sexta-feira, fevereiro 27, 2009


Curvas e contra curvas…

Nestas curvas e contra-curvas da vida, que umas atrás de outras vou rodeando (derrapando em algumas mais apertadas), não deixa de ser curiosa uma análise que ontem levei comigo para a conversa com o travesseiro. (Nesta idade já não costumamos levar mais nada para o travesseiro que valha….).Viajar agora no sonho…(sem limites ) é o que importa.

Num momento de crise em que todos estão a recuar, vejo-me envolvido num torvelinho de um intricado novelo, que me coloca, uma vez mais, a tentar resolver a quadratura do círculo.
De facto o CASCI é, neste momentoso tortuoso e sofrido da vida do País, um caso raro de postura.
Explico,
Por um lado – essa era a missão -urge alcançar um equilíbrio. Perceber a Instituição, tostão a tostão. Um exercício danado. Era preciso, custasse o que custasse, delinear uma metodologia que permitisse saber os porquês. Estamos hoje, finalmente, detentores do saber, como e por onde lhe pegar.E agora -como tive oportunidade de dizer aos colaboradores-é chegado, doa o que doer, pensar primeiro com a cabeça, sem deixar, contudo de decidir com o coração.

Paradigma perfeito(ou imperfeito,sei lá ..). Inequação, para a qual se exige um esforço de lucidez e uma postura de, depois de pesados todos os argumentos: -decidir. Go...Go!….
Claro que há coisas que vão doer. Mas se não as fizéssemos, a dor seria, um dia, irreparável.
Em simultâneo há que trabalhar outras áreas. A crise trouxe novos desafios.E se a primeira tarefa já era complicada, eis que a envolvência em desenhar novos caminhos nos veios desafiar.E há,já, quatro novos grandes Projectos a andar.E a toda a força. Qualquer um deles chegava para um exercício. Mas não há tempo para esperar. E como dizia a minha mãe: é o destino que vem ter contigo. Que se há-de fazer? (Mãe! :teria valido a pena pores-me aqui?)
E é verdade: uma vez mais não o procurei. Bem pelo contrário.
De repente, estão a ver a fotografia: aí vem o touro desembolado. Fugir? Agora?
Estou como o «pegador» : acagaçado, mas armado em valentão, agora mais vale fazer peito ao bicho que lhe virar o rabo.
Estou como o outro

A um touro feito de pau.não importa virar-lhe o cu
Mas um touro embalado…vai-te lixar, vira-lho tu

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Tens medo? Empresto-te o meu cão…

Este sentimento de chegar ao fim de um dia e assinar ordens de pagamento salariais de 28.000 contos! (150.000€), finda a libertação da preocupação que o antecede, permite um olhar interessante sobre as curvas (veredas) da vida.
Esfalfa-se um peregrino, dia e noite. Não para trazer para casa o salário do mês -que eu entregava religiosamente intacto em casa !-, mas só para ter tudo em ordem para que os outros o levem,no dia certo.
Ele(eu) -o peregrino - ainda se diverte a pagar a gasolina e o carro do seu bolso (e até o raio da multa da GNR por ter o carro parado no local do CASCI).
Lembra-me a definição de um ginecologista: -o tipo que trabalha o local onde os outros se hão-de divertir.
Mas é verdade. Não deixa de ser curiosa esta sensação de que a vida poderia ser assim: necessidades satisfeitas, trabalhava-se de borla.Na vida o que me deu sdupremo gozo foi trabalhar de bortla Deu-me sempre uma superioridade moral que compensou o esforço.
O mundo seria bem diferente, acreditem. O trabalho deixava de ser chato, uma condenação. Tornava-se um exercício -um desafio - onde se pugnava, não pelas caneladas a prodigalizar ao alheio, mas para nos distinguirmos pela qualidade do nosso esforço.
Sim! …: para sermos avaliados. De todas as maneiras e por todos os ângulos.
É por causa disso que me irrito com uns medricas que andam por aí, de panos ao léu, nas ruas….
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Viver ou fazer de conta…
Se eu quisesse pintar um quadro que retratasse a vida mais inquietada do mundo ,emoldurava um retrato qualquer, meu.
Estava feito!
Deixem que explique…,
Ingerida dia após dia a mesma comida, até a vitualha mais deliciosa acaba por enjoar. Com o passar do tempo, a vida que atrai, enche-se de insipidez, torna-se desenxabida .
Então tens de decidir : viver ou fazer de conta…
Desculpem,pois, lá, qualquer coisinha : ver assim as coisas ajuda….Oh! se ajuda…
Raios : para quem passou a vida a carregar o fardo de uma monstruosa imaginação, não custa de vez em quando sonhar que houve instantes de fugaz deleite.
Acordar e não saber se sou eu a sonhar com borboletas, ou se sou uma delas a sonhar comigo,ainda vale a pena.Por isso quero lá saber.Continuo como sempre.

Amanhã se acordar que seja a sonhar com a mais bonita e colorida borboleta do mundo .Se não sacordar....não tenham pena...morri de gulodice...
Aladino

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Sigo ao colo do vento



A vida o que não diz, mostra

Não na epiderme mas no silêncio interior

Na mudez da sombra

Ou no silêncio das pupilas já gastas,

Onde pouco a pouco nem sequer há chama.

Chegado o inverno

olho para mim e não dou comigo

Corro sem correr

Corro sem saber

Sigo ao colo do vento

Á espera que chegue o momento.


SF (Fev 2009)

domingo, fevereiro 22, 2009

A crise…ainda vai no adro.

Continuo a olhar para o País e vejo-me como num filme HitchcoK :ninguém sabe como isto vai acabar .Parece que ainda por aqui. ninguém percebeu que a crise ainda está só a chegar e que, aqui ,como por todos os lados não se conhece ainda, minimamente, a sua extensão .É incrível como não se percebeu que neste momento estamos em pleno efeito dominó. A queda de uns arrasta de imediato outros.
Obama avisou que a não ser aprovado o programa proposto ao Senado ,(eles americanos) poderiam estar perante uma catástrofe .
Ao contrário, aqui, uns pensam (?): com a desgraça deles posso eu bem …
Erram ,claro: tudo o que suceder nos EUA reflecte-se de igual modo (e com mais virulência) na Europa(no mundo inteiro),e a catástrofe será geral.
Hoje Louçã – um demagogo que sabe que mente, não por ignorância mas por acto de pretender ganhar votos a qualquer preço – comparava a situação do País em 2005 com a do dia de hoje. Perfeita imbecilidade num ignorante. Despudorada falta de seriedade num dito «professor» de Economia.
O País nada mais pode fazer do que ir respondendo por reacção á crise, tal como está
acontecer em todos os Países. Claro que o ideal era responder por antecipação. Mas
como fazê-lo se não se sabe o que vai acontecer amanhã?
Acabar com o capitalismo? Para isso era preciso que todos o quisessem, e todos reagissem do mesmo modo. Mudando-o ou corrigindo-o. Só que as gerações actuais não aceitariam o regredir de bem estar que foi alcançado nos últimos decénios, a não ser …
E neste «a não ser que» …é que pode estar a tragédia, quando se acordar tarde.

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O Caldo de Feijão ,continua a ser iguaria

O grupo do caldo de feijão reuniu de novo, como habitual.
Um excelente caldo – portentoso, soberbo. Antecipado por um cardápio de iguarias: moelas in su sauce ,orelha grièe à provençal,e uns petits crocks de cod como já não se comem em parte alguma. Asseguro eu.Que na matéria (bolos de bacalhau) sou entendido.

Mas estas reuniões têm uma particularidade interessante .O palestrante (palestra informal ,tipo conversa) foi desta vez o Prof Trincão, director da «Fábrica da Ciência Viva». Não o conhecia, mas fiquei com a ideia de ter tido uma oportunidade de conhecer uma figura muito interessante, um homem dedicado a uma paixão ,vivendo-a com muita intensidade. Dando espaço para a discussão, embora defendendo os seus pontos de vista com muita convicção.
Diga-se o que se disser a verdade é que nestes últimos tempos o País tem galopado a onda da Cultura cientifica. É uma aposta ganha, se continuada. O êxito deste País passa exactamente por aí. A ciência deve passar a fazer parte da vida quotidiana dos nossos jovens, compensando assim ao desinteresse das ideias teóricas, que deverão ser urgentemente vertidas na observação das necessidades práticas. Aos jovens deve ser incutida a curiosidade do espírito moderno, onde a ciência tem lugar primordial. Esse esforço deve ser feito tão cedo quanto possível.
O« Magalhães» foi uma ideia brilhante. Alguns peralvilhos pensavam que a ideia só seria brilhante se o «Magalhães» fosse fabricado em Portugal . Como se o HP fosse feito nos EUA, ou o Toshiba no Japão.
As nossas capacidades se bem dirigidas levar-nos-iam a um ponto cimeiro da comunidade cientifica europeia. O País deixaria de vender mão de obra ao quilo para vender gramas de saber( pagas a peso de ouro).

A cultura cientifica é o único instrumento que permitirá acabar com a pandemia de incompetência que (des) graça no País; a cultura cientifica levará as próximas gerações a não a aceitar(a contragosto) uma avaliação de competências ,mas sim, a exigi-la. A cultura cientifica não permitirá que numa Democracia, a Justiça ,pura e simplesmente faça de conta que existe. Porque tardia e a más horas.

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Mas…
O mal, porém, nos dias de hoje, é , logo que algo se começa a destacar, logo aparecerem os instalados (incultos) a se esforçar para que abrande o protagonismo que lhes começava a ser incómodo, por chocar com os interesses corporativos instalados.
Parece , ao queali foi dito ,que a burocracia instalada na UA, começou a olhar de soslaio para o protagonismo da« Fábrica de Cultura». E aquela começou a borregar nos apoios.

E os lideres autárquicos -só alguns felizmente - logo pensaram fazer «Casas de Ciência», em cada Concelho como aconteceu com os «Centros Culturais».

Depois seria o que se vê. Ciência de pacotilha, tal como a Cultura servida nos ditos.
Tenho fé que a cultura cientifica ,numa próxima geração ,acabe ela também com estes Autarcas de pacotilha.
Aladino

domingo, fevereiro 15, 2009

Não me resigno.
Mesmo que seja um confraternização exaltada de impotência


Que fadário estranho, este meu modo de vida.
Parece que a corro -e se corro! - Deixando pedaços de mim esparramados por esse fadário corrido.
Por vezes mais parece que nem sei pousar o carrego para poder gozar a beleza de um minuto eterno. O meu desassossego impede-me que pouse a trouxa sobre uma cachoeira qualquer. Pareço estar impedido de o fazer, por uma força qualquer de atracção que me atira e impele, a não parar.

Este deixar-me em pedaços, retira-me a veleidade de me dar a qualquer coisa de um modo mais consistente do que aquilo que estes rituais cívicos mo permitem. Insatisfeito ou contrafeito, o certo é que me não desligo desta natureza humana que encarno.

O CASCI choca-me .Perturba-me.

Ali está a efemeridade da vida em toda a sua expressão e dimensão. Olho para quase todos e de quase todos me lembro, ainda o tempo era criança, a vê-los galopar a vida ,pareciam imortais. Mas a natureza encarregou-se de os devorar. E agora parece que se alimenta ao mantê-los ainda vivos numa existência morta.
Eestão ali á «espera»; e eu de manhã, também .À espera do telefone a dizer-me :- olhe há outra vaga.E tem sido assim . A ceifa .Outra e outra …e eu olho atónito, os nomes começam a já nada me dizer e quando ao fim da tarde procuro com os meus olhos ,olhar para os resistentes, parece que de repente me desencorajo,como que dizendo : -sabes lá se «este» será um dos de amanhã.

O meu desassossego aumenta ; incomoda-me aceitar resignado este pesadelo .E procuro mentir à vida. Vão por isso começar desde já muitas iniciativas para Lhes arrancar um sorriso ,por tarde que seja.O tempo passa, mas eu quero ter tempo de ainda lhes arrancar um sorriso.
Eu sei que o tempo é como o vento : passas pátrias e fronteiras, nada o detém. Mas ele vai ter de parar aqui, por um bocadinho que seja.
Mesmo que seja um confraternização exaltada de impotência. Mesmo que seja batota.
Não me resigno.
ALADINO

quinta-feira, fevereiro 12, 2009





A Sócrates o que é de Sócrates…

Passeava Sócrates no passos perdidos do agora pátrio ,quando dele se abeirou um camarada esfogueado ,com evidentes sinais de ter estado muito perto de um estado de apoplexia fatal. Sócrates perguntou-lhe :-Que te aconteceu ?
Mestre responde-lhe o discípulo ,«acabei de escutar terríveis insultos á tua pessoa e tive de te defender ».
Sócrates sorriu e pondo-lhe a mão pelo ombro levou-o consigo, dizendo :
-Mal feito! acaso também responderias aos zurros de um asno ?»
Moral da história :
Poderia ter sido com o nosso Sócrates. Mas não foi .Foi na Grécia dos filósofos. Pena….

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CAVAQUICES…

O nosso Presidente Cavaco não prima por uma grande empatia com a cultura. A gaffe do Thomas Mann vidè Thomas Moore ,foi monumental .



Agora conta-se que quando acabou de assistir a uma récita do« La mer» de Debussy cujo titulo era «Desde o amanhecer até ao meio dia no mar».Quando lhe perguntaram ,no final se tinha gostado ,logo respondeu :
«Eu cá e a minha Maria o que gostámos mais foi do trecho das onze menos um quarto»



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Ainda a Aventura do RAMBO

Afinal o meu cachorro foi ter a casa amiga .Só hoje o soube.

A senhora, amiga, viu um cão tão mal encarado que chamou um homem para ver se o prendia, não fosse ele fazer asneiras. Ficaram impressionados e temerosos, porque o« Rambo» resolveu fazer cara de mau(tem-na por natureza) e ladrou .Parece que tiveram que chamar a GNR .Que também se não aproximou muito. Certamente nunca tinham visto um bicharoco tão mal encarado.
Pobre Rambo .Ele estava é cheio de medo a fazer-se forte.

Vamos à história :o «Sharpei » era a raça canina mais conhecida e estimada na China. Eram cães de luta – como os galos -, respeitados e criados como campeões. Tratados como deuses.
Veio o tempo da fome .E dada a sua corpulência ,serviram para a sobrevivência de milhares de chineses .Praticamente a raça extinguiu-se .No final do século um europeu resolveu in extremis proteger os que ainda existiam e conseguiu evitar a extinção da raça .E hoje os SHARPEI são objecto de culto .Os meus vieram da Polónia, um centro europeu onde se recuperam estes exemplares. O «Rambo» tem uma pelugem azul ,o que o torna ainda mais raro.




MRS PIGGY



A história teve um happy end.



Aladino

quarta-feira, fevereiro 11, 2009






Curso de Pilotagem 1900

Histórica esta foto do curso de pilotagem de 1900.Dos primeiros que a partir dos finais do século começaram a permitir que muitos «moços de bordo» , com a prática obtida a bordo iniciada na adlescência , com conhecimentos escolares que não excediam a 4ª Classe, depois de atestada a prática metiam explicador para obter umas noções básicas de trigonometria,cartografia e outras matérias,para,após exame obterem carta que lhes permitia ascender aos lugares de pilotagem .

A fotografia permitiu a identificação de muitos «pilotos» que mais tarde foram grandes capitães da Faina Maior , que por aquele tempo, de novo, tinha chamado os armadores portugueses (ver «Nas Rotas do Bacalhau»).Regressava-se assim aos Grandes Bancos . A navegação era já carteada ,pois com o conómetro era já possivel conhecer-se o calculo da longitude,ao contrário dos pescadores do séc XV/XVI que apenas navegavam por rotas de latitude conhecidas.

Curiosa a foto.Nela os jovens oficiais empunham simbolos náuticos que só por si identificariam o academismo do grupo.

Abaixo a identificação dos fotografados.
Aqui se deixa este documento histórico ,enviado por pessoa amiga.

Aladino

segunda-feira, fevereiro 09, 2009



A Rádio Terra- Nova .
Como em «pequenas coisas (?!)» se reconhece a sua importância (e o grau de atenção que lhe é concedida).

Os dias ,as horas, tornaram-se muito mais sombrias quando terça-feira(dia 3) dei por falta do meu cão «Sharpei».

Não é um cão vulgar. Diz bem comigo -dizem! - pois parece continuadamente com uma cara de «chateado»-então não é assim que me definem (?!)– tem um ar indisfarçavelmente atento a tudo que se passa á sua volta. Quase chateia por ser tão fiel ao dono, ao se empastar em nós, não nos concedendo um minuto de folga. De uma meiguice melaça


O RAMBO


Mas a fidelidade tem sempre … sempre… termo certo. E o «RAMBO», assim foi pomposamente crismado, resolveu dar uma escapadela.A Piggy ficou só e tive de a trazer cá para baixo.


Desesperei de o ver de volta. Irritou-me o seu acto de infidelidade.(Éé dos livros).



«Melaço»

Mesmo que nunca o tenha amarrado – o certo é que lhe dei pouco espaço .E como sempre sucede nestas coisas, isso é fatal. Mas mesmo assim -como sucede em casos humanos - dispus-me a desculpá-lo. O que eu queria era vê-lo de volta.


Corri , corremos :- tudo .Dia e noite andámos numa roda viva para o trazer de volta. .
Quase envergonhado contactei a Rádio Terra-Nova, a saber se era possível dar um alerta para o desaparecimento do cão. Fi-lo um pouco envergonhado, pois nem sabia se não seria um abuso.


Mas logo recebi um mail a informar-me que descansasse, que o aviso iria ser difundido.

Há pouco(dia 5) recebi um telefonema de uma colaboradora daquela rádio ,informando-me que tinha com ela o Rambo para mo entregar.

O encontro foi indescritível .Maluqueira dele. E minha. As pazes estavam feitas.

Nem me lembrei de perguntar o nome à colaboradora da Terra-Nova. Mas já a identifiquei Foi à D.Isabel, que foi entregue o« Rambo», após o apelo da TN.E com ele aguardou a minha chegada.

Moral : a extrema difusão da Terra –Nova, ficou uma vez mais provada. É hoje um elo fundamental que une a comunidade concelhia, merecendo e justificando uma atenção permanente. Liga-se de manhã o rádio, já sintonizado na frequência dos 105 FM. Ou chega-se ao carro e logo salta a Terra-Nova com a actualidade ,nacional e local.

Hoje a Terra-Nova foi útil num caso de menor importância (para os outros, que não para mim ).Fácil ,contudo ,é perceber como é essencial ter um órgão de Comunicação com uma tão forte penetração, e em tempo real. De real importância para a comunidade. Por isso a TN é uma espécie de bem colectivo que urge preservar.
Cumpre-me agradecer a todos a satisfação que me proporcionou. Sempre reconheci a sua importância e sempre aplaudi a vontade instalada naquela casa de manter a pretensão de fazer o melhor, continuadamente.
A todos quantos lá trabalham muitos mercis como dizia o outro.

Senos da Fonseca


PS .Incontáveis- e indiscritíveis- os telefonemas e mails que tenho recebido, a saber do cão e da odisseia relatada pela TN que teve espaço para dar a boa nova do seu aparecimento .Esta « Rádio Terra -Nova» é mesmo um studdy case.Numa terra de indiferentes há algo que funciona.HELLAS

sábado, fevereiro 07, 2009


O«DESERTAS»

Um amigo fez-me chegar á mãos um interessantíssimo livro sobre o salvamento do «DESERTAS».


O «DESERTAS»


Lido, percebi então muitas coisas que anteriormente me tinham deixado imensas duvidas.
No livro que tenho para edição-200 anos da Costa-Nova- existe um capitulo sobre o acontecimento do «Desertas» .Tenho de o alterar e melhorar .Este livrinho agora lido é de facto um verdadeiro historial da técnica utilizada e dos acontecimentos que quase conduziram ao abandono do projecto da sua recuperação.
Voltaremos ao assunto...

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IMAGEM SOBERBA

O Cap Manuel Machado presenteou-me com esta excelente foto da pesca do bacalhau.



ICEBERG



Bonita a grandiosidade do iceberg quando comparada com a reduzida expressão daqueles dóris que parecem estar ali ABOIADOS . A paz de um mar em dia de descanso .Uma luz que invade o ambiente conferindo uma beleza sinistra ao monstro, se pensarmos o que seria um encontro nocturno com tamanha montanha branca.


Inevitável que não nos venha á mente o TITANIC.E a propósito deste tenho ai, algures uma publicação (adquirida recentemente) com a história daquele príncipe (apenas rei por uns curtos dias)dos mares.
O livro clarifica os erros constatados na sua construção que levaram ao seu afundamento ,julgado e garantido ,como impossível .Mas também esclarece pequenas curiosidades: parece -afinal !- que aquela da orquestra a tocar no deck enquanto o navio se afundava, não ter passado de um conto …Tenho de ver se encontro o livrinho.
De qualquer modo, é verdade. Tudo isto me veio à ideia depois de ler os Blogs de AML( Marintimidades.blogspot.com) - sobre o TITANIC.

Interessante, a estória das colheres, que eu sabia andarem por aí .


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O ALMIRANTE ZHENG HE (afinal a história não é bem a que pensávamos…)


E já que estamos de viagem ....

Vasco da Gama quando depois de dobrar o chegou á Índia em 1498, espantou-se com a falta de «espanto» daquelas gentes que não se sentiram nada impressionadas com a grandeza de os navios da Armada – afinal tão pequena - nem com o facto de os seus rostos –indiciando novos povos - tenha sido objecto de grande reparo.
E as gentes indianas nem sequer demonstraram grande admiração –e ou até apreço- pelas prendas oferecidas pelos portugueses,afinal umas sedas e berloques que eles conheciam de há muito.
Atónitos os portugueses souberam afinal que uma outra grande armada ,comandada por um tal almirante Zheng He,já ai aportara uns tempos antes ,e teria até visitado a costa oriental de Africa.


JUNCO CHINÊS


Sabe-se hoje que o grande Almirante comandando uma grande frota –a Frota do Tesouro -entre 1405 e 1433 fez diversas viagens por todo o Oceano Indico ,visitando Mombaça ,Malindi e Mogadishio, na costa oriental africana. Esta armada foi composta pelo numero impressionante de 317 navios ,embarcando 27.000 homens. Por essa razão gentes e navios de Vasco da Gama pareceram insignificantes. Só mais tarde perceberam-Afonso de Albuquerque encarregou-se disso !- que mesmo poucos, eram temíveis. Muito mais que os chinos.


O itenerário de Zheng He

O almirante Zheng He, faz hoje parte da mitologia chinesa.Foi-lhe dedicada uma tumba de tipo islâmico ,erguida em Nanking em sua memória ,pois que Zheng faleceu no mar,no decurso de uma das suas viagens.Zheng é hoje considerado um dos grandes heróis da história china.

Curioso é ter aparecido um m apa mundo ,que exibido em Shangai em 2006 ,se afirmava ser datado de 1763 e se assegurava ser cópia de um outro de 1418.Aser verdade a história do mundo teria de ser recontada de novo .De facto ainda por cima o mapa já designava o continente americano por «América» IIsto significaria que 23 anos de Americo Vespuccio ter nascido (1451) já existiria a designação América.

MAPA MUNDI de 1418(?)


Afinal podemos sossegar. Tratava-se,afinal , de uma fraude, pois verificou-se que o mapa era cartografia típica do sec XVI a XVIII.

Aladino

domingo, fevereiro 01, 2009


POBRE PAÍS



Pobre País este. O nosso! Numa hora em que precisava de se unir no essencial ,cometem-se á vista de todos–e para gáudio de muitas e poderosas corporações - verdadeiros assassinatos públicos.

Insiste-se, ainda que sem provas, que fulano é culpado. E para «prová-lo»,todos os dias se assiste ao pregão publico de mais umas tantas fugas de informação pingadas a conta-gotas(para durar) insinuando perfeitas patetices com que uma corrupta e pervertida C.S. tenta, a todo custo ,vender papel, e ou imagens do mais puro sensacionalismo ,para assim se safar da crise. Há raciocínios delirantes, que caíriam por terra a um primeiro embate.

A porcaria enoja.
Há provas? Meta-se o tipo na cadeia
Não há provas ou sequer suspeitas ?
Metam-se na pildra estes amadores de jornalismo, faça-se-lhes uma limpeza á túrbida bílis que destilam, libertem-se os ditos chocarreiros dos humores raivosos que os enfurecem e só depois lhes voltem a dar uma pana..
Oh…como era interessante voltar-se ao tempo da justiça de Fafe.
Mas então a Comunicação Social faz de Tribunal e julga na Praça Publica?
Vã glória destes miseráveis de carácter.

Afinal a Inquisição era mais ou menos coisa semelhante: não era por gosto de fazer um churrasco humano que se mandava um suspeito para a fogueira. Era apenas para nos defender do contágio – dizia-se. Agora o argumento é, mais ou menos, o mesmo.

No meio desta gentalha distingue-se um novo Tosquemada: na SIC um irmão de um conhecido politico, elabora os mais delirantes argumentos para provar que não há suspeito mas sim um culpado. Irmãos daqueles são como os primos do apregoado suspeito. Livre-nos de tal sorte…familiar .

À fogueira…à fogueira ..já

Esperem-lhe pela volta.

sábado, janeiro 24, 2009

(Este Blog sederia ter sido publicado em 22.01.Por avaria só agora segue)

OS SETENTA

E chegaram
Nesta insípida noite
Os setenta anos de uma vida
Atribulada,
Marcada pelo sonho
Desmedido.
Bonita de ser reinventada


Cinquenta primaveras.
Mais os vinte Outonos
Fica a sensação
De que neles tudo valeu
Até a indisponibilidade
Para ser outro
Que não eu.


Senos Fonseca (22.01.2009)
(Por avaria este Blog que deveria ser editado em 22.01,só hoje o pode ser)

A «indiferença» dos setenta


E pronto …quase foi preciso lembrarem-me que os setenta chegaram.


Nunca me passou pela cabeça chegar tão longe , porque sempre entendi que esfarrapando-me todo ,em tanta e tão variadas coisas,obrigatoriamente teriam de deixar marcas e mazelas, enormes.Era certo –pensava – que mais cedo do que tarde ,«isto ia-se».
E o curioso é que tive, sempre, a sensação que todos á minha volta pensavam assim. Por exemplo a minha mãe, andava sempre a querer que eu lhe desse ouvidos : não tens juízo, não te poupas ,metes-te em cada uma como se fosse a ultima coisa a fazer ….


Tinha programada há meia dúzia de anos um progressivo afastamento. Pretendia que uma parte de mim, costumada e abusivamente utilizada para situações complexas, fosse completamente esquecida. Afastado contava que já ninguém ousasse bater-me á porta. Esse tipo de coisas já não era o que gostava de me envolver, e julgo que tinha sido percebido pelos mais próximos .Remetido aos meus livros vivendo em inteira liberdade, queria afastar-me, lenta ,de um modo discreto mas inexorável, dos outros. Devagar era certo, mas afastar-me…
Pretendia refugiar-me numa certa intimidade , a pensar que tudo passaria a ser vivido numa paz interior. Desejava pois intimidecer. Ficar só, comigo mesmo, sem que ninguém tivesse nada a ver com o progressivo desencanto que a vida, chegada aqui, me faria certamente sentir . Nesta altura do campeonato tem, necessariamente, de se saber perder….
Coisa que eu nunca soube ou quis admitir e muito menos aceitar.
Para mim, anteriormente, viver era sentir-me nos outros; ora o certo é que aqui chegado já começavam a rarear aqueles que me diziam (ainda) qualquer coisa.
Mas o certo é que não sentia cansaço. Nem tinha ou sentia amargura -ou se havia ela não passava de um sussurro só para mim. Só amargo, o que é bem diferente.
Nem desilusão,sequer. Desiludido porquê ? Tinha feito o que me competia e até o que me não competia ,e portanto aceitava que as coisas acabavam como tinham de acabar ; a vida –faz parte das regras -,é impiedosa, e eu fui um felizardo que não me deixei vergar á sua impiedade. Eu é que já começava a não me sentir impiedoso para com ela ; e por isso o melhor era retirar-me de cena, e tentar vivê-la de outro modo.
Nem um queixume, pois, para lá dos desabafos no papel.


E eis que de repente tudo mudou. E a vida me voltou a me desafiar, como pretendendo encostar-me às tábuas. Foram tantos os motivos com que me pretenderam dourar a pílula que até me foram dizendo -que eu até estava muito bem …para a idade que tinha…Escusavam de ser tão beatíficos . Eu sei melhor que ninguém as mazelas que vão por aqui.
Podiam só e simplesmente, me dizer : olhe tem de ser . Que eu - porra!...não fugia. Ou pensariam que tinha medo da tarefa? Não! ; eu tinha(e tenho…) medo, é de mim
Contava a minha mãe que quando eu era miúdo e me diziam: olha joãozinho que vem lá a côca…todos ficavam espantado por eu me rir … alarvemente. Então um dia perceberam que eu entendia «Sopa..e não Côca .

Apetece,hoje, perguntar: a vida teve sentido?


Para mim teve, e muito. O sentido de a viver marimbando-me para o consentimento dos que pareciam desejosos de mo dar..só para que eu fosse(apenas) mais um, metido entre os varais da conveniência .Ora era isso que eu não queria de modo nenhum.

E querem uma confissão absurda ?!:
olho –ainda! -para a vida com o mesmo encanto –e deslumbramento –com que olhei para o primeiro corpo amado que desnudado me pareceu um mundo infindo de prazeres desconhecidos, que ávida e loucamente tinha necessariamente de descobrir por mim mesmo ,fossem quais fossem os riscos, ou as consequências a pagar pelo atrevimento.
Encanto por achar o que ela (vida) é:- magana. No inicio desafiadora .Tem uns olhos bonitos que sorriem, doces, e uma boca carnuda, túmida que entontece. Só que se nos deixamos convencer pelos encantos, não nos resguardando das tentações, logo perceberemos que somos barco perdido no mar ,endoidados nos furacões, sem saber –ou sem poder – atinar com o rumo certo .Escorraçados pelo olhar que vira feroz, comidos pela bocarra que nos mostra a dentuça, afilada.
É certo que eu brinquei pouco na vida (que raio !... nem foi, de verdade, tão pouco assim..,convenhamos).Mas ela também não brincou comigo.

Aqui chegados, estamos pois, quites.


Senos Fonseca (22.01.2009)

quinta-feira, janeiro 15, 2009




RÓTULOS DE IGNORÂNCIA OFENDEM ; A HAVER, SÓ DOS PALRANTES.



Ontem , dia 11, a Câmara Municipal de Ílhavo, deu (deu mesmo !) atodos os que ao engano foram para celebrar a edição de um fac-símile do Foral Manuelino ,outorgado em 1514 a Ílhavo.
De louvar o esforço da Câmara de promover mais uma edição da dita carta de Foral; mas de louvar também todos aqueles que, pretendendo receber á borla um livro –como logo de inicio foi, á cautela, anunciado -, aguentaram dura e pacientemente, durante mais de duas horas, uma sessão apologética da figura –por vistos inigualável –do condutière que a previdência(divina?!) concedeu a Ílhavo, para tão bem lhe gerir os destinos. Ali, durante horas a fio ,primeiro pelo próprio, depois pelo «amigo» da CCCR, foi repetida e incansavelmente glorificada a boa sorte de Ílhavo.


Durante a apresentação do Livro do Foral, quer a «pivot»,quer depois o introdutor histórico Prof. Saul Gomes ,pareceram insinuar, ou deixar a ideia, de que tal facto histórico(o Foral) era desconhecido em Ílhavo, e que só agora graças aos esforços desta Câmara ,e ao grandioso(sic) trabalho de investigação(?!) dos autores, era finalmente conhecido, e desse modo concedido (finalmente!) aos cidadãos ilhavenses o privilégio de o ler.


Tal só poderia ter acontecido por pura ignorância dos falantes sobre a matéria. De facto o Foral já foi publicado –e por diversas vezes .Não tão pomposamente, é certo. A nova re- publicação só poderia merecer citação especial pelo facto de ser feita com dinheiro dos contribuintes concelhios (o que diga-se desde já não é reprovável em nosso entender), e por isso poder ter a forma espectacular (gráfica)
Parece pois que com ou sem intenção, se fez perpassar a ideia da ignorância das nossas gentes sobre matéria da sua história. Ou será que os próprios de facto o não sabiam?
A verdade é que o conteúdo do Foral leva quase cem anos da sua primeira publicação(1922) Mas não podemos deixar de apontar uma outra inexactidão, ao que lá foi dito, pelo Prof.Saul: .

Vejamos : no nosso livro« Ilhavo Ensaio Monografico (Séc.X-Séc.XX)»






1- Transcrevemos na integra o Foral (pp515)
2- Mas mais -e aqui sim parece-me necessário realçar sem falsa modéstia - fomos muito para lá dessa transcrição (em verdade já feita anteriormente por Rocha Madail ,em ILLIABUM ;e nos «Documentos Históricos do Milénio» de Aveiro ).No referido livro, feita uma leitura a Forais concedidos na mesma altura (1514) a outras localidades próximos (Vagos ,Eixo ,Esgueira, Requeixo, Aveiro etc),realçámos alguns aspectos singulares do Foral de Ílhavo .E julgamos que ainda mais importante do que essa leitura -aliás como deve ter sido notado pelos que estiveram presentes e conheciam o livro -,serão as 9 questões interpretativas resultantes da referida leitura (do Foral) que a nosso ver são preciosas para clarificar muitas das realidades da urbe e suas gentes ,naquele tempo. Ler não basta .Deduzir, perceber e interpretar é que é difícil (ou dá trabalho)

Transcrevemos para melhor percepção do que queremos dizer o cap 6 do ENSAIO MONOGRÁFICO:

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Capítulo 6

O Foral de D. Manuel I - 1514

O Foral de D.Manuel I concedido a Ílhavo, em 1514, por D. Manuelem 1514,, insere-se no conjunto de Forais Novos outorgados pelo Monarca que assim visaria , responderndo às reclamações havidas em reinados anteriores (D. Afonso V e D. João II), contendo queixas, protestos e denúncias das Populações , referindoentes a abusos praticados pelos Senhorios, Ordens ou Funcionários régios, em terras onde já existiam forais concedidos em reinados anteriores, ou noutras que ainda nem sequer teriam merecido a atenção da Coroa para fiscalizar o que ali se passaria. D.Afonso V que teria instituído o privilégio de impedir a entrada dos Corregedores nas terras dos Senhorios, teria prometido nas Cortes de Coimbra rever a referida disposição, dadas as queixas das populações sobre os abusos praticados por aqueles. D.João II manda recolher todos os forais; e e será então, D. Manuel, que irá instituir os Novos Forais Novos, estabelecendo como critério geral, uma maior intervenção da coroa através das «correições», que, por norma, passam então a ser reserva do Real Senhorio, pretendendo assim acabar com «estatutos políticos concelhios», para o que ordena a sistematização de um conjunto de regras aplicáveis que passaram a vigorar em todo o território Nacional.


Fundamentalmente um FORAL, era um acordo celebrado entre o Rei -, primeiro outorgante - (que garantia a defesa e a segurança das populações), o Senhorio, Senhor ou Ordem, - o segundo outorgante -, e um terceiro outorgante - O Povo, pelo qual o rei «garantia» o cumprimento de obrigações militares e fiscais em troca de determinados rendimentos para a coroa. Era, poisassim, um contrato de «interesses comuns», com o qual se “procurava fortalecer o elo de ligação entre o Rei e o Povo, na prossecução de interesses mútuos”.

O que se diz, justifica o aparecimento de uma larga concessão, (em datas semelhantes ou próximas), «de forais» a toda uma série de localidades vizinhas do nosso Concelho (Aveiro, Eixo, Requeixo, Esgueira, Vagos, etc), incluídos numa reforma que ocuparia durante 25 anos, desembargadores, vereadores, homens bons, oficiais das contadorias, almoxarifes, escrivães e calígrafos, isto é, uma substancial parte do pessoal da Chancelaria do Rei, durante cerca de vinte e cinco anos. Tal como nos restantes, no Foral de Ílhavo, o escrivão foi Fernando Pina que aparece citado na redacção do mesmo , quando se lê: “registado no tombo, Fernam Pyna”, Cavaleiro da Casa Real, Presidente da Comissão da Reforma, e que seria quem , normalmente, redigia as últimas linhas de cada foral - como acontecido no nosso caso - e assim confirmava o mandato régio.

Estas disposições relativas aos concelhos vizinhos, apresentam características comuns - dada a especificidade geográfica e económica sobre que se debruçavamem que se integravam - constituindo como que «uma pequena família de forais».


Até à data da extinção dos forais pela lei de Mousinho da Silveira de 1832-34, que revogou foros, censos, e todas as prestações impostas por forais, a extinção da dízima, a abolição de pequenos Morgados -, visando a reorganização das finanças públicas, da justiça e da administração -, foram efectuadas várias «correições» - cuja capacidade o REI guardava, de entre outras, especificamente para si - as quais deveriam ser objecto de registo no documento do Foral. Muitas das mesmas, fixadas para Ílhavo, estão registadas no original do Foral existente na Câmara Municipal.
Um outro tipo de estudo, - que não este que nos propomos fazer -, efectuando uma comparação à «família de forais» concedidos (à época) a lugares vizinhos, (apenas fizemos uma leitura atenta aos forais de Aveiro, Vagos e Eixo) deveria ser muito elucidativo, pois permitirria avaliar graus de desenvolvimento comparados, dos quais, certamente, se extrairiam elementos preciosos para focar a realidade concelhia regional, ao tempo.
Entretanto , uma leitura pormenorizada que fizemos ao Foral concedido a Ílhavo, é já em si muito reveladora, suficiente quanto basta,, para dela retirar - e supomos que pela primeira vez - algumas importantes conclusões.
Vejamos, sob o ponto de vista da fiscalidade - fixação das taxas e sua recolha, isenções e castigos atribuídos - as curiosidades trazidas pela redacção do Foral, relativo a:

MARINHAS - De cada talho, pagar-se-ia um búzio (*2) búzio era uma medida de sal) (ver ANEXO), (como em Aveiro), fixando-se que as entregas deveriam ser feitas “no celeiro do Senhorio” [1] e não fora dele.

(*3) Os forais abrangiam todas as actividades mesmo para lá do cultivo de terras, as prestações e eram pagas as prestações no celeiro do senhorio, que no caso de íÍlhavo, se situava em Verdemilho.

LINHO E VINHO - “Pagava-se a oitava” [2]

TRIGO - “Pagava-se uma eirada” [3] - doze alqueires por casalle.

MILHO (estreme) - Pagavam-se seis alqueires por casalle.

CASSAES - Pagavam-se dois capões

PEIXE - de cada barco que “vier cô pescado se cheguar a doze peixes” pagará UM. Se não chegar não pagará nada. O peixe do rio pagava um real, se fosse para venda.

PESCADO E MARISCO - Pagavam-se quatro reais “de carga mayor”; mas se “se tirar do lugar”, só pagava um real de seis çeptis.

Nota: Os Tabeliães não pagariam imposto.

MANINHOS - Eram livres de serem tomados por quem “os quê quer” devendo contudo verificar-se se essa concessão não iria provocaria “danos nos vizinhos”

MONTADOS - é uma constatação importante, o saber-se da existência destes em Ílhavo, dada a importância que representavam para a população. E deveriam ser significativos, pois, concede-se a liberdade da sua utilização “se nâ leuam húus aos outros… porque estam em vizinhança” salvo com os de Vagos, “por rezõoes que a jsso alleguam” na “comtêda” que deverá ser esclarecida - infere-se da leitura…

CARREIRAS [4] - Fará “uma por ano” qualquer morador da “villa de milho e de ilhauo e alquidã huua carreira” num dia
(*4) Tratava-se da ração, quota de aforamento que oscilava, sendo frequente fixar-se a quarta para a produção das terras do campo e a oitava para vinho e azeite.
(*5) outro tipo de ração
(*6) Tipo de serviço obrigatório, como o era a jeira - prestação de trabalho por X dias na eira do senhorio.
em que possam “hir e tornar a dormyr a suas casa…” e quem tiver besta de «almocreuaria» fará um caminho “até coibra” [5]. (*7) Esta disposição, habitual nos forais, correspondia à obrigação das pessoas de efectuarem trabalhos para os Senhorios, em alguns casos, chegando a 2/3 dias por semana.



COUTOS (Ermida) - “nã fará coutados na dita terra de caça”

PORTAGENS - são fixadas para “homens de fora della (vila)” que trouxerem coisas de fora ou as tirarem para fora dela ; fixadas taxas de portagemas mesmas para pão, vinhos, sal, cal e linhaça, e outrosseguintes.

Isenção de PORTAGENS - Fixados os produtos isentos de pagamento, como pão cozido, queijadas, biscoito, bagaço de azeitona, ovos, leite, vides, carqueja, tojo, palha, vassoiras, pedra de barro, desde que não sejam para vender ou que se destinem a equipar as armadas reais.

CARNE - Pagar-se-ão dois reais por vaca, e três por boi; dois çeptis por carneiro, e um por bode, cabra ou ovelha ; estarão isentos de taxas, os leitões, cabritos e borregos quando se comprem de “quatro cabeças para cima”.

CAÇA - Isenta de imposto

ESCRAVAS - Pagar-se-ão por cada uma que se vender, treze reais.

BESTAS - Fixadas as taxas para bestas cavalares - treze reais,; e éguas - três reais; estavam isentos de pagamento os vassalos reais.

PANOS, METAIS, COIRAMA - Pagarão doze reais, os linhos e lãs já fiados, taxa idêntica à fixada para cargas de ferro, aço, e de “todolos metais”, e ainda, a mesma, “para coirama cortida e coussas dela”,; igualmente para “as peles de coelho, cordeiro e de qualquer outra pelitaria.”


(*B) Esta disposição, habitual nos forais, correspondia à obrigação das pessoas de efectuarem trabalhos para os Senhorios, e em alguns casos, chegando a 2/3 dias por semana.

CERA, MEL, QUEIJOS, AZEITE - Pagarão por carga, doze reais, igualmente para castanhas, nozes verdes e secas, ameixas e figos passados, pinhões e bolotas, mostarda e lentilhas.

LEGUMES - Pagarão a taxa de quatro reais por carga.

JUNCO, JUNÇA, ESPARTO - pagarão quatro reais por carga.

LOUÇA - pagará quatro reais toda a louça de barro, mesmo se for vidrada.

ENTRADA DE MERCADORIAS - SAÍDAS E DESCAMINHO - Regulamentadas as entidades a quem se devem apresentar as mercadorias em trânsito, o tempo de demora da apresentação, e as penas por descaminho das mesmas.

PRIVILEGIADOS - Feito o rol das entidades consideradas privilegiadas, por isso isentas de portagem pelos bens que trouxerem ou levarem, pelos benefícios tidos, onde se incluíam os eclesyasticos, todolos mosteiro, homens e mulheres que tenham feito “voto de profisam” e várias cidades, como Lisboa, Gaia, Póvoa do Varzim, Braga, Guimarães entre outras, e, todas as pessoas que apresentarem carta de privilégio

PENAS - Fixadas as penas no Foral, para quem o não cumpra, que poderiam chegar ao degredo, para lá da multa pecuniária, bem como, dado o poder aos juízes para verificar o cumprimento das disposições, chegando a estabelecer que, se o Senhorio dos ditos direitos (o Donatário) quebrar o que for dito no foral, “seja loguo sospemso delles e da Jurdiçã, do dito lugar”

Assim, há conclusões que convém reter, provenientes da leitura do Foral :

1ª Questão

O que nos levanta evidente reparo, é que, se os forais vizinhos (da família...) parecem referir-se a entidades perfeitamente definidas, quanto ao seu «termo», o Foral de Ìlhavo «dirige-se» a SÁ, VILA de MILHOila de Milho e ILHAUO, parecendo, assim, que aqueles dois lugares integrados na jurisdição de ÍLHAVO, são, no Foral, considerados fora do seu termo, tendo por isso uma especifica referência no documento. Isto vem ao encontro do que já anotámos neste trabalho : o «termo» geográfico de Ílhavo foi, de facto, muito indefinido, e isto até muito mais «tarde».



2ª Questão

Ílhavo e vizinhos - finalmente! - mereceram a atenção da coroa (não esquecendo aquele «olhar» de D. Dinis…), fruto das inquirições anteriores onde se teria detectado a vivência de 130 vizinhos(ver pp.), o que para a época era já de algum significado, muito embora distribuídos, também, por aqueles referidos lugares (ver pp.). Assim, até à data do Foral de D. Manuel, é difícil avaliar o peso dos estes Senhorioses e saber-se das imposições (taxas, rações e outras) que fixavam aos seus foreiros.



3ª Questão

É referido como importante, taxar “o pescado, o peixe do rio o marisco” (julgamos mexilhão como o mais significativo) o que claramente indicia a importância daqueles nos rendimentos da população, algo que sucede também no Foral de Aveiro; porém, neste, é referida especificamente a Portagem de Mar (D. Manuel foi o rei que fixou a dizima sobre o bacalhau entrado no Porto de Aveiro no ano de 1506, portanto antes do foral). E, ainda, as taxas sobre as mercadorias entradas por água (que seriam pagas na Alfândega) revertendo o valor para a coroa.
Ficamos pois a saber - se necessário fosse - De salientar que o regime foraleiro «instituía» prestações, como referimos, para lá da simples concessão útil das terras de cultivo - como foié o caso, aqui, em Ílhavo -, pois claramente taxava, também, os rendimentos da pesca no mar.



4ª Questão

Refere-se a existência de Montados, em Ílhavo, e sabe-se como os mesmos eram importantes para a vida das populações(ver pp.).. Montados que deveriam ser de área apreciável, do que se depreende pela «liberdade» de utilização concedida aos vizinhos (excepto aos de Vagos, certamente por contenda que no Foral se pretende , “seja resolvida depressa”…).
5ª Questão

Uma outra curiosidade, refere-se ao pagamento de taxas sobre juncos e junça, que é de supor, incluiriam «moliços». Isso vem esclarecer que, talvez contrariamente ao que se admite, o imposto de Moliço - «ervagens» tiradas da ria - já viria de trás, e iria atingir a sua maior expressão no Séc. XVIII.
6ª Questão
No Foral são apenas referidos os lugares de Sá, Vila de Milho e Ílhavo. Mais: nas inquirições anteriores - que estiveram na sua origem (1497) -, para lá destes lugares, são referidas apenas as Azenhas de Vale de Ílhavo.
Nunca é referido Malhada, o que é significativo e vem ao encontro do que defendemos, isto é: - que aquele lugar ter-se-ia constituíido muito mais tarde ao momento da formação da Vila. Se a Malhada já tivesse identidade própria, seria certamente referida na Inquirição, pois a sua posição seria estratégica, já que seria o local da recolha dos impostos sobre o pescado, não podendo, por isso, deixar de ser referida, se existisse como agregado populacional.
7ª Questão
Um dado muito importante pode deduzir-se quando verificamos que o foral é assinado pelos Vereadores do Concelho (João Pires e Afonso Gonçalluez), e ainda, quando é referido entregar-se uma cópia do Foral à “dicta Câmara”; tal confirmasignifica que haveria já um órgão administrativo a funcionar em pleno na Vila, que justamente descortinamos mais tarde, quando, ao Concelho - à Câmara -, em 1693, é concedido o alvará da feira da Vista Alegre.
8ª Questão
Particularmente curioso - e certamente intencional -, o aviso feito ao Senhorio - António Borges e descendente (ver pp.) - em que se lhe proibia “o tomar às gentes das terras, nem roupas, nem palha, nem bestas nem nenhumas cousas nem carnes nem aves, requerendo-as primeiro aos Juízes, pagando logo delas.” E proibindo-lhe, ainda, que façam “caça no couto, nem pescar, nem tirar montados aos moradores e menos de os arrendar”.
Era hábito os Senhores - ou os seus delegados - não se limitarem a arrecadar e partilhar o pão e o vinho, mas fazendo utilização gratuita dos moinhos e dos lagares dos foreiros instalados nos seus «domínios»; por vezes iriam longe de mais, chegando a onerar a utilização desses meios de transformação, o que seria particularmente importante no caso das Azenhas.
Há aqui um claro e sério aviso enviado ao Senhorio,, que só se poderá compreender por abusos anteriormente cometidos, uma das razões que esteve na urdidura da nova Lei.
9ª Questão
A referência aos lugares de Sá e Vila de Milho, contém uma importante informação: a de que, por acordo com a população, as portagens anteriormente cobradas naqueles lugares , deixaram de o ser, tendo sido transferidas para “o senhorio”, na condição (e com a compensação) de ser alterado o imposto que as populações lhe deveriam pagar, “passando a pagar qualquer pessoa que tivesse casa e fogo, trinta reais por ano”, o que parece satisfazer a todos. E - diz-se no foral -“ obtida a concordância de António Borges, o Rei concede-lhe os ditos direitos reais”.
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Ora do que ouvimos ,o Prof Saul fez apenas e só (cremos) uma leitura isolada do Foral de Ílhavo .E naturalmente desconhecedor da história local, retirou ilações que nos parecem fora do contexto. De facto há disposições no Foral que são comuns em vários Forais, concedidos a outras localidades vizinhas, no mesmo ano .Por exemplo: a que referia o comércio de escravos. Donde se não poder licitamente supor que havia tal comercio em Ílhavo ou especial importância do mesmo -que provavelmente nem existiria. Tal disposição está contida nos forais das vilas vizinhas (Esgueira, Eixo ,Requeixo por exemplo) .Outra matéria comum aos novos forais, era a da PENA de Armas (onde se incluem os tais castigos infligidos a mulher e filhos; ou as fixadas aos que com bofetada ou punhada tirarem sangue etc) pelo que tais disposições eram gerais e não caracterizavam especificamente o que se passaria em Ílhavo.
E por aí adiante….

Isto significa que (e nada tenho para colocar em duvida o saber do senhor Professor Saul ,(certamente muito conhecedor em várias matérias da idade média) mas tão só que fico triste quando vejo repetidamente desconsiderados os filhos da terra, e não vejo nem virtude, nem saber especiais , aos que são chamados para fazer figura de eruditos.
Madail deveria estar bem incomodado lá no seu canto da eternidade. Que diabo nem sequer de raspão nomear os seus esforços e as -essas sim notáveis!...- investigações ,que nada têm a ver com uma simples registo (cópia) de um documento, já lido e relido de todas as maneiras e feitios. O livro ontem apresentado, deve naturalmente fazer parte de toda a biblioteca de um qualquer Ilhavense que se interesse pela história da sua Terra.

Mas ver nele o mínimo de trabalho ou pesquisa , não percebemos onde .

Uma bonita edição?:- sim. Tudo para lá disso é uma transcrição banal.
.
Senos da Fonseca

(PS) Já agora .Muitas -mas é que são mesmo muitas-as pessoas que me perguntam para quando a 2ª Edição do Ensaio .Será concerteza este ano .Claro com o meu dinheiro....
Oh1 sorte!!!!




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[1] Os forais abrangiam todas as actividades mesmo para lá do cultivo de terras, sendo as prestações pagas no celeiro do senhorio, que no caso de Ílhavo se situava em Vila de Milho.
[2] Tratava-se da ração, quota de aforamento que oscilava, sendo frequente fixar-se a quarta para a produção das terras do campo e a oitava para vinho e azeite.
[3] Outro tipo de ração

[4] Tipo de serviço obrigatório, como o era a jeira - prestação de trabalho por X dias na eira do senhorio.
[5] Esta disposição habitual nos forais, correspondia à obrigação das pessoas de efectuarem trabalhos para os Senhorios, e em alguns casos, chegando a dois ou três dias por semana.

domingo, janeiro 04, 2009


A BANALIDADE OFENDE

Estamos transformados num país de gloriosa, assumida e praticada banalidade. É-se banal.Só se dizem banalidades.
Abrem-se os jornais e rara -muito raramente – se encontra algo que nos faça ou requeira o exercício de meditar; ouvem-se os órgãos de comunicação falados, e os convivas da verborreia são sempre os mesmos. E se disparates ousam dizer, então é certo que os teremos lá de novo num dia muito próximo. Parece que a ser banal é que o português se entende e assume português de pleno direito.
Assisto religiosamente – ou assistia, melhor dizendo – aos embates quinzenais entre o Governo e Oposição. Perfeito campo para repetida e monocordicamente se dizerem banalidades. Os farsantes das ditas são sempre os mesmos: os líderes das bancadas. Ou quase sempre, pois nunca somos surpreendidos pelo levantar inesperado de um outro qualquer assistente da farsa, que nos ouse encantar pelo ineditismo de fugir á mediocridade. Todos se sentem bem no seu papel :- uns(meia -dúzia) a palrar o mesmo, sempre do mesmo modo e com o mesmo verbo (muito fraco de um modo geral ); outros destilando opróbrio por ali terem de estar a fazer de conta que fazem parte do número, quando apenas, ao fim e ao cabo, são como os ajudantes de pista do circo: no fim de cada numero, vêm mostrar-se, recolhendo o material.


Porque é que Sócrates e Cavaco não resolvem a coisa desste modo?

Que diabo(?!) : não estamos a pretender que o Parlamento fosse constituído por parlamentares como Demostenes em que mesmo os discursos espontâneos pareciam cuidadosamente compostos; nem que ali morasse a justeza e o empolgamento de um Abraão Lincoln; nem já sequer que lá voltassem os admiráveis improvisos das orações de José Estevão.Mas assistindo ao que por lá se passa, fácil é constatar que está lá carne a mais, e vergonha a menos.É inegável.


Eu já só queria, que pelo menos cada um daqueles cidadãos, fosse, de certeza, digno,decente e integro.Acredito que muitos o sejam.Por isso não entendo como podem aceitar deixar de ter voz, hoje como ontem, e amanhã,trocando-a pelo gesto das palmas, concedendo-a apenas e só ao chefe de fila?


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De entre os habituès da banalidade há três que distingo, ultimamente.



PACHECO PEREIRA: auto proclamado detentor de toda a verdade, diz sobre tudo e sobre o nada, o trivial, parecendo enfadado com tudo (e todos) os que á sua volta pensam (ou agem) de maneira diferente.Para ele o óbvio é aquilo que proclama. E parece nem entender como é possível que todos não gralhem como ele. Assume-se intelectual – de quê(?!) não sei- talvez do Blog.Um intelectual versátil, pois abrange todas e as mais diversas áreas.

VASCO PULIDO VALENTE: cronista encartado da corte, lembro-me dele quando nos tempos da Revolução aparecia num programa de TV ,com copo de whisky com que matava a sede durante as suas arengas.Ora como é um individuo de fala(e raciocínio) presos, os intervalos eram tantos que a meio do programa já não se distinguia bem se o que dizia era efeito do seu cogito, se do whisky. É um indivíduo de mal com a vida, nota-se logo. Parece-dizem as más línguas- que até o nome- que faz evocar figuras maiores deste Portugal – o assumiu por vias sinuosas, que não genito-urinárias . Em cada croniqueta sua PORTUGAL MORREU …ou Vai Morrer…EM BREVE, porque é feito de uma massa de pobres de espírito.
E agora pivotado por aquela plastificada figura – Manuela Moura Guedes-que apenas deveria ser permitida aparecer nos écrans lá para depois das onze, em que já não metesse medo às criancinhas, VPV, atinge momentos de paroxismo execrável.

E agora muito em voga anda o ex-ministro, MEDINA CARREIRA. Exactamente aquele que no tempo da austeridade propôs que os ministros fossem para o Terreiro do Paço, montados em jericos em vez de Mercedes. Era caso para os lisboetas passarem a dizer: olha ali vai um burro ao quadrado.




Ora o ex-ministro, habitual cliente de um outro pivôt por vezes (muitas vezes!) patético -Mário Crespo - debita uma série de banalidades daquelas que, se são próprias à mesa do café, não fazem sentido em conversa para milhões pois o autor da verborreia confunde permanentemente a árvore com a floresta. E tal prática não conduz a nada, pois não resolve nenhum problema. Voltar a um passado de elegia da pobreza orgulhosa, como se fosse possível voltar ao tempo do orgulhosamente sós, é conversa que não dá para iluminar um candeeiro, quanto mais para ser farol.

Ora eu que me obstino a ver o mundo pelos meus olhos, o que não exclui a azáfama de descortinar como os outros o vêm - vejo-me em palpos de aranha para pactuar com esta miserável exposição de lugares comuns.E o escolher diariamente que jornal (ou jornais) ler, ou que canal ver e ouvir,começa a ser tormento que me irrita, a mim e parece àqueles que estão comigo ,e depressa me retiram o comando do zapping, da mão.


Porque mais pareço um daqueles velhos capitães, sempre a levantar ferro, de emposta em emposta, a ver se encontro peixe que se veja, em vez de sanapaios. Encher um navio com sanapaios até o TI-ÈSSE. Mas com bacalhaus prenhudos , esses só alguns.



ALADINO

quinta-feira, dezembro 25, 2008

«Saber que será má a obra que se não fará nunca
.Pior, porém, será a que nunca se fizer.
Aquela que se faz, ao menos, fica feita.»
Bernardo Soares


Eu sei para onde quero ir

Pronto e parece que tem de ser. Uma vez mais recolher a trouxa e fazer o saco. Partir para outra aventura que a vida colocou –descarada e provocatoriamente - à minha frente.
Não tenho duvidas –e digo-o sem compaixão –que me sinto velho (?!) .
Mas calma! ; a vida usou-me muito e, por isso, nem posso ir para a beira da estrada e pôr – como nos automóveis -um letreiro: -«SEMI-NOVO»,e assim enganar os papalvos . Mas sempre punha, e não enganava ninguém: - «SEMI-VELHO».
De há uns tempos para cá passava horas – desalmadas horas -em frente destas teclas onde batia desesperadamente á procura de fazer coisa de jeito. Se calhar nada disso fiz. É certo que este cantinho começava a ser bafiento. E até por vezes me fazia esquecer que havia vida -e outros – lá fora que poderiam precisar de um pouco do meu tempo.
Pragmaticamente parto como sempre para estas «viagens»: pouca trouxa no saco e muita coisa a bailar-me na cabeça. Observo-me a até parece que me sinto como dantes sempre aconteceu: sem limitações de sonho.
Sinto uma pequena agonia. No interesse dos outros, pergunto-me: e ainda serei capaz? E recordo as agonias que sempre fui suportando e ultrapassando, logo que definido o rumo. Porque ninguém duvide: eu sei para onde quero ir. Como ir?
Venha o que vier, só há que seguir a máxima: o difícil faz-se num instante; o impossível demora um pouco mais.
De pé no estribo já nem sequer olho para trás. Só para a frente.

Vai começar
Uma nova batalha
Zangado com a vida?
Não!
Antes isso do que vestir a mortalha.

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E o Blog «A Terra da Lâmpada» ?
Volto a explicar: «A Terra da Lâmpada» usou e abusou -deliberada e provocatoriamente – de R.E.
O que ele representa (um perfeito exemplar, patético, do que vai por esse mundo da política á portuguesa) serviu para O ALADINO descarregar o azedume. Só porque foi o ultimo. Quiçá o melhor dos piores e medíocres responsáveis autárquicos, desta hoje infeliz parvónia (por ser mesmo isso é que já ninguém cá compra nada, como diz a Rádio Popular).
Ílhavo hoje faz antever o fim, que não vem longe, de desaparecer no mapa das «coisas» civilizadas. Ílhavo está desempregada. É uma cidade sem lugar entre as cidades. Perante o progresso , diz claramente :-não ,não quero!.

A missão histórica das sua gentes, dos seus irrequietos filhos, os que deram forma à diáspora, dos seus navegantes que fizeram história, dos seus artistas que reinventaram o belo nas suas mais diferentes formas e ou expressões, está esgotada . O olhar para as funduras do mar e lhe descobrir rumos ,embaciou-se. Toldou-se. Obscureceu no negrume do desencanto das lutas intestinas de desagregação social que a dilacera. Os seus filhos mais valiosos foram-se. Restar aqui, para quê?
Os que cá ficaram cabeceiam ao sol a sua velhice, coçam a orelha para ouvir o ranger da nora que despeja os alcatruzes de água (suja) que logo se vai, para que a besta possa continuar a andar á roda a fazer de conta que puxa o engenho .Porque se calhar é ao contrário. Aqui o engenho é que puxa a besta, cega e tonta, de tanto andar á roda a fazer que pensa..
Pois bem. Agora as coisas obrigatoriamente mudam. Haja respeito: não pelos outros mas pelas Instituições.
Perdi é certo a minha liberdade, que em caso algum se pode confrontar com o respeito institucional. Sempre assim foi. Tenho princípios éticos com padrões muito elevados.

Mas se perco essa liberdade, não sou um Cristo. Não tenho jeito nenhum para oferecer a outra face.
Ora de vez em quando é preciso mudar.O Blog TERRA DA LÂMPADA tem de se reorientar.
Ainda não sei bem, como. Para o ano se verá .

Aladino

sábado, dezembro 20, 2008

Num cravo ruivo para Ti

Pudesse eu sentir o bafo dos dias quentes
(para deixar de sentir a dor
A dor tremenda de me ver ainda acordado
(em tudo o que escrevi.
Nessas folhas em que amei e fui amado
(ainda que noutras, não sei (?), odiado..


Sinto a dor tremenda de nelas não ver gestos,
(seria que lá não couberam?
Ou estando lá, eu não os vi, tão escassos eles eram,
(a vida é «soma e segue».
Por isso quem me dera morrer num instante
(antes que o inverno mos negue.

Ateio as poucas brasas que ainda há em mim
(frias dos beijos que não recebi
E recuso o sono, a paz e a solidão que só hei-de querer no fim
(quando então longe daqui;
Mas não deixo, hoje, de escrever num cravo ruivo para Ti
(o que já não sei dizer a mim.

SF ( Natal 2008)

domingo, dezembro 14, 2008

Outro Natal..
Que salvei no naufrágio desta viagem acidentada, mas única, da vida?


Os vendavais são cada vez mais soltos.
Voltar ao desejado porto,
Ou naufragar, e deixar ir este miserável corpo ?

Seja para que lado enxergue
Vejo na tábua a tempestade
Fora de água sobra apenas, a vontade,

Que salvar deste naufrágio? A vida?!
Que importa? Já não há prémio;
Nem fama. Nem da amizade, sentido grémio?

Mas venha de lá a desdita
Eu ponho de lado a tristeza
Sorrindo-me da sua vileza.

E bebo convosco amigos
Às damas que bem amei
A quem no peito guardei

Todas que ao longo de lustros
Não me deixaram tempo para ódios.
Tão loucos e geniais foram os bródios .

SF (Dez 2008)

terça-feira, dezembro 02, 2008


Ser igual até ao fim tem um preço.

Aceito,embora por vezes com falta de algum fair-play, esta intricada história que já agora só me parece terá fim, quando me fanar,de vez.Sem ter tempo, se calhar, de dizer : so long, cuidem-se.
Quando as coisas estão feias não me perguntam, se eu quero ou não quero.Apenas me dizem: -tem de ser
E eu, curiosamente tão habitualmente refilão e contestatário – dizem, que eu não sou nada disso –mais pareci uma ovelha resignada, aceitando a minha sorte.
Desta vez,porém , exagerou-se.

Das outras era mais uma coisa a juntar às muitas em que eu andava envolvido. Agora não é bem assim. Tinha encontro marcado com uma actividade em que sempre me quis experimentar. E marquei esse encontro, planeando o tempo todo para mim, disposto a vivê-lo em autêntica liberdade. Era desse modo que eu queria estar até ao fim. Era pedir muito?!Que raio ,se eu não pedia mais nada para depois, deixassem-me ao menos comigo, o tempo que resta.
Vivia já longe das banalidades, olhava por de cima as tolas vaidades, gozava com as futilidades de uns bem-parecidos, e mais do que isso, benquistos. Espetava-lhes o aguilhão afiado e cáustico, e parecia-me, então , que finalmente me tinha encontrado comigo próprio.
De repente tudo deu em desabar.
Confrontado com o desafio, olhei-me ao espelho para saber como seria a minha cara a dizer : paciência. Agora não. E por mais esforço que fizesse, percebi que esta coisa de ser o mesmo ,passa obrigatoriamente por ser igual. E o facto é que eu queria (ainda) viver, a ser eu mesmo . Para isso era preciso (era obrigatório) não dizer que não.
E pronto. Não há outra história.
Não me mete medo o trabalho. Mete-me pena o que vou deixar de fazer. Mas se morresse também o deixaria de fazer, é certo. Por isso aceito a sina. Muito embora discuta : porque havia a história de se repetir uma vez mais, só que agora tão tarde?
Em balanço.Exerci a profissão(arduamente) trinta e cinco anos, mais coisa menos coisa. Levo trinta anos (ultrapassei –os) de serviço cívico nas Associações, onde me esfarrapei.
Nem um condenado era obrigado a cumprir pena maior.

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Ironia do destino ...ou de se ser.
Uns temem a avaliação.E protestam.
Outros que já foram avaliados-uma vida inteira!- aceitam novo desafio .E sujeitam-se a nova avaliação.
É assim .Uns querem a paz da inércia.Outros vivem como as velas ao vento: inquietos.
Tentei sempre sentir-me de bem: só comigo(!),sem me importar com o que outros pensavam.Só isso contou.Para isso ensaiei-me do todas as maneiras.Agora lá vai ser mais um ...ensaio.Não sei mesmo como me não tornei um «ensaista»,da vida...
Nunca deu para jogar o Carnaval, e fantasiar-me.Quem se fantasia mente ;quer ser outro(escrevi-o um dia para o Chio-pó-pó).Mentem desse modo a fingirem que não mentem.Ora isso é que não.
Que comodismo me haveria de levar a agora, a me esconder por detrás da máscara da indiferença?
Aladino

segunda-feira, dezembro 01, 2008


Illiabum no seu 65º Aniversário:


Horas, ainda, para registar a satisfação de ver o Illliabum festejar, com «pompa e circunstância»,bonitas e empolgantes, os seus 65 anos .
Olhar para trás e verificar que foi precisamente há quarenta anos que iniciámos -todos! - esta tradição de assinalar a data,foi reparador. Nessa altura não só com jantar de aniversário ,mas e também, com uma panóplia de acontecimentos que preencheram um programa do mais assinalável ,alguma vez feito nesta Terra, em termos culturais e recreativos. Mas não nos lembra de encontrar –nunca! - tanto fervor em volta do Clube como aquele que hoje nos foi assistir .Hoje, ali, estiveram todas as gerações :a «velha guarda» que só serve de memória; a «nova guarda » merecedora de rasgados elogios (em particular o Rui Dias, que conseguiu mobilizar,dinamizar e manter, uma excelente e empenhada equipa).E os putos – muitos! - que hão-de ainda por muitos anos saber guardar a jóia da coroa.
Bonita festa. O Illiabum está de parabéns.
Há quarenta anos tive a oportunidade de dizer que agradecia a todos –mesmo aos que tivessem feito muitas asneiras - o simples e mais importante facto :-o de fazer perdurar o Illiabum .Repito hoje o que então disse.Por isso no meu agrdecimento cabem todos.
Depois disso,é verdade, houve muita asneira e loucura . Que as mesmas sirvam de lição ,e o Illiabum seja ,ainda mais ,no futuro, um traço de união entre «os ílhavos».

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Começo a precisar de ter muito cuidado.

Dantes sucedia-me, amiúde, ver-me questionado. Nada me agradava mais. Empolgava-me, tão só.
Agora, talvez pela idade, passam-me rasteiras –como a de hoje-, totalmente inesperada.
Fico a pensar : será para mostrar que depois de velho até os cães lambem os beiços?!
Agradeço a intenção que esteve longe, certamente, do exagero do que pronuncio.
Mas cautelas e caldos de galinha (velha!), nunca fizeram mal a ninguém.
É que eu não gosto –nunca gostei –de me ver em tais situações, que me cheiram já a emprateleirar-me no lugar em que por teimosia -talvez só por isso - ainda não me quero ver catalogado.
Dizia-me um amigo: -ainda por vezes não acredito nos seus setenta.
-Pois olhe que eu acredito…respondi-lhe.
Et voilá. Chegou a altura tanto temida, de recordar as palavras do meu Pai:
-Quando disserem «bem» de ti em casa ,é porque estás pronto…

Está bem que ainda« cá» não chegou, mas dá que pensar…É melhor começar a acautelar-me…
Aladino

domingo, novembro 30, 2008

Esta corporação de políticos à la carte, ainda se vai arrepender .

Por cá –a comunicação parece não perceber qual é o seu papel –ainda se anda longe de intuir que estamos envolvidos –todos, mas todos os países do mundo,sem excepção -na mais terrível crise, que começando pelo descalabro financeiro-passível de ser resolvido-,descambou( já), numa crise económica da qual ainda nem sequer se conhecem os contornos, e muito menos a dimensão.Para dela sair ainda não se sabe bem qual será o custo.Nem quando tal acontecerá.
Se as pessoas –e os políticos encartados por maioria de razão –olhassem para o que se passa lá fora ,constatariam rapidamente que as lutas fratricidas, partidárias, parecem ter entrado em banho-maria ,pois depressa se percebeu, que fosse qual fosse a cor do poder (o poder politico reside no poder económico, parece que só agora se começou a entender) a situação seria-sempre!- incontrolável. Arrumadas as ideologias por uns tempos,é o momento de, em conjunto,responsavelmente,patrioticamente, se tentar perceber bem como foi possível chegar-se ao que se chegou.E depois de bem percebido, será então tempo para se definirem as soluções.Para que se não repitam os erros. Só depois é chegado o momento de se ajustarem contas com as ideologias.
Temos péssimos economistas. Só parecem descobrir e encontrar soluções depois da casa roubada. Mas os políticos, esses, são ainda piores.
Claro que com estes, até o Sócrates brilha .Pois a verdade é que por incrível que lhes pareça –até parece que querem que o Salazar cá volte para lhes explicar o porquê - ainda não perceberam que Portugal resiste melhor à crise do que a maioria dos países europeus.(Se Portugal em 2009 fixasse a taxa de desemprego, nos actuais 7,6%,ao contrário do que dizem ,isso seria um feito.O pior é que isso não vai acontecer)
Anunciar a recessão com pompa e circunstância, antes de ela ser tecnicamente comprovada é exercício de tola parvoíce de patarocos.É de puros ignorantes. Claro que vai haver recessão. A questão é quando iremos sair dela . Não é só problema de Portugal .Isto agora não dá para rir.
Ou rimos todos ou choramos todos.
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Já todos percebemos,
que os Sindicatos dos Professores foram completamente ultrapassados. A a partir de determinada altura os Sindicatos que tinham usado o problema para fins políticos, tiveram de se colocar em situação de muito maior intransigência, do que pensaram e previram. Porque a verdade é que não convém aos Sindicatos levar a guerra até ao fim, mas apenas alimentar a guerrilha.
A questão parecia residir no facto de os Professores não quererem avaliação nenhuma. Parecia, mas não era bem assim Porque em relação a essa matéria os Sindicatos sabiam que mais tarde ou mais cedo chegariam a acordo sobre a correcção a introduzir aos excessos burocráticos. E aí parava a guerrilha. Para o ano haveria mais …(Mao fartou-se de o ensinar...)
Todos os que alguma vez impuseram reformas sabem que é normal, aquando da aplicação prática ,ser necessário proceder a correcções e ou adaptações.
Creio que os Professores tinham consciência de que tarde ou cedo a hora da avaliação chegaria. Mas o que os Professores não queriam, antes do mais, era o famigerado Estatuto. E apanhando o comboio e as camionetas explicaram aos Sindicatos e ao Governo qual era, afinal, o ponto fulcral da sua luta.
Se calhar dou-lhes mais razão neste ponto –ou aceito melhor a sua nega corporativa - do que a nega à avaliação .
Pois poder-se-ia lá entender que quem mais avalia não quereria ser avaliado?
Sinceramente não sei como tudo vai acabar. Quem é capaz de apostar? Não sei se o têm notado, mas ninguém parece interessado em arriscar.
Aladino

  VIDA CUMPRIDA:... Ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, desenvolvi,a convite honroso, a palestra: “ As Artes da pesca no Norte ...