quarta-feira, agosto 22, 2007



NO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE MIGUEL TORGA


No Centenário de Torga ,eu, grande e fiel leitor da sua densa produção literária ,poderia, aqui, atamancar algumas palavras sobre este espírito granítico, que antes de ser poeta/prosador, era já um português do mais puro cerne, e que, depois ao sê-lo, manteve intacta a capacidade de o querer ser de todas as maneiras e de todas as formas ,que a escrita lhe permitiu .E nela, pelo caudal impetuoso que brotou da sua pena , ser só isso :– um português preocupado com o seu tempo .

Mas seriam pobres ,descoloridos e insonsos, todos os arremedos que poderia, esforçadamente, ataviar .

Ora se sobre Torga ,tive um amigo –Frederico de Moura -que o conheceu como poucos, desde o tempo em que juntos coçaram as cadeiras da Faculdade de Medicina,em Coimbra ,para se tornarem nos distintos médicos ,que ambos foram .E que sobre Torga escreveu inúmeras vezes –mais do que outro qualquer, creio… - alguns dos mais belos textos de interpretação ,não apenas da beleza e da prodigalidade de humanismo que percorriam a obra do autor ,como a própria essência das motivações -o húmus -,que serviu de alimento à sudação provocada por um trabalho desalmado, inquieto ,viril, apaixonado pela compreensão –mas e também pela exigência – para com os portugueses do« seu tempo», ” na sua humildade sem lhes tapar as suas grandezas”.

Ao transcrever parte de uma das intervenções de Frederico de Moura ,na Homenagem a Miguel Torga ,em 7 de Dezembro de 1958 ,julgo carrear ,de uma só penada ,dois notáveis da cultura portuguesa para o meu despretensioso - mas atento - Blog .
Que os dois mestres da cultura me perdoem, e compreendam, a intenção.

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HOMENAGEM A MIGUEL TORGA


(Discurso de Frederico de Moura na data de colocação da lápide que assinala a casa onde viveu o poeta)

(…)


Quisemos trazer de Trás-os-Montes o gra­nito impoluto para nele inscrever o seu nome. Só para além do Marão encontrámos a pedra que lhe merecesse o nome literário que adoptou. E fizémo-Io para aproveitar um simbolismo que, cremos bem, há-de ser grato ao seu espírito.
Para lá dessa fronteira muralhada está o «Reino Maravilhoso» do Poeta; para lá do Marão está Agarez, estão as fragas desmedidas onde a sua obra abriu caboucos; está o chão saibroso donde a sua raiz mais funda tira a seiva; está a sombra do Negrilho - essa persona­gem vegetal que vive na sua prosa. Para lá do Marão está uma sepultura, aberta talvez na pedra, onde repousam serenamente os cava­dores que foram seus Pais. E sabe-se da fideli­dade de Torga ao chão e ao sangue da sua ori­gem - sangue e chão que nunca traiu, nem é capaz de trair.
Da terra desse «Reino Maravilhoso» tem a sua mão tirado a argila para modelar um mundo de gente e de bichos, de árvores e de coisas inanimadas, que através da sua obra têm destilado quer um sangue rutilante e vivo, quer uma seiva espessa resinosa, quer uma linfa cristalina e pura onde o cheiro da leiva vive rescendente.
Do «Reino Maravilhoso» são os cavadores e as bruxas, os negrilhos e as urgueiras, as ser­ras espinhosas e os penedos siderados no ermo; de lá é também o Vicente - esse corvo rebelde que se liberta da Arca e do píncaro duma mon­tanha trava uma luta silenciosa e obstinada com a cólera de Deus. E lá, medram, até, as torgas que lhe enfeitam o nome de Poeta.
E tudo isso - gente, bichos, árvores e pedras - sai da sua mão para ultrapassar as fronteiras de uma limitação em que olhos míopes de regionalismo o tinham confinado, trazendo a humanidade daqueles rústicos duros e ter­rosos ao bafo duma compreensão universal.
E este é o milagre de que só os grandes Artistas são capazes!

Caminheiro infatigável como um almocreve tem ca1correado este velho Portugal em todos os sentidos, palmilhando estradas reais e cami­nhos de cabra, atalhos confusos e congostas sombrias, quer à cata dum retábulo numa igrejinha perdida na serra, quer na pista dum utensílio onde a mão do homem tenha deixado uma impressão digital de beleza, para daí sacar um significado expressivo de conduta ou de atitude humana.
Fiel a um patriotismo telúrico - para usar o termo tão da predilecção do Artista - tem sugado desse húmus os glóbulos para as per­sonagens vivas da sua obra; e é sempre com o mesmo respeito contido e sóbrio que acaricia a pedra lavrada ou a cerâmica rústica que topa no seu caminho, fiel ao suor humano que lhe deu origem.
Insaciável pesquisador de motivações não é capaz de se deter no que a paisagem tem de epidérmico e só se satisfaz descendo-lhe à fundura. E se calha deitar a cabeça no «colo dos penedos» é menos para se deixar adormecer num regaço maternal do que para auscultar o coração da terra, ou para lhe formular, em segredo, ao ouvido, as suas perguntas ansiosas que trespassam a crosta do pitoresco para desenterrar o que é verdadeiramente significa­tivo.
Peninsular com raiz e leiva agarrada, é-o escancarado aos rumos mais largos da cultura, sem nunca deixar que ela lhe perverta aquilo que é nuclear, sem nunca consentir que ela lhe toque, mesmo ao de leve, no estrutural da sua individualidade sempre fiel às palavras que um dia deixou escritas numa página do «Diário»:

«Fincar primeiro, com amor e com força, os pés na terra esbraseada da lbéria; e uma vez ela na sensibilidade e no entendimento, olhar então com humana e natural curiosi­dade para o que se passa do outro lado do muro.»
Pois mercê desta impermeabilidade a tendên­cias e a modismos, Torga deu uma personali­dade tão original na nossa literatura que, a mim, não há maneira de me lembrar ninguém, de me sugerir, sequer, o vislumbre duma influência.

Não cumpriria totalmente a minha missão se não deixasse aqui um apontamento, embora fugaz, sobre aquilo que no Poeta há de digni­dade e de seriedade na construção da sua obra. Não há em toda ela uma transigência coni­vente com o fácil e com o circunstancial, por­que tudo nela assenta na solidez dum alicerce granítico e incompressível; e nunca qualquer passo foi dado sem pisar um chão pedregoso e difícil que lhe morde os pés e lhos deixa em sangue. Cada lauda que lhe sai da pena traz
o esforço sério e suado do trabalho e, como os cavadores da sua terra, Torga tem pela sua obra o respeito que aqueles têm pelo pão que lavram e mastigam religiosamente - pão esse que eu um dia surpreendi o Poeta a semear, no seu chão de São Martinho de Anta, com um gesto tão solene e ritual, com uma atitude tão digna e compenetrada que tive a sugestão de que o vi semear na brancura do papel as palavras que haviam de amadurecer na seara dum Poema.

Coisa de pouca monta foi aquilo que fize­mos para festejar um Poeta. Mas fizemo-lo sem o receio de o confinar, sem medo de o deixar preso à restrição de uma homenagem mesquinha, porque o não é, na medida em que vem desta família que constituímos e não quer ultrapassar esse âmbito. Não há-de ser esta simples lembrança fraternal que vai tirar a vez à homenagem que o grande Artista merece de todos aqueles que amam a beleza e as ideias de solidariedade humana; de todos aqueles que sabem valorizar no homem a seriedade que não cata popularidades fáceis, o trabalho honesto que não se hipoteca a críticas suspeitas, nem se vincula a igrejinhas de elogio mútuo.
Eu por mim, exprimi-me com as raízes enter­radas na sinceridade mais descamada de arti­fícios e interpretando o melhor que me foi possível o sentir dos condiscípulos. De mais a mais, como simples moço de recados que fui do Curso, encarregado de fazer a oferenda, não se me podia exigir muito mais do que fazê-la e dar ao Torga o abraço fraterno de todos nós.

Frederico de Moura

segunda-feira, agosto 20, 2007

A VIDA É ASSIM …


Em «O Ilhavense» , de hoje (20/08), podiam ser lidos os discursos do Srs. Presidentes, da Câmara e dos AMMI ,e o do Director do Museu .
Quando referenciei esses discursos fi-lo de ouvido (que confesse-se é já um pouco duro).Apressei-me a lê-los com atenção ,pois poderia ter de corrigir algo .

Pois bem :- nem uma virgula altero ao que disse .
Duro de ouvido, que não de compreensão.

A vida é assim: umas coisas endurecem outras esmorecem !

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MAS SE FOSSE AO CONTRÀRIO..

Se eu tivesse jeito para romancista ,escrevia um livro com o título:« A VIDA AO CONTRÁRIO».
Tenho-o todo na cabeça, só que me falta a arte .
O Guião, seria ,mais ou menos ,assim :

Se a vida fosse ao contrário,

..nasceríamos velhos, cheios de sabedoria ,e íríamos percorrendo a estrada ,ficando ao longo da jorna ,cada vez mais novos .Sempre a entender as causas porque deveríamos lutar ;e sempre com mais força para lutar por elas .E até, com mais atrevimento.Porque não haveria razões para as habituais desculpas : Ah! se eu soubesse ....
Os nossos Pais seriam cada vez mais jovens, e quando eles chegassem aos dez anos tomaríamos conta deles com todo o enlevo e carinho, sorrindo a cada gracinha sua. Seríamos os primeiros - e nunca nos entediaríamos com a tarefa – a acorrer para Lhes mudar as fraldas, e ou Lhes dar a papa na boca . Sorriríamos com as suas gracinhas, em vez de nos «chatearmos» com as suas fragilidades.

Os Lares - esse arremesso de velharias !...- fechariam .Porque inúteis na sua função. Velhos seriam os trapos ,pois que os mais idosos seriam os mais os mais novos.

Caminhar-se para a juventude com sabedoria – eliminaria o risco de a viver irresponsavelmente. Quantas vezes melhor, do que se envelhecer responsavelmente .

Quando fizeram a vida ,tal como ela é,

Os deuses deviam estar loucos!

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DESISTIR DE A VIVER ?..



«O CVCN CONSIDERADO DE UTILIDADE PÚBLICA»

Pois é Sr Presidente .

O senhor fez tudo para que tal nunca acontecesse –pediu, mendigou , pôs os galões em cima da mesa etc. etc..etc .Mas perdeu ,uma vez mais .Ponto final.

Devo repetir-lhe o que uma vez, já lho disse ,frente a frente :
-Comigo perde sempre, pois eu não jogo a feijões…
Contaram-me que «teve de bater palmas» ! Dizem-me que até o fez, parecendo ser sincero .Que elefante correu por esses gorgomilos abaixo !…Puxa !...
Há dias que mais vale não sair de casa.
É por essas e por outras, que os tempos estão perigosos para um tipo ir desta para melhor .
Ainda me obrigava a vir «cá baixo» para o desmentir …e afirmar :
que não fui ,não sou ,nem nunca quis ser : - Um bom rapaz .

O que me pareceu incrível ,é ter-lhe passado pela cabeça que eu desistiria !...Nunca julguei que o senhor tivesse ,assim ,tão pouca consideração por mim, quando pensou tal !.
Sabe o que é que este caso teve de mais interessante : é que a aprovação do dossier e a proposição de Utilidade Pública ,foi feita ,ainda ,no Governo dos seus pares .
E esta hein?!.....

Só uma pergunta ,se me permite :

E agora acabar com o CVCN para o levar para a Marina ,como vai ser ?!...

ALADINO

terça-feira, agosto 14, 2007

Anfiguri …

Carapau/bacalhau/ e pitáu






O dique foi a pique
O farfalho foi ao alho.
O asno corou de pasmo
O corifeu fez-se ateu.
Comeu o bacalhau
Deu espinhas ao marau.
Falou com cagança
De uma grande vingança
Ninguém o atrapalha
Vai , puxou da navalha.

Falou com vigor
De tudo que for.
Empenhou-se a fundo
A prometer o mundo,
Abanou o chocalho
A um certo bandalho
Que cheio de riso
Mostrou pouco siso.
E disse a debique
Metendo-o a pique,
Cruel vadiagem
Fartai vilanagem.
Tão mau é o termo
Como este Governo.
Mostrando a dentuça
E o pelo na fuça
Prosápia balofa
Em orelha mouca.
Brilhante o dixote
De tão vazio pote.
Imbecil gargalhada
No meio d’ alhada
Plena de manha
Em soez artimanha.
Vazia de tino
Tamanho o cretino
Tão larga é a lauda
Como curta é a cauda
Do infeliz menino
Em feroz desatino,
Cuspindo borrões
Em vãos borbotões
Num tolo escarcéu.
De lhe tirar o chapéu.
Tão tolo e tão mau
Ó grande ribau !
C’a g’ande pitáu
Dá cá bacalhau!


Aladino

Agosto 2007

segunda-feira, agosto 13, 2007

VINHO NOVO VERSUS VINHO VELHO



Coisas talvez sem importância para o leitor, mas que me acodem frequentemente ao espírito, são os inolvidáveis momentos passados com meu Pai, camarada de eleição, cúmplice de mil e uma aventuras - foram tantas… tantas.! - numa vivência onde tudo servia para reforçar a aprendizagem do saber que se transmite, e que fizeram de mim homem.

Estranhava eu que meu Pai, um apreciador nato de vinho, com clara e inequívoca queda para um sábio saber de o bem apreciar, desse a sua preferência aos VINHOS NOVOS. Eu na altura elogiava o contrário, e dava comigo a explicar as virtudes de uns e de outros, aos amigos, que confiavam em mim para a escolha do vinho que anualmente engarrafávamos.

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Hoje, depois de ter apreciado de todas as qualidades um pouco, julgo poder fazer um balanço, ou até ser opinativo, a aconselhar. Apesar de, desde os trinta anos me ter sido proibido de o degustar, desobedeci às ordens e levei - por vezes em excesso (relativo, entenda-se) o copo à boca, ou vice versa.
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Um VINHO NOVO, é alegre, presta-se a rápidos contactos, exala aromas de um modo muito ténue, e comporta-se com um desejo e pretensão de afirmação, que cativam. Pode ser servido sem requintes do corpete que o atavia : picheira, garrafa, ou até aparado do esguicho, retirado o espiche.

Um VINHO VELHO é sereno, com perfume próprio intenso, muito mais macio aos pontos gustativos do apreciador, exigindo um body bem adaptado para lhe fazer sobressair as (suas ) virtudes, às vezes em inicio de desvanecimento.

Um VINHO NOVO pode ser mal tratado, em voltas sobre voltas, empinanços vistosos, quase posto em shaker, que se não amofina. Aguenta caprichosamente e galhardamente, e até acompanha os volteios sucessivos

Ao contrário um VINHO VELHO, deve ser tratado com todo o jeito, suporta mal movimentos bruscos da mão ao levá-lo à boca, pelo que deve ser sorvido em movimentação doce e subtil, levada a cabo com extrema delicadeza, mas e também subtileza.

O VINHO NOVO tem por vezes, ainda com ele, sabores esquisitos de tanino ; deve, no caso, permitir-se uma boa ventilação, um entretenimento para que repouse no copo e os mesmos se esvaiam. Com jeito, suportando a impaciência, desvanecer-se-ão rapidamente.

Um VINHO NOVO pode beber-se de um só gole ; escorropichado, com sofreguidão, apetecendo no final da degustação, se ele não é novo demais, gritar um satisfeito:- Olé!

Um VINHO VELHO, ao contrário, deve ser sorvido, gole a gole, de um modo suave, deixando espaço entre os goles, para que ele se entretenha a saltar da língua para o palato, para assim se lhe retirar toda a grandiosidade do seu encorpado e licoroso, rubi. No final merecendo um sussurrado :- wonderful.Porque nisto de idade conta o requinte da língua.

Um VINHO NOVO suporta melhor o acompanhamento de qualquer carne, desde que não seja muito gorda. Diz bem com saladas, misturas de várias qualidades, desde que frescas e tenras.

Um VINHO VELHO adapta-se a carnes secas, não muito duras, mas também a carnes suculentas, desde que contida a sua gordura em limites aceitáveis e tolerados.

Um VINHO NOVO corre forte perigo de «marteladas» que lhe retiram frescura e vivacidade. Depois, é mais martelada menos martelada, que nem se dá por tal ser o vinho que já foi, ou podia vir a ser.

Um VINHO VELHO pode já ter dado a volta. Cuidado. Aí não há nada a fazer. Para o saber, deve se lhe tirar ,cheirando-a por baixo. Pelo olfacto, saberás de imediato, se podes provar ou se não vale a pena o esforço do toque.

Um VINHO NOVO, pode dar azias terríveis ; incómodas. De tirar o sono.
O VINHO VELHO raramente o faz ; mas é sempre bom não abusar.

Em resumo :

Só se pode apreciar um vinho, comparando-o.
Assim, mesmo que habitualmente só beba «Barca Velha», deverá uma vez por outra, provar diferente. Saberá se continua a beber o melhor - para se poder babar junto dos amigos - ou se há novas marcas, que justificam, elas também, meter o saca-rolhas.

Em toda e qualquer altura, um Homem que se preze, e que saiba da poda, deve estar sempre pronto - e disposto - a provar do que quer que seja : desde que de boa qualidade.

Todo o bom apreciador não poderá dizer, pois , em consciência e em definitivo, se um VINHO VELHO é melhor do que um VINHO NOVO, ou vice versa. Dirá que ambos são bons, se forem de boa qualidade.

Por isso nunca se deve dizer que deste vinho nunca beberei

ALADINO

domingo, agosto 12, 2007

FINGIDOR…

Perguntou-me se eu também sabia ser UM FINGIDOR. Claro, respondi-Lhe.

-Então mostre-me …

Foi o que tentei….

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NA TUA AUSÊNCIA..


O amor é fogo que arde

Quebrado pela tua ausência .

Diz-mo

Quem para o amor tem

Não só a sábia arte,

Mas guarda dele , também,

Voraz, faminta , apetência.




Eu sem de tal saber

Ou de amor, ciência Ter,

Vendo-te assim , longe de mim

Tão longe assim,

Eu creio antes

Coitado !..., pobre de mim,

Que o amor é fogo ao vento

Que fraco apaga ; que forte alenta.


S.F
Agosto 2007
A «ílhava» da diáspora



A exposição «DIÁSPORA dos ílhavos» inclui um modelo que se assume como o de uma «ílhava» ou «varino» da autoria do Cap. Marques da Silva, pessoa por quem, muito embora não seja das minhas relações, tenho enorme consideração, pelos relevantes trabalhos publicados, de entre os quais saliento “Memórias dos Bacalhoeiros - Contribuições para a sua História”, apreciável obra sobre a Faina Maior .
Dele, ainda, ouvi de meu sogro, largos elogios.

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Esta estória da «ílhava» tem a sua história.

Que não fujo, a contar:

No inicio deste ano fui contactado pelo Director do Museu, desafiando-me a terminar -ou melhor concretizar - a maquetização da «ílhava» que alguém - AML - lhe teria dito, eu andar, há muito tempo, nela envolvido.
A Câmara pagaria a maqueta, se tal não fosse proibitivo. Fiquei de dar uma resposta, pois pretendia-se a «ìlhava» para uma exposição sobre a aventura dos ílhavos no litoral português. A Diáspora de hoje, percebo agora.

Fui consultar os planos que tinha elaborado e, estupefacto, verifiquei que na última limpeza mandada fazer ao computador, alguns desenhos do CAD tinham desaparecido, entre eles, os desenhos da «ílhava». Estive, pois, para me escusar ao pedido.

Mas depois, pensei : se eu tinha sido - porventura - um dos causadores da necessidade de tal exposição - já aqui o expliquei - e porque, admiti, um novo traçado do plano à escala poderia melhorá-lo, atirei-me com ganas a refazer tudo, do princípio ao fim. Apesar de na altura andar envolvido nos últimos retoques do «Ensaio». Numa boa meia dúzia de noites a «ílhava» renasceu no papel. Tal como admiti, melhor do que inicialmente.
Seleccionei o maquetista, pedi preços e apresentei a proposta ao Director : 750 € era o necessário para um modelo à escala 1/27 (para que pudesse servir de comparação com os outros modelos existentes no Museu, todos na referida escala), muito embora, pessoalmente, preferisse uma outra escala.
Recebido o OK do Director, o trabalho começou. Visitas praticamente diárias, acertos, consultas à memória das gentes, pormenorização do interior, estudo do velame e sua funcionalidade e, após dois meses de intenso trabalho, a notável espécime da embarcação histórica, apareceu : bela, inquestionavelmente bela e - o principal ! - contendo diversos indícios que nos permitem reconstituir, com segurança, muitos pormenores da história da Laguna. A «ílhava», vista e analisada ao pormenor, é um repositório de ensinamentos, uma verdadeira peça arqueológica, capaz de nos esclarecer muitas interrogações, até aqui sem resposta .
Apressei-me a levá-la ao Museu, para a entregar. Ali chegado logo me apercebi que algo de embaraçoso se passava. Parece que o subsidio para o pagamento do maquetista já não era possível. Percebi logo o porquê. E todos o perceberão. A saga é longa e mal cheirosa.
Paguei do meu bolso ao modelista - diga-se com muito agrado -, só que a «ílhava» repousa agora entre os modelos que guardo religiosamente em casa.
Não deixei, contudo, de garantir que, mesmo perante o insólito da questão - com elevado e pouco habitual fairplay - que o modelo estaria à disposição do Museu, sempre que dele necessitasse.

Questão encerrada.
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Há pouco tempo (um mês?) numa ocasional ida ao Museu, o seu Director informou-me que o meu modelo não seria preciso para a tal exposição, pois que seria apresentado um outro, executado pelo Cap. Marques da Silva. Tudo bem.
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Tive então agora, a ocasião de estudar o modelo da «ílhava» ou «varino» exposto na «Diáspora».
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Bom foi, que, finalmente e logo no mesmo ano, aparecesse o que se tinha perdido completamente no tempo, um pedaço fundamental da nossa história agora finalmente recuperado. Louvo por isso o Cap. Marques da Silva.

Teço sem qualquer acinte ou outra intenção, que não a do rigor, alguns reparos ao seu excelente labor (se mos permite).

Estudei profundamente tudo quanto, julgo, haver sobre tal embarcação ; juntei-lhe as informações orais, preciosas, que ouvi do meu Pai e desse excelente amigo Dr. Frederico de Moura, com quem por diversas vezes discuti o assunto. Ensaiei com a ajuda das novas tecnologias, possíveis soluções de racionalidade de formas e funções da bateira, e por isso, julgo estar em condições de levantar as seguintes questões:

1- Tenho para mim, que a forma do terço anterior da «ílhava» não era bem como a apresenta o Cap. Marques da Silva mas a de um outro tipo de barco, utilizado por outras gentes. Facto não muito importante. Mas a «ílhava» era superiormente elegante nesse particular, pormenor que a distinguia de todas as outras. Quiçá, mais elegante do que o Moliceiro, que nela se inspirou.

2- A «ílhava» usava seis remadores ao remo (que não é minimamente o do tipo mostrado pelo modelo de M .da S.) e três ao cambão. Isso exigiria uma posição de remar muito típica, que mais tarde foi utilizada nos meia lua. Por isso o seu interior teria que ter uma lógica funcional especial, dada a dimensão da boca.

3- O velame de pendão era completamente diferente (eu concluí tal) do apresentado por M. da S. O velame da «ílhava» servia apenas para as popas, era baixo (2,5-3 vezes a boca) o envergue muito longo (3,5 vezes a boca), trabalhando sem calcador, prendendo à amura de barlavento aquando da popada cheia. O encosto do envergue ao mastro, era feito a 1/3 do extremo anterior daquele, o que permitiria uma armação quase como se tratasse dum pano redondo. Sem valuma, bolinão ou esteira -de afinação - mas com rizos, a vela incipiente da «ílhava», foi a clara antecessora da vela do Moliceiro. Neste com uma função vélica muito diferente, superiormente evoluída, adaptada a bolinas cerradas.

4- A borda da «ìlhava» era forte, para fixar o calão, e não, como a de simples bateira da ria. A «ílhava» foi usada como bateira do mar, trabalhando na sua pancada, quando antecedeu o meia lua das Artes. Por isso, tinha de ser forte e com pontal muito superior ao Moliceiro.

Um curioso exercício, é permitido facilmente com o computador : retirada a proa da «ílhava», rodada de determinado ângulo, ela encaixa soberanamente no meia lua da mesma escala.



Fiz estes reparos ao modelo do Cap.Marques da Silva, como ele fará outros tantos - ou mais ! - reparos ao meu modelo.o QUE SÓ LHE AGRDECEREI.
Pena que não pudessem ter sido exibidos juntos.

Talvez um dia ! Num outro tempo, em que a cegueira tenha arranjado oftalmologista capaz.

SENOS DA FONSECA

Agosto/2007
A Diáspora dos «ílhavos»


Desde já ,e em definitivo, mesmo que o titulo prometesse muito e o concretizado ficasse muito além do desejável ,a atitude é ,em todos os casos ,de enaltecer .Pontapé de saída para mais altos voos .Se…


70 Anos do Museu


1- O discurso de Álvaro Garrido, bem construído e melhor transmitido ,deixa, por isso –porque foi pensado - várias interrogações .
Terá o actual Director do Museu uma ideia clara sobre a necessidade de não funalizar demasiadamente a sua figura e acção ,face á necessidade de ser apenas, mais um ,do grupo ,mas não de todo o «argonauta» que parece ter descoberto «o inconhecido»?
Começa a instalar-se no meu espírito a duvida .
Tiques, ou assumido posicionamento ?
Distinguirmo-nos é um direito .Mesmo se pelo lado errado .Mas não pelas palavras ,por mais bonitas que sejam. Mas sim pela humildade de, reconhecendo o que os outros fizeram ,pretendermos fazer melhor .E fazê-lo …não dizê-lo .
Há coisas muito positivas na acção do Director. Mas por vezes dá-me a ideia de um certo deslumbramento –que alguns desejam aproveitar -parecendo mais preocupado com a sua afirmação pessoal ,do que em dar resposta e sentido à integração do Museu na comunidade local.
Cosmopolitismo ?

Seja…


2- O discurso do Presidente dos Amigos do Museu ,lança algumas pistas preocupantes .
Só que eu ainda não percebo - de todo !-o peso institucional deste grupo. Eu – filho de um dos primeiros presidentes do mesmo –contínuo a não perceber -bem -, o que é o folclore deste tipo de agrupamentos ,que pouco ou nada reivindicam do seu peso histórico. E a quem ,ao que parece, só distinguem por enfado.É nítido .A questão da sustentabilidade do Museu ,deveria ser escalpelizada ,senão ,qualquer dia, temos por aí um Berardo, ou quando muito um «Irmão dos Cavacos» a gerir o Museu E uma coisa é ser amigo do Museu ;outra ser amigo –ou só conhecido- do «Berardo…»

Na cisão do Museu com o passado , qual foi a responsabilidade da A.M.I?
–gostaria de o saber ….

3- O discurso do Presidente da Câmara ,foi patético ,ao enviesar para um comício de propaganda politica ,já com alvo definido para 2013. Ele o disse e assumiu.
Teve dois pontos indeléveis

3-1- É inquestionável –disse !- o erro dos que pretendiam que o Museu não estivesse ali ,mas noutro local.
É profundamente estranho que um individuo que se assina – ainda que só! - com formação de engenheiro ,tenha esta estranha leveza do ser sobre o Q.E.D.
Ora eu penso claramente o contrário:- Foi um clamoroso erro ,construir, ali, o Museu .Um erro crasso !.Uma oportunidade falhada.
Porquê?
Porque todos os centros que têm a felicidade de possuir espelhos de água perto ,levaram para junto deles –ou até os puseram sobre eles – os Museus de cariz marítimo .Raios !...,se o não fizessem ,então mais valia fazerem-no na Serra da Estrela ,nas Alpes ou nos Himalaias, e lá colocarem um óculo para ver o mar por um canudo.
A vacuidade da afirmação ,é pois, atrevida .
Um dia a asneira em Ílhavo , será corrigida ,não tenho sobre isso a mais pequena duvida. Quando o tempo chegar .Porque ao contrário do que foi dito ,o Tempo ,ainda não chegou ao Museu.
Entende Sr Presidente?

3-2- O cosmopolitismo –versus provincianismo - se é traduzido por actos como aquele da compra do «lenço» de Júlio Pomar :
-Vou ali e já venho.


3-3- Aquele «aviso» misturado na trapalhada da golfada das palavras sem nexo ,pareceu indiciar o caminho da privatização do Museu .Eu assim o pareci entender .Seria mesmo isso? Vender a cultura aos retalhos? O caspité do Presidente ,que disse por isso ter tomado as rédeas do Pelouro da Cultura ,é delirante.Habituado a vender, se preciso for, a alma ao diabo, não me espanta.
Mas , tudo bem, adiante …até 2013

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Propriamente a Diáspora

Com pompa e circunstância ,foi aberta a «Diáspora» .Verdadeira caixa de Pandora ,se esmiuçada …

Uma primeira visita à mesma , serviu-me para estrito gozo pessoal, apreciando-a sem olhos críticos . .Não sei ao certo , mas havia ali algo de conivência .Gozei a sensação, deliciado .Sorvendo-a, sem lhe tomar o paladar.

Voltei então segunda vez , agora para lhe conhecer «o toque» .

Vejamos :

1- É claro ,é evidente -só um ceguinho não vê, mas sente-o - que a tacanhez da única sala de exposições periódicas do Museu , demonstra clara e inequivocamente ,o desajuste funcional do projecto do Museu. A Arquitectura do Museu pode ser boa (?!) ; funcionalmente a resposta ao caderno de encargos , é um desastre .Mesmo numa pouco ambiciosa e limitada exposição ,as coisas atropelam-se, e tem de se ter ginástica para lobrigar as legendas para navegar sem encalhar nas peças.
Serei excessivo se disser que o anterior Museu do Arq. Quininha, era, até, mais funcional ?!.
Muito embora a diferença no tempo não exija comparações no estilo. De La Palisse .


2- Não entendo -e não desejava lobrigar - alguma falta de rigor que detectei na exposição , evidente no conteúdo ,e até grave, em omissões evitáveis. Em Ílhavo – refiro-me por exemplo a Ana Maria Lopes –haveria pessoas capazes de as repor no cardápio .Isto de capelinhas não conduz a nada de bom .Investigar não é ler .É acima de tudo exercer juízos de valor entre o essencial e o acessório ,para relevar aquele . A exposição contém muitos pecadilhos originais e nada releva de novo, perdendo-se por omissão o mais importante : a dimensão da saga .Sob o ponto de vista do enquadramento humano .Falta lá a gente!....

Mas um grande passo .Que apreciei e aplaudo ,no geral .E isso é o mais importante, diga-se o que se disser.
Felicito, pois , todos os que deram o seu melhor para no-la oferecer.
Está ou não ali esboçada uma história de« um irredutível povo da beira mar que só tinha medo que o céu se zangasse »?!...

E serei ofensivo se perguntar :

quando é que esta parte tão importante da nossa história colectiva, é definitivamente integrada no Museu –como ? ,quando ? aonde ?.
Ou será que aquilo serviu ,para só e apenas, tapar o Sol com a peneira.?..
Não ouvi nenhum sinal que me tranquilizasse.
E eu gostaria que finalmente se começasse :

«ERA UMA VEZ ….»,

em vez de se insistir em contar, apenas –e só -, o epílogo da mesma.


Aladino

quinta-feira, agosto 09, 2007

FAINA MAIOR

Agora é tarde .

Outros contam a história que escreveste

E chamam-lhe sua .

E Tu que calçavas as botas e cerravas os punhos

Marinheiro que o sonho abençoara

E partias depois de beijar teu filho,

Ficas a ouvir a história das «estórias» que lhe escrevias

Que não falam da tua inquietação, de então

Terão pão?

E não falam do teu sofrimento, no momento ,

Terão alimento ?

E não falam da tua alienação quando em vão

Andavas,sózinho, perdido na imensidão.

Ninguém explica a dor sombria que então sentias

Naquele lugre carregado de medos ,

Sabia -se lá se haveria humanos regressos ?!


É por isso que clamo pela tua presença

Queria reunir os destroços que sobraram

E dizer aos contadores da tua história imensa

Que era o medo quem fazia os heróis

E toda essa imensidão de bravos,

Que sonhavam, sofriam e choravam

Só para que os seus filhos não fossem,

Eles também,

Os novos escravos…

Senos da Fonseca

Agosto 2007

segunda-feira, julho 23, 2007

«FUÇANGUISSE» ….JÀ !...


O País ,di-lo a Estatística ,corre o risco de extinção por não se fazerem meninos .

O Estado resolveu incentivar a «produtividade » dos portugueses, estabelecendo um prémio ,mesmo antes que os meninos dêem o berro do costume .A isto chama-se ter confiança no produto.
Passadas as férias,em Setembro ,mãos (?!) à obra.
Imaginemos o discurso do nosso Primeiro, a anunciar a medida


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Portugueses !

É chegada a hora. Agora é que vamos tirar meças à Vossa glosada – ou gulosa?- capacidade (olhai que para tal hora , mesmo as «pequeninas» ,também servem ).É num momento como o de hoje, em que a Pátria vos pede a suprema demonstração da Vossa apregoada, incensada e glorificada virilidade efectiva –que os números parecem querer desmentir insinuando a Vossa pouca adesão ao acto -,que se avalia quem está com Ela ,ou contra Ela. Todos!..., seremos ( ainda) poucos ,para dar (O) corpo a esta ciclópica tarefa. Se necessário dai bom acolhimento aos imigrantes para tão patriótica tarefa.

Portugueses e Portuguesas…

F….

A hora é a de salvar a pátria em vias de extinção, gerada pelo Vosso pouco empenho na «fuçanguisse com as V patroas», constatado nos últimos anos .
A bandalheira politica ,os Reallity Shows da TVI , o Sporting e o Benfica , o « Orelhas» e «o «Pintinho» ,não Vos podem distrair da V. obrigação .Do Portas não espereis exemplo algum.É só fumaça .Quanto ao «baixinho»:-atenção ! .. a brincadeira não é para meninos, e as pedófilas andam por aí .Com o Jerónimo ,tende cuidado ,que ele é daqueles que comem criancinhas ao pequeno almoço, e lá se vai o V. esforço. Esquecei o exemplo da Carolina ,que só quis brincadeira ,mudando de enxerga para enxerga em marmelada alternada, e depois ainda se queixou que a falta era de « galo» (que era só «pintinho»).

Agora ,nesta hora de transcendente importância , a Pátria não vos pede brincadeira ,mas exige empenho ,suor, ranho e baba , para a suprema tarefa de fazer meninos .Olhai que a Pátria Vos vai pagar para tal . A cambalhota, a partir de hoje ,deixa de ser considerada brincadeira ,decretada que é ,ser um dever patriótico .

Quem não os fizer por não se «astrever» ou por falta de comparência ao desafio , será deportado para a Madeira .Aqui não serão vocês – os mouros ! - a F…
Será o Jardim que vos F…


Boa noite a todos …
E vamos à vidinha …que são horas da deita.
Aqui , todos os « canudos» serão poucos, para salvação da Pátria…
«Canudos» , erguei -Vos! .... .

A Pátria Vos contempla e Vos agradece (e Vos paga )…


Aladino
A ANEDOTA da sillicon-season



O Correio da Manhã, noticia que Ribau Esteves vai ser o concorrente de Marques Mendes , nas directas do PSD ,em Setembro .
Este Ribau só «briga» com os pequenitos….
A saga segue em frente - como o disse várias vezes, aqui- ,até que :

-Mãe sou, finalmente !.., Ministro»….

Oxalá fosse já amanhã ,para ver se Ílhavo acorda do pesadelo.

--------------------------------------------------------------------------------------------O MUSEU DOS «ílhavos» EM FESTA

... E EU TAMBÉM

A Comunicação Social, local ,traz hoje largas referências á próxima iniciativa do Museu ,na comemoração dos seus setenta anos .
E refere o Museu como «o Museu dos ílhavos ».
Anunciando –finalmente !- uma exposição sobre a notável saga migratória daquelas gentes ,ao longo de litoral português .
O «Ílhavo - Ensaio Monográfico» (q.e.d.) está, pois, mais que justificado .Valeu a pena. Há um ano que se começou a intuir -ainda que uns assobiassem para o ar -,que um dia se iria perceber que :

- O REI VAI NÚ…
e com isso,significar que há contas a acertar nos fins e objectivos traçados para o actual Museu ,que tem dado uma imagem redutora da história dos «ílhavos» ( vidè Blog- 2006, de 20 de Outubro)

O Director daquele tem- com humildade-, de perceber que ao contrário do que por vezes–erradamente - pensa , tudo já existia antes dele aparecer em cena ,e que lhe cumpre ,isso sim ,propor novos caminhos por onde Museu possa mostrar nova oferta cultural, mais diversificado , retirando-lhe a carga exagerada da uma «unicidade» redutora.Entenda-se,contudo, de que, pelo menos no sentido de abertura do Museu ao exterior, o seu trabalho tem sido meritório .E ,sem duvida ,também o tem sido numa certa organização documental que, de facto,tardava em aparecer
..................................................................................................................................................................

Que bonito esta recuperação do termo «os ílhavos»!(custou ,mas foi!...) . Se todos intuíssemos o que essa designação significa ,tenho a certeza de que um dia haveríamos de encontrar novo desígnio.Lá iremos …

--------------------------------------------------------------------------------------------ÁGUA MOLE….

Por me parecer importante, recordo, aqui, a carta que enviei em Outubro de 2006,ao director do Museu:
…………………………………………………………………………………………….

Caro Director :
Tive a oportunidade de ouvir, hoje, a sua intervenção na Rádio Terra Nova .Desde já lhe digo com franqueza que gostei : muito bem estruturada ,servida por uma explicação convincente, sabendo claramente a vereda por onde quer prosseguir .Optando ,o que é uma imensa - para mim -, inquestionável virtude .
Descortinei durante a mesma que, eventualmente, poderia estar englobado numa citação feita “aos que discordam “ do actual trilho planificado para o futuro do Museu .Não é verdade ; não estou nesse grupo .
Há uma lamentável confusão que, por mais que tente, não tenho conseguido evitar. Por incapacidade minha -certamente – não tenho conseguido fazer passar a mensagem do que penso e, verifico amiúde, citações que estão desconformes com o meu pensamento .No sentido de esclarecer,
1) Aprecio -e já por diversas vezes tive ocasião de me manifestar nesse sentido -o seu louvável trabalho (e empenhamento) à frente do Museu que Lhe entregaram para dirigir .Julgo que o tem feito muito bem, de uma forma muito competente, e até, com raro sentido por vezes ausente nos académicos para, de um modo objectivo, descer do estrado e aplicar os conhecimentos, à prática . .
2) Quando lamento a imagem redutora da politica cultural desta terra, não me refiro a qualquer culpa ou ausência do Museu (ou do seu Director ) na sua concretização , outrossim, na omissão de outras entidades ; leia-se promotor cultural (Câmara ) ,agentes institucionais (Biblioteca ,Centros de Cultura ) e/ ou ,ausência de preocupação por parte das Associações privadas .
3) Assim, é minha opinião que o Museu tem, de uma forma altamente competente, passado a mensagem que lhe é solicitada. E- que fique claro de uma vez por todas - concordo inteiramente com a especialização de um Museu .E do seu enfoque num determinado (e não em todo) passado histórico; não, num museu de muitas e variadas coisas .Esse é outro tipo de escolha para servir outros fins .Isso não me impediu de , na altura, ter manifestado uma visão diferente que tinha para a solução , aquando da cisão do Museu Regional, transformando-o em Museu Marítimo .
Havia outras soluções –disse-o – que, indo ao encontro do que refiro anteriormente, poderiam e deveriam ter sido equacionadas .Mas na altura ; não agora .Consumada esta opção, faça-se o melhor para, assim, se alcançarem os objectivos a que se propuseram, antes da sua chegada. Um dia chegará o tempo em que outras iniciativas recuperarão o resto ( que é muito!) da nossa história.
4) E já agora com a frontalidade habitual, peço-lhe licença para um reparo ,esse sim ao status quo , e que me parece útil aqui introduzir .O Museu Marítimo pode alargar o seu campo de perspectiva histórica .Tenho essa perspectiva .Uma outra Faina –se Lhe quiser chamar «Menor que a Maior» – merecia , e deveria, estar retratada no «nosso Museu» .E recuperada como a outra, até porque, foi nas malhas dessa que se teceu e construiu a singularidade do «ílhavo» .E porque foi da Menor que nasceu «a circunstância» da nossa preponderância na Maior .Com algum esforço e atenção , poderíamos –julgo !- integrá-la e, mais importante, divulgá-la .
Finalmente …

A abordagem histórica que temos vindo a fazer à Faina Maior ,contém perigosos hiatos .Um dia chegará a verdadeira história, aquela em que as personagens virão ombrear em dimensão com os «actores» de hoje .E a contarão segundo uma nova perspectiva . Com um novo «remake» .Estamos ainda na fase do romantismo ;virá o dia –não tenha duvida, a história repete-se, como sabe – em que a visão realista chegará com o distanciamento temporal aos factos .Aí, claro, nem só os actores e produtores de hoje serão criticados ; os espectadores também o serão ,por ausência de espírito critico .Ou de coragem ,se o quiser .Aceito a minha quota – parte .
Um abraço
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Nada mau ,pois .Vamos a ver o que vem a seguir.


--------------------------------------------------------------------------------------------ARTE ? ....OU ESPECULAÇÂO?

Há dias aproveitei a oportunidade para visitar o Museu Berrado . No final confesso –e cheguei a comentá-lo – que se me dessem para trazer para casa, 90% do que lá estava –sem que eu soubesse das cotações atribuídas pelo mercado de arte -, teria sérias duvidas em aceitar a oferta .
Dir-se-á , talvez com propriedade : -ignorância e falta de sensibilidade modernista para apreciação de arte surrealista .
Por acaso, até julgo que nem é .Ainda há dias adquiri um trabalho, a meu ver notável , a preço de pechincha. Isto é :há coisas que me tocam e outras que nada me dizem ,mesmo que se afiance a sua qualidade artística.
Neste tipo de expressão artística, ou gosto logo na primeira leitura(olhar) ,ou pouco me impressionam as explicações dos mais entendidos.
Ora acabo, há minutos, de receber um mail notável de Rosa de Melo.Que afinal me acaba por dar certa tranquilidade, posto perante a incomodidade aquela possível, minha, insuficiência .

Refere –e mostra-se em vídeo -a experiência feita com alunos (crianças do pré –escolar ) de um estabelecimento de ensino espanhol que, em grupo, com as mãos, borraram a seu bel-prazer uma tela .Essa tela foi exposta numa exposição internacional de pintura como se tratasse de um quadro pertencendo à mesma , de autoria de consagrado fazedor de arte, embora não identificado.Acontece que foi dos quadros mais valorizados e admirados, na referida exposição. Pedidas opiniões avalizadas sobre o mesmo, foi-lhe reconhecida extrema qualidade artística . Um intelectual – daqueles que consegue descortinar o que lá não está -chegou mesmo a ver nele ,expressões «muito trabalhadas» de traumas sexuais, reprimidos ,do autor(?!).
E, ainda :- foi atribuído ao quadro um valor de mercado de dezenas de milhares de euros.
Estou mais descansado com a minha falta de sensibilidade que só me levou a descortinar, uma notável qualidade ,em apenas uma reduzida quantidade das peças Berardo.


ALADINO

sexta-feira, julho 20, 2007

Saciado, mas não farto


Esta é mais uma noite em que me embriago

Em ti ,e de ti, Ria

Olho-te no reflexo da lua que me atordoa os sentidos.

Revejo-te em todos estes anos vividos

Nos ciúmes de outros , que como eu ,amorosamente te cativam.


Estás hoje diferente do que me mostraste ontem.

E sei que amanhã serás de novo diferente .

E é por isso que tão estranhamente

Me apaixono, por quem repetidamente , me mente.


Sigo as tuas formas de mulher esquiva,

quando despida das tuas águas me mostras os recantos do teu corpo

E me desatinas

No desejo irrecusável de nele mergulhar - Mulher viva!

A sorver impudicamente a tua maresia , minha boca feita , teu porto.


Saciado, mas não farto, deslizo sobre os teus seios, e beijo-os sofregamente

Até que me digas basta .

Na promessa de que amanhã tudo recomeçará de novo

E que o teu desejo volte, renovado, a provocar o meu ,

Que pode ,eu sei, estar cansado, por peripécias da vida

Mas para Ti jamais estará ,meu desejo ,meu corpo, morto.

Costa –Nova ,18 Julho ,2007
Senos Fonseca
Há razões- que a razão explica e justifica - destes dias de ausência .


Voltemos, pois , à conversa .

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SE ISTO É DEMOCRACIA EMPENHADA ;VOU ALI E VOLTO JÁ….


Assisti com alguma perplexidade ,às eleições para a Câmara de Lisboa .E ,estupefacto ,vi alguns sorrirem-se, apregoando efectivas e estrondosas vitórias .Pode ter sucedido que uns ganharam mais do que outros ;mas ,se feita reflexão cuidada ,perderam todos ,sem que alguns dêem por tal :-ou finjam não dar .

A democracia ,uma vez mais ,veio apenas dizer que é o menos mau de todos os sistemas. Mesmo quando o povo (os cidadãos) se não deixa(m) convencer das virtualidades propostas -e ,como foi o caso -, dão uma nega à sua participação.
Pelo menos, assim , mostra(m) o seu direito à indiferença .

A meu ver ,este assomo dos independentes –afinal todos travestidos –não me parece de ser levado a sério .Por enquanto…,entenda-se. Mas desejável, e quanto mais depressa melhor. Os partidos funcionam numa lógica de mercado .Sem concorrência ,estagnam. Em ideias e em pessoas …

Ganhou claramente quem tinha mais aptidão para o desempenho do cargo ;nisso não tenho a mínima dúvida. Mas a indiferença coloca em causa a afirmação de que haveria um claro entendimento da necessidade destas eleições .
O grande exame de António Costa ,irá ter lugar dentro de dois anos .E aí ,a indiferença ,não vai -não pode! - ser a mesma.
Senão, é caso para dizer : -democracia para que te quero?!.

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O mundo está povoado de …

COISAS DESINTERESSANTES


Foi-me gentilmente oferecido o Livro de João Simões ,cujo titulo inicial na década de 40 era «Os Grandes Trabalhadores do Mar »e que agora passa a «Heróis do mar»(lembram-se do Filme do mesmo nome?;não houve ,pois grande originalidade, para –assim - resolver o imbróglio criado por Valdemar Aveiro)).

Tricas e trocas ,da «porcaria» em que anda metida a guerrilha na «Feira das Vaidades» na Santa Terrinha.

Espantosamente ! :- edição paga pela Câmara Municipal e Museu. Parece isto despiciendo ou uma frioleira sem significado ?

Ora aí digo ,clara e frontalmente ,que não .

Tinha em casa a edição do autor ; agora tenho a edição de co-autoria de João Simões e Álvaro Garrido .Não percebo -ou faço que não percebo -esta novidade editorial. Mas , concerteza ,a nota do prefácio é bem mais elucidativa -e importante - do que o livro.Esteve bem A.G.no prefácio ,mas...
O livro é mais do que inócuo . É mistificador. Conjunto de Crónicas de uma superficialidade que confrange .O autor mesmo quando se vê envolvido no limiar do heróico ,é claramente incapaz de o relatar com autenticidade . A mais não era obrigado. A «encomenda» não era para ser autêntico ,mas panegírico.
Bem escrito? O que é isso ?

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Ora quando o livro « Faina Maior » está esgotado ,porque desviar a atenção ,e os esforços ,e entrar numa guerrilha sem sentido ?...

Insisto : «Faina Maior » é – de longe! –o mais conseguido documento ,sobre «os bacalhaus».Aqui e lá fora .Em minha modesta opinião, este livro já deveria ter sido, promovido «lá fora» .Tem estatuto que justifica o esforço .
«Faina Maior» foi o produto de uma associação irrepetível: ao rigor de Ana Maria na fixação do texto e na organização editorial ,juntou-se o descritivo ,próprio ,incomparável, do Chico Marques .
O livro reduz a heroicidade pacóvia, à realidade da sobrevivência. Exalta ,sem hiperbolizar .Desmistifica ,até :-ninguém lá andou por querer; mas porque era um modo de vida.

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Tinha principiado a noite com uma conversa interessante ,com pessoa interessante, e nada melhor que utilizar a boa disposição para suportar um livro sensaborão ,inócuo, encomendado ao autor com uma finalidade – a de enaltecer a vitória da neutralidade de Salazar na Segunda Guerra ,o que nos permitiu ,em 41, termos a única frota a pescar nos grandes bancos, tarefa que o jornalista do então sinistro Diário da Manhã , se esqueceu porventura, de acentuar .Ao que parece ,os próceres de então ,julgaram suficiente a aventura do jornalista do regime, para o medalhar..
Mas agora ,reproduzi-la ….Para quê ?

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Mas..o mundo está povoado de …

PESSOAS INTERESSANTES

Só que às vezes passam-nos ao lado.

Sucede-nos ,ás vezes ,gravar o imaginário de uma pessoa ,e assumindo esse retrato como definitivo. De repente ,sentados perante a mesma, verificamos que o mesmo ,não corresponde à realidade .E o certo ,é que tudo isto se passou durante uma vida .claramente ,falta de atenção que lhe damos …

Ontem sucedeu-me acertar umas contas com uma dessas pessoas ,com a qual andava intrigado, pois, desconfiava eu , que a imagem que dela tinha –por minha culpa .mas também por culpa dela !-estava errada .E quando uma duvida me assalta ,não descanso enquanto não ponho as coisas a limpo .Inquieto,. gosto de ser justo nas apreciações e para isso não aceito ficar pela superficialidade do que ouço dizer ,mas sim descortinar passo a passo ,a interioridade do «outro ou outra» .Gosto ,enfim ,de conhecer as pessoas (interessantes ) por fora e por dentro .E isso só o consigo, se as confrontar directamente.

Interessante ,pois ,verificar eu próprio, quanto enganado estava .
Ter respeito , consideração e estima por reconhecimento da validade intelectual de uma pessoa,… já é bom .Mas ,muito melhor, é juntar a essa estima distante ,uma estima de simpatia pessoal, próxima. Podemos ,assim ,se necessário , ser úteis, apoiando o seu esforço.

Foi o exercício que pretendi e ao qual «a visada» correspondeu sem fastio. Penso!

A vida tem coisas bonitas .E eu que andava enjoado de um tempo rico (paupérrimo…) em futilidades, enchi o «papo».



Aladino

quinta-feira, julho 19, 2007


saciado,mas não farto




Esta é mais uma noite em que me embriago

Em ti ,e de ti.

Olho-te no reflexo da lua que me atordoa os sentidos.

Revejo-te em todos estes anos vividos

Nos ciúmes de outros , que como eu ,amorosamente te cativam.


Estás hoje diferente do que me mostraste ontem.

E sei que amanhã serás de novo diferente .

E é por isso que tão estranhamente

Me apaixono, por quem repetidamente , me mente.


Sigo as tuas formas de mulher esquiva,

quando despida das tuas águas me mostras os recantos do teu corpo

E me desatinas

No desejo irrecusável de nele mergulhar - Mulher viva!

A sorver impudicamente a tua maresia , minha boca feita , teu porto.


Saciado, mas não farto, deslizo sobre os teus seios, e beijo-os sofregamente

Até que me digas basta .

Na promessa de que amanhã tudo recomeçará de novo

E que o teu desejo volte, renovado, a provocar o meu ,

Que pode ,eu sei, estar cansado,

Mas para Ti ,jamais estará , morto.


Senos Fonseca

terça-feira, junho 26, 2007

CULTURA POR ONDE VAIS ?!...


OS TEMPOS MUDAM ....



Não sei se as pessoas têm notado - em Ílhavo nada se vê ,nada se comenta ,tudo corre numa mansuetude exasperante..- mas, de repente , de há uns meses para cá ,tudo quanto é agente cultural fugiu desta Terra e assentou arraiais em Aveiro .E Aveiro esfrega as mãos com tal dádiva caída do Céu , que parece, vai continuar .E curioso, inteligentemente são solícitos em oferecer apoios ,facilidades ,salas etc.

Refiro-me entre outros à exposição de pintura do Júlio Pires nesse bonito edifício dos Viscondes da Pedricosa ; à magnifica exposição fotográfica de Rui Bela postada num maravilhoso salão cedido para o efeito pela Câmara de Aveiro;à apresentação do curioso livro de Carlos Pelicas sobre « o Sampaio da Torreira» na Galeria Sacramento; dos livros de Valdemar Aveiro apresentados no Porto e em Aveiro. (Aqui a questão é por deveras estranha, porque sendo a matéria ,a politica do regime local, não se esperava ver o Museu a assobiar para o ar e fazer de conta que nada se passa, quando se passa algo relevante .)
Porquê esta debandada ? Seria importante reflectir sobre o cansaço que levou a que esta gente agarrasse nos trapos –valiosos trapos! –e se mudasse para Aveiro .E particularmente curioso é que venha ao de cima - e de imediato ! - a validade e importância das gentes de Ílhavo, como qualificados agentes culturais na região. Afinal ,parece ,que com um bocadinho de esforço ,os «ílhavos» ainda seriam capazes de voltar a ocupar o seu lugar de relevo no panorama cultural da região ,como outrora.

A ideia peregrina de que os mesmos apenas sobreviriam (se) à custa das esmolas do poder ,a ele ficando subordinados ,parece ter passado .E cada um por si procura livremente o seu lugar de afirmação. Eu sempre o previ. Ou melhor, incitei para que tal acontecesse.
E no ultimo blog, voltei a abordar a questão.

Estamos perante a mais clara falência da (nenhuma) politica cultural , de Ribau Esteves, enredado num populismo bacoco, trauliteiro ,pustulento e regateiro .Este homem para lá de «mestre de obras» que servem para «nada» , quase todas inadaptadas no conceito aos fins- de que o exemplo mais frisante era o Museu ,não viesse agora o Mostrengo ocupar o seu lugar de primazia - ,começa a descida da montanha isolado de tudo e de todos .Há dias numa reunião em que estive presente ouvi –eu ouvi!...-da boca de um dos seus companheiros de percurso autárquico :-

- Nunca pensei que aquilo fosse tão mau .Horrendo …

«Aquilo» era, nada mais nada menos, do que o mostrengo, o arrepiante edifício do um dito Centro Cultural .
Há dias .aproveitando a porta aberta entrei no dito .E o «betónico» bunker interior mostra-se ainda mais arrepiante do que quando iniciado ,liberto do tumulo de vidro exterior. Sem espaço ,nem perspectiva para lhe visualizar as formas (disformes),fica a varanda de acesso, pendurada. Como se um bunker quisesse uma varanda e não apenas uma porta de fuga . .Parece um bebedouro para o pássaro.

Agora todos concordam .
Não sei se é verdade ou não .Garantiu-me um comerciante de uma das lojas anexas ,que o próprio Ribau lhes teria dito :

- Todos temos o direito de errar …

Se fosse verdade…tal não chega para o desculpar de tamanha bestialidade despesista .


Aladino

domingo, junho 24, 2007

DIAS DE AUSÊNCIA


Estes dias têm sido maus para conversar no Blog.

Não só houve que apresentar o Ensaio Monográfico ,mas meteu-se pelo meio a solicitação para apresentar o Livro «80º Norte» de Valmemar Aveiro ,no Porto ,e ,depois e de repente ,a solicitação para ir a Almeida ,falar um pouco sobre «As Rotas dos Bacalhaus».

Tempos cheios por isso ,mas por onde perpassaram casos interessantes .

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Participei ,há dias, e com muito gosto ,no habitual Grupo do Caldo de Feijão .

Esteve presente o eng Pio ,catedrático na área do ambiente ,que de um modo muito claro elucidou os presentes sobre as virtudes da co incineração , processo que foi analisado por uma Comissão Cientifica ,à qual pertenceu .

Dito isto assim ,não seria algo de muito relevante .Mas é ,porque o eng.Pio é um ilhavense .

O que impressiona é esta terra ter vultos desta dimensão e ligar-lhes pouco ,ou pelo menos, não de acordo com o merecimento .

Se estivéssemos numa terra onde as pessoas contassem e se privilegiasse as utilizar para incutir nos mais novos a ânsia do merecimento ,então há muito que este e outros ilustres , deveriam ter sido promovidos ,trazendo-os à ribalta .Se houvesse uma politica de cultura com pés e cabeça .Agora a que existe por cá é sem cabeça e aos pontapés
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Mas nesta reunião ,tive uma nova surpresa :o livro de João Roque professor na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré ,que mostrou o seu livro«Pirilampo e os deveres da escola» ,um lindo (encantador) conto para crianças –matéria muito difícil de abordar –que para lá disso ,tem uma óptima ilustração da autoria de Helena Zália ..

O Livro ganhou um prémio da Câmara (…)
Sei que ficaram boquiabertos ao pensarem -por momentos que…. finalmente! ….

Só que não ,não foi da Câmara de Ílhavo, mas sim da Câmara da Trofa que lhe atribuiu o 1º Prémio e o publicou. A Câmara de Ílhavo, essa desconhece-o ,como desconhece tudo do género.

«O Pirilampo» ,de João Roque é um educativo conto ,muito bem conseguido ,que certamente despertará o interesse das crianças .Cá em casa houve já a tarefa da sua divulgação, com pleno êxito, diga-se.

Parabéns a João Roque.

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E agora vamos lá à

Apresentação do « Ílhavo -Ensaio Monográfico»


Foi muito apreciada a intervenção de Alberto Souto .Límpida, transparente .Eu sei que aqueles que me vieram trazer o elogio ,estavam a pensar e a comparar ,a fazer notar a diferença..

Claro: há os que falam,… falam ,sem nada dizer –só para se ouvirem a si próprios -,e os que falam a saber o que estão a querer dizer .A diferença é ,simplesmente abismal

Alberto Souto é um Senhor com lugar marcado na história aveirense ,e cuja participação na mesma, ainda se não encerrou. .

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Ao outro dia um amigo que comigo trabalhou ,já lá vão dezenas de anos ,e que trouxe o livro para eu rubricar ,atirou-me :

-Então engenheiro ,depois de engenheiro ,projectista, professor ,director associativo, e agora historiador (?) –tanta coisa !- o que gostava de ser afinal?

- Olhe, meu caro ,uma coisa diferente dessas todas ; onde começasse e descobrisse novos interesses…Fazer outras loucuras.

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Agrada sempre –pois é reconfortante – ver tantos amigos á nossa volta e que quiseram ser simpáticos .Oxalá os não desiluda

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A pergunta que mais vezes ouvi fazer era :- e agora?....
Agora!... nem eu sei .Há tanta coisa pronta para ser acabada …e outra tanta para ser começada….que nem sei responder.
A questão nem é fazer ; é a de chegar ao final e achar que há interesse em ser publicada.
Essa é que é a decisão difícil. Fazer não custa nada .Faz-se, nem que seja asneira .
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Estiveram lá todos os que faziam falta .Todos ? Quase...

Porque faltaram dois ,que, se não estiveram presentes fisicamente, estiveram-no em espírito .

E que diria o primeiro (no final da apresentação ) :

- Estava a ver que não!...que ias deixar passar as tontarias em branco.

E logo a outra ajuntava :

-Não foi mau, Oh João!...mas podias fazer melhor…não achas Necas?

Claro :os meus Pais

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No final os amigos desfizeram-se –bondosamente –em abraços ,palmadas ,sorrisos ,parecendo querer levar a sério o transmitirem-me a ideia de que «eu até parecia um escritor».
Podem ficar sossegados, por tanta boa-fé semeada .Sei perfeitamente até onde vou na matéria .Rabiscador ,se tanto .
Mas podem ficar seguros que pelo menos felicitaram alguém que foi sempre igual. Acabada uma tarefa ,logo se sente obrigado a fazer melhor .Sempre insatisfeito.

A vida é aqui .E ganha-se lanço a lanço ,pelo que findo um é preciso partir para outro.
Sem descansar ao sétimo dia ,pois que tal prerrogativa só Deus teve o poder de, a si próprio, conceder . E quem sou eu ,para mo conceder.
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Ainda tens tempo para fazer muitas coisas : -dizia-me da boca para fora ,quando no intimo, certamente, queria dizer :- estamos prontos

Respondi :

- Olha não tenho tanta certeza como tu ---

- É preciso ter fé –retorquiu-me..

-Só se for na certeza dos cemitérios.


Aladino

quinta-feira, junho 14, 2007

MAIO em «Atenas»



Era o fim daquele dia de Maio ,em Atenas.

Quanto me queres ? Queres mesmo? Quanto ?

Perguntaste inquieta, com voz doida

E quando em mim pousaste teus olhos

Vi neles a vontade proibida


O meu corpo com tuas mãos entrelaçaste

Enquanto lá fora o Sol se sumia.

Era tempo de nos abrirmos

Ao querer , e em dadiva consentida

Deixarmos de ser nós , mas loucura vivida



Beijámo-nos sôfregos , de amor vencidos

Pelo eterno vai vem dos nossos corpos

Até que nos olhámos , quase mortos




Não perguntaste ,então –não sei porquê?-

Se te queria mais .Ou já não tanto,

Por de amor restares convencida ?...


Senos da Fonseca
TRABALHO DE PARTO


Esta questão de entrar em «trabalho de parto» ,deixa-me sem vontade de fazer nada, o que me é, de todo ,inhabitual.

Não sei se a minha mãe quando me teve ,nas horas anteriores, se sentiu assim :-sem saber se valeria a pena .Eu creio que depois Ela sempre sentiu que sim ;esforcei-me ,loucamente para isso .

Eu não sei se o Ensaio valeu a pena ,ou não… .Oxalá daqui a uns tempos eu o possa julgar .

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Mesmo nestas condições fui ontem ao Porto apresentar o Livro «80º Norte» de Valdemar Aveiro .

Mesmo neste estado de espírito ,um pedido de um amigo não se nega .

Sobre o que perorei sobre o livro guardo para mais tarde, publicá-lo no Site .De todo o modo adianto, desde já ,tratar-se de um livro de quase memórias ,que se lê com evidente agrado ,leve ,contendo algumas estórias interessante ,se bem que, particularmente ,elas pudessem ser de outro tipo ,mais realistas, como que muito ganharia o livro

A personalidade de Valdemar ,um arquétipo de um «ílhavo»,um ser que subiu a vida a pulso ,inquieto e decidido a distinguir-se ,tem tos os motivos para se louvar


É estranho o que está a acontecer cada vez com maior frequência .Aveiro aproveita tudo ,e o que é certo é que os últimos programas culturais ali apresentados têm tido umas participação notável de gente desta Terra .Parece que a debandada é imparável .Merecia profunda reflexão

Algo vai muito mal .Se os autores assim procedem –e cada vez há mais a fazê-lo –isso diz da inexistência ,a todos os títulos, de uma politica cultural aqui em Ílhavo. Apenas preocupada ,apenas e só ,com os edifícios loucos ,mas nada preocupada com a cativação dos autores .Desprezando-os, e até ,ao que sei, maltratando-os .

Isso pode ter custos terríveis no futuro .Irreversíveis.

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Em conversa com um grupo onde se encontravam altos representantes do Partido Social Democrático ,foi uma vez mais confessada a grande infelicidade da decisão da construção do chamado Centro Cultural .Parece que o próprio R,E. teria -já! -concordado com a infelicidade de tal decisão .Catastrófico. .

Foi pena . Agora para ali fica o mamarracho á espera que um dia o camartelo o deite abaixo

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Indo para coisas mais sérias mete-me os mais sérios engulhos ,esta dita Sociedade mais Ílhavo ,que só tem esta designação ,pela regra matemática de que ,como sabemos ,menos por menos, dá mais .

È bem claro que com a mesma vamos ter Ílhavo que não interessa a ninguém feito em condições que agravarão o nosso desenvolvimento futuro :Mais obra ,mais betão ,mais despesismo , mais faz de conta que não ficaremos a dever mais –o que é perfeito embuste!- e que quem vier apague a luz .

O curioso é que mesmo os mais chegados não conseguem responder-me ás simples interrogações .

Vejamos :

A sociedade na qual participa a Câmara ,vai fazer todo um punhado de obras ,por Administração directa ,da qual nem sequer há planos acabados .Assim os custos inerentes a cada uma não são conhecidos .Como serão depois fixados sem submetidos a concurso ?

Vamos supor –e porque não ?!- que a meio essa sociedade entra em Falência ? O Sócio institucional ,naturalmente ,não se pode eximir ao compromisso das obrigações .E depois?

Outra questão e muito séria é a da presença descarada do Sr Presidente da Câmara como Presidente do Conselho de Administração .Menos transparência não pode haver .Deverá ser interessante ver o Presidente a defender o seu capital ,ao fazê-lo como sócio minoritário .E a fazer tudo para que os lucros da sociedade possam e devam ser o s maiores possíveis. Como serão distribuídos?


Estas soluções ,hoje proibidas ,formadas de afogadilho em oito dias ,antes que a Lei proibisse a marosca ,são um pantanal de enredos ,que só desprestigiam o poder autárquico ,com uma imagem de corrupção ,que é já a sua imagem de marca .

Exemplos destes ,são vergonhosos .E não sei mesmo ,se em pouco tempo eles não vão ser considerados ilegais, e lavados à sua dissolução
Havemos dce voltar a isto

Aladino

quinta-feira, maio 31, 2007

RIMA EM RODAPÉ


Falacioso pregador de tortuosa venta
Alarve esgoto de prosápia impúdica
Na asneira douto, na palavra estúpida
Feroz se mostra à assistência atenta.


No púlpito d’ Assembleia onde se apresenta
Ao Povo tolhido , em vão sussurro
Aponta o dedo em estrondoso urro
Escoiceando asneiras em que arrebenta



Quatro edis ao ouvirem os seus brados
Não justaram que gritasse contra modas
O pecador, de todos o mais descarado

Ouve tassalho ,com tal pregação não colhes
Jamais iremos esquecer
Os desmandos, com que diariamente nos… tolhes (1)




(1) Rima livre na Glosa a ELMANO


Aladino

quarta-feira, maio 30, 2007

GREVE GERAL

UM DESASTRE

Creio ser iniludível que esta greve geral foi um fracasso .Total .E quando tal acontece ,isso é grave para os trabalhadores .

Creio que a mesma foi preparada atabalhoadamente ,com algum fito que não dar resposta às sérias questões enfrentadas pelos trabalhadores ,nos tempos difíceis que ocorrem .

Parece que a estrutura corporativa Sindical não percebe o que é fundamental para resistir ao novo problema que aflige o mundo do trabalho ,neste era da Globalização. .Fazer politica sindical como se fazia há dez, ou vinte anos, é um erro que sairá muito caro aos trabalhadores .Porque hoje –e para já -não hás alternativas consequentes ao sistema ,que ultrapassa claramente um País que não pode distanciar-se dos passos seguidos pelos outros, sem riscos de se auto-aniquilar .
Os Sindicatos (e em especial a CGTP) não perceberam que eles próprios têm de mudar de estratégia ,se quiserem empatar «o jogo». Mudar de estratégia ,implica mudar as suas estruturas corporativas e as caras que desde 74 ocupam inalteravelmente os posto nas ditas .Hoje uma Europa convive, toda ela ,mais ou menos do mesmo modo e com as mesmas respostas e fazendo um mesmo percurso ,tentando em conjunto minorar os problemas que em catadupa recaem sobre as economias locais. O patronato deixou de ter rosto, parecendo tornar-se cada vez mais ,apenas e só, uma entidade :O MERCADO.

O Estado ,que em ultima instância servia de albergue para todos –fossem bons ,óptimos ou maus –dando-lhes os mesmo incentivos, acabou .Ele próprio se vai sujeitando ao seu Patrão :O Mercado .O Estado tem que produzir, bem e barato .è a nova Lei .Tem de separar águas e olhar para a produtividade da sua produção .Senão desaparece e passa a ser comandado pelo dito Patrão sem rosto. Disso não tenhamos dúvidas .

Por isso os tempos que se avizinham serão dramáticos. Eu compreendo-o porque sempre vivi em risco ,em afirmação. Odiei, e afastei-me logo ,dos locais onde a promoção era por antiguidade e não por mérito, mesmo que na altura, ficar, fosse o mais cómodo .Mesmo depois de aí ter rompido com todas as barreiras – ao afirmar claramente que o queria fazer e provar – subvertendo o sistema, o que me deu enorme gozo .Mas nem assim fiquei satisfeito .E fui-me á procura de novos desafios.

Os tempos que aí vêm serão, isso ,mesmo de grande desafio .

Conhecer ,saber ,nunca parar de aprender, melhorar dia a dia a qualificação ,é necessário .Senão vegeta-se. Os Sindicatos devem ter o primeiro lugar nessa luta pela melhoria do conhecimento .Ou correm o risco de se tornarem associações de excluídos .

O movimento sindical português perdeu hoje ,claramente o seu tempo de validade ,tal como está. Tem de repensar o novo tempo ,no sentido de minorar o choque traumático da mudança.

O Governo tem que meditar .Esvaziado de oposição ,fica-lhe o caminho livre para todos os desmandos .Pode parecer tentador. Mas não é por aí que deve ir. Se falhar as culpas não serão distribuídas; serão, única e exclusivamente ,suas .

Tempo de parar um pouco .Para uns e outros reflectirem para no futuro .

Politicamente,o PCP vai sofrer com esta derrota .É incrível como este partido não percebeu que os tempos são outros e que não é desta esquerda que os trabalhadores precisam .

Nova IDEDOLOGIA,precisa-se .Já …enquanto é tempo

Aladino

segunda-feira, maio 28, 2007

O MUNDO ESTÁ PERIGOSAMENTE DO AVESSO .


Leio as coisas que vão sucedendo ,por vezes de um modo bem diferente do habitual .

1- Questão do Professor suspenso


A parte mais grave desta história ,para mim, não é o processo aberto .Processos e ou intenções sempre existiram .
O mais grave é que parece ter havido um delator ,um «pide» dos novos tempos, de que ninguém fala .Isso é que é absurdo ,não castigar exemplarmente.

O referido professor estava há VINTE ANOS na DREN. É obra .Então esses lugares não deveriam ser refrescado com ideias novas ,novos conceitos pedagógicos ,novas motivações? Aquilo mais parece o modelo sindical onde as figuras se eternizam .Assim não vamos lá .

O referido professor ( brincalhão ao que parece ,o que não traz mal nenhum ao mundo) vem dizer que tinha «tudo» no computador do seu gabinete .Tudo? Exactamente, diz : o IRS que estava a fazer (?) ,contactos de amigos ,correspondência particular etc etc .É boa esta ! Vê-se mesmo como era a actividade do mesmo .Brincalhão e certamente com outras distracções durante as suas horas que, se pensa, deveriam ser de trabalho para quem lhe paga .
Atitude que deve ser comum aos outros que por lá estão enganchados ,não porque sejam competentes ,mas porque para lá vão por reforma politica .

Assim não vamos lá ….


2- A Guerra do Iraque

Foi um trágico erro ,este em que o Ocidente se meteu ,conduzido por um fanático que não soube lidar com o problema .

Mas agora temo que estejamos à beira de novo erro, com consequências ainda mais desastrosas .Deixar tudo aquilo como está, é o pior que se possa imaginar para um Ocidente que ,manifestamente, não sabe como lidar com os extremismos islâmicos. Temo que a guerra do Iraque seja um problema sem regresso .Trágico , porque passará de Regional a Internacional .


3 –A G.A.M.A e o abandono da Ria


A G.A.M.A. ,veio hoje, pela voz do seu Presidente, colocar o problema do abandono da Ria nas mãos do Primeiro Ministro. Não se percebe o que é a G.A.M.A. ,e porque é que ainda existe .E muito menos que autoridade lhe sobra para distribuir agenda pelos Ministros.

Mas o que importa sublinhar, é a questão do abandono .È que o que eles ( na G.A.M.A.) o que querem ,afinal ,é destroçar o cadáver abandonado, repartindo a sua carne pelo seu apetite devorador .

O que eles estão a ver é que já alguém percebeu as suas intenções ,e parece disposto a dar-lhes a volta .

Repare-se :

O assoreamento que Ribau Esteves queria provocar com o seu Investimento Imobiliário da Barra ,era superior a todo o assoreamento sucedido nos últimos dez anos ,no Canal de Mira, na tal Ria abandonada.

Mais vale abandonada que mal acompanhada .

Nas mãos destes abutres ,não a matavam :destroçavam-na.

Desavergonhados .Servem-se do palco ,para, pintados de alvaiade, parecerem cordeiros .

Percebem agora, porque por tudo e por nada, se exibe a dentuça?

Tens um dentes tão grandes......



ALADINO

sexta-feira, maio 25, 2007

O MAR E O ARRAIS



Que trazes no farfalho da vaga que lá vem?

Com que dimensão, com que medo me queres aterrecer,

Ou com que inquietação me queres saber?

Não aceitas (?), danado ,quem medo de ti não tem .


Podes vir de breu, negro e ameaçador

Podes trazer contigo o vento a chiar e rugir,

Relâmpago ou trovão a zunir .

Podes trazer tudo ,Mar sem fundo.

Mar de todo mundo

Vem estipôr!

A tudo direi basta

Que o medo é breve, mas a glória vasta.



De ti , minh’alma não teme fugir

Nem dor colher, sorriso ou afago.

Chegada a hora de te fruir

Bebo-te , mostrengo, de um só trago

Vem danado

Se a tua grandeza é vasta

Para a dominar, uma mão me basta



Pois tu , afinal - ó Mar! –

És tão pequenino

Que a tua imensidão

Cabe aqui, todinha,

No seio da minha mão.



Senos Fonseca

Maio 2007

quinta-feira, maio 24, 2007

E A VIDA LÁ CORRE ...OU MELHOR, CÁ CORRE .



Chegamos a uma altura em que qualquer dia é bom para morrer …e mau para viver .

Não estou obcecado com isto .Para já ,não estou .Como a minha Mãe me dizia ,com o tempo vamos cortando ligações , distanciando-nos das coisas e pessoas ,e só nos resta a dignidade .Há que a manter .

Mas é certo que nisto de finações qualquer dia serve ,se bem que é , atendível que para os que cá ficam ,para os amigos, sempre é mais cómodo um dia da semana .Mas não é isso que aqui me traz .

Agora chegados aqui ,qualquer dos dias me começa a parecer mau-ou pelo menos muito difícil - para viver .Engendrar coisas diferentes para os viver de um modo diferente , é coisa difícil. Insuportável .Sempre me esforcei –e esforço –para que todos os dias fossem diferentes do anterior .Irrepetíveis. Por isso em cada um tentei dar de mim o melhor –e por vezes o pior !-mas sempre diferente. Tento e lá vou conseguindo, manter viva essa chama ,às vezes a muito custo .Até quando?..essa é a questão.

Ser diferente …mas sempre igual. Diferente para mim , para o que me ofereço ,ou desafio .Mas igual para os outros a quem me dou.


Por falar em distanciamento …

Hoje é-me insuportável , suportar as futilidades e o desútil . E nem me dou ao trabalho de o encobrir .

O socialmente correcto, é-me pouco mais do que indiferente .As coisas ou valem a pena ,ou não vale a pena perder tempo com elas.

Com as pessoas …o mesmo.

Se não fui capaz de mudar as coisas por aqui –e não fui! - não desisto de manter –e preservar –toda a minha liberdade interior .

Refugio-me na minha casa e, de lá, atento contra tudo que seja postiço , inverdadeiro,e contenha exclusão .

Por vezes o silêncio pesa ,mas sempre é melhor que ver e ouvir estupidez desbragada.

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Do tempo em que se ouviam, nesta Terra , grandes pregadores egrégios .sermoar com a palavra e o gesto ,veio-me à ideia a história de um famoso frade que, ao apontar as profundezas do inferno, o fazia com a destra erguida ,dedo espetado dirigido aos céus .Ao contrário, quando das moradas divinas enaltecia as virtudes, exortando o seu caminho aos atentos ouvintes, fazia-o apontando ,hirsuto e decidido ,o chão.

Inquirido das razões da inadequação do gesto com o verbo, o frade apenas disse :

-Há céu e inferno em todos os lados ; façam como eu conto ,não liguem ao que eu aponto.

Vem isto a propósito de quê ?, perguntar-se -à

Ora bem: há dias ouvi um prolixo palrador, em tão demorada como redonda prédica ,que á partida se propunha com o fim próprio e intencional de evocação de alguém desaparecido –ainda por mais amigo ,julgo eu! - a afivelar, do principio ao fim ,um sorriso azamboado ,despropositado, algo imbecil, por norma patente em patologias bi-polares . .Mesmo quando dirigiu à família do «ausente» as condolências pelo seu desaparecimento -o que afirmou ,e eu acredito, sentir profundamente - não escondeu, antes sublinhou e aprofundou ,o referido despropósito .

Não é a primeira vez que me confronto com tal esgar .Que me perturba profundamente.

Não há ninguém que diga ao frade falhado –ele o disse – para adequar o gesto, à palavra farta?

Neste caso ,apetece dizer :

-Olha como ri ,não ouças o que ele diz …

ALADINO

segunda-feira, maio 21, 2007

A data do lançamento do Ensaio foi alterada

Nada que eu não desconfiase .Estava a achar rapidez a mais .Solicitaram-me uma adiamento de duas semanas .Terei ,dizem ,as novas datas ainda esta semana.

Confesso que estou naturalmente cansado, com tantas idas e vindas .

Não me apetece fazer nada .O que é caso raro .

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Esta de quando se está com disposição ,todas as horas serem boas para trabalhar ,faz-me lembrar aquela resposta de Séneca acerca das boas horas para comer :
- Para um rico todas ;para um pobre ,aquela em que tiver algo para levar à boca .

É bem verdade .Agora como estou, as horas sobram-me .Dantes faltavam-me.

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Esta candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa espanta-me ,porque me parece irracional .Sem sentido ,envolvendo enormes riscos pessoais e politicos .

O que pode passar pela cabeça ,e arriscar um bom ministro num cargo ,que se desenha ingovernável ?.Eu sei que a politica é um risco em permanência ;mas aqui talvez seja demais .

A propósito de politica ,e de convites para a mesma , a melhor resposta é a de Santiago Ramón e Cajal(1852-1934) , prémio Nobel que quando convidado para Ministro ,respondeu :
-Não tenho tempo nem para ir ao café ,nem para estar com a família ,quanto mais tempo para tonterias .
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O caso da pequena inglesa desaparecida no Algarve , impresiona-me . Hoje as coisa são complicadas .Esta nova maneira de viver , com algum facilitismo ,choca-me

Quando olho para trás e me relembro da minha liberdade ,e até da que dei ao meu João ,tremo ;fico descorçoado com este novo tempo .

A Internet é um verdadeiro perigo à solta .E não sei como a chegaremos a controlar,se pensarmos que com isso estamos a cercear as liberdades individuais .

Há que fazer qualquer coisa .É urgente .

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E por cá ?

Igual a ontem ,que já foi igual a antes de ontem , e assim sucessivamente .

Não dá para imaginar tanta falta da mesma de interesse.

Em Ílhavo .não se morre uma vez ;morrem-se vezes sucessivas .

E quando me perguntam :

- Então que fazes ?

- Resisto ..

E ouço responder :

-É incrivel como ainda há gente para tudo!

Sorrio-me ...

Até dá para pensar que é algo fora de moda, a lembrar Ortega e Gasset.


Aladino

quinta-feira, maio 10, 2007

Ílhavo a Apodrecer




Nem amor ,nem ódio, nem guerra
Desenha o perfil ,o ser
Desta triste e pobre Terra
Que é Ílhavo a apodrecer

Ninguém sabe o que quer que seja
Ninguém alma mostra ter,
Nem saber
O que é mau ,ou o que é bom.
Ninguém chora
Tudo é distante , inverdadeiro
Ílhavo não sorri por ora
Cobre-nos cerrado nevoeiro.


S.F -5/07

segunda-feira, maio 07, 2007

«RIALIDADES »

MAIS UM «EMIGRANTE» OBRIGADO A MOSTRAR O SEU TRABALHO EM AVEIRO.




Tive o prazer –é sempre prazer deleitar os olhos, fixando-os sobre a paisagem lagunar – no sábado passado, de assistir à apresentação da exposição de Rui Bela –«RIALIDADES».

O conjunto é de enorme valia ;mas ,claro ,há imagens que se destacam ,com nível inusitado .Rui Bela é um excelente profissional ,dotado de capacidade invulgar para disparar no momento certo ,dentro do melhor enquadramento . E depois ,com enorme jeito para apresentar «o trabalho» com superior qualidade.

Assisti á presença em peso, da Câmara de Aveiro ,Governador Civil e outros ,que deram á exposição a importância que a mesma merecia. Comparações para quê ?

Dei comigo a pensar : Aveiro ,inteligentemente ,está a captar o interesse e a acarinhar os Ilhavenses ,que ,sem condições de mostrar os seus trabalhos, aqui ,empurrados ,se vão acolhendo á boa receptividade da cidade vizinha . Só nos últimos meses deste ano assisti já a três actos de afirmativo valor ,exibidos por Ilhavenses em Aveiro.

Por cá tudo na mesma .Eles não captam o interesse dos que têm algo para mostrar. Eles afastam ostensivamente .Não vá alguém compará-los na Praça Pública.

Contentam-se com as pacovices de pacotilha .

Parabéns Rui .E continua, pois há muito a fazer .

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«PCP» escrito sem Ç (cedilhado) ,afasta hipóteses de autoria



Ontem no Blog falei nas pinturas rupestres que me afixaram nas paredes da casa da Costa-Nova .Recebi uma mensagem a querer saber porque assim as classificava.

Explico.

È que não estando ,como é habitual, lá representados os cavalos ou até os veados ,era nítida que a impressão tinha a marca da pata de quadrúpede (que as pintou ) e era ainda patente nas mesmas , o reflexo da brilhante e ornamentada cabeça, do autor . Essa é a minha única certeza .

Daqui a umas centenas –ou milhares de anos !- quando limparem a pintura descobrirão as obras de arte .E concluirão –em grandes trabalhos de investigação arqueológica –que o autor deveria ser letrado ,pois até sabia escrever« PCP» sem Ç de cedilha. O que logo afasta a hipótese de presumíveis autores que andam para aí, na boca da má língua a serem indiciados .

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FROUXIDÂO


Estes camaradas do PS são frouxos .Tiveram aqui uma oportunidade única para sair á rua em

manifestação de protesto ,com entrega pública ao Presidenta da Mesa da A.M.,de uma formal exigência de mudança de atitude e numa afirmação inequívoca de defesa do Jornal ,em nome da Liberdade de expressão .

Mas aos quesitos ...borregaram
ALADINO

A MÃO DO DONO….




No 1ºde Maio, quando de manhã cheguei à Costa-Nova, dei com a casa toda pintada ,exibindo nos mais variados locais as palavras =PCP=.

Confesso que nem sequer me arreliei muito . Não percebi porquê «PCP ?!»;e quando fui participar á policia – pois numa primeira apreciação admiti que aquelas palavras poderiam ser uma sinalética para futuros assaltos - o agente da autoridade sossegou-me e até me perguntou :- O senhor tem alguma coisa a ver com o Partido ?
-Não ,por acaso até não …e se fosse seu militante punha bandeiras não pintava a casa,não é ?! ...

-Então foi brincadeira ,disse-me o graduado de serviço.

Confesso que depois de mandar pintar a frente da casa ,e de lá ter ido nessa noite, à cautela , nunca mais me lembrei do assunto .

Ora ia eu na sexta feira para Ílhavo ,quando ouvi na Terra-Nova uma série de comunicados acerca de pinturas rupestres, idênticas ,feitas cá por Ílhavo ,na mesma noite .E quando cheguei ao Bispo ,fui informado do que se tinha passado por cá .Eles não sabiam o que se tinha passado comigo.

Afinal a brincadeira –não, não era tal - tinha contornos muito diferentes do que a principio pensei..

E ouvi –não sem espanto - das ameaças feitas ao Director de «O Ilhavense» , quer no pista da Assembleia ,quer em visita pessoal ao jornal ,por um desilustre pensador, daqueles a quem é remetida a tarefa de manter entretido o pagode, com eruditos e hiperbólicos exercícios de retórica coxa , de falar de tudo sem que diga coisa que se entenda .Exactamente como faz o palhaço entertainer.

Claro que havia já claras versões sobre o assunto ; ficaram espantados –ou talvez não –porque tais escrituras feitas na minha casa ,idênticas às feitas no Jornal e na casa do Director –e parece que no Partido - tinham agora um fio condutor :-ameaças ao Ilhavense (e director ) e agora ,claro ao Blog, porque parece incomodam. Embora eu, sinceramente.,em relação ao Jornal ,nem percebo porquê



Vamos então comentar a escrituras pintalgadas .

Assim se fazia no Tempo da Inquisição ,assinalando as portas dos hereges ,avisando-os de que a fogueira estava próxima .

Assim se fazia na Alemanha hitleraniana , apontando as casa judaicas :o fuzilamento tinha data marcada .

Aqui o tassalho que agarrou no pincel quis imitar os fascismos dos outros tempos .E feito lobisome, picado pelo sentimento de intolerância ,cupidez e acinte que anda por à solta -e que vem sendo anunciado indiciando para breve explosivas situações – resolveu preparar terreno para uma manobra de diversão .
Esta e não a outra – a da evidencia do autor das mesmas –é a minha leitura .Que venho fazendo de há uns tempos para cá .Julgo ter claras indicações ter tal manobra nascido no próprio seio da maioria, para preparar um ataque insinuo e soes contra R.E.
E vindo de fontes que lhe foram (ou são) muito próximas –que continuando a exprimir-lhe lealdade ,no «Circo» , afinal já o não suportam. .
Agora que Judas foi ilibado no seu Evangelho , já nem se podem comparar estes peralvilhos ,com o pobre Judas.

Ora todas estas manifestações , que os responsáveis políticos fomentam e exacerbam ,incutindo e acicatando ódios ,exibindo intolerâncias e manifesta falta de respeito, ao comportarem-se em locais públicos como verdadeiros gladiadores da palavra que ofende de morte ,vai acabar mau .Ou nos enganamos muito, ou vai ser em breve.

O tassalho miserável que pintou as paredes parecendo ameaçar –a mim deu-me para rir, não fosse o estrago - talvez nada quisesse desse tipo de procedimento anónimo –ameaçar - pretendendo talvez ,outrossim, criar as condições para o que aí vem.

Ao que se desceu ; que falta de civilidade, que arrogância ,e a que pobreza mental chegámos !

Ílhavo perdeu princípios; viver em Ílhavo começa a ser uma expiação .
As consciências estão podres e não se atrevem a pôr freio nos dentes .O processo da decadência é vertiginoso . A pratica do viver em Ílhavo ,é a da falta de respeito cívico. .Ninguém crê na honestidade moral ,intelectual e material dos responsáveis. E quem o diz são os seus apaniguados.

Vive-se ao acaso esperando o escândalo .Não havendo para onde ir,vai -se ao« Circo» da Vila ver os palhaços e o« Compére» e assistir à imbecilidade ,ao aviltamento da personalidade de uns tantos que se arrastam no lodo da subalternidade despersonalizada, num préstimo feroz de vassalagem por invertebrados ,vil ,mesquinha e vergonhosa prática de subalternidade, perante petulante e procaz prócere do poder .

O rebaixamento moral e intelectual atingiu - pelo que se ouve - níveis imoralmente preocupantes ; o ámen substitui no «Circo», impudicamente, a opinião .E depois, cá fora desculpam-se com desfaçatez ,argumentando disciplina partidária.

E quando alguém crava uma leve bandarilha ,apenas na intenção de deixar um sinal que dê para pensar ,eis que leva em cima com a torpe ameaça ,descarada e irresponsável ,por energúmeno ascoroso,

Há uma décadas ,alvejaram-me a casa em noite eleitora .Muito mais tarde ,um dos co-autores pediu-me desculpa .

Desejava aqui deixar uma mensagem ao Director do Ilhavense: a Liberdade de opinião e ou de expressão não tem preço .Justificam-se todos os sacrifícios para a manter ; é obrigação pagar o que quer que seja, para a manter. Há solidariedade quanto basta para tal acção ,asseguro-lhe . Se lhe voltarem a fazer a ameaça, faça como a Padeira de Aljubarrota ; dê-.lhes umas notitas dos trocos e diga que o resto vai depois.


Senos da Fonseca

quinta-feira, maio 03, 2007


FUTURO



A viver,
Desiludido
Vou porfiando nesta terra,
Centro do meu mundo,
À espera que amanheça
O futuro.


Ser assim
Inquieto,
Mais que tudo,
Mistério intenso e profundo.
Na ânsia que apareça


Força ,
Vontade,
Espírito
Que derrube a indiferença
E o muro,
Deixando ousar
O futuro


A Ousar ,Ousando ,
A Construir ,Construindo ,
A Amar, Amando.

S.F

01-05-2007

quarta-feira, maio 02, 2007


Finalmente

ENSAIO MONOGRÀFICO DE ÌLHAVO SécX –Séc. XX



E pronto .

Está definitivamente marcada a data de 31 de Maio, para a apresentação do livro
« Ensaio Monográfico de Ílhavo».

UF!!!...

Não da maneira que pretendia ,embora comece a perguntar-me se não é lirismo a mais da minha parte ,continuar a pregar aos peixes no deserto

A Editora pretende que a apresentação seja feita ,primeiro em Aveiro ,e só depois –se eu o quiser – em Ílhavo . Tem certamente razão.

Eu é que estava com os habituais pruridos :o livro foi feito ,em homenagem às gentes de Ílhavo –por Elas e para Elas !- e por isso pretendia que a ordem de apresentação fosse diferente.Mas a realidade é o que é .
Ìlhavo ?...porquê…. se nem uma Livraria digna desse nome tem ,disseram-me.E se está proibido de o apresentar na Biblioteca ou outro desses locais ,porquê?


Chegado aqui o que me apetece dizer ?

1- Que estou feliz de ter conseguido chegar ao fim Poucos imaginam os sacrifícios feitos para tal .Foi o culminar de uma vida ,que teve sempre em vista ,indiferente a todos os sacrifícios , em construir algo que fosse útil para os meus concidadãos .As minhas contas de cidadania , estão inteiramente saldadas

2- Que os aspectos que voltam a revestir a apresentação deste livro ,trazem a lembrança dos tempos inquisitoriais .Só não vou para a fogueira ,porque os tempos são outros e há outras maneiras de cozer em lume brando.

Oxalá ,ao fim e ao cabo ,corra tudo bem .Pelo menos farei por isso

Recupero ,para aqui a «INTRODUÇÃO » ao Ensaio .Porque acho que vale a pena .


1. O que é, ou pretende ser, este livro ?
Tão só o diário de bordo de uma viagem através dos tempos, embarcado como moço na grande aventura das gentes desta terra.


.....Ainda Portugal não tinha nascido, e já eu «assistia» ao lavrador descendo à borda, para ali, em jeito de garimpeiro com o botirão, procurar pitadas para acrescento à avara produção dos encharcados terrenos, que, lá no Cimo, surribava ; «descobri-os» a receber - e a aceitar - os que vieram fundear ali na borda, gente mais rude mas como eles disposta a vencer o desafio esgotante de investir contra o meio que, parecendo ingrato, continha, contudo, promessas escondidas no seu ventre ; depois «vi-os» já cidadãos da Pátria - ainda mal esta se sustinha de pé -, (já) apostados em participar num futuro colectivo; «com eles» assisti ao nascer da laguna, e vi-os exauridos a disciplinar a água informe, engolfados em artes de suada magia, a transformar a água na flor alva do sal ; «embarquei com eles» na primeira grande aventura da faina maior, quando o mar era ainda tenebroso, e infindas as suas distâncias - mar nunca dantes navegado! ; «com eles» saltei para a borda e «com eles» fui vogando, mar abaixo, em procura de novos pousios que servissem de alimento para a sua sede de aventura - passando a Taprobana, além do cabo vicentino ; «vi-os» esperar por nova arremetida aos bacalhaus; e enquanto para tal se aprontavam, «entrevi» os que por cá ficavam no cais a rasgar novos horizontes do saber, -desejosos de poder querer -, inquietos na construção de uma nova ordem num novo País - que queria poder ser.
E quando pousei o saco no cais para receber a cédula de desembarque, olhei nostálgico - meu pranto feito doce canto - para aqueles deuses, com a consciência lúcida e perene, no convencimento de que não sendo o que já fomos, poderemos ainda ser o que quisermos. Se o ousarmos, pois que não - importa chegar, mas sim partir…
Ousaremos?!...


3. Não sei se as novas gerações vão procurar o futuro baseando-se numa identidade que veio de trás, de muito longe. Quero acreditar que sim… À cautela deixo-lhes o meu testemunho do que fomos, não para que acreditem, mas para que o discutam.
Para que esta terra - não seja só lugar de estar, mas de ser.


4. Foi um trabalho desarcado. Por vezes esgotante, obsessivo. Uma procura desenfreada por tudo quanto era fonte de recolha de indícios. Não tive - que isso fique claro ! - qualquer intenção de desilustrar o trabalho de outros ; mas tão só o de corrigir o que julgo ser evidência estar errado : e assim, equacionar novas hipóteses para aquilo que foi a ampliação do nosso espaço colectivo, feito pela desmedida inquietação das gentes que o enformaram. A memória do seu quotidiano empolgou-me, fascinou-me, fazendo despertar em mim uma insaciável curiosidade para rastrear, passo a passo, a sua história, para desse modo melhor a degustar. Pena que para a contar - me falte engenho e arte .
Por muito pouco que um individuo saiba, pelo menos a história da sua Terra, essa, deve sabê-la. É o mínimo exigível.

Aladino /Senos Fonseca

sexta-feira, abril 27, 2007

DESERTO DE COISA NENHUMA



Vagueio amiúde por esta Terra ,e tenho momentos em que ela me parece um deserto .Deserto de coisa nenhuma .E muito menos ,de gente .

Esta Terra é um deserto ,não porque não tenha ninguém ,ou até, bulício .Pouco,mas até tem. A questão é que aqueles com quem me cruzo, e que por aqui vagueiam ,andam por cá como se perdidos num deserto .
Sem avistar nada em que valha a pena se deterem ; vendo tudo despojado de nada, que seja ou queira ser , resolvem deixar de pensar que há vida.Só que em vez de morrerem ,murcham ;secam ,definham, antes do fim .

Desde há muito que toda a gente parece que já não é ,ou já não quer ser

Já nem eu sei ,se sei alguma coisa, que valha a pena ser

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Fico satisfeito, mais com as ideias do que aperfeiçoar o modo de as dizer .

Reconheço que tenho muito pouca capacidade-e paciência - para gozar o que já foi dito por mim ,e encontra melhor maneira de a dizer .Fundamental é o que quis dizer e não o modo como o disse .

O que vejo é quase sempre diferente do que gostava ver .À medida que o tempo passou por mim, não foi só corpo que se foi degradando .A mesma coisa vista hoje ,não tem o sentido da descoberta que tinha há quarenta ou cinquenta anos .Não foi ela que mudou ,fui eu que mudei a maneira de a ver .Por isso prefiro revê-la, não com os olhos de agora, mas na imagem que gravei dela, cá dentro. .
Para quê então corrigi-la ,se a prefiro como então a vi. È como nas novas tecnologias:- quando o computador me avisa que a imagem com aquele nome já existe, se quero substitui-la ,apresso-me a clikar :NO


Aladino

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...