quinta-feira, março 06, 2008
No meio desta confusão ,alguém mente ou distorce ,ou baralha ,ou confunde .
Quem ?
Não há duvida que o País tem interesse em sabê-lo
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Portal do Ministério da Educação
N B -os sublinhados são nossos
P: O que se avalia no desempenho dos docentes?
R: A avaliação incide sobre duas dimensões do trabalho docente: (1) a avaliação centrada na qualidade científico-pedagógica do docente, realizada pelo coordenador do departamento curricular com base nas competências); (2) e um momento de avaliação, realizado pela direcção executiva, que avalia o cumprimento do serviço lectivo e não lectivo (assiduidade), a participação do docente na vida da escola (por exemplo, o exercício de cargos/funções pedagógicas), o progresso dos resultados escolares dos alunos e o contributo para a redução do abandono escolar, a formação contínua, a relação com a comunidade (em particular com os pais e os encarregados de educação), entre outros.
Cada uma das duas componentes, a avaliada pela direcção executiva e a avaliada pelo coordenador de departamento, vale 50% no resultado final da avaliação.
P: Como se faz a avaliação?
R: A avaliação é um processo transparente, participado e sujeito a múltiplos controlos de qualidade.
A avaliação faz-se no interior de cada escola, tendo em conta a diversidade de funções e actividades desenvolvidas pelos professores. Inicia-se pela definição de objectivos individuais e inclui o preenchimento da ficha de auto-avaliação, a observação de aulas, a análise de documentação, e culmina com o preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores, a realização de entrevista individual dos avaliadores com o respectivo avaliado e, finalmente, a realização da reunião dos avaliadores para atribuição da avaliação final.
Está também prevista uma conferência de validação das propostas de avaliação com a menção qualitativa de Excelente, de Muito Bom ou de Insuficiente pela comissão de coordenação da avaliação.
P: Quem define os objectivos?
R: O professor avaliador e o professor avaliado, por acordo, definem os objectivos individuais, que devem corresponder ao contributo de cada docente para o cumprimento dos objectivos do projecto educativo e do plano de actividades de cada escola.
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Bem: vamos continuar a tentar perceber que Escola queremos.
SF
Edita-se, com agrado, o texto recebido hoje .Felizmente sempre há alguns que sabem explicar porque não querem (embora sem explicar o que querem)
Haverá muitos mais ,certamente ,que deveriam fazer o mesmo.
Logo se possivel comentaremos
SF
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Sou professor e ainda tenho a paixão por trabalhar na sala de aula com os meus alunos. Sou também pai de uma aluna que frequenta a escola pública. Nunca fui militante ou eleitor do Partido Comunista (a quem reconheço virtudes e defeitos). Não fiz a minha formação académica superior (nove anos: licenciatura, estágio no ramo educacional e mestrado na Universidade de Coimbra) na Universidade Independente e, contudo, também me considero defensor do rigor e da exigência na educação. É justamente em nome desses valores que desejo aqui desmistificar o conteúdo e a forma das políticas educativas do Ministério da Educação (ME).
1. Esta redentora ministra da educação optou por legislar em catadupa sem nunca ouvir os professores. Desautorizou as escolas e execrou os seus professores, desprezou os pareceres do consagrado Conselho Nacional de Educação e abjurou as opiniões de todas as associações profissionais de professores. Ainda que mal pergunte: existe algum País democrático onde um Governo tenha desejado e conseguido instituir uma reforma em qualquer das suas áreas vitais sem a participação maior ou menor dos seus protagonistas? Alguém acredita que seja possível e legítimo implementar em Portugal reformas, por exemplo, nos sectores da Saúde e da Justiça à revelia das opiniões de médicos, enfermeiros, juízes e advogados?
2. Este ME, porque desprezou as opiniões dos professores, engendrou, unilateralmente, um sistema de avaliação de docentes kafkiano, perverso e impossível. É kafkiano porque não são claros os objectivos e os critérios de avaliação basilares exigidos e, por isso, as grelhas de avaliação instituídas são tão labirínticas e herméticas que transformam o mais meritório e excelente professor (avaliador e avaliado) num frustrado, taciturno e, nos casos mais patológicos, prepotente escriba. É perverso porque tratando-se de um modelo de avaliação arrevesado, desgastante e muito controverso deveria primeiro ser discutido, experimentado e corrigido, e não iniciado de modo impetuoso a meio de um ano lectivo; é perverso porquanto põe professores de áreas disciplinares diferenciadas e em muitos casos com competências científicas e pedagógicas inferiores a avaliar os seus pares; é perverso porque põe ao mesmo nível e condiciona a avaliação de professores de áreas disciplinares tão heterogéneas como Educação Física, Educação Tecnológica, Introdução às Tecnologias da Informação e da Comunicação, Educação Moral e Religiosa Católica, Matemática, Ciências, Português ou História pelas classificações académicas dos seus alunos; é perverso porque admite que a avaliação dos professores possa ser condicionada por pais e encarregados de educação, os quais, salvo honrosas excepções, mal conhecem os professores, raramente vão às escolas e quase sempre responsabilizam os docentes pelos erros dos filhos e deles próprios; em última análise, é perverso porque, a médio prazo, vai, inevitavelmente, criar nas escolas um ambiente de forte crispação e extorquir aos docentes ainda mais tempo e tranquilidade para aquilo que eles têm a obrigação de fazer melhor: preparar aulas e leccionar. É impossível porque muitos docentes titulares terão tantos professores para avaliar que não irão conseguir conciliar no seu horário lectivo as aulas leccionadas nas suas turmas com as aulas assistidas nas turmas dos professores avaliados; é impossível porque não existem inspectores disponíveis com formação científica adequada para avaliar os professores titulares avaliadores de todas as disciplinas.
3. Este ME engendrou, unilateralmente, um novo diploma de gestão escolar que limita a democracia directa nas escolas públicas. Na prática, suspeito que autonomia das escolas continuará a não passar de mera retórica. Entretanto, aumentam perigosamente os poderes do Director (antigo presidente do Conselho Executivo), que deixará de ser votado em eleições directas maioritariamente pelos seus pares. O Conselho Pedagógico passa a ser nomeado pelo Director e terá apenas poderes consultivos, facto que pulveriza o princípio do primado das questões pedagógicas e científicas sobre as questões administrativas. Os professores perdem a maioria no Conselho Geral (antiga Assembleia de Escola) – que, entre múltiplas funções, elege o Director – em nome de uma suposta abertura inovadora das escolas às autarquias e à comunidade local. Isto apesar de todos sabermos que esta velhíssima aspiração esteve sempre contemplada no sistema ainda em vigor: com efeito, a ainda actual Assembleia de Escola já integra vários elementos da autarquia e da comunidade local que, como a realidade tem demonstrado à saciedade, são em regra incapazes ou estão indisponíveis para participarem de forma mais empenhada e criativa nas escolas. Por outro lado, os agrupamentos de escolas passam também a depender mais do poder dos autarcas, os quais agem muitas vezes movidos por interesses arbitrários e são não menos vezes desprovidos de sensibilidade e conhecimentos científicos, culturais e pedagógicos para interferirem de forma francamente positiva nos destinos destas instituições.
4. O novo estatuto do aluno decretado quase a meio do ano lectivo determina que, em nome do combate ao insucesso escolar, os estudantes dos ensinos básico e secundário não reprovem por faltas injustificadas. Doravante, estes irão poder comparecer nas aulas quando lhes aprouver e depois fazer sucessivas provas de recuperação nas disciplinas onde forem acumulando excesso de faltas. A ideia é peregrina, e é o mínimo que apetece dizer: desresponsabiliza os alunos e os seus encarregados de educação; potencia actos de indisciplina e de total absentismo que constituem já o drama cada vez mais insuportável de tantas escolas; responsabiliza e desautoriza os professores e até parece não compreender que tais alunos só providos de inspiração divina poderão reunir condições mínimas para alinhavarem as respostas às questões enunciadas nas provas atrás mencionadas.
A maior parte da legislação produzida por este ME tem apenas um propósito: aumentar rapidamente o sucesso educativo através da burocratização sistemática das escolas (como se educar significasse burocratizar); manter os alunos todo o dia fechados em escolas vedadas e, em demasiados casos, nada aprazíveis, bem como converter estes locais em “fábricas” capazes de produzir em massa e com menos dinheiro um sucesso educativo formatado e desalmado – como se o complexo sistema educativo das escolas portuguesas pudesse ser decalcado por decreto pelas cartilhas tecnocráticas que determinam a organização de uma qualquer empresa capitalista; como se o grande desiderato das escolas fosse comprar, vender e obter chorudos lucros …
Mas, como é depois possível que a melhoria do sucesso educativo vislumbrado nas estatísticas possa coincidir com o sucesso científico, educacional, técnico e artístico intrínseco obtido por cada aluno? Decididamente, esta é uma questão que os amanuenses do ME, a sua infalível ministra e o rigoroso engenheiro Sócrates desprezam e devolvem aos professores. De facto, esse não é um problema digno de ocupar os espíritos dos governantes portugueses, os quais vivem tragicamente divorciados do mundo real e são desprovidos de qualquer imaginação e sentido prospectivo.
Entretanto, enquanto estes se entretêm com as suas diáfanas jogadas políticas, os professores lá vão continuando a desenvolver estoicamente o seu trabalho de campo em condições cada vez mais insuportáveis – turmas mais numerosas; alunos mais desmotivados e mal-educados; apoio psico-pedagógico insuficiente prestado aos alunos necessitados; professores com horários de trabalho formais mais repletos, mais níveis, mais turmas, mais alunos e menos horas semanais para leccionar a cada turma; burocracia inútil e esquizofrénica (torrentes de reuniões, mais grelhas, matrizes, relatórios, actas, planificações, planos educativos e uma panóplia de outros documentos inenarráveis para elaborar); nenhum tempo para pensarem e planificarem as aulas; nenhum tempo para actualização científica; tempo e paciência esgotados para descodificarem a forma, o conteúdo e o alcance metafísicos das sucessivas leis evacuadas pelo ME; serões perpétuos passados a elaborarem e corrigirem resmas de fichas de avaliação; ambiente escolar mais arrebatado e, em certos casos, violento; indisponibilidade de tempo para a família.
Quando estará este Ministério da Educação disponível para reflectir e debater com os professores as questões de fundo e disfunções da escola pública (currículos, programas, práticas pedagógicas, a obscena burocracia em que as escolas soçobraram, qualidade e caminhos do ensino profissional, obviamente, processos de formação e avaliação de professores, etc.)? Até quando estarão os professores dispostos a consentir que a arrogância e o folclore pseudo-reformista das políticas educativas deste Governo abastardem irremediavelmente as suas vidas e penhorem o futuro do País?
Luís Filipe Torgal
quarta-feira, março 05, 2008
COMENTÁRIOS:
Em relação aos últimos Blogs tenho recebido algumas reacções ,por mail ou por telefone .De um modo geral , insurgindo-se com as minhas posições .
Tudo bem .É salutar .É compreensível .
Assim é que deve ser .
O que eu estranho é que sendo matéria tão discutível os «Professores» não se tenham aberto ao dialogo publico, local ,explicando-nos in locco, as suas razões. Era uma maneira de se perceber que a discussão da «ESCOLA» deve também ser local.Com factos de todos conhecidos.
SF
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From : Dr .Francisco Meneses
Normalmente reservo-me o direito de estar calado nestas questões da educação,
mas o seu post «Assim não vamos lá» mexeu um bocado comigo.
Escrevia António Sérgio, pela voz do seu «Califa», «Melhor é ainda pensá-las bem!». E é a isto que eu o convido, com a amizade de quem se conhece há muitos anos.
No tal post, começa o engenheiro por diluir as culpas do estado a que isto chegou no mundo da educação:«andámos a brincar ao ensino», «Destruiu-se …e nada se construiu ...».
Depois, num passe de mágica, estreita a tal diluição das culpas para «a maior parte deles nunca mais soube o que era se actualizar»; a seguir a maior parte passa a ser «molhada»; os órgão directivos das escolas passam a ser os «ditos conselhos directivos», até chegar à «indecorosa falta de assiduidade do professorado»
Finalmente, numa espiral de quase insulto, é «esta classe profissional que pensa ter direito a emprego saído da Faculdade» (A propósito, também não era assim no seu tempo?), que não quer ser avaliada, é reaccionária e vai acabar encurralada nas escolas!
Veja lá como eu, e muitos milhares como eu, se não devem sentir ao ler tal «naco» de prosa!
Porque será que toda a gente que passou pela escola acha que tem direito a ser especialista em educação?!
Não será melhor seguir o conselho de Sérgio e «pensá-las bem», engenheiro?
PS: Como já há muitos anos conheço o seu «feitio» impulsivo, não lhe levo a mal o desaforo e se algum dia quiser falar de educação a sério, será um prazer.
Um abraço
F. Menezes
From : Dr. João Resende
É óbvio que no ensino, como em todas as profissões, há de tudo. É óbvio que a progressão na carreira acontecia naturalmente, mediante a presentação de um relatório crítico (que era analisado) e de uns créditos em acções de formação, muitas vezes ridículas, que em nada contribuíam para o enriquecimento da actividade profissional dos professores. Havia professores a progredirem com acções sobre danças de salão (e gabavam-se disso) e outros com cursos de pós graduação frequentados em universidades. Tudo foi feito ao abrigo da lei e com a acreditação dos organismos estatais, que assim desbarataram os dinheiros que foram chegando da Europa.
Reconheço que a ministra neste aspecto impôs alguma moralidade ao exigir que 50 % das formações fossem feitas nas áreas disciplinares dos professores. Mas, actualmente, não há formação em inúmeras áreas e os professores poderão ser impedidos de progredir na carreira por esse motivo. Se quiserem, que vão a Lisboa e que paguem a dita formação. Não têm dinheiro nem tempo para isso os professores.
Este ME tem apresentado um conjunto de medidas de forma precipitada e que transtorna o ano lectivo. Faz sentido que um estatuto do aluno seja implantado a meio do ano lectivo? Faz sentido que o estatuto do aluno venha confrontar as escolas, os pais e os alunos com um novo regime de faltas que não distingue os efeitos das faltas justificadas das faltas injustificadas. O Tio acha bem que um aluno que falte para andar na vadiagem ou para ficar na cama seja posto em pé de igualdade de um outro que sofreu um acidente ou faltou por motivos de saúde. Resultado, para os dois casos, são os professores que têm de elaborar provas de recuperação, reunir para analisar os resultados das referidas provas e tomar as decisões. O ME mandou aplicar a lei. Passadas umas semanas veio mandar suspender alguns artigos até ao final do ano. As escolas não sentem chão debaixo dos pés. Em que é que ficamos? Os pais perguntam-nos "Como é que é?". Hoje dizemos-lhes um coisa, amanhã outra. Faz sentido que nos exames de português uma resposta de quatro linhas com 4 erros graves tenha de ter a mesma cotação que uma resposta sem um único erro? Se calhar faz, até porque o referido estatuto do aluno infringe várias regras gramaticais de forma escandalosa.
Nesta altura do ano, relativamente à Avaliação, é absurdo teimar em impor um sistema de avaliação que contém insuficiências, falhas e aspectos burucráticos que de forma séria e honesta se poderão ultrapassar. É absurdo querer que um professor "titular" - o dito avaliador - que poder ter ao seu encargo 6 ou 7 turmas, em alguns casos, seja obrigado a avaliar 20 ou 30 professores com seriedade. É desonesto considerar que um professor de Matemática ou de Educação física sejam beneficiados ou prejudicados consoante os resultados escolares dos seus alunos. É lógico que nestes parâmetros o primeiro, por muitas qualidades que tenha, será sempre menos pontuado do que o segundo.
Os instrumentos de avaliação não estão prontos mas o ME quer que este sistema vá para a frente, custe o que custar... e já estamos em MArço.
É lógico que um professor que lecciona disciplinas teóricas, que exigem elaboração de testes e a respectiva correcção tenha o mesmo número de horas lectivas e não lectivas que um professor de Moral ( essa disciplina cujos professores são escolhidos pelo Bispo mas que são pagos pelo EStado)?
Conhecemos todos professores que têm um segundo emprego em ginásios ou em negócios pois a sua vida enquanto professor só existe dentro da escola e há outros que prolongam em casa, por muitas horas o trabalho da escola.
Em suma, este sistema de avaliação é cego a estas e a outras injustiças e sendo aparentemente muito corajoso, não tem coragem para atacar o essencial. A avaliação vai acentuar as injustiças que existem.
É verdade que o ME e o governo querem apresentar resultados. Há, efectivamente, mais alunos nas escolas e por mais tempo. Há crianças a almoçar em contentores (cá em Ílhavo, por exemplo). Há muitos meninos a aprender inglês e música nas escolinhas. Também é certo que os miúdos passam, a meu ver e de muitos pais que conheço, horas de mais em espaços exíguos e sem as condições desejáveis. Entendo que a solução da massificação vai trazer maus resultados. O barulho, a confusão, a desordem e a indisciplina grassam nas escolas e têm aumentado imenso. Mas os professores têm que apresentar resultados! Custe o que custar. O ME vê as escolas como fábricas de resultados. Vê mal.
A sociedade, tal como está, e não sou só eu a defenfer, exigiria um modelo de escolas mais pequenas, com menos alunos, como forma de responder aos problemas de exclusão e "abandono" familiar que não existiam antigamente. Os problemas humanos e sociais dificilmente se combatem massivamente.
No ano passado, o ME insistiu em ir para a frente com a TLEBS. Os professores (alguns) cumpriram as orientações mas em Abril, ne sequência da contestação de inúmeros especialistas na matéria, resolveu suspender o diploma. Quem cumpriu teve que, a partir dessa data até ao final do ano, dizer aos alunos "Isto afinal já não é assim!" e teve que começar a substituir a terminologia nova pela antiga. Vai-me dizer que isto é normal?. O ME diz hoje uma coisa e a poucos meses do fim do ano lectivo, altera as regras, sem o menor pingo de vergonha. Já frequentei uma accção de formação promovida por este ME. Foi um caos em termos organizativos. Alteravam as datas e locais das sessões na véspera... um caos.
Por estas e muitas razões não confio nos políticos que de forma ligeira e irresponsável comandam ou descomandam as escolas. Os professores que andam nas marcham têm os seus motivos, muitos deles. Só alguns é que andarão ao sabor da corrente.
JR
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"Lembrem-se que quinta-feira começará a catequese para meninos e meninas de ambos os sexos."
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Duro… mas não trôpego
A propósito da minha dureza (de ouvido, entenda-se!) uma amiga diz que começa a ser inapetecivel falar comigo.
Começo a entrar em saldo.
Para que me hei-de eu ralar. Até porque a dita dureza me dá um jeitão: ouço muito menos estultícias e bacoradas, à minha volta.
Desligo.e pronto. Não me chateia quem quer …mas quem eu deixo.
A pagodeira acabou-se.
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Educação...ou falta dela
Finalmente torna-se claro que o problema dos Professores resume-se, só, a: Avaliação.
Só quem estiver distraído não o percebe. O resto é troco …mal contado. Pessimamente mal contado. Parece que se engoliu uma cassete.
Eu entendo a resistência às mudanças. Andei sempre em luta com essa atitude.
Levei uma vida a pregar que o caminho certo é mudar. Mudar todos os dias, nem que seja, só e apenas, a disponibilidade para mudar, amanhã.
O que não entendo é:
Se os Professores não querem este modelo de avaliação, qual é que propõem?
Isto mete-me confusão.Porque quando não quero uma coisa, explico o que quero... em vez de ...e de imediato. Ora eu vejo contar historietas que podem distrair, mas nada explicam.
Uma coisa me parece: -este problema que está em cima da mesa, é no fundo uma questão de Educação. E os professores (generalizadamente) não estavam educados para entender que chegou o momento de concretizar do que já se falava há anos (a avaliação já era prometida há mais de uma dezena de anos) mas que nunca fora concretizada.Por pressão dos sindicatos e o medo dos políticos.
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Medo dos Professores serem avaliados pelos alunos.
Primeiro isso não é exactamente verdade.
A avaliação estatística comparada, entra, só e apenas, com um peso despiciendo na avaliação final. Essa comparação estatística pode – e deve – é ser muito útil para o professor se autoavaliar.
No nosso tempo, apesar de tudo, a verdade é que os professores eram mesmo avaliados pelos alunos. E os melhores eram por norma os mais exigentes. Tínhamos orgulho em ser aluno do Carneiro, do Jorge, do Euclides do José Tavares etc. etc. Já vinha detrás esse orgulho no nosso professor: ser aluno do Zé Lau, doGuilhermino ou da Vicência etc, era Estatuto.
Hoje nem o nome se sabe do «profe». Porque como todos tinham (têm) de ser bons, o nivelamento fez-se por baixo. E os bons – que são muitos! - andam misturados com tudo o resto.
Aflige-me como os bons aceitaram, cordatamente, andar este tempo todo em má companhia, deslustrando-se. Pensando, apenas e só, no problema material.
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Os Professores estão a comportar-se como a mais conservadora classe profissional .
Lamento profundamente.
Terão uma percentagem grande de razões para fazer derivar o caminho, corrigindo o que saiu fora do controle.
Deixaram esse diálogo para os Sindicatos (Fenprof). Desastre. Porque é também verdade que estes tipos dos sindicatos deveriam ser sujeitos, eles também, avaliados.Não. Andam há trinta anos a falar do mesmo, no mesmo tom.
Há dias reparei atónito com o cabeça de contestação da questão de Anadia. Reconheci-o pelo palavreado, pois já nem me lembrava da cara.E disso: olha este é o Paixão, o delegado sindical que me deu cabo da mona.
O palavreado na contestação ás urgências de Anadia, era o mesmo,no delegado sindical que conheci há uma dúzia de anos.Que sabia de cor a cartilha, e não pensava: vomitava-a, num fundamentalismo «al-quediano».
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Diálogo …mas …
Gostaria muito que se chegasse a um diálogo. Com cedências nos pormenores, mas não no fundamental. E gostava de saber, se é verdade que no projecto há -ou não – uma lata capacidade concedida às Escolas para cada uma aplicar os critérios, atendendo à especificidade da Escola.
Aladino
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Era noite e havia luar,
Quando passámos pela Capelinha
E juntinhos fomos até ao mar.
Deitados na areia, entre o céu e a água
Sonhávamos que a vida era poesia.
Havia paz na noite
E no ar que nos trazia a maresia.
Na tela pintada ao natural,
Só o marulhar da vaga cortava
O desvelo com que olhava
Os contornos ternos do teu rosto.
Dos teus lábios vinha a frescura.
Eram mais rubros que a papoila.
Cantavam a vida imaginada
Onde o mar não fosse enfurecido
E o dia se não escondesse enevoado.
Para que o barco por nós conduzido
Transformado ilha flutuante
Aportasse ao mundo mágico, acordado,
Onde a água fosse tão límpida
Que permitisse ver nossas mãos entrelaçadas
Reflectindo no cristal
Tanto amor a exigir eternidade.
S.F.Fev 2008
Aviso da Paróquia
Lembrem-se que quinta-feira começará a catequese para meninos
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ASSIM NÃO VAMOS LÁ....
Como certamente muitos portugueses segui com a maior atenção os «Prós e Contras», de segunda-feira passada.
Problema terrível este ,em que desde 1974 andámos a brincar ao ensino ,destruindo muito de bom que, apesar de tudo, existia .Por exemplo :- o verdadeiro empenho dos professores ,que mesmo mal pagas exerciam com a maior dedicação o seu mister.
Destruiu-se só …e nada se construiu de válido.
Em nome da Liberdade os professores perderam toda a autoridade .Também por serem todos iguais –e todos muito bons ! assim se clasificavam entre pares- a maior parte deles nunca mais soube o que era se actualizar ,estudar , ou preparar-se ,para, com proficuidade, transmitirem o que deveriam saber ,mas que de facto não sabiam.(Claro que há muitas, muitas excepções ,mas esses não estavam lá …nos P&C)
A molhada levou a que os ditos conselhos directivos nada mais fossem que grupos de amigos, prontos a facilitar a vida aos colegas ,num nacional porreirismo em que somos especialistas e que levou à indecorosa falta de assiduidade do professorado que deve ter batido todos os recordes de outra qualquer actividade.
Então como as regras se pretendem mudar ,surge agora a indignação.
No debate uns deliraram optando por adjectivar em circunlóquio .Provar o que se dizia:-nada. Provar afirmações zero .Sabiam porque ouviam dizer .Talvez bons profes ..mas péssimos alunos .Se aqueles eram a amostra dos professores que temos (salvo o Prof. Arsélio),então não se poderia dar pior e mais indecorosa imagem da classe.
Brilhante o Prof Arsélio, nosso vizinho, o que nos honra, porque era o único que sabia o que queria e porque pareceu de imediato ser o único naquele grupo açulado – então aquela prof da Moita que lia a adjectivação era pior que uma pittbul- que falava pela sua cabeça ,com ideias próprias (o que levou á indignação dos colegas quando lhe foi dada a preferência –e bem! –pela moderadora ) pôs com equilíbrio dúvidas que terão de ser avaliadas .
A Ministra foi , além do Prof A. ,outra que falou pela sua cabeça .Com serenidade difícil de enroupar com tanto fel vomitado ,era uma das únicas que sabia bem o que queria. E mostrou à saciedade como há um monte de demagogia que sobrenada este importante e definitivo problema que urge resolver ,sem o qual não iremos a lado nenhum .
Resolver divergências ?:-claro .Ver como aliviar a burocracia ? óptimo .Nenhuma grande transformação nasce isenta de defeitos. Corrige-se ….andando…, identificando processos e agilizando procedimentos. Faz-se, fazendo-se.
Lá virão, agora , as marchas de protesto.
Mas esta classe profissional que pensa ter direito a emprego saído da Faculdade, sem se sujeitar a análise de vocação e ou a preparação pedagógica dirigida, e que parecendo dizer querer ser avaliado –sendo certo que não o quer, mesmo !-um dia vai ter o desgosto de se ver encurralada na Escolas com os Pais e alunos açulados contra o seu reaccionarismo.Ouviram aquela posição do representante das Assoiciações de Pais?
Aladino
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
“O preço do curso sobre “Oração e jejum” inclui as comidas.”
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Eu já o sabia, há muito..
O ex-ministro da Justiça, Aguiar Branco, do PSD, só ontem descobriu – e disse-o em voz alta – a pequena dimensão de Ribau Esteves (Publico de hoje).
Iniciaram – se, às claras, fortes movimentos nas hostes PSD -PPD’s visando dar um pontapé no dito há este grupelho de populistas desbocados, líricos e impúdicos, que pensavam ser tão fácil enloilar o País, como o era ensandecer as clientelas partidárias locais.
Fico preocupado.Penso mesmo escrever uma carta aberta aos que se propõe chutar os ditos, devolvendo-os à procedência, para, encarecidamente, lhes pedir que os deixem lá ficar. Deixem-nos ir uma vez por outra Televisão – ao programa da Maya, por exemplo – e isso será o bastante lhes alimentará o ego. Mas por favor não o devolvam…
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Relatório da SEDES
Este relatório da SEDES é preocupante. Porque dizendo coisas óbvias, não se percebe, muito bem quem acusa. O Santana Lopes que se deveria ver atingido pelo que lá se diz, afirma-se muito preocupado com a situação. Como se ele não fosse um dos grandes culpados desta borrada toda.
De facto o tempo não dá para antever coisas boas. O futuro é preocupante. O tempo em que vivemos só nos traz pequenos títeres a substituir outros pequenos títeres. Parece que já nem destes há títeres a sério. Parece que a sociedade politica é hoje o esgoto imundo, onde só vasa a sordidez, a cobiça material, o assalto ao poder a todo o custo, o descalabro da falta de ética, o despautério da sem vergonha.
Por isso temo o desencanto. E não sei como se vai conseguir ultrapassar este desencanto, esta maledicência que vai engrossando, com uma comunicação social que se revê na desgraça, empolando-a, exorcizando-a. Vendendo-a sofregamente.
É contudo verdade: há uma abismal diferença entre o que se diz e o que se faz. Com uma impunidade que parece não envergonhar os palradores.
Aladino
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Pérola literária
Há dias, alguém amigo fez-nos o favor de enviar a carta que reproduzimos abaixo, guardada desde há muito.Chamava-nos a atenção para a notabilíssima pérola literária que a mesma é .Indubitavelmente. Difícil manobrar melhor e com mais estro a pena. É uma peça literária plena de graça, irónica, na abordagem de drama íntimo, sério, para a resolução do qual se pede mais que tratamento clínico adequado à maleita, mas empenho solidário. A lembrança levou-me a partilhá-la com os leitores deste Blog.
Dirão os meus caros :finalmente ,coisa boa no Blog !.Seja…
Para já fiquemos com esta deliciosa entrada:
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Carta dirigida pelo Dr. Frederico de Moura, ao Dr. Nogueira de Lemos, Médico Cirurgião de Aveiro
Meu caro Lemos,
É coisa axiomática que o pénis não obedece a freio; e é coisa de esperar que, a natureza o tenha dado a animal que lhe não obedece. Mas como a esta estuporada profissão que exercemos só aparecem anormalidades, aberrações e coisas em desacordo com a natureza, surgiu-me hoje no consultório esse rapazinho que lhe envio, com um freio de tal dureza e de tal conformação que o insubmisso pénis, tradicionalmente indomável, não teve outro remédio senão ceder. Calcule os mistérios e os paradoxos desta ladina natureza! Esse moço, na casa dos 20 anos com uns corpos cavernosos que devem estar isentos de qualquer esclerose ou de qualquer obstrução, e concerteza dispondo de uma libido afinada capaz de lhe fazer sair, erecto, o próprio umbigo, resolve ir para o casamento com os seus (dele) três vinténs e confirma, então a suspeita que já tinha, de que no auge da metálica erecção, o pénis fica em crossa como o báculo de um bispo, por incapacidade de vencer a brevidade e a dureza do freio que lho verga para a terra. Calculará o meu prezado Lemos, as acrobacias de alcova que este desgraçado terá de realizar para conseguir a penetração de um membro viril, quase tão torto como uma ferradura, na vagina suplicante da consorte.
De modo que o rapazinho veio pedir-me socorro, e eu condoído peço-lhe a sua colaboração em favor da harmonia conjugal, com a certeza de que por isso ninguém nos irá acoimar de chegadores. Condoa-se a cirurgia de braço dado com a medicina que, por intermédio deste fraco servidor que eu sou, já se condoeu e endireitemos o pénis torto (e nada de confusões, que não é mole pelo que me afirma o proprietário). Lembremo-nos, sobretudo, ao praticarmos esta obra, que vem aí um tempo em que um pénis destes, mesmo em arco ou em forma de saca-rolhas, nos faria um jeitão, e ajudemos o pobre rapaz que se compromete comigo a fazer bom uso dele, emprenhando a mulher da primeira vez que o usar, depois da operação ortomórfica que o meu amigo lhe vai fazer sem sombra de dúvida.
Desculpe mandar-lhe desta vez uma tarefa fálica! Ouvi uma mulher um dia dizer que um Phallus é um excelente amu1eto e que dá sorte verdadeira. Se quiser tirar a prova não tem mais que endireitá-lo... e jogar a seguir na lotaria. Desculpe, pois, a remessa de bicho tão metediço que eu por mim prometo, logo que possa, e em compensação, mandar-lhe uma vulva virgem e nacarada como uma concha de madrepérola.
Um abraço do seu amigo certo
Frederico de Moura
P.S. - Como a minha letra é muito má segundo a sua opinião, e como o assunto desta carta é muito importante para duas pessoas, uma das quais do sexo fraco, entendi do meu dever dactilografá-la. Assim. não haverá nenhuma razão para que o meu amigo dizer que não entendeu o que eu queria e, por partida, deixar o aparelho na mesma ou pior ao rapaz.
Quero ainda dizer-lhe que para sua compensação, tenciono depois do êxito que o seu ferro cirúrgico vai alcançar, comunicar o seu nome à mulher beneficiada que, por certo, lhe ficará eternamente grata, ficando sempre com a sua pessoa presente na memória nos momentos - e oxalá que sejam muitos! - em que se sentir penetrada por um pénis que só o meu Amigo conseguiu endireitar. E nem sei se o Estado virá louvar a sua acção, se lhe for dado conhecimento que os filhos que saírem daquele casal são devidos em grande parte (não ao seu pénis) mas, sem dúvida, à sua mão.
E filhos com a mão nem toda a gente se poderá gabar de os fazer!
Creia-me seu afeiçoado,
Frederico
27/3/1958
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Aladino
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Avisos da Paróquia
"O torneio de “basquet” das paróquias vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira.
Venham aplaudir, vamos tentar derrotar o Cristo Rei!"
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De um prato de lentilhas fazem um bodo aos pobres (de espírito)!..
«O Ilhavense» de hoje trouxe uma boa noticia. A confirmar que, se não é apreciado o valor dos «ílhavos» cá por casa, isso é fruto, apenas e só, de avançada miopia. Escandalosa, e mais grave tenebrosa: porque intencional.
Diz-nos «O Ilhavense» que Ana Maria Lopes foi convidada pelo Museu da Marinha para consultora técnica do mesmo.
Tenho verificado o enfado doentio, para não dizer doesto, como a referida AML tem sido tratada em actos públicos recentes. Que vai do esquecimento, pura e simples, do facto de AML ter sido a Directora do Museu -sem suborno a qualquer politica, portanto iniciativa sua -responsável pela viragem que conferiu a forma museológica, marítima, que hoje, aquele ostenta.Ou até, ao desfastio da citação distante, à vol d’oiseau, rápido e fugidio, de por lá ter passado antes dos dez anos que para alguns, abrem a história daquela casa.
Nesta Terra, onde nada se faz (actualmente), antes se preferindo comprar tudo feito – até «O Livro» – é bom que se tenha consciência da notícia.
Os valores por aqui não faltam. O que falta é o seu aproveitamento.
É verdade: esta terra parece-se com aqueles apregoadores das virtudes da limonada. Quando estão secos vão à tasca encharcar-se de tintol. Nem que seja zurrapa.
O saber seguro, produto do estudo atento e curioso, muito minucioso e pormenorizado, de AML, que lhe permitiu a produção de «O Vocabulário Marítimo Português» – extensa e esgotante leitura da actividade piscatória do litoral português –, e de «O Moliceiro» -o único verdadeiro e exaustivo trabalho publicado sobre esta embarcação – para lá da sensibilidade à faina no largo – «Faina Maior» -,serão por certo de muita utilidade ao Museu da Marinha.
Por cá de um prato de lentilhas fazem um bodo aos pobres (de espírito).
Et voilà…
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Sonho curto …mas sonho
Se não piorar, vou acabar num desespero de não ter conseguido resolver as equações da minha vida.
Começo, por falta de compagnons de route, a olhar demasiadamente para mim. E agrido-me. Às vezes sem necessidade. A vida quando se alheia de algumas coisas que se movem à nossa volta começa a ser estranha. Parece que nem os prazeres sou já capaz de os viver, intensamente. A vida parece que já não nos empolga. Até deixamos de ser agressivos.
Mau sinal quando é necessário sê-lo, porque as coisas não melhoram: -pioram.
Eu não quero enfeitar o passado Não! Não procuro branqueá-lo. Aceito os erros. Na verdade o que eu queria -e teimo apesar de. -era sonhar com o futuro. Ainda que fosse curto o sonho.
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Há Câmaras e Câmaras
Tenho andado envolvido na leitura das actas Camarárias, na recolha de elementos que me façam perceber, e depois escrever(vamos a ver) o «Ílhavo – Ensaio Monográfico II Parte 1900-1974».
Em 1922, em acta, a Câmara de Diniz Gomes subscreve um agradecimento a António da Rocha Madail pelo seu trabalho Monográfico, que viria a servir de base ao Brasão.
Bonito, não é?
A Câmara, claro, dado o tipo de trabalho, editou-o às suas custas.
Não, não quero comparar trabalhos. Quero é comparar atitudes.
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Antes e Depois …
Tinha essa ideia.
Era eu rapazito, aluno no Colégio, e num trabalho que ganhou um prémio, (já) referi então que Diniz Gomes teria sido um notável Presidente da Câmara.E enumerei as razões. Não o refiro pelo prémio (os dois livros de «Costumes e Gentes de Ílhavo», que guardei religiosamente, li e reli, vezes sem conta), mas porque, oriundo de uma casa, de uma família que desde tempos ancestrais sempre se opôs a Diniz Gomes, politicamente, isso não impedia que aos mais novos não fossem referenciadas as virtudes, mesmo dos opositores. Foi assim que fui educado. Discordar, mas respeitar. Um opositor pode ter ideias diferentes, mas não é um inimigo.
Ora hoje, vida passada, não tenho dúvidas.
Ílhavo divide-se em dois períodos:
Antes de Diniz Gomes …e depois de Diniz Gomes…
Quando muito, hoje, fico satisfeito por aquilo que está dedicatória dos referidos livros da autoria de Diniz Gomes: o louvor à «precocidade» do puto, patente no que tinha escrito no referido trabalhinho.
É assim Em pequeno mostra-se muito do que vamos ser, depois, na vida. Os pais devem, por isso, estar atentos. Para corrigir...ou para incitar. Nunca alheados ou distantes do processo evolutivo da personalidade dos seus rebentos.
O meu Pai sempre me disse:
-nunca«os» poupes. Se te derem com uma mão na face ..dá-lhes um murro ..ou uma dentada. Nunca a outra face. Mas respeita-os…se pensarem diferente de Ti.
Aladino
domingo, fevereiro 17, 2008
" Lembrem nas suas orações todos os desesperados e cansados da nossa
paróquia".
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Bons governantes ou governantes bons?
Continuo a olhar o mundo com pena de não ter tempo – e às vezes agora, paciência – de gozar o deslumbramento que sinto com a vida, mesmo que agora vista (já) a uma certa distância.
Deslumbro-me; mas sinto medo do que virá aí para as novas gerações. Não sei se estas irão perceber os novos tempos.
Há uma falta clara de grandes figuras a orientá-lo. Washington., Gandhi, Mandela, Churchill…foram-se. Mesmo que ainda houvesse meia duzia de «Mários Soares», já me alegrava.
Não.Hoje já não há figuras com dimensão ética, politica e humana, que possam ombrear com aquelas (e outras) que desbravaram o árduo caminho por onde o homem se foi emancipando, adquirindo alforria e direitos, e compreendeu haver deveres a cumprir.
A polémica que corre no Reino Unido com as declarações absurdas do arcebispo da Cantuária, Rowan Williams que são uma espécie de capitulação civilizacional, deixam-me perplexo. Isto é: ou afirmamos sem complexos que as conquistas conseguidas sobre o domínio da religião(dona de todos os valores até então) só foi possível por uma iluminação do pensamento europeu do séc. XVII, e que, custe o que custar, não estamos dispostos a deixar soçobrar essa «superioridade temporal», ou voltaremos a um mundo tenebroso, obscuro, que não aceita o multiculturalismo, e que a breve trecho está exposto,de novo, à cegueira do fanatismo religioso.
Parece que se tem medo e se começam a fazer concessões perigosas. Em nome de uma pseudo aceitação das tradições menores, desprezamos as conquistas maiores.
Por este caminho fazemos desta destruição de conquistas uma espécie de emblema de liberdades.
Bons governantes ou governantes bons? O que queremos de facto.
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Sonho curto …mas ainda sonho (nem que seja em Mirandês)
Se não piorar, vou acabar num desespero de não ter conseguido resolver as equações da minha vida. Quando a vida se despedir de mim – sim, porque o contrário julgo que me não acontecerá – não terei tido tempo de resolver, e ou encontrar o X=………
Começo, por falta de compagnons de route, a olhar demasiadamente para mim. E agrido-me, interiormente. .Às vezes sem necessidade. A vida quando se alheia de algumas coisas que se movem à nossa volta começa a ser estranha. Parece que nem os prazeres somos já capazes de viver. A vida parece que já não nos empolga. Até deixamos de ser agressivos para os outros…e apenas o ser para nós mesmos.
Mau sinal quando é necessário (ainda) sê-lo, porque as coisas não melhoram: - pioram.
Eu não quero enfeitar o passado Não!.. não procuro branqueá-lo. Aceito os erros. Na verdade o que eu queria -e teimo apesar de, -era sonhar com o futuro. Ainda que fosse curto o sonho.
Glosando Amadeu Ferreira
You inda num sou de ls que me quedo ,pus num me falta que fazer, mas que balor le dana l que un biello faç?Morremos-nos, mesmo ,mesmo ,quando yà naide mira para nós. Se cuntinamos a andar porqui ye porque I semitério inda num mos qiuier
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A vida é como uma maçã
Tudo por causa da trincadela de uma delas…
Só que é verdade,
A vida é como descascar uma maçã. Só depois de aberta (depois de vivida) encontramos uns podres. Se não forem muitos, vale a pena ,ainda, dar-lhe uma trincadela. As ( maçãs ,e as vidas ) mais saborosas, são mesmo as que têm alguns podres.
Se estão todas podres, o melhor é deitá-las no caixote do lixo….
Aladino
terça-feira, fevereiro 12, 2008
"O mês de Novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia."
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Em 1808 a deslocação da abertura que ligava a laguna ao mar, fixando-a no actual local, trouxe um problema acrescido às companhas que laboravam na costa de S.Jacinto, em frente à Senhora das Areias.
Desde meados do século XVIII que as dificuldades de renovação das águas lagunares trouxeram consigo uma crise profunda a toda esta região; crise económica devido ao quase desaparecimento das espécies, provocada pelo inquinamento das águas interiores. Mas e também, uma crise desesperada, motivada pelas pestilências que tal situação provocou nas gentes ribeirinhas, ceifando um número apreciável de vidas daquelas gentes desprotegidas para resistir a tal flagelo.
Os pescadores tiveram de saltar para a borda do mar, deixando a laguna,então morta, levando consigo as redes do chinchorro e as bateiras, procurando rápida e laboriosamente o sustento nas águas do mar. As condições eram penosas e perigosas, tão penosas como o era o alar das redes feita à força do braço. Mas logo com engenho e arte, sonharam – e realizaram – uma embarcação capaz de ir mais longe, que saltasse na quebra da vaga, encabritando-se até aos céus para logo descer em segurança (?!), e assim ultrapassar essa dificuldade primeira. Aprontado o meia-lua, meteram-lhe no enorme bojo as artes maiores – a xávega – redame que os galegos lhes tinham ensinado a manejar, saltaram-lhe dentro agarrando-se ao punho dos remos, segurando -e segurando-se – no reçoeiro, entrando mar adentro em volta larga antes de virem abicar praia.
Ora a abertura da nova barra trouxe uma nova e inesperada dificuldade; a correnteza da maré tornava difícil, ou até problemático e muito inseguro, principalmente de noite, o acesso a S Jacinto. Luís Santos Barreto – Luís da «Bernarda», alcunha da sua mãe – e seu irmão José, valentes e venturosos arrais da xávega, resolveram tentar a sua sorte a sul. Luís aportou á Costa Nova, varando nas dunas desertas, ali defronte ao local onde mais tarde foi implantado aquele que foi o palheiro habitado por «José Estêvão». O irmão José, esse, mais temerário, continuou. E só parou na costa de Lavos, aí se fixando.
A pesca correu tão bem ao Luís - mesmo que feita em dia chuvoso! - que logo outros companheiros puseram mão aos remos e trouxeram as suas tralhas, dispondo-as na costa. Para a diferenciar da antiga, logo a apelidaram de COSTA-NOVA, cujo acesso feito por travessia de barca na «Maluca»,era muito mais cómodo e fácil.
Criou-se ali uma comunidade piscatória, relevante. Em 1837 eram seis as acompanhas em laboração, empregando seiscentos e trinta e seis pescadores; e outras tantas pessoas (ajudantes, salgadores, peixeiras, mercantéis) que trouxeram movimento desusado àquela zona, até ali, então, deserta. A esta comunidade veio juntar-se o lavrador gafanhão-o labrego-, que trouxe os seus bois à borda para facilitar o alar das artes, numa espécie de ruralização da beira-mar.
Construída a capelinha de tábuas cobertas com caniço,no intuito de glorificar o orago S Pedro, santo protector destas gentes que lhe manifestavam muita devoção e crença, logo em volta da mesma se foram instalando os palheiros. Uns, mais simples e toscos,apenas destinados a resguardo daquelas gentes. Outros de portal largo para acesso dos enxalavares – carros de rodas largas onde se transportava o peixe que eram puxados por uma parelha de bois- e onde se instalaram as novas fábricas de salga – os palheirões. Uma nova técnica que o francês Mijoulle (1773) tinha trazido para a região, permitindo uma utilização do peixe para tempo muito posterior á sua captura. O que traria um acréscimo à importância da sardinha, que se afirmaria o grande alimento de uma época onde os períodos de jejum obrigatórios, longos, incitavam á sua procura, já que era um tipo de peixe que suportava bem tal tratamento de conservação, sem perda de qualidade.

A Faina na borda
1822 trouxe um novo hábito que viria revolucionar mentalidades e costumes: a procura das praias de mar para banhos, que a casa real tinha com o seu exemplo, promovido. Os primeiros banhistas instalaram-se em enxergas postas na areia, nos humildes palheiros, que começaram a posicionar-se para sul das companhas, mais junto à ria.Logo a seguir foram tentados pela aquisição, ora de terrenos – logo que os mesmos passaram da jurisdição de Ovar para Ílhavo (1855) – ou e, dos próprios palheiros, muitos dos quais foram passando para as mãos dos veraneantes.
Nos finais do século XIX, a «Costa Nova», que entretanto anexara o «do Prado» à designação inicia, para sua identificação, começou a adquirir tiques cosmopolitas, tornando-se local privilegiado de visita ou estadia de políticos, escritores, figuras da igreja e da sociedade civil, para o que foi vital a acção de José Estêvão, notável e cativante anfitrião, impulsionador de tais convívios, profusamente referidos à época.
O século XX iria fazer da Costa Nova do Prado um ponto de encontro e divertimento, para gozo em férias. Foram criados locais de encontro: -as famosas Assembleias, os Salões – em que o mais famoso se designou Salão Arrais Ançã - Clubes, todos locais onde grupos disputavam acirrada e galhardamente a notoriedade das suas festas – bailes, conferências, concursos de beleza, concertos, promovendo touradas, circuitos de motos, regatas, e claro, as famosas chinchadas da época. Locais de convivência alegre e despreocupada de elites, deram origem a uma intensa vida social, onde era primordial o doce chilreio da graça feminina, o que serviu para fazer da Costa – Nova, um local e um sítio prazenteiro, cheio de cor vida e graça.

A diversão no «Bico»
Ao pé descalço, e a perna ao léu, e a sem gravata , foram sendo substituídas pelo rigorismo pedante que a envolvem num banho de volúpia e num beijo enorme de desejos sensuais, escrevia-se num postal de ali enviado.
Os Jornais da época, principalmente de Ílhavo, Aveiro e Águeda – mas e também as Gazetas de Lisboa – disponibilizam espaço para laudas e laudas de notícias, postais, crónicas e croniquetas, que alimentaram o mito do local mais cosmopolita da região – a Costa Nova – local da gente polida da época, sociedade do chiquismo, onde todos se desejavam ver – para gozo da maravilhosa e pródiga natureza – mas e também para serem vistos, por vezes até, anunciada a sua chegada em largas parangonas: - «nos próximos dias chegará para gozo de férias , S. Exª etc.…acompanhado da esposa e… »-era habitualmente lido, nos jornais locais.
A Costa –Nova era Sol, muito sol, sempre sol. Amplidão de frescura e água onde apetece mergulhar. uma tela onde a luz tem o papel principal: - dizia-se à época
No marÍlhavo seria bem diferente se não tivesse de entre as suas jóias, esta, a mais bonita da coroa.
Seria diferente naquilo que tem para oferecer e cativar o visitante; mas seria diferente porque foi ali -na Costa Nova – nesse convívio privilegiado, se gerou a geração de 20 ,uma geração de ouro que se afirmou e lhe conferiu um destaque, por de entre os seus filhos,surgirem figuras que se viriam a afirmar no panorama nacional nos mais variados campos ; das letras ,das artes, dos ofícios e saberes.
S F.(2008)
Jan 2008
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Não contes do meu
Sorriso
Que corre para ti, hoje.
Nem que fecho
A cortina
Para a tua ternura ficar comigo
Deixa que te envolva,
Ao menos,
No carinho de um suave abraço
Não contes a ninguém
O desvelo
Com que o faço
Deixa ficar o segredo
E com ele
O nó sem laço
Deixa passar o vento
Abre a janela
E deixa-me entrar
Um dia havemos de ir
Como os rios
Correr direitos ao mar
Para ouvir um búzio
Na praia
Dizer, que bom é amar
SF
DEZ 2007
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
"Assunto da catequese de hoje: “Jesus caminha sobre as águas”
Assunto da catequese de amanhã: “Em busca de Jesus”
Comemoração dos 110 Anos de Independência
do Concelho de Ílhavo.
Anexação e Desanexação do Concelho de Ílhavo
(1895-1898)
Em 1865, à profunda crise politica viria juntar-se a pior colheita agrícola de sempre. O desemprego e a criminalidade atingiram níveis nunca alcançados; o país via nos suicídios individuais que grassavam por todo o lado, a aproximação do suicídio colectivo. Os tumultos surgem por toda a parte, em particular pela região de Aveiro, com o povo a indignar-se contra o imposto de consumo, entretanto criado. Tentado um plano de emergência e de estabilidade, não se vislumbraram, contudo, quaisquer consequências positivas. Importadas do exterior vão chegando as criticas demolidoras do liberalismo. Oliveira Martins é um dos arautos da transmissão desse estado de espírito, acusando os políticos, o parlamentarismo e os partidos, de serem «a causa de todos os males». A politica – afirmava-se – quando reduzida a uma mera competição partidária e parlamentar, era um estorvo, sendo por isso preciso, inadiável, – apregoava-se nos últimos anos do século – «engrandecer a realeza» para a transformar no poderoso agente da civilização, necessário para defrontar os «novos» desafios. Era assim justificada a necessidade de um novo governo que apoiado na «autoridade real», e sustentado pela apoio e pela adesão das camadas populares, fosse capaz de pôr de lado as práticas conciliatórias, empreendendo reformas vigorosas, musculadas, que permitissem ir de encontro aos interesses instalados.
Desta situação irá surgir, de novo integrado num governo regenerador, João Franco, que assumirá papel determinante na função legislativa, ainda que levada a cabo com o Parlamento encerrado o que pré- configurou a prática de uma ditadura, desculpabilizada com o facto de ser provisória e condicional. João Franco vai assim proceder a uma profunda reforma administrativa com que pretendeu acabar com os influentes e com o interesse dos «campanários», na qual, para lá das mudanças no ensino, reformulou o exército, estabeleceu quotas de representação no parlamento, e introduziu profundas mudanças Constitucionais. Assim classificou os Concelhos por ordem (1ª, 2ª e de 3ª categorias), fixando que os pequenos concelhos sem capacidade para satisfazer as necessidades básicas, deverão ser agregados aos maiores: e é nesta mudança, neste novo panorama administrativo, que se irá decretar a inclusão do Concelho de Ílhavo no de Aveiro.
Para a esquerda progressista os concelhos deviam ser comunidades independentes; para Franco, «positivista», o que contava “eram os factos históricos”: - os municípios e paróquias só faziam sentido, “conforme tivessem, ou não, recursos para prestar serviços de modo a poderem cumprir uma função social”. Por isso, na sua ideia, haveria que acabar com os municípios inviáveis, integrando-os nos grandes municípios.
Mas o que a reforma administrativa – que centralizou o País em trinta e três círculos eleitorais – visaria, seria, acima de tudo e fundamentalmente, controlar o voto, no sentido de a que a votação dos grandes centros urbanos não fosse pulverizada pelos votos rural (normalmente reaccionário, clerical).
O decreto de 28 de Março revogando a Lei eleitoral vai permitir que a área dos círculos eleitorais coincida com os distritos administrativos, com o que se pretendeu conceder representatividade às forças minoritárias. Para conseguir esse desiderato, alguns pequenos concelhos irão ser anexados aos concelhos mais representativos da área.
O decreto de 21 de Novembro de 1895 vai nesse sentido fixando a anexação do concelho de Ílhavo por Aveiro. Em acta da Câmara Municipal de Ílhavo dessa data [1], dá-se por extinto o Concelho, de que era na altura Presidente, Augusto Oliveira Pinto, e Vereadores João César Ferreira, Henrique Cardoso Figueira e José Maria da Silva Valente, nomeando-se para administrador na nova orgânica, o Dr. Mário Duarte (conhecida figura do desporto aveirense, que contava em Ílhavo com grandes amizades).
Naturalmente, e apesar disso, o facto não foi bem aceite na Terra, tendo-se formado uma «COMISSÃO PARA A RESTAURAÇÃO DO CONCELHO», cujos ecos se fizeram ouvir em toda a imprensa da região, e irão chegar ao Parlamento.
A integração iria durar pouco tempo e não teria nenhuns efeitos perduráveis. A situação económica e financeira do País piorava, e era já previsível a queda do Governo de Hintze Ribeiro e João Franco. A lei eleitoral já em 1896 fora corrigida; Franco reconheceria “que a sorte dos Governos dependia da prosperidade do País”. O próprio Luís de Magalhães ilustre aveirense, seu amigo, ter-lhe-ia afirmado: - «tenho graves dúvidas sobre o êxito da sua politica”·.
Portugal definhava e o rei D. Carlos concluiu que aquele governo já não tinha qualquer préstimo: - nem para o Rei, nem para o País.
O Governo cairá a 6 de Fevereiro de 1897. Era o fim de quatro anos de governo regenerador e o regresso do Partido Progressista com José Luciano de Castro.
Por decreto de 15 de Janeiro de 1898, o concelho de Ílhavo será novamente reformulado e irá recuperar a sua autonomia administrativa. Forma-se nova Câmara; a primeira acta pós este período de anexação, data de 28 de Janeiro de 1898, sendo o cargo de Presidente ocupado por Ferreira Pinto Basto.
Nessa data o «ilhavense» José Barreto·, dedicou ao acontecimento um soneto que por curiosidade aqui se reproduz:
Assente sobre um vasto e fértil plano,
Em ruas amorosamente repartida,
De estradas, largos, praças, guarnecida,
Com mui saudável clima em todo o ano
Perfumada pela brisa do Oceano
Por aldeias Formosas envolvida
Mãe de nautas valentes, cuja vida
É um poema d’ingente esforço humano
Marítima, piscosa, industrial,
Formosa, alegre, activa e ilustrada
De importante labor comercial,
Este é d’Ílhavo a terra abençoada
Hoje enfim, do concelho a capital
«Esta é a ditosa pátria minha amada»
ALADINO
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
"O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o verão,com o agradecimento de toda a paróquia”
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O AMOR
Algo que não sei definir muito bem.
Mas que ao acaso, ao navegar sem rumo certo, à bolina, encontrei nas palavras desse notável panfletário que foi Maia Alcoforado, no seu «Ílhavo Terra Maruja».( n.b- quem não leu ,deve ler)
Ora digam lá se poesia é rimar, ou se não será outra coisa…
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O Amor!
O avant- propos da história dos ílhavos, foi escrito pelo Amor – talvez V Exªs o não acreditem – é o maior de todos os heróis…Falar desse eterno Herói às mulheres de Ílhavo, é ter de passar em revista os pelotões de lágrimas que o mar lhes tem feito chorar; é ir ouvi-las aos paredões da Barra e às areias da Costa Nova, à hora em que os veleiros de proa ao S.W. começam a marear o pano e a grita comovedora dos adeuses abre chanfraduras de sangue na alma dos que partem e no coração ficam …; é fazer acordar no seio de todos os oceanos, que bordam todos os continentes, as cavernas carcomidas duma multidão de navios, que a fúria das tormentas desmantelou e a guéla hiante dos vagalhões engoliu no meio de risadas infernais…; é ir desvendar os nevoeiros da Terra-Nova, catacumbas do mistério e da solidão, onde jazem mirradas as pranchas dos dorys e os esqueletos dos pescadoresA mulher de Ílhavo só por si é um poema de amor..
(Maia Alcoforado 1932)
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POESIA versus MURO DE TIJOLO…
Na apresentação do livrinho de João de Almeida, o director da secção cultural de «Os Ílhavos» referiu-se a um conterrâneo que um dia lhe teria dito se pensas que isto de poesia é fazer muro de tijolo a metro…; subentendi que o conterrâneo quereria marcar a diferença – para ele poeta – entre obrar poesia, ou simplesmente (?!), prosa.
Claro que eu compreendo o que o dito quereria dizer ..Muito embora tenha certas duvidas –muitas! - sobre os poetas.Inspiração por inspiração, a prosa é muito mais suada. O poeta faz poesia com um décimo das palavras – o que não deixa de ser uma vantagem – e com uma total liberdade de sugestão. Se quisesse escandalizar – exagerar e glosar – diria que a poesia está para a prosa como a pintura abstracta está para a pintura renascentista. Uma faz-se de um momento, outra é produto de um grande trabalho de escola.
Por isso é verdade(?!) os poetas serem, por norma, preguiçosos…e fingidores…
Uns «poetas!...»
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JOÃO DE ALMEIDA-1
(Vista -Alegre a minha terra)
Um interessante livro de memórias, que foi apresentado ,sábado.Ter memória é dar-nos conta dela dum modo singelo, mas amoroso.É q.b.
O livro de J.A merece, pois, todo o respeito. Não é uma obra de história, mas dá-nos o registo de pormenores valiosos. E é, acima de tudo, um trabalho feito com o coração e escrito por alguém que desejou exprimir o viver com solidariedade e em convivência, num mundo que até lhe parece, hoje, ter sido de rosas,e em que participou. Ora um homem que participou deve dizer no que (.) e onde. J.A fê-lo… O livro fez-se perante os gestos de indiferença inexplicáveis… diz V. S. no Prefácio. Inexplicáveis, mas esperados, expectáveis, acrescento eu.
João Almeida lembrou-me o
Um munamuna
Dois rilhós
Três holandês….
Oh! my god…tão longe e tão perto.
Quando se vive numa sociedade vesga e mesquinha é difícil,muito difícil, fazer lembrar que nem sempre foi assim. J.A mostrou-nos outra face desta terra: a que tinha filarmónicas, teatro, mouras encantadas e bispos. Lembram-se? Não?! …então comprem o livro sff
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JOÃO DE ALMEIDA -2
Dias antes da apresentação, li declarações no «Diário de Aveiro», feitas pelo corifeu do regime local. Dizia o troixelo que a Câmara não tinha apoiado o livro porque não se poderia fazer um livro sobre uma empresa privada sem ter desta autorização.
Parecia, pois, que o trabalho de J.A. era «crime» a que a impoluta Câmara-aquele grupo de anj(inhos) não se queria associar.Eu confesso que não percebi o taloca na estridente e opiniosa tarouquice.
Já ouvi muitas coisa parvas .Esta vou registá-la para a história(III).
Ora depois de ler o Livro, das duas, três:
1-Ou o patareco não leu o livro, e opinou como é seu timbre: -de cor e salteado
2-Ou leu; mas como não sabe ler – sim porque isto de ler não é só soletrar consoantes e vogais – não entendeu que o livro de J.A, nada, mas nada!... fala (e quando fala de raspão é só para elogiar) da empresa privada V.A, mas sim e só, da «Vista – Alegre».
3- Ou pois, terceiro e o mais certo:O barnabáu não sabe que foi a Vista – Alegre que deu o nome à Fábrica, e não o contrário.
Tanta ignorância pode ser inexplicável, como diz V S.Já eu diria: - perfeitamente explicável e expectável.
VS tem uma alma de poeta.Eu não...
ALADINO
quinta-feira, janeiro 31, 2008
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Há tempos tive a oportunidade de contactar com um pouco da história marítima dos Poveiros.Pessoa amiga, conhecedora em pormenor da mesma, chamou-me a atenção para a lancha poveira, fazendo chegar-me às mãos dois livros, um dos quais da autoria de Santos Graça, que eu penso, seja, uma das maiores -senão a maior -referência nos estudos dos «Poveiros».
Interessantíssimo. A revelar um conhecimento, notável e particular do autor, que nos surge muito próximo e ligado às suas gentes, às vezes de um modo familiar. Claro que gostei.
Há contudo algo no livro que me permito colocar em dúvida.
Diz o autor, quando trata das «marcas» dos Poveiros nas embarcações, nas redes, nos apetrechos e até, deixando a assinatura em locais visitados, que, conforme a douta opinião de Lixa Filgueiras, essas marcações seriam típicas da civilização egípcia (hieróglifos), e uma vez mais se refere à hipótese dos Poveiros – eles também! - poderem ter as suas origens no Fenícios.
Com um raio! Isto é uma fixação,
Logo que vi tais marcas, instalou - se em mim, a duvida:
Ocorreu-me que estas marcas pareciam muito pouco com os hieróglifos. E para isso, nem preciso de ser o Champollion (e a sua «pedra da roseta»), para pôr essa hipótese de lado

De facto, quando andei interessado em olhar para a escrita rúnica dos Norses («Nas Rotas dos Bacalhaus»), dei com o alfabeto que reproduzo:
Alfabeto NorseOu um exemplo de uma marcação numa pedra citada no referido livro, .
Pedra Runica
Penso pois que a suposição de ascendência ,é ,também aqui, despropositada .
A escrita Norse é de recente investigação ,bem como as SAGAS´daquele Povo..
Terá sido por isso ? Não sei efectivamente quando foram feitas aquelas considerações .
Insisto : o que digo é uma simples observação .Nada de certezas ,pois para tanto não me
ALADINO
terça-feira, janeiro 29, 2008
É noite.
É noite na noite.
A morte veio, e levou-Te
Para baixo da terra
Onde só há noite.
Que venha ..Que venha…
Essa magana.
Venha ela e me detenha,
Que eu levo-Te um cravo.
O jardim já não tem gente
Nem sequer nele há sonhos
Mas apenas olhares vagos.
Só a custo suporto o travo
Dos que vivem tristonhos
Sem nada entenderem,
Ou sequer quererem
Que surja outra madrugada quente.
SF
29.01.2008 ( na dia em que faria anos)
sexta-feira, janeiro 25, 2008
" Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência.
É uma boa ocasião para se livrarem das coisas inúteis que há nas suas casa. Tragam os seus maridos!"
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Voltando (para já) a Filinto Elísio:
De vez em quando, ou de quando em vez, dou uma volta pelos papéis que andam por aí, arquivados.
Fi-lo recentemente, e lá voltei a dar com o «FilintoElisio», praticamente pronto, mas parado.Foi um trabalho que me deu muito que fazer. Tenho fundadas esperanças de que um dia esta terra acorde- finalmente!- e se interesse por aquele que foi um eleito, um grande senhor da literatura e cultura Pátrias, filho de dois humildes «ílhavos»,daqueles que foram daqui fazer vida, para Lisboa..A mãe ,Maria Manuel, levava já o seu rebento na barriga, quando daqui se foi. Se Filinto (Francisco Manuel Nascimento de seu nome verdadeiro) não foi nado e criado em Ílhavo, foi aqui gerado.
E enquanto Filinto repousa no Arquivo, à espera do tempo, ao reler as notas que enformam aquele trabalho, chamou-me a atenção um poema de uma das suas alunas dilectas, a Marquesa de Alorna, que julgo por bem aqui incluir.
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Poucos se debruçaram sobre a obra de Filinto Elísio, para lá dos estudiosos da cultura portuguesa: Teófilo Braga, António José Saraiva, Óscar Lopes e Hernâni Cidade
José Tavares, o «meu» reitor do Liceu, homem culto, muito sabedor e um excelente pedagogo, dedicou a Filinto um pequeno (mas não menos importante) trabalho, em que deu a conhecer alguns dados biográficos do poeta, juntando-lhe uma série de poemas, por si seleccionados, para enformar o estudo.
O Prof. Fernando Moreira, nas «Obras Clássicas da Literatura Portuguesa», publicou todas as obras de Filinto, contidas em 12 Volumes. Só por esta simples referência é possível extrair a ideia da extensão da obra poética de Filinto. Mas lendo-o, reconhece-se facilmente a grandeza do notável escritor, figura impar do período Pombalino, que em odes, sonetos, canções e madrigais, se expressou no mais belo lirismo do mais puro Camonismo, visando a restauração do estilo clássico de quinhentos, no rigor de bem falar português, aspirando a falar e a escrever a verdadeira língua portuguesa de Camões e Vieira.
Filinto viveu grande parte da sua vida (pós Viradeira) exilado em Paris, perseguido pela Inquisição. Referem-se os estudiosos ao seu reconhecido talento, vertido num esforço de regenerar a escrita pátria, tendo chegado a considerá-lo o maior cultor da língua, depois de Camões e Vieira.
Filinto pretendeu recuperar o sonho ideal do Homem português e da Identidade Nacional propostos por Camões; um povo mais do que um povo; uma nação mais do que uma nação, um território mais do que um território, nem que tal expressão não corresponda, em exacto, à história lusa. P. António Vieira emprestou a arte da palavra para convencer em estilo profético, que não importava a exiguidade territorial, pregando que o preciso é acreditar que um dia (complexo sebastianico) chegará a hora do Quinto Império se os portugueses se determinarem a quererem mais do que aquilo que seria licito serem capazes de esperar.Nascerá assim, providencialmente, um novo Portugal, uma pátria gloriosa, superior a todas as outras: - esta foi profecia de Vieira.
Ora Filinto viveu no tempo de Pombal, tempo de um Portugal inferior. O Marquês pretendeu opor-se à posição da Igreja e dos Jesuítas com uma politica realística, de como e o que, se deve ensinar, para que Portugal fosse capaz de criar as suas elites que o colocariam a par das nações mais desenvolvidas da Europa. Filinto viveu junto do poder no tempo de Pombal e será ele, ao tempo, o porta voz das ideias filosóficas de Rosseau «de como os homens se igualam», ao denunciar todos os astutos malandrins que alienavam as mentes dos povos, impedindo-lhes o rumo de serem livres. De Filinto -um padre! -. brotaram as palavras mais rudes contra a acção nefasta da Igreja e dos frades no governo dos povos.
Filinto foi professor no Convento de Chelas, das duas filhas de D João de Alorna que se viu implicado no atentado que o Duque de Aveiro teria perpetrado contra D José.
D.João, homem culto, fidalgo de grande carácter, sem soberba nem arrogância, era casado com uma Távora. Por tal motivo pretendeu-se envolvê-lo no caso do atentado, com o fim de riscar os Távoras e os seus próximos, do conhecimento pátrio.
Se é certo que escapou a ser torturado, esventrado e depois queimado, como sucedeu entre outros a seus sogros, foi contudo encerrado nas masmorras da Torre de Belém, separado da esposas e filhas (e filho, D. Pedro, o ultimo dos Távoras), que foram internadas no convento de Chelas, de onde só sairiam com a «Viradeira» (deposição de Pombal).
Aí, Filinto Elisio foi professor aplicado de D. Leonor de Almeida, futura 4ª Marquesa de Alorna e de sua Irmã D. Maria (Daphne) Almeida (com quem até se insinuou manter uma relação pecaminosa). Foi Filinto quem proporcionou a D. Leonor o acesso aos livros de Rousseau, Voltaire, Diderot e D’ Alembert, e quem lhe abriu as janelas às ideias do iluminismo francês e às novas correntes literárias do tempo, o que fez de D Leonor,uma mulher sensível, muito culta e inquieta, adiantada para a época,que se tornará numa poetisa de grande dimensão, sob o arcádico nome de Alcipe, tendo publicado inúmeras obras recolhidas nas «Obras Poéticas da Marquesa de Alorna». Traduziu, ainda, grandes autores , debaixo da influência e orientação de Filinto Elísio ,como foi o caso da «Arte Poética» de Horácio.
O que pretendemos hoje, ao remexer nos papéis sobre Filinto, é registar uma Ode de D. Leonor (Alcipe), que consideramos do maior interesse.
Para o Nada, a Não existência, caminhamos
Das ideias erradas o fermento
Produziu nova série de infortúnios:
Fomos Francos (franceses), Hibérios (ingleses), só não fomos
sensatos portugueses
Ah ,senão renascer com a Pátria a glória
se a ciência (o uso recto da razão),a justiça ainda dormitam,
se a Moral não desperta, a Industria (o espírito, o engenho)acorda
-ao que caminhamos!
Marquesa de Alorna,1824
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Aladino
quarta-feira, janeiro 23, 2008
" As reuniões do grupo de recuperação da autoconfiança são nas sextas feiras, às oito da noite. Por favor, entrem pela porta traseira".
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EURÍPIDES
Nós, por cá, também tivemos um Eurípedes. Boa pessoa, por quem, apesar de alguns desencontros, tinha respeito e simpatia. Pelo menos numa coisa acreditava nele: no querer muito às gentes da sua Terra.
E apesar dos desencontros, um dia vim a saber ,que, quando Presidente da Câmara, teria, nessa qualidade dado (só) boas referências de mim, à PIDE. Quando lhe foram solicitadas no exercício do seu cargo, o que era habitual, antes de 74. Encontrei-as escarrapachadas no processo da PIDE que me veio parar às mãos. Ainda bem que foi naquele tempo. Se fosse hoje, estava feito oh!.. bife.
Bem; mas não eras isso que pretendia hoje, aqui, falar .Não ..
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Mas sim de um outro Eurípedes, o da literatura grega. No seu teatro, quando coloca na boca do seu Teseu, em resposta à pergunta «onde está o rei da tua cidade »,a seguinte resposta .
«Fica a saber que aqui não há rei, pois a cidade não é governada por um homem só»(….).
«aqui a liberdade está nas palavras : quem quiser dar um bom conselho à cidade, que avance e fale».
Olhem se perguntassem a alguém cá no burgo onde estava o seu rei, aposto que a resposta de um qualquer tseu indígena, seria :-em Lisboa.
Sem duvidar, por um minuto que fosse, que tinha um Rei..
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UTOPIA…Escoa-te devagar
Mas já que estou com a mão na massa ,e porque de vez em quando me lembro da «Utopia», e de quem dela fez conceito de vida,pergunto:
Será indispensável que uma concepção ideal seja completamente realizada?.
Eu penso que não, pois se o fosse, logo que conseguida, deixaria de haver diferença entre o real e o ideal ,e o élan desvanecia-se. O Utópico precisa sempre que a sua utopia se não cumpra. Por isso esse estado de alma tem contornos irracionais. E ainda bem.
Ílhavo, não este, mas o que eu e Ela queríamos,continuará a ser, pois, o meu «topos»….
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ÍLHAVO HOJE
Qualquer coisa próximo daquela definição do pensador:
Onde a arte de fazer politica é a arte de criar rebanhos, que se dividem em animais cornudos e não cornudos; e estes em bípedes e quadrúpedes. A politica,aqui, é pois a arte de conduzir bípedes sem cornos e sem penas(o homem).
Um galo depenado, será isso?
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CRÍTICAS
Abeirou-se de mim, um pouco façanhuda, pensando magoar-me ao dizer:
-Não gosto nada dos seus Blogs
-E que culpa tenho eu disso..: -respondi
-Como não ?!..retorque um pouco espantada
-A culpa foi dos seus Pais, minha cara - disse-lhe entre o sério e o gozo.
Mas, verdade: eu não peço que me leiam; e lendo-me, muito menos peço, que concordem comigo.
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MAIS CRÍTICAS
Outro conterrâneo abordou-me, para me dizer:
-Sabe hoje a técnica dos Blogs é a de terem mais fotografia e menos palavreado.
-Sei disso, meu caro, respondi. O problema é que quando comecei a escrever, só havia fotografias a preto e branco. Olhava-se mais com os olhos, e pensava-se com a cabeça. Hoje, olha-se com a máquina fotográfica, e escreve-se com os pés.
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EMBRIAGADO
- Esta ria da Costa Nova embriaga-me os sentidos, dizia-me..
-Oh pá, ainda bem que apanhas uma borracheira de água. Passa-te quando atravessares a ponte.
Por isso bebe à vontade - disse-lhe eu
ALADINO
terça-feira, janeiro 22, 2008
A vida pôs-me hoje mais um ano em cima.A pensar na transitoriedade da magana, fui até ao meu encanto, e sentei-me no terraço,deslumbrado com o que tinha na minha frente e que há meses não me aparecia tão provocante.
E....
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Eternidade afinal, existe
Volto a esta tela
Neste dia ensoalheirado
Revendo a ria, o céu e os montes
Olhando para tudo, extasiado.
Quem teria sido o autor
Que a pintou com tão grandiosa intensidade
E com tão aguda sensibilidade,
Para a deixar
Em frente de mim postada,
Para me provar
Que afinal existe eternidade
JF
Jan 2008
segunda-feira, janeiro 21, 2008
NB-Para alegrar estas páginas, decidi abrir os próximos blogs com os «Avisos Paroquiais», pérolas da boa ingenuidade portuguesa no uso da difícil da língua de Camões, provindos de paróquias do interior, que amigo me enviou:
Aqui vai o primeiro.
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AVISO
“Quinta-feira que vem, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo das mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, deve dirigir-se ao escritório do pároco.”
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Inimigos..não tenho…
Abordou-me sorridente e perguntou-me:
-Você deve ter muitos inimigos. O que lhes faz? - Perguntou-me
-Ponho-os no cinzeiro, antes que chegue a ASAE.
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O «ílhavo» e o S. Pedro
O «ílhavo», tipo rude e forte, roncão no falar, sempre foi um homem de carácter, cumpridor nas suas obrigações e temente a Deus. Era conhecida a óptima relação com S.Pedro, orago de predilecção destas gentes, santinho a quem dedicavam fervoroso culto. E a quem anualmente, com júbilo, pompa e circunstância, rendiam notório festim, para o efeito engalanando a vila e a sua Igreja com colgaduras para receber os visitantes que desciam a esta santa terrinha no intuito de gozarem as delicias dos festejos que duravam três dias, mas atraídos, também, pelo bem receber, que era apanágio destas gentes remediadas, mas mãos abertas, coração escancarado no propósito de bem receber.
Tão boa era a relação destas gentes com o porteiro do céu, que corria à boca cheia a faladura de que era bastante a evocação da naturalidade, para que uma alma, ainda que muito penada, ida daqui, visse escancaradas as portas do Céu por aquele sempre atento fiscal do bom comportamento e virtudes, o S.Pedro, olheiro astuto, sempre diligente e operoso no intuito de manter o mar bonançoso do céu, limpo de fraldocos.
Ora num dia em que o S Pedro foi abrir o portal, deu com um façudo mal-encarado, a quem perguntou:
-Então o que pretendes?
-Entrar no céu.
-E tu mereces a dádiva? O que fizeste para tal? De onde és?
-De «Ílhavo»
O S Pedro mirou …mirou, e muito embora desconfiado, lá lhe disse,
-Entra. Aguarda aí na recepção que eu vou lá dentro confirmar a listagem de embarque, chegada pela última pomba da noite.
Passados uns minutos, quando regressou para dizer ao mal – encarado e mentiroso, que não era verdade, que ele não era de Ílhavo, mas estava, sim. na lista de Vagos ,constatou que o homem tinha desaparecido e se infiltrara por uma das entradas laterais, nunca mais sendo visto.
S Pedro ficou fulo, que os Santos, também só são Santos até certo ponto.
E de si para si, lá foi dizendo: -deixa estar que quando me aparecer cá outro já não me leva assim Vá lá um santo acreditar nestes safardanas …
Não tardou muito que ouvisse: Trás…Trás.Trás. Alguém chegava, e parecia ter pressa para não perder a maré da manhã.
-Já lá vai. Se tens pressa vai lá p’ra baixo, que está mais quentinho.E resmungando enquanto entreabria o portão, perguntou:
-Então que és, e o que queres?
-Oh!... S Pedro, sou o Zé Cachino, lá da Malhada, e cri’ia que m’amabotasse aí p’ra dentro… raio! que venho cansado da viaje e c’riame chichar aí dentro. Avia-te, raios.C’ ainda perco a enchente.
- E donde és tu, ó Cachino?
-Sou d’ibalho, raios. Atão eu ia lá astrigar-me a mentir sobre a minha terra. Nado, bautizado e cebado em íbalho, saiba vòssomocê ,santinho. Astão tu não m’enxergas, não t’ alembras cá do Zé? C’intè no mês passado fui juiz da festa c’a ta fizémos. És mesmo desconfiado. Mexe-te que estou p’rà aqui todo engaranhido.
-Não é isso, mas é que noutro dia apareceu-me cá um finório de Vagos – daqueles que deixaram o Senhor na rua para acudir ao bacalhau! - que me enloilou com essa de ser «d’Ílhavo….»
-É S Pedro(?!? ;raios ,estipor !... ,deixa-me entrar c’«amando-te um xalabar de sardinha bibinha,..a saltar …, tenta o Cachina convencer o orago.
-Entra Cachina , entra ;que por essa da sardinha bibinha a saltar, estás identificado,mas vê lá se a mandas da «restomenga».
-Tòmórolha, estás muito sabichão,responde-lhe o Cachino.
ALADINO
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Confesso não ter percebido as razões que levaram o Ministro Santos Silva, a insinuar que a presença de Bagão Félix, nas jornadas do PSD, era propaganda para o acto eleitoral que, no dia seguinte, iria acontecer no BCP –Millennium
Foi um tiro no pé.
Bagão Félix respondeu bem e eficazmente.
Só que… depois,
Durante a sua palestra, meteu dó ver um reputado economista contar uma história verdadeiramente parva, só possível se B. F. acreditasse que estaria a falar para uma cambada de eunucos mentais. Claro que a plateia era fraca. Mas que diabo!... comparar a verdade do deficite,actual, aos do seu tempo em que se mascaravam os números com o produto da venda dos anéis, feita à pressa, é (perfeita) demagogia, tonta e barata, é falta de rigor, é desonestidade intelectual, porque não é, claramente, ignorância. Bagão Félix, para lá de um fundamentalismo crispado, é um competente economista.
Bagão tinha razão sobre a conversa da «sargeta» de Santos Silva. Mas a sua pregação aos peixinhos (deputados do PSD) foi mais do que conversa de « sargeta» .foi conversa da treta.
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2-Os papalvos(?!) dos accionistas do BCP...
Isto de nos tentarem convencer que os grandes accionistas, alguns estrangeiros e de grande dimensão, são-ou foram- permeáveis ás pressões do Governo para a escolha dos que irão gerir o seu dinheiro, é de uns tontinhos que não sabendo como interessar as suas clientelas, criam factos políticos.
Na verdade não creio, que nem uma, nem outra candidatura, tinham, à partida, conexões partidárias activas. O que depois sucedeu foi o desenrolar do processo, porque nestas coisas de politica não basta ser sério; é preciso, também,parecê-lo.
Os accionistas escolheram Santos Ferreira, porque este era o gestor que melhor – pensam – poderá defender os seus interesses. Cadilhe sujeitou-se ao sufrágio, porque nada tinha a perder: tudo o que viesse à rede era peixe. Principescamente reformado, com exclusividade do BCP, defendia a sua posição. Foi-lhe fácil passar a imagem de mártir ou justiceiro. Porque a verdade é só uma: os administradores-e ele foi-o- se não sabem o que se passa no Banco, deveriam sabê-lo ou, quererem sabê-lo, muito antes que as entidades fiscalizadoras o queiram saber. Se ganham para cumprir um cargo deveriam cuidar de o cumprir, e não de se desculparem de estarem lá só para verem passar os combóios.
A entrevista de Cadilhe na SIC – foi de uma vacuidade confrangedora. Nem a mim me convenceu – eu que tenho meia dúzia de acções do Millennium – quanto mais aos graúdos.
A minha dúvida, a grande dúvida, é a de saber-se se a questão está arrumada. Por vezes, penso, anda ali a mão do bigbrother.
De tal modo que hesito em pôr, ou não! a resguardo, meia dúzia de patacos que por lá param.
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3-A.R lugar de veraneio.ou a justiça do legislador
De um amigo (R.D), recebi esta curiosa chamada de atenção para a Lei do Tabaco, que se necessário fosse, viria esclarecer muitas coisas.

Mas não era prexiso ixo, nós já o sabemos de há muito.
Mas já agora se o legislador me pudesse tirar uma dúvida:
É sabido que os ginecologistas trabalham onde os outros se divertem.
A pergunta é:
Podem os ginecologistas fumar no espaço,entre val de pernas?
Aladino
AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos ...