sábado, março 15, 2008

NINGUÉM QUER ANDAR ÀS ARRECUAS…

Não!..não gostei liminarmente do que ouvi, há pouco.
Não o que o representante da Fenprof disse, mas o que disse o Secretário de Estado :-que a avaliação para os 7.000 professores que se irá fazer este ano, «será a possível». Eventualmente diferente de escola para escola, agilizando o acto julgador, adaptando-o às capacidades possíveis, existentes, em cada uma delas.Isto não é, rigorosamente nada. Não há avaliações simplificadas, diferentes na aplicação ou na forma. Assim não é nada. É tão desmotivante como não a fazer.

A avaliação é um caso muito sério, acto pleno de responsabilidade. Por isso não aceito diferentes maneiras - escola a escola – de as fazer.Aceitava melhor uma cedência para adiar, desde que houvesse um compromisso assumido por todas as partes de que seria implementado, universalmente no próximo ano ,com empenho de ambas as partes.Salvo que este episódio não signifique senão um estádio do acordo que virá aí.

A disponibilidade de ambas as partes em continuarem o diálogo, cheira-me a isso, depois de o sindicato ter dito que hoje era o dia do sem regresso.

Ora para já também poderemos dizer, houve recuo dos Sindicatos.

--------------------------------------------------

AMIGOS SIM, MAS …«SEMI-VELHOS»

Nesta fase da vida em que me encontro há que ter selecção nas amizades que ainda se vão fazendo.Explico,desmotiva-me fazer amizades de última hora com pessoas da minha idade;ao contrário motiva-me ,ainda, fazê-las com pessoas mais novas .Mas não muito.
porque,

se o novo amigo for da nossa idade - ou mais velho - há fortes probabilidades de virmos a assistir ,doridos ,à sua partida .Estou cansado disso.

mas,

se o novo amigo for muito mais novo, perante a nossa provável antecipada partida, dirá«o velhote lá foi ;já tinha que lhe bastasse .Foi na idade».
Gaita, que falta de respeito!
Mas se o novo amigo for mais novo –mas não muito ! -olhará para o passamento com respeito, porque,interiorizará :- « bem ;é tempo de começar a meditar que esta hora chegará ,também ela, a mim ,mais cedo do que parece». E como começa a ver o tempo - e a terra !-a fugir-lhe debaixo dos pés - e talvez e só por isso- ao menos mostra-se respeitoso.
Ao menos …porque lhe pode acontecer o mesmo.
Sendo assim , novos «amigos»,a suceder ,só «semi velhos» que o mesmo é dizer ,poderem apor o letreiro de «semi novos».

Como os automóveis.Com garantia e tudo…

-------------------------------------------------------

BOA MALHA

Caso curioso que não interessa, aqui, particularizar, trouxe-me à ideia como deveria ser interessante, escrever, debaixo de férreo pseudónimo (não como o Aladino, escancaradamente denunciado).
Gozava-se com as apreciações que se iam ouvindo. Deixávamos de ser confrontados com hipocrisia; intuímos fonte sabida que quem apreciava, apreciava pelo conteúdo e não pelo rótulo do autor.
Ora foi sem querer, que recentemente me defrontei com tal situação do anónimato.Foi engraçado.Surpreendentemente engraçado.Boa malha.
E que teve o supremo gozo de nem ter soido jogada por mim . Que não foi jogada por mim.

------------------------------------

A «Pinta Cristos»


Ontem deu-me para passar ao papel, esta figura popular de Ílhavo, da primeira metade do séc XX.
Delirei com o que estive a fazer .

E chegado o momento do diálogo entre o abade Francisco dos Milagres e «o Cristo», ri-me a bom rir,sózinho e comigo próprio.Este é que é o verdadeiro climax orgasmico do acto de escrever.

Um excerto Cristo :

- que leva a Srª do Rosário escondido debaixo do cabelo, Francisco?

- batatas senhor ; batatas da« Maria» que Te pinta,Senhor...responde o Pª Francisco dos Milagres....

ALADINO

sexta-feira, março 14, 2008


QUE FIQUE CLARO...


Primeiro:


Não tinha lido último «O Ilhavense».Foi pessoa amiga, atenta, que fez o favor de me contactar, chamando-me a atenção para uma série de coisas que lá vinham, que talvez no seu entender, justificassem uma olhadela minha.

Curiosamente, a solícita amiga, tinha reparado numa estranha coincidência.
Num trabalho muito louvável – confirmo-o desde já em absoluto -a Prof. Isabel Madail vem publicando um Glossário de Regionalismos, no Jornal, de que me não tinha dado conta.
Ora, no Blog de há dias, disse-me a atenta leitora – eu teria empregue a palavra BALANDRAU, precisamente uma das que estavam incluídas no referido glossário. Coincidência pura, mas engraçada. Fez-me sorrir, pois que a utilizei, até hoje, uma ou duas vezes, se tanto. E embora, pessoalmente, não a considere um regionalismo, reconheço que a ouvi em Ílhavo. E logo por coincidência, a referi na data em que a mesma vem referida no Glossário, inserido em «O Ilhavense» (embora me pareça que com uma gralha de edição)

Nada mais do que a ocasional coincidência. Mas lá que as hay…hay…

O trabalho de Isabel Madail, que já há bem pouco tempo trabalhou num opúsculo com Hugo Calão, sobre o «Sr. Jesus dos Navegantes» – aqui referido na altura –, é apenas a confirmação do muito que esta ex-professora do Ensino Secundário, poderia, se o quisesse, ser (muito) útil à cultura ilhavense.
Depois da geração de vinte a cultura local ensombrou (e quase soçobrou). Ficou nos tinteiros. Fez-se pouco ou quase nada. Parece que nos últimos anos algo está a mudar, apenas e só produto da iniciativa de meia dúzia, completamente desamparados. Todos os que são capazes – e Isabel Madail, é-o -deveriam perder o medo, ou acanhamento, e deveriam publicar aquilo que sabem. E há muitos domínios ainda obscuros. Sugeri já, o quão interessante seria olhar com mais profundidade para a história da igreja, em Ílhavo, tão associada a mesma está à história da urbe e das suas gentes, que é impossível dissociá-las, até ao século XIX. Isabel Madail é uma dessas pessoas, entre outras, a conhecer bem esses meandros, podendo, pois, esclarecer muito que urge explicar, ou melhor conhecer.


Segundo


O curioso de tudo isto é que tenho já entregue na tipografia, pronto para edição «O Labareda». E o que é o«O Labareda»? É um escrito feito num linguajar mais do que regional, local. Que começando por ser uma coisa bem diferente, quando o terminei, cego ainda pelo olhar doce da «Amélia Labareda», e voltei atrás, ao olhá-lo encontrei, em rodapé – felizmente o Word foi-os registando e alinhando – cerca de 300 expressões (palavras) boiando no caldo do falar das nossas gente de antanho, servindo-lhe de conduto.

O que começou por ser uma (1) página para o Site, transformou-se num exercício em perfeita embriaguês que se foi escrevendo a ele mesmo. Estará cá fora em Maio.

Não sendo, pois, um Glossário, ou não o pretendendo ser, conterá, inevitavelmente, antevejo, algumas das palavras que Isabel Madail registou e tratou; e certamente muitas outras bem diferentes. Não há nada de mal. Antes bem pelo contrário. Tudo o que fizermos para enriquecer a nossa memória sobre o passado das nossas gentes, será bem-vindo.
E se feito esse reavivar de um modo sistematizado, orientado por profissionais como a Dr.ª Isabel ,então estaremos perante trabalhos de maior profundidade do que os feitos ao correr da pena, em exercício de paixão que teimou em não acalmar, inebriado com «O Labareda»,a «ti Norta» e a «Maria Pederneira» e «O Pilado», postos a esbarafustar.

-----------------------------------------

ESCANDALIZEI ?!…

Aqui há uns tempos parece que escandalizei quando, publicamente disse que «me estava marimbando para os que me liam, pois não era essa a minha preocupação quando escrevinhava»

Nos últimos dias tenho-me deliciado – é o termo – com a leitura de Luís Pacheco, o escritor maldito.

Ora nele, e no drama de uma quase loucura libertina perpassada pela genialidade, detectei algumas sensações que, com espanto, me são também comuns. Serei menos louco que Luís Pacheco. Vá lá! Certamente. O que serei-iso é certo- é um zero cultural perante um dos maiores da cultura portuguesa, que nela só não foi tudo, porque não quis.
Quando o vejo dizer que ficava passado (ele disse-o em calão, claro!) quando o elogiavam; e que ,ao contrário, restava muito melhor quando o atacavam e ou censuravam, pois ficava muito mais descansado porque ,assim ,o ajudavam a meditar...,
Reflicto,
na leitura de L.P. dei com aquilo que tenho repetido imensas vezes neste Blog: -as censuras motivam-me; os elogios (felizmente bem poucos) atrapalham-me, inibem – me.

Mas mais espantoso foi a afirmação de L.P que dizia : quando escrevo quero é lá saber do leitor. Ele fazia aquilo para si e nem sabia se o ia publicar. Se lhe dava gozo, fazia-o; se não lhe dava, rasgav. O leitor que se lixasse…dizia…

Ora é isto mesmo o que eu quis dizer com a minha – oh! céus – terrível afirmação.

Explico: as coisas quando começam, são só e exclusivamente feitas para mim, mesmo. O gozo inebria-me.Por vezes o difícil é parar. Ora durante o tempo em que as palavras são só minhas, divirto-me. Tenho mesmo medo que o prazer se vá.

Mas quando chego ao fim e dou por mim, num caso ou noutro, a entender (sem ouvir opinião seja de quem seja) que aquilo até «tem forma e virtualidades» para ser publicado, o gozo finda. Vai. Esfuma -se.
Começar a corrigir, pôr-me no lugar do leitor, avaliar o sentido, o ritmo, tudo enfim, torna-me ansioso, enerva-me, força-me, retira-me todo o prazer ao trabalho (nesta fase já é trabalho, por vezes forçado). A naturalidade com que surgiram as ideias que deram corpo ao escrito, desaparece como por encanto. Parece que me chego a aborrecer com aqueles que um dia, eventualmente, me poderão vir a ler, parecendo culpá-los do prazer que me retiraram, de aquilo não ser só para mim.

A primeira fase exige-me espontaneidade, naturalidade, sinceridade. Deixar-me levar pela intuição sem esquemas rígidos: escrever tudo de um jacto, sem uma emenda, sem a preocupação de ser bonito, pois é só para mim. A segunda exige-me paciência, esforço, insistência, que por vezes se transformam em sofrimento.

Expliquei-me?!. Então esqueçam o que disse… o escriba.

ALADINO

quarta-feira, março 12, 2008

ACEITAR A AVALIAÇÂO É PROMOVER-SE,PROFISSIONAL E SOCIALMENTE



Ou me engano muito, ou as coisas vão evoluir no sentido de agilizar a avaliação dos Professores, e de uma forma experimental, libertá-la da complexidade burocrática excessiva.E através dos conhecimentos retirados do ensaio , melhorar de imediato sistema, até que, daqui a dois três anos, os Professores venham a reconhecer que o caminho não poderia deixar de passar pela avaliação, e isso no seu próprio interesse.

Não reconhecer os resultados medíocres do nosso labor (por mais esforçado que seja) provocado por deficiências estruturais do sistema, e não tentar auto-promover a reforma, participando e dando o contributo, é um cruzar braços, é um encharcar de tédio, é comportarmo-nos como abúlicos, desinteressados da vida.

Eu gostava que os profissionais percebessem que o sentido de vida está no entusiasmo, no orgulho, no sacrifício com que nos atiramos ao desempenho da nossa profissão.Ou até fora dela...

----------------------------------------

AS PARLAPATICES…do costumeiro

Com o seu habitual riso afivelado em exibição alarve da colgateana dentuça, mesmo quando fala de coisas sérias – o que leva a considerar a hipótese de ele próprio não se levar a sério – Ribau Esteves dizia ontem na SIC – Noticias, que não admitia insinuações a Rui Rio, pois que ele, Ribau, tinha uma Câmara incluída entre as mais bem geridas no País (ih! Ih! Ih!) sujeita a auditorias de grande cuidado e atenção.

Nada mais mentiroso!...

Basta ler o «O Ilhavense» de 10 do corrente, e saber que por ordem dele, o PSD local chumbou uma auditoria (externa) proposta pelo PS, que tinha o apoio dos restantes partidos.
Aliás pela mesma notícia ficámos a saber que a dívida da CMI, admitida por J Oliveira (QUARENTA MILHÔES DE EUROS! – é obra!!!... sem obra) tem, pois, toda a razão de ser a versão correcta. Quem mentiu foi o pantomineiro Esteves. Com o chumbo da auditoria, RE perdeu claramente a face.

Ri-te… Ri-te….que no fim ainda te hei-de ver chorar …. Ó manholas.

E habituado, aqui, neste lameiro, a tratar assim estes problemas, leva para Lisboa o vício.
A tranquilidade inefável com que verborreicamente afirma dislates e trapaças deste tipo, é impressionante. Pompa palavrosa, ênfase na retórica, efeitos cénicos no despejo de futilidades:- eis o discurso vazio do prócere.

Marcelo Rebelo de Sousa considera as palavras de R.E são tolas. Pacheco Pereira, delas diz, que são patetices a que se não deve ligar. Vozes de burro…

Olhem se fosse eu a dizer isto?
---------------------------------------------------


É BOM …

Ontem num grupo de comensais, um pouco inesperadamente, ouvi da boca de um dos presentes, um rasgado elogio ao« Zé Balseiro».

Gabava o presente – ele médico também – no Zé, a sua extrema fidelidade ao «amigo», a sua integra forma de estar, a sua inegável, mordaz e inteligente, ironia, e aquela indesmentível rudeza que por vezes fazia gala de exibir; se e quando fosse necessário, chamar os bois à canga. Era uma rudeza genuína, daquelas que vinham e logo iam, passada a borrasca.

Ora o elogio saiu sem o autor, sequer, saber ou imaginar, a relação próxima – tão próxima que eu nunca a soube, bem, distinguir da votada a um irmão – que existiu entre nós dois, vida fora desde menino até à sua partida.Que nunca teve momentos baixos nem altos, porque foi sempre de grande cumplicidade. Na casa dos seus Pais, sempre me senti como um filho mais novo, pois era constante a minha presença, numa vivência intensa e próxima,quase diária.

Qual não foi a surpresa do companheiro de mesa quando puxei dos meus galões. E recordei muitas das cumplicidades – e foram tantas! - tidas com aquele companheiro de jorna.
Às tantas o colega do José, disse-me:

-Espere aí. Então estou a ver que você era «o tal» de quem ele falava, dos jantares do 25 do dito, da gravata preta, etc. etc.

-Pois: eu próprio! O que reunia á volta de uma mesa -que era provavelmente das mais plurais reunidas nos tempos convulsos pós 25 de Abril – uma plêidade de amigos que iam da extrema esquerda à extrema direita, que, descontraída e de um modo plural, mas não menos vivamente, numa elegia à amizade, reforçavam os laços de amizade, desse modo.Como que a cobrindo com um balandrau, obviando a que a conturbação dos tempos os folgasse, ou sequer deslaçasse, desse modo mantendo intacta a proximidade que vinha de muito atrás, e que era necessário preservar a todo o custo. O que aconteceu até que um atrás de outro, foram partindo. Fui ficando desagradavelmente só,apenas com as recordações.

E porque o Dr. Balseiro fazia gala em se levantar sempre que pronunciado o nome de Salazar, por sacanice, passávamos a jantarada a evocar o fradalhão de Stª. Comba. E o Zé a levantar-se, tantas vezes quantas o excelsopara ele, claro! - nome fosse pronunciado.


Aladino

sexta-feira, março 07, 2008

Um canto novo virá.


Minha terra

Minha amada de sempre

Minha terra para sempre


Terra de gentes

Da ria, do sol

E do mar,

Porque Te sinto chorar?

Eu sei que já não és hoje

A mesma que foste outrora.


Tuas azenhas já não choram

E o teu sol já não brilha,

Tua ria está cansada de correr

Para se ir afogar no mar


Mas Tu estás longe de morrer!

Um dia lá virá um canto novo

No bico de uma gaivina

Que pousará levando-te acreditar

Que com ele chegou a hora

De devolver o sonho ao teu povo

E pô-lo de novo a ousar..


De novo a navegar….

S. F.
Março 2008

quinta-feira, março 06, 2008

OU FORA OU DENTRO …
Assim é que não podemos estar


Quando dizemos que alguém mente, distorce,baralha ou confunde, estamos precisamente a dizer que esse alguém tanto pode ser o Ministério, como então, os Professores. Neste exacto momento, confessamos, temos dificuldade em perceber, QUEM?

Se for o Governo pouca importância terá. Mude-se para melhor, e que venham outros fazer o que este não soube fazer.

Se forem os professores pior. Porque estes não se podem mudar.Não temos melhor, nem pior ,pois como parece, preferem ser todos iguais.

Essa é a grande diferença.

Mas seja o que for que acontecer, por favor, tirem este «Ensino» do estado de coma (induzido ou real?!)

Culpa de quem? De nós todos…

SF
Avaliação (Eis a questão)


No meio desta confusão ,alguém mente ou distorce ,ou baralha ,ou confunde .
Quem ?
Não há duvida que o País tem interesse em sabê-lo
------------------------------------------------------------


Portal do Ministério da Educação
N B -os sublinhados são nossos

P: O que se avalia no desempenho dos docentes?

R: A avaliação incide sobre duas dimensões do trabalho docente: (1) a avaliação centrada na qualidade científico-pedagógica do docente, realizada pelo coordenador do departamento curricular com base nas competências); (2) e um momento de avaliação, realizado pela direcção executiva, que avalia o cumprimento do serviço lectivo e não lectivo (assiduidade), a participação do docente na vida da escola (por exemplo, o exercício de cargos/funções pedagógicas), o progresso dos resultados escolares dos alunos e o contributo para a redução do abandono escolar, a formação contínua, a relação com a comunidade (em particular com os pais e os encarregados de educação), entre outros.
Cada uma das duas componentes, a avaliada pela direcção executiva e a avaliada pelo coordenador de departamento, vale 50% no resultado final da avaliação.
P: Como se faz a avaliação?
R: A avaliação é um processo transparente, participado e sujeito a múltiplos controlos de qualidade.
A avaliação faz-se no interior de cada escola, tendo em conta a diversidade de funções e actividades desenvolvidas pelos professores. Inicia-se pela definição de objectivos individuais e inclui o preenchimento da ficha de auto-avaliação, a observação de aulas, a análise de documentação, e culmina com o preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores, a realização de entrevista individual dos avaliadores com o respectivo avaliado e, finalmente, a realização da reunião dos avaliadores para atribuição da avaliação final.
Está também prevista uma conferência de validação das propostas de avaliação com a menção qualitativa de Excelente, de Muito Bom ou de Insuficiente pela comissão de coordenação da avaliação.

P: Quem define os objectivos?
R: O professor avaliador e o professor avaliado, por acordo, definem os objectivos individuais, que devem corresponder ao contributo de cada docente para o cumprimento dos objectivos do projecto educativo e do plano de actividades de cada escola.
-------------------------------------------------------------


Bem: vamos continuar a tentar perceber que Escola queremos.

SF

Edita-se, com agrado, o texto recebido hoje .Felizmente sempre há alguns que sabem explicar porque não querem (embora sem explicar o que querem)

Haverá muitos mais ,certamente ,que deveriam fazer o mesmo.


Logo se possivel comentaremos

SF
----------------------------------------
Mitos da escola pública socrática

Sou professor e ainda tenho a paixão por trabalhar na sala de aula com os meus alunos. Sou também pai de uma aluna que frequenta a escola pública. Nunca fui militante ou eleitor do Partido Comunista (a quem reconheço virtudes e defeitos). Não fiz a minha formação académica superior (nove anos: licenciatura, estágio no ramo educacional e mestrado na Universidade de Coimbra) na Universidade Independente e, contudo, também me considero defensor do rigor e da exigência na educação. É justamente em nome desses valores que desejo aqui desmistificar o conteúdo e a forma das políticas educativas do Ministério da Educação (ME).

1. Esta redentora ministra da educação optou por legislar em catadupa sem nunca ouvir os professores. Desautorizou as escolas e execrou os seus professores, desprezou os pareceres do consagrado Conselho Nacional de Educação e abjurou as opiniões de todas as associações profissionais de professores. Ainda que mal pergunte: existe algum País democrático onde um Governo tenha desejado e conseguido instituir uma reforma em qualquer das suas áreas vitais sem a participação maior ou menor dos seus protagonistas? Alguém acredita que seja possível e legítimo implementar em Portugal reformas, por exemplo, nos sectores da Saúde e da Justiça à revelia das opiniões de médicos, enfermeiros, juízes e advogados?
2. Este ME, porque desprezou as opiniões dos professores, engendrou, unilateralmente, um sistema de avaliação de docentes kafkiano, perverso e impossível. É kafkiano porque não são claros os objectivos e os critérios de avaliação basilares exigidos e, por isso, as grelhas de avaliação instituídas são tão labirínticas e herméticas que transformam o mais meritório e excelente professor (avaliador e avaliado) num frustrado, taciturno e, nos casos mais patológicos, prepotente escriba. É perverso porque tratando-se de um modelo de avaliação arrevesado, desgastante e muito controverso deveria primeiro ser discutido, experimentado e corrigido, e não iniciado de modo impetuoso a meio de um ano lectivo; é perverso porquanto põe professores de áreas disciplinares diferenciadas e em muitos casos com competências científicas e pedagógicas inferiores a avaliar os seus pares; é perverso porque põe ao mesmo nível e condiciona a avaliação de professores de áreas disciplinares tão heterogéneas como Educação Física, Educação Tecnológica, Introdução às Tecnologias da Informação e da Comunicação, Educação Moral e Religiosa Católica, Matemática, Ciências, Português ou História pelas classificações académicas dos seus alunos; é perverso porque admite que a avaliação dos professores possa ser condicionada por pais e encarregados de educação, os quais, salvo honrosas excepções, mal conhecem os professores, raramente vão às escolas e quase sempre responsabilizam os docentes pelos erros dos filhos e deles próprios; em última análise, é perverso porque, a médio prazo, vai, inevitavelmente, criar nas escolas um ambiente de forte crispação e extorquir aos docentes ainda mais tempo e tranquilidade para aquilo que eles têm a obrigação de fazer melhor: preparar aulas e leccionar. É impossível porque muitos docentes titulares terão tantos professores para avaliar que não irão conseguir conciliar no seu horário lectivo as aulas leccionadas nas suas turmas com as aulas assistidas nas turmas dos professores avaliados; é impossível porque não existem inspectores disponíveis com formação científica adequada para avaliar os professores titulares avaliadores de todas as disciplinas.
3. Este ME engendrou, unilateralmente, um novo diploma de gestão escolar que limita a democracia directa nas escolas públicas. Na prática, suspeito que autonomia das escolas continuará a não passar de mera retórica. Entretanto, aumentam perigosamente os poderes do Director (antigo presidente do Conselho Executivo), que deixará de ser votado em eleições directas maioritariamente pelos seus pares. O Conselho Pedagógico passa a ser nomeado pelo Director e terá apenas poderes consultivos, facto que pulveriza o princípio do primado das questões pedagógicas e científicas sobre as questões administrativas. Os professores perdem a maioria no Conselho Geral (antiga Assembleia de Escola) – que, entre múltiplas funções, elege o Director – em nome de uma suposta abertura inovadora das escolas às autarquias e à comunidade local. Isto apesar de todos sabermos que esta velhíssima aspiração esteve sempre contemplada no sistema ainda em vigor: com efeito, a ainda actual Assembleia de Escola já integra vários elementos da autarquia e da comunidade local que, como a realidade tem demonstrado à saciedade, são em regra incapazes ou estão indisponíveis para participarem de forma mais empenhada e criativa nas escolas. Por outro lado, os agrupamentos de escolas passam também a depender mais do poder dos autarcas, os quais agem muitas vezes movidos por interesses arbitrários e são não menos vezes desprovidos de sensibilidade e conhecimentos científicos, culturais e pedagógicos para interferirem de forma francamente positiva nos destinos destas instituições.
4. O novo estatuto do aluno decretado quase a meio do ano lectivo determina que, em nome do combate ao insucesso escolar, os estudantes dos ensinos básico e secundário não reprovem por faltas injustificadas. Doravante, estes irão poder comparecer nas aulas quando lhes aprouver e depois fazer sucessivas provas de recuperação nas disciplinas onde forem acumulando excesso de faltas. A ideia é peregrina, e é o mínimo que apetece dizer: desresponsabiliza os alunos e os seus encarregados de educação; potencia actos de indisciplina e de total absentismo que constituem já o drama cada vez mais insuportável de tantas escolas; responsabiliza e desautoriza os professores e até parece não compreender que tais alunos só providos de inspiração divina poderão reunir condições mínimas para alinhavarem as respostas às questões enunciadas nas provas atrás mencionadas.

A maior parte da legislação produzida por este ME tem apenas um propósito: aumentar rapidamente o sucesso educativo através da burocratização sistemática das escolas (como se educar significasse burocratizar); manter os alunos todo o dia fechados em escolas vedadas e, em demasiados casos, nada aprazíveis, bem como converter estes locais em “fábricas” capazes de produzir em massa e com menos dinheiro um sucesso educativo formatado e desalmado – como se o complexo sistema educativo das escolas portuguesas pudesse ser decalcado por decreto pelas cartilhas tecnocráticas que determinam a organização de uma qualquer empresa capitalista; como se o grande desiderato das escolas fosse comprar, vender e obter chorudos lucros …
Mas, como é depois possível que a melhoria do sucesso educativo vislumbrado nas estatísticas possa coincidir com o sucesso científico, educacional, técnico e artístico intrínseco obtido por cada aluno? Decididamente, esta é uma questão que os amanuenses do ME, a sua infalível ministra e o rigoroso engenheiro Sócrates desprezam e devolvem aos professores. De facto, esse não é um problema digno de ocupar os espíritos dos governantes portugueses, os quais vivem tragicamente divorciados do mundo real e são desprovidos de qualquer imaginação e sentido prospectivo.
Entretanto, enquanto estes se entretêm com as suas diáfanas jogadas políticas, os professores lá vão continuando a desenvolver estoicamente o seu trabalho de campo em condições cada vez mais insuportáveis – turmas mais numerosas; alunos mais desmotivados e mal-educados; apoio psico-pedagógico insuficiente prestado aos alunos necessitados; professores com horários de trabalho formais mais repletos, mais níveis, mais turmas, mais alunos e menos horas semanais para leccionar a cada turma; burocracia inútil e esquizofrénica (torrentes de reuniões, mais grelhas, matrizes, relatórios, actas, planificações, planos educativos e uma panóplia de outros documentos inenarráveis para elaborar); nenhum tempo para pensarem e planificarem as aulas; nenhum tempo para actualização científica; tempo e paciência esgotados para descodificarem a forma, o conteúdo e o alcance metafísicos das sucessivas leis evacuadas pelo ME; serões perpétuos passados a elaborarem e corrigirem resmas de fichas de avaliação; ambiente escolar mais arrebatado e, em certos casos, violento; indisponibilidade de tempo para a família.
Quando estará este Ministério da Educação disponível para reflectir e debater com os professores as questões de fundo e disfunções da escola pública (currículos, programas, práticas pedagógicas, a obscena burocracia em que as escolas soçobraram, qualidade e caminhos do ensino profissional, obviamente, processos de formação e avaliação de professores, etc.)? Até quando estarão os professores dispostos a consentir que a arrogância e o folclore pseudo-reformista das políticas educativas deste Governo abastardem irremediavelmente as suas vidas e penhorem o futuro do País?

Luís Filipe Torgal

quarta-feira, março 05, 2008


COMENTÁRIOS:


Em relação aos últimos Blogs tenho recebido algumas reacções ,por mail ou por telefone .De um modo geral , insurgindo-se com as minhas posições .

Tudo bem .É salutar .É compreensível .

Assim é que deve ser .

O que eu estranho é que sendo matéria tão discutível os «Professores» não se tenham aberto ao dialogo publico, local ,explicando-nos in locco, as suas razões. Era uma maneira de se perceber que a discussão da «ESCOLA» deve também ser local.Com factos de todos conhecidos.

SF
----------------------------------------------------------------------------------

From : Dr .Francisco Meneses

Normalmente reservo-me o direito de estar calado nestas questões da educação,
mas o seu post «Assim não vamos lá» mexeu um bocado comigo.
Escrevia António Sérgio, pela voz do seu «Califa», «Melhor é ainda pensá-las bem!». E é a isto que eu o convido, com a amizade de quem se conhece há muitos anos.
No tal post, começa o engenheiro por diluir as culpas do estado a que isto chegou no mundo da educação:«andámos a brincar ao ensino», «Destruiu-se …e nada se construiu ...».
Depois, num passe de mágica, estreita a tal diluição das culpas para «a maior parte deles nunca mais soube o que era se actualizar»; a seguir a maior parte passa a ser «molhada»; os órgão directivos das escolas passam a ser os «ditos conselhos directivos», até chegar à «indecorosa falta de assiduidade do professorado»
Finalmente, numa espiral de quase insulto, é «esta classe profissional que pensa ter direito a emprego saído da Faculdade» (A propósito, também não era assim no seu tempo?), que não quer ser avaliada, é reaccionária e vai acabar encurralada nas escolas!

Veja lá como eu, e muitos milhares como eu, se não devem sentir ao ler tal «naco» de prosa!
Porque será que toda a gente que passou pela escola acha que tem direito a ser especialista em educação?!
Não será melhor seguir o conselho de Sérgio e «pensá-las bem», engenheiro?

PS: Como já há muitos anos conheço o seu «feitio» impulsivo, não lhe levo a mal o desaforo e se algum dia quiser falar de educação a sério, será um prazer.
Um abraço
F. Menezes
------------------------------------------------------------------------------------
----------------------------------------------------------------------------------

From : Dr. João Resende

É óbvio que no ensino, como em todas as profissões, há de tudo. É óbvio que a progressão na carreira acontecia naturalmente, mediante a presentação de um relatório crítico (que era analisado) e de uns créditos em acções de formação, muitas vezes ridículas, que em nada contribuíam para o enriquecimento da actividade profissional dos professores. Havia professores a progredirem com acções sobre danças de salão (e gabavam-se disso) e outros com cursos de pós graduação frequentados em universidades. Tudo foi feito ao abrigo da lei e com a acreditação dos organismos estatais, que assim desbarataram os dinheiros que foram chegando da Europa.
Reconheço que a ministra neste aspecto impôs alguma moralidade ao exigir que 50 % das formações fossem feitas nas áreas disciplinares dos professores. Mas, actualmente, não há formação em inúmeras áreas e os professores poderão ser impedidos de progredir na carreira por esse motivo. Se quiserem, que vão a Lisboa e que paguem a dita formação. Não têm dinheiro nem tempo para isso os professores.
Este ME tem apresentado um conjunto de medidas de forma precipitada e que transtorna o ano lectivo. Faz sentido que um estatuto do aluno seja implantado a meio do ano lectivo? Faz sentido que o estatuto do aluno venha confrontar as escolas, os pais e os alunos com um novo regime de faltas que não distingue os efeitos das faltas justificadas das faltas injustificadas. O Tio acha bem que um aluno que falte para andar na vadiagem ou para ficar na cama seja posto em pé de igualdade de um outro que sofreu um acidente ou faltou por motivos de saúde. Resultado, para os dois casos, são os professores que têm de elaborar provas de recuperação, reunir para analisar os resultados das referidas provas e tomar as decisões. O ME mandou aplicar a lei. Passadas umas semanas veio mandar suspender alguns artigos até ao final do ano. As escolas não sentem chão debaixo dos pés. Em que é que ficamos? Os pais perguntam-nos "Como é que é?". Hoje dizemos-lhes um coisa, amanhã outra. Faz sentido que nos exames de português uma resposta de quatro linhas com 4 erros graves tenha de ter a mesma cotação que uma resposta sem um único erro? Se calhar faz, até porque o referido estatuto do aluno infringe várias regras gramaticais de forma escandalosa.
Nesta altura do ano, relativamente à Avaliação, é absurdo teimar em impor um sistema de avaliação que contém insuficiências, falhas e aspectos burucráticos que de forma séria e honesta se poderão ultrapassar. É absurdo querer que um professor "titular" - o dito avaliador - que poder ter ao seu encargo 6 ou 7 turmas, em alguns casos, seja obrigado a avaliar 20 ou 30 professores com seriedade. É desonesto considerar que um professor de Matemática ou de Educação física sejam beneficiados ou prejudicados consoante os resultados escolares dos seus alunos. É lógico que nestes parâmetros o primeiro, por muitas qualidades que tenha, será sempre menos pontuado do que o segundo.
Os instrumentos de avaliação não estão prontos mas o ME quer que este sistema vá para a frente, custe o que custar... e já estamos em MArço.
É lógico que um professor que lecciona disciplinas teóricas, que exigem elaboração de testes e a respectiva correcção tenha o mesmo número de horas lectivas e não lectivas que um professor de Moral ( essa disciplina cujos professores são escolhidos pelo Bispo mas que são pagos pelo EStado)?
Conhecemos todos professores que têm um segundo emprego em ginásios ou em negócios pois a sua vida enquanto professor só existe dentro da escola e há outros que prolongam em casa, por muitas horas o trabalho da escola.
Em suma, este sistema de avaliação é cego a estas e a outras injustiças e sendo aparentemente muito corajoso, não tem coragem para atacar o essencial. A avaliação vai acentuar as injustiças que existem.
É verdade que o ME e o governo querem apresentar resultados. Há, efectivamente, mais alunos nas escolas e por mais tempo. Há crianças a almoçar em contentores (cá em Ílhavo, por exemplo). Há muitos meninos a aprender inglês e música nas escolinhas. Também é certo que os miúdos passam, a meu ver e de muitos pais que conheço, horas de mais em espaços exíguos e sem as condições desejáveis. Entendo que a solução da massificação vai trazer maus resultados. O barulho, a confusão, a desordem e a indisciplina grassam nas escolas e têm aumentado imenso. Mas os professores têm que apresentar resultados! Custe o que custar. O ME vê as escolas como fábricas de resultados. Vê mal.
A sociedade, tal como está, e não sou só eu a defenfer, exigiria um modelo de escolas mais pequenas, com menos alunos, como forma de responder aos problemas de exclusão e "abandono" familiar que não existiam antigamente. Os problemas humanos e sociais dificilmente se combatem massivamente.
No ano passado, o ME insistiu em ir para a frente com a TLEBS. Os professores (alguns) cumpriram as orientações mas em Abril, ne sequência da contestação de inúmeros especialistas na matéria, resolveu suspender o diploma. Quem cumpriu teve que, a partir dessa data até ao final do ano, dizer aos alunos "Isto afinal já não é assim!" e teve que começar a substituir a terminologia nova pela antiga. Vai-me dizer que isto é normal?. O ME diz hoje uma coisa e a poucos meses do fim do ano lectivo, altera as regras, sem o menor pingo de vergonha. Já frequentei uma accção de formação promovida por este ME. Foi um caos em termos organizativos. Alteravam as datas e locais das sessões na véspera... um caos.
Por estas e muitas razões não confio nos políticos que de forma ligeira e irresponsável comandam ou descomandam as escolas. Os professores que andam nas marcham têm os seus motivos, muitos deles. Só alguns é que andarão ao sabor da corrente.

JR
----------------------------------------------------------------------------------------
NOTA . O Blog está aberto a todos os que desejem exprimir os seus pontos de vista.
SF
Aviso da Paróquia

"Lembrem-se que quinta-feira começará a catequese para meninos e meninas de ambos os sexos."

--------------------------------------------------

Duro… mas não trôpego

A propósito da minha dureza (de ouvido, entenda-se!) uma amiga diz que começa a ser inapetecivel falar comigo.

Começo a entrar em saldo.
Para que me hei-de eu ralar. Até porque a dita dureza me dá um jeitão: ouço muito menos estultícias e bacoradas, à minha volta.

Desligo.e pronto. Não me chateia quem quer …mas quem eu deixo.

A pagodeira acabou-se.

---------------------------------------------

Educação...ou falta dela


Finalmente torna-se claro que o problema dos Professores resume-se, só, a: Avaliação.

Só quem estiver distraído não o percebe. O resto é troco …mal contado. Pessimamente mal contado. Parece que se engoliu uma cassete.

Eu entendo a resistência às mudanças. Andei sempre em luta com essa atitude.
Levei uma vida a pregar que o caminho certo é mudar. Mudar todos os dias, nem que seja, só e apenas, a disponibilidade para mudar, amanhã.

O que não entendo é:

Se os Professores não querem este modelo de avaliação, qual é que propõem?

Isto mete-me confusão.Porque quando não quero uma coisa, explico o que quero... em vez de ...e de imediato. Ora eu vejo contar historietas que podem distrair, mas nada explicam.

Uma coisa me parece: -este problema que está em cima da mesa, é no fundo uma questão de Educação. E os professores (generalizadamente) não estavam educados para entender que chegou o momento de concretizar do que já se falava há anos (a avaliação já era prometida há mais de uma dezena de anos) mas que nunca fora concretizada.Por pressão dos sindicatos e o medo dos políticos.
------------------------------------------
Medo dos Professores serem avaliados pelos alunos.

Primeiro isso não é exactamente verdade.
A avaliação estatística comparada, entra, só e apenas, com um peso despiciendo na avaliação final. Essa comparação estatística pode – e deve – é ser muito útil para o professor se autoavaliar.
No nosso tempo, apesar de tudo, a verdade é que os professores eram mesmo avaliados pelos alunos. E os melhores eram por norma os mais exigentes. Tínhamos orgulho em ser aluno do Carneiro, do Jorge, do Euclides do José Tavares etc. etc. Já vinha detrás esse orgulho no nosso professor: ser aluno do Zé Lau, doGuilhermino ou da Vicência etc, era Estatuto.

Hoje nem o nome se sabe do «profe». Porque como todos tinham (têm) de ser bons, o nivelamento fez-se por baixo. E os bons – que são muitos! - andam misturados com tudo o resto.

Aflige-me como os bons aceitaram, cordatamente, andar este tempo todo em má companhia, deslustrando-se. Pensando, apenas e só, no problema material.

----------------------------------------


Os Professores estão a comportar-se como a mais conservadora classe profissional .

Lamento profundamente.

Terão uma percentagem grande de razões para fazer derivar o caminho, corrigindo o que saiu fora do controle.

Deixaram esse diálogo para os Sindicatos (Fenprof). Desastre. Porque é também verdade que estes tipos dos sindicatos deveriam ser sujeitos, eles também, avaliados.Não. Andam há trinta anos a falar do mesmo, no mesmo tom.

Há dias reparei atónito com o cabeça de contestação da questão de Anadia. Reconheci-o pelo palavreado, pois já nem me lembrava da cara.E disso: olha este é o Paixão, o delegado sindical que me deu cabo da mona.

O palavreado na contestação ás urgências de Anadia, era o mesmo,no delegado sindical que conheci há uma dúzia de anos.Que sabia de cor a cartilha, e não pensava: vomitava-a, num fundamentalismo «al-quediano».

----------------------------
Diálogo …mas …


Gostaria muito que se chegasse a um diálogo. Com cedências nos pormenores, mas não no fundamental. E gostava de saber, se é verdade que no projecto há -ou não – uma lata capacidade concedida às Escolas para cada uma aplicar os critérios, atendendo à especificidade da Escola.


Aladino

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Exigência


Era noite e havia luar,
Quando passámos pela Capelinha
E juntinhos fomos até ao mar.
Deitados na areia, entre o céu e a água
Sonhávamos que a vida era poesia.
Havia paz na noite
E no ar que nos trazia a maresia.
Na tela pintada ao natural,
Só o marulhar da vaga cortava
O desvelo com que olhava
Os contornos ternos do teu rosto.

Dos teus lábios vinha a frescura.
Eram mais rubros que a papoila.
Cantavam a vida imaginada
Onde o mar não fosse enfurecido
E o dia se não escondesse enevoado.
Para que o barco por nós conduzido
Transformado ilha flutuante
Aportasse ao mundo mágico, acordado,
Onde a água fosse tão límpida
Que permitisse ver nossas mãos entrelaçadas
Reflectindo no cristal
Tanto amor a exigir eternidade.

S.F.Fev 2008




Aviso da Paróquia

Lembrem-se que quinta-feira começará a catequese para meninos
e meninas de ambos os sexos.


-----------------------------------------------

ASSIM NÃO VAMOS LÁ...
.

Como certamente muitos portugueses segui com a maior atenção os «Prós e Contras», de segunda-feira passada.

Problema terrível este ,em que desde 1974 andámos a brincar ao ensino ,destruindo muito de bom que, apesar de tudo, existia .Por exemplo :- o verdadeiro empenho dos professores ,que mesmo mal pagas exerciam com a maior dedicação o seu mister.

Destruiu-se só …e nada se construiu de válido.

Em nome da Liberdade os professores perderam toda a autoridade .Também por serem todos iguais –e todos muito bons ! assim se clasificavam entre pares- a maior parte deles nunca mais soube o que era se actualizar ,estudar , ou preparar-se ,para, com proficuidade, transmitirem o que deveriam saber ,mas que de facto não sabiam.(Claro que há muitas, muitas excepções ,mas esses não estavam lá …nos P&C)

A molhada levou a que os ditos conselhos directivos nada mais fossem que grupos de amigos, prontos a facilitar a vida aos colegas ,num nacional porreirismo em que somos especialistas e que levou à indecorosa falta de assiduidade do professorado que deve ter batido todos os recordes de outra qualquer actividade.

Então como as regras se pretendem mudar ,surge agora a indignação.

No debate uns deliraram optando por adjectivar em circunlóquio .Provar o que se dizia:-nada. Provar afirmações zero .Sabiam porque ouviam dizer .Talvez bons profes ..mas péssimos alunos .Se aqueles eram a amostra dos professores que temos (salvo o Prof. Arsélio),então não se poderia dar pior e mais indecorosa imagem da classe.

Brilhante o Prof Arsélio, nosso vizinho, o que nos honra, porque era o único que sabia o que queria e porque pareceu de imediato ser o único naquele grupo açulado – então aquela prof da Moita que lia a adjectivação era pior que uma pittbul- que falava pela sua cabeça ,com ideias próprias (o que levou á indignação dos colegas quando lhe foi dada a preferência –e bem! –pela moderadora ) pôs com equilíbrio dúvidas que terão de ser avaliadas .
A Ministra foi , além do Prof A. ,outra que falou pela sua cabeça .Com serenidade difícil de enroupar com tanto fel vomitado ,era uma das únicas que sabia bem o que queria. E mostrou à saciedade como há um monte de demagogia que sobrenada este importante e definitivo problema que urge resolver ,sem o qual não iremos a lado nenhum .

Resolver divergências ?:-claro .Ver como aliviar a burocracia ? óptimo .Nenhuma grande transformação nasce isenta de defeitos. Corrige-se ….andando…, identificando processos e agilizando procedimentos. Faz-se, fazendo-se.

Lá virão, agora , as marchas de protesto.

Mas esta classe profissional que pensa ter direito a emprego saído da Faculdade, sem se sujeitar a análise de vocação e ou a preparação pedagógica dirigida, e que parecendo dizer querer ser avaliado –sendo certo que não o quer, mesmo !-um dia vai ter o desgosto de se ver encurralada na Escolas com os Pais e alunos açulados contra o seu reaccionarismo.Ouviram aquela posição do representante das Assoiciações de Pais?
Agora querem convencer-nos que está em causa a Liberdade. «Liberdades»...talvez

Aladino

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Aviso da Paróquia


“O preço do curso sobre “Oração e jejum” inclui as comidas.”


--------------------------------------------------------------------------------

Eu já o sabia, há muito..

O ex-ministro da Justiça, Aguiar Branco, do PSD, só ontem descobriu – e disse-o em voz alta – a pequena dimensão de Ribau Esteves (Publico de hoje).

Iniciaram – se, às claras, fortes movimentos nas hostes PSD -PPD’s visando dar um pontapé no dito há este grupelho de populistas desbocados, líricos e impúdicos, que pensavam ser tão fácil enloilar o País, como o era ensandecer as clientelas partidárias locais.

Fico preocupado.Penso mesmo escrever uma carta aberta aos que se propõe chutar os ditos, devolvendo-os à procedência, para, encarecidamente, lhes pedir que os deixem lá ficar. Deixem-nos ir uma vez por outra Televisão – ao programa da Maya, por exemplo – e isso será o bastante lhes alimentará o ego. Mas por favor não o devolvam…

----------------------------------------------------

Relatório da SEDES


Este relatório da SEDES é preocupante. Porque dizendo coisas óbvias, não se percebe, muito bem quem acusa. O Santana Lopes que se deveria ver atingido pelo que lá se diz, afirma-se muito preocupado com a situação. Como se ele não fosse um dos grandes culpados desta borrada toda.

De facto o tempo não dá para antever coisas boas. O futuro é preocupante. O tempo em que vivemos só nos traz pequenos títeres a substituir outros pequenos títeres. Parece que já nem destes há títeres a sério. Parece que a sociedade politica é hoje o esgoto imundo, onde só vasa a sordidez, a cobiça material, o assalto ao poder a todo o custo, o descalabro da falta de ética, o despautério da sem vergonha.

Por isso temo o desencanto. E não sei como se vai conseguir ultrapassar este desencanto, esta maledicência que vai engrossando, com uma comunicação social que se revê na desgraça, empolando-a, exorcizando-a. Vendendo-a sofregamente.

É contudo verdade: há uma abismal diferença entre o que se diz e o que se faz. Com uma impunidade que parece não envergonhar os palradores.


Aladino

quinta-feira, fevereiro 21, 2008


Pérola literária

Há dias, alguém amigo fez-nos o favor de enviar a carta que reproduzimos abaixo, guardada desde há muito.Chamava-nos a atenção para a notabilíssima pérola literária que a mesma é .Indubitavelmente. Difícil manobrar melhor e com mais estro a pena. É uma peça literária plena de graça, irónica, na abordagem de drama íntimo, sério, para a resolução do qual se pede mais que tratamento clínico adequado à maleita, mas empenho solidário. A lembrança levou-me a partilhá-la com os leitores deste Blog.
Dirão os meus caros :finalmente ,coisa boa no Blog !.Seja…
Não posso – ou não devo adiantar muito mais –, senão alertar que em breve nos vai ser dada a oportunidade de aceder a um conjunto de inéditos de Frederico de Moura, por onde perpassa, em vigoroso –e muito próprio – mas não menos excepcional, estilo, as vivências do médico empenhado, do cidadão livre, do intelectual assumido, figura de dimensão homogénea cuja memória nos honra recordar.
Para já fiquemos com esta deliciosa entrada:
----------------------------------------------------------------------------------

Carta dirigida pelo Dr. Frederico de Moura, ao Dr. Nogueira de Lemos, Médico Cirurgião de Aveiro



Meu caro Lemos,


É coisa axiomática que o pénis não obedece a freio; e é coisa de esperar que, a natureza o tenha dado a animal que lhe não obedece. Mas como a esta estuporada profissão que exercemos só aparecem anormalidades, aberrações e coisas em desacordo com a natureza, surgiu-me hoje no consultório esse rapazinho que lhe envio, com um freio de tal dureza e de tal conformação que o insubmisso pénis, tradicionalmente indomável, não teve outro remédio senão ceder. Calcule os mistérios e os paradoxos desta ladina natureza! Esse moço, na casa dos 20 anos com uns corpos cavernosos que devem estar isentos de qualquer esclerose ou de qualquer obstrução, e concerteza dispondo de uma libido afinada capaz de lhe fazer sair, erecto, o próprio umbigo, resolve ir para o casamento com os seus (dele) três vinténs e confirma, então a suspeita que já tinha, de que no auge da metálica erecção, o pénis fica em crossa como o báculo de um bispo, por incapacidade de vencer a brevidade e a dureza do freio que lho verga para a terra. Calculará o meu prezado Lemos, as acrobacias de alcova que este desgraçado terá de realizar para conseguir a penetração de um membro viril, quase tão torto como uma ferradura, na vagina suplicante da consorte.

De modo que o rapazinho veio pedir-me socorro, e eu condoído peço-lhe a sua colaboração em favor da harmonia conjugal, com a certeza de que por isso ninguém nos irá acoimar de chegadores. Condoa-se a cirurgia de braço dado com a medicina que, por intermédio deste fraco servidor que eu sou, já se condoeu e endireitemos o pénis torto (e nada de confusões, que não é mole pelo que me afirma o proprietário). Lembremo-nos, sobretudo, ao praticarmos esta obra, que vem aí um tempo em que um pénis destes, mesmo em arco ou em forma de saca-rolhas, nos faria um jeitão, e ajudemos o pobre rapaz que se compromete comigo a fazer bom uso dele, emprenhando a mulher da primeira vez que o usar, depois da operação ortomórfica que o meu amigo lhe vai fazer sem sombra de dúvida.

Desculpe mandar-lhe desta vez uma tarefa fálica! Ouvi uma mulher um dia dizer que um Phallus é um excelente amu1eto e que dá sorte verdadeira. Se quiser tirar a prova não tem mais que endireitá-lo... e jogar a seguir na lotaria. Desculpe, pois, a remessa de bicho tão metediço que eu por mim prometo, logo que possa, e em compensação, mandar-lhe uma vulva virgem e nacarada como uma concha de madrepérola.

Um abraço do seu amigo certo
Frederico de Moura



P.S. - Como a minha letra é muito má segundo a sua opinião, e como o assunto desta carta é muito importante para duas pessoas, uma das quais do sexo fraco, entendi do meu dever dactilografá-la. Assim. não haverá nenhuma razão para que o meu amigo dizer que não entendeu o que eu queria e, por partida, deixar o aparelho na mesma ou pior ao rapaz.

Quero ainda dizer-lhe que para sua compensação, tenciono depois do êxito que o seu ferro cirúrgico vai alcançar, comunicar o seu nome à mulher beneficiada que, por certo, lhe ficará eternamente grata, ficando sempre com a sua pessoa presente na memória nos momentos - e oxalá que sejam muitos! - em que se sentir penetrada por um pénis que só o meu Amigo conseguiu endireitar. E nem sei se o Estado virá louvar a sua acção, se lhe for dado conhecimento que os filhos que saírem daquele casal são devidos em grande parte (não ao seu pénis) mas, sem dúvida, à sua mão.

E filhos com a mão nem toda a gente se poderá gabar de os fazer!



Creia-me seu afeiçoado,
Frederico
27/3/1958

---------------------------------------------------
---------------------------------------------------
PS- Hoje, por razões óbvias, não há «Aviso da Paróquia». Voltará no próximo
Aladino

quarta-feira, fevereiro 20, 2008




Avisos da Paróquia

"O torneio de “basquet” das paróquias vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira.
Venham aplaudir, vamos tentar derrotar o Cristo Rei!"


-----------------------------------------------------------------

De um prato de lentilhas fazem um bodo aos pobres (de espírito)!..


«O Ilhavense» de hoje trouxe uma boa noticia. A confirmar que, se não é apreciado o valor dos «ílhavos» cá por casa, isso é fruto, apenas e só, de avançada miopia. Escandalosa, e mais grave tenebrosa: porque intencional.

Diz-nos «O Ilhavense» que Ana Maria Lopes foi convidada pelo Museu da Marinha para consultora técnica do mesmo.

Tenho verificado o enfado doentio, para não dizer doesto, como a referida AML tem sido tratada em actos públicos recentes. Que vai do esquecimento, pura e simples, do facto de AML ter sido a Directora do Museu -sem suborno a qualquer politica, portanto iniciativa sua -responsável pela viragem que conferiu a forma museológica, marítima, que hoje, aquele ostenta.Ou até, ao desfastio da citação distante, à vol d’oiseau, rápido e fugidio, de por lá ter passado antes dos dez anos que para alguns, abrem a história daquela casa.


Nesta Terra, onde nada se faz (actualmente), antes se preferindo comprar tudo feito – até «O Livro» – é bom que se tenha consciência da notícia.
Os valores por aqui não faltam. O que falta é o seu aproveitamento.

É verdade: esta terra parece-se com aqueles apregoadores das virtudes da limonada. Quando estão secos vão à tasca encharcar-se de tintol. Nem que seja zurrapa.

O saber seguro, produto do estudo atento e curioso, muito minucioso e pormenorizado, de AML, que lhe permitiu a produção de «O Vocabulário Marítimo Português» – extensa e esgotante leitura da actividade piscatória do litoral português –, e de «O Moliceiro» -o único verdadeiro e exaustivo trabalho publicado sobre esta embarcação – para lá da sensibilidade à faina no largo – «Faina Maior» -,serão por certo de muita utilidade ao Museu da Marinha.
Por cá de um prato de lentilhas fazem um bodo aos pobres (de espírito).
Et voilà…

-------------------------------------------------------------

Sonho curto …mas sonho

Se não piorar, vou acabar num desespero de não ter conseguido resolver as equações da minha vida.
Começo, por falta de compagnons de route, a olhar demasiadamente para mim. E agrido-me. Às vezes sem necessidade. A vida quando se alheia de algumas coisas que se movem à nossa volta começa a ser estranha. Parece que nem os prazeres sou já capaz de os viver, intensamente. A vida parece que já não nos empolga. Até deixamos de ser agressivos.
Mau sinal quando é necessário sê-lo, porque as coisas não melhoram: -pioram.

Eu não quero enfeitar o passado Não! Não procuro branqueá-lo. Aceito os erros. Na verdade o que eu queria -e teimo apesar de. -era sonhar com o futuro. Ainda que fosse curto o sonho.

---------------------------------------------
Há Câmaras e Câmaras


Tenho andado envolvido na leitura das actas Camarárias, na recolha de elementos que me façam perceber, e depois escrever(vamos a ver) o «Ílhavo – Ensaio Monográfico II Parte 1900-1974».

Em 1922, em acta, a Câmara de Diniz Gomes subscreve um agradecimento a António da Rocha Madail pelo seu trabalho Monográfico, que viria a servir de base ao Brasão.
Bonito, não é?
A Câmara, claro, dado o tipo de trabalho, editou-o às suas custas.
Não, não quero comparar trabalhos. Quero é comparar atitudes.
Por agora dinheiro só para « A Obra»...o Livro!..o tal.Que eu paguei honradamente .E o leitor pagou...claro ...e não bufou.. ?
--------------------------------------------------
Antes e Depois …

Tinha essa ideia.
Era eu rapazito, aluno no Colégio, e num trabalho que ganhou um prémio, (já) referi então que Diniz Gomes teria sido um notável Presidente da Câmara.E enumerei as razões. Não o refiro pelo prémio (os dois livros de «Costumes e Gentes de Ílhavo», que guardei religiosamente, li e reli, vezes sem conta), mas porque, oriundo de uma casa, de uma família que desde tempos ancestrais sempre se opôs a Diniz Gomes, politicamente, isso não impedia que aos mais novos não fossem referenciadas as virtudes, mesmo dos opositores. Foi assim que fui educado. Discordar, mas respeitar. Um opositor pode ter ideias diferentes, mas não é um inimigo.
Ora hoje, vida passada, não tenho dúvidas.
Ílhavo divide-se em dois períodos:
Antes de Diniz Gomes …e depois de Diniz Gomes…

Quando muito, hoje, fico satisfeito por aquilo que está dedicatória dos referidos livros da autoria de Diniz Gomes: o louvor à «precocidade» do puto, patente no que tinha escrito no referido trabalhinho.
É assim Em pequeno mostra-se muito do que vamos ser, depois, na vida. Os pais devem, por isso, estar atentos. Para corrigir...ou para incitar. Nunca alheados ou distantes do processo evolutivo da personalidade dos seus rebentos.
O meu Pai sempre me disse:
-nunca«os» poupes. Se te derem com uma mão na face ..dá-lhes um murro ..ou uma dentada. Nunca a outra face. Mas respeita-os…se pensarem diferente de Ti.


Aladino

domingo, fevereiro 17, 2008

Aviso da Paróquia (7)


" Lembrem nas suas orações todos os desesperados e cansados da nossa

paróquia".

-----------------------------------------------------------

Bons governantes ou governantes bons?

Continuo a olhar o mundo com pena de não ter tempo – e às vezes agora, paciência – de gozar o deslumbramento que sinto com a vida, mesmo que agora vista (já) a uma certa distância.

Deslumbro-me; mas sinto medo do que virá aí para as novas gerações. Não sei se estas irão perceber os novos tempos.

Há uma falta clara de grandes figuras a orientá-lo. Washington., Gandhi, Mandela, Churchill…foram-se. Mesmo que ainda houvesse meia duzia de «Mários Soares», já me alegrava.

Não.Hoje já não há figuras com dimensão ética, politica e humana, que possam ombrear com aquelas (e outras) que desbravaram o árduo caminho por onde o homem se foi emancipando, adquirindo alforria e direitos, e compreendeu haver deveres a cumprir.

A polémica que corre no Reino Unido com as declarações absurdas do arcebispo da Cantuária, Rowan Williams que são uma espécie de capitulação civilizacional, deixam-me perplexo. Isto é: ou afirmamos sem complexos que as conquistas conseguidas sobre o domínio da religião(dona de todos os valores até então) só foi possível por uma iluminação do pensamento europeu do séc. XVII, e que, custe o que custar, não estamos dispostos a deixar soçobrar essa «superioridade temporal», ou voltaremos a um mundo tenebroso, obscuro, que não aceita o multiculturalismo, e que a breve trecho está exposto,de novo, à cegueira do fanatismo religioso.

Parece que se tem medo e se começam a fazer concessões perigosas. Em nome de uma pseudo aceitação das tradições menores, desprezamos as conquistas maiores.

Por este caminho fazemos desta destruição de conquistas uma espécie de emblema de liberdades.

Bons governantes ou governantes bons? O que queremos de facto.

-----------------------------------------------------------------------

Sonho curto …mas ainda sonho (nem que seja em Mirandês)

Se não piorar, vou acabar num desespero de não ter conseguido resolver as equações da minha vida. Quando a vida se despedir de mim – sim, porque o contrário julgo que me não acontecerá – não terei tido tempo de resolver, e ou encontrar o X=……

Começo, por falta de compagnons de route, a olhar demasiadamente para mim. E agrido-me, interiormente. .Às vezes sem necessidade. A vida quando se alheia de algumas coisas que se movem à nossa volta começa a ser estranha. Parece que nem os prazeres somos já capazes de viver. A vida parece que já não nos empolga. Até deixamos de ser agressivos para os outros…e apenas o ser para nós mesmos.
Mau sinal quando é necessário (ainda) sê-lo, porque as coisas não melhoram: - pioram.

Eu não quero enfeitar o passado Não!.. não procuro branqueá-lo. Aceito os erros. Na verdade o que eu queria -e teimo apesar de, -era sonhar com o futuro. Ainda que fosse curto o sonho.

Glosando Amadeu Ferreira

You inda num sou de ls que me quedo ,pus num me falta que fazer, mas que balor le dana l que un biello faç?Morremos-nos, mesmo ,mesmo ,quando yà naide mira para nós. Se cuntinamos a andar porqui ye porque I semitério inda num mos qiuier

--------------------------------------------------------------------------

A vida é como uma maçã

Tudo por causa da trincadela de uma delas…
Só que é verdade,

A vida é como descascar uma maçã. Só depois de aberta (depois de vivida) encontramos uns podres. Se não forem muitos, vale a pena ,ainda, dar-lhe uma trincadela. As ( maçãs ,e as vidas ) mais saborosas, são mesmo as que têm alguns podres.
Se estão todas podres, o melhor é deitá-las no caixote do lixo….

Aladino

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Aviso da Paróquia










"O mês de Novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia."





----------------------------------------------
----------------------------------------------


UM OLHAR SOBRE A COSTA NOVA (séc. XIX/ inicio séc.XX) - PARTE I


Em 1808 a deslocação da abertura que ligava a laguna ao mar, fixando-a no actual local, trouxe um problema acrescido às companhas que laboravam na costa de S.Jacinto, em frente à Senhora das Areias.

Desde meados do século XVIII que as dificuldades de renovação das águas lagunares trouxeram consigo uma crise profunda a toda esta região; crise económica devido ao quase desaparecimento das espécies, provocada pelo inquinamento das águas interiores. Mas e também, uma crise desesperada, motivada pelas pestilências que tal situação provocou nas gentes ribeirinhas, ceifando um número apreciável de vidas daquelas gentes desprotegidas para resistir a tal flagelo.

Os pescadores tiveram de saltar para a borda do mar, deixando a laguna,então morta, levando consigo as redes do chinchorro e as bateiras, procurando rápida e laboriosamente o sustento nas águas do mar. As condições eram penosas e perigosas, tão penosas como o era o alar das redes feita à força do braço. Mas logo com engenho e arte, sonharam – e realizaram – uma embarcação capaz de ir mais longe, que saltasse na quebra da vaga, encabritando-se até aos céus para logo descer em segurança (?!), e assim ultrapassar essa dificuldade primeira. Aprontado o meia-lua, meteram-lhe no enorme bojo as artes maiores – a xávega – redame que os galegos lhes tinham ensinado a manejar, saltaram-lhe dentro agarrando-se ao punho dos remos, segurando -e segurando-se – no reçoeiro, entrando mar adentro em volta larga antes de virem abicar praia.

Ora a abertura da nova barra trouxe uma nova e inesperada dificuldade; a correnteza da maré tornava difícil, ou até problemático e muito inseguro, principalmente de noite, o acesso a S Jacinto. Luís Santos Barreto – Luís da «Bernarda», alcunha da sua mãe – e seu irmão José, valentes e venturosos arrais da xávega, resolveram tentar a sua sorte a sul. Luís aportou á Costa Nova, varando nas dunas desertas, ali defronte ao local onde mais tarde foi implantado aquele que foi o palheiro habitado por «José Estêvão». O irmão José, esse, mais temerário, continuou. E só parou na costa de Lavos, aí se fixando.

A pesca correu tão bem ao Luís - mesmo que feita em dia chuvoso! - que logo outros companheiros puseram mão aos remos e trouxeram as suas tralhas, dispondo-as na costa. Para a diferenciar da antiga, logo a apelidaram de COSTA-NOVA, cujo acesso feito por travessia de barca na «Maluca»,era muito mais cómodo e fácil.

Criou-se ali uma comunidade piscatória, relevante. Em 1837 eram seis as acompanhas em laboração, empregando seiscentos e trinta e seis pescadores; e outras tantas pessoas (ajudantes, salgadores, peixeiras, mercantéis) que trouxeram movimento desusado àquela zona, até ali, então, deserta. A esta comunidade veio juntar-se o lavrador gafanhão-o labrego-, que trouxe os seus bois à borda para facilitar o alar das artes, numa espécie de ruralização da beira-mar.

Construída a capelinha de tábuas cobertas com caniço,no intuito de glorificar o orago S Pedro, santo protector destas gentes que lhe manifestavam muita devoção e crença, logo em volta da mesma se foram instalando os palheiros. Uns, mais simples e toscos,apenas destinados a resguardo daquelas gentes. Outros de portal largo para acesso dos enxalavares – carros de rodas largas onde se transportava o peixe que eram puxados por uma parelha de bois- e onde se instalaram as novas fábricas de salga – os palheirões. Uma nova técnica que o francês Mijoulle (1773) tinha trazido para a região, permitindo uma utilização do peixe para tempo muito posterior á sua captura. O que traria um acréscimo à importância da sardinha, que se afirmaria o grande alimento de uma época onde os períodos de jejum obrigatórios, longos, incitavam á sua procura, já que era um tipo de peixe que suportava bem tal tratamento de conservação, sem perda de qualidade.

A Faina na borda




1822 trouxe um novo hábito que viria revolucionar mentalidades e costumes: a procura das praias de mar para banhos, que a casa real tinha com o seu exemplo, promovido. Os primeiros banhistas instalaram-se em enxergas postas na areia, nos humildes palheiros, que começaram a posicionar-se para sul das companhas, mais junto à ria.Logo a seguir foram tentados pela aquisição, ora de terrenos – logo que os mesmos passaram da jurisdição de Ovar para Ílhavo (1855) – ou e, dos próprios palheiros, muitos dos quais foram passando para as mãos dos veraneantes.

Nos finais do século XIX, a «Costa Nova», que entretanto anexara o «do Prado» à designação inicia, para sua identificação, começou a adquirir tiques cosmopolitas, tornando-se local privilegiado de visita ou estadia de políticos, escritores, figuras da igreja e da sociedade civil, para o que foi vital a acção de José Estêvão, notável e cativante anfitrião, impulsionador de tais convívios, profusamente referidos à época.

O século XX iria fazer da Costa Nova do Prado um ponto de encontro e divertimento, para gozo em férias. Foram criados locais de encontro: -as famosas Assembleias, os Salões – em que o mais famoso se designou Salão Arrais Ançã - Clubes, todos locais onde grupos disputavam acirrada e galhardamente a notoriedade das suas festas – bailes, conferências, concursos de beleza, concertos, promovendo touradas, circuitos de motos, regatas, e claro, as famosas chinchadas da época. Locais de convivência alegre e despreocupada de elites, deram origem a uma intensa vida social, onde era primordial o doce chilreio da graça feminina, o que serviu para fazer da Costa – Nova, um local e um sítio prazenteiro, cheio de cor vida e graça.


A diversão no «Bico»
Ao pé descalço, e a perna ao léu, e a sem gravata , foram sendo substituídas pelo rigorismo pedante que a envolvem num banho de volúpia e num beijo enorme de desejos sensuais, escrevia-se num postal de ali enviado.

Os Jornais da época, principalmente de Ílhavo, Aveiro e Águeda – mas e também as Gazetas de Lisboa – disponibilizam espaço para laudas e laudas de notícias, postais, crónicas e croniquetas, que alimentaram o mito do local mais cosmopolita da região – a Costa Nova – local da gente polida da época, sociedade do chiquismo, onde todos se desejavam ver – para gozo da maravilhosa e pródiga natureza – mas e também para serem vistos, por vezes até, anunciada a sua chegada em largas parangonas: - «nos próximos dias chegará para gozo de férias , S. Exª etc.…acompanhado da esposa e… »-era habitualmente lido, nos jornais locais.
A Costa –Nova era Sol, muito sol, sempre sol. Amplidão de frescura e água onde apetece mergulhar. uma tela onde a luz tem o papel principal: - dizia-se à época
No mar


Ílhavo seria bem diferente se não tivesse de entre as suas jóias, esta, a mais bonita da coroa.
Seria diferente naquilo que tem para oferecer e cativar o visitante; mas seria diferente porque foi ali -na Costa Nova – nesse convívio privilegiado, se gerou a geração de 20 ,uma geração de ouro que se afirmou e lhe conferiu um destaque, por de entre os seus filhos,surgirem figuras que se viriam a afirmar no panorama nacional nos mais variados campos ; das letras ,das artes, dos ofícios e saberes.

S F.(2008)

Jan 2008











sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Não contes...


Não contes do meu
Sorriso
Que corre para ti, hoje.

Nem que fecho
A cortina
Para a tua ternura ficar comigo


Deixa que te envolva,
Ao menos,
No carinho de um suave abraço

Não contes a ninguém
O desvelo
Com que o faço

Deixa ficar o segredo
E com ele
O nó sem laço

Deixa passar o vento
Abre a janela
E deixa-me entrar

Um dia havemos de ir
Como os rios
Correr direitos ao mar

Para ouvir um búzio
Na praia
Dizer, que bom é amar


SF

DEZ 2007

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Avisos Paroquiais


"Assunto da catequese de hoje: “Jesus caminha sobre as águas”

Assunto da catequese de amanhã: “Em busca de Jesus”

-----------------------------------------------------------
----------------------------------------------------------

Comemoração dos 110 Anos de Independência

do Concelho de Ílhavo.



Anexação e Desanexação do Concelho de Ílhavo
(1895-1898)


Em 1865, à profunda crise politica viria juntar-se a pior colheita agrícola de sempre. O desemprego e a criminalidade atingiram níveis nunca alcançados; o país via nos suicídios individuais que grassavam por todo o lado, a aproximação do suicídio colectivo. Os tumultos surgem por toda a parte, em particular pela região de Aveiro, com o povo a indignar-se contra o imposto de consumo, entretanto criado. Tentado um plano de emergência e de estabilidade, não se vislumbraram, contudo, quaisquer consequências positivas. Importadas do exterior vão chegando as criticas demolidoras do liberalismo. Oliveira Martins é um dos arautos da transmissão desse estado de espírito, acusando os políticos, o parlamentarismo e os partidos, de serem «a causa de todos os males». A politica – afirmava-se – quando reduzida a uma mera competição partidária e parlamentar, era um estorvo, sendo por isso preciso, inadiável, – apregoava-se nos últimos anos do século – «engrandecer a realeza» para a transformar no poderoso agente da civilização, necessário para defrontar os «novos» desafios. Era assim justificada a necessidade de um novo governo que apoiado na «autoridade real», e sustentado pela apoio e pela adesão das camadas populares, fosse capaz de pôr de lado as práticas conciliatórias, empreendendo reformas vigorosas, musculadas, que permitissem ir de encontro aos interesses instalados.

Desta situação irá surgir, de novo integrado num governo regenerador, João Franco, que assumirá papel determinante na função legislativa, ainda que levada a cabo com o Parlamento encerrado o que pré- configurou a prática de uma ditadura, desculpabilizada com o facto de ser provisória e condicional. João Franco vai assim proceder a uma profunda reforma administrativa com que pretendeu acabar com os influentes e com o interesse dos «campanários», na qual, para lá das mudanças no ensino, reformulou o exército, estabeleceu quotas de representação no parlamento, e introduziu profundas mudanças Constitucionais. Assim classificou os Concelhos por ordem (1ª, 2ª e de 3ª categorias), fixando que os pequenos concelhos sem capacidade para satisfazer as necessidades básicas, deverão ser agregados aos maiores: e é nesta mudança, neste novo panorama administrativo, que se irá decretar a inclusão do Concelho de Ílhavo no de Aveiro.
Para a esquerda progressista os concelhos deviam ser comunidades independentes; para Franco, «positivista», o que contava “eram os factos históricos”: - os municípios e paróquias só faziam sentido, “conforme tivessem, ou não, recursos para prestar serviços de modo a poderem cumprir uma função social”. Por isso, na sua ideia, haveria que acabar com os municípios inviáveis, integrando-os nos grandes municípios.

Mas o que a reforma administrativa – que centralizou o País em trinta e três círculos eleitorais – visaria, seria, acima de tudo e fundamentalmente, controlar o voto, no sentido de a que a votação dos grandes centros urbanos não fosse pulverizada pelos votos rural (normalmente reaccionário, clerical).

O decreto de 28 de Março revogando a Lei eleitoral vai permitir que a área dos círculos eleitorais coincida com os distritos administrativos, com o que se pretendeu conceder representatividade às forças minoritárias. Para conseguir esse desiderato, alguns pequenos concelhos irão ser anexados aos concelhos mais representativos da área.

O decreto de 21 de Novembro de 1895 vai nesse sentido fixando a anexação do concelho de Ílhavo por Aveiro. Em acta da Câmara Municipal de Ílhavo dessa data [1], dá-se por extinto o Concelho, de que era na altura Presidente, Augusto Oliveira Pinto, e Vereadores João César Ferreira, Henrique Cardoso Figueira e José Maria da Silva Valente, nomeando-se para administrador na nova orgânica, o Dr. Mário Duarte (conhecida figura do desporto aveirense, que contava em Ílhavo com grandes amizades).

Naturalmente, e apesar disso, o facto não foi bem aceite na Terra, tendo-se formado uma «COMISSÃO PARA A RESTAURAÇÃO DO CONCELHO», cujos ecos se fizeram ouvir em toda a imprensa da região, e irão chegar ao Parlamento.

A integração iria durar pouco tempo e não teria nenhuns efeitos perduráveis. A situação económica e financeira do País piorava, e era já previsível a queda do Governo de Hintze Ribeiro e João Franco. A lei eleitoral já em 1896 fora corrigida; Franco reconheceria “que a sorte dos Governos dependia da prosperidade do País”. O próprio Luís de Magalhães ilustre aveirense, seu amigo, ter-lhe-ia afirmado: - «tenho graves dúvidas sobre o êxito da sua politica”·.

Portugal definhava e o rei D. Carlos concluiu que aquele governo já não tinha qualquer préstimo: - nem para o Rei, nem para o País.

O Governo cairá a 6 de Fevereiro de 1897. Era o fim de quatro anos de governo regenerador e o regresso do Partido Progressista com José Luciano de Castro.

Por decreto de 15 de Janeiro de 1898, o concelho de Ílhavo será novamente reformulado e irá recuperar a sua autonomia administrativa. Forma-se nova Câmara; a primeira acta pós este período de anexação, data de 28 de Janeiro de 1898, sendo o cargo de Presidente ocupado por Ferreira Pinto Basto.

Nessa data o «ilhavense» José Barreto·, dedicou ao acontecimento um soneto que por curiosidade aqui se reproduz:

Assente sobre um vasto e fértil plano,
Em ruas amorosamente repartida,
De estradas, largos, praças, guarnecida,
Com mui saudável clima em todo o ano






Perfumada pela brisa do Oceano
Por aldeias Formosas envolvida
Mãe de nautas valentes, cuja vida
É um poema d’ingente esforço humano



Marítima, piscosa, industrial,
Formosa, alegre, activa e ilustrada
De importante labor comercial,

Este é d’Ílhavo a terra abençoada
Hoje enfim, do concelho a capital
«Esta é a ditosa pátria minha amada»





ALADINO

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Aviso da Paróquia – 5

"O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o verão,com o agradecimento de toda a paróquia”

-------------------------------------------------------
-------------------------------------------------------
O AMOR

Algo que não sei definir muito bem.
Mas que ao acaso, ao navegar sem rumo certo, à bolina, encontrei nas palavras desse notável panfletário que foi Maia Alcoforado, no seu «Ílhavo Terra Maruja».( n.b- quem não leu ,deve ler)
Ora digam lá se poesia é rimar, ou se não será outra coisa…
-------------------------------------------------------
-----------------------------------------------------

O Amor!

O avant- propos da história dos ílhavos, foi escrito pelo Amor – talvez V Exªs o não acreditem – é o maior de todos os heróis…Falar desse eterno Herói às mulheres de Ílhavo, é ter de passar em revista os pelotões de lágrimas que o mar lhes tem feito chorar; é ir ouvi-las aos paredões da Barra e às areias da Costa Nova, à hora em que os veleiros de proa ao S.W. começam a marear o pano e a grita comovedora dos adeuses abre chanfraduras de sangue na alma dos que partem e no coração ficam …; é fazer acordar no seio de todos os oceanos, que bordam todos os continentes, as cavernas carcomidas duma multidão de navios, que a fúria das tormentas desmantelou e a guéla hiante dos vagalhões engoliu no meio de risadas infernais…; é ir desvendar os nevoeiros da Terra-Nova, catacumbas do mistério e da solidão, onde jazem mirradas as pranchas dos dorys e os esqueletos dos pescadoresA mulher de Ílhavo só por si é um poema de amor..

(Maia Alcoforado 1932)

--------------------------------------------------
---------------------------------------------------

POESIA versus MURO DE TIJOLO…

Na apresentação do livrinho de João de Almeida, o director da secção cultural de «Os Ílhavos» referiu-se a um conterrâneo que um dia lhe teria dito se pensas que isto de poesia é fazer muro de tijolo a metro…; subentendi que o conterrâneo quereria marcar a diferença – para ele poeta – entre obrar poesia, ou simplesmente (?!), prosa.
Claro que eu compreendo o que o dito quereria dizer ..Muito embora tenha certas duvidas –muitas! - sobre os poetas.Inspiração por inspiração, a prosa é muito mais suada. O poeta faz poesia com um décimo das palavras – o que não deixa de ser uma vantagem – e com uma total liberdade de sugestão. Se quisesse escandalizar – exagerar e glosar – diria que a poesia está para a prosa como a pintura abstracta está para a pintura renascentista. Uma faz-se de um momento, outra é produto de um grande trabalho de escola.
Por isso é verdade(?!) os poetas serem, por norma, preguiçosos…e fingidores
Uns «poetas!..

-----------------------------------------------
-----------------------------------------------

JOÃO DE ALMEIDA-1

(Vista -Alegre a minha terra)

Um interessante livro de memórias, que foi apresentado ,sábado.Ter memória é dar-nos conta dela dum modo singelo, mas amoroso.É q.b.
O livro de J.A merece, pois, todo o respeito. Não é uma obra de história, mas dá-nos o registo de pormenores valiosos. E é, acima de tudo, um trabalho feito com o coração e escrito por alguém que desejou exprimir o viver com solidariedade e em convivência, num mundo que até lhe parece, hoje, ter sido de rosas,e em que participou. Ora um homem que participou deve dizer no que (.) e onde. J.A fê-lo… O livro fez-se perante os gestos de indiferença inexplicáveis… diz V. S. no Prefácio. Inexplicáveis, mas esperados, expectáveis, acrescento eu.
João Almeida lembrou-me o
Um munamuna
Dois rilhós
Três holandês….

Oh! my god…tão longe e tão perto.
Quando se vive numa sociedade vesga e mesquinha é difícil,muito difícil, fazer lembrar que nem sempre foi assim. J.A mostrou-nos outra face desta terra: a que tinha filarmónicas, teatro, mouras encantadas e bispos. Lembram-se? Não?! …então comprem o livro sff
.-------------------------------------------
-------------------------------------------

JOÃO DE ALMEIDA -2

Dias antes da apresentação, li declarações no «Diário de Aveiro», feitas pelo corifeu do regime local. Dizia o troixelo que a Câmara não tinha apoiado o livro porque não se poderia fazer um livro sobre uma empresa privada sem ter desta autorização.
Parecia, pois, que o trabalho de J.A. era «crime» a que a impoluta Câmara-aquele grupo de anj(inhos) não se queria associar.Eu confesso que não percebi o taloca na estridente e opiniosa tarouquice.
Já ouvi muitas coisa parvas .Esta vou registá-la para a história(III).
Ora depois de ler o Livro, das duas, três:

1-Ou o patareco não leu o livro, e opinou como é seu timbre: -de cor e salteado
2-Ou leu; mas como não sabe ler – sim porque isto de ler não é só soletrar consoantes e vogais – não entendeu que o livro de J.A, nada, mas nada!... fala (e quando fala de raspão é só para elogiar) da empresa privada V.A, mas sim e só, da «Vista – Alegre».

3- Ou pois, terceiro e o mais certo:O barnabáu não sabe que foi a Vista – Alegre que deu o nome à Fábrica, e não o contrário.

Tanta ignorância pode ser inexplicável, como diz V S.Já eu diria: - perfeitamente explicável e expectável.

VS tem uma alma de poeta.Eu não...

ALADINO

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...