por . vezes apetece cuidar da palavra ...e da alma.Vá lá saber-se porquê.

Juntam-se as palavras vindas bem lá do fundo,guardadas em local de todo inacessivel

SF
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Erram
Aqueles que pensam
Que vem sempre o inverno
Depois da primavera.
Solta-se o poema indeciso
Incapaz de resistir a tão guardado
Sorriso.
Deixo …
Deixo sonhar aquilo que vejo
Por detrás de tão transparente
Serenidade,
A olhar, pasmado,
Para tão doce como imensa
Intimidade.
Em Ti não há estações,
Porque o Teu sorriso
Mantém a frescura
E a claridade
Dos riachos na primavera.
SF

quinta-feira, janeiro 16, 2020




Veículos elétricos. Em boa verdade...cautela...  não corra.
 O melhor está para vir.



Na discussão tida ontem na Sociedade de Geografia, versando  o tema veículos elétricos, em que  estiveram diversos especialistas(só na mesa três professores catedráticos, deixei a minha ideia bem formatada, que creio foi aceite, a ponto de imediato, se conversar no final sobre um possível próximo agendamento de uma sessão do Grupo.
Penso que o assunto é interessante atual:
Então é assim:
1-    A verdade sobre a possível solução do veiculo elétrico ,tem sido distorcida por claras razões (comerciais e ou grupos ambientalistas radicais) de fazer passar uma mensagem que não corresponde ` realidade.
2-    As principais limitações (parecendo tornar esta solução uma não solução ) residem na capacidade de armazenar energia suficiente para corresponder a uma autonomia. suficiente(nos automóveis mínimo 300 km).Mas para lá dessa capacidade de guardar e bem gerir a energia acumulada, haverá sempre a questão da rapidez do recarregamento .Isto é do tempo para recarregar as baterias, quando em viagem imprevisível. Verdade é que quanto mais rápida for a recarga(15 a 30 min) muito menor será duração (a vida) da bateria. Imaginem-se as baterias de carregadores necessários para reduzir esperas, nos postos hoje de combustíveis fósseis, se essa solução se tornasse universal(na verdade há vinte anos, pensámos , discutimos e equacionámos, a hipótese de packs que se poderiam trocar. Numa scooter viável, num automóvel ....  quase impossível(a Nissan tenta,hoje, o milagre).
3-    Nos últimos 20 anos pouco ou quase nada se tem avançado, desde o lançamento da primeira scooter eléctrica a  nível mundial – a“Electron”- desenvolvida e testada  Portugal, no projecto que então codirigi..

4-    Verdade que então conseguimos baterias (de gel, produzidas na Alemanha que aumentaram 20% o capacidade).(Precisávamos de uma autonomia segura de 50km,e só conseguíamos 35/max40km)
5-     Na volta ao mundo para encontrar novas soluções,  então dada, foi então que, nos Estados Unidos, nas reuniões com a Universidade S. Francisco,fui levado à BELL onde me foi falado e mostrado o esquema de baterias de iões de lítio,em que cátodo e ânodo ,separados pelo electrólito condutor seriam (?) fabricados em rolo, tipos filme.Eram as futuras packs de bateria de lítio, então ainda em estudo.
                                                     

6-    Hoje essas baterias estão no mercado. Resolvem um ganho enorme no volume necessário, mas não resolvem (nem parecem vir a resolver)a questão de capacidade suficiente ,útil .Obrigando a recarga assiduamente.
7-    Ao contrário do que alarido, os veículos unicamente equipados com baterias têm autonomia baixas( na realidade só 50/60 km) e mesmo assim essa autonomia baixando radicalmente  quando  negativamente influenciada por diversos factos: temperatura exterior, condução etc.(assim dependem do tipo de utilização e até por exemplo se o proprietário tem garagem onde carregar á noite,ou....)
8-    O veículos híbridos nada resolvem, e não serão nunca solução. Mas atenção :poderão sê-lo no caso por exemplo de grandes navios. Obrigados a entrar nos portos movidos a energia eléctrica, sendo  as baterias carregáveis em mar alto ,pelo motores principais.A poluição era feita em alto mar.
9-    Resta então o que ê? A resposta está nos estiradores dos engenheiros. Depois de nos capacitarmos da não solução das baterias , depois de assistirmos que a esperança do lítio  é assunto mais que duvidoso(nos veículos eléctricos ,não em todos os restantes equipamentos: telemóveis, computadores, electro domésticos)a pilha de oxigénio /hidrogénio será,  estamos em crê-lo, a solução. A dificuldade está apenas em dominar a utilização do hidrogénio de um modo seguro.
10- Então o que parece desenhar-se? Não utilizar o hidrogénio armazenado em tanques(como nos foguetões ,por exemplo) mas iões de hidrogénio em placas metálicas.(como o caso do lítio).Sei que a BMW já corre com a solução. Há duas semanas houve um acidente num posto de recarga. Só que o acidente não esteve na utilização, mas no armazenamento, no posto. Parece que tudo está a postos para recomeçar asa experiências.
11- Outra questão: não é minimamente verdade que o uso de veículos com baterias energéticas seja uma utilização verde, pura. Basta pensar no trabalho nas pedreiras a retirar o lítio dos granitos, no tratamento, decantação, calcinação, etc. etc....e depois no fim de vida. Uma bateria poderá durar 5 anos se....Depois desse período o que fazer com ela ? Como retirar o bom, e deitar fora o mau? E onde colocar este?
12- Mais verde ? ...sim...mas não zero. Bem ao contrario das pilhas O-H.

1ªNota. Esteve presente um representante (?) da “Tesla”.Sem duvida apresentou muitas vantagens nesta solução mais evoluída. Mas, com sérios e muito idênticos problemas. Apenas minimizados. Aliás as vendas de veículos elétricos se aumentou até 2016,dai para a frente vêm caindo sistematicamente. Resposta categórica do mercado).
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MITOS QUE GAGO COUTINHO DERRUBOU.... Nos inícios do Séc. XX, ainda poucas as certezas haveria  sobre a historia dos desco...