terça-feira, julho 28, 2009


Aprender até ao fim …que ainda vale a pena.

Nesta vida tumultuosa em que me envolvo - ou melhor, me deixo envolver -há momentos compensadores, altamente gratificantes.
Evitei aqui falar da minha tarefa no CASCI.
Hoje falo; foi o dia de uma certa libertação de uma tensão vivida a sós, que dura de há sete meses para cá, sem um momento de tréguas.
Com os dados finalmente apurados -só em salários disponibilizaram-se, hoje, 300.000 €-, foi possível juntar á avaliação do trabalho, das reformas intensas levadas a cabo ,a realidade dos números.
Dou por mim satisfeito. Se tudo -e quando digo tudo é mesmo tudo - do que tinha prometido fazer -e ao prometer aos outros empenhei-me a mim mesmo! - foi levado á prática, a situação económico-financeira respira um já total conforto que nos permite olhar para o tempo difícil que se avizinha, com uma certa tranquilidade. Trabalhou-se muito e tomaram-se decisões que deram –é já patente no espírito de todos - uma outra filosofia(e estrutura) que melhor permitirá ao CASCI responder aos desafios que se avizinham.
Existe já hoje interiorizada, a noção de pertença a uma equipa. É a noção que insistentemente faço passar: a de que o futuro de todos, e em particular do CASCI, depende não de um ,mas do modo como todos funcionarem em equipa. Todos sabem ,exactamente, qual é a sua missão. Todos começam a seguir procedimentos que não admitem desculpas mas elegem os mais capazes. E para sobreviver, o CASCI precisa de se dotar dos melhores. Para se ser melhor é preciso assumir sem falsos pudores, que o queremos ser.
Houve mudanças que todos temiam e que afinal se fizeram com excelente absorção. Mudar o passado é temível. Eu sei-o. Sempre o soube. Mas isso nunca me atou os braços, nem toldou a razão.
O CASCI trouxe-me muitas lições. A sua grandeza (para lá do social)é de uma enormidade que define o sonho de quem, pedra a pedra, o construiu partindo do nada. Gostaria que «Essa» pessoa estivesse cá hoje, só para lhe dizer,sorrindo :
-Vês que é possível continuar? Não valia a pena teres-te imolado.

Sim !,porque quando atraiçoada por quem lhe estava perto compreendeu já não ter forças para lutar de igual para igual, a vida deixou de Lhe fazer sentido.
Não vai haver tempo para descansos. Descansar é estar tranquilo ,e só se está tranquilo quando se seguem dia a dia os acontecimentos. Só deve descansar quem está cansado .E esse não é o meu caso. Estou, sim, ansioso por concluir a tarefa.
Vamos pois, em Agosto, preparar a entrada da recta final. Falta dar um dos principais passos do tratamento de choque que propus: o CASCI a partir do ultimo trimestre deste ano será dirigido em toda a sua plenitude por uma equipa de profissionais. Que os há lá ,e de grande gabarito. Estavam lá; só que sem espaço para o demonstrarem . Ficarei, assim, só mais um tempo –o estritamente necessário - para lhes dar confiança, acompanhar nas primeiras decisões, corrigir se necessário for ,para enfim largá-los, entregando-lhes este mundo de uma grandeza Solidária inquestionável.
Cavalgada gigantesca .Mas de todo bonita, porque com os outros aprendemos a ganhar –ainda! - maior sentido para a vida. E para a morte, até. Porque esta será apenas o fim dos caminhos por onde não quisemos ir.
SF (28.07.2009)

sexta-feira, julho 24, 2009


O Prólogo já começou


O prólogo que antecede as eleições, como sucede nas grandes competições -de bicicleta –, se não dita o vencedor antecipado, serve para dar uma ideia do que vai ser a competição.

Em Aveiro aparece um candidato José Costa (dr) que no cartaz introduz a frase «Adoro Aveiro». Não conheço o Senhor, não sei dos atributos que lhe justificam uma candidatura vencedora. Sim porque o PS em Aveiro, deve concorrer para ganhar. Ora as indicações (sondagens), valendo o que valem, indiciam,bem ao contrário, o desastre.

A frase acima é de uma pacovice atroz. O candidato cuja historial escapa ao comum dos mortais, poderia inspirar alguma aproximação se retirada essa frase saloia.
Mas o mais grave é que li, hoje, uma entrevista sua onde entre coisas banais, aferrou um par dos ditos a um camarada que lhe deveria merecer mais respeito. E com isso mostrou logo o que vale. Numa ânsia de caça ao voto ,onde vale tudo,num populismo tonto e insensato, medonhamente ingrato, ética e politicamente intolerável, o novel e desconhecido candidato afirmava às tantas qualquer coisa como: _ «os aveirenses que já se afastaram das políticas de Alberto Sotto…», tentando dessa forma demarcar-se de uma obra, que, quase diríamos, merece a aprovação de todos os aveirenses, independentemente de razões de avaliação que nada têm a ver com a mesma, mas com factores da sua excessiva dimensão financeira.
Engana-se o putativo candidato. Os aveirenses não repudiam a obra de Sotto.Bem ao contrário o Alberto Sotto ficará na história como um dos maiores Presidentes da edilidade aveirense, ao longo da sua história. Sotto foi quem soube dar, a Aveiro, a dimensão de modernidade que há muito se desejava, sem postergar a preservação da qualidade de vida e bem-estar,elevando-os a um ponto tal que hoje permitem á cidade ombrear com o que de melhor o País tem.
O PS é que traiu e apunhalou o Alberto Sotto. Desculpem lá! O PS não! Uns peralvilhos de pacotilha, que por lá andam, há anos, a mendigar tachos, a polir cadeirões de ocasião, sobrevivendo no lamaçal da indignidade e da desbragada e impudica incompetência. E esses lá estão, na fotografia com o candidato José Costa.
De Alberto Sotto, os aveirenses ainda, de novo chegada a hora, têm muito a esperar. Em Outubro, do Sr. Costa, é que os aveirenses já se não lembrarão.

Em Ílhavo o PS joga para perder por poucos.Oxalá...
Adiando para mais tarde, por abandono do adversário, recolar, e, assim, preparar-se para o spint final. Não sou eu que o digo, mas o que ouvi da boca de integrantes da lista.
Não sei que raio de gente é esta que se movimenta por calculismo, e não vai a todas para lutar e ganhar.
Nada tenho contra o candidato José Vaz. Está no seu pleno direito cívico, ao candidatar-se. O que tenho é que não cumpriu a sua palavra quando garantiu que o candidato a Presidente da Concelhia não se candidataria à Câmara, procurando, antes, num grande movimento de abertura partidária, promover o aparecimento de alternativas poderosas. Ora nnada disto se passou.
Não gosto e não aprecio faltas deste género. Mas agora aqui chegados, ponto final. A discussão virá mais tarde quando se compreender e avaliar o erro de se queimarem candidaturas.
Nunca RE esteve tão a jeito, nem tão vulnerável. Não lhe convinha disputar mais este mandato. Palpita-me que vai acabar mal! Mas sem outra saída dentro do Partido, R.E vai fazer figas para que Sócrates ganhe. Por quantos mais, melhor!
Um candidato a sério,assumido,ganhava. Partindo para perder por poucos,pode a coisa descambar numa goleada.
Ouvi ontem a entrevista do candidato da CDU, A.Marta. A justificação das razões porque não caminhou para um acordo com o PS são delirantes. De uma inconsistência e falta de racionalidade, que fedem.
Que raio de idiotice aquela de que todos os Partidos defendem só alguns, e que só o PC defende todos. É por isto que as «palermices» de Jardim às vezes até medram onde deveriam apenas encontrar repudia.
Visto isto, resumindo e concluindo: o «prólogo» eleitoral já começou, e dá para temer o que aí vem.

Aladino

sábado, julho 18, 2009


Lá vem a nau catrineta que tem muito que contar…


Uma das claras, e hoje já indisfarçáveis causas do défice democrático reside precisamente no Poder Local. No seu caciquismo, na sua atitude de confronto, na falta de preparação (e educação) dos seus actores. Uns oligarcas de pacotilha que se eternizam, seja quais forem as cambalhotas que para tal sejam obrigados a dar.
Apenas perseguindo o fácil trilho de edificação de obras faraónicos - com que julgam se eternizar na história -, estas são levadas a cabo sem controlo de qualquer espécie. É por isso banal as mesmas terminarem com custos muito mais elevados que o previsto ,sem que sejam assacadas responsabilidades dos buracos, a quem quer que seja. Até hoje o regabofe e impunidade andaram de mãos dadas. Mas há sinais que está a chegar o tempo de rever as contas.
São raros os casos em que as autarquias intervieram em áreas diferentes, do obreirismo tonto.
As obras têm de ser um fim, mas nunca um meio de justificar poder. Parece que todos os autarcas tiraram o curso de «patos bravos» tal é a afinidade entre uns e outros. E por isso as mistelas pululam por aí.
As políticas culturais esgotam-se na compra de enlatados que vão adquirindo a preço de saldo (todos compram o mesmo). Porque zelar pela cultura local, promover as Associações, fixar verdadeiros contratos programa, incentivando aquelas a criarem e ou recuperarem as tradições, isso não fazem. Porque não sabem. Pagam e pronto. Lavam as mãos e discursam enaltecendo-se, já que ninguém em boa verdade o faz.
Pouco, ou quase sempre nada! Preocupados com o problema social das suas gentes, ficam por fazer de conta que participam em redes sociais, que estão longe de qualquer eficácia. A pobreza cresce; mas os oligarcas agarram-se a estatísticas cozinhadas, marteladas, para justificar quase sempre a ausência de problemas sociais nas suas áreas geográficas, justificando, assim, nada ser preciso. E até agredindo quem o tenta fazer. Como se a culpa da pobreza seja apenas consequência do poder central (ainda que o seja em grande parte, convenhamos). Mas pode-se (e deve-se.) atenuar, localmente, esse problema.
As parcerias criadas visam apenas o faz de conta com encenações de dias, ou semanas, com acções a fazer de conta. Levantada a barraca, tudo ficará na mesma. Até para o ano. Importa é vender a imagem do que parece, e não do que é. A inacção comandará os destinos até á próxima encenação.
Tudo isto nos ocorreu a propósito das Comemorações do dia de elevação a cidade (envergonhada e decrépita) da outrora aberta, risonho e cosmopolita, vila de Ílhavo. Uma vila airosa, fervente de vida, rica de contactos sociais, liberta de casos de pobreza generalizada, interessante no carácter das suas gentes acolhedoras, cativante para os muitos que em continuados fins-de-semana vinham disputar ao rapazio local os corações das belas «ílhavas», com fama (e proveito) comprovados de serem ternos, acolhedores. Normalmente um porto seguro.

Ora numas comemorações inventadas, o Senhor Presidente fez um discurso onde apregoou as obras futuras que irá (como advinha o obreiro (?!) as intenções de voto) levar a cabo. Fez uma salada misturando investimento camarário, apoiado pelo Estado – caso do Tribunal e escolas - com investimento privado que assumiu ser seu, da sua Câmara. É o caso da Misericórdia, que diz ser o maior investimento da Câmara e irá custar quatro milhões (nós pensávamos que era a Misericórdia que assumia o investimento). E até promete recuperar a «casa do Illiabum» (nós supúnhamos que o Illiabum ainda não chegara aí, continuando a ser dono de si mesmo). E até dos Bombeiros. Oh! há quantos anos vimos ouvindo esta promessa. Quantos quartéis já seriam feito, se não andasse toda a gente fiada em promessas, à espera da banana cair da árvore das patacas?
Enfim uma trapalhada. Daquelas que são a imagem de marca dum incorrigível prometedor de promessas, nunca cumpridas.
Pois bem: tudo indica, pois, que se não houver freio ao despesismo autárquico, o valor da divida actual da «sua» Câmara -40.000.000 euros! - Chegará aos cem milhões no final do próximo mandato do «mestre-de-obras municipal». O que nos vale é que é o ultimo mandato. Senão nem interruptor havia para apagar, nem porta para fechar.
Porque quanto ao resto: -disse nada.
Fantásticas estas gentes de Ílhavo. Totalmente indiferentes ao seu destino. Parece que apenas importadas em que o céu lhes não caia em cima. Porque a desgraça, com essa convivem há muito.
E agora o adversário (já anunciado) o que fará? Pois…. que ,certamente aumentará a parada. Prometer não custa…

E assim vamos na Terra da Lâmpada

terça-feira, julho 14, 2009


FRAGMENTO DA HISTÓRIA DE AVEIRO

A data em que Aveiro se passou(?) a chamar NOVA BRAGANÇA


Aqui há uns tempos, numa palestra que fui fazer a um Departamento da U.A, o auditório cheio preparado para uma charla que tinha o tempo previsto de duração de meia hora, transformou-a em quase duas hora e meia de conversa interessada-e interessante-, motivada pela avidez dos presentes que queriam saber muito saber muito mais sobre a história de Aveiro.
Impressionou-me a surpresa da assistência quando referenciei o facto de a cidade de Aveiro ter estado preste a mudar de nome, para NOVA BRAGANÇA.
Expliquei então o facto, e prometi num Blog falar disso, agora que se comemoram os 250 anos de elevação de Aveiro, a cidade.

Então vamos lá contar a história do facto….

Na noite de 3 de Setembro de 1758, D.José voltava pelos caminhos da Quinta do Meio ao Palácio Real de Belém, depois de mais um encontro de alcova com a bonita esposa de Luís Bernardo, um dos jovens marqueses de Távora. De repente, três vultos armados de escopetas, surgiram das moitas, embuçados, e rapidamente atiraram sobre a carruagem, ferindo gravemente, o Rei. De um imenso mas bem fechado mistério apenas sobressaiu a noticia do afastamento dos negócios de Estado, de sua Alteza, retido no leito para convalescença. Corria contudo a noticia onde se afirmava ter estado o Rei « muito perto da morte».


O 1º Ministro Sebastião José, logo aproveitou a oportunidade para ajustar contas com a alta nobreza que aceitava mal ou até conspirava contra suas ideias revolucionárias que punham em causa o comportamento de uma fidalguia arrogante, ambiciosa e até indisciplinada,que não raramente tinha o desplante de publicamente interpelar o Rei à cerca do adiamento das suas pretensões de aumento dos cabedais das suas «casas» ducais.
Os grandes nobres não aceitavam que o ditame do recém Marquês fosse a do respeito absoluto devido à régia majestade, em quem «residia o único poder da Nação».Pombal queria tornar o Rei livre da influência negativa dos nobres-destruindo os resquicios feudais- e do clero ,e assim libertar a nação do seu jugo,que punha em causa a sua afirmação contra as potências estrangeiras.Pombal sabia que só sendo livre desta união poderia negociar Estado a Estado. Os nobres,perante as afrontas que o poder de Pombal lhes incutia eram os maiores antagonistas do 1º Ministro, vendo nele o maior obstáculo ás benesses que pretendiam continuar a usufruir, e a que Pombal se opunha. Tinham-lhe ódio e rancôr. Aos nobres juntavam-se os Jesuítas que Sebastião José se propunha exterminar pelo excessivo poder da Companhia -que se opunha ás reformas do Marquês como acontecido com a companhia do Grão Pará e Maranhão, quer com a fundação da Companhia dos Vinhos do Alto Douro.A revolta e tumultos do Porto,terá sido incitada pelos Jesuitas,terminando com a execução publica dos revolucionários do Porto.Pombal pretendia acabar com ostentação chocante de riqueza desta ordem eclesiástica,e fazer regressar essa riqueza aos cofres da Nação.
Por isso,nobres e jesuitas ,todos ,excediam-se em conspiração, usando todos os meios para empecer a tarefa de Pombal.


Logo que recomposto o Rei, passados três meses da sua caída à cama, um decreto publicado em 9 de Dezembro do referido ano proibia que todo e qualquer se ausentasse de Lisboa sem autorização especial para o efeito. A 13 desse mês procedia-se à prisão dos acusados/ culpados, e a 4 de Janeiro instituía-se o Tribunal que veio condenar á morte pelos meios mais violentos, o Duque de Aveiro, D José de Mascarenhas, Francisco de Assis, Marquês de Távora e sua Esposa,a Marqeza, para lá de outros familiares e servidores.


A Marquesa de Távora é degolada

O Duque de Aveiro, que possuía a «mais opulenta casa » do País, considerado o principal instigador, foi sentenciado a ser levado ao cadafalso para aí «ser roto e rodado vivo» quebrando-lhe os ossos.


A execução do Duque de Aveiro

E depois desta cruel execução, seria queimado vivo, sendo as «cinzas deitadas ao mar». Os bens desta família, bem como os dos Távora foram confiscados, destruídas as suas casas e queimado o seu solo, com sal, para que nem as ervas ali crescessem.
Por todo o País se ergueram vozes de desagravo ao excelso Rei, ao mesmo tempo que se conjurava na sombra e escuridão dos jardins dos palacetes e nos altares jesuítas, terrível desforra e vingança que tinha em Pombal o adversário visado.



A Expulsão dos jesuítas

Em 6 de Janeiro de 1759,em Aveiro, ainda simples Vila, reuniram-se na bonita Igreja matriz de S.Miguel, ali defronte da pousada de S.Brás (antigo Liceu de Aveiro) o Senado, os Nobres e o Povo, para, incitados pelo prior da mesma, frei Paulo Pedro Ferreira Granado, fazer solene protesto de «não quererem continuar sob tutela do dignatário»,o Duque de Aveiro, «sujeitando-se de imediato ao governo de El-Rei».E levando mais longe o lavar da afronta, é no referido conclave sugerido que Aveiro mudasse o nome para NOVA BRAGANÇA.
Ora foi desta acção que D.José, certamente lisonjeado por tamanho gesto «democrático»(?!) das forças sociais da terra, decidiu elevar Aveiro a cidade. Foi receptor e portador da alforria «o Pai da Pátria» o Capitão-mor de Ílhavo, João Sousa Ribeiro, na altura a figura de maior prestigio da região, pelo grande feito cometido, a bem de toda a população, o de ter aberto a suas expensas a barra na Vagueira.Com ela pôs fim ao período mais negro da história lagunar, terminando com o surto de pandemia de peste que devido ao inquinamento das águas apresadas no interior da laguna.sem renovação e vivificação, ceifou milhares de vidas na região.A abertura do rigueirão na Vagueira,veio também pôr fim ao interregno de todo o desenvolvimento que anteriormente o Porto de Aveiro tinha permitido, pelo envio das primeiras frotas à Terra Nova, para a pesca do bacalhau, e também da exportação de sal.

Mas porquê a ideia do nome de Nova Bragança? A única ligação ao nome poderia ter provindo de a mãe do primeiro duque de Aveiro, D.João de Lencastre, ter sido D.Beatriz de Vilhena, neta dos duques de Bragança. Mas era duvidosa esta possibilidade.
Certo é que se refere que esta designação chegou, na época, a figurar em alguns mapas geográficos, mesmo que tardiamente publicados (1848).
Fosse como fosse, para desfazer dúvidas, um decreto de Dona Maria I veio anular todos os actos administrativos do reinado precedente. E Aveiro lá continuou com o seu nome, se é que alguma vez de facto mudou, senão na ideia de uns mais delirantes adeptos do Pombalismo.


Mas se Ílhavo se encontra envolvido nesta história do regicídio tentado contra D.José, pela distinção(já referida acima) dada ao portador das alvíssaras de elevação a cidade do burgo, há ainda outro ponto interessante de inter- ligação histórica.

Sucedeu que D João de Almeida Portugal, 2º Marquês da Alorna, se viu envolvido no atentado a D.José, tendo sido feito prisioneiro,encarcerado nos baixios da Torre de Belém. Sua mulher e filhas foram enclausuradas no convento de Chelas. Neste, um dos Padres que ai leccionava era precisamente, Francisco Manuel (futuro poeta Filinto Elísio), filho dos «ílhavos» Manuel Simões -fragateiro real- e da esbelta peixeira Maria Manuel, que tinham «botado» para Lisboa para o ganho da vida.


Assim Filinto (F.M.) foi professor de latim, no mosteiro de Chelas, da futura Marquesa de Alorna, D. Leonor de Almeida, e de música, de sua irmã Maria de Almeida, futura Condessa da Ribeira.
O P .Francisco Manuel irá ser atingido por paixão assolapada a D. Maria de Almeida - muito embora se creia ter sido, apenas e só, platónica, pois é Filinto quem afirma que aquela, designada por «Márcia» e/ou «Dafne» nas odes que lhe dedica plenas de grande (imensa!) ternura (e que Teófilo de Braga diz “serem suficientes para uma Antologia de sugerências”), Lhe dá conta da «abundante alegria que (a mesma) dava ao seu ser».
Será contudo a irmã, D. Leonor, quem mais tarde se irá revelar uma apreciada poetisa pré romântica, melancólica e saudosa-a Alcipe-que atribuirá a Nascimento a identificação de «Filinto», que este nunca mais largará.
Curiosamente Filinto era um protegido do Marquês. Com a «viradeira», com o marquês de Pombal deposto, Filinto é perseguido pela Inquisição (1) e obrigado a fugir para França,onde realizará uma obra que foi considerada, ao tempo,regeneradora do bom português, só foi superada por Camões e P. António
Vieira.
E pronto…aqui está um bom pedaço histórico de Aveiro que eu prometi contar.
Senos da Fonseca (Julho 2009)

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(1) Para mais detalhe ver Filinto Elisio (http://www.senosfonseca.com/)

quarta-feira, julho 08, 2009

Seja Solidário :POR FAVOR DIVULGUE

O gosto de conhecer mais em cada dia em que a vida desanda, ainda não esmoreceu em mim.Desta vez levou-me desta vez a frequentar um módulo de formação especialmente dedicado às potencialidades que podem ser extraídas d as novas tecnologias no campo da deficiência (seja qual for : acidental, tetraplégicos, deficiência motora e ou visual).
Vim perfeitamente espantado. Sonho muito com essas potencialidades e até «me dou ao luxo» de ainda concepcionar ideias e soluções para casos que vejo . Por acaso - ou talvez não - uma das potencialidades em que andava a magicar – a condução de uma cadeira de rodas por quem não o pode fazer normalmente- foi, afinal, já desenvolvida. E mostrada no módulo juntamente com outras.


Guiando uma cadeira só com o olhar

Talvez a que menos me tenha impressionado-porque dela já tinha conhecimento- foi na área do invisual.

A Microsoft apresentou-se com os seus softwares aliás acessíveis, já integrados no Windows Vista. Tem boas soluções (e baratas) permitindo facilitar, muito (!), o uso do computador.

Com o olhar comandando a vida
Mas o que me deixou boquiaberto -a mim e julgo pelo interesse e questões levantadas, todos os presentes- foi o software apresentado por um grupo de investigadores portugueses, já disponível (www.magickey.ipg.pt). Impressionável pelas potencialidades que demonstra. Especialmente adaptado para tetraplégicos, pode estender-se a muitos outros tipos de deficiência como a falta ou impossibilidade de movimentar membros superiores; fala reconhecimento de voz etc.


Blogando diariamente só com o olhar

Com uma Key bord especial, adaptada caso a caso de um modo facílimo, podem ser criadas as mais diversas utilizações; controle de Televisão ou Hi-fi, uso do telemóvel para todos os fins, abrir ou fechar luzes, ou portas, escrever no computador com failidades de soluções propostas etc etc.E tudo apenas comandado pelo simples olhar (ou até movimentos da testa).Enfim um manancial de soluções inteligentes que deve ser dado a conhecer a todos os Pais, pois que sem grandes dispêndios poderão proporcionar uma melhoria notável na qualidade de vida de seus filhos, diferentes.


Mesmo para invisuais há soluções espectaculares. De todas a que me deslumbrou mais foi a possibilidade de um software para Telemóvel que permite captar em imagem e reproduzir de imediato , excelentemente, em voz, seja que texto for. Nesta área há de tudo desde impressoras Braille a software para escrever e reproduzir voz. Há já, felizmente, muitas soluções ao dispor com as quais se minimiza a grave desdita.

Dei já instruções para dar a conhecer estas novidades a todos os Pais das crianças diferentes do Ensino Especial, e CAO’s, do CASCI. Disponibilizando-me para promover sessão de divulgação com os informáticos.

Mas creio que o assunto é importante demais para esta questão ficar por aqui.

Peço pois a todos os amigos que divulguem. E qualquer Pai me poderá contactar para mais informações.através de:
(telm 919251063 ou
senosfonseca.casci@mail.telepac.pt)

Senos da Fonseca

terça-feira, julho 07, 2009

Mais vale burro toda a vida que cavalo de sela por um dia….

Há pessoas que depois de um tempo de convívio, julgam já estar de posse de todos os elementos que permitam avaliar-me.E logo acontece que cedem à tentação de me condicionar.
É um processo infeliz. Reajo a todo o condicionamento como o burro reage á albarda. Por isso que talvez tenha um apreço enorme por esta espécie zoológica, que não armam em espertos –mesmo na aparência - mas que desejam ,só, ser livres.

Sou – não escondo – uma espécie de ; azafamado a desvendar os trilhos da congosta ,desbravando caminho entre penhascos e como ele louco por arribar à loja para descalçar a albarda(no meu caso sapatos e tudo o rresto. Desse modo me libertando á noitinha ,despojado de tudo – até de mim –para me enlaçar em amorosa na volúpia nas águas da ria que me lavam do emporcalhamento da circo da vida, diário.
Em cada momento portentoso desses finais de tarde sinto-me inexpugnável ;saio dele renascido ,revivificado pronto para tudo de novo ,amanhã.
Escorro água depois de passar a mangueira pelo corpo mas logo que entro em casa acaba-se o festim:
-Molhas-me tudo ,ando há cinquenta anos a pedir-te que entres pela porta detrás..ouço o habitual..
Devo dizer que é o mesmo que nada, ouço a pregação repetida…a que não presto a mínima atenção,
mas resmordo…
-Olha já é pouco o tempo que tenho para me dessedentar. Na minha casa entro, sempre e só por uma porta; - a da frente. Se vier outro, a obrigação do consorte é que entre pelas traseiras e vá limpar o chão que sujou, para não estragar o que me custou tanto a fazer…
atiro eu contra atacando ,que isto de relacionamento conjugal a melhor defesa é o ataque!...

Então se esta é a minha natureza, se sou completamente imoldável - por incapacidade minha, irreconciliável com a herança genética - , porque será que alguns pensam que com jeito me conduzem à golgota com a cruz ás costas?
Reafirmo a minha admiração por Cristo homem . Mas exactamente por não ser capaz de levar a cruz podendo evitar - poderia?!-o gesto, eu que não sou Cristo nem sequer tento iniciar a subida.
Muitos tentaram: muitos foram os desiludidos.
Dentro do horizonte temporal da minha vida, nunca cedi á tentação de imitar ser . Prefiro sê-lo, tal qual sempre me conheci.
Há um velho ditado que diz «que só os burros é que não mudam ».
Pois seja :
Mais vale burro a vida inteira que cavalo de sela por um só dia.
Aladino

PS- Chegaram-me aos ouvidos mais uma atoardas que visam exactamente condicionar-me. Pois sim …
Esperem lá pela volta.

sexta-feira, julho 03, 2009

FAINA MAIOR

Agora é tarde.

Outros contam a história que escreveste

E chamam-lhe sua.

E Tu que calçavas as botas e cerravas os punhos

Marinheiro que o sonho abençoara,

E partias depois de beijar teu filho

Ficas a ouvir a «estória» das «estórias» que lhe escrevias.

Que não fala da tua inquietação de então

Terão pão?

E não fala do teu sofrimento, a cada momento ,

Terão alimento ?

E não fala da tua alienação quando em vão

Andavas perdido na solidão.

Ninguém explica a dor sombria que então sentias

Naquele lugre carregado de medos.

Sabia -se lá se haveria humanos regressos ?!


É por isso que clamo pela tua presença;

Queria reunir os destroços que sobraram

E dizer aos contadores da tua história imensa

Que era o medo quem fazia os heróis

E toda essa imensidão de bravos,

Que sonhavam, sofriam e choravam

Só para que os seus filhos não fossem,

Eles também,

Os novos escravos…


SF


(nota:encontrei isto na papelada.Não me recordo se algum dia o mostrei.Não importa se o fiz.Nunca é demais lembrá-Los)
É proibido…proibir ser feliz…

Uma pessoa amiga que me vem acompanhando nesta caminhada solidária, dizia há dias com uma convicção de crente assumida «ter alcançado todos os objectivos da vida, e ser, portanto, uma pessoa feliz».
Feliz, acredito. Regozijo-me que uma pessoa - neste caso estimável – se assuma. São afinal poucos, os que o conseguem ser.A minha amiga é,pois ,uma sortuda.

Mas esta frase inocente, que outros presentes ouviram também, e certamente nem importância terão dado, a mim martelou-me a mente; não uma, mas dezenas de vezes, dei repentinamente comigo a reflectir no seu sentido. A questionar a afirmação (respeitando-a ,claro…)

Gostaria de desfazer a convicção (assumida) desta amiga. Mas para quê interrogar os que convictamente assumem o alcance da felicidade como se esse sentimento -ou estado de alma – dependa, exclusivamente, da observação restrita do seu eu, desligado do que o rodeia?
Posso eu ser feliz num mundo que ,propositadamente ou não , não foi feito para tal?

Gostaria -mas para quê (?!), pergunto-me - de Lhe fazer notar que a meio da vida nunca se deve deixar de fixar novos – e desafiadores objectivos - porque se o não fizermos a vida passa de coisa suportável, a coisa entediante.
E, como habitualmente, dou comigo,por mero exercício retórico, a ir ao absurdo da questão.

Podemos em qualquer altura da vida dizer que atingimos os objectivos que num momento qualquer(qual?) fixámos? Não! Respondo…desde logo.

Basta ir a um só exemplo…

Há um objectivo final que julgo ser comum a todos os mortais: o de findar dignamente. Ora a verdade é que nunca saberemos se o alcançámos.
Então apetecia-me dizer á minha amiga que corrigisse o discurso e,no futuro, dissesse:
-Sou feliz porque alcançei todos os objectivos que até ontem (!) fixei.


Mas não direi. São tão poucos os que á minha volta têm essa convicção, que eu não tenho direito de a beliscar, um instante que seja.


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País de brandos costume, exaltado….


Vai por aí hoje uma freima.

Parece ser insulto indiciar bonitos enfeites cornigeros a uns peralvilhos que assentam o rabinho, ano após ano, nas cadeiras do redondel da praça a insultarem-se desbragadamente ,dia após dia,nada mais fazendo do que vomitar tolas pantominices demagógicas.


Porquê, pois, tamanho pudor, que faz de um facto banal- a transcrição gestual do simbolo«Ápis»- uma ofensa pátria? Provavelmente com direito a« manif» de desagravo, com data marcada, á boa maneira Salazarista. Ora se Pinho em vez de indiciar com os dedos em riste ,indiciasse com as mãos «em concha»,talvez acertasse mais e escandalizasse menos.Parece que ser-se burro não ofende,mas ser-se remanso já é aviltante.


Ou estavam, antes, à espera que uma «cicciolina portuguesa» mostrasse as maminhas como é habitual lá pela Itália, onde ninguém se sentiu insultado, à excepção de quem não possuía tais atributos? Ou se, como acontece nos «Comuns» de sua Alteza, se questionasse o ilustre deputado,de «to be or not be»um «corno de vaca»? (O que convenhamos é muito mais duro de encaixar e muito mais aviltante).


Amanhã, é certo, a imagem vai aparecer em todos os jornais e fazer manchete de todos os noticiários televisivos, com o se os «Portugueses» tivessem ficado escandalizados com tal gesto.
Ora aposto que o sentimento do portuguesinho de hoje é precisamente o contrário. Até gostou do gesto.
Depois do célebre «toma» do Zé Povinho do Bordalo, o expressivo gesto do Pinho ficará na história. Daquela cambada de indigentes demagogos que se alimentam da teta da vaca pátria, nem rasto ficará.
Lembrei-me hoje dos tempos da 1ª Republica. O que hoje sucedeu, naquele tempo resolvia-se logo ali, á bengalada. Mas a acusação gestual, indicia que a falta bengala, é precisamente a causa do expressivo gesto.
Aquilo foi o discurso do «Estado da Nação? Oh pá, se foi, a coisa deve estar mesmo má.
Aqueles tipos- todos! os que palraram -viverão em Portugal, ou virão apenas aqui para o palratório costumeiro?


Aladino

segunda-feira, junho 22, 2009


TALVEZ (?!) …MAS…

Dei por mim a tentar responder a uma pergunta difícil: -o que é isso de um homem (mulher) culto(a)?
Balbuciei uma explicação, servindo-me de uma certeza: quis sempre sê-lo mas tenho consciência absoluta que estou longe - muito (!) longe de o ter conseguido.
Provavelmente porque perdi tempo demais a ganhar a vida e não a vivê-la.
E o que é, pois, o que eu entendo por se ser culto?
- A avidez de saber, sempre mais, todos os dias mais, como se a vida fosse uma eterna infância, sempre disposta a aprender.
Então sempre julguei que para isso eu teria sempre que considerar tudo (todas as opiniões dos outros, e as minhas!) em aberto. Tudo como se não fosse o absoluto, mas apenas uma parte do problema. E em cada coisa, e em cada acto, senti o dever de me interrogar numa curiosidade permanente - obsessiva se quiserem - mantendo sempre o espírito pronto a reequacionar o que à primeira vista parece óbvio. Por isso as palavras que porventura mais uso é: -Talvez(?!)…mas…
Esta abertura (a refazer-me) predispôs-me (sempre) a perceber que sei que nada sei, porque cedo reconheci (e curvei-me) à minha pobre condição humana de não conseguir ultrapassar os meus limites, com os quais estou em permanente combate. Por mais que vertesse para dentro de mim, cedo verifiquei quem nunca seria capaz de encher a capacidade plena.
Hoje já não me renovo. Talvez apenas – e para já - me mantenha.

Será preciso ser-se muito culto para criar?

Hoje um amigo que trabalhou comigo, trouxe consigo uma senhora que me queria pedir uma coisa tão simples como:
que lhe permitisse uma visita á «cabana da Costa-Nova».
Claro, quando quiser. Pois se de vez em quando, desconhecidos, em grande percentagem estrangeiros, me batem á porta pedindo licença para a deixar ver…e fotografar(?),como recusaria tal pedido.
Para uns a casa é uma tolaria. Para outros o despertar dos sentidos para algo que parecendo descontextualizado, acaba por despertar um sentimento (atitude) estético(a).
Quando a fiz, procurei dar-lhe um sentido: -o equilíbrio da casa comigo e com a ria. Fui, pois, nesse acto,um criativo (digam o que disserem; goste-se ou não).
E lá está,
há grandes criadores que não precisam de ser cultos para criar.
Porque deveria eu ir á procura de um criador que criasse para si, e não para mim?.
Um dia um excelente arquitecto ofereceu-se para me fazer um projecto.
-
E como era meu caro? Para o fazer tinha de me conhecer tão bem, que precisaria de partilhar tudo comigo, até a cama. E eu (e certamente você…) não gosto dessas promiscuidades.

A nova Matemática

Com os exames do Miguel, tive de abrir com ele o livro da Matemática. E não deixei de ter ficado impressionado. Ao contrário do que se ouve por aí, a matéria é muito mais racional e lógica, a exigir muito mais capacidade criativa e exploratória, do que a do meu tempo. Nada fácil. Por isso talvez resida, aí, o facto das más notas nesta cadeira essencial.
Ora o que me parece é que será difícil encontrar bons professores nesta matéria, a exigir muita criatividade para a tornar apetecível.
Percebo mal o que a censura da Comissão de Matemáticos, ao facilitismo dos exames. Mas então estes exames devem ser penalizadores, ou tão só um teste para melhorar oportunidades? Acessíveis? E porque não?

Aladino

domingo, junho 21, 2009

A Vida desiludiu-me?
Não!...eu que certamente a desiludi.


Apetece-me, hoje fugir á balbúrdia de trabalhos onde ando engolfado, entocaiado numa autêntica roda-viva, doidejante, sem meio de atreguar com uns, sem deixar para trás os outros, na certeza, porém, de que algo sairá prejudicado.

Mas só se vive uma vez. Nem sequer uma e meia.

E dou comigo, volta e meia, a tentar perceber-me..Ora se para mim é difícil – que passo todas as horas comigo - para os outros é impossível.
Um «turbilhão» é o que, mais ou menos, por mais voltas que dê,o que de melhor encontro para definir este espírito que teima descer ao abismo do risco sem medir, ou se importar, com as consequências. Não sei de facto defender-me dessa faceta. O risco desafia-me ,o risco confronta-me, o risco transcende-me.
Sou um turbilhão de sentimentos – deslumbro-me, sonho, tenho dor, inquieto-me -, e não raro saio do sonho como chegasse ao fim de um labirinto por onde me embrenhei, crente de que suceda o que suceder, hei-de chegar ao fim.
Coexiste em mim , em permanente conflito, uma necessidade de estarexperimentar-me - com uma necessidade de ser: procurar exprimir o que me vai na alma.
Se para isso tivesse jeito ou se tivesse começado, há muito, a ensaiar-me nas palavras – o único meio, ainda que restrito, que tenho de exprimir sentimentos -, talvez fizesse coisa que se apreciasse. Mas porque para outras artes - musica, pintura -,mais capazes de exprimir o turbilhão emocional que me percorre, não tenho qualquer tipo de jeito, fico-me com a minha escrevinhice. Nas outras nem com jornas suplementares conseguiria «penetrar» nem ao de leve, no espírito, fosse de quem fosse.
Tenho, pois, consciência absoluta que o que tenho feito mais não é do que um esboçar de simples traços. Como se sonhasse com uma obra e apenas garatujasse meia dúzia de riscos que, quando muito, podem servir para mostrar a intenção do que me não atrevi a fazer.
E aqui chegado o que pretendia, eu, de ter sido capaz?
Gostaria de ter penetrado na alma humana do «ílhavo», na análise profunda da sua dimensão, mergulhar no profundo das minhas gentes, elevá-los a «civilização», exprimi-los como «cultura».
Sei que fiz esboços. Do resto não fui capaz. Sucedeu-me o que sucedeu a todos os outros que o tentaram.
E o que me pesa é que poucos o estarão, no futuro, tão próximos de «OS» ter percebido, como eu estive, por neles ter mergulhado, provavelmente, mais com o coração do que com a razão.

Não fui capaz, mas ninguém me pode acusar de à tarefa não ter dado horas suplementares ,que chegavam e sobravam,se arte houvesse, para lhe dar forma.
A vida desiludiu-me?
Não!...eu ,certamente ,é que a desiludi...
Aladino

quinta-feira, maio 28, 2009




Lá vamos cantando e rindo …. VOTAR

E assim, sem esperanças, com desalento e uma indiferença que raia o absurdo, apresentaram-nos as candidaturas daqueles que se auto-proclamam (sim! porque o certo é que nunca ninguém o confirmou) como os mais aptos (e mais capazes) para fazer desta Terra, a dita cuja, a nobre(?) e bela(?),risonha e acolhedora ,sempre prometida nos atributos sempre desmentida na realidade .Sempre adiada para as calendas.
Se estes são os melhores:

…. vou ali à Merdaleja, levo o enxalabar, e faço como «ti Esse»:- no remoalho sempre há-de vir peixe que s’a veja….bem melhor que estes xarabanecos langões.
A pergunta é :

Aguentará esta Terra, mais quatro anos (?!)de populismo bacoco ,esquizofrénico deste figurão político em saldo(em fim de prazo de validade terminado há muito),posto na Praça Pública a arrastar o lenho onde o pregaram, depois da vergonhosa demonstração da mais tola, absurda e pesporrente mania de um «xico esperto» que julgando ir deslumbrar o mundo da política com a sua descabelada, absurda e tonta verborreia circular, regressou a penates com o epíteto de um descabelado tonto, objecto dos mais vergonhosos e achincalhantes epítetos de que um «Ílhavo»alguma vez foi alvo.
Aguentar este mandarim á solta, aqui, vai ser difícil. Sem oposição – o candidato da oposição só por brincadeira se pode chamar opositor -, isto vai ser pior ainda, do que fo.i
Se a «cidade da Nocha» resistir mais estes quatro anos, então teremos razões para nos orgulharmos da sua teimosia em sobreviver, á espera que vá borrasca se vá.
Eu duvido. Duvido, admitindo que pouco já nos resta para salvar, nem a dignidade de cidadão, perdida depois destes 12 anos de lamentável provação.

Alguém se importunou com o facto?

Não ! ninguém. Gente abúlica, que deixou de se importar com o destino da sua Terra, sem chama, sem alma para gritar: ALTO! que isto é a vergonha do nossos antepassados.SE somos uns frouxos,ao menos tenhamos pudor pelos que nos antecederam.

Deixámos sem queixume que se vendesse a «nossa» História como bacalhau a pataco, e que se empenhassem todos os anéis - que teremos de pagar por muitos e bons anos, pois cada ilhavense deve cerca de 1.000€ do calote comunitário. Ano após ano a divida foi crescendo como pústula fétida, ameaçadora, prenunciadora de desfecho gangrenoso. E contudo….
Eles continuaram risonhos, a gabarem-se de obra feita como se isso de fazer obra e não pagar - de couro alheio correias compridas -, com dívidas e mais dívidas, sucessivamente acumuladas, fosse difícil.
Até que o Estado disse: - BASTA! Parou a desfaçatez, porque a continuar dentro de pouco tempo já não havia dinheiro nem para mandar rezar uma missa por alma desta santa e cordata terrinha .
E então olhou-se para a procissão e para os anjinhos : iam nús .
De obra restava uma meia dúzia de vulgatas isoladas, sem nexo, sem sentido, que nada acrescentavam. Dinheiro gasto á tripa forra ,desprezando o essencial ,preocupados apenas ,com a fachada. No todo a regressão social, cultural, associativa, económica e urbana, eram por demais evidentes e deveriam preocupar a ponto de se levantar a interrogação:
Se a Terra não tem não soube gerar) Partidos capazes, devem-se ou não procurar soluções fora dos mesmos?.

O - ou fora ou dentro: assim é que não podemos continuar - nunca teve tanta actualidade como hoje, aqui.
Agora apregoam que o seu objectivo, e até razão (primeira!) para ficarem por aqui a polir esquinas, é o de malbaratar as verbas (sobrantes) do famigerado QREN, que ainda aí vêm, o que vai fazer com que em 2013 a divida da Câmara Municipal de Ílhavo se aproxime 100 Milhões de Euros. Querem apostar?
Obras?! … Mais dois ou três casarões, que um dia custarão um balúrdio para os fazer implodir, como certamente acontecerá, porque o bom senso há-de chegar, com o afrontoso e famigerado CCI.
E naquela faladura, simbolicamente feita em su sitio - no porão onde se salgam os sanapaios – num circunlóquio que iniciado nunca se sabe, como nem quando acaba, e que disparates contém, tipo pilhas Duracell – quedura!....dura!, desta vez o inefável ridículo esteve na baboseira bacoca de que mais quatro ano de desdita ( a nossa!) serão contudo uma benfeitoria para os ilhavenses, para os portugueses… depois e …vejam lá…para os europeus, até…
Até onde chega o delírio! E perante o despautério demagógico o que sucedeu?
Pois houve aplausos dos circunstantes, a tal bacoquisse. E o certo é que todos! garanto-todos!- andavam há muito na esperança que o auto proclamado fosse bugiar, e deixasse esta Terra ser, indo cumprir o seu destino a esmolar «poder» noutras paragens.
Quiçà em «Pissos[1]» ,terra que há muito espera que a endireitem….
Aladino

[1] Para consciências atormentadas e púdicas ,sempre adiantarei que a palavra corresponde a uma Terra bem portuguesa: escorreita e limpa.

sexta-feira, maio 15, 2009

AVISO AOS LEITORES


Caros leitores:

Vamos iniciar um novo Blog http://asgrandesnavegamaritimas.blogspot.com que procurará ser um trabalho informativo /formativo sobre um problema que desde há muito venho seguindo com extrema curisidade: As Grandes Navegaçõe Marítimas.
Mantenho uma permanente atenção e recolho todo o tipo de livro que fale sobre a matéria. Consulto nos lugares próprios, tentando aí obter esclarecimentos de materia mais complexa.Reuno cópias de verdadeiros monumentos cartográficas .Julguei, por isso, que neste intervalo em que os «200Anos da Costa -Nova» está na gráfica ,para não ficar parado,seria bom exercício entreter-me com a matéria ,condicionado que estou de fazer outras abordagens.
Nesta primeira parte vamos apresentar as duvidas e os novos aports que fazem desta matéria ,ainda algo de enevoado.
Tudo o que se diz no Blog são reflexões sobre factos que sempre nos causaram engulhos, a que jutámos novos factos vindos a lume. Seguimo-los ,sempre, na ânsia de sabermos sempre, mas sempre, mais.Na segunda parte vamos fazer uma recolha sistemática dos tipos de embarcações que as tornaram possiveis ,da sua evolução e dos aspectos técnicos que lhes permitiram responder ao desafio .Por mim entusiasmei-me á medida que ia sistematizando a matéria .Oxalá ela agrade.
Senos da Fonseca

segunda-feira, abril 27, 2009

Mais «bota abaixo que bota acima».


Li algures (Montanelli) que o Fascismo é a tentativa mais cómica de instaurar a seriedade.
Não creio que se possa ser tão brincalhão sobre um rasto da História de um tempo de tão má memória, se nos recordarmos o que foi o Fascismo de Hitler ou o de Mussolini.

Já o Fascismo Salazarista teve muito de cómico na pretensão de pretender ser sério, no fim ultimo de servir(desinteressadamente) a Pátria , sem chegar a ser totalmente trágico (houve excepções, não esqueçamos).Apoiando-se numa trilogia patética, dos três F.- Fado ,Futebol e Fátima- que teve o seu quê de comicidade na lamuria lamecha de amores desavindos perdoados entre dois copos de tinto, ou no desvio de multidões distraídas com o pontapé na bola ,quando não na canela, ou convidadas á aceitação da pobreza e do sofrimento , exaltados com a golgota, como se esta fosse o preço justo a pagar pela conquista do ganho em outra vida (qual(?!) é que nunca se provou ,até hoje).
As encenações do Salazarismo ,vistas hoje, à distância, eram uma espécie da «conversa da treta»: falava-se muito para um povo que só «ouvia» porque nem ler sabia. Por isso os discursos teatrais dos trogloditas do regime, abençoados pela água benta espargida pelo hissope, mais do que reproduzidos na Imprensa (só para uso externo), eram fundamentalmente levados aos corifeus locais pelas ondas sonoras da rádio, ou repetidos nas suas virtudes, ao povo, nos púlpitos da igrejas. Igreja e Regime, toleravam-se sem se adorarem, servindo-se mutuamente : a Igreja desconfiando das virtudes do pequeno ditador, fazendo de conta que aquele lá estava por vontade soprada do alto; aquele irritado, quando não assanhado, com a ostentação sa santa madre igreja, ao perceber o «custo» da bênção que lhe era concedida . A ver, claramente visto,que a parte mais apetitosa do «Deus ,Pátria e Família», ficava nos cofres almofadados a púrpura.E «o botas» a ter de pôr meias solas nas ditas ,para mostrar que no poupar estava a virtude.
Claro que o regime não dispensou, à cautela, manter a matilha quieta, açulando-lhe a PIDE. Uns milharzitos de bufos cobardolas, fatico coçado do coçar nas cadeiras do café da esquina ,orelha à escuta, pagos á tarefa com uma côdea e um prato de lentilhas, para soprar aos ouvidos de umas centenas de torcionários mal encarados, umas suspeitas sobre um perigoso pai de família que não vai em missas. Comunas : -relatavam eles. E perigosos… logo acrescentavam.
O POVO- a grande maioria do Povo,o Zé - era «sereno», muito mais calhado a sofrer do que a chatear-se, salvo raras excepções de um ou outro tresmalhado que ia ,de vez em quando ,furando a regra.
Até que um dia ouviu-se um tiro e a corja de «valentaços» dá de fugir com o rabo entre as pernas, como o fez D João VI e o séquito, para os brasis. Agora já não para fazer um Império ,mas para mendigar espórtula, esquençados por terem escapado com o «canastro inteiro».
Claro que mudámos de regime; mas a massa com que moldam os políticos continua ,mais ou menos, amassada com os mesmos ingredientes.
Mudámos de actores mas a conversa nem sempre mudou de forma, nem de conteúdo. Mais bota abaixo que bota acima.
Ao primeiro estrondo foge tudo, postos a rasgar os cartões ,a gritar :
- eu?!.politico... Era o que faltava …eu nem os conheço.

Aladino


sexta-feira, abril 24, 2009


25 ABRIL

Seja o que seja, haja o que houver
Foste o dia mais lindo
Que algum dia, dia por dia
Em outra qualquer manhã, de tantas manhãs,
O tempo se cumpriu
Naquela manhã de Abril

Eu sei que os meus olhos sonham
Mais do que a razão, o infinito
Moram neles mais sonhos,
Sonhos bonitos
Do que o mundo possa conter
Mais do que olhando, só imaginando, os posso ver.

Não quero tudo que prometeste.
Apenas um pouco da esperança que trouxeste
Quando da bruma de um tempo de nevoeiro
Surgiste com fulgor. Era Portugal inteiro
Debruçado á janela a ver-te acontecer
Era Portugal nascido, a ver o amanhecer.

25 Abril 2009

sexta-feira, abril 17, 2009

A vida, parecendo por vezes querer ser piedosa ,deixando-nos somar anos, é em muitos casos , impiedosa, cruel .


Não sei se vai valer de nada. O certo é que o impossível fez-se. Demorou um pouco, mas fez-se.
Estranha sensação, esta teimosia obsessiva de não baixar braços, mesmo quando racionalmente ,para mim ,isso seria muito melhor.
Desatar os nós, ultrapassar barreiras podia (e pode!) trazer-me obrigações de consequências amargas. Mas se o não fizesse, acusar-me-ia de cobardia ou medo. E depois?
Ninguém sabe nada desta complexidade do não querer, mas aceitar o trágico do ter de ser. Não estou á espera que alguém o entenda, pois por vezes, eu próprio o acho incompreensível. Parece haver uma parte minha, racional, que facilmente se deixa sobrelevar por uma outra parte impulsiva, que domina e transcende o meu outro eu. Outro eu que decide por mim. Interrogo-me, viro tudo de trás para a frente ,analiso, durmo horas sobre o assunto e concluo: deixa-te estar quieto.E dito isto, logo dou comigo a aquecer motores e arrancar pelo caminho que ainda antes -momento antes – sabia, de certeza feita, ser desaconselhável.
Morrerei pois inédito.
Parece-me que sem o procurar, de repente, surge-me acabar sempre por ser igual, mesmo quando ensaio ser diferente. O instinto, em mim, leva a palma á racionalidade. Sou, não há dúvida, um contumaz do instinto. Gostaria de, por vezes, esperar que os gestos partissem dos outros para comigo. Mas por pudor – por pudor, é isso mesmo ! – adianto-me sempre, e procuro que o gesto primeiro, seja sempre, meu.
As imagens que ao sabor das situações se me foram colando, tornaram inútil e inglório o meu esforço para ser claro aos olhos do mundo que me rodeia. Valeria apenas parecê-lo, mais do sê-lo? O pior era aguentar a farsa.
Existe um temor que me vem assaltando.
Arrepia-me a certeza (ou pressentimento) que em breve poderá chegar o momento de incutir o cansaço e a pena, nos que me rodeiam. Pensar nisso quando ainda estamos (ou pensamos estar) perfeitamente activos, atenua. Mas não faz esquecer. Temos pois de prestar toda a atenção à avaliação da nossa inevitável perda de qualidades. Estou muito atento. Apontando todos os indícios nos mais pequenos gestos, testando-me nos outros.
Eu já assisti a isso; e custou-me perceber como o ser em destruição, por vezes, não percebe a dimensão da mesma.
Por mais que me prepare, temo que perca essa faculdade crítica, tão grande, que sempre me tem acompanhado. Tenho tanto medo de uma tragédia dessas, que pedi a pessoas muito chegadas, muito íntimas, a promessa que mo farão perceber, ao menor sinal vislumbrado de eu o não ter entendido primeiro. Uma espécie de eutanásia cobarde.
É que a vida, parecendo por vezes querer ser piedosa,torna-se, nessas circunstâncias, impiedosa, cruel.
Nada pior que tenham pena de nós. Nada pior que pressentir o murmúrio: - coitado!

Aladino

terça-feira, março 24, 2009

Mais um episodio da vida ,passou ,hoje,por mim .


É certo que episódios longínquos já pouco deles restam .Nem na memória nem da inteligência do que fomos, nem na emoção do que pretendíamos então .
Foi como hoje agarrasse num livro que já não lia há muito e o voltasse a folhear.Só que sem emoção; embora claro com tristeza.
Resta-me gratidão. Igual á que distribuo por muitos. Uma gratidão que teimo em ser abstracta, mais cerebral que emocional.
A vida vai cumprindo o calendário. E é melhor assim .Parece que retiro de cima de mim o enorme peso que sentiria que alguém tivesse pena de mim, ou por minha causa.
Não tenho pena de mais nada.
Envelheço – quem tem medo de o dizer e porquê?!- pressentindo que as sensações já não são como eram dantes.
Agora gasto-me diariamente nos pensamentos.
Abandono-me neles, procurando uma lucidez que não tinha quando não pensava, e agia. Agir é viver no tumulto incompossível . E por isso ,agora, vislumbro (apenas!)indiferença onde dantes estava revolta indisciplinada.
Hoje já não leio para sonhar, mas sim para reter dentro de mim. Para me couraçar e passar a ser insensível ao que me não está perto.Queria fazer o possível para me desligar da vida. E por isso estava a cumprir o roteiro, no meu refúgio. Tenho de fazer o possível para voltar ao caminho de onde me tresmalhei. Ou melhor: de onde me fustigaram para sair da toca onde obstinadamente me ia reconfortando.
Aos que por vezes me acusam de dispersão tulmutuosa direi- que talvez não !Dispersão unificada ,vá lá…Concedo. Descrente de toda a fé …ou descrente de todas as fés (melhor dizendo) como havia de esperar que alguém fizesse por mim. Por isso fui fazendo.

Aladino

quinta-feira, março 19, 2009


Se só os canários chilreassem no bosque, este era um cemitério de silêncio .

A um amigo que tem receio de enfrentar os leitores, disse-lhe aquela máxima :

Mostra o talento que tens ;pouco ou muito, não importa .Se só os canários chilreassem no bosque este era um cemitério de silêncio .

Eu julgo que cada um de nós deve «desprezar ?!» a sua própria apreciação ,sujeitando-se ,isso sim !-à apreciação de estranhos. Sem complexos . Mesmo nos grandes autores, nem todos os livros se suportam .Ou indo mais longe :-um grande autor tem sempre uma ou duas obras invulgares. O resto, só são «boas», porque são do referido autor. Não pela valoração da obra em si mesma.
Hoje dar conta aos outros do nosso ponto de vista banalizou-se. Tornou-se acessível atingir uma clientela .Depois, é saber geri-la . E aí é que nos confrontamos com a dificuldade.

Eu, falo com os outros enquanto isso me der gozo, e sinta que lhes dou -de vez em quando -prazer em me lerem.
Quando esse prazer mútuo se acabar:-ponto final parágrafo.


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Modernices

Foi preciso chegar a esta idade e julgar já ter ouvido e visto tudo que havia para ver e esutar, para ficar siderado quando me dizem « o prof. (fulano de tal ) está de baixa de parto ».
Julguei que o inexpectável provinha da minha dureza de ouvido,

-a profª queres tu dizer ….
-
o …não exactamente o Professor (……)
Já agora a Ministra podia incluir uma alínea na avaliação quanto ao desempenho de
« parideiros» acamados.

Visto bem as coisas, de facto ,o casamento entre «impares» pode tornar o caso banal.


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«A TANTO HONTA»

Quando os reis católicos esperavam receber uma oferta «de tanto honta» para não expulsarem os Judeus, de Espanha ,Torquemada atirou-lhes um crucifixo dizendo : "suas Altezas estão a fazer como Judas,a vender Cristo".Torquemada ,queria tratar-lhes da saude,na fogueira.

Os novos Torquemadas

Importante é tratar-lhes da agonia ,não o precaver da doença.(?!)

A História está repleta de figuras papais.Umas que contribuíram para a respeitabilidade da Instituição, granjeando-lhe adeptos.Outras verdadeiras figuras tenebrosas com as mãos tintas de sangue das degolas com que exercitavam as suas espadas, e a alma mais negra que os tições que sobravam das fogueiras onde grelhavam os inocentes, por delito de crença.

Faltava-nos um Papa pouco impressionado com a pandemia que dizima milhões de infelizes, cuja única culpa foi acreditar que o mal calha sempre aos outros.

A bestialidade do dito, por insensato e perigoso chocou todo o mundo. A Igreja católica mostrou o melhor do pior ,do seu fundamentalismo.

Hipócritas as palavras de Ratzinger : tratem os doentes da sida gratuitamente.,pediu

Assim o importante,na ideia deste bento beato é tratar-lhes da agonia ,não o precaver da doença.

Aladino

domingo, março 15, 2009

Horas vagabundas

Roubaram-me as horas vagabundas,
Perdidas na sem razão do fugir à lógica da vida.
Já nelas me não descortino, especado
A olhar o fulgor do sol a se esvair, envergonhado.
Horas de vida sem tempo
Em que eu era o mesmo sem ser igual;
À procura de um ou outro momento
Em que a tua imagem viesse num cavalo alado
Ali,se sentar ao meu lado
Para alivio dos meus ais entediados.

JF (Março 2009)

sexta-feira, março 13, 2009


Morreu o Tiago.

Direis! – «tiagos »há muitos …mas
O Tiago era uma das três crianças-com paralisia cerebral que as trasformavam em ser vegetativos, apenas - que o Hospital de Stª Maria solicitou a todas as Instituições do País para lhes dar acolhimento. Só o CASCI respondeu presente. Era assim o Casci e espero que continue a ser: não se diz faz-se!
Estas três crianças obrigavam a um funcionário permanente 24 em 24 horas. Sempre atento às sondas, às máscaras respiratórias, aos sinais que indicavam uma mudança de estado.
Eram as mascotes de todos os funcionários e recebiam a visita de todos os que de fora visitavam a Residencial. Uma festa era o mínimo que se podia fazer.E mesmo que sem qualquer resposta, havia a ilusão de aqueles corpos vergados á paralisia, sentiam os afectos.
Quando o Tiago foi para o Hospital, logo houve colaboradores que se mantiveram continuamente a seu lado, autorizados (ou até solicitados) pelo pessoal do mesmo.
Embora esperada, a notícia espelhou-se por toda a comunidade do CASCi. No funeral, havia lágrimas sentidas em muitos (em quase todos os rostos) dos muito que quiseram dizer-lhe um ultimo adeus, e o levaram até à morada final. Pois. Finalmente o Tiago passou a ser um igual a todos os que lá moram.
Sem qualquer referência familiar, o Tiago ficou em sepultura de meus bisa-avós. Cá pela família sepulturas é o que não faltam. O Tiago tem assim companhia para todo o sempre.
Vim do cemitério a pensar que tenho motivos evidentes para continuar a pensar como penso. Se houvesse uma Divindade, esta não consentiria em «tiagos». E a Divindade devia estar a pedir perdão à Super – Divindade que Lhe está por cima -sim porque para haver Divindade era preciso que outra Divindade Superior a criasse,and so – pela sua perfídia de Pai permitir germinar a semente que, devendo amadurecer no futuro, afinal, nem chegou a perceber o que era isso a que se chama vida.
Vim com a impressão estranha de que a minha compreensão estava vaga, desocupada, apenas decidida a continuar por continuar.

Aladino

sábado, março 07, 2009

Crónica de um «Mau Malandro» versus uma «Boa Malandra» (parte II)

É costume receber feed back sobre alguns Blogs, especialmente quando estes conseguem mexer com as pessoas. Que é , afinal ,o que pretendo .Há comentários de vários tipo. Alguns bem apanhados, provocatórios, mas também cheios de sã e graciosa irriquietude.
Desta vez não resisto a, com a devida autorização, transcrever este

Caro eng:

Li o seu Blog Crónica de um «Mau malandro» acossado. Não foi para mim novidade. Mas sobre o mesmo ouvi conversa de café que não deixo de transcrever, tanto quanto possível ,fielmente:
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Estavam, então, duas amigas minhas no parlatório, sentadas á mesa do café , quando entre a degustação de umas natas quentinhas baptizadas com um o’clock tea , a dada altura uma resolve interpelar a outra:

-Então Cla….. leste o Blog do F….Aquele tipo é de um descaramento reles .A gabar-se de pertencer a uma raça em vias de extinção. Coitado…está gá-gá de todo.
-Pois . .pois . Vê lá tu: às vezes parece um progressista da m….Outras, quando se confessa, um reaccionário nojento. É perigoso…para os bons costumes.
-Deixa lá, não há perigo, que os nossos homens nem lhe dão ouvidos…Olha!... a propósito: - como vai o teu S…
-Ai filha!..bem .Tive muita sorte…ficou lá em casa a mudar as fraldas ao miúdo e depois ainda lhe disse para me ajeitar umas roupitas. Queria que tu visses; logo quando chegar a casa está tudo que é um «capricho de homem!..».
-Olha! - o meu dá mais para aspirar ,limpar o pó. Assim tarefas mais de homem … percebe...mais pesadas . Sabes, daquelas que cansam…
-Oh rapariga I… tem cuidado que o podes cansar e depois já sabes, nada de brincadeira…
-Credo ….não tem importância .Isso não falta p´rá aí quem queira …brincar. Machistas folgados ,danados p’rá brincadeira, ainda há que sobre …
-Pois : qual igualdade, qual carapuça. O novo estádio vai Superioridade feminina,já.!. Nós havemos de lá chegar. Eu lá em casa, já pus bem claro :por baixo nunca!...
-Oh mulher também não sejas fundamentalista. Caprichos só que os que não nos dêem prejuízo.
(risinhos…)
Por achar curioso mando-lhe esta crónica.
Um abração . Cuidado não se canse. Elas não sabem nem sonham….
A «Boa» Malandra

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Comments.

1- Fico muito agradecido por saber que afinal ainda há conversas interessantes, profundas, de fazer inveja ao «Erro de Descartes», nos cafés de «Terra da Lâmpada». Bem o diziam as «Pedras» do Paradela.
2- Eu não partilho o optimismo da C…..Há machistas ,mas são poucos,E a mais, quebrados da espinha.

Aladino

R evisitando Colón E de novo,lá veio mais um livro abordando o enigmático Colón. Desta vez, uma extensa e esg...