segunda-feira, janeiro 21, 2008

AVISOS PAROQUIAIS

NB-Para alegrar estas páginas, decidi abrir os próximos blogs com os «Avisos Paroquiais», pérolas da boa ingenuidade portuguesa no uso da difícil da língua de Camões, provindos de paróquias do interior, que amigo me enviou:
Aqui vai o primeiro.
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AVISO

“Quinta-feira que vem, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo das mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, deve dirigir-se ao escritório do pároco.”

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Inimigos..não tenho…

Abordou-me sorridente e perguntou-me:
-Você deve ter muitos inimigos. O que lhes faz? - Perguntou-me

-Ponho-os no cinzeiro, antes que chegue a ASAE.

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O «ílhavo» e o S. Pedro

O «ílhavo», tipo rude e forte, roncão no falar, sempre foi um homem de carácter, cumpridor nas suas obrigações e temente a Deus. Era conhecida a óptima relação com S.Pedro, orago de predilecção destas gentes, santinho a quem dedicavam fervoroso culto. E a quem anualmente, com júbilo, pompa e circunstância, rendiam notório festim, para o efeito engalanando a vila e a sua Igreja com colgaduras para receber os visitantes que desciam a esta santa terrinha no intuito de gozarem as delicias dos festejos que duravam três dias, mas atraídos, também, pelo bem receber, que era apanágio destas gentes remediadas, mas mãos abertas, coração escancarado no propósito de bem receber.

Tão boa era a relação destas gentes com o porteiro do céu, que corria à boca cheia a faladura de que era bastante a evocação da naturalidade, para que uma alma, ainda que muito penada, ida daqui, visse escancaradas as portas do Céu por aquele sempre atento fiscal do bom comportamento e virtudes, o S.Pedro, olheiro astuto, sempre diligente e operoso no intuito de manter o mar bonançoso do céu, limpo de fraldocos.

Ora num dia em que o S Pedro foi abrir o portal, deu com um façudo mal-encarado, a quem perguntou:

-Então o que pretendes?
-Entrar no céu.
-E tu mereces a dádiva? O que fizeste para tal? De onde és?
-De «Ílhavo»

O S Pedro mirou …mirou, e muito embora desconfiado, lá lhe disse,

-Entra. Aguarda aí na recepção que eu vou lá dentro confirmar a listagem de embarque, chegada pela última pomba da noite.
Passados uns minutos, quando regressou para dizer ao mal – encarado e mentiroso, que não era verdade, que ele não era de Ílhavo, mas estava, sim. na lista de Vagos ,constatou que o homem tinha desaparecido e se infiltrara por uma das entradas laterais, nunca mais sendo visto.

S Pedro ficou fulo, que os Santos, também só são Santos até certo ponto.
E de si para si, lá foi dizendo: -deixa estar que quando me aparecer cá outro já não me leva assim Vá lá um santo acreditar nestes safardanas …

Não tardou muito que ouvisse: Trás…Trás.Trás. Alguém chegava, e parecia ter pressa para não perder a maré da manhã.

-Já lá vai. Se tens pressa vai lá p’ra baixo, que está mais quentinho.E resmungando enquanto entreabria o portão, perguntou:
-Então que és, e o que queres?

-Oh!... S Pedro, sou o Zé Cachino, lá da Malhada, e cri’ia que m’amabotasse aí p’ra dentro… raio! que venho cansado da viaje e c’riame chichar aí dentro. Avia-te, raios.C’ ainda perco a enchente.

- E donde és tu, ó Cachino?

-Sou d’ibalho, raios. Atão eu ia lá astrigar-me a mentir sobre a minha terra. Nado, bautizado e cebado em íbalho, saiba vòssomocê ,santinho. Astão tu não m’enxergas, não t’ alembras cá do Zé? C’intè no mês passado fui juiz da festa c’a ta fizémos. És mesmo desconfiado. Mexe-te que estou p’rà aqui todo engaranhido.

-Não é isso, mas é que noutro dia apareceu-me cá um finório de Vagos – daqueles que deixaram o Senhor na rua para acudir ao bacalhau! - que me enloilou com essa de ser «d’Ílhavo….»

-É S Pedro(?!? ;raios ,estipor !... ,deixa-me entrar c’«amando-te um xalabar de sardinha bibinha,..a saltar …, tenta o Cachina convencer o orago.

-Entra Cachina , entra ;que por essa da sardinha bibinha a saltar, estás identificado,mas vê lá se a mandas da «restomenga».
-Tòmórolha, estás muito sabichão,responde-lhe o Cachino.

ALADINO

sexta-feira, janeiro 18, 2008

1-O anedotário da «sargeta»

Confesso não ter percebido as razões que levaram o Ministro Santos Silva, a insinuar que a presença de Bagão Félix, nas jornadas do PSD, era propaganda para o acto eleitoral que, no dia seguinte, iria acontecer no BCP –Millennium

Foi um tiro no pé.
Bagão Félix respondeu bem e eficazmente.

Só que… depois,
Durante a sua palestra, meteu dó ver um reputado economista contar uma história verdadeiramente parva, só possível se B. F. acreditasse que estaria a falar para uma cambada de eunucos mentais. Claro que a plateia era fraca. Mas que diabo!... comparar a verdade do deficite,actual, aos do seu tempo em que se mascaravam os números com o produto da venda dos anéis, feita à pressa, é (perfeita) demagogia, tonta e barata, é falta de rigor, é desonestidade intelectual, porque não é, claramente, ignorância. Bagão Félix, para lá de um fundamentalismo crispado, é um competente economista.

Bagão tinha razão sobre a conversa da «sargeta» de Santos Silva. Mas a sua pregação aos peixinhos (deputados do PSD) foi mais do que conversa de « sargeta» .foi conversa da treta.

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2-Os papalvos(?!) dos accionistas do BCP...


Isto de nos tentarem convencer que os grandes accionistas, alguns estrangeiros e de grande dimensão, são-ou foram- permeáveis ás pressões do Governo para a escolha dos que irão gerir o seu dinheiro, é de uns tontinhos que não sabendo como interessar as suas clientelas, criam factos políticos.

Na verdade não creio, que nem uma, nem outra candidatura, tinham, à partida, conexões partidárias activas. O que depois sucedeu foi o desenrolar do processo, porque nestas coisas de politica não basta ser sério; é preciso, também,parecê-lo.
Os accionistas escolheram Santos Ferreira, porque este era o gestor que melhor – pensam – poderá defender os seus interesses. Cadilhe sujeitou-se ao sufrágio, porque nada tinha a perder: tudo o que viesse à rede era peixe. Principescamente reformado, com exclusividade do BCP, defendia a sua posição. Foi-lhe fácil passar a imagem de mártir ou justiceiro. Porque a verdade é só uma: os administradores-e ele foi-o- se não sabem o que se passa no Banco, deveriam sabê-lo ou, quererem sabê-lo, muito antes que as entidades fiscalizadoras o queiram saber. Se ganham para cumprir um cargo deveriam cuidar de o cumprir, e não de se desculparem de estarem lá só para verem passar os combóios.
A entrevista de Cadilhe na SIC – foi de uma vacuidade confrangedora. Nem a mim me convenceu – eu que tenho meia dúzia de acções do Millennium – quanto mais aos graúdos.

A minha dúvida, a grande dúvida, é a de saber-se se a questão está arrumada. Por vezes, penso, anda ali a mão do bigbrother.

De tal modo que hesito em pôr, ou não! a resguardo, meia dúzia de patacos que por lá param.

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3-A.R lugar de veraneio.ou a justiça do legislador


De um amigo (R.D), recebi esta curiosa chamada de atenção para a Lei do Tabaco, que se necessário fosse, viria esclarecer muitas coisas.


Mas não era prexiso ixo, nós já o sabemos de há muito.

Mas já agora se o legislador me pudesse tirar uma dúvida:
É sabido que os ginecologistas trabalham onde os outros se divertem.

A pergunta é:

Podem os ginecologistas fumar no espaço,entre val de pernas?

Aladino

segunda-feira, janeiro 14, 2008

10 Anos de Mudança…

Para pior ,claro.

Mas tendo comparticipado com a minha quota-parte para a edição do folheto, entendi que deveria ir buscar o meu exemplar. E fui.

O autor que ora se estreia nestas lides, apesar de ter tido uma proposta de7.500 € para «obrar» -disse - o na apresentação de «A OBRA»- preferiu que fossem os seus conterrâneos a pagar o desvairo. E tem razão! Talvez nos fique mais barato. Pois o solícito editor, das duas, uma :

«ou já comeu ou estava a preparar-se para comer».

O Blog nunca se eximiu a comentar estes acontecimentos. Jamais !

E por isso,o Blog, fez o que certamente a maior parte dos comparecentes não fez, nem fará !...: -leu «A OBRA» de fio a pavio.

«Bamos lá à bida»

Gostei da apresentação. Não se poderia exigir mais. Garantiu –M.C dixit -que o livro estava desde há muito pensado (?!). De tal modo que, no ultimo Domingo, “ás duas e meia da manhã” o autor quis introduzir, certamente novos pensamento, e, para o efeito, contactou a apresentadora, mesmo àquela hora –D. Conceição dixit - para o fazer. Pensamento pois, da última hora,que quase sempre não é assisado. Enfim .. .
D. Conceição aproveitou,ainda, para esclarecer um grande segredo que anda aí na boca do mundo,em vias de se tornar revelaçãode interesse nacional:- “ não ser verdade o que corre por a, de que o dia para o Eng. Ribau Esteves ter 48 horas. Não!- dixit M.C.- “ele tem, mas é, 56 horas”.

Palavra aqui não percebi.Há aqui uma diferença de oito horas que me baralham. Ou se quiserem: - faltam 16 horas, que me escapam….A razão, confesso não a perceber. Distracção da D .Conceição?
Estávamos numa de revelações,espantosas .Por exemplo:- fiquei a saber que o sr presidente tem 96 brancas.

Adiante …

No folheto -logo no prefácio - há pérolas literárias inseridas pelo Sr Presidente da Assembleia Municipal, que emprestou a sua caneta «À OBRA», obrando,assim :

Esta viagem, -diz ! o sr P .A.M - foi muito bem preparada .O presidente da Câmara reuniu-se de um corpo de marinheiros indispensáveis (?!) …

Outro a fazer história de si mesmo, para lá de …Adiante ...adiante
Continuando na ante face de, «A OBRA»

Foi tempo de mudança (…) Toda a dinâmica autárquica foi norteada por uma lógica de um município integral (?!)….. completado com as iniciativas de comunicação com a população ,nomeadamente a agenda (..)do boletim (…) do site.
Este (?!? foi um factor determinante para o desenvolvimento que Ílhavo conheceu nos últimos dez anos…,

E remata o sr P.A.M:
(….)A claustrofobia (?!.....) do Terreiro do Paço deixa o País ….

(OH! OH! …Então não quereria S.Exª dizer precisamente a falta da mesma ?!)

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E agora «bamos lá com deus», ao conteúdo de «A Obra».


Enfronhemo-nos na peca literária

Diz o autor(R.E.) :

Às pessoas que lerem o livro, fica o meu agradecimento por esse gesto principal(?! )que justifica esta obra sobre a Obra (sic).

(fica bem a duvida, que é a do saber-se se alguém lerá «A OBRA». Eu li-a …pelo que aceito desvanecido o agradecimento.)
Assim mesmo…Quem obra assim, não é preso!...

Continuemos a leitura, cantando e…rindo:

(…) aos cidadãos do meu querido Município (..)fica um eterno gesto de agradecimento a todos por todas as partilhas ,e um abraço especial aos que partilharam comigo gestos

(eu também ajuntava um gesto, a tantos gestos: ESTE!...:-queiram V senhorias imaginá-lo)

Bem ;se isto é logo na primeira página ,razão tem o autor para duvidar que alguém vá até ao fim ,e leia ,esta versão da ESTÓRIA contada às criancinhas, pelo autor.

Sacrifiquemo-nos um pouco mais :

Nestes últimos anos ,as decisões do Governo têm tido a coerência estrategicamente definida (…) o que acontece ao contrário da lógica de maturação de uma democracia…
(…)
A determinação foi apanágio da Presidência ,(…)concretizada pela atitude pró-activa ,pela OBRA realizada(….) assente no compromisso sério e na garantia da OBRA feita.


Ou ainda, mais adiante,

O slogan “O mar por tradição”,que encerra em si e em simultâneo ,a referência ao passado de profunda ligação (…)ao mar, assim como uma perspectiva de futuro apostada em manter o mar como referência …e centra ainda mais a aposta de diferenciar o município na sua relação com o Mar.

E logo à frente,

..a cultura económica do bacalhau ,por tudo o que representa de património histórico
………………………………………………………………………………………………….

(um momento que vou ali e já venho…depois do que li, outro remédio não tenho)

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Antigamente os nossos reis contratavam cronicadores para lhes fazerem o exalto.
R.E. mais democrático ,exalta-se – e de que maneia delirante !-a ele próprio, mas fá-lo de uma forma completamente desastrada. Cada página, cada exemplo de frases tolas sem sentido ,palavras que se ajuntam ,grandiloquentes, mas sem nexo.
Ninguém,dos que foram pró-activos naquela chachada estão isentos de culpas.
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Mas se a forma é, assim, indigente, o conteúdo chega a arrepiar.

O estoriador não diz que recebeu a Câmara a abarrotar com 500.000 contos no cofre (dois milhões e meio de Euros!) da presidência anterior! Não isso não faz parte da estória. O «estoriador» é pouco(?!) honesto!

Mas diz que recebeu a FUNDO PERDIDO - 15.000.000 de €.
E do Estado, mais 1,3 milhões de €.

Ora como a dívida da Câmara de R.E, já vai em cerca de 40 milhões (!!!)€, não conseguimos descortinar, na croniqueta, para onde foram estes 60 milhões de Euros ( se pensarmos que a somar àqueles, há que somar a receita corrente do Município).Para tão pouca OBRA , obrada, como mostra nas fotos?
Haverá para aí alguém que explique?

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“O sr engenheiro espalhou o folheto ,gratuitamente .Foi um acto de consciência; porque o papelucho vendido ,mesmo que por dez cêntimos, seria uma fraude escandalosa.;e ainda de graça é uma embaçadela à curiosidade pública, à qual o folheto é dedicado. Como justificação da sua vaidade patega ,é diagnosis patente, uma assinalada lesão em qualquer bossa de primeira grandeza”

Não !..claro :- as palavras não são minhas .
Era assim que Camilo tratava as imbecis protérvias que chafurdavam –já então - na literatura oficial, em que o auto elogio impúdico não era cataplasma bastante emoliente, para esvurmar a postema dos abcessos mortais que comiam este país esfarrapado.
No caso -ajunto eu - esta TERRA DA LÂMPADA, posta na indigência moral ,social e económica ,por dez anos que nada honra glorificar, antes obriga, esquecer.
A Obra(?) de um tonto que usurpa à virtude, os seus louros, e ao crime da mentira a execração da verdade para conseguir a posteridade, a todo o custo.
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Querem apostar em como tudo isto vai terminar?
Quando o autor diz que “o futuro está a chegar.(…)com a utilização do nosso bom engenho, será melhor”
Para bem pior, dizemos nós.

Aladino

sábado, janeiro 12, 2008

Sátira às « COMÉDIAS FAMOSAS PORTUGUESAS»

(com todas as licenças,& aprovações necessárias)


Dedicadas ao Berimbau no dia da
apresentação da sua memorável
peça literária

« DEZ ANOS DE PHONIXAÇÂO
DE
ÍLHAVO »





Filho daquela nobre e valorosa
Edi, nascido lá no longe colonial
Abastara clamar dum modo pomposo
Chegará um dia ,o eleito D.Berimbau.
Luz do paço, das musas mimoso
Que Vos dará fama imortal.,
Quando do homem cuidam, em Ílhavo o fará
Tornando os olhos, em Lisboa ele estará.



Em que te servirei cá deste canto
Na mercê por ti usada
Tendo outra ali defronte?
Aquela égloga ,a tua, me foi dada
Oferecida ali na fonte
Com promessas de coisas exageradas:
Parecias querer colher os frutos
C’o as musas,c’o as graças,c’os amores

Então lúcido ,tornado em mim, comigo,
-Ter-te – ei em conta errada
Quererás renovar o tempo antigo,
De que tanto se escreveu e tanto conta?
Agora, meu deus me amofino, e me castigo
Fazeres à nossa capitania tamanha afronta
Cuidares de apenas receberes a prata e oiro
Deixando depenado o seu tesoiro?

Andaremos, após a paga da falta desse teu siso
Com medo confesso a uns pomposos
Energúmenos carregados, uns de riso,
Sardónios outros , ou mais certeza ,cavernosos.
Quem de tantos imbecis não teres avisos
Terás marcado, finais perigosos
Triste destino, pesadas dores
Por onde estarão, então, os teus amores?


Querem-te hoje , (pensas), por rei ,não por senhor
Rigor á parte, nem te imagino
Que mereças ser digno de tal penhor
Para ti perdão, nem de fraco peregrino
Olha vai, diremos em verdadeira linguagem;
Põe velas, vai e segue em frente
E ao dares com as velas no vento, desaparece : BOA VIAGEM



EM ÍLHAVO

ERA X ,(pós R.E)



Por ALADINO ,Editor ,& mercador de livros

& feitos à sua custa

12Jan, ANUS 2008

sexta-feira, janeiro 11, 2008

PROIBIR ?…

Fica proibido ..proibir ..

Nunca fui fumador .Tentei sê-lo – até fumei barbas de milho!- e não consegui ,apanhar o vício .Que nunca ninguém me proibiu,já agora ,diga-se.Com a saída da nova Lei antitabágica ,por a achar excessiva ,resolvi efectivar o meu protesto .Fui comprar umas COHIBAS, e dá de me deliciar.Resultado: ouvi logo ralhetes, aqui, em casa, e até ameaços :

-Vou telefonar à ASAE, disseram-me.
-Ora ainda bem . Telefonem, para que venham, finalmente(!) ,canonizar-me, por sobreviver a esta ditadura que desde há cinquenta anos me quiseram impor, e a que sempre me neguei sujeitar.... retorqui ,eu

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Se nem quem os vendia, neles acreditava ….

Fui buscar - num destes últimos dias - uns exames médicos , que por serem complexos e decisivos - ou tudo bem ou data de embarque marcada - me andavam a pôr algo nervoso. Eu também concordo com os médicos : é impossível que com tantas asneiras não haja mossa e das grandes.Afinal,não é o caso. Por enquanto o cadáver resiste, adiando…
Curioso.Lembrei-me :
Já ultrapassados os oitenta anos, a minha Mãe – que não acreditava em nada disso, dos remédios, e de quem os receitava !-, a insistência familiar sujeitou-se a um checking, minucioso.
- Coração bom ,pulmões muito bons,fígado bom ,baço muito bom ,rins perfeitos etc etc. –ia-lhe dizendo, simpaticamente, o médico.
Às tantas minha Mãe virou-se para ele, e , desconcertante, disse secamente:
- Está a ver sr. Doutor : foi uma perda de tempo ter vindo consultá-lo.

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Dá gozo ,furar as estatísticas

Ora aos trinta anos ,perante a «pancreatite aguda», foi-me sentenciado:

-Se quiser sobreviver, nunca mais : nem molhos, gorduras, vinho ou qualquer bebida alcoólica etc .Só carne grelhada ,galinha velha cozida ,caldinhos etc etc.

Cumpri durante uns bons cinco anos, um regime de monge cartuxo. Depois fartei-me.E avisei toda a gente, e até o médico que me segue há quarenta anos .Que visita após visita foi registando as loucuras proibidas, espantado. Sou hoje o doente mais antigo do dr. Castro Monteiro. Um processo clínico que no dizer do simpático professor, daria um bom manual «De Como Sobreviver Asneirando».Tudo assinalado a lápis vermelho. Pontos de exclamação?... mais do que aqueles que habitualmente uso ? De tal modo que aqui há dois anos perante as análises me disse :

-Ná!.. .não pode ser .Isto não é seu..Você vai tirar análises neste Laboratório do Porto , para eu acreditar .
E lá fui .Que confirmaram: nem colesterol, nem ácido úrico, nem diabetes, nem PSA …nada…nada.O que levou C.M. a exclamar :
-Oh eng. você estragou-me as estatísticas…

E assim - arriscando -, a vida teve os seus encantos. E cá cheguei.Olhem se eu não arriscava !... .Que sensaboria. Só me sobravam os desencantos.Olho, pois, para mim, e revejo-me sorridente neste meu modo de ser rebelde ,indomesticável, que duvida de si – é claro !- mas duvida muito mais, dos outros. Que segue pelo seus próprios olhos, assumindo as suas opções( certas ou erradas).Se fosse crente diria : só Deus sabe o quanto me dá gozo, saber que por vezes tenho razão: ganhar ,perder, sonhar ,tudo faz parte do jogo da vida. Que em minha opinião deve ser praticado, não à defesa, mas ao ataque. Assim só eu (!) é que sei.


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Viver, duvidando. Sempre!!!

Andei uma vida a ouvir:

«cuidado com a obesidade ;cuidado com o sol; cuidado com o whisky…..»

Agora cientificamente, vêm-nos dizer que, afinal :

«Os gordinhos até resistem melhor; apanhar sol é um bom antídoto contra o cancro; beber um whisky é um bom remédio para a tensão etc etc..»
Ora aí está.Olhem se eu me preocupava muito com todas as patetices, e era (só agora!) chegado o momento de me sentir enganado, sem tempo para recuperar.
Por isso mesmo vivi de pé atrás com essa outra questão: -a da fé. Um dia vai chegar, em que a ciência explicará o que agora não sei. Se nesse tempo vivesse e tivesse acreditado só por acreditar, sentir –me - ia tragicamente enganado .Assim, à cautela, vou duvidando por princípio…E cá vou respirando, agradecido aos sentidos que não se cansam de admirar , e ao coração que não se cansa de amar.

E sim : isso…isso mesmo: - também agradecido á minha natureza, que não se cansa de desejar…

Por isso posso dizer :aqui está um que faz tudo para viver a sério. Sem complexos de pedir perdão pelas asneiras feitas. Repeti-las seria o meu desejo. Mas seria pedir demais à vida.
Mais vale pedir piedade à morte que perdão à vida.

Nunca me hei-de demitir de mim !...

Se não fosse proibido proibir …Eu! proibia-me de alguma vez o fazer.

Aladino

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Vem por mim…


Queria nesta noite

Beijar a mais bela rosa do meu jardim.

Encostar a minha boca à tua

Para que ela fique tão rubra

Como papoila viva, carmesim.

Queria ver, afogueadas e brilhantes

As maçãs do teu rosto lindo,

Transformadas framboesas gulosas, e assim

Embriagar-me no licor doce do teu olhar

E envolver meus dedos nas ondas do teu cabelo

Para dele sorver a fragrância do alecrim



Anda, vem .Atravessa a solidão da noite

E vem acolher-te nos meus braços de pedinte

Para deixar de ser o que somos, na madrugada

(vem por mim


SF

Dex 2008

domingo, janeiro 06, 2008

Começa mal 2008


Começa o ano e com ele o meu temor da possibilidade de um início de desmembramento da sociedade ocidental, da sua história e cultura, que poderão inevitavelmente, virem a ser engolidas por esta assanhada e popularizada onda terrorista. É espantoso como o stock de kamikases parece inesgotável.
E o que me preocupa é que perante esta hipótese que se coloca com alguma evidência, na nossa frente, andemos a defender coisas de lana caprina, em vez de, pragmaticamente, nos unirmos para sobreviver, e, só depois de passado o tsunami destruidor, reiniciar então a discussão ideológica que, obrigatoriamente, terá de se fazer. Para dar resposta a outras evidências. E este é o rolar dos tempos, correcto. Nada há de imutável. O homem para sobreviver deve adaptar-se continuadamente, renovando as respostas, adaptando-as aos novos desafios.Continuar obstinadamente –e um pouco diletantemente - a defender ideias, nascidas e ajustadas a outro tempo - não ao actual -, não percebendo que o mundo global está andar mais depressa do que elas, é (simplesmente) ir ao encontro dum auto-aniquilamento colectivo.Repito: primeiro há que sobreviver e encontrar o antídoto para a praga terrorista. Nenhuma Nação isolada, por mais forte que se sinta, poderá fazê-lo, sozinha. Por isso, temos de encontrar respostas globais. O tempo das pátrias isoladas e das cruzadas acabou. Quem não o entender só lhe restará um dia tornar-se num bombista.À falta de argumentos.

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Duro ,mas non troppo:


Amiga com quem de vez em quando, tenho o prazer de bater um papo, aceita mal a dureza do meu ouvido que diz, começa a ser notória,e diz ser chato ,cansativo.E não se coíbe de mo dizer, e do incómodo que tal limitação, lhe causa.Encolho os ombros e lá vou dizendo a sorrir :

- A idade traz, sem duvida, estes problemas com que temos de nos habituar a lidar.Com uns, bem: com outros, mal.Mas oxalá tudo fosse como os ouvidos …e( tudo) endurecesse com a idade. A gaita é que o não é.

Parece não ter percebido ou fez orelhas môcas.

Às vezes ser duro de ouvido é uma virtude.
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Homem precisa-se :

Uma conhecida aborda-me, e deixa-me especado:

-Sr. Engenheiro peço-lhe encarecidamente: arranje-me um homem para casar. Por favor, o senhor e a sua mulher, ajudem-me a encontrar um.

Apelo feito em tom dilacerante. Impressionante e chocante com o seu quê, na verdade, de insólito. Ainda balbuciei:
-Olhe porque não põe um anúncio na Internet? Tenho lido que resulta.

E o certo é que inconscientemente me pus a reflectir se conhecia algum candidato adequado para satisfazer o ingente pedido. Há, claro, o amigo Q., mas esse quando lhe propomos casamentos, quer virgens,«coisa» que como se sabe está em vias de extinção. Eu costumo dizer-lhe:
-Olha vai á feira dos treze encomendar uma…Mas tem cuidado, primeiro sopra-lhe, para ver se não está rachada.

Mas a sério: isto é trágico. As pessoas envolvem-se na vida, ou deixam-se envolver por ela, e de repente, cedo demais, dão consigo sozinhas. E a vida é como o chá: tem de se esperar que as folhas assentem.

Ora se há coisa que me impressione e recolha toda a minha solidariedade, é a solidão. Terrível, um fim frio e doloroso, deve ser - é! - horrívelGosto da solidão, quando sou eu a escolhê-la: detesto-a quando ela me colhe, descolorindo-me o tom da vida. Começa a ser vulgar encontrar gente à minha volta, a meio da vida e já derrotados. Confusos. Baralhados de todo. Sem esperança do amanhã, antes cheios de temor. Deve ser trágico prever a derrota, ainda mal começámos a deixar de gatinhar.Mas também aqui lhe poderia aconselhar :

-Olhe vá à feira dos treze e compre lá um.Mas antes sopre-lhe, a ver se incha....
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Saldos na Feira em Terras de Stª Maria.

Ribau andava triste :

Ah Camões, estou passado.
Nesta ilha desafortunada, p'ra te glorificar
Não tenho gente.Povo este coitado,
Mudo , envergonhado
Já não sabe navegar.
A mão sustenta aparando o rosto
Cala voz perante o mar
Cego, olha a fria madrugada
À espera do que prometi: nada!

O vate ouviu o traste,e lá do Olimpo sentenciou:
-Vai á feira, em Stª Maria da dita:

Aí poderás encontrar,
Comprar ou até achar
Feliz assombro.
Apregoa: o mar é o mesmo
Que mais do que assombro
O que vos vale é o meu ombro

Ribau ,não esteve com meias medidas.
Foi à feira de Stª Maria da dita,e comprou um Homem da cultura.E nem experimentou.Trouxe-o logo que o viu a bater palmas..

Pois venha quem vier
Nunca terá
Grandeza maior,
Pois só ele, o Berimbau
Capaz será de cumprir a ilha tal.
Mas mais ainda :- Portugal!


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Moral das histórias:
Não aceites batota,não vás ao Totta. Queres coisa porreira? Vai à Feira.

ALADINO

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Quinta-feira ,3 de Janeiro ,2008



Continuando a pôr o Blog em dia


No final 2007 foram lançadas duas publicações em Ílhavo :

1) O Álbum Fotográfico de Carlos Duarte

Um Álbum em que o autor parece pretender referenciar acontecimentos com cronologia pós 25 Abril, mas com alguns simbolismos que nos parecem confusos, na intenção ou pretensão. Não sei bem porquê, mas, por vezes, parece-me que os fotógrafos fixam tudo ,ao sabor do lado para onde corre a corrente. Bastante diferente de fixarmos um rumo para o que queremos transmitir. Reconheço ter dificuldades em me sentir agradado pela fotografia. Mas ali, pareceu-me não ser essa a intenção - que seria discutível -,mas apenas a de colher o instante. O fotógrafo estava lá .Se assim foi, trabalho meritório. O autor merece o aplauso, pois.

Quanto á apresentação pareceu-me delirante. Se havia uma intenção aquele não era o momento, para desperdiçar tanta palavra. Não sei, sequer, se alguém percebeu o estendal. A avaliar pelos aplausos, sou eu que estou errado .Pois bem…cá fico. Mas cedo à tentação. No final inquiri :

-Mas a que é que bateu palma? - perguntei a pessoa presente.

- Não sei ,pois não percebi nada, mas ao autor.

Resolvi ,eu também, saudar o dito. Tinha razão o caloroso e agradecido ouvinte. Sou um distraído, impenitente.

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2) Manuel Morgado apresentou o seu romance «Biscuit» uma curiosa e agradável surpresa .Conheço o «Manelzinho» como aqui em casa é carinhosamente tratado, desde um tempo muito agradável dos anos oitenta em que um grande grupo acampava, todos os verões atrás da casa, na Costa–Nova ,numa vivência muito saudável e amiga.

Li o livro de imediato; inicialmente não percebi a razão de ser do «Bisquit».O autor surpreende-nos com um thriller daqueles que estão na moda pós «Da Vinciana».A história tem um enredo talvez demasiadamente inverosímil, mas é agradável e leve de leitura.Para primeiro ensaio no romance nada mau .Continue é que lhe desejo.

A apresentação do livro, foi muito conseguida do ponto de vista cénico. Percebe-se a razão do tango argentino, e numa leitura do o livro, fácil é identificar a razão da aparição da GNR. Deste modo há uma certa descontracção que proporciona uma agradável contacto com o livro.

Talvez uma caracterização mais intensa das figuras e da ambiência da época ,e uma mais forte caracterização das contradições laborais que ao tempo perpassavam pela V.A, trouxessem um maior enriquecimento ao livro. Editorialmente haverá que tomar alguns cuidados, no primeiro compreensível, mas evitáveis.

De qualquer modo um esforço muito positivo a assinalar.


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DIRECTOR DE O CENTRO CULTURAL


Pela Comunicação Social ficámos a saber que foi contratado o novo Director do Centro Cultural. Trata-se de uma personagem certamente activa e culta ,que exerceu funções em Vila da Feira. Nada como esperar para ver.

Mas ,sem ferir a sua capacidade e conhecimento ,lamentamos que Ílhavo não tenha sido auscultada para saber se algum dos seus filhos não teria saber bastante para o desempenho da missão .Partiu-se logo da ideia que não .Que o mesmo é dize,r que a morte anunciada da Terra está ainda mais próxima do que pensamos : pobre terra!.Dás filhos notáveis, mas só lá fora lhes é reconhecido o seu valor .E espantados ficamos quando esse reconhecimento indica a mais elevada categoria no desempenho das suas funções.

A aculturação trazida e influenciada por estas figuras portadoras de ideias preconcebidas, totalmente desconhecedores da realidade ilhavense, não dará grandes frutos para lá das estatísticas que salvarão a realidade da apreciação.Assim se passa com o Museu , Biblioteca e ,agora, se vai passar com o Centro Cultural.

Parece haver a ideia de comemorar os 130 anos da recuperação do Concelho ,depois de ter sido banido.Bem, já não foi mal que Lhes tivessem aberto os olhos para o esquecimento.Ao menos para isso serviu o Ensaio.

Mas comemorar a recuperação do Concelho para anos depois perder a identidade por esta via, então mais valia estar quieto.

Vamos ver se existe indignação com esta metodologia –não com a pessoa escolhida – e se há expressão da mesma ,ou se o medo continua. Partidos e Comunicação Social têm a palavra

Aladino

quarta-feira, janeiro 02, 2008




Recomeçar em 2008




O Blog esteve inactivo desde Novembro, para recolha e edição em opúsculo.

Tempo de o recomeçar.

Será porventura, útil, repescar alguns factos que o final do ano reservou e que não puderam ser registados.

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Domingo,2 dezembro,2007


A morte, afinal, existe



E sem que fosse ainda Primavera

Cobriram-Te de flores

Fazendo de Ti uma criança.

Parava ali a dádiva da Tua vida

A morte, afinal, existe!

Mas sossega:

Apesar dela, o mundo avança.

A luta foi cheia de sentido

Quando transformaste dores, em sorrisos

Nos rostos de tantas crianças.



Ninguém poderá destruir as pontes que Te levaram ao sonho

Nem os passos com que calcorreaste as veredas sinuosas

Com fantasmas espreitando a toda a hora, medonhos!...

Toldados de rancor e desamor, prontos a lançar suas verrinas insidiosas



S. F.
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Algures entre 2 e 24 de Dezembro 2007
A vida não pára.....
E lá vou emergindo do assombro .A tentar explicar-me que tudo isto talvez faça sentido .E logo me revolto com tal ideia.O facto é que, perante certas pessoas singulares,parecemos, por vezes, ainda acreditar que haverá excepções à regra .Estúpido(?!) não é...mas que hei-de eu fazer...
Agora a certeza:a morte é morte.Fim.Fim de caminho ,de viagem,inexorável separação para sempre.Quem acreditar noutra coisa,não a desminto .Felicito-a.
Não me dói por isso a alma ,porque a não tenho .Mas doem-me os sentidos que me esclarecem o imutável da realidade.
Mas lá que gostei de ter sido um espectador privilegiado daquela vida de pertinácia ,querer,ousadia e dádiva,lá issogostei.Sempre a apreciá-la a cavalgar em cima do sonho.Nunca a perguntar-se se tinha forças para ir tão longe.Não perguntava,pela simples razão de não duvidar que tinha.Para isso,e muito mais.
E tinha.
Até onde poderia ir? Não que me pergunte por via d' Ela, ao não ter ido mais longe .Não.Mas tão só,por descortinar o mal que poderia ter sido evitado ou simplesmente amenizado a tantos outros,não fora a tacanhez oligarquica de meia duziade títeres demitidos da consciência.E outros tantos piolhosamente abúlicos,exilados em si próprios.
Repito:morreu como as boas árvores -de pé .Por isso pouco importa a morte em si .O importante foi a coerência existencial com que viveu.De uma nobreza exemplar.
Ponto final!
Que a hora não é de florir o passado.Mas a de acreditar-mesmo duvidando-que vai haver futuro,que já não serei eu a cantar,mas que outros hão-de ousar.
S.F
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(Nota :O Natal 2007 foi incluido na edição .Não foi ,contudo, publicado no Blog .
Para os de fora, aqui fica)

NATAL 2007

Trazes notícias da fome
Que corre no Chade, Nigéria …
Onde meninos tristes
Andam à solta sob a fúria dos homens,
E com eles corre a miséria
Que por todos os lados existe.
Triste notícias trazes contigo
E nos vens dar, hoje, Menino…
Nesta noite em que a solidão
Nos cerca como um muro

E nos leva a crer
Que é inútil lutar ;
Que tudo é em vão
Que para o homem só a guerra

É a única ,e a grande razão
S.F
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Segunda – feira, 31 Dezembro 2007


Olho para o Blog de 2006, neste mesmo dia, e perpasso uma olhadela pelos DEZ DESEJOS, que então exprimi, para que se concretizassem em 2007.

Em jeito de balanço, vejamos o que foi feito,

Erradicou-se – ou fez-se alguma coisa para erradicar – ou mesmo atenuar – as bolsas de pobreza existentes em Ílhavo? Não, nada se fez.

E eu constato hoje que há ainda claras, insistentes, e preocupantes bolsas de pobreza na Terra. Ninguém parece aperceber-se disso. Por isso entendo que a decisão de dar a edição do Blog aos Vicentinos, foi bom. Muito significativa a recolha, e, com ela, a possibilidade de minorar verdadeiras chagas sociais, que só existem porque passamos a assobiar para o lado,incomodados.

Concretizou-se um Plano de Solidariedade para o Concelho? Não
Bem pelo contrário,
quando a Câmara foi chamada a intervir no caso dos A.T.L ‘s fê-lo de uma maneira desastrada, espumando inconsciência em tudo o que disse. Pesporreia, vileza e inoperância, foi só o que se viu. Se lá não estavam outros para responder à demanda, enquanto o homenzito escoiceava, teria sido o bom e o bonito.

Fortaleceram – se os Laços de Identidade Comuns? Não,
foram-se é cortando os fiapos que ainda existiam. Somos uma sociedade de indivíduos que já pouco têm algo em comum, senão o sermos incomumente desinteressados.A Terra (T.L.) de Ílhavo em desagregação social ultrapassou o limite de irreversivel,além do qual já só resta o abismo.

Demos passos significativos na construção de uma Politica Cultural? Não,
Clara e inequivocamente, não!
Só que-felizmente- parece já perdido o medo de dizer que estes últimos dez anos representam um tempo perdido, tantas eram as possibilidades para fazer o certo. Não!...fez-se o balofo, o desproporcionado e até o inconcebível. O que aí vem é cultura comprada ao pacote.Vem aí um pacote de valores falsificados ,vendidos como mercadoria sã.

Pôs-se fim à auto-promoção, populista e chocarreira, do eleito? Não!

Bem pelo contrário, nunca essa politica esteve tão activa, como nunca esteve tão trauliteira. De tal modo que andam para aí uns tantos a tremer de medo.

Definiram-se Obras Estruturantes que desenhassem o Futuro? Não!

Bem pelo contrário o que se fez foi coisa avulsa, sem sentido ou ajustamento à realidade. E se tal não bastasse, ainda se utilizaram dinheiros que nem tínhamos, a fazer filhos em mulheres alheias.(Biblioteca).

Deu-se apoio à Escola Pública? Não?

O espaço circundante das Escolas está porco, sem iluminação, inseguro. O diálogo escola – autarquia foi, ao que dizem, inexistente, um diálogo de surdos. Uma ou outra boutade não chegaram para fazer entender como é que a Autarquia vê a realidade da comunidade Escolar. «Ela» pensa que não tem nada a ver com isso.

Desenvolveu-se qualquer tipo acção para dinamizar a riqueza da oferta turística? Não!..
Ou quase nada, de consecutivo; coisas desgarradas em que o poder local se colou ao que os outros faziam, mas não construindo nada de sólido, com resultados continuados. Contudo não foi por não se gastar uma pipa de massa. Não!....Gastou-se à tripa forra; andam agora a espernear, para esclarecerem para onde foi tamanha verba, pois não se acredita que tenha ido só parar para essas acções, tão fracas e desinteressantes foram, na generalidade.Salvo uma ou outra. Coisa pouca.

Criaram-se ou chamaram-se, empresas, centros de saber,incitando-os ao apport de novas tecnologias? Não!...
Nada se fez

Rigorosamente nada. E tantas são as possibilidades que, se houvesse ambição, e ou ideias, associadas á nossa posição geográfica, privilegiada, poderíamos muito bem aspirar a ter futuro.Os ílhavos são cada vez mais emigrantes. Aqui o futuro já foi. Já não será.

Deixou-se a arrogância, a falta de educação, o desrespeito, a cupidez, a parvoíce diletante e demagoga, substituindo-as por bom trato, discrição, civilidade, urbanidade e respeito? Não!...
Nem pouco mais ou menos.
Quando muito encaixotaram-se os tiques e levaram-se, para exibição e gala, em Lisboa. Valha-nos ao menos tal libertação. Os lisboetas, esses, estão habituados aos dislates.Não vão estranhar.

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Posto isto:


Mas nada de maior haverá para assinalar, em 2007?... Nada que tenha vindo a aumentar, haverá a realçar? SIM!!!há...A divida da Autarquia!!!
No ano passado era de Dez -10 Milhões –, este ano assumiram-se Vinte e Quatro -24! Milhões, e agora fala-se – e parece que é completamente verdade – que, afinal, já devemos (?), QUARENTA E CINCO MILHÕES DE EUROS.

Aqui sim!...aqui crescemos. Somos mesmo citados como um dos maiores caloteiros da Praça


Em 2007 uns já começaram a fugir; os que forem atrás -ao menos! - Que fechem as portas.


Aladino.

quarta-feira, novembro 28, 2007

FIM DE LINHA


Estou aqui, depois…

Onde quer que estejas, sei que entenderás, porque sempre nos aprendemos a descobrir nos pequenos gestos ou nos tiques, indecifráveis para os outros, evidentes para nós.
Tenho uma vasta, dolorosa e amarga sensação de ficar, agora, só! Já todos se foram; e não sei porquê (?), deixaram-me para trás, como que para guardar a vossa memória, a mim que era o mais frágil.
Retrocedo no tempo em Vossa procura. Nem isso me vale. Parece que ao fazê-lo me é ainda mais nítido que o processo de desintegração já começou. Procuro a lógica de tudo, até da tua partida. E só encontro um sentido para a paz que encontraste, aquela paz que nunca por cá, tiveste. Aqui, neste mundo de desigualdades, Tu nunca a poderias ter encontrado. Fosse o que te rodeasse - a Ti chegava-te. Era impressionante como tudo (o pouco ou o nada) Te chegava, indiferente que eras a qualquer tipo de necessidade vã. Só que o problema não eras Tu, mas os outros. E para os outros, nada era suficiente para responderes ao que sentias ser-lhes necessário - e devido. E por isso não havia guerra que Te chegasse.
Viemos, agora de Te levar, ao teu sitio da Paz.
O sino não tocou. Não porque não quisesse - os sinos sabem por quem deverão dobrar -, mas porque Tu não quererias. Querias, isso eu tenho a certeza, que amanhã ele chamasse a rebate, todos!.. a continuar o que sempre, e só, soubeste fazer: - a distribuir solidariedade.
Pareço hoje encurralado; sinto-me a última rês a preparar-se para o abate. Se a morte - ou quando ela! -, bater de novo à porta, não posso mandar ninguém ir abrir, tenho de ser eu a franquear-lhe a entrada.
Sinto-me, pois, subitamente envelhecido; desamparado de um modo irremediável. Como que amarrado a uma solidão onde me faltam todos os que me rodearam no sonho. Sinto-me só, ao não poder partilhar a responsabilidade com mais ninguém. Agora, puseste-me a ser o número um (!) da família. E parece que o mundo me caiu em cima, como um pesadelo que me oprime e tolhe.
Parece - e não entendo este súbito parecer - que havia restos de infância, ontem ainda, e que hoje desapareceram de vez, irremediavelmente. Todos passarão - a partir de hoje - não a ver-me como o mais novo, mas a ver-me como o último abdicatário destes irredutíveis, que quiseram ser, só e apenas, não indiferentes.

As árvores morrem de pé,

e bem vistas as coisas assim foi: foste autêntica até ao fim. E isso - perdoa que Tu diga, mas Tu até o sabias - era o que eu queria que tivesses sido. Neste mundo que não tem moral, nem vergonha, em que a vergonha se transforma em impudor, não transigiste, nem sequer foste cadavérica em vida. Soubeste, até ao último dia, erguer o teu fardo à altura da cilha do burro; os outros preferem que o burro se ajoelhe para o depositar, e fazerem de conta que estão cansados.
E sabes o que lhes rói a alma?: - é que mesmo na sepultura irás prolongar a tua razão, resumida à obstinação que Te comandava e ao frémito afectivo e solidário, que Te movia. Dia a dia estes contornos sobressairão, mesmo que ausente.
«Eles», dia a dia, irão ficando mais expostos na (sua) nudez: de ideias e de ideais, que Te sobravam. Aqui, a leviandade colectiva vai ser confrontada, continuamente, com o que deixaste.
Na hora de Te incensarem - agora! - eu não esquecerei de lhes lembrar os espinhos com que tantas vezes Te dilaceraram.
Acertemos as nossas contas. Se em alguma coisa não fui capaz de Te acompanhar como merecias, foi não ter - nem manter - a Tua UTOPIA.
Por vezes, até, ta censurei; porque não acreditava que depois de tudo, ainda a tivesses. Mas no fim percebi que a tinhas - e a mantinhas intacta - apesar de todos os desaforos que foram desabando por cima de Ti.

Até sempre …

João

Ílhavo, 25 de Novembro de 2007

sexta-feira, novembro 02, 2007

PRESUNÇÃO E ÁGUA BENTA


Da leitura do ultimo «O Ilhavense», ressaltam-me duas evidências :


Uma,

que a pouca vergonha e a falta de decoro, começam a ser insuportáveis .O Director do Jornal foi corajoso. E disse :-Basta!

Corre riscos que não são de desprezar. Estes indivíduos são cobardes. E vingativos.

Aquilo com que o Director se indignou ,estendeu-se a muitos ,que, mesmo perto do palrão, se sentiram envergonhadas com o que aquele terá dito , no Museu ,em dia de Aniversário.

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A outra,

é, a de que “presunção e água benta.. a uns apoquenta, a outros arrefenta


Refiro-me á frase do Director do Museu ,inserida na ultima página do jornal ,onde diz « que o Museu nunca tratou de conhecer a sua história nem se deu à tarefa delicada de investigar para a representar em discurso» sustentando crer que « qualquer dos anteriores directores subscreveria este diagnóstico »

Não sei se o subscreveriam .Penso que não… .Penso que não…

Mas o que certamente diriam, seria, mais ou menos isto:

Não deram a conhecer a história …porque andavam preocupados em fazê-la”.

Porque uma coisa é fazê-la ; e outra é, recebê-la em herança.

Quem herdou tão notável herança ,terá, é ,acima de tudo, de guardar enorme respeito por aqueles que lha puseram na mão.O que nem sempre -lamentavelmente -, tem sucedido.

A estória moderna do Museu, parece-me, poder ser ficcionada do seguinte modo:

(…) As vitualhas estavam na mesa e eram de arregalar os olhos ; o palacete, recém construído, afirmava-se digno para receber os convivas .

Faltava apenas enviar os convites ,atirar os foguetes e fazer os discursos (…).

Ora é isto que me parece que se tem vindo a fazer, com alguma qualidade mas muito aproveitamento (politico) perceptivel quando nos momentos dos discursos se trata" o Director por mero Assessor" -foi dito !- que faz parecer ,apenas estar ali para cumprir as orientações (politicas) superiores. O que me parece excessivo .E indigno.

Então lá chegará o dia em que se terá de reescrever a história .


Aladino
DIA ASSINALADO:


E cumprido .Não porque só os visite, hoje ,Não , faço-o todas as vezes que vou lá, ao coração do silêncio .

Mas hoje detenho-me , a pensar …

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REPOUSO ?...


Encontram-se, neste dia , muito amigos ,alguns que quase só, nesta data, revemos .

Um, disse-me :

-Está bonito este lugar de repouso …não está ?

-Está ,sem duvida .Só que eu não acho que seja de repouso; uns estão penosos de nada terem feito; outros amarfanhados de terem feito ,mas reconhecendo que podiam ter feito mais ;outros parecem descansados porque julgam terem feito tudo ,mas danadinhos por não virem cá fazer muito mais ...,respondi séria e convictamente.

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QUERIA SABER A VERDADE…


Assinalado ou não ,sentimo-nos perto de compreender ,que, inexoravelmente se aproxima o dia de desapego .

Que importará mais ;estar vivo e viver uma existência morta ,ou estar morto deixando uma lembrança viva?

Faz sentido a vida ? Faz sentido dizer que a velhice é que sabe ,quando na verdade apenas sabe que cada vez menos sabe .

Olho para os «meus» ali tão perto ,mas inacessíveis ,que é impossível que lhes não faça a pergunta ;- vivo ainda uma existência realmente viva ou já inconsciente moribunda?.

Só «Eles» saberiam, com franqueza, dizer-me a verdade .

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RESPEITAR A INTENÇÃO
A única esperança que parece nos vai restando, é que os cemitérios sejam lugares em que possamos confiar, de que lá -ao menos –nos respeitem a intenção, quando já não houver lugar para actos.


Aladino

quarta-feira, outubro 31, 2007

Esquecer de Te amar


Olho o mar como olho para ti , pretendendo ir tão longe

Que perca o olhar no desvendar da verdade da tua carícia.

Sinto –me perto e logo longe ,tão longe como me parece estar a tua ausência.

Quando a vaga vem, lá de longe enrolada, desfazendo-se em farfalho

Parece trazer –te no regaço , deixando-te de mansinho envolta em mil flores silvestres

Adormecida na areia ..

Já a maresia, os búzios enroscados, as conchas doces e as algas te envolvem e prendem

No areal dourado, o teu corpo abandonado

De Sereia

Para que possas sentir o sol pousar sobre o mar azul, inundando-o de vermelhão,

Lembrando um campo de papoilas loucas, ondulando ao vento , tão longe que o meu

Olhar não apeia.

Corro a aconchegar-me a ti ,no contacto com a tua frescura, ansioso de ouvir tudo o que

Ecoa e me enleia:

As marés que trazem os búzios, as conchas e as pedras a rebolar ,alertando-me os

Sentidos, prendendo-me na teia..

Enquanto os meus lábios já gretados aspiram o salgado do vento que nos enlaça.

Com eles beijo os teus seios de onde se soltam gotas escorregadias

Da água azul do mar

Mergulho a minha face nos teus vales, ou subo ao alto das tuas serras ,até que saciado,

Procuro um lugar de refugio ,fundindo-me no teu corpo,

Fixando o horizonte para nele encontrar a linha imaginária onde está escrito

Nunca me esquecer de te amar.

Senos Fonseca


S.F

Outubro 2007

segunda-feira, outubro 29, 2007

Alto !... Esperem lá ...

Andam para aí numa febre a querer vender tudo o que é publico , a fazer a apologia de tudo que é privado .

OK!.. …

Mas se venderem tudo ao privado ,para que raio é que queremos Presidentes das Câmaras , Deputados, Ministros,.. etc etc

Será que todos esses!...estão incluídos no pacote .

Se estiverem ,ainda admito repensar

Aladino


Aveirenses Ilustres


Foi-me chamada atenção para uma palestra, que se realizava, integrada no relembrar de Aveirenses Ilustres ,centrada hoje sobre Rocha Madahil.Com prazer estive presente.

Ao longo da mesma fui-me interrogando do porquê do distanciamento de Ílhavo ,relativamente a este seu filho.

Foi uma figura incontornável no processo de afirmação da Vila ,distinguindo-a sempre que solicitado, com adesão solicita e com saber ,mostrando ser um espírito culto –naturalmente não isento de lacunas – mas inquestionavelmente uma figura (local)do século .

Gostei de ouvir o palestrante , pois só descobri que era um dos seus netos - e por isso a sua virtude – não, durante a leitura ,mas depois, na conversa que se seguiu.

Inopinado e inesperado de todo ,foi o desafio –e depois a conversa – com que Capão Filipe me provocou .

Cedo a registar os contornos da conversa.
Capão Filipe – que estimo e conheço desde miúdo– dizia-me que teríamos de pensar na junção de Ílhavo e Aveiro ,na continuação do que disse –simpaticamente – sobre a identidade cultural das gentes, que se confundem .Pudera !... a raiz foi a mesma ...só que depois…

A brincar, na conversa subsequente , ripostei :
-Porque não um dia ?!.Só que agora a moda está, em serem as instituições mais pequenas a engolir as mais fortes. Uma acção de Ílhavo por três de Aveiro ?.
Seria boa proposta?

Se pensarmos nos valores que demos à região ,éramos capazes de ficar a perder com o negócio. Só que também é verdade –a ser verdade o que se mostra – que parece que isso foi chão que deu uvas .
Mas não! …o facto é que o não é..

A brincar se podem discutir coisas sérias

O programa dos «Aveirenses Ilustres» ,segue .Interessante .A justificar não perder pitada

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E Mário Sacramento?

Mas …

Onde está Mário Sacramento ,nesta resenha?

Se está Vale Guimarães –e bem !-porque não se estendeu o leque ?

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MUSEU 5



Foi-me referida a entrega do espólio de Mário Sacramento ,ao Museu ,recentemente inaugurado ,do Neo-realismo .

Quando dei corpo para a perpetuação do nome de Mário Sacramento ,em Ílhavo -Uf!...Uf!…- ,lembro-me que tive de ler um trecho seu, em sessão camarária ,no salão nobre apinhado de gente, reagindo a uns obtusos (reaças) que replicavam que M.S. o não merecia ,pois que até se tinha negado a ser sepultado em Ílhavo.

Imbecilidades que o tempo, infelizmente, não corrigiu ,o que seria expectável !

Até Alexandre da Conceição ,se negou …

Ninguém ,estou certo ,fez qualquer esforço para reter esse espólio, aqui .Mesmo se o tivessem feito –M.S, hoje, não é incomodo e até dá sombra para fruição –certo é que o espólio ,lá ,no museu do Neo - realismo ,está muito melhor acompanhado .

Viver em Ílhavo ,verticalmente, até ao fim, não é fácil; aceito que ficar aqui para sempre, deve ser tramado.

Eu vou-me habituando à ideia :quando passeio por Ílhavo, vivo !.. ,esta terra já me vai parecendo ,toda ela, um cemitério. Silêncio, parece ler-se à entrada .

Do not disturb…

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Museu 6



O agora denominado Museu da Cidade ,em Aveiro ,é uma riquíssima obra de recuperação (requalificação ,diz-se agora…) de um edifício histórico, citadino.

Lembrei-me durante a visita como poderia ser ,por exemplo, a recuperação do edifício da «Drogaria Vizinho» –um edifício histórico! -, para o mesmo efeito.

Recuperar o Texas ,para quê ?... que história tem ?... Zero!....

Ao contrário, o palacete dos familiares da Viscondessa de Almeidinha , do Teatro e do Clube dos Novos, contém toda uma história riquíssima, do séc XVIII ao XX .

Que interessa (?!) dir-me-ão, se a nossa história oficial só começou há tempos?
Mas que era um local onde se poderia instalar o Museu do Traje, lá isso era .Por exemplo ….

Já repararam no interior do mesmo ?

Quando estiverem a comprar pregos ao balcão ,levantem o olhar .E sonhem !..

Sonhar… é (tudo )o que Vos é permitido fazer ,nesta terra. Porque o resto está já decidido ..

ALADINO



Museu 4

Volto a esta matéria. Veio até mim um coro de indignação - provindo de vários quadrantes -provocados pela abordagem de Ribau Esteves – cataménio monstruoso - nos setenta anos do Museu .De vez em quando as pessoas sentem o insulto e a menoridade de tratamento com que os «ílhavos» são brindados por esta personagem.

Deixemos o lixo …

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O livro «Museu com Memória» que elogiei no Blog anterior –ponto final !- contém abordagens que ,no meu entender, necessitam de alguma fixação.

No final do livro, numa espécie de ensaio antropológico ,Elsa Peralta produz um estudo de cariz académico ,ao principio demasiadamente pesado - tantas são as citações evocadas em procura de uma roupagem para o Museu de Ílhavo- peso que à medida que o ensaio se desenvolve, é aliviado .Não sei se muitos leitores o irão levar até ao fim, Seria bom.

Algo me justifica uma observação .
A prof. Elsa insiste, um pouco, na história das cisões, dissidências, conflitos representacionais ,contidas na história do Museu, o que me parecem considerações um pouco excessivas.

Assinala o que lhe parece ser um pouco de incongruência entre o Rocha Madahil que tinha protagonizado uma imagem de Ílhavo enquanto comunidade do mar - a história mal contada do brasão –e a sua proposta de uma exposição de uma panóplia de temas ,desde a etnografia á cerâmica, passando pelas artes e pela industrias locais ,para a celebração da terra e das suas gentes. Estávamos, pois, longe de um museu marítimo, diz-nos .

Ora eu penso –e não tenho aqui o espaço para o justificar –que esta leitura pode ter um pouco de imprecisão, provavelmente consequência do entendimento do que significava ,naquele tempo ,a memória marítima, a guardar .Qual era, pois?

Em 1922,altura em que Madahil propôs, nem sempre com acerto e lógica ,o Brasão, ou em 1933 ,altura em que define as bases para o Museu ,por exemplo, não haveria ainda qualquer memória para guardar da Faina Maior, o projecto museológico em que assenta, hoje, o Museu , fazendo da mesma a memória privilegiada a salvaguardar. Porque essa faina –sublinhe-se -mal tinha, naquelas datas ,ainda começado .E nem se entenderia ao tempo a relevância da nossa posição na mesma –ou até se escamoteasse a identificação com a mesma –por razões que seria interessante abordar, mas não aqui. Falo da parte da Faina Maior que ainda não foi abordada, e que inevitavelmente um dia o será ….
Na altura, a questão era, em termos de memória : dez séculos de laguna ; três séculos a desbravar novas terras, inserindo gentes completamente diferentes, no ser e no modo de estar, aqui chegadas; três séculos de migração em condições singulares, que nos identificaram como individualidades diferenciadas das restantes; três séculos de actividade numa industria em que a arte era a vocação que a distinguia, entre todas. E séculos de individualidade no trajo, de uma riqueza e diversidade notáveis, que tinham sido assinaladas no século anterior, e ainda presentes ao tempo.

Que escolha fazer ,com tudo isto ?Essa era a questão.

A preponderância de João Carlos ,e do seu pendor artístico, ou da identidade com os ícones glorificados, na altura, toda gente da borda (Thomé Ronca , Ançã e outros), eram as compreensões sobre o principal ,a que se lhes juntava a memória do traje.

Quando na verdade ,Ana Maria Lopes, na sequência de «À glória desta Faina», indica que o caminho a seguir passaria por o museu poder e dever estar melhor representado no sector da pesca à linha (1989),a ideia ,valorizada com o então recente desmoronamento daquela actividade, acontecido em anos anteriores, tornou mais premente a necessidade de a preservar ,embora se tenha tratado de um período passageiro da história , embora épico :- pouco mais de sessenta anos, numa história de dez séculos!... .Todos perceberam que esta opção seria a correcto, mas seria ainda mais correcta se as outras memórias pudessem caber em outros projectos complementares (por exemplo pólos museológicos). Induz-se do livro que para a escolha deste caminho,foi preponderante o condicionalismo das instalações, muito limitadas no espaço disponível, a exigir uma escolha de síntese museológica..
Mas pensaria A.M.L. que a questão etnográfica ligada á memória do traje não valeria a pena ser equacionada, pondo-a por isso, completamente de parte? Desconheço o que pensa. Até porque A.M.L será uma das ultimas pessoas existentes (locais) com conhecimentos suficientes –e seguros – de a sistematizar ,e até, de lhe dar corpo.
O que se passou depois ?!…
É a própria autora do Ensaio, Elsa Peralta, quem logo no inicio nos ensina que os museus são uma expressão ideológica da nova ordem politica .E quando a história chega por sua mão – por ela contada - a 2001 ,parece ter-se esquecido que foi isso mesmo que sucedeu., e nesse período entra por caminhos bem escusados, de glorificação A história do Museu, de facto, a partir dali, tomou então outro rumo, imposto por uma nova ordem politica –local – que toma a seu cargo a definição da especificidade da memória a guardar. Claramente uma definição que interessava ao poder politico aproveitar, mais preocupado com a divulgação externa da imagem do Museu, do que com identificação interna com as gentes locais .A inserção do Museu passou a ser mais fora do que dentro. Ao sobrevalorizar a Faina Maior ,esquecendo, praticamente, a memória da outra Faina, a Menor(?!)- só agora timidamente recuperada na exposição temporária da «Diáspora» - aventura com que nos identificámos de corpo inteiro ,ao contrário no sucedido, na Faina Maior ,onde isso não aconteceu ,nem de perto nem de longe, optou-se pelo caminho fácil ,que dá mais dividendos .A leitura da Faina Maior não compreende apenas a versão que dela temos dado. Já o disse por várias vezes. Este olhar, aqui, é a nossa leitura ,mas não é a única leitura.


A escolha está feita .Mas o percurso não está encerrado. Por muito que se pretenda fazer passar essa ideia

Voltaremos a falar disso .


Aladino

quinta-feira, outubro 25, 2007


Envergonhado, mas …


Parece ter querido entrar comigo ,quando me diz no mail – (…) a terra que tu adoras (….)

Apeteceu-me dizer –lhe :

Não queria ter outra , como não queria ter tido pais diferentes, daqueles que tive .Foi com Eles- e n’ «ela» - que me soube “ir fazendo” .E a verdade é que ainda não desisti : nem de mim, nem dela .

Ainda que viva enojado de uns conterrâneos que vivem aqui ,mas não vivem por «ela», nem para «ela» .

Amarfanho-me, por vezes, ao julgar-me co-responsável pelas indignidades que vão cometendo.

Sinto vergonha ; por mim e por eles ,já que eles a não têm.

Foi o que me apeteceu dizer -lhe…

Mas para quê ?. Fiz de conta que não entendi a provocação.

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Manjedoura…

A febre que vai por aí .

Quando se mudam de palhoça para manjedoura rica, e mais perto do palco das vaidades ,ficam tontos, esgazeados .Deslumbrados .Deixam tudo para trás, compromissos públicos, e ou, privados.

Na vida sempre tive a noção de que quanto maior é o salto ,maior será o trambolhão. Um dia chegará o momento da interrogação : valeu a pena?!

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Memórias

Memórias guardadas, de quê e para quê?

Se agora nos pregam alto e bom som que tudo antes era bosta ,para que havemos de ter orgulho de ter nascido no meio dela?
O nosso passado é vendido amortalhado na indiferença do presente. O nosso futuro está penhorado, trocado por uma cautela onde se lê :SEM VALOR.
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Zangado?! ...

-Porque te chateias tanto ,se não to agradecem?...atirou-me .

-Ainda bem .Porque se alguém o fizesse acabava com a minha indignação – respondi-lhe, logo adiantando:

-Olha !.. não sei se por cá, há outros zangados. Se eu for o único a quem não consiga convencer, o mal não está em mim, nem a virtude nele.
O mal está nos outros .Que são cegos.. por não quererem ver ; que são surdos …por não quererem ouvir ; e que são mudos …,não por o quererem…mas porque é cómodo e simpático.

Um homem não nasce simpático. A primeira coisa que faz é berrar .
Depois faz-se simpático…porque começa a ser inteligente .
Outros nascem burros, e burros continuam, vida fora . Não há,pois, que lhes agradecer.

Aladino



segunda-feira, outubro 22, 2007

MUSEU 1



Decorreu no passado fim de semana ,uma espécie de Congresso Museológico ,integrado nos 70 Anos do Museu de Ílhavo.. De aplaudir, a ideia.
Claro que apenas interessava aos profissionais. Estive lá apenas como curioso .Mas a curiosidade não implica não ter opinião.

Nesta posição ,posso ser franco: o que me foi dado assistir não primou pela qualidade .Muito menos pelo debate, que se disse ser pretensão, se convertesse o fórum .O próprio formato não o permitia .

Parece contudo –eu não assisti a todas as intervenções –ter havido outras bem mais interessantes. Ainda bem .Pena minha ter pouca pontaria

Uma das intervenções a que assisti levantou uma questão que me parece sumamente interessante :-como influirá a globalização na estrutura museológica? .Vi espelhados alguns medos que me parecem discutíveis. Uma coisa me parece já evidente :os museus entraram na sociedade de consumo como um produto de oferta turística, que por isso justificam investimentos cada vez mais significativos, porque têm retorno tangível . (está definitivamente na moda ... a palavra). Por outro lado, as novas tecnologias, criaram uma facilidade de acesso, antecipando o que se vai ver ,ou, criando a expectativa do querer ver em imagem real o que se viu em formato digital..

Qual é, então, a resposta da arquitectura dos espaços dos museus a este novo desafio? Museus que chamem pela espectacularidade da sua arte arquitectural - ela mesmo a mais apelativa-,ou que atraiam pelo seu conteúdo?
Julgo que isso depende ,um pouco, de estarmos perante um Museu permanente ,de memórias públicas, locais, ou um museu de passagem , de «consumo» de cultura diversificada.

O que me parece é que, cada vez mais, um Museu de memórias, não deve ser um shaker.

Mas todas as memórias são para guardar .Isso sei-o .

As memórias identificadoras das gentes da minha terra mereciam ser todas acolhidas (Madahil assim o pensava) , só que cada uma delas em seu sítio e da forma adequada,penso eu. Porque poucas memórias colectivas terão tamanha diversidade ,e tão grande singularidade, no ter sido, como a nossa.

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Museu 2

Diáspora dos «ílhavos»

Foi apresentado o catálogo versando a exposição da Diáspora .

1) De enaltecer o registo ,Trabalho positivo, corrigindo o esquecimento que já era tempo de recuperar.
2) Mas o catálogo é muito mais do que um mero registo da exposição .Foi-se muito mais longe ,e aí, faço(alguns) reparos .
O conteúdo do mesmo é severamente discutível .Se escrito por privado :- tudo bem .Cada um é livre de opinar.
Mas sendo expressão institucional –e do Museu !- haveria que ter cuidado e alguma reflexão.
Trabalho de investigação .Não !---clara e inequivocamente .De colagem, sim!

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Museu 3


MUSEU COM HISTÓRIA


Um belo livro ,bem editado ,e cujo conteúdo, numa primeira leitura–hei-de revisitá-lo- me mereceu generalizada aprovação.

Pouco me importa –ou importa aos outros –que num ou noutro pormenor, não concorde inteiramente com o seu conteúdo .Mas num primeiro contacto, acho que o trabalho foi muito bem conseguido pelos autores.

Adiante :

Na apresentação do livro , aconteceu um mau momento .Evitável se houvesse tino…e contenção nos propósitos.

O sr Presidente da Câmara ,num habitual discurso de circunlóquio de feirante ,despejou fel q,b, a tudo e (quase) todos .

O Museu –dix - só existe «depois de ….».Não há antes . Há só depois…da era R.E.

Ao considerar que a história do Museu só se inicia ,depois de …,seja qual for o momento escolhido para a fixar ,o Sr Presidente é ingrato ,insultuoso ..ou ignorante.

O Museu tem uma história para a qual muitos –e cada um com a sua quota parte - contribuíram.

O Museu sem estar ainda politizado -e pago por todos nós com orçamentos chorudos -era antes de… fruto do esforço e imaginação –e competência –de uns tantos.

Não envolver naquela hora todos - sem excepção -, no mesmo elogio ,é chocante.

Até porque estava presente entre a assistência, um dos Directores que maior importância teve no desenho e concepção – e prestígio - do perfil museológico que hoje o Museu exibe, e pelo qual é conhecido. Aliás, da leitura do « Museu com História» ,percebe-se isso perfeitamente . Incompreensível pois, o dislate.Para que serve a história ,apetece pergun tar ? Para que se gastou dinheiro no livro ,se a história se resume a seis anos?

Comparar os tempos de hoje –onde se gasta a rodos, empenhando os anéis –com os de antigamente, é erro crasso .Porque se quisermos fazer comparações de competências, a questão fia mais fino .
Mas o dia não era para dar classificações imbecis «à Marcelo».Não !...nada disso .O dia era para envolver - todos! -, num agradecimento, como aliás o livro parece fazer.E fá-lo bem .

Temos muito orgulho no Museu , e, mais ainda, na história de que nos fala ;e daquela de que ainda nos não fala, e que um dia há-de falar .

E temos muito orgulho nos «ilhavenses» -em todos! - que o tornaram uma realidade, a quem o esquecimento do Sr Presidente ,na verdade, não aquece nem arrefece.
A mim a ingratidão incomoda-me .. quando exercida para com os outros….

Pouco me interessam as histórias intimas , proibidas ,da estória do Museu, que insinuou repetida e exaustivamente conhecer-Palavreado cujo alcance não se entende,porque repetido á exaustão .Se são intimas ,guarde-as…,tenha tino na verborreia…

O que a morte tem de mau, é o não podermos vir cá repor a verdade – exacta! - de como foram «as coisas».

A imagem que o Museu vende hoje – e bem! – foi arquitectada ,sistematizada, recriada e iniciada por um dos seus Directores (Directora ) do antes de ..O livro é, felizmente , largamente esclarecedor desse facto. Todos nós que temos memória, o reconhecemos-e o sabemos -, gostemos ou não da pessoa.O menos importante, nestas matérias .
Uma feliz parceria –irrepetível – materializou a ideia que aquela Directora arquitectara. E foi dessa escolha de caminho, que ficou definido o perfil museológico que hoje se promove e vende. Óptimo, pois .Envolvamos os dois que a tornaram possível, no mesmo elogio.


O Sr Presidente tem inimigos de estimação .E não os esquece .Sabíamos isso…

Mas nisto ,não o advinhavamos…


Aladino.

domingo, outubro 21, 2007


CINZENTO É QUE NÃO…


Tudo em mim, é preto, ou branco.

Parece que desconheço o cinzento,

Pois o sonho impede-me de dizer, talvez .

Ando sempre á procuro do tempo

Onde me debato, à vez

Entre a afirmação, cruel momento

Que me diga estar ainda vivo,

Ou na ausência, apenas adormecido


Dou a minha voz à revolta.

Não entendo a vida envolta em névoas.

Por isso ateio o fogo onde m’imolo,

Errante, na procura da verdade sem tréguas

Propondo-me levá-la comigo, ao colo.

Nunca sou só eu ; mas eu e os outros,

Pondo os olhos de sonhador, até bem longe

Não para ver o que não sinto ; mas para me sentir

o outro



Que olha ,olhando não só para a esperança ,mas para o grito.


SF
21.10.2007

sábado, outubro 20, 2007

R.E desta vez falava a sério…


Escandalizam-se –adversários e «patriotas»- da afirmação de R.E. de que ia trabalhar 24 horas por dia ,sete dias por semana, para a Câmara de Ílhavo e …sete dias por semana e vinte e quatro horas por dia ,para o P.S.D.(sic)

« Deus » ,ao que dizem,trabalhou seis dias e ao sétimo descansou .E assim fez o mundo.

Claro que mandava em poucos ; ao contrário este «deus de pacotilha» manda em muitos .Por vontade:- em todos!. O que é complicado, e se tenham de fazer mais promessas do que Deus teve que fazer ,para nos levar a acreditar.

Mas R.E .pode ter razão. Ele é engenheiro .Parece que não é daqueles que compraram o canudo.

Então se o é –não sei de quê ,nem para quê ?!-deve conhecer o principio da relação paradoxal do espaço /tempo, de Einstein. Ele sabe que percorrendo o espaço (a velocidade q.b.) ,o tempo pode encurtar, regredir. Admirados?!

É verdade ;é assim mesmo(teoricamente) .Explico:

Voa de Ílhavo no mercedes da Câmara, e chega a Lisboa antes mesmo de ter saído ,regredindo no tempo. Aí, depois de duas circunlocuções –em que é exímio –embarca no mercedes do Secretário Geral do PSD, e voa para Ílhavo .Chega, antes da hora a que tinha partido. Einstein dix.

E assim ganha sete dias, em sete. Sete!

Et voilà !...

Deste modo resolve a quadratura do circulo .Ou não fosse R.E ,engenheiro de zoo…politico nacional

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«O Ilhavense» confunde …

Relações Institucionais com relações pessoais, odientas e imbecis, de menoridade intelectual , moralmente reles, intelectualmente .

O poder, aqui ,não respeita as Instituições ; pretende é, usá-las .

O poder, aqui, é um corruptor moral ,activo .As Instituições que se atrevem a não se deixar corromper ,são odiadas .Provocadas. Insultadas. Vilipendiadas . Tratados, os seus dirigentes , abaixo de canalhas. Exemplos : -muitos!... e bem conhecidos.

Eles (os caciques do poder ) não querem fazer ;o que pretendem, mesmo, é que não se faça nada que possa ensombrar a sua vulgata .

Eles temem – e tremem !- ao serem comparados. Quanto pior, melhor, para o seu ego descochado.

Eles não fazem; «fazem »é de conta que fazem.

Não sei há quantos anos- mas todos os anos! -se apregoa ,que para o ano é que vai ser: Misericórdia ,Quartel etc .etc

Com dinheiros vindo do esforço pessoal ?..do seu trabalho ? ..do seu sacrifício?..
Qual quê!...Esperam,é, uns e outros, «corruptos e corruptores» morais , que venha lá de cima o pilim .Que depois nunca chega .

O calote aumenta ? Melhor !.Para que são as parcerias com aqueles que até parecem ser benfeitores públicos ?... e estão, ali, á espera como irmandade do cavaco & com…

Quem não seguir o rebanho, «aqui», está tramado. O cão açula a dentuça, e ferra..raivoso.

«O Ilhavense» que se cuide …..


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O essencial, ficou no tinteiro .

E era o importante que fosse dito .
Não se podem fazer registos para história com estes hiatos.
E o importante foi, que enquanto o cão ladrava …havia quem, indiferente á medonha mangoaça, resolvesse o problema, aos miúdos e às famílias. E isso era o importante ,o resto é conversation, como diria o meu avô .
Resolvido que está …a caravana segue…
A memória dos tempos não perdoará, pois que os mesmos serão, passo a passo, registados.
As resposta –essas! - virão todas a seu tempo ….

ALADINO

quinta-feira, outubro 18, 2007





E SE TUDO FOSSE UMA MANOBRA MAQUIAVÉLICA ?…


Anda a Cmunicação Social numa verdadeira azáfama , em especulação que permita desvendar as razões porque Filipe Meneses se foi colocar –ou foi obrigado - a enfiar-se na boca do lobo ,de Santana Lopes. .

Isto é ,repetiu-se a fábula do Capuchinho Vermelho ,desta vez travestido de Laranja .

Ora, Meneses, sabe como poucos ,a qualidade de fingimento, mas e também, a qualidade da «dentuça» do Pedrito, que andava por aí vadiando, à espera de qualquer coisa ,nem ele sabia bem, o quê (?!) . .Que nisto de apunhalar o amigo perlas costa ,Santana é um perfeito serial killer politico.

Não há nenhum observador ,seja qual for o ângulo –ou a posição em que se coloque –que não considere um quase suicídio ,a leviana atitude de Meneses, que assim ,logo à partida ,parece desistir de mandar .


Ora, por vezes, dá-me para desconfiar de tanta falta de visão ,e a admitir que talvez, ali, esteja antes uma jogada de mestre , de cheque mate ,com elevada visão do jogo.

Isto é ,Filipe Meneses percebeu que tem dois anos para «matar»-antes que seja morto- a figura de Santana Lopes ,de modo que este, em 2009, não lhe apareça a disputar o lugar .Nada melhor, para isso , que o colocar na posição para onde o enviou ,onde vai ser, quase certo, que para além de levar consecutivos banhos de José Sócrates- que ajudarão a desfazer o mito -,ainda por cima demonstrarão que o «Pedrito» não é individuo para qualquer tipo de função que exija organização ,trabalho dedicado ,e sentido –e saber -organizativo .Os próprios colegas de bancada se hão-de encarregar de repetir:- “ O REI VAI NÚ”.

Jogada de mestre ,desconfio …para não acreditar que Meneses & Comp. sejam tão líricos e incompetentes.Então para que levou R.E.

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DIMINUIÇÃO DESPESA PÚBLICA

Vejo e ouço tanta aneira ,que me canso .

Como é possível que comentaristas com nome na praça publica, com pergaminhos adquiridos, não tenham colhido informações que lhes permitissem perceber :
1º Que a diminuição brusca da despesa publica seria um desastre, se feita em simultaneidade com um ciclo de quebra, pronunciado ,de emprego .Seria catastrófico ,e os mesmo comentaristas, se tal sucedesse, seriam os primeiros a apregoar a incompetência do Governo.

2º - Como numa economia pessoal -e a economia publica tem muitas similitudes com a micro economia- há duas maneiras de diminuir o endividamento .
1- Fixar as despesas ,não permitindo o seu aumento;
2 - Fazer com que os ingressos aumentem ( produzindo mais ,ou recebendo valores que até ali por desleixo se não recebiam ) .Em relação ao produzido, proporcionalmente, as despesas baixaram .Isso é evidente .Verdade La Palisseana.

Claro que à medida que tudo fique mais folgado, haverá que gastar menos ,desse modo acelerando a recuperação .

Ora, isto, é o que o Governo indicia. Ou é já descortinável no discurso dos seus responsáveis ,especialmente do Ministro das Finanças (o melhor ministro desta pasta, pós 25 Abril) .Este ano ,ou melhor para o ano (cuidado vêm aí as eleições)seria tempo para tal .

Mas que houve clara melhoria, isso é inegável .

Que diabo estes tipos podiam ser menos ignorantes e pedir que lhes dessem umas lições extras.

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GUERRA COLONIAL



A RTP começou a apresentar um interessante documentário sobre a Guerra Colonial ,que numa pré apresentação –P’rós e Contras- se pretendeu classificar com Guerra Ultramarina.


Vivi com muita intensidade esse período da história ,ainda recente.
Tinha a consciência possível ,do que se passava ,utilizando todos os meios –mesmo os ilegais ,proibidos na altura – e recordo-me da intensidade com que nos meios académicos se seguia aquela guerra .

Tenho contudo a consciência de que o País ,isto é ,o que nos rodeava ,as gentes afastadas da informação –ou que nem a procuravam -não tinham uma consciência de que o que estava em causa era uma guerra Colonial –de libertação -,em que os naturais daquelas regiões começavam a ser apoiados por Países estranhos ,fornecendo-lhes meios (armamento e dinheiro) para aquela luta .Ventos da história sopravam ,e eram muito fortes para a nossa fraqueza.

O que todos percebíamos é que era uma guerra perdida .A densidade de ocupação feita pelos nossos emigrantes não ia praticamente para lá dos grandes centros .

Fiz o serviço militar nesse tempo .Dadas as condições especiais, praticamente despidas de problemas –à excepção dos fuzileiros – não tive rebuço em inscrever-me numa missão para uma Fragata que ia para a região .Não foi autorizada ,pois aos engenheiros maquinistas navais ,estava destinada outra tarefa.

Uma coisa é certa .Abominava-mos a guerra ,e tudo se ia fazendo (às escondidas )para lhe por termo .

Mas quando envolvidos na guerra ,senti, e lembro-me de analisar detalhadamente esse facto ,parece que todos tinham um sentimento pátrio ,que parecia fazer esconder que a guerra contra aquelas gentes que se queriam libertar do Colono era injusta .Embora -isso é justo dizê-lo – o Colono português fosse o melhor de todos os colonos, de todos os outros países imperialistas(apesar de óbvios desvios dos nossos compatriotas)

Isso !...manda a verdade dizê-lo .Porque nos deixaram chegar àquele ponto ,isso é que é importante não esquecer


Aladino

sexta-feira, outubro 12, 2007


SONETO A UM CRETINO



Soube há pouco, que ontem, numa reunião tida com as I.S.S.(Instituições de Solidariedade Social) de Ílhavo ,Ribau Esteves-sem que ninguém percebesse porquê -depois de malhar forte e feio na D Maria José Fonseca(ausente) ,atirou –se “ao irmão da dita” de quem disse “desconhecer o nome” –sic - englobando os dois ,numa história de “canalhice”.

Terrível patologia, mania da perseguição doentia ,fixa ,do energúmeno.

Aqui vai a resposta ,a quatro:


SONETO A UM CRETINO




Em feroz nojenta e redundante catadupa
Com as horríficas garras assanhadas,
Os olhos fuzilando ,e as empestadas
Chamas soprando da garganta farfalhuda

Me acometeu o Monstro ,ruim figura
Perante espanto da assistência enleada
Apelidando-me de ralé desbragada
Desejando-me preso, ou até, já, na sepultura

Oh tu Ribau ! génio da pátria, politico confesso
Assim libertas de Ílhavo, irmão e irmã -gente barata
Tua acção tão grande foi, que cantada, só em verso

Já para Lisboa partes ,Oh quão dolosa perda
Tua fama por esse mundo lança disperso
A propósito :- Olha! – VAI BARDAMERDA !!!.

SENOS DA FONSECA
(para que não esqueça)

quinta-feira, outubro 11, 2007

História 2


Seria interessante que alguém, com saber e arte, se dedicasse a um tema ,que é o da importância dos cruzios na formação da identidade nacional .

A importância dada por Afonso Henriques –e as concessões – ao Mosteiro de St. Cruz ,quase o equiparando às Ordens, dos Templários ,dos Hospitaleiros,de Cluny, indicia -nele ou nos que o aconselhavam -uma visão notável para o tempo ,em que se discutia uma nova corrente de vida clerical,socialmente interveniente , oposta à vida contemplativa monástica.

Santa Cruz tornar-se-ia ,rapidamente ,dados os esforços e a clarividência intuitiva de Teotónio ,Telo e João Peculiar - depois bispo do Porto e Braga - ,uma das mais importantes instituições da vida medieval portuguesa ,a fonte onde se beberam os primeiros conhecimentos do saber que foram buscar ao exterior .Foi de St Cruz que saiu o insigne pregador St. António de Lisboa .

Mas a que propósito falo disto ,hoje, aqui ?.

É para insistir,no que venho dizendo .Mais importante -ou se quiserem tão- que a cronologia dos factos é conhecer o contexto que os produziu .Só saber factos nãoé bastante .Cadafacto tem a sua história.

Porque nasceue se impôs o Mosteiro de Stª Cruz ?
Pelo simples desejo de D Afonso querer a bonita sela de do arcediago Telo, quando este passeava, montado na mula ,na Rua Régia de Coimbra ? Este é, na verdade ,o facto que esteve na origem da concessão. Menor ,como se descortina

Mas o que é significativo para a História é a razão de Afonso Henriques estar, ali ,em Coimbra , depois de ter abandonado Guimarães (apenas um local de referência ,e nada mais ) .Nesse acontecimento, revelou-se a genial estratégia, que consistiu em « fugir» aos senhores feudais (seis ou sete donos de tudo, e cada um com maior poder que o próprio o Rei) vindo para Coimbra para procurar (e manobrar!) as ambições dos cavaleiros vilãos ,criando as bases de uma orgânica urbana, que tinha ainda em si virtualidades herdadas (porque preservadas) da cultura moçárabe,ainda então, recente . Assim começava a nascer um País,com uma cera identidade politica e administrativa ,embora com regiões(norte e sul ) profundamente diferentes.
Coimbra foi o ponto de partida para Santarém e Lisboa. Do contrabalanço a um poder feudal, restrito a uns poucos, substituído por um outro distribuído, em procura de uma identidade pátria .A mais velha da Europa.

O facto, é facto. Tem cronologia .
Mas o que envolveu o facto -o antes e o depois - ,foi o que marcou a nossa História.

Voltemos então aos cruzios .

No «Ílhavo –Ensaio Monográfico» -(percebe-se agora melhor o titulo?) dei conta que uma significativa parte da nossa zona estava na dependência daqueles. Fundamentais os elementos carreados por Madahil, para poder fazer tal afirmação.

Ora um aprofundamento desta questão ,ir-nos-ia revelar novas questões .E seria bom encontrar-se o rasto da herdade dos Templários em Vagos ,certamente contemporânea daqueles acontecimentos .Parece que D Afonso –não!.. não foi apenas o guerreiro indomável que nos impingiram – percebeu que mais importante que importar Ordens (Templários ,Hospitalários ,e outras que apoiou ) era «fazê-las» ,aqui. Simplesmente genial
Dado que nesse tempo as Ordens eram uma espécie de motores de desenvolvimento económico ,detendo toda a tecnologiapara a produção da terra , parece ser lícito creditar ao nosso primeiro Rei , uma visão de sustentabilidade para o País, com que sonhava. Uma espécie de "Plano Tecnológico" ,ao tempo.

Enfim ….montes de coisas para nos dizerem que pouco sabemos, ainda, dos nossos princípios .

Outros julgam saber tudo. Porque sabem nada ,de nada.

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A.T.L.

Vai por aí um barulho estranho .
Ílhavo a protestar?!Quando é que isso já se viu ?

Protestam, e com razão, os Pais .
Atabalhoadamente ou não –embora a intenção seja correcta –o Governo fixou que seriam as Escolas que deveriam, a partir de agora, fornecer as refeições às crianças .Lógico .Inquestionável, o princípio.

Compete às Autarquias , criar as condições para as fornecer .As refeições e os meios adequados para tarefa tão melindrosa.

Ora algumas autarquias estiveram-se marimbando para isso .Ílhavo, claro, na linha da frente dos que assim procederam .Como se a Autarquia nada tivesse a ver com isso.
Se fosse fazer uma obra de fachada, inútil e tola ,logo se atarefava para....Mas colaborar nestas missões para fazer um País diferente :

Vou ali disputar uma eleição e já venho…telefonem …

Chocante! : ouvir a Vereadora do Pelouro, dizer , nada saber sobre o assunto, pois que o Sr Presidente - escreveu-o a Comunicação Social - estava na Lapa a «tratar da vidinha» .
Então se isto já é assim, daqui para a frente ,como vai ser?!

À hora em que faço estes gatafunhos não sei como esta fotografia vai acabar. Talvez com Photoshop se retocasse a imagem, triste e desoladora ,real ,a preto e branco, do que é a politica local.

Voltei a ter razão ,no que insistentemente venho clamando.
Estas Autarquias não sabem –exactamente - qual é a sua missão, para lá de colaborarem com os «patos bravos» ,numa promiscuidade que fede.

Populismo barato ..de faca e alguidar!

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E O PS LOCAL ?


Espantoso .O PS local mostra-se preocupado com o «arranjinho de R E».
Mas sobre matéria de tanta importância:- caladinho .
Porque incapazes de lhe ganhar uma eleição , querem-no «longe» ,a todo o custo .Para ganhar na Secretaria. Querem que o árbitro mostre, a RE, o cartão vermelho.
E qual é o gozo...de ganhar assim ?
Não ,assim não! Confesso-me , dorido; não vamos a parte nenhuma.

Nasci Belenenses e hei-de morrer …azul. Mesmo perdendo, penso sempre que chegará o dia…
Encontrei-me socialista ,quando me apercebi que esse era o caminho correcto, para seguir .Vi um mundo de frenéticos ultrapassar-me, vindos da esquerda ou da direita .
Eu fiquei impávido e sereno .Não era ,não fui ,não sou …um Socialista do Partido.
O Partido faz asneiras? Corrija-se …
O Partido está à direita ? Mude-se..
Eu é que estou sempre aqui, no mesmo sítio.
Nunca precisei, nunca quis, sempre me desviei de toda a máquina partidária. Porque sempre nela vi arranjismo , barriguismo, pulhice ,q.b.

Mas tudo isso, não me impede de censurar os que pecam por omissão, quando se comprometeram a estar atentos.
E mais grave :
Fizeram-no perante mim.


Aladino

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...