terça-feira, março 24, 2009

Mais um episodio da vida ,passou ,hoje,por mim .


É certo que episódios longínquos já pouco deles restam .Nem na memória nem da inteligência do que fomos, nem na emoção do que pretendíamos então .
Foi como hoje agarrasse num livro que já não lia há muito e o voltasse a folhear.Só que sem emoção; embora claro com tristeza.
Resta-me gratidão. Igual á que distribuo por muitos. Uma gratidão que teimo em ser abstracta, mais cerebral que emocional.
A vida vai cumprindo o calendário. E é melhor assim .Parece que retiro de cima de mim o enorme peso que sentiria que alguém tivesse pena de mim, ou por minha causa.
Não tenho pena de mais nada.
Envelheço – quem tem medo de o dizer e porquê?!- pressentindo que as sensações já não são como eram dantes.
Agora gasto-me diariamente nos pensamentos.
Abandono-me neles, procurando uma lucidez que não tinha quando não pensava, e agia. Agir é viver no tumulto incompossível . E por isso ,agora, vislumbro (apenas!)indiferença onde dantes estava revolta indisciplinada.
Hoje já não leio para sonhar, mas sim para reter dentro de mim. Para me couraçar e passar a ser insensível ao que me não está perto.Queria fazer o possível para me desligar da vida. E por isso estava a cumprir o roteiro, no meu refúgio. Tenho de fazer o possível para voltar ao caminho de onde me tresmalhei. Ou melhor: de onde me fustigaram para sair da toca onde obstinadamente me ia reconfortando.
Aos que por vezes me acusam de dispersão tulmutuosa direi- que talvez não !Dispersão unificada ,vá lá…Concedo. Descrente de toda a fé …ou descrente de todas as fés (melhor dizendo) como havia de esperar que alguém fizesse por mim. Por isso fui fazendo.

Aladino

quinta-feira, março 19, 2009


Se só os canários chilreassem no bosque, este era um cemitério de silêncio .

A um amigo que tem receio de enfrentar os leitores, disse-lhe aquela máxima :

Mostra o talento que tens ;pouco ou muito, não importa .Se só os canários chilreassem no bosque este era um cemitério de silêncio .

Eu julgo que cada um de nós deve «desprezar ?!» a sua própria apreciação ,sujeitando-se ,isso sim !-à apreciação de estranhos. Sem complexos . Mesmo nos grandes autores, nem todos os livros se suportam .Ou indo mais longe :-um grande autor tem sempre uma ou duas obras invulgares. O resto, só são «boas», porque são do referido autor. Não pela valoração da obra em si mesma.
Hoje dar conta aos outros do nosso ponto de vista banalizou-se. Tornou-se acessível atingir uma clientela .Depois, é saber geri-la . E aí é que nos confrontamos com a dificuldade.

Eu, falo com os outros enquanto isso me der gozo, e sinta que lhes dou -de vez em quando -prazer em me lerem.
Quando esse prazer mútuo se acabar:-ponto final parágrafo.


-------------//------------------
Modernices

Foi preciso chegar a esta idade e julgar já ter ouvido e visto tudo que havia para ver e esutar, para ficar siderado quando me dizem « o prof. (fulano de tal ) está de baixa de parto ».
Julguei que o inexpectável provinha da minha dureza de ouvido,

-a profª queres tu dizer ….
-
o …não exactamente o Professor (……)
Já agora a Ministra podia incluir uma alínea na avaliação quanto ao desempenho de
« parideiros» acamados.

Visto bem as coisas, de facto ,o casamento entre «impares» pode tornar o caso banal.


--------------//------------


«A TANTO HONTA»

Quando os reis católicos esperavam receber uma oferta «de tanto honta» para não expulsarem os Judeus, de Espanha ,Torquemada atirou-lhes um crucifixo dizendo : "suas Altezas estão a fazer como Judas,a vender Cristo".Torquemada ,queria tratar-lhes da saude,na fogueira.

Os novos Torquemadas

Importante é tratar-lhes da agonia ,não o precaver da doença.(?!)

A História está repleta de figuras papais.Umas que contribuíram para a respeitabilidade da Instituição, granjeando-lhe adeptos.Outras verdadeiras figuras tenebrosas com as mãos tintas de sangue das degolas com que exercitavam as suas espadas, e a alma mais negra que os tições que sobravam das fogueiras onde grelhavam os inocentes, por delito de crença.

Faltava-nos um Papa pouco impressionado com a pandemia que dizima milhões de infelizes, cuja única culpa foi acreditar que o mal calha sempre aos outros.

A bestialidade do dito, por insensato e perigoso chocou todo o mundo. A Igreja católica mostrou o melhor do pior ,do seu fundamentalismo.

Hipócritas as palavras de Ratzinger : tratem os doentes da sida gratuitamente.,pediu

Assim o importante,na ideia deste bento beato é tratar-lhes da agonia ,não o precaver da doença.

Aladino

domingo, março 15, 2009

Horas vagabundas

Roubaram-me as horas vagabundas,
Perdidas na sem razão do fugir à lógica da vida.
Já nelas me não descortino, especado
A olhar o fulgor do sol a se esvair, envergonhado.
Horas de vida sem tempo
Em que eu era o mesmo sem ser igual;
À procura de um ou outro momento
Em que a tua imagem viesse num cavalo alado
Ali,se sentar ao meu lado
Para alivio dos meus ais entediados.

JF (Março 2009)

sexta-feira, março 13, 2009


Morreu o Tiago.

Direis! – «tiagos »há muitos …mas
O Tiago era uma das três crianças-com paralisia cerebral que as trasformavam em ser vegetativos, apenas - que o Hospital de Stª Maria solicitou a todas as Instituições do País para lhes dar acolhimento. Só o CASCI respondeu presente. Era assim o Casci e espero que continue a ser: não se diz faz-se!
Estas três crianças obrigavam a um funcionário permanente 24 em 24 horas. Sempre atento às sondas, às máscaras respiratórias, aos sinais que indicavam uma mudança de estado.
Eram as mascotes de todos os funcionários e recebiam a visita de todos os que de fora visitavam a Residencial. Uma festa era o mínimo que se podia fazer.E mesmo que sem qualquer resposta, havia a ilusão de aqueles corpos vergados á paralisia, sentiam os afectos.
Quando o Tiago foi para o Hospital, logo houve colaboradores que se mantiveram continuamente a seu lado, autorizados (ou até solicitados) pelo pessoal do mesmo.
Embora esperada, a notícia espelhou-se por toda a comunidade do CASCi. No funeral, havia lágrimas sentidas em muitos (em quase todos os rostos) dos muito que quiseram dizer-lhe um ultimo adeus, e o levaram até à morada final. Pois. Finalmente o Tiago passou a ser um igual a todos os que lá moram.
Sem qualquer referência familiar, o Tiago ficou em sepultura de meus bisa-avós. Cá pela família sepulturas é o que não faltam. O Tiago tem assim companhia para todo o sempre.
Vim do cemitério a pensar que tenho motivos evidentes para continuar a pensar como penso. Se houvesse uma Divindade, esta não consentiria em «tiagos». E a Divindade devia estar a pedir perdão à Super – Divindade que Lhe está por cima -sim porque para haver Divindade era preciso que outra Divindade Superior a criasse,and so – pela sua perfídia de Pai permitir germinar a semente que, devendo amadurecer no futuro, afinal, nem chegou a perceber o que era isso a que se chama vida.
Vim com a impressão estranha de que a minha compreensão estava vaga, desocupada, apenas decidida a continuar por continuar.

Aladino

sábado, março 07, 2009

Crónica de um «Mau Malandro» versus uma «Boa Malandra» (parte II)

É costume receber feed back sobre alguns Blogs, especialmente quando estes conseguem mexer com as pessoas. Que é , afinal ,o que pretendo .Há comentários de vários tipo. Alguns bem apanhados, provocatórios, mas também cheios de sã e graciosa irriquietude.
Desta vez não resisto a, com a devida autorização, transcrever este

Caro eng:

Li o seu Blog Crónica de um «Mau malandro» acossado. Não foi para mim novidade. Mas sobre o mesmo ouvi conversa de café que não deixo de transcrever, tanto quanto possível ,fielmente:
---------------//---------------------
Estavam, então, duas amigas minhas no parlatório, sentadas á mesa do café , quando entre a degustação de umas natas quentinhas baptizadas com um o’clock tea , a dada altura uma resolve interpelar a outra:

-Então Cla….. leste o Blog do F….Aquele tipo é de um descaramento reles .A gabar-se de pertencer a uma raça em vias de extinção. Coitado…está gá-gá de todo.
-Pois . .pois . Vê lá tu: às vezes parece um progressista da m….Outras, quando se confessa, um reaccionário nojento. É perigoso…para os bons costumes.
-Deixa lá, não há perigo, que os nossos homens nem lhe dão ouvidos…Olha!... a propósito: - como vai o teu S…
-Ai filha!..bem .Tive muita sorte…ficou lá em casa a mudar as fraldas ao miúdo e depois ainda lhe disse para me ajeitar umas roupitas. Queria que tu visses; logo quando chegar a casa está tudo que é um «capricho de homem!..».
-Olha! - o meu dá mais para aspirar ,limpar o pó. Assim tarefas mais de homem … percebe...mais pesadas . Sabes, daquelas que cansam…
-Oh rapariga I… tem cuidado que o podes cansar e depois já sabes, nada de brincadeira…
-Credo ….não tem importância .Isso não falta p´rá aí quem queira …brincar. Machistas folgados ,danados p’rá brincadeira, ainda há que sobre …
-Pois : qual igualdade, qual carapuça. O novo estádio vai Superioridade feminina,já.!. Nós havemos de lá chegar. Eu lá em casa, já pus bem claro :por baixo nunca!...
-Oh mulher também não sejas fundamentalista. Caprichos só que os que não nos dêem prejuízo.
(risinhos…)
Por achar curioso mando-lhe esta crónica.
Um abração . Cuidado não se canse. Elas não sabem nem sonham….
A «Boa» Malandra

----------------//----------------

Comments.

1- Fico muito agradecido por saber que afinal ainda há conversas interessantes, profundas, de fazer inveja ao «Erro de Descartes», nos cafés de «Terra da Lâmpada». Bem o diziam as «Pedras» do Paradela.
2- Eu não partilho o optimismo da C…..Há machistas ,mas são poucos,E a mais, quebrados da espinha.

Aladino

quarta-feira, março 04, 2009

Crónica de um «mau malandro» acossado .


Hoje cheguei atrasado ao meu «posto de trabalho», 10 minutos. Poderia arranjar desculpas : visita á Residencial ,etc etc. Mas não. Mandei anotar o atraso.
Dir-se-à : porquê (?!) se eu não tenho que dar satisfações a ninguém, nem recebo á hora, ao dia ou ao mês .
Parece !..que não tenho .Mas tenho :o meu patrão é estuporado .
Em boa verdade Vos digo :aquele que não exigir a si ,não pode –nem sabe- exigir aos outros.
Sempre sucedeu, isso, comigo .Desde novito (com 26 anos) comecei a ser « o vigilante» do meu cumprimento - e nunca mais deixei de o ser pela vida fora. Sou eu e só eu, em permanente auto – avaliação, que sustento a obrigatoriedade e me imponho regras.
Mas….

O acima dito vem a propósito de ontem, ao fim do dia, pessoa amiga me informar, num mail, «que tendo estado com uma pessoa que me conhecia , a rapar-me na casaca», concluíram,ambos, ser eu um desordenado inveterado.

Enfim; recebem-se assim, e de noite ,depreciações(ou apreciações destas!).
E fiquei a pensar : se calhar sou mesmo …
E mais se adensou essa convicção ,porque…

(Em verdade Vos digo :e
u não mudei para pior . O mundo é que mudou).

Então não é que durante o jantar (de ontem ), a minha mulher entendeu, também ela, invectivar-me, porque diz (só agora ,vejam lá !) «que eu sou um caso patológico» de desordem e um «refinado machista».
Eu?!...
Isto do Dia da Mulher, começei eu a matutar com os meus botões, é,de facto, perigoso. Ainda que seja apenas um em trezentos e sessenta e quatro, vejam no que dá. Raio de modernices.
É assim : chegados a velhos (usados!) começam a acusar-nos do que risonhamente suportaram a vida inteira. Agora, é tarde… En veritè : je ne regrette pas,rien de rien ,fica desde já esclarecido.Ponto final.
Então do que sou, afinal, «acusado» ?
...«que chego a casa e os sapatos ficam a fazer companhia ás chinelas, á porta, para que alguém(?!) os guarde (em boa verdade Vos digo :- guardá-los para quê ,se ao outro dia os vou calçar?) .
....«que na sala ficam as calças .Pior ainda ! : o casaco fica onde calha» ….à espera que «alguém» mo ponho no sitio certo( em boa verdade Vos digo que quero isso para não recorrer ao guarda fato e tirar outra roupa em vez de a andar a procurar ).
De manhã – «dizem» –, o caso é muito pior,
....apontando-se o dedo à mania doentia de eu fazer, sempre, duas coisas ao mesmo tempo.( em verdade vos digo que julgava que era uma virtude ,pois assim vivia mais tempo)
«Descrevem» melodramaticamente , assim, a cena :
.....que «me levanto ,ligo a TV ,ponho os auscultadores wireless, enquanto ligo e levo comigo o computar. E sentado ( onde todos se sentam, àquela hora do dia) ouço o noticiário e ponho o computador em cima do roupeiro(em verdade Vos digo ,especialmente comprado para o efeito, ,julgando que ninguém tinha percebido), abrindo- o para ver os e-mails da noite».
E que arrumados os interiores, «faço as abluções matinais, operando, sempre, duas em um ».
Onde é que está o mal?-pergunto, enquanto continua a acusação de,
...que « regresso ao quarto onde machistamente (ah ?! sóagora é que o descobriram!) tomo o pequeno almoço» -(em boa verdade Vos digo que gosto, de facto,de«pausadamente?!», engolir o chá enquanto me vou vestindo.)
Qual é o mal? Custa alguma coisa fazer um chá?
Não!...,
mas logo « apontam»,
....que «com os amigos,nas tainadas, faço tudo na cozinha ,esmerando-me em pratos complicados. Em casa, ao contrário, nem sabes acender o gás,(sic)» .
( pois... pois …:- primeiro acendia o gaz …depois fritava um ovo, e qualquer dia estava a lavar a louça (coisa que nem com os amigos faço ,como eles sabem ..) Aonde é que está o mal? contraponho, adiantando, vingança …vingança !!!):
-É por essas e por outras que depois têm que instituir o casamento gay : ambos a fazer o mesmo. Um dia na cozinha …outro dia no ....

Resumindo e concluindo : eu acho, ao contrário. que sou exemplar (toma!).
Pois (reformado) saio logo de manhã, não chateando mais ninguém todo o dia, deixando o «palácio» totalmente para «a rainha» da casa». O que peço são coisas simples: que me arrumem os livros que deixei espalhados, que decidam o que vou vestir ao outro dia, ou o que vou comer à noite etc. etc . Enfim, o trivial de uma «rainha».(isso de valer mais ser rainha um só dia ....,são historietas)
«Melhor»?- só de encomenda,pensava eu de que. Afinal verifico que todo o mundo me aponta defeitos. Dentro e fora …
Paciência. Agora já é tarde. Tivessem –me educado.
Eu nunca mudei. O mundo é que foi mudando,para pior. E eu não me consegui adaptar às modernices.
Ainda bem …
Aladino
PS- Aos leitores desculpem este desabafo. Às leitoras, o desejo que os seus homens sejam modernos (mesmo que depois se queixem )

domingo, março 01, 2009


Uma valente pega de caras….

Foi isso mesmo que ontem aconteceu em Espinho.
Não me recorda de um discurso político feito com tanta força interior(o da fonte luminosa ,talvez ?!)

Sócrates mostrou ontem, de um modo claro e impressivo, que não é refém -como alguns anteviam- das tentativas provindas de fontes fandelgas, na tentativa de o derrubar fora das linhas que limitam o campo onde se desenrola o jogo. Em jogadas baixas, em que o próprio «árbitro» parece também chuçar, num carrascal ultramontano e pérfido ,cobarde, bilioso, onde perpassa inquisitório probante servido ás colheradas, como se fosse óleo de fígado de bacalhau ,agoniador, a escorregar pelos gorgomilos abaixo de uma alma penada, condenada a ler e ou a ouvir boa parte da Comunicação(Desinformação) Social .

Nenhum homem que tivesse a consciência intranquila , por muito actor que fosse, seria capaz de improvisar(?) discurso tão frontal, vigoroso e lúcido. Ontem vi ali um grande politico ,mas acima de tudo vi um (grande) Homem. Cheio de determinação. Que também cede aos momentos de emoção, deixando transparecer nesses momentos quanto amargo tem sido o caminho.
Bem pode aquela côca televisiva , que semanalmente vem abrir «a cloaca» -já agora que de excitante só reside na duvida de se saber se é porto franco ou canal de esgoto - esforçar-se a esfarrapar no ceguinho; ou um jornaleiro ( pago á jorna ,não um jornalista) vir feder para o publico com o caso nauseabundo do Freeportus, confundindo liberdade de comunicação com libertinice execrável. Já todos perceberam e contribuíram para o peditório dos interessados que tal súcia defendem.
Ouvi hoje o director da SIC, numa posição corporativa, verberar Sócrates dizendo que este “tem de resolver o problema que tem (!!!)com a justiça, em vez de o resolver com os jornalista”.Repare-se na aleivosia: que problema é que Sócrates tem –até hoje ! - com a justiça? Ou a justiça para o director da Sic, são os Jornais e a TV que a «fazem», e executam?.

Ora eu não sei se é Sócrates que tem um problema com a Justiça ou se é a «justiça» que tem um problema com Sócrates.

Aladino

sexta-feira, fevereiro 27, 2009


Curvas e contra curvas…

Nestas curvas e contra-curvas da vida, que umas atrás de outras vou rodeando (derrapando em algumas mais apertadas), não deixa de ser curiosa uma análise que ontem levei comigo para a conversa com o travesseiro. (Nesta idade já não costumamos levar mais nada para o travesseiro que valha….).Viajar agora no sonho…(sem limites ) é o que importa.

Num momento de crise em que todos estão a recuar, vejo-me envolvido num torvelinho de um intricado novelo, que me coloca, uma vez mais, a tentar resolver a quadratura do círculo.
De facto o CASCI é, neste momentoso tortuoso e sofrido da vida do País, um caso raro de postura.
Explico,
Por um lado – essa era a missão -urge alcançar um equilíbrio. Perceber a Instituição, tostão a tostão. Um exercício danado. Era preciso, custasse o que custasse, delinear uma metodologia que permitisse saber os porquês. Estamos hoje, finalmente, detentores do saber, como e por onde lhe pegar.E agora -como tive oportunidade de dizer aos colaboradores-é chegado, doa o que doer, pensar primeiro com a cabeça, sem deixar, contudo de decidir com o coração.

Paradigma perfeito(ou imperfeito,sei lá ..). Inequação, para a qual se exige um esforço de lucidez e uma postura de, depois de pesados todos os argumentos: -decidir. Go...Go!….
Claro que há coisas que vão doer. Mas se não as fizéssemos, a dor seria, um dia, irreparável.
Em simultâneo há que trabalhar outras áreas. A crise trouxe novos desafios.E se a primeira tarefa já era complicada, eis que a envolvência em desenhar novos caminhos nos veios desafiar.E há,já, quatro novos grandes Projectos a andar.E a toda a força. Qualquer um deles chegava para um exercício. Mas não há tempo para esperar. E como dizia a minha mãe: é o destino que vem ter contigo. Que se há-de fazer? (Mãe! :teria valido a pena pores-me aqui?)
E é verdade: uma vez mais não o procurei. Bem pelo contrário.
De repente, estão a ver a fotografia: aí vem o touro desembolado. Fugir? Agora?
Estou como o «pegador» : acagaçado, mas armado em valentão, agora mais vale fazer peito ao bicho que lhe virar o rabo.
Estou como o outro

A um touro feito de pau.não importa virar-lhe o cu
Mas um touro embalado…vai-te lixar, vira-lho tu

---------------------//---------------------
Tens medo? Empresto-te o meu cão…

Este sentimento de chegar ao fim de um dia e assinar ordens de pagamento salariais de 28.000 contos! (150.000€), finda a libertação da preocupação que o antecede, permite um olhar interessante sobre as curvas (veredas) da vida.
Esfalfa-se um peregrino, dia e noite. Não para trazer para casa o salário do mês -que eu entregava religiosamente intacto em casa !-, mas só para ter tudo em ordem para que os outros o levem,no dia certo.
Ele(eu) -o peregrino - ainda se diverte a pagar a gasolina e o carro do seu bolso (e até o raio da multa da GNR por ter o carro parado no local do CASCI).
Lembra-me a definição de um ginecologista: -o tipo que trabalha o local onde os outros se hão-de divertir.
Mas é verdade. Não deixa de ser curiosa esta sensação de que a vida poderia ser assim: necessidades satisfeitas, trabalhava-se de borla.Na vida o que me deu sdupremo gozo foi trabalhar de bortla Deu-me sempre uma superioridade moral que compensou o esforço.
O mundo seria bem diferente, acreditem. O trabalho deixava de ser chato, uma condenação. Tornava-se um exercício -um desafio - onde se pugnava, não pelas caneladas a prodigalizar ao alheio, mas para nos distinguirmos pela qualidade do nosso esforço.
Sim! …: para sermos avaliados. De todas as maneiras e por todos os ângulos.
É por causa disso que me irrito com uns medricas que andam por aí, de panos ao léu, nas ruas….
----------//----------------
Viver ou fazer de conta…
Se eu quisesse pintar um quadro que retratasse a vida mais inquietada do mundo ,emoldurava um retrato qualquer, meu.
Estava feito!
Deixem que explique…,
Ingerida dia após dia a mesma comida, até a vitualha mais deliciosa acaba por enjoar. Com o passar do tempo, a vida que atrai, enche-se de insipidez, torna-se desenxabida .
Então tens de decidir : viver ou fazer de conta…
Desculpem,pois, lá, qualquer coisinha : ver assim as coisas ajuda….Oh! se ajuda…
Raios : para quem passou a vida a carregar o fardo de uma monstruosa imaginação, não custa de vez em quando sonhar que houve instantes de fugaz deleite.
Acordar e não saber se sou eu a sonhar com borboletas, ou se sou uma delas a sonhar comigo,ainda vale a pena.Por isso quero lá saber.Continuo como sempre.

Amanhã se acordar que seja a sonhar com a mais bonita e colorida borboleta do mundo .Se não sacordar....não tenham pena...morri de gulodice...
Aladino

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Sigo ao colo do vento



A vida o que não diz, mostra

Não na epiderme mas no silêncio interior

Na mudez da sombra

Ou no silêncio das pupilas já gastas,

Onde pouco a pouco nem sequer há chama.

Chegado o inverno

olho para mim e não dou comigo

Corro sem correr

Corro sem saber

Sigo ao colo do vento

Á espera que chegue o momento.


SF (Fev 2009)

domingo, fevereiro 22, 2009

A crise…ainda vai no adro.

Continuo a olhar para o País e vejo-me como num filme HitchcoK :ninguém sabe como isto vai acabar .Parece que ainda por aqui. ninguém percebeu que a crise ainda está só a chegar e que, aqui ,como por todos os lados não se conhece ainda, minimamente, a sua extensão .É incrível como não se percebeu que neste momento estamos em pleno efeito dominó. A queda de uns arrasta de imediato outros.
Obama avisou que a não ser aprovado o programa proposto ao Senado ,(eles americanos) poderiam estar perante uma catástrofe .
Ao contrário, aqui, uns pensam (?): com a desgraça deles posso eu bem …
Erram ,claro: tudo o que suceder nos EUA reflecte-se de igual modo (e com mais virulência) na Europa(no mundo inteiro),e a catástrofe será geral.
Hoje Louçã – um demagogo que sabe que mente, não por ignorância mas por acto de pretender ganhar votos a qualquer preço – comparava a situação do País em 2005 com a do dia de hoje. Perfeita imbecilidade num ignorante. Despudorada falta de seriedade num dito «professor» de Economia.
O País nada mais pode fazer do que ir respondendo por reacção á crise, tal como está
acontecer em todos os Países. Claro que o ideal era responder por antecipação. Mas
como fazê-lo se não se sabe o que vai acontecer amanhã?
Acabar com o capitalismo? Para isso era preciso que todos o quisessem, e todos reagissem do mesmo modo. Mudando-o ou corrigindo-o. Só que as gerações actuais não aceitariam o regredir de bem estar que foi alcançado nos últimos decénios, a não ser …
E neste «a não ser que» …é que pode estar a tragédia, quando se acordar tarde.

---------//---------------

O Caldo de Feijão ,continua a ser iguaria

O grupo do caldo de feijão reuniu de novo, como habitual.
Um excelente caldo – portentoso, soberbo. Antecipado por um cardápio de iguarias: moelas in su sauce ,orelha grièe à provençal,e uns petits crocks de cod como já não se comem em parte alguma. Asseguro eu.Que na matéria (bolos de bacalhau) sou entendido.

Mas estas reuniões têm uma particularidade interessante .O palestrante (palestra informal ,tipo conversa) foi desta vez o Prof Trincão, director da «Fábrica da Ciência Viva». Não o conhecia, mas fiquei com a ideia de ter tido uma oportunidade de conhecer uma figura muito interessante, um homem dedicado a uma paixão ,vivendo-a com muita intensidade. Dando espaço para a discussão, embora defendendo os seus pontos de vista com muita convicção.
Diga-se o que se disser a verdade é que nestes últimos tempos o País tem galopado a onda da Cultura cientifica. É uma aposta ganha, se continuada. O êxito deste País passa exactamente por aí. A ciência deve passar a fazer parte da vida quotidiana dos nossos jovens, compensando assim ao desinteresse das ideias teóricas, que deverão ser urgentemente vertidas na observação das necessidades práticas. Aos jovens deve ser incutida a curiosidade do espírito moderno, onde a ciência tem lugar primordial. Esse esforço deve ser feito tão cedo quanto possível.
O« Magalhães» foi uma ideia brilhante. Alguns peralvilhos pensavam que a ideia só seria brilhante se o «Magalhães» fosse fabricado em Portugal . Como se o HP fosse feito nos EUA, ou o Toshiba no Japão.
As nossas capacidades se bem dirigidas levar-nos-iam a um ponto cimeiro da comunidade cientifica europeia. O País deixaria de vender mão de obra ao quilo para vender gramas de saber( pagas a peso de ouro).

A cultura cientifica é o único instrumento que permitirá acabar com a pandemia de incompetência que (des) graça no País; a cultura cientifica levará as próximas gerações a não a aceitar(a contragosto) uma avaliação de competências ,mas sim, a exigi-la. A cultura cientifica não permitirá que numa Democracia, a Justiça ,pura e simplesmente faça de conta que existe. Porque tardia e a más horas.

--------------//--------------

Mas…
O mal, porém, nos dias de hoje, é , logo que algo se começa a destacar, logo aparecerem os instalados (incultos) a se esforçar para que abrande o protagonismo que lhes começava a ser incómodo, por chocar com os interesses corporativos instalados.
Parece , ao queali foi dito ,que a burocracia instalada na UA, começou a olhar de soslaio para o protagonismo da« Fábrica de Cultura». E aquela começou a borregar nos apoios.

E os lideres autárquicos -só alguns felizmente - logo pensaram fazer «Casas de Ciência», em cada Concelho como aconteceu com os «Centros Culturais».

Depois seria o que se vê. Ciência de pacotilha, tal como a Cultura servida nos ditos.
Tenho fé que a cultura cientifica ,numa próxima geração ,acabe ela também com estes Autarcas de pacotilha.
Aladino

domingo, fevereiro 15, 2009

Não me resigno.
Mesmo que seja um confraternização exaltada de impotência


Que fadário estranho, este meu modo de vida.
Parece que a corro -e se corro! - Deixando pedaços de mim esparramados por esse fadário corrido.
Por vezes mais parece que nem sei pousar o carrego para poder gozar a beleza de um minuto eterno. O meu desassossego impede-me que pouse a trouxa sobre uma cachoeira qualquer. Pareço estar impedido de o fazer, por uma força qualquer de atracção que me atira e impele, a não parar.

Este deixar-me em pedaços, retira-me a veleidade de me dar a qualquer coisa de um modo mais consistente do que aquilo que estes rituais cívicos mo permitem. Insatisfeito ou contrafeito, o certo é que me não desligo desta natureza humana que encarno.

O CASCI choca-me .Perturba-me.

Ali está a efemeridade da vida em toda a sua expressão e dimensão. Olho para quase todos e de quase todos me lembro, ainda o tempo era criança, a vê-los galopar a vida ,pareciam imortais. Mas a natureza encarregou-se de os devorar. E agora parece que se alimenta ao mantê-los ainda vivos numa existência morta.
Eestão ali á «espera»; e eu de manhã, também .À espera do telefone a dizer-me :- olhe há outra vaga.E tem sido assim . A ceifa .Outra e outra …e eu olho atónito, os nomes começam a já nada me dizer e quando ao fim da tarde procuro com os meus olhos ,olhar para os resistentes, parece que de repente me desencorajo,como que dizendo : -sabes lá se «este» será um dos de amanhã.

O meu desassossego aumenta ; incomoda-me aceitar resignado este pesadelo .E procuro mentir à vida. Vão por isso começar desde já muitas iniciativas para Lhes arrancar um sorriso ,por tarde que seja.O tempo passa, mas eu quero ter tempo de ainda lhes arrancar um sorriso.
Eu sei que o tempo é como o vento : passas pátrias e fronteiras, nada o detém. Mas ele vai ter de parar aqui, por um bocadinho que seja.
Mesmo que seja um confraternização exaltada de impotência. Mesmo que seja batota.
Não me resigno.
ALADINO

quinta-feira, fevereiro 12, 2009





A Sócrates o que é de Sócrates…

Passeava Sócrates no passos perdidos do agora pátrio ,quando dele se abeirou um camarada esfogueado ,com evidentes sinais de ter estado muito perto de um estado de apoplexia fatal. Sócrates perguntou-lhe :-Que te aconteceu ?
Mestre responde-lhe o discípulo ,«acabei de escutar terríveis insultos á tua pessoa e tive de te defender ».
Sócrates sorriu e pondo-lhe a mão pelo ombro levou-o consigo, dizendo :
-Mal feito! acaso também responderias aos zurros de um asno ?»
Moral da história :
Poderia ter sido com o nosso Sócrates. Mas não foi .Foi na Grécia dos filósofos. Pena….

-- ---//-----

CAVAQUICES…

O nosso Presidente Cavaco não prima por uma grande empatia com a cultura. A gaffe do Thomas Mann vidè Thomas Moore ,foi monumental .



Agora conta-se que quando acabou de assistir a uma récita do« La mer» de Debussy cujo titulo era «Desde o amanhecer até ao meio dia no mar».Quando lhe perguntaram ,no final se tinha gostado ,logo respondeu :
«Eu cá e a minha Maria o que gostámos mais foi do trecho das onze menos um quarto»



--------//---------
Ainda a Aventura do RAMBO

Afinal o meu cachorro foi ter a casa amiga .Só hoje o soube.

A senhora, amiga, viu um cão tão mal encarado que chamou um homem para ver se o prendia, não fosse ele fazer asneiras. Ficaram impressionados e temerosos, porque o« Rambo» resolveu fazer cara de mau(tem-na por natureza) e ladrou .Parece que tiveram que chamar a GNR .Que também se não aproximou muito. Certamente nunca tinham visto um bicharoco tão mal encarado.
Pobre Rambo .Ele estava é cheio de medo a fazer-se forte.

Vamos à história :o «Sharpei » era a raça canina mais conhecida e estimada na China. Eram cães de luta – como os galos -, respeitados e criados como campeões. Tratados como deuses.
Veio o tempo da fome .E dada a sua corpulência ,serviram para a sobrevivência de milhares de chineses .Praticamente a raça extinguiu-se .No final do século um europeu resolveu in extremis proteger os que ainda existiam e conseguiu evitar a extinção da raça .E hoje os SHARPEI são objecto de culto .Os meus vieram da Polónia, um centro europeu onde se recuperam estes exemplares. O «Rambo» tem uma pelugem azul ,o que o torna ainda mais raro.




MRS PIGGY



A história teve um happy end.



Aladino

quarta-feira, fevereiro 11, 2009






Curso de Pilotagem 1900

Histórica esta foto do curso de pilotagem de 1900.Dos primeiros que a partir dos finais do século começaram a permitir que muitos «moços de bordo» , com a prática obtida a bordo iniciada na adlescência , com conhecimentos escolares que não excediam a 4ª Classe, depois de atestada a prática metiam explicador para obter umas noções básicas de trigonometria,cartografia e outras matérias,para,após exame obterem carta que lhes permitia ascender aos lugares de pilotagem .

A fotografia permitiu a identificação de muitos «pilotos» que mais tarde foram grandes capitães da Faina Maior , que por aquele tempo, de novo, tinha chamado os armadores portugueses (ver «Nas Rotas do Bacalhau»).Regressava-se assim aos Grandes Bancos . A navegação era já carteada ,pois com o conómetro era já possivel conhecer-se o calculo da longitude,ao contrário dos pescadores do séc XV/XVI que apenas navegavam por rotas de latitude conhecidas.

Curiosa a foto.Nela os jovens oficiais empunham simbolos náuticos que só por si identificariam o academismo do grupo.

Abaixo a identificação dos fotografados.
Aqui se deixa este documento histórico ,enviado por pessoa amiga.

Aladino

segunda-feira, fevereiro 09, 2009



A Rádio Terra- Nova .
Como em «pequenas coisas (?!)» se reconhece a sua importância (e o grau de atenção que lhe é concedida).

Os dias ,as horas, tornaram-se muito mais sombrias quando terça-feira(dia 3) dei por falta do meu cão «Sharpei».

Não é um cão vulgar. Diz bem comigo -dizem! - pois parece continuadamente com uma cara de «chateado»-então não é assim que me definem (?!)– tem um ar indisfarçavelmente atento a tudo que se passa á sua volta. Quase chateia por ser tão fiel ao dono, ao se empastar em nós, não nos concedendo um minuto de folga. De uma meiguice melaça


O RAMBO


Mas a fidelidade tem sempre … sempre… termo certo. E o «RAMBO», assim foi pomposamente crismado, resolveu dar uma escapadela.A Piggy ficou só e tive de a trazer cá para baixo.


Desesperei de o ver de volta. Irritou-me o seu acto de infidelidade.(Éé dos livros).



«Melaço»

Mesmo que nunca o tenha amarrado – o certo é que lhe dei pouco espaço .E como sempre sucede nestas coisas, isso é fatal. Mas mesmo assim -como sucede em casos humanos - dispus-me a desculpá-lo. O que eu queria era vê-lo de volta.


Corri , corremos :- tudo .Dia e noite andámos numa roda viva para o trazer de volta. .
Quase envergonhado contactei a Rádio Terra-Nova, a saber se era possível dar um alerta para o desaparecimento do cão. Fi-lo um pouco envergonhado, pois nem sabia se não seria um abuso.


Mas logo recebi um mail a informar-me que descansasse, que o aviso iria ser difundido.

Há pouco(dia 5) recebi um telefonema de uma colaboradora daquela rádio ,informando-me que tinha com ela o Rambo para mo entregar.

O encontro foi indescritível .Maluqueira dele. E minha. As pazes estavam feitas.

Nem me lembrei de perguntar o nome à colaboradora da Terra-Nova. Mas já a identifiquei Foi à D.Isabel, que foi entregue o« Rambo», após o apelo da TN.E com ele aguardou a minha chegada.

Moral : a extrema difusão da Terra –Nova, ficou uma vez mais provada. É hoje um elo fundamental que une a comunidade concelhia, merecendo e justificando uma atenção permanente. Liga-se de manhã o rádio, já sintonizado na frequência dos 105 FM. Ou chega-se ao carro e logo salta a Terra-Nova com a actualidade ,nacional e local.

Hoje a Terra-Nova foi útil num caso de menor importância (para os outros, que não para mim ).Fácil ,contudo ,é perceber como é essencial ter um órgão de Comunicação com uma tão forte penetração, e em tempo real. De real importância para a comunidade. Por isso a TN é uma espécie de bem colectivo que urge preservar.
Cumpre-me agradecer a todos a satisfação que me proporcionou. Sempre reconheci a sua importância e sempre aplaudi a vontade instalada naquela casa de manter a pretensão de fazer o melhor, continuadamente.
A todos quantos lá trabalham muitos mercis como dizia o outro.

Senos da Fonseca


PS .Incontáveis- e indiscritíveis- os telefonemas e mails que tenho recebido, a saber do cão e da odisseia relatada pela TN que teve espaço para dar a boa nova do seu aparecimento .Esta « Rádio Terra -Nova» é mesmo um studdy case.Numa terra de indiferentes há algo que funciona.HELLAS

sábado, fevereiro 07, 2009


O«DESERTAS»

Um amigo fez-me chegar á mãos um interessantíssimo livro sobre o salvamento do «DESERTAS».


O «DESERTAS»


Lido, percebi então muitas coisas que anteriormente me tinham deixado imensas duvidas.
No livro que tenho para edição-200 anos da Costa-Nova- existe um capitulo sobre o acontecimento do «Desertas» .Tenho de o alterar e melhorar .Este livrinho agora lido é de facto um verdadeiro historial da técnica utilizada e dos acontecimentos que quase conduziram ao abandono do projecto da sua recuperação.
Voltaremos ao assunto...

-------------//------------------

IMAGEM SOBERBA

O Cap Manuel Machado presenteou-me com esta excelente foto da pesca do bacalhau.



ICEBERG



Bonita a grandiosidade do iceberg quando comparada com a reduzida expressão daqueles dóris que parecem estar ali ABOIADOS . A paz de um mar em dia de descanso .Uma luz que invade o ambiente conferindo uma beleza sinistra ao monstro, se pensarmos o que seria um encontro nocturno com tamanha montanha branca.


Inevitável que não nos venha á mente o TITANIC.E a propósito deste tenho ai, algures uma publicação (adquirida recentemente) com a história daquele príncipe (apenas rei por uns curtos dias)dos mares.
O livro clarifica os erros constatados na sua construção que levaram ao seu afundamento ,julgado e garantido ,como impossível .Mas também esclarece pequenas curiosidades: parece -afinal !- que aquela da orquestra a tocar no deck enquanto o navio se afundava, não ter passado de um conto …Tenho de ver se encontro o livrinho.
De qualquer modo, é verdade. Tudo isto me veio à ideia depois de ler os Blogs de AML( Marintimidades.blogspot.com) - sobre o TITANIC.

Interessante, a estória das colheres, que eu sabia andarem por aí .


-------------------//------------------



O ALMIRANTE ZHENG HE (afinal a história não é bem a que pensávamos…)


E já que estamos de viagem ....

Vasco da Gama quando depois de dobrar o chegou á Índia em 1498, espantou-se com a falta de «espanto» daquelas gentes que não se sentiram nada impressionadas com a grandeza de os navios da Armada – afinal tão pequena - nem com o facto de os seus rostos –indiciando novos povos - tenha sido objecto de grande reparo.
E as gentes indianas nem sequer demonstraram grande admiração –e ou até apreço- pelas prendas oferecidas pelos portugueses,afinal umas sedas e berloques que eles conheciam de há muito.
Atónitos os portugueses souberam afinal que uma outra grande armada ,comandada por um tal almirante Zheng He,já ai aportara uns tempos antes ,e teria até visitado a costa oriental de Africa.


JUNCO CHINÊS


Sabe-se hoje que o grande Almirante comandando uma grande frota –a Frota do Tesouro -entre 1405 e 1433 fez diversas viagens por todo o Oceano Indico ,visitando Mombaça ,Malindi e Mogadishio, na costa oriental africana. Esta armada foi composta pelo numero impressionante de 317 navios ,embarcando 27.000 homens. Por essa razão gentes e navios de Vasco da Gama pareceram insignificantes. Só mais tarde perceberam-Afonso de Albuquerque encarregou-se disso !- que mesmo poucos, eram temíveis. Muito mais que os chinos.


O itenerário de Zheng He

O almirante Zheng He, faz hoje parte da mitologia chinesa.Foi-lhe dedicada uma tumba de tipo islâmico ,erguida em Nanking em sua memória ,pois que Zheng faleceu no mar,no decurso de uma das suas viagens.Zheng é hoje considerado um dos grandes heróis da história china.

Curioso é ter aparecido um m apa mundo ,que exibido em Shangai em 2006 ,se afirmava ser datado de 1763 e se assegurava ser cópia de um outro de 1418.Aser verdade a história do mundo teria de ser recontada de novo .De facto ainda por cima o mapa já designava o continente americano por «América» IIsto significaria que 23 anos de Americo Vespuccio ter nascido (1451) já existiria a designação América.

MAPA MUNDI de 1418(?)


Afinal podemos sossegar. Tratava-se,afinal , de uma fraude, pois verificou-se que o mapa era cartografia típica do sec XVI a XVIII.

Aladino

domingo, fevereiro 01, 2009


POBRE PAÍS



Pobre País este. O nosso! Numa hora em que precisava de se unir no essencial ,cometem-se á vista de todos–e para gáudio de muitas e poderosas corporações - verdadeiros assassinatos públicos.

Insiste-se, ainda que sem provas, que fulano é culpado. E para «prová-lo»,todos os dias se assiste ao pregão publico de mais umas tantas fugas de informação pingadas a conta-gotas(para durar) insinuando perfeitas patetices com que uma corrupta e pervertida C.S. tenta, a todo custo ,vender papel, e ou imagens do mais puro sensacionalismo ,para assim se safar da crise. Há raciocínios delirantes, que caíriam por terra a um primeiro embate.

A porcaria enoja.
Há provas? Meta-se o tipo na cadeia
Não há provas ou sequer suspeitas ?
Metam-se na pildra estes amadores de jornalismo, faça-se-lhes uma limpeza á túrbida bílis que destilam, libertem-se os ditos chocarreiros dos humores raivosos que os enfurecem e só depois lhes voltem a dar uma pana..
Oh…como era interessante voltar-se ao tempo da justiça de Fafe.
Mas então a Comunicação Social faz de Tribunal e julga na Praça Publica?
Vã glória destes miseráveis de carácter.

Afinal a Inquisição era mais ou menos coisa semelhante: não era por gosto de fazer um churrasco humano que se mandava um suspeito para a fogueira. Era apenas para nos defender do contágio – dizia-se. Agora o argumento é, mais ou menos, o mesmo.

No meio desta gentalha distingue-se um novo Tosquemada: na SIC um irmão de um conhecido politico, elabora os mais delirantes argumentos para provar que não há suspeito mas sim um culpado. Irmãos daqueles são como os primos do apregoado suspeito. Livre-nos de tal sorte…familiar .

À fogueira…à fogueira ..já

Esperem-lhe pela volta.

sábado, janeiro 24, 2009

(Este Blog sederia ter sido publicado em 22.01.Por avaria só agora segue)

OS SETENTA

E chegaram
Nesta insípida noite
Os setenta anos de uma vida
Atribulada,
Marcada pelo sonho
Desmedido.
Bonita de ser reinventada


Cinquenta primaveras.
Mais os vinte Outonos
Fica a sensação
De que neles tudo valeu
Até a indisponibilidade
Para ser outro
Que não eu.


Senos Fonseca (22.01.2009)
(Por avaria este Blog que deveria ser editado em 22.01,só hoje o pode ser)

A «indiferença» dos setenta


E pronto …quase foi preciso lembrarem-me que os setenta chegaram.


Nunca me passou pela cabeça chegar tão longe , porque sempre entendi que esfarrapando-me todo ,em tanta e tão variadas coisas,obrigatoriamente teriam de deixar marcas e mazelas, enormes.Era certo –pensava – que mais cedo do que tarde ,«isto ia-se».
E o curioso é que tive, sempre, a sensação que todos á minha volta pensavam assim. Por exemplo a minha mãe, andava sempre a querer que eu lhe desse ouvidos : não tens juízo, não te poupas ,metes-te em cada uma como se fosse a ultima coisa a fazer ….


Tinha programada há meia dúzia de anos um progressivo afastamento. Pretendia que uma parte de mim, costumada e abusivamente utilizada para situações complexas, fosse completamente esquecida. Afastado contava que já ninguém ousasse bater-me á porta. Esse tipo de coisas já não era o que gostava de me envolver, e julgo que tinha sido percebido pelos mais próximos .Remetido aos meus livros vivendo em inteira liberdade, queria afastar-me, lenta ,de um modo discreto mas inexorável, dos outros. Devagar era certo, mas afastar-me…
Pretendia refugiar-me numa certa intimidade , a pensar que tudo passaria a ser vivido numa paz interior. Desejava pois intimidecer. Ficar só, comigo mesmo, sem que ninguém tivesse nada a ver com o progressivo desencanto que a vida, chegada aqui, me faria certamente sentir . Nesta altura do campeonato tem, necessariamente, de se saber perder….
Coisa que eu nunca soube ou quis admitir e muito menos aceitar.
Para mim, anteriormente, viver era sentir-me nos outros; ora o certo é que aqui chegado já começavam a rarear aqueles que me diziam (ainda) qualquer coisa.
Mas o certo é que não sentia cansaço. Nem tinha ou sentia amargura -ou se havia ela não passava de um sussurro só para mim. Só amargo, o que é bem diferente.
Nem desilusão,sequer. Desiludido porquê ? Tinha feito o que me competia e até o que me não competia ,e portanto aceitava que as coisas acabavam como tinham de acabar ; a vida –faz parte das regras -,é impiedosa, e eu fui um felizardo que não me deixei vergar á sua impiedade. Eu é que já começava a não me sentir impiedoso para com ela ; e por isso o melhor era retirar-me de cena, e tentar vivê-la de outro modo.
Nem um queixume, pois, para lá dos desabafos no papel.


E eis que de repente tudo mudou. E a vida me voltou a me desafiar, como pretendendo encostar-me às tábuas. Foram tantos os motivos com que me pretenderam dourar a pílula que até me foram dizendo -que eu até estava muito bem …para a idade que tinha…Escusavam de ser tão beatíficos . Eu sei melhor que ninguém as mazelas que vão por aqui.
Podiam só e simplesmente, me dizer : olhe tem de ser . Que eu - porra!...não fugia. Ou pensariam que tinha medo da tarefa? Não! ; eu tinha(e tenho…) medo, é de mim
Contava a minha mãe que quando eu era miúdo e me diziam: olha joãozinho que vem lá a côca…todos ficavam espantado por eu me rir … alarvemente. Então um dia perceberam que eu entendia «Sopa..e não Côca .

Apetece,hoje, perguntar: a vida teve sentido?


Para mim teve, e muito. O sentido de a viver marimbando-me para o consentimento dos que pareciam desejosos de mo dar..só para que eu fosse(apenas) mais um, metido entre os varais da conveniência .Ora era isso que eu não queria de modo nenhum.

E querem uma confissão absurda ?!:
olho –ainda! -para a vida com o mesmo encanto –e deslumbramento –com que olhei para o primeiro corpo amado que desnudado me pareceu um mundo infindo de prazeres desconhecidos, que ávida e loucamente tinha necessariamente de descobrir por mim mesmo ,fossem quais fossem os riscos, ou as consequências a pagar pelo atrevimento.
Encanto por achar o que ela (vida) é:- magana. No inicio desafiadora .Tem uns olhos bonitos que sorriem, doces, e uma boca carnuda, túmida que entontece. Só que se nos deixamos convencer pelos encantos, não nos resguardando das tentações, logo perceberemos que somos barco perdido no mar ,endoidados nos furacões, sem saber –ou sem poder – atinar com o rumo certo .Escorraçados pelo olhar que vira feroz, comidos pela bocarra que nos mostra a dentuça, afilada.
É certo que eu brinquei pouco na vida (que raio !... nem foi, de verdade, tão pouco assim..,convenhamos).Mas ela também não brincou comigo.

Aqui chegados, estamos pois, quites.


Senos Fonseca (22.01.2009)

quinta-feira, janeiro 15, 2009




RÓTULOS DE IGNORÂNCIA OFENDEM ; A HAVER, SÓ DOS PALRANTES.



Ontem , dia 11, a Câmara Municipal de Ílhavo, deu (deu mesmo !) atodos os que ao engano foram para celebrar a edição de um fac-símile do Foral Manuelino ,outorgado em 1514 a Ílhavo.
De louvar o esforço da Câmara de promover mais uma edição da dita carta de Foral; mas de louvar também todos aqueles que, pretendendo receber á borla um livro –como logo de inicio foi, á cautela, anunciado -, aguentaram dura e pacientemente, durante mais de duas horas, uma sessão apologética da figura –por vistos inigualável –do condutière que a previdência(divina?!) concedeu a Ílhavo, para tão bem lhe gerir os destinos. Ali, durante horas a fio ,primeiro pelo próprio, depois pelo «amigo» da CCCR, foi repetida e incansavelmente glorificada a boa sorte de Ílhavo.


Durante a apresentação do Livro do Foral, quer a «pivot»,quer depois o introdutor histórico Prof. Saul Gomes ,pareceram insinuar, ou deixar a ideia, de que tal facto histórico(o Foral) era desconhecido em Ílhavo, e que só agora graças aos esforços desta Câmara ,e ao grandioso(sic) trabalho de investigação(?!) dos autores, era finalmente conhecido, e desse modo concedido (finalmente!) aos cidadãos ilhavenses o privilégio de o ler.


Tal só poderia ter acontecido por pura ignorância dos falantes sobre a matéria. De facto o Foral já foi publicado –e por diversas vezes .Não tão pomposamente, é certo. A nova re- publicação só poderia merecer citação especial pelo facto de ser feita com dinheiro dos contribuintes concelhios (o que diga-se desde já não é reprovável em nosso entender), e por isso poder ter a forma espectacular (gráfica)
Parece pois que com ou sem intenção, se fez perpassar a ideia da ignorância das nossas gentes sobre matéria da sua história. Ou será que os próprios de facto o não sabiam?
A verdade é que o conteúdo do Foral leva quase cem anos da sua primeira publicação(1922) Mas não podemos deixar de apontar uma outra inexactidão, ao que lá foi dito, pelo Prof.Saul: .

Vejamos : no nosso livro« Ilhavo Ensaio Monografico (Séc.X-Séc.XX)»






1- Transcrevemos na integra o Foral (pp515)
2- Mas mais -e aqui sim parece-me necessário realçar sem falsa modéstia - fomos muito para lá dessa transcrição (em verdade já feita anteriormente por Rocha Madail ,em ILLIABUM ;e nos «Documentos Históricos do Milénio» de Aveiro ).No referido livro, feita uma leitura a Forais concedidos na mesma altura (1514) a outras localidades próximos (Vagos ,Eixo ,Esgueira, Requeixo, Aveiro etc),realçámos alguns aspectos singulares do Foral de Ílhavo .E julgamos que ainda mais importante do que essa leitura -aliás como deve ter sido notado pelos que estiveram presentes e conheciam o livro -,serão as 9 questões interpretativas resultantes da referida leitura (do Foral) que a nosso ver são preciosas para clarificar muitas das realidades da urbe e suas gentes ,naquele tempo. Ler não basta .Deduzir, perceber e interpretar é que é difícil (ou dá trabalho)

Transcrevemos para melhor percepção do que queremos dizer o cap 6 do ENSAIO MONOGRÁFICO:

-------------------------//--------------------------


Capítulo 6

O Foral de D. Manuel I - 1514

O Foral de D.Manuel I concedido a Ílhavo, em 1514, por D. Manuelem 1514,, insere-se no conjunto de Forais Novos outorgados pelo Monarca que assim visaria , responderndo às reclamações havidas em reinados anteriores (D. Afonso V e D. João II), contendo queixas, protestos e denúncias das Populações , referindoentes a abusos praticados pelos Senhorios, Ordens ou Funcionários régios, em terras onde já existiam forais concedidos em reinados anteriores, ou noutras que ainda nem sequer teriam merecido a atenção da Coroa para fiscalizar o que ali se passaria. D.Afonso V que teria instituído o privilégio de impedir a entrada dos Corregedores nas terras dos Senhorios, teria prometido nas Cortes de Coimbra rever a referida disposição, dadas as queixas das populações sobre os abusos praticados por aqueles. D.João II manda recolher todos os forais; e e será então, D. Manuel, que irá instituir os Novos Forais Novos, estabelecendo como critério geral, uma maior intervenção da coroa através das «correições», que, por norma, passam então a ser reserva do Real Senhorio, pretendendo assim acabar com «estatutos políticos concelhios», para o que ordena a sistematização de um conjunto de regras aplicáveis que passaram a vigorar em todo o território Nacional.


Fundamentalmente um FORAL, era um acordo celebrado entre o Rei -, primeiro outorgante - (que garantia a defesa e a segurança das populações), o Senhorio, Senhor ou Ordem, - o segundo outorgante -, e um terceiro outorgante - O Povo, pelo qual o rei «garantia» o cumprimento de obrigações militares e fiscais em troca de determinados rendimentos para a coroa. Era, poisassim, um contrato de «interesses comuns», com o qual se “procurava fortalecer o elo de ligação entre o Rei e o Povo, na prossecução de interesses mútuos”.

O que se diz, justifica o aparecimento de uma larga concessão, (em datas semelhantes ou próximas), «de forais» a toda uma série de localidades vizinhas do nosso Concelho (Aveiro, Eixo, Requeixo, Esgueira, Vagos, etc), incluídos numa reforma que ocuparia durante 25 anos, desembargadores, vereadores, homens bons, oficiais das contadorias, almoxarifes, escrivães e calígrafos, isto é, uma substancial parte do pessoal da Chancelaria do Rei, durante cerca de vinte e cinco anos. Tal como nos restantes, no Foral de Ílhavo, o escrivão foi Fernando Pina que aparece citado na redacção do mesmo , quando se lê: “registado no tombo, Fernam Pyna”, Cavaleiro da Casa Real, Presidente da Comissão da Reforma, e que seria quem , normalmente, redigia as últimas linhas de cada foral - como acontecido no nosso caso - e assim confirmava o mandato régio.

Estas disposições relativas aos concelhos vizinhos, apresentam características comuns - dada a especificidade geográfica e económica sobre que se debruçavamem que se integravam - constituindo como que «uma pequena família de forais».


Até à data da extinção dos forais pela lei de Mousinho da Silveira de 1832-34, que revogou foros, censos, e todas as prestações impostas por forais, a extinção da dízima, a abolição de pequenos Morgados -, visando a reorganização das finanças públicas, da justiça e da administração -, foram efectuadas várias «correições» - cuja capacidade o REI guardava, de entre outras, especificamente para si - as quais deveriam ser objecto de registo no documento do Foral. Muitas das mesmas, fixadas para Ílhavo, estão registadas no original do Foral existente na Câmara Municipal.
Um outro tipo de estudo, - que não este que nos propomos fazer -, efectuando uma comparação à «família de forais» concedidos (à época) a lugares vizinhos, (apenas fizemos uma leitura atenta aos forais de Aveiro, Vagos e Eixo) deveria ser muito elucidativo, pois permitirria avaliar graus de desenvolvimento comparados, dos quais, certamente, se extrairiam elementos preciosos para focar a realidade concelhia regional, ao tempo.
Entretanto , uma leitura pormenorizada que fizemos ao Foral concedido a Ílhavo, é já em si muito reveladora, suficiente quanto basta,, para dela retirar - e supomos que pela primeira vez - algumas importantes conclusões.
Vejamos, sob o ponto de vista da fiscalidade - fixação das taxas e sua recolha, isenções e castigos atribuídos - as curiosidades trazidas pela redacção do Foral, relativo a:

MARINHAS - De cada talho, pagar-se-ia um búzio (*2) búzio era uma medida de sal) (ver ANEXO), (como em Aveiro), fixando-se que as entregas deveriam ser feitas “no celeiro do Senhorio” [1] e não fora dele.

(*3) Os forais abrangiam todas as actividades mesmo para lá do cultivo de terras, as prestações e eram pagas as prestações no celeiro do senhorio, que no caso de íÍlhavo, se situava em Verdemilho.

LINHO E VINHO - “Pagava-se a oitava” [2]

TRIGO - “Pagava-se uma eirada” [3] - doze alqueires por casalle.

MILHO (estreme) - Pagavam-se seis alqueires por casalle.

CASSAES - Pagavam-se dois capões

PEIXE - de cada barco que “vier cô pescado se cheguar a doze peixes” pagará UM. Se não chegar não pagará nada. O peixe do rio pagava um real, se fosse para venda.

PESCADO E MARISCO - Pagavam-se quatro reais “de carga mayor”; mas se “se tirar do lugar”, só pagava um real de seis çeptis.

Nota: Os Tabeliães não pagariam imposto.

MANINHOS - Eram livres de serem tomados por quem “os quê quer” devendo contudo verificar-se se essa concessão não iria provocaria “danos nos vizinhos”

MONTADOS - é uma constatação importante, o saber-se da existência destes em Ílhavo, dada a importância que representavam para a população. E deveriam ser significativos, pois, concede-se a liberdade da sua utilização “se nâ leuam húus aos outros… porque estam em vizinhança” salvo com os de Vagos, “por rezõoes que a jsso alleguam” na “comtêda” que deverá ser esclarecida - infere-se da leitura…

CARREIRAS [4] - Fará “uma por ano” qualquer morador da “villa de milho e de ilhauo e alquidã huua carreira” num dia
(*4) Tratava-se da ração, quota de aforamento que oscilava, sendo frequente fixar-se a quarta para a produção das terras do campo e a oitava para vinho e azeite.
(*5) outro tipo de ração
(*6) Tipo de serviço obrigatório, como o era a jeira - prestação de trabalho por X dias na eira do senhorio.
em que possam “hir e tornar a dormyr a suas casa…” e quem tiver besta de «almocreuaria» fará um caminho “até coibra” [5]. (*7) Esta disposição, habitual nos forais, correspondia à obrigação das pessoas de efectuarem trabalhos para os Senhorios, em alguns casos, chegando a 2/3 dias por semana.



COUTOS (Ermida) - “nã fará coutados na dita terra de caça”

PORTAGENS - são fixadas para “homens de fora della (vila)” que trouxerem coisas de fora ou as tirarem para fora dela ; fixadas taxas de portagemas mesmas para pão, vinhos, sal, cal e linhaça, e outrosseguintes.

Isenção de PORTAGENS - Fixados os produtos isentos de pagamento, como pão cozido, queijadas, biscoito, bagaço de azeitona, ovos, leite, vides, carqueja, tojo, palha, vassoiras, pedra de barro, desde que não sejam para vender ou que se destinem a equipar as armadas reais.

CARNE - Pagar-se-ão dois reais por vaca, e três por boi; dois çeptis por carneiro, e um por bode, cabra ou ovelha ; estarão isentos de taxas, os leitões, cabritos e borregos quando se comprem de “quatro cabeças para cima”.

CAÇA - Isenta de imposto

ESCRAVAS - Pagar-se-ão por cada uma que se vender, treze reais.

BESTAS - Fixadas as taxas para bestas cavalares - treze reais,; e éguas - três reais; estavam isentos de pagamento os vassalos reais.

PANOS, METAIS, COIRAMA - Pagarão doze reais, os linhos e lãs já fiados, taxa idêntica à fixada para cargas de ferro, aço, e de “todolos metais”, e ainda, a mesma, “para coirama cortida e coussas dela”,; igualmente para “as peles de coelho, cordeiro e de qualquer outra pelitaria.”


(*B) Esta disposição, habitual nos forais, correspondia à obrigação das pessoas de efectuarem trabalhos para os Senhorios, e em alguns casos, chegando a 2/3 dias por semana.

CERA, MEL, QUEIJOS, AZEITE - Pagarão por carga, doze reais, igualmente para castanhas, nozes verdes e secas, ameixas e figos passados, pinhões e bolotas, mostarda e lentilhas.

LEGUMES - Pagarão a taxa de quatro reais por carga.

JUNCO, JUNÇA, ESPARTO - pagarão quatro reais por carga.

LOUÇA - pagará quatro reais toda a louça de barro, mesmo se for vidrada.

ENTRADA DE MERCADORIAS - SAÍDAS E DESCAMINHO - Regulamentadas as entidades a quem se devem apresentar as mercadorias em trânsito, o tempo de demora da apresentação, e as penas por descaminho das mesmas.

PRIVILEGIADOS - Feito o rol das entidades consideradas privilegiadas, por isso isentas de portagem pelos bens que trouxerem ou levarem, pelos benefícios tidos, onde se incluíam os eclesyasticos, todolos mosteiro, homens e mulheres que tenham feito “voto de profisam” e várias cidades, como Lisboa, Gaia, Póvoa do Varzim, Braga, Guimarães entre outras, e, todas as pessoas que apresentarem carta de privilégio

PENAS - Fixadas as penas no Foral, para quem o não cumpra, que poderiam chegar ao degredo, para lá da multa pecuniária, bem como, dado o poder aos juízes para verificar o cumprimento das disposições, chegando a estabelecer que, se o Senhorio dos ditos direitos (o Donatário) quebrar o que for dito no foral, “seja loguo sospemso delles e da Jurdiçã, do dito lugar”

Assim, há conclusões que convém reter, provenientes da leitura do Foral :

1ª Questão

O que nos levanta evidente reparo, é que, se os forais vizinhos (da família...) parecem referir-se a entidades perfeitamente definidas, quanto ao seu «termo», o Foral de Ìlhavo «dirige-se» a SÁ, VILA de MILHOila de Milho e ILHAUO, parecendo, assim, que aqueles dois lugares integrados na jurisdição de ÍLHAVO, são, no Foral, considerados fora do seu termo, tendo por isso uma especifica referência no documento. Isto vem ao encontro do que já anotámos neste trabalho : o «termo» geográfico de Ílhavo foi, de facto, muito indefinido, e isto até muito mais «tarde».



2ª Questão

Ílhavo e vizinhos - finalmente! - mereceram a atenção da coroa (não esquecendo aquele «olhar» de D. Dinis…), fruto das inquirições anteriores onde se teria detectado a vivência de 130 vizinhos(ver pp.), o que para a época era já de algum significado, muito embora distribuídos, também, por aqueles referidos lugares (ver pp.). Assim, até à data do Foral de D. Manuel, é difícil avaliar o peso dos estes Senhorioses e saber-se das imposições (taxas, rações e outras) que fixavam aos seus foreiros.



3ª Questão

É referido como importante, taxar “o pescado, o peixe do rio o marisco” (julgamos mexilhão como o mais significativo) o que claramente indicia a importância daqueles nos rendimentos da população, algo que sucede também no Foral de Aveiro; porém, neste, é referida especificamente a Portagem de Mar (D. Manuel foi o rei que fixou a dizima sobre o bacalhau entrado no Porto de Aveiro no ano de 1506, portanto antes do foral). E, ainda, as taxas sobre as mercadorias entradas por água (que seriam pagas na Alfândega) revertendo o valor para a coroa.
Ficamos pois a saber - se necessário fosse - De salientar que o regime foraleiro «instituía» prestações, como referimos, para lá da simples concessão útil das terras de cultivo - como foié o caso, aqui, em Ílhavo -, pois claramente taxava, também, os rendimentos da pesca no mar.



4ª Questão

Refere-se a existência de Montados, em Ílhavo, e sabe-se como os mesmos eram importantes para a vida das populações(ver pp.).. Montados que deveriam ser de área apreciável, do que se depreende pela «liberdade» de utilização concedida aos vizinhos (excepto aos de Vagos, certamente por contenda que no Foral se pretende , “seja resolvida depressa”…).
5ª Questão

Uma outra curiosidade, refere-se ao pagamento de taxas sobre juncos e junça, que é de supor, incluiriam «moliços». Isso vem esclarecer que, talvez contrariamente ao que se admite, o imposto de Moliço - «ervagens» tiradas da ria - já viria de trás, e iria atingir a sua maior expressão no Séc. XVIII.
6ª Questão
No Foral são apenas referidos os lugares de Sá, Vila de Milho e Ílhavo. Mais: nas inquirições anteriores - que estiveram na sua origem (1497) -, para lá destes lugares, são referidas apenas as Azenhas de Vale de Ílhavo.
Nunca é referido Malhada, o que é significativo e vem ao encontro do que defendemos, isto é: - que aquele lugar ter-se-ia constituíido muito mais tarde ao momento da formação da Vila. Se a Malhada já tivesse identidade própria, seria certamente referida na Inquirição, pois a sua posição seria estratégica, já que seria o local da recolha dos impostos sobre o pescado, não podendo, por isso, deixar de ser referida, se existisse como agregado populacional.
7ª Questão
Um dado muito importante pode deduzir-se quando verificamos que o foral é assinado pelos Vereadores do Concelho (João Pires e Afonso Gonçalluez), e ainda, quando é referido entregar-se uma cópia do Foral à “dicta Câmara”; tal confirmasignifica que haveria já um órgão administrativo a funcionar em pleno na Vila, que justamente descortinamos mais tarde, quando, ao Concelho - à Câmara -, em 1693, é concedido o alvará da feira da Vista Alegre.
8ª Questão
Particularmente curioso - e certamente intencional -, o aviso feito ao Senhorio - António Borges e descendente (ver pp.) - em que se lhe proibia “o tomar às gentes das terras, nem roupas, nem palha, nem bestas nem nenhumas cousas nem carnes nem aves, requerendo-as primeiro aos Juízes, pagando logo delas.” E proibindo-lhe, ainda, que façam “caça no couto, nem pescar, nem tirar montados aos moradores e menos de os arrendar”.
Era hábito os Senhores - ou os seus delegados - não se limitarem a arrecadar e partilhar o pão e o vinho, mas fazendo utilização gratuita dos moinhos e dos lagares dos foreiros instalados nos seus «domínios»; por vezes iriam longe de mais, chegando a onerar a utilização desses meios de transformação, o que seria particularmente importante no caso das Azenhas.
Há aqui um claro e sério aviso enviado ao Senhorio,, que só se poderá compreender por abusos anteriormente cometidos, uma das razões que esteve na urdidura da nova Lei.
9ª Questão
A referência aos lugares de Sá e Vila de Milho, contém uma importante informação: a de que, por acordo com a população, as portagens anteriormente cobradas naqueles lugares , deixaram de o ser, tendo sido transferidas para “o senhorio”, na condição (e com a compensação) de ser alterado o imposto que as populações lhe deveriam pagar, “passando a pagar qualquer pessoa que tivesse casa e fogo, trinta reais por ano”, o que parece satisfazer a todos. E - diz-se no foral -“ obtida a concordância de António Borges, o Rei concede-lhe os ditos direitos reais”.
--------------------//---------------------

Ora do que ouvimos ,o Prof Saul fez apenas e só (cremos) uma leitura isolada do Foral de Ílhavo .E naturalmente desconhecedor da história local, retirou ilações que nos parecem fora do contexto. De facto há disposições no Foral que são comuns em vários Forais, concedidos a outras localidades vizinhas, no mesmo ano .Por exemplo: a que referia o comércio de escravos. Donde se não poder licitamente supor que havia tal comercio em Ílhavo ou especial importância do mesmo -que provavelmente nem existiria. Tal disposição está contida nos forais das vilas vizinhas (Esgueira, Eixo ,Requeixo por exemplo) .Outra matéria comum aos novos forais, era a da PENA de Armas (onde se incluem os tais castigos infligidos a mulher e filhos; ou as fixadas aos que com bofetada ou punhada tirarem sangue etc) pelo que tais disposições eram gerais e não caracterizavam especificamente o que se passaria em Ílhavo.
E por aí adiante….

Isto significa que (e nada tenho para colocar em duvida o saber do senhor Professor Saul ,(certamente muito conhecedor em várias matérias da idade média) mas tão só que fico triste quando vejo repetidamente desconsiderados os filhos da terra, e não vejo nem virtude, nem saber especiais , aos que são chamados para fazer figura de eruditos.
Madail deveria estar bem incomodado lá no seu canto da eternidade. Que diabo nem sequer de raspão nomear os seus esforços e as -essas sim notáveis!...- investigações ,que nada têm a ver com uma simples registo (cópia) de um documento, já lido e relido de todas as maneiras e feitios. O livro ontem apresentado, deve naturalmente fazer parte de toda a biblioteca de um qualquer Ilhavense que se interesse pela história da sua Terra.

Mas ver nele o mínimo de trabalho ou pesquisa , não percebemos onde .

Uma bonita edição?:- sim. Tudo para lá disso é uma transcrição banal.
.
Senos da Fonseca

(PS) Já agora .Muitas -mas é que são mesmo muitas-as pessoas que me perguntam para quando a 2ª Edição do Ensaio .Será concerteza este ano .Claro com o meu dinheiro....
Oh1 sorte!!!!




----------------------//---------------







[1] Os forais abrangiam todas as actividades mesmo para lá do cultivo de terras, sendo as prestações pagas no celeiro do senhorio, que no caso de Ílhavo se situava em Vila de Milho.
[2] Tratava-se da ração, quota de aforamento que oscilava, sendo frequente fixar-se a quarta para a produção das terras do campo e a oitava para vinho e azeite.
[3] Outro tipo de ração

[4] Tipo de serviço obrigatório, como o era a jeira - prestação de trabalho por X dias na eira do senhorio.
[5] Esta disposição habitual nos forais, correspondia à obrigação das pessoas de efectuarem trabalhos para os Senhorios, e em alguns casos, chegando a dois ou três dias por semana.

  VIDA CUMPRIDA:... Ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, desenvolvi,a convite honroso, a palestra: “ As Artes da pesca no Norte ...