segunda-feira, junho 22, 2009


TALVEZ (?!) …MAS…

Dei por mim a tentar responder a uma pergunta difícil: -o que é isso de um homem (mulher) culto(a)?
Balbuciei uma explicação, servindo-me de uma certeza: quis sempre sê-lo mas tenho consciência absoluta que estou longe - muito (!) longe de o ter conseguido.
Provavelmente porque perdi tempo demais a ganhar a vida e não a vivê-la.
E o que é, pois, o que eu entendo por se ser culto?
- A avidez de saber, sempre mais, todos os dias mais, como se a vida fosse uma eterna infância, sempre disposta a aprender.
Então sempre julguei que para isso eu teria sempre que considerar tudo (todas as opiniões dos outros, e as minhas!) em aberto. Tudo como se não fosse o absoluto, mas apenas uma parte do problema. E em cada coisa, e em cada acto, senti o dever de me interrogar numa curiosidade permanente - obsessiva se quiserem - mantendo sempre o espírito pronto a reequacionar o que à primeira vista parece óbvio. Por isso as palavras que porventura mais uso é: -Talvez(?!)…mas…
Esta abertura (a refazer-me) predispôs-me (sempre) a perceber que sei que nada sei, porque cedo reconheci (e curvei-me) à minha pobre condição humana de não conseguir ultrapassar os meus limites, com os quais estou em permanente combate. Por mais que vertesse para dentro de mim, cedo verifiquei quem nunca seria capaz de encher a capacidade plena.
Hoje já não me renovo. Talvez apenas – e para já - me mantenha.

Será preciso ser-se muito culto para criar?

Hoje um amigo que trabalhou comigo, trouxe consigo uma senhora que me queria pedir uma coisa tão simples como:
que lhe permitisse uma visita á «cabana da Costa-Nova».
Claro, quando quiser. Pois se de vez em quando, desconhecidos, em grande percentagem estrangeiros, me batem á porta pedindo licença para a deixar ver…e fotografar(?),como recusaria tal pedido.
Para uns a casa é uma tolaria. Para outros o despertar dos sentidos para algo que parecendo descontextualizado, acaba por despertar um sentimento (atitude) estético(a).
Quando a fiz, procurei dar-lhe um sentido: -o equilíbrio da casa comigo e com a ria. Fui, pois, nesse acto,um criativo (digam o que disserem; goste-se ou não).
E lá está,
há grandes criadores que não precisam de ser cultos para criar.
Porque deveria eu ir á procura de um criador que criasse para si, e não para mim?.
Um dia um excelente arquitecto ofereceu-se para me fazer um projecto.
-
E como era meu caro? Para o fazer tinha de me conhecer tão bem, que precisaria de partilhar tudo comigo, até a cama. E eu (e certamente você…) não gosto dessas promiscuidades.

A nova Matemática

Com os exames do Miguel, tive de abrir com ele o livro da Matemática. E não deixei de ter ficado impressionado. Ao contrário do que se ouve por aí, a matéria é muito mais racional e lógica, a exigir muito mais capacidade criativa e exploratória, do que a do meu tempo. Nada fácil. Por isso talvez resida, aí, o facto das más notas nesta cadeira essencial.
Ora o que me parece é que será difícil encontrar bons professores nesta matéria, a exigir muita criatividade para a tornar apetecível.
Percebo mal o que a censura da Comissão de Matemáticos, ao facilitismo dos exames. Mas então estes exames devem ser penalizadores, ou tão só um teste para melhorar oportunidades? Acessíveis? E porque não?

Aladino

domingo, junho 21, 2009

A Vida desiludiu-me?
Não!...eu que certamente a desiludi.


Apetece-me, hoje fugir á balbúrdia de trabalhos onde ando engolfado, entocaiado numa autêntica roda-viva, doidejante, sem meio de atreguar com uns, sem deixar para trás os outros, na certeza, porém, de que algo sairá prejudicado.

Mas só se vive uma vez. Nem sequer uma e meia.

E dou comigo, volta e meia, a tentar perceber-me..Ora se para mim é difícil – que passo todas as horas comigo - para os outros é impossível.
Um «turbilhão» é o que, mais ou menos, por mais voltas que dê,o que de melhor encontro para definir este espírito que teima descer ao abismo do risco sem medir, ou se importar, com as consequências. Não sei de facto defender-me dessa faceta. O risco desafia-me ,o risco confronta-me, o risco transcende-me.
Sou um turbilhão de sentimentos – deslumbro-me, sonho, tenho dor, inquieto-me -, e não raro saio do sonho como chegasse ao fim de um labirinto por onde me embrenhei, crente de que suceda o que suceder, hei-de chegar ao fim.
Coexiste em mim , em permanente conflito, uma necessidade de estarexperimentar-me - com uma necessidade de ser: procurar exprimir o que me vai na alma.
Se para isso tivesse jeito ou se tivesse começado, há muito, a ensaiar-me nas palavras – o único meio, ainda que restrito, que tenho de exprimir sentimentos -, talvez fizesse coisa que se apreciasse. Mas porque para outras artes - musica, pintura -,mais capazes de exprimir o turbilhão emocional que me percorre, não tenho qualquer tipo de jeito, fico-me com a minha escrevinhice. Nas outras nem com jornas suplementares conseguiria «penetrar» nem ao de leve, no espírito, fosse de quem fosse.
Tenho, pois, consciência absoluta que o que tenho feito mais não é do que um esboçar de simples traços. Como se sonhasse com uma obra e apenas garatujasse meia dúzia de riscos que, quando muito, podem servir para mostrar a intenção do que me não atrevi a fazer.
E aqui chegado o que pretendia, eu, de ter sido capaz?
Gostaria de ter penetrado na alma humana do «ílhavo», na análise profunda da sua dimensão, mergulhar no profundo das minhas gentes, elevá-los a «civilização», exprimi-los como «cultura».
Sei que fiz esboços. Do resto não fui capaz. Sucedeu-me o que sucedeu a todos os outros que o tentaram.
E o que me pesa é que poucos o estarão, no futuro, tão próximos de «OS» ter percebido, como eu estive, por neles ter mergulhado, provavelmente, mais com o coração do que com a razão.

Não fui capaz, mas ninguém me pode acusar de à tarefa não ter dado horas suplementares ,que chegavam e sobravam,se arte houvesse, para lhe dar forma.
A vida desiludiu-me?
Não!...eu ,certamente ,é que a desiludi...
Aladino

quinta-feira, maio 28, 2009




Lá vamos cantando e rindo …. VOTAR

E assim, sem esperanças, com desalento e uma indiferença que raia o absurdo, apresentaram-nos as candidaturas daqueles que se auto-proclamam (sim! porque o certo é que nunca ninguém o confirmou) como os mais aptos (e mais capazes) para fazer desta Terra, a dita cuja, a nobre(?) e bela(?),risonha e acolhedora ,sempre prometida nos atributos sempre desmentida na realidade .Sempre adiada para as calendas.
Se estes são os melhores:

…. vou ali à Merdaleja, levo o enxalabar, e faço como «ti Esse»:- no remoalho sempre há-de vir peixe que s’a veja….bem melhor que estes xarabanecos langões.
A pergunta é :

Aguentará esta Terra, mais quatro anos (?!)de populismo bacoco ,esquizofrénico deste figurão político em saldo(em fim de prazo de validade terminado há muito),posto na Praça Pública a arrastar o lenho onde o pregaram, depois da vergonhosa demonstração da mais tola, absurda e pesporrente mania de um «xico esperto» que julgando ir deslumbrar o mundo da política com a sua descabelada, absurda e tonta verborreia circular, regressou a penates com o epíteto de um descabelado tonto, objecto dos mais vergonhosos e achincalhantes epítetos de que um «Ílhavo»alguma vez foi alvo.
Aguentar este mandarim á solta, aqui, vai ser difícil. Sem oposição – o candidato da oposição só por brincadeira se pode chamar opositor -, isto vai ser pior ainda, do que fo.i
Se a «cidade da Nocha» resistir mais estes quatro anos, então teremos razões para nos orgulharmos da sua teimosia em sobreviver, á espera que vá borrasca se vá.
Eu duvido. Duvido, admitindo que pouco já nos resta para salvar, nem a dignidade de cidadão, perdida depois destes 12 anos de lamentável provação.

Alguém se importunou com o facto?

Não ! ninguém. Gente abúlica, que deixou de se importar com o destino da sua Terra, sem chama, sem alma para gritar: ALTO! que isto é a vergonha do nossos antepassados.SE somos uns frouxos,ao menos tenhamos pudor pelos que nos antecederam.

Deixámos sem queixume que se vendesse a «nossa» História como bacalhau a pataco, e que se empenhassem todos os anéis - que teremos de pagar por muitos e bons anos, pois cada ilhavense deve cerca de 1.000€ do calote comunitário. Ano após ano a divida foi crescendo como pústula fétida, ameaçadora, prenunciadora de desfecho gangrenoso. E contudo….
Eles continuaram risonhos, a gabarem-se de obra feita como se isso de fazer obra e não pagar - de couro alheio correias compridas -, com dívidas e mais dívidas, sucessivamente acumuladas, fosse difícil.
Até que o Estado disse: - BASTA! Parou a desfaçatez, porque a continuar dentro de pouco tempo já não havia dinheiro nem para mandar rezar uma missa por alma desta santa e cordata terrinha .
E então olhou-se para a procissão e para os anjinhos : iam nús .
De obra restava uma meia dúzia de vulgatas isoladas, sem nexo, sem sentido, que nada acrescentavam. Dinheiro gasto á tripa forra ,desprezando o essencial ,preocupados apenas ,com a fachada. No todo a regressão social, cultural, associativa, económica e urbana, eram por demais evidentes e deveriam preocupar a ponto de se levantar a interrogação:
Se a Terra não tem não soube gerar) Partidos capazes, devem-se ou não procurar soluções fora dos mesmos?.

O - ou fora ou dentro: assim é que não podemos continuar - nunca teve tanta actualidade como hoje, aqui.
Agora apregoam que o seu objectivo, e até razão (primeira!) para ficarem por aqui a polir esquinas, é o de malbaratar as verbas (sobrantes) do famigerado QREN, que ainda aí vêm, o que vai fazer com que em 2013 a divida da Câmara Municipal de Ílhavo se aproxime 100 Milhões de Euros. Querem apostar?
Obras?! … Mais dois ou três casarões, que um dia custarão um balúrdio para os fazer implodir, como certamente acontecerá, porque o bom senso há-de chegar, com o afrontoso e famigerado CCI.
E naquela faladura, simbolicamente feita em su sitio - no porão onde se salgam os sanapaios – num circunlóquio que iniciado nunca se sabe, como nem quando acaba, e que disparates contém, tipo pilhas Duracell – quedura!....dura!, desta vez o inefável ridículo esteve na baboseira bacoca de que mais quatro ano de desdita ( a nossa!) serão contudo uma benfeitoria para os ilhavenses, para os portugueses… depois e …vejam lá…para os europeus, até…
Até onde chega o delírio! E perante o despautério demagógico o que sucedeu?
Pois houve aplausos dos circunstantes, a tal bacoquisse. E o certo é que todos! garanto-todos!- andavam há muito na esperança que o auto proclamado fosse bugiar, e deixasse esta Terra ser, indo cumprir o seu destino a esmolar «poder» noutras paragens.
Quiçà em «Pissos[1]» ,terra que há muito espera que a endireitem….
Aladino

[1] Para consciências atormentadas e púdicas ,sempre adiantarei que a palavra corresponde a uma Terra bem portuguesa: escorreita e limpa.

sexta-feira, maio 15, 2009

AVISO AOS LEITORES


Caros leitores:

Vamos iniciar um novo Blog http://asgrandesnavegamaritimas.blogspot.com que procurará ser um trabalho informativo /formativo sobre um problema que desde há muito venho seguindo com extrema curisidade: As Grandes Navegaçõe Marítimas.
Mantenho uma permanente atenção e recolho todo o tipo de livro que fale sobre a matéria. Consulto nos lugares próprios, tentando aí obter esclarecimentos de materia mais complexa.Reuno cópias de verdadeiros monumentos cartográficas .Julguei, por isso, que neste intervalo em que os «200Anos da Costa -Nova» está na gráfica ,para não ficar parado,seria bom exercício entreter-me com a matéria ,condicionado que estou de fazer outras abordagens.
Nesta primeira parte vamos apresentar as duvidas e os novos aports que fazem desta matéria ,ainda algo de enevoado.
Tudo o que se diz no Blog são reflexões sobre factos que sempre nos causaram engulhos, a que jutámos novos factos vindos a lume. Seguimo-los ,sempre, na ânsia de sabermos sempre, mas sempre, mais.Na segunda parte vamos fazer uma recolha sistemática dos tipos de embarcações que as tornaram possiveis ,da sua evolução e dos aspectos técnicos que lhes permitiram responder ao desafio .Por mim entusiasmei-me á medida que ia sistematizando a matéria .Oxalá ela agrade.
Senos da Fonseca

segunda-feira, abril 27, 2009

Mais «bota abaixo que bota acima».


Li algures (Montanelli) que o Fascismo é a tentativa mais cómica de instaurar a seriedade.
Não creio que se possa ser tão brincalhão sobre um rasto da História de um tempo de tão má memória, se nos recordarmos o que foi o Fascismo de Hitler ou o de Mussolini.

Já o Fascismo Salazarista teve muito de cómico na pretensão de pretender ser sério, no fim ultimo de servir(desinteressadamente) a Pátria , sem chegar a ser totalmente trágico (houve excepções, não esqueçamos).Apoiando-se numa trilogia patética, dos três F.- Fado ,Futebol e Fátima- que teve o seu quê de comicidade na lamuria lamecha de amores desavindos perdoados entre dois copos de tinto, ou no desvio de multidões distraídas com o pontapé na bola ,quando não na canela, ou convidadas á aceitação da pobreza e do sofrimento , exaltados com a golgota, como se esta fosse o preço justo a pagar pela conquista do ganho em outra vida (qual(?!) é que nunca se provou ,até hoje).
As encenações do Salazarismo ,vistas hoje, à distância, eram uma espécie da «conversa da treta»: falava-se muito para um povo que só «ouvia» porque nem ler sabia. Por isso os discursos teatrais dos trogloditas do regime, abençoados pela água benta espargida pelo hissope, mais do que reproduzidos na Imprensa (só para uso externo), eram fundamentalmente levados aos corifeus locais pelas ondas sonoras da rádio, ou repetidos nas suas virtudes, ao povo, nos púlpitos da igrejas. Igreja e Regime, toleravam-se sem se adorarem, servindo-se mutuamente : a Igreja desconfiando das virtudes do pequeno ditador, fazendo de conta que aquele lá estava por vontade soprada do alto; aquele irritado, quando não assanhado, com a ostentação sa santa madre igreja, ao perceber o «custo» da bênção que lhe era concedida . A ver, claramente visto,que a parte mais apetitosa do «Deus ,Pátria e Família», ficava nos cofres almofadados a púrpura.E «o botas» a ter de pôr meias solas nas ditas ,para mostrar que no poupar estava a virtude.
Claro que o regime não dispensou, à cautela, manter a matilha quieta, açulando-lhe a PIDE. Uns milharzitos de bufos cobardolas, fatico coçado do coçar nas cadeiras do café da esquina ,orelha à escuta, pagos á tarefa com uma côdea e um prato de lentilhas, para soprar aos ouvidos de umas centenas de torcionários mal encarados, umas suspeitas sobre um perigoso pai de família que não vai em missas. Comunas : -relatavam eles. E perigosos… logo acrescentavam.
O POVO- a grande maioria do Povo,o Zé - era «sereno», muito mais calhado a sofrer do que a chatear-se, salvo raras excepções de um ou outro tresmalhado que ia ,de vez em quando ,furando a regra.
Até que um dia ouviu-se um tiro e a corja de «valentaços» dá de fugir com o rabo entre as pernas, como o fez D João VI e o séquito, para os brasis. Agora já não para fazer um Império ,mas para mendigar espórtula, esquençados por terem escapado com o «canastro inteiro».
Claro que mudámos de regime; mas a massa com que moldam os políticos continua ,mais ou menos, amassada com os mesmos ingredientes.
Mudámos de actores mas a conversa nem sempre mudou de forma, nem de conteúdo. Mais bota abaixo que bota acima.
Ao primeiro estrondo foge tudo, postos a rasgar os cartões ,a gritar :
- eu?!.politico... Era o que faltava …eu nem os conheço.

Aladino


sexta-feira, abril 24, 2009


25 ABRIL

Seja o que seja, haja o que houver
Foste o dia mais lindo
Que algum dia, dia por dia
Em outra qualquer manhã, de tantas manhãs,
O tempo se cumpriu
Naquela manhã de Abril

Eu sei que os meus olhos sonham
Mais do que a razão, o infinito
Moram neles mais sonhos,
Sonhos bonitos
Do que o mundo possa conter
Mais do que olhando, só imaginando, os posso ver.

Não quero tudo que prometeste.
Apenas um pouco da esperança que trouxeste
Quando da bruma de um tempo de nevoeiro
Surgiste com fulgor. Era Portugal inteiro
Debruçado á janela a ver-te acontecer
Era Portugal nascido, a ver o amanhecer.

25 Abril 2009

sexta-feira, abril 17, 2009

A vida, parecendo por vezes querer ser piedosa ,deixando-nos somar anos, é em muitos casos , impiedosa, cruel .


Não sei se vai valer de nada. O certo é que o impossível fez-se. Demorou um pouco, mas fez-se.
Estranha sensação, esta teimosia obsessiva de não baixar braços, mesmo quando racionalmente ,para mim ,isso seria muito melhor.
Desatar os nós, ultrapassar barreiras podia (e pode!) trazer-me obrigações de consequências amargas. Mas se o não fizesse, acusar-me-ia de cobardia ou medo. E depois?
Ninguém sabe nada desta complexidade do não querer, mas aceitar o trágico do ter de ser. Não estou á espera que alguém o entenda, pois por vezes, eu próprio o acho incompreensível. Parece haver uma parte minha, racional, que facilmente se deixa sobrelevar por uma outra parte impulsiva, que domina e transcende o meu outro eu. Outro eu que decide por mim. Interrogo-me, viro tudo de trás para a frente ,analiso, durmo horas sobre o assunto e concluo: deixa-te estar quieto.E dito isto, logo dou comigo a aquecer motores e arrancar pelo caminho que ainda antes -momento antes – sabia, de certeza feita, ser desaconselhável.
Morrerei pois inédito.
Parece-me que sem o procurar, de repente, surge-me acabar sempre por ser igual, mesmo quando ensaio ser diferente. O instinto, em mim, leva a palma á racionalidade. Sou, não há dúvida, um contumaz do instinto. Gostaria de, por vezes, esperar que os gestos partissem dos outros para comigo. Mas por pudor – por pudor, é isso mesmo ! – adianto-me sempre, e procuro que o gesto primeiro, seja sempre, meu.
As imagens que ao sabor das situações se me foram colando, tornaram inútil e inglório o meu esforço para ser claro aos olhos do mundo que me rodeia. Valeria apenas parecê-lo, mais do sê-lo? O pior era aguentar a farsa.
Existe um temor que me vem assaltando.
Arrepia-me a certeza (ou pressentimento) que em breve poderá chegar o momento de incutir o cansaço e a pena, nos que me rodeiam. Pensar nisso quando ainda estamos (ou pensamos estar) perfeitamente activos, atenua. Mas não faz esquecer. Temos pois de prestar toda a atenção à avaliação da nossa inevitável perda de qualidades. Estou muito atento. Apontando todos os indícios nos mais pequenos gestos, testando-me nos outros.
Eu já assisti a isso; e custou-me perceber como o ser em destruição, por vezes, não percebe a dimensão da mesma.
Por mais que me prepare, temo que perca essa faculdade crítica, tão grande, que sempre me tem acompanhado. Tenho tanto medo de uma tragédia dessas, que pedi a pessoas muito chegadas, muito íntimas, a promessa que mo farão perceber, ao menor sinal vislumbrado de eu o não ter entendido primeiro. Uma espécie de eutanásia cobarde.
É que a vida, parecendo por vezes querer ser piedosa,torna-se, nessas circunstâncias, impiedosa, cruel.
Nada pior que tenham pena de nós. Nada pior que pressentir o murmúrio: - coitado!

Aladino

terça-feira, março 24, 2009

Mais um episodio da vida ,passou ,hoje,por mim .


É certo que episódios longínquos já pouco deles restam .Nem na memória nem da inteligência do que fomos, nem na emoção do que pretendíamos então .
Foi como hoje agarrasse num livro que já não lia há muito e o voltasse a folhear.Só que sem emoção; embora claro com tristeza.
Resta-me gratidão. Igual á que distribuo por muitos. Uma gratidão que teimo em ser abstracta, mais cerebral que emocional.
A vida vai cumprindo o calendário. E é melhor assim .Parece que retiro de cima de mim o enorme peso que sentiria que alguém tivesse pena de mim, ou por minha causa.
Não tenho pena de mais nada.
Envelheço – quem tem medo de o dizer e porquê?!- pressentindo que as sensações já não são como eram dantes.
Agora gasto-me diariamente nos pensamentos.
Abandono-me neles, procurando uma lucidez que não tinha quando não pensava, e agia. Agir é viver no tumulto incompossível . E por isso ,agora, vislumbro (apenas!)indiferença onde dantes estava revolta indisciplinada.
Hoje já não leio para sonhar, mas sim para reter dentro de mim. Para me couraçar e passar a ser insensível ao que me não está perto.Queria fazer o possível para me desligar da vida. E por isso estava a cumprir o roteiro, no meu refúgio. Tenho de fazer o possível para voltar ao caminho de onde me tresmalhei. Ou melhor: de onde me fustigaram para sair da toca onde obstinadamente me ia reconfortando.
Aos que por vezes me acusam de dispersão tulmutuosa direi- que talvez não !Dispersão unificada ,vá lá…Concedo. Descrente de toda a fé …ou descrente de todas as fés (melhor dizendo) como havia de esperar que alguém fizesse por mim. Por isso fui fazendo.

Aladino

quinta-feira, março 19, 2009


Se só os canários chilreassem no bosque, este era um cemitério de silêncio .

A um amigo que tem receio de enfrentar os leitores, disse-lhe aquela máxima :

Mostra o talento que tens ;pouco ou muito, não importa .Se só os canários chilreassem no bosque este era um cemitério de silêncio .

Eu julgo que cada um de nós deve «desprezar ?!» a sua própria apreciação ,sujeitando-se ,isso sim !-à apreciação de estranhos. Sem complexos . Mesmo nos grandes autores, nem todos os livros se suportam .Ou indo mais longe :-um grande autor tem sempre uma ou duas obras invulgares. O resto, só são «boas», porque são do referido autor. Não pela valoração da obra em si mesma.
Hoje dar conta aos outros do nosso ponto de vista banalizou-se. Tornou-se acessível atingir uma clientela .Depois, é saber geri-la . E aí é que nos confrontamos com a dificuldade.

Eu, falo com os outros enquanto isso me der gozo, e sinta que lhes dou -de vez em quando -prazer em me lerem.
Quando esse prazer mútuo se acabar:-ponto final parágrafo.


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Modernices

Foi preciso chegar a esta idade e julgar já ter ouvido e visto tudo que havia para ver e esutar, para ficar siderado quando me dizem « o prof. (fulano de tal ) está de baixa de parto ».
Julguei que o inexpectável provinha da minha dureza de ouvido,

-a profª queres tu dizer ….
-
o …não exactamente o Professor (……)
Já agora a Ministra podia incluir uma alínea na avaliação quanto ao desempenho de
« parideiros» acamados.

Visto bem as coisas, de facto ,o casamento entre «impares» pode tornar o caso banal.


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«A TANTO HONTA»

Quando os reis católicos esperavam receber uma oferta «de tanto honta» para não expulsarem os Judeus, de Espanha ,Torquemada atirou-lhes um crucifixo dizendo : "suas Altezas estão a fazer como Judas,a vender Cristo".Torquemada ,queria tratar-lhes da saude,na fogueira.

Os novos Torquemadas

Importante é tratar-lhes da agonia ,não o precaver da doença.(?!)

A História está repleta de figuras papais.Umas que contribuíram para a respeitabilidade da Instituição, granjeando-lhe adeptos.Outras verdadeiras figuras tenebrosas com as mãos tintas de sangue das degolas com que exercitavam as suas espadas, e a alma mais negra que os tições que sobravam das fogueiras onde grelhavam os inocentes, por delito de crença.

Faltava-nos um Papa pouco impressionado com a pandemia que dizima milhões de infelizes, cuja única culpa foi acreditar que o mal calha sempre aos outros.

A bestialidade do dito, por insensato e perigoso chocou todo o mundo. A Igreja católica mostrou o melhor do pior ,do seu fundamentalismo.

Hipócritas as palavras de Ratzinger : tratem os doentes da sida gratuitamente.,pediu

Assim o importante,na ideia deste bento beato é tratar-lhes da agonia ,não o precaver da doença.

Aladino

domingo, março 15, 2009

Horas vagabundas

Roubaram-me as horas vagabundas,
Perdidas na sem razão do fugir à lógica da vida.
Já nelas me não descortino, especado
A olhar o fulgor do sol a se esvair, envergonhado.
Horas de vida sem tempo
Em que eu era o mesmo sem ser igual;
À procura de um ou outro momento
Em que a tua imagem viesse num cavalo alado
Ali,se sentar ao meu lado
Para alivio dos meus ais entediados.

JF (Março 2009)

sexta-feira, março 13, 2009


Morreu o Tiago.

Direis! – «tiagos »há muitos …mas
O Tiago era uma das três crianças-com paralisia cerebral que as trasformavam em ser vegetativos, apenas - que o Hospital de Stª Maria solicitou a todas as Instituições do País para lhes dar acolhimento. Só o CASCI respondeu presente. Era assim o Casci e espero que continue a ser: não se diz faz-se!
Estas três crianças obrigavam a um funcionário permanente 24 em 24 horas. Sempre atento às sondas, às máscaras respiratórias, aos sinais que indicavam uma mudança de estado.
Eram as mascotes de todos os funcionários e recebiam a visita de todos os que de fora visitavam a Residencial. Uma festa era o mínimo que se podia fazer.E mesmo que sem qualquer resposta, havia a ilusão de aqueles corpos vergados á paralisia, sentiam os afectos.
Quando o Tiago foi para o Hospital, logo houve colaboradores que se mantiveram continuamente a seu lado, autorizados (ou até solicitados) pelo pessoal do mesmo.
Embora esperada, a notícia espelhou-se por toda a comunidade do CASCi. No funeral, havia lágrimas sentidas em muitos (em quase todos os rostos) dos muito que quiseram dizer-lhe um ultimo adeus, e o levaram até à morada final. Pois. Finalmente o Tiago passou a ser um igual a todos os que lá moram.
Sem qualquer referência familiar, o Tiago ficou em sepultura de meus bisa-avós. Cá pela família sepulturas é o que não faltam. O Tiago tem assim companhia para todo o sempre.
Vim do cemitério a pensar que tenho motivos evidentes para continuar a pensar como penso. Se houvesse uma Divindade, esta não consentiria em «tiagos». E a Divindade devia estar a pedir perdão à Super – Divindade que Lhe está por cima -sim porque para haver Divindade era preciso que outra Divindade Superior a criasse,and so – pela sua perfídia de Pai permitir germinar a semente que, devendo amadurecer no futuro, afinal, nem chegou a perceber o que era isso a que se chama vida.
Vim com a impressão estranha de que a minha compreensão estava vaga, desocupada, apenas decidida a continuar por continuar.

Aladino

sábado, março 07, 2009

Crónica de um «Mau Malandro» versus uma «Boa Malandra» (parte II)

É costume receber feed back sobre alguns Blogs, especialmente quando estes conseguem mexer com as pessoas. Que é , afinal ,o que pretendo .Há comentários de vários tipo. Alguns bem apanhados, provocatórios, mas também cheios de sã e graciosa irriquietude.
Desta vez não resisto a, com a devida autorização, transcrever este

Caro eng:

Li o seu Blog Crónica de um «Mau malandro» acossado. Não foi para mim novidade. Mas sobre o mesmo ouvi conversa de café que não deixo de transcrever, tanto quanto possível ,fielmente:
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Estavam, então, duas amigas minhas no parlatório, sentadas á mesa do café , quando entre a degustação de umas natas quentinhas baptizadas com um o’clock tea , a dada altura uma resolve interpelar a outra:

-Então Cla….. leste o Blog do F….Aquele tipo é de um descaramento reles .A gabar-se de pertencer a uma raça em vias de extinção. Coitado…está gá-gá de todo.
-Pois . .pois . Vê lá tu: às vezes parece um progressista da m….Outras, quando se confessa, um reaccionário nojento. É perigoso…para os bons costumes.
-Deixa lá, não há perigo, que os nossos homens nem lhe dão ouvidos…Olha!... a propósito: - como vai o teu S…
-Ai filha!..bem .Tive muita sorte…ficou lá em casa a mudar as fraldas ao miúdo e depois ainda lhe disse para me ajeitar umas roupitas. Queria que tu visses; logo quando chegar a casa está tudo que é um «capricho de homem!..».
-Olha! - o meu dá mais para aspirar ,limpar o pó. Assim tarefas mais de homem … percebe...mais pesadas . Sabes, daquelas que cansam…
-Oh rapariga I… tem cuidado que o podes cansar e depois já sabes, nada de brincadeira…
-Credo ….não tem importância .Isso não falta p´rá aí quem queira …brincar. Machistas folgados ,danados p’rá brincadeira, ainda há que sobre …
-Pois : qual igualdade, qual carapuça. O novo estádio vai Superioridade feminina,já.!. Nós havemos de lá chegar. Eu lá em casa, já pus bem claro :por baixo nunca!...
-Oh mulher também não sejas fundamentalista. Caprichos só que os que não nos dêem prejuízo.
(risinhos…)
Por achar curioso mando-lhe esta crónica.
Um abração . Cuidado não se canse. Elas não sabem nem sonham….
A «Boa» Malandra

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Comments.

1- Fico muito agradecido por saber que afinal ainda há conversas interessantes, profundas, de fazer inveja ao «Erro de Descartes», nos cafés de «Terra da Lâmpada». Bem o diziam as «Pedras» do Paradela.
2- Eu não partilho o optimismo da C…..Há machistas ,mas são poucos,E a mais, quebrados da espinha.

Aladino

quarta-feira, março 04, 2009

Crónica de um «mau malandro» acossado .


Hoje cheguei atrasado ao meu «posto de trabalho», 10 minutos. Poderia arranjar desculpas : visita á Residencial ,etc etc. Mas não. Mandei anotar o atraso.
Dir-se-à : porquê (?!) se eu não tenho que dar satisfações a ninguém, nem recebo á hora, ao dia ou ao mês .
Parece !..que não tenho .Mas tenho :o meu patrão é estuporado .
Em boa verdade Vos digo :aquele que não exigir a si ,não pode –nem sabe- exigir aos outros.
Sempre sucedeu, isso, comigo .Desde novito (com 26 anos) comecei a ser « o vigilante» do meu cumprimento - e nunca mais deixei de o ser pela vida fora. Sou eu e só eu, em permanente auto – avaliação, que sustento a obrigatoriedade e me imponho regras.
Mas….

O acima dito vem a propósito de ontem, ao fim do dia, pessoa amiga me informar, num mail, «que tendo estado com uma pessoa que me conhecia , a rapar-me na casaca», concluíram,ambos, ser eu um desordenado inveterado.

Enfim; recebem-se assim, e de noite ,depreciações(ou apreciações destas!).
E fiquei a pensar : se calhar sou mesmo …
E mais se adensou essa convicção ,porque…

(Em verdade Vos digo :e
u não mudei para pior . O mundo é que mudou).

Então não é que durante o jantar (de ontem ), a minha mulher entendeu, também ela, invectivar-me, porque diz (só agora ,vejam lá !) «que eu sou um caso patológico» de desordem e um «refinado machista».
Eu?!...
Isto do Dia da Mulher, começei eu a matutar com os meus botões, é,de facto, perigoso. Ainda que seja apenas um em trezentos e sessenta e quatro, vejam no que dá. Raio de modernices.
É assim : chegados a velhos (usados!) começam a acusar-nos do que risonhamente suportaram a vida inteira. Agora, é tarde… En veritè : je ne regrette pas,rien de rien ,fica desde já esclarecido.Ponto final.
Então do que sou, afinal, «acusado» ?
...«que chego a casa e os sapatos ficam a fazer companhia ás chinelas, á porta, para que alguém(?!) os guarde (em boa verdade Vos digo :- guardá-los para quê ,se ao outro dia os vou calçar?) .
....«que na sala ficam as calças .Pior ainda ! : o casaco fica onde calha» ….à espera que «alguém» mo ponho no sitio certo( em boa verdade Vos digo que quero isso para não recorrer ao guarda fato e tirar outra roupa em vez de a andar a procurar ).
De manhã – «dizem» –, o caso é muito pior,
....apontando-se o dedo à mania doentia de eu fazer, sempre, duas coisas ao mesmo tempo.( em verdade vos digo que julgava que era uma virtude ,pois assim vivia mais tempo)
«Descrevem» melodramaticamente , assim, a cena :
.....que «me levanto ,ligo a TV ,ponho os auscultadores wireless, enquanto ligo e levo comigo o computar. E sentado ( onde todos se sentam, àquela hora do dia) ouço o noticiário e ponho o computador em cima do roupeiro(em verdade Vos digo ,especialmente comprado para o efeito, ,julgando que ninguém tinha percebido), abrindo- o para ver os e-mails da noite».
E que arrumados os interiores, «faço as abluções matinais, operando, sempre, duas em um ».
Onde é que está o mal?-pergunto, enquanto continua a acusação de,
...que « regresso ao quarto onde machistamente (ah ?! sóagora é que o descobriram!) tomo o pequeno almoço» -(em boa verdade Vos digo que gosto, de facto,de«pausadamente?!», engolir o chá enquanto me vou vestindo.)
Qual é o mal? Custa alguma coisa fazer um chá?
Não!...,
mas logo « apontam»,
....que «com os amigos,nas tainadas, faço tudo na cozinha ,esmerando-me em pratos complicados. Em casa, ao contrário, nem sabes acender o gás,(sic)» .
( pois... pois …:- primeiro acendia o gaz …depois fritava um ovo, e qualquer dia estava a lavar a louça (coisa que nem com os amigos faço ,como eles sabem ..) Aonde é que está o mal? contraponho, adiantando, vingança …vingança !!!):
-É por essas e por outras que depois têm que instituir o casamento gay : ambos a fazer o mesmo. Um dia na cozinha …outro dia no ....

Resumindo e concluindo : eu acho, ao contrário. que sou exemplar (toma!).
Pois (reformado) saio logo de manhã, não chateando mais ninguém todo o dia, deixando o «palácio» totalmente para «a rainha» da casa». O que peço são coisas simples: que me arrumem os livros que deixei espalhados, que decidam o que vou vestir ao outro dia, ou o que vou comer à noite etc. etc . Enfim, o trivial de uma «rainha».(isso de valer mais ser rainha um só dia ....,são historietas)
«Melhor»?- só de encomenda,pensava eu de que. Afinal verifico que todo o mundo me aponta defeitos. Dentro e fora …
Paciência. Agora já é tarde. Tivessem –me educado.
Eu nunca mudei. O mundo é que foi mudando,para pior. E eu não me consegui adaptar às modernices.
Ainda bem …
Aladino
PS- Aos leitores desculpem este desabafo. Às leitoras, o desejo que os seus homens sejam modernos (mesmo que depois se queixem )

domingo, março 01, 2009


Uma valente pega de caras….

Foi isso mesmo que ontem aconteceu em Espinho.
Não me recorda de um discurso político feito com tanta força interior(o da fonte luminosa ,talvez ?!)

Sócrates mostrou ontem, de um modo claro e impressivo, que não é refém -como alguns anteviam- das tentativas provindas de fontes fandelgas, na tentativa de o derrubar fora das linhas que limitam o campo onde se desenrola o jogo. Em jogadas baixas, em que o próprio «árbitro» parece também chuçar, num carrascal ultramontano e pérfido ,cobarde, bilioso, onde perpassa inquisitório probante servido ás colheradas, como se fosse óleo de fígado de bacalhau ,agoniador, a escorregar pelos gorgomilos abaixo de uma alma penada, condenada a ler e ou a ouvir boa parte da Comunicação(Desinformação) Social .

Nenhum homem que tivesse a consciência intranquila , por muito actor que fosse, seria capaz de improvisar(?) discurso tão frontal, vigoroso e lúcido. Ontem vi ali um grande politico ,mas acima de tudo vi um (grande) Homem. Cheio de determinação. Que também cede aos momentos de emoção, deixando transparecer nesses momentos quanto amargo tem sido o caminho.
Bem pode aquela côca televisiva , que semanalmente vem abrir «a cloaca» -já agora que de excitante só reside na duvida de se saber se é porto franco ou canal de esgoto - esforçar-se a esfarrapar no ceguinho; ou um jornaleiro ( pago á jorna ,não um jornalista) vir feder para o publico com o caso nauseabundo do Freeportus, confundindo liberdade de comunicação com libertinice execrável. Já todos perceberam e contribuíram para o peditório dos interessados que tal súcia defendem.
Ouvi hoje o director da SIC, numa posição corporativa, verberar Sócrates dizendo que este “tem de resolver o problema que tem (!!!)com a justiça, em vez de o resolver com os jornalista”.Repare-se na aleivosia: que problema é que Sócrates tem –até hoje ! - com a justiça? Ou a justiça para o director da Sic, são os Jornais e a TV que a «fazem», e executam?.

Ora eu não sei se é Sócrates que tem um problema com a Justiça ou se é a «justiça» que tem um problema com Sócrates.

Aladino

sexta-feira, fevereiro 27, 2009


Curvas e contra curvas…

Nestas curvas e contra-curvas da vida, que umas atrás de outras vou rodeando (derrapando em algumas mais apertadas), não deixa de ser curiosa uma análise que ontem levei comigo para a conversa com o travesseiro. (Nesta idade já não costumamos levar mais nada para o travesseiro que valha….).Viajar agora no sonho…(sem limites ) é o que importa.

Num momento de crise em que todos estão a recuar, vejo-me envolvido num torvelinho de um intricado novelo, que me coloca, uma vez mais, a tentar resolver a quadratura do círculo.
De facto o CASCI é, neste momentoso tortuoso e sofrido da vida do País, um caso raro de postura.
Explico,
Por um lado – essa era a missão -urge alcançar um equilíbrio. Perceber a Instituição, tostão a tostão. Um exercício danado. Era preciso, custasse o que custasse, delinear uma metodologia que permitisse saber os porquês. Estamos hoje, finalmente, detentores do saber, como e por onde lhe pegar.E agora -como tive oportunidade de dizer aos colaboradores-é chegado, doa o que doer, pensar primeiro com a cabeça, sem deixar, contudo de decidir com o coração.

Paradigma perfeito(ou imperfeito,sei lá ..). Inequação, para a qual se exige um esforço de lucidez e uma postura de, depois de pesados todos os argumentos: -decidir. Go...Go!….
Claro que há coisas que vão doer. Mas se não as fizéssemos, a dor seria, um dia, irreparável.
Em simultâneo há que trabalhar outras áreas. A crise trouxe novos desafios.E se a primeira tarefa já era complicada, eis que a envolvência em desenhar novos caminhos nos veios desafiar.E há,já, quatro novos grandes Projectos a andar.E a toda a força. Qualquer um deles chegava para um exercício. Mas não há tempo para esperar. E como dizia a minha mãe: é o destino que vem ter contigo. Que se há-de fazer? (Mãe! :teria valido a pena pores-me aqui?)
E é verdade: uma vez mais não o procurei. Bem pelo contrário.
De repente, estão a ver a fotografia: aí vem o touro desembolado. Fugir? Agora?
Estou como o «pegador» : acagaçado, mas armado em valentão, agora mais vale fazer peito ao bicho que lhe virar o rabo.
Estou como o outro

A um touro feito de pau.não importa virar-lhe o cu
Mas um touro embalado…vai-te lixar, vira-lho tu

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Tens medo? Empresto-te o meu cão…

Este sentimento de chegar ao fim de um dia e assinar ordens de pagamento salariais de 28.000 contos! (150.000€), finda a libertação da preocupação que o antecede, permite um olhar interessante sobre as curvas (veredas) da vida.
Esfalfa-se um peregrino, dia e noite. Não para trazer para casa o salário do mês -que eu entregava religiosamente intacto em casa !-, mas só para ter tudo em ordem para que os outros o levem,no dia certo.
Ele(eu) -o peregrino - ainda se diverte a pagar a gasolina e o carro do seu bolso (e até o raio da multa da GNR por ter o carro parado no local do CASCI).
Lembra-me a definição de um ginecologista: -o tipo que trabalha o local onde os outros se hão-de divertir.
Mas é verdade. Não deixa de ser curiosa esta sensação de que a vida poderia ser assim: necessidades satisfeitas, trabalhava-se de borla.Na vida o que me deu sdupremo gozo foi trabalhar de bortla Deu-me sempre uma superioridade moral que compensou o esforço.
O mundo seria bem diferente, acreditem. O trabalho deixava de ser chato, uma condenação. Tornava-se um exercício -um desafio - onde se pugnava, não pelas caneladas a prodigalizar ao alheio, mas para nos distinguirmos pela qualidade do nosso esforço.
Sim! …: para sermos avaliados. De todas as maneiras e por todos os ângulos.
É por causa disso que me irrito com uns medricas que andam por aí, de panos ao léu, nas ruas….
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Viver ou fazer de conta…
Se eu quisesse pintar um quadro que retratasse a vida mais inquietada do mundo ,emoldurava um retrato qualquer, meu.
Estava feito!
Deixem que explique…,
Ingerida dia após dia a mesma comida, até a vitualha mais deliciosa acaba por enjoar. Com o passar do tempo, a vida que atrai, enche-se de insipidez, torna-se desenxabida .
Então tens de decidir : viver ou fazer de conta…
Desculpem,pois, lá, qualquer coisinha : ver assim as coisas ajuda….Oh! se ajuda…
Raios : para quem passou a vida a carregar o fardo de uma monstruosa imaginação, não custa de vez em quando sonhar que houve instantes de fugaz deleite.
Acordar e não saber se sou eu a sonhar com borboletas, ou se sou uma delas a sonhar comigo,ainda vale a pena.Por isso quero lá saber.Continuo como sempre.

Amanhã se acordar que seja a sonhar com a mais bonita e colorida borboleta do mundo .Se não sacordar....não tenham pena...morri de gulodice...
Aladino

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Sigo ao colo do vento



A vida o que não diz, mostra

Não na epiderme mas no silêncio interior

Na mudez da sombra

Ou no silêncio das pupilas já gastas,

Onde pouco a pouco nem sequer há chama.

Chegado o inverno

olho para mim e não dou comigo

Corro sem correr

Corro sem saber

Sigo ao colo do vento

Á espera que chegue o momento.


SF (Fev 2009)

domingo, fevereiro 22, 2009

A crise…ainda vai no adro.

Continuo a olhar para o País e vejo-me como num filme HitchcoK :ninguém sabe como isto vai acabar .Parece que ainda por aqui. ninguém percebeu que a crise ainda está só a chegar e que, aqui ,como por todos os lados não se conhece ainda, minimamente, a sua extensão .É incrível como não se percebeu que neste momento estamos em pleno efeito dominó. A queda de uns arrasta de imediato outros.
Obama avisou que a não ser aprovado o programa proposto ao Senado ,(eles americanos) poderiam estar perante uma catástrofe .
Ao contrário, aqui, uns pensam (?): com a desgraça deles posso eu bem …
Erram ,claro: tudo o que suceder nos EUA reflecte-se de igual modo (e com mais virulência) na Europa(no mundo inteiro),e a catástrofe será geral.
Hoje Louçã – um demagogo que sabe que mente, não por ignorância mas por acto de pretender ganhar votos a qualquer preço – comparava a situação do País em 2005 com a do dia de hoje. Perfeita imbecilidade num ignorante. Despudorada falta de seriedade num dito «professor» de Economia.
O País nada mais pode fazer do que ir respondendo por reacção á crise, tal como está
acontecer em todos os Países. Claro que o ideal era responder por antecipação. Mas
como fazê-lo se não se sabe o que vai acontecer amanhã?
Acabar com o capitalismo? Para isso era preciso que todos o quisessem, e todos reagissem do mesmo modo. Mudando-o ou corrigindo-o. Só que as gerações actuais não aceitariam o regredir de bem estar que foi alcançado nos últimos decénios, a não ser …
E neste «a não ser que» …é que pode estar a tragédia, quando se acordar tarde.

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O Caldo de Feijão ,continua a ser iguaria

O grupo do caldo de feijão reuniu de novo, como habitual.
Um excelente caldo – portentoso, soberbo. Antecipado por um cardápio de iguarias: moelas in su sauce ,orelha grièe à provençal,e uns petits crocks de cod como já não se comem em parte alguma. Asseguro eu.Que na matéria (bolos de bacalhau) sou entendido.

Mas estas reuniões têm uma particularidade interessante .O palestrante (palestra informal ,tipo conversa) foi desta vez o Prof Trincão, director da «Fábrica da Ciência Viva». Não o conhecia, mas fiquei com a ideia de ter tido uma oportunidade de conhecer uma figura muito interessante, um homem dedicado a uma paixão ,vivendo-a com muita intensidade. Dando espaço para a discussão, embora defendendo os seus pontos de vista com muita convicção.
Diga-se o que se disser a verdade é que nestes últimos tempos o País tem galopado a onda da Cultura cientifica. É uma aposta ganha, se continuada. O êxito deste País passa exactamente por aí. A ciência deve passar a fazer parte da vida quotidiana dos nossos jovens, compensando assim ao desinteresse das ideias teóricas, que deverão ser urgentemente vertidas na observação das necessidades práticas. Aos jovens deve ser incutida a curiosidade do espírito moderno, onde a ciência tem lugar primordial. Esse esforço deve ser feito tão cedo quanto possível.
O« Magalhães» foi uma ideia brilhante. Alguns peralvilhos pensavam que a ideia só seria brilhante se o «Magalhães» fosse fabricado em Portugal . Como se o HP fosse feito nos EUA, ou o Toshiba no Japão.
As nossas capacidades se bem dirigidas levar-nos-iam a um ponto cimeiro da comunidade cientifica europeia. O País deixaria de vender mão de obra ao quilo para vender gramas de saber( pagas a peso de ouro).

A cultura cientifica é o único instrumento que permitirá acabar com a pandemia de incompetência que (des) graça no País; a cultura cientifica levará as próximas gerações a não a aceitar(a contragosto) uma avaliação de competências ,mas sim, a exigi-la. A cultura cientifica não permitirá que numa Democracia, a Justiça ,pura e simplesmente faça de conta que existe. Porque tardia e a más horas.

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Mas…
O mal, porém, nos dias de hoje, é , logo que algo se começa a destacar, logo aparecerem os instalados (incultos) a se esforçar para que abrande o protagonismo que lhes começava a ser incómodo, por chocar com os interesses corporativos instalados.
Parece , ao queali foi dito ,que a burocracia instalada na UA, começou a olhar de soslaio para o protagonismo da« Fábrica de Cultura». E aquela começou a borregar nos apoios.

E os lideres autárquicos -só alguns felizmente - logo pensaram fazer «Casas de Ciência», em cada Concelho como aconteceu com os «Centros Culturais».

Depois seria o que se vê. Ciência de pacotilha, tal como a Cultura servida nos ditos.
Tenho fé que a cultura cientifica ,numa próxima geração ,acabe ela também com estes Autarcas de pacotilha.
Aladino

domingo, fevereiro 15, 2009

Não me resigno.
Mesmo que seja um confraternização exaltada de impotência


Que fadário estranho, este meu modo de vida.
Parece que a corro -e se corro! - Deixando pedaços de mim esparramados por esse fadário corrido.
Por vezes mais parece que nem sei pousar o carrego para poder gozar a beleza de um minuto eterno. O meu desassossego impede-me que pouse a trouxa sobre uma cachoeira qualquer. Pareço estar impedido de o fazer, por uma força qualquer de atracção que me atira e impele, a não parar.

Este deixar-me em pedaços, retira-me a veleidade de me dar a qualquer coisa de um modo mais consistente do que aquilo que estes rituais cívicos mo permitem. Insatisfeito ou contrafeito, o certo é que me não desligo desta natureza humana que encarno.

O CASCI choca-me .Perturba-me.

Ali está a efemeridade da vida em toda a sua expressão e dimensão. Olho para quase todos e de quase todos me lembro, ainda o tempo era criança, a vê-los galopar a vida ,pareciam imortais. Mas a natureza encarregou-se de os devorar. E agora parece que se alimenta ao mantê-los ainda vivos numa existência morta.
Eestão ali á «espera»; e eu de manhã, também .À espera do telefone a dizer-me :- olhe há outra vaga.E tem sido assim . A ceifa .Outra e outra …e eu olho atónito, os nomes começam a já nada me dizer e quando ao fim da tarde procuro com os meus olhos ,olhar para os resistentes, parece que de repente me desencorajo,como que dizendo : -sabes lá se «este» será um dos de amanhã.

O meu desassossego aumenta ; incomoda-me aceitar resignado este pesadelo .E procuro mentir à vida. Vão por isso começar desde já muitas iniciativas para Lhes arrancar um sorriso ,por tarde que seja.O tempo passa, mas eu quero ter tempo de ainda lhes arrancar um sorriso.
Eu sei que o tempo é como o vento : passas pátrias e fronteiras, nada o detém. Mas ele vai ter de parar aqui, por um bocadinho que seja.
Mesmo que seja um confraternização exaltada de impotência. Mesmo que seja batota.
Não me resigno.
ALADINO

quinta-feira, fevereiro 12, 2009





A Sócrates o que é de Sócrates…

Passeava Sócrates no passos perdidos do agora pátrio ,quando dele se abeirou um camarada esfogueado ,com evidentes sinais de ter estado muito perto de um estado de apoplexia fatal. Sócrates perguntou-lhe :-Que te aconteceu ?
Mestre responde-lhe o discípulo ,«acabei de escutar terríveis insultos á tua pessoa e tive de te defender ».
Sócrates sorriu e pondo-lhe a mão pelo ombro levou-o consigo, dizendo :
-Mal feito! acaso também responderias aos zurros de um asno ?»
Moral da história :
Poderia ter sido com o nosso Sócrates. Mas não foi .Foi na Grécia dos filósofos. Pena….

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CAVAQUICES…

O nosso Presidente Cavaco não prima por uma grande empatia com a cultura. A gaffe do Thomas Mann vidè Thomas Moore ,foi monumental .



Agora conta-se que quando acabou de assistir a uma récita do« La mer» de Debussy cujo titulo era «Desde o amanhecer até ao meio dia no mar».Quando lhe perguntaram ,no final se tinha gostado ,logo respondeu :
«Eu cá e a minha Maria o que gostámos mais foi do trecho das onze menos um quarto»



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Ainda a Aventura do RAMBO

Afinal o meu cachorro foi ter a casa amiga .Só hoje o soube.

A senhora, amiga, viu um cão tão mal encarado que chamou um homem para ver se o prendia, não fosse ele fazer asneiras. Ficaram impressionados e temerosos, porque o« Rambo» resolveu fazer cara de mau(tem-na por natureza) e ladrou .Parece que tiveram que chamar a GNR .Que também se não aproximou muito. Certamente nunca tinham visto um bicharoco tão mal encarado.
Pobre Rambo .Ele estava é cheio de medo a fazer-se forte.

Vamos à história :o «Sharpei » era a raça canina mais conhecida e estimada na China. Eram cães de luta – como os galos -, respeitados e criados como campeões. Tratados como deuses.
Veio o tempo da fome .E dada a sua corpulência ,serviram para a sobrevivência de milhares de chineses .Praticamente a raça extinguiu-se .No final do século um europeu resolveu in extremis proteger os que ainda existiam e conseguiu evitar a extinção da raça .E hoje os SHARPEI são objecto de culto .Os meus vieram da Polónia, um centro europeu onde se recuperam estes exemplares. O «Rambo» tem uma pelugem azul ,o que o torna ainda mais raro.




MRS PIGGY



A história teve um happy end.



Aladino

quarta-feira, fevereiro 11, 2009






Curso de Pilotagem 1900

Histórica esta foto do curso de pilotagem de 1900.Dos primeiros que a partir dos finais do século começaram a permitir que muitos «moços de bordo» , com a prática obtida a bordo iniciada na adlescência , com conhecimentos escolares que não excediam a 4ª Classe, depois de atestada a prática metiam explicador para obter umas noções básicas de trigonometria,cartografia e outras matérias,para,após exame obterem carta que lhes permitia ascender aos lugares de pilotagem .

A fotografia permitiu a identificação de muitos «pilotos» que mais tarde foram grandes capitães da Faina Maior , que por aquele tempo, de novo, tinha chamado os armadores portugueses (ver «Nas Rotas do Bacalhau»).Regressava-se assim aos Grandes Bancos . A navegação era já carteada ,pois com o conómetro era já possivel conhecer-se o calculo da longitude,ao contrário dos pescadores do séc XV/XVI que apenas navegavam por rotas de latitude conhecidas.

Curiosa a foto.Nela os jovens oficiais empunham simbolos náuticos que só por si identificariam o academismo do grupo.

Abaixo a identificação dos fotografados.
Aqui se deixa este documento histórico ,enviado por pessoa amiga.

Aladino

R evisitando Colón E de novo,lá veio mais um livro abordando o enigmático Colón. Desta vez, uma extensa e esg...