sexta-feira, julho 25, 2008


MARX, cada vez com mais razão.



Mário Soares é citado, hoje, na Comunicação Social, a recuperar Marx.

Parece que andou muito distraído.

Neste Blog -creio que já no ano passado – levantei a mesmíssima questão. Precisamos de recuperar uma ideologia, senão, será o descalabro total.

Marx estava correcto nas suas teorias. Foram é mal aplicadas.Isto é hoje claro: a aplicação prática do marxismo na União Soviética – Marx julgava que a mesma se iria concretizar num país industrialmente desenvolvido, como por exemplo na Inglaterra – deu cabo das boas intenções – e ideias – de Marx. O comunismo duro e puro, centralizado de Lenine (o menos mau), a paranóia terrifica de Staline (o pior) e seus continuadores, até Grovachov (que pôs finalmente em causa o processo) não permitiram que um socialismo cientifico, recuperasse e corrigisse os erros do Capitalismo, que começaram a ser evidentes, logo no início da revolução industrial, dos fins do séc.XIX.

Ora o que hoje estamos a assistir, já o referi várias vezes. O Capitalimo mostra ser autofágico, alimentando-se de si próprio para continuar a sua senda de exploração, agora não já regional mas global. A Globalização incontrolada, exacerbada e hiperbólica, tendo como única regra a satisfação das necessidades do mercado, que ele próprio incute e gera nas pessoas, fazendo-as dependentes do consumismo irracional, seja a que preço for, é feita hoje por processos especulativos sem rosto, e a níveis que fogem já ao controlo dos blocos políticos. Se a paranóia do mercado não for parada, estancada e controlada, este Capitalismo selvagem acabará numa tragédia, de que ninguém ficará para contar como foi.

Hoje o Capitalismo galopa sobre o seu próprio cadáver. Isto é: - para gerar mais riqueza, canalizada só para alguns, muito poucos -que nem sabemos quem são! -, obriga o social a despejar tudo, e a pagar-lhe as dividas, recuperando as migalhas que distribuiu com o único fito de as mesmas voltarem breve à sua posse. Para «ele», para o privado, ficará só a parte lucrativa. E assim sob a forma de apoios ao investimento estrangeiro, é pago hoje aqui por «uns», para que «lhes» explore a mão-de-obra local; e amanhã será já por outros; e depois por outros, sempre…sempre de um escalão social mais atrasado (mão obra a tuta e meia). De degrau em degrau vai descendo a escada da exploração até ao último degrau. E aí chegado como acabará a história, importa interrogar-mo-nos?

Mas para aproveitar o «bom» do Marxismo, temos de lhe vestir outra roupagem. E reconsiderá-lo nas Escolas, reexaminando-o, corrigindo-o, discutindo-o. E aí nasce a questão, que é o saber quem ainda não está tocado pelo podre do capitalismo, disposto a arriscar (?!)

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Dinheiro ?!: É para já.
Parece que anda aí, a rodos…

Atente-se no colapso imobiliário, começado na América, e cujo efeitos ainda não sabemos de que modo os iremos pagar, ou que quota-parte iremos assumir.

Certo é que por cá o sistema fez o mesmo, só que em menor dimensão (só porque somos menos e começámos mais tarde).
A partir da década de oitenta os bancos assentaram as suas estratégias no endividamento colectivo. Para isso oferecendo, com o beneplácito dos Governos, dinheiro fácil. Dinheiro para casa, móveis, obras inventadas, a pagar em dez (!), depois em vinte, agora já vai em trinta anos; e por este andar o cidadão ainda vai pagar mesmo depois de enterrado, e bem enterrado. Já se fala passar para 50 anos.

Para alimentar a indústria automóvel, à beira do colapso, os carros ofereceram-se a três anos, depois a cinco, agora já vai em sete. Ou até já nem se compram: - alugam-se.

Até hoje no Diário de Aveiro se oferecia dinheiro,de imediato. Ring.ring…e já está. É só dizer quanto, para poder ir de férias (a fazer figura de rico)

Há dias um banco ofereceu-me uma aplicação a quinze meses a quinze por cento. O cartaz era assim mesmo que dizia. Eu que não sou parvo perguntei à funcionária se o banco estava numa de mecenato, a vender mais barato do que compra. Então ela explicou: quinze por cento ao ano (1,2% mês) só diz respeito à taxa vencida no 15º mês, e só para o capital remanescente. Quanto ao resto, nos outros meses (14) afinal era uma aplicação pior que muitas outras que andavam para aí.

Para ir a um Banco, aconselhamos: -não leve um dicionário; leve antes um intérprete.

Os Bancos aqui – e lá fora – são verdadeiros caças níqueis, com publicidade consentida profundamente enganosa.
Agora aparecem as empresas paralelas a meter o cidadão em mais sarilhos. Primeiro ofereciam mil via telemóvel, agora cinco mil, amanhã dez mil. Tudo parece fácil, Recebe já, e paga …. Sei lá quando. Muitos iludem-se e um dia acordam e nem a camisa lhes deixaram

. Conheço muitos amigos que estão com sérios problemas. Não por eles, mas para salvar os filhos da desgraça, desgraçando-se eles também. Convenceram os putos que eram Berardos em potência, e agora deixaram-nos com o papel na mão, inútil, E as promissórias com os avais dos Pais, essas ainda vão servir para aguentar a desgraça imediata. Mas chegados ás gerações seguintes, os pais (os filhos de hoje) a sua assinatura nem para promissórias vale algo.

Até quando este Capitalismo selvagem, enganoso e destruidor, vai continuar a andar por aí à solta?

Tive esperanças que Sócrates já tivesse actuado.Sei que romper o sistema pode originar uma catástrofe.

Mas não tenho a certeza de que a desgraça não chegue, continuando nós a ir por onde vamos.

Aladino

segunda-feira, julho 21, 2008





Pena que há dez anos não nos tivessem dado o apoio, que agora o Governo promete à Renault – Nissan, para o carro eléctrico


Tenho fortes razões, para me queixar -neste particular – da vida, essa magana ingrata, que me fez passar á distância de um cabelo, aquilo que me poderia – e até certo ponto julgo que merecia – dar : um cantinho,um rodapé, por pequeno que fosse, da história.

Se no tempo em que bati - mendiguei – a todas as portas das esferas governamentais, estas tivessem compreendido que o caminho que propunha, era, o viável e correcto, para resolver (no sector que me dizia respeito) aquilo de que tinha a certeza viria a suceder ,mais tarde : -a crise petrolífera. Que já em fins de 90 se tinha começado a desenhar.

Se nos tivessem apoiado – como agora se dispõem a apoiar a solução do carro elétrico da Renault-Nissan- então, o único problema que faltava conseguir resolver – o problema do desenvolvimento de novas baterias. – resolver-se-ia. E hoje Portugal seria o primeiro país, não só a conceber a primeira scooter eléctrica mundial a - Electron –, como seria o primeiro a fabricá-la em série com resultado que hoje, fácil é adivinhar, seria um êxito mundial.


A Electron

Voltemos um pouco atrás.

Tive então no final da década de 90 a clara percepção que os veículos de duas rodas eram aqueles por onde a experiência da motorização eléctrica poderia ser a solução ideal, para a movimentação de largos estratos da população urbana. O Projecto que então coordenei, conseguiu, conjuntamente com as empresas a que nos ligámos exteriormente, resolver os pontos mais difíceis do complexo –e totalmente inovador - exercício tecnológico. Quando o veículo foi mostrado em Colmar (França) tudo ficou de boca aberta. A própria BMW logo se mostrou interessada em analisar a novidade. O êxito parecia estar ali a dois dedos de distância. A ELECTRON era de facto - quase! - perfeitíssima. A motorização invulgar (que levaria a Honda a tentar adquirir os direitos do seu Know-How) permitia perfomances iguais ou superiores às dos
melhores veículos térmicos, e em muito maior segurança.

Havia apenas uma questão.

De facto apesar de todos os esforços e contactos, só na Alemanha, na SONNENCHEINE, foi possivel encontrar disponibilidade para apurar o desenvolvimento das baterias de gel, que desde logo se mostraram muito superiores às que até ali eram produzidas (ácidas), e muito mais seguras. Contudo nós precisávamos de uma autonomia mínima de 55 km, e na prática apenas se conseguia -e não a 100%-cerca de 35-40 Km. Insuficientes para uma utilização citadina.Estávamos a 10% do caminho para o êxito, para o lugar no podium.

Por outro lado – ao contrário do agora se vem equacionando – o veiculo eléctrico não pode ser carregado instantaneamente, mas, no melhor dos casos, numa demora de 1 a 2 horas. E ainda assim, só parcialmente (30%).

A conclusão a que chegámos foi a de que:

1) As baterias teriam de se reduzir em volume, transformando-se em packs, que seriam integralmente substituídos nos locais de abastecimento (pack montado num tipo de gavetão, de pôr e tirar).

Isso exigiria um novo conceito de baterias, de menor volume e com níveis de descarga mais lentos. As baterias de litium, eram, a nosso ver, as que poderiam vir resolver o problema, se se avançasse para a sua produção, em aumento da relação de capacidade /peso.

Assim fomos aos E.U.A. para tentar convencer os fabricantes americanos (BELL, LOCKEED, e o próprio centro de investigação da Universidade de S. Francisco) a se integrarem no projecto, desenvolvendo os ditos acumuladores energéticos. Sem êxito. O lobby do petróleo não estava interessado no projecto. E fechou-nos as portas.

Do lado do Governo português não se conseguiram apoios para colocar a «Tudor» (fabrica de baterias) a trabalhar com o centro de pesquisa da EDF (a EDP de França), no sentido de se estudar nova bateria.
O projecto Electron, fabricadas que foram as primeiras centenas de veículos, apesar de ter sido recebido com os maiores encómios e esperanças, teve pois, de abortar. Só e apenas, por …ter nascido cedo demais.

Hoje tenho a certeza, tudo seria bem diferente. As baterias de litium, desenvolvidas em packs resolverão satisfatoriamente o problema. Creio que hoje ,de novo,se deveria voltar aos ensaios com os veículos de duas rodas, dada a sua mobilidade e simplicidade, que poderiam resolver os grandes problemas do trânsito urbano, com graus de emissão (poluentes) zero. E zero também na questão do ruído.

Tenha-se em atenção que nas primeiras séries da scooter eléctrica, o preço era apenas 30% mais elevado que o veiculo térmico, normal. Nada que a produção de grande série, de imediato, não resolveria. Tínhamos a certeza que a produção em série traria esse preços bem para baixo. O apuro do sistema de controlo electrónico garantia uma fiabilidade e duração, muito superiores às do vulgar veiculo, movido a motor de combustão.

Há dias um ex-aluno meu da F.E.U.C, que encontrei por acaso, atirou-me:

-Olhe Eng F.você nasceu dez anos mais cedo; se hoje fosse apresentada a scooter eléctrica, você teria os governantes a seus pés. Foi pena…

Pois foi.

Teria sido a cereja em cima do bolo de quem teve uma vida profissional que nunca se contentou com a vulgaridade, e fez do impossível, apenas algo um pouco mais demorado a fazer.

Mas já me sinto satisfeito (?!) de ter sido o responsável pelo projecto do primeiro veículo eléctrico de duas rodas, não apenas sonhado – o que já não era pouco – mas totalmente concretizado.De que há farta literatura, aqui e por essa Europa fora, nos jornais da época. Tive muito orgulho na belíssima equipa que me acompanhou em todos os níveis, e na empresa –Famel- que se propôs ao impossível. Foi pena…para todos nós...


Isto do golpe de asa não ser para todos, é por vezes amargo. Fico a pensar no que poderia sido. Mesmo assim orgulho-me do que fizemos, e que a história não poderá escamotear.

Faço votos para que o Governo avance na sua intenção de apoiar o projecto Renault – Nissan. Este tipo de projectos tem que ter apoios governamentais que lhe dêem à partida condições para a sua sustentabilidade. E até benefícios, fiscais e materiais, para que a revolução energética que permitirá uma independência do petróleo, se concretize,acarretando benefícios para a qualidade de vida, de toda a ordem, tipo e dimensão..

Senos da Fonseca

quarta-feira, julho 09, 2008



Exposição Temporária de João Carlos e de Cândido Teles



No passado sábado (dia 5), motivado pela anunciada exposição que reunia os dois mais expressivos pintores ilhavenses, João Carlos (C.G) e Cândido Teles, dei comigo a entrar na «Barragem», que é como o neto Miguel classifica o inestético edifício do Centro Cultural de Ílhavo.


O interior daquele monstro inestético é muito mau; pior por dentro que por fora. Não tem ponta por onde se lhe pegue: inestético (a entrada para o Salão da Exposição, essa é deprimente), delirante (a escada de caracol não tem qualquer função ou utilidade); chocante a pobreza (e inadequadação) do piso do salão de exposição; imprópria a iluminação da sala para aquele tipo de exposições ( e que deveria constar do caderno de encargos da obra, se é que o houve), porquanto como o reafirmou o Sr. Presidente, a mesma destinava-se, só e apenas, para albergar a exposição permanente dos trabalhos daqueles dois artistas ilhavenses.

Da exposição, só as obras dos autores escaparam. Valha-nos isso.

Se a alma dos dois artistas pairasse nas suas obras, dever-se-iam ter sentido terrivelmente consternadas com tanta azelhice (e desleixo) de quem preparou a exposição.

1-Parece.nos perfeitamente claro que o bom senso mandaria que os dois pintores não devessem ser patentes numa mostra conjunta. Porque não há o mínimo ponto de encontro entre técnica, temática, motivação e expressão, artística, que permita qualquer tipo de abordagem, comum. Talvez que numa selecção muito criteriosa (e reduzida) dos trabalhos dos autores permitisse uma exposição lado a lado. Com tal quantidade de trabalhos de um e do outro, não nos parece aconselhável metê-los num único espaço, comum.

2-Por outro lado parece-nos que não se ganha nada com a exposição em quantidade, quando esta não segue nenhum critério (ou pelo menos não o conseguimos descortinar); -nem cronológico, nem temático, nem outro qualquer. Nada. Os quadros estavam espalhados ao sabor de coisa nenhuma. Como no catálogo.

3 -Desconheço por outro lado se a Câmara (o Museu) é detentora de obras dos vários períodos de Cândido Teles, um verdadeiro experimentador estético, que se deixa absorver pelo meio em que sucessivamente se integra, experimentando técnicas mas não modismos. (Ria, África, Alentejo e de novo Ria -moliceiros). Se as tem teria sido muito mais interessante retirar algumas das presentes (que nada acrescentam) e incluírem-se as que dessem a conhecer os referidos períodos mencionados, permitindo, assim, ter uma ideia da evolução do artista. Sempre gostei particularmente do primeiro período de CT, como seu pontilhado impressionista, e depois a fase do Alentejo, quente , cromaticamente muito trabalhada, sóbria mas intensa, contrariamente à de Africa, em que o escuro rouba, a meu ver, alguma das particularidades do mestre.Á excepção das figuras. Foi pois uma oportunidade perdida, esta, em que sem critério (ou se existia era imperceptível e incompreensível) as obras foram achapadas pela área da exposição.

4-De João Carlos ficaram por expor algumas obras, particularmente bonitas. O que deu origem a murmúrios que, parece, voltam a exorcizar os espíritos, com a falta de uma explicação que há muito deveria já ter sido dada.

Ao contrário de Cândido Teles, João Carlos, em nossa opinião, esteve escassamente representado. Porque João Carlos, justifica, se se pretender mostrar toda a busca e experimentação nas mais diversas maneiras de exprimir a arte, que lhe consagremos uma só sala. Porque claramente João Carlos na sua inquietação de artista sôfrego desbaratou carradas o talento por tudo onde pudesse exprimir arte: e por isso não foi apenas um pintor desenhista, mas um notável entalhador – com raízes muito profundas na temática local –como ainda modelou o barro com a afeição de um ceramista; e ainda um extraordinário xilógrafo . Por isso dar a conhecer o espírito fecundo de JC, não é apenas mostrar as suas pinturas e ou desenhos.É muito mais do que isso.

5-Que dizer do catalogo? Desde logo a abrir, deplorável (patareca e patega) a preocupação – parece que única! - em mostrar a foto do Sr. Presidente, omnipresente, fosse qual fosse o início de leitura. Da frente para trás ou de trás para a frente. Um culto de personalidade doentio, este, de por tudo e por nada lhe colarem a fotografia em panegírico laudatório.

Um catálogo em que as obras expostas não são numeradas nem identificadas, reduz a efectiva utilidade da brochura guia. Incompreensivel !....Pior era impossível fazer-se.

6-Outra questão que não mereceu a mínima atenção aos responsáveis, prende-se com a falta de qualidade da iluminação da Sala, falha imperdoável do projecto, que se mostra perfeitamente inadaptado para as funções que presidiu à sua feitura. De um lado a luz batia em cheio nos quadros; do outro estava completamente arredia. Era sol e sombra,o ambiente.


Em resumo, repetimos:

Salvo as obras dos artistas – notáveis algumas delas –, tudo o resto mostrou em elevada dose leviandade, ligeireza, desconhecimento, despreparo e até negligência.

Pareceu apenas e só, o descarte enfastiado de uma promessa feita por linguaraz, no habitual exercício de demonstração da leveza da palavra vã.

Por entre os presentes os comentários eram de profundo desagrado. Mas como habitualmente tudo ficará pelo rumorejo.

Temos pois, o que merecemos. Isso sei de fonte sabida.


Aladino

domingo, julho 06, 2008

O Discurso do Século
.
Um surpreendente discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc,de descendência indígena, advogando o pagamento da dívida externa do seu país, o México, deixou embasbacados os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.
A conferência dos chefes de Estado da. União Européia, Mercosul e Caribe, em Maio de 2002 em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e de exactidão histórica, que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.
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Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a descobriram só há 500 anos.
O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país -, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indemnização por perdas e danos. Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano 'MARSHALL MONTEZUMA', para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não! No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue? Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas. Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América.
Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..
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Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira dívida externa.

Aladino


quarta-feira, junho 18, 2008





Ainda «O LABAREDA»

E o encontro com o «O Labareda» aconteceu.

Como lá disse “Eu volto sempre…» para cumprir o prometido.

Julgo que a mensagem passou: é ainda possível fazer cultura fora do circuito institucional,este apenas e só preocupado com a «cultura de consumo, em kit».

Quis naturalmente que os companheiros de jorna fossem o prato principal, dando-lhes todo o tempo do mundo.

Eu julgo – e o feed – back que me chega vem confirmar a minha ideia – que ninguém saiu de lá frustrado. E que o tempo ali correu, sem ser maçador.

Haveria que dinamizar a ideia. Criar espaços novos, onde se possam equacionar novas perspectivas para não deixar abastardar a imagem que nos vem do passado. E evitar o desconhecimento absoluto do que queremos ser no futuro, agora que muitos capítulos do nosso historial estão encerradas e quando é urgente abrir novos caminhos. Eles chegariam, naturalmente.

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Por quem é, Sr. Presidente, entrasse
Nem que fosse ás arrecuas…

O senhor Presidente reagiu. Fez bem, é sinal de que se sentiu. Ele não tem, em boa verdade, politica cultural; tem apostas desgarradas. Ouvi-lo, é já, um verdadeiro massacre, um assalto à sanidade mental de quem fica sujeito ás suas tontas explicações. Um verdadeiro caso que confirma, com rara acuidade, o princípio de Petter.

Disseram-me que ainda esteve à porta. Certamente por ver o vice-Presidente da Câmara de Aveiro presente – que compareceu ao convite, contrariamente a toda a Câmara de Ílhavo-deu meia volta, e foi-se.

O «Ensaio» levou à Câmara, o conhecimento da anexação e da desanexação do Concelho. E lá comemoraram ao 110 anos, este ano. Agora levantámos a questão dos 200 Anos da Costa – Nova, a que pareceram passar ao lado. Para o ano comemorarão os 201 anos da dita. Apostam ?

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ASUDOESTE

Este interessante Blog, editado por Vieira da Silva, resolveu incluir-me dentro do grupo dos amigos que o autor vai sucessivamente apresentando, utilizando uma rara sensibilidade para manifestar elegias pródigas, mas sensatas – excepção ao caso presente! -, com um verdadeiro dom, que é, o saber ser companheiro de jorna.

Por vezes entro com Vieira da Silva-ele diz que eu sou um pouco ácido-, no intuito que me é característico: quanto maior consideração tenho por alguém, maior é a minha vontade de o picar, para que esse amigo venha daí, também!....
Tem sido uma dura penitência, para mim, viver aqui, neste local que escolhi para fazer o meu mundo, nestes mais de cinquenta anos de reclusão auto-consentida. Era horrível não sentir ou não ter a noção da minha desdita. Então quando aparece alguém que a percebe, não deixa, tal, de ser gratificante, como se nos quisesse dizer que não foi de todo inútil – embora às vezes me pareça. E o certo é que nunca como hoje o «ílhavo» atingiu individualmente e colectivamente um grau de alheamento e de irresponsabilidade cívica, como o que hoje se respira. Um povo que se deixa de tal modo enganar por mais de três décadas, é um Povo que gosta de ser um encornelhado, talvez não gostando que se veja, mas se se vir, parece que não se importa.
Deixemos isto…

A mim o VS nada deve. Eu, curiosamente devo-lhe: pedi-lhe colaboração aquando do VIP-VIP e, depois, em qualquer coisa que se fez, julgo para a Obra da Criança.Que pena que se não tivesse ido muito mais longe.
O beco da ti Emilinha Gueira ,onde cresceu, foi meu também, e por lá joguei à bola com os companheiros de então. Embora eu fosse uns anos mais velho, claro. Não tivemos por isso contactos nessa fase.Mas aí conheceu o seu Pai(e Mãe) , homem muito afável, bom falador, especialmente dotado na arte da encenação. E ainda, com uma certa veia versejadora. Ando até num dilema para recolher e refazer a cantiga da noite do armistício, onde a letra é de sua autoria (se não é, será do Zeca Peliconcas)


Depois da fase contestatária das cantigas que fizeram acreditar que Abril estava próximo, e onde V.S. ocupou um lugar de especial relevo, confesso que sempre estive à espera que ele aparecesse mais interveniente. Compreendo perfeitamente, contudo, como uma alma sensível – e V.S. é – pode ficar chocada com a práxis politica, que pouco tem de interessante, tal como ela é praticada neste sistema ainda muito longe de uma democracia, como ele e eu certamente desejávamos. Mas lá que eu queria mais …lá isso é verdade, V.S.

A SUDOESTE, que visito com regularidade obrigatória, tenho por lá visto tanta tripulação, que bem poderiam constituir uma notável Companha.Eu já só sirvo para camboeiro mas ainda sou capaz de o fazer ao remo maião.
Ora da leitura, fiquei a olhar para a folha de serviço que VS me atribui. Não sendo coisa grande é grande pelo menos nos anos que a levei para preencher.

Meus amigos: façam melhor, poupem-me para ver se eu arengo por aqui mais uns anitos.

Ao V.S um abraço

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Labareda foi –se .E agora?

Agora :- «200 Anos da Costa Nova »está entregue. Acabado na semana passada, depois de um bom e exaustivo ano de labuta.




AS «Embarcações Que Tiveram Berço na Ria»,um trabalho onde misturo o histórico com o técnico (reprodução dos modelos em 3 D), e que me vai deslumbrando ,esse demorará mais um anito.



Como vêm no desemprego é que não estou. Há muito ,muito!... com que me entreter.

Vamos é lá ver se a vida o consente.

Mangana…já que te não apressaste, aguenta aí mais um bocadinho,P!!!!.

Aladino

quarta-feira, junho 11, 2008


PEDRAS FÉRTEIS


Desde longe, muito longe, que desisti de fazer a pergunta: - o que é que a cultura pode fazer por esta terra?.., e antes procurei interpelar-me: - o que consigo – eu – fazer por ela?...

No sábado vou – com os amigos – tentar dar mais uma resposta, à questão. Se ainda, a muitos, ela passar despercebida, pouco me importa. Pois que seja. Fazem que andam distraídos.

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A propósito de distraído:

É costume dizer-se que as respostas estão escritas nas estrelas.

Não sei se estão, ou não; nunca me preocupei com esses saberes.

Mas agora ao reler o Ábio de Lápara (José António Paradela), e a sua «Uma Ilha No Nome» sei que as respostas estão por aí, em frente aos nossos olhos, que parece, não sabem ler, nem cuidam de sabê-lo.

Interroga-se Ábio de Lápara:

Que ganhou a nossa terra quando fomos costa abaixo à procura de pão que aqui escasseava?
Que ganhou a nossa terra com a aventurado bacalhau?
E o que temos em troca?
Após a aventura o que sobrou?

Para nas pedras encontrar a resposta: -

Não faças sempre a mesma pergunta. Apenas luta por uma resposta diferente

Certamente se eu andasse atento encontraria a resposta para a minha pergunta:

" Porque apostei tudo o que tinha e saí a perder ?!"….

Ou estarei distraído, e o que deveria fazer, como mostra Ábio de Lápara, era

"Apenas lutar por uma resposta diferente!"

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«Uma Ilha no Nome»,
não precisa de palavras elogiosas…

Não!.., não precisa.Precisa, apenas, de ser lido. É indispensável que o seja, para continuarmos

a ter,

(…) Orgulho em pertencer a uma comunidade com gente desta estirpe

como nos diz o «João Bocanegra» da «Ilha No Nome».

E eu o confirmo, no José António Paradela

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ÁBIO DE LÁPARA (J.A.P.)


E lá está Ábio da Lápara:

Construímos durante muitos anos, talvez séculos, uma comunidade fechada em torno de uma luta que suplantou todas as outras e nos isolou, fechando os nossos corações num círculo apertado.

Saímos navio e chegávamos de navio, com longas ausências pelo meio.

Quisemos ser uma «ilha» e conseguimo-lo….
Porquê?...

E lá estava nas pedras, uma vez mais, a resposta:

Às vezes preciso de me evadir, deixar a razão de lado para poder sentir…fugir desta realidade que não me deixa sonhar”

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PONTES…PRECISAM-SE

E de resposta em resposta, lá veio a resposta final:

“Construamos as pontes para os que, vindos de longe, escrevam nas pedras…FIQUEMOS!!!”

Aladino

quinta-feira, junho 05, 2008

Para me destruir basto eu.


Continuo a ser um impenitente compartilhante de vida.

Sempre senti uma necessidade, irreprimível, de o ser. Por isso, tive sempre à minha volta, muitos e variados amigos, com quem me esforcei por lhes dar o meu melhor.

E hoje, desaparecida a maior parte deles – eu sempre fui o mais novo de todos! o que parece não ter -mas tem... e muito! – significado - começo a não ter com quem compartilhar momentos (os ditos momments).

Talvez que esta montanha de palavras que vou despejando, se um dia olhada, exprima exactamente esse vício de dar de mim, em cada momento, o que de melhor – ou mais útil -tenho para dar.

Mas há angústias insuportáveis.
E vai daí: - precisava de um parceiro(a) de vida, daqueles(a) com quem estamos, sempre, em construção.

Porque é verdade:
Para me destruir basto eu.

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E para nós, não sobra nada?

Olho para o espectro da fome que está aí, mesmo em frente dos nossos olhos, e que pensamos estar ainda longe. E este sofrimento torna-se, pouco a pouco, uma verdadeira chaga. É um desconforto, uma desilusão, o deitar-me todas as noites a senti-la, a macerar-me.
E pior: acordar e ouvir com as primeiras noticias que era preciso produzir mais 50% do que produzimos para matar a fome, cria-me um sentimento de náusea. Brutaliza-me o estômago que se dispõe a ser lautamente servido com um pequeno-almoço que é mais do que, milhares e milhares de seres, não comerão, no dia inteiro.

E ver tantos a afivelarem uma crença …como se «Isto» fosse, como pensam, uma obra divina.
Então que fazer? Continuar nesta indiferença, como se tudo fosse culpa dos outros?
E para nós não sobra nada?


Aladino

quarta-feira, junho 04, 2008

Pura perda de tempo.


Estas eleições, no PSD, foram nada de coisa alguma.

A votação não deu para varrer toda aquela cambada de demagogos populistas que por lá pululam. È certo que os ditos populistas levarão muito tempo a recuperar. Ou só lhes restará fazer um novo partido. Talvez juntando-se a uma das tendências do CDS.

Creio que o PSD perdeu uma boa ocasião (ou perdeu tempo) na sua afirmação definitiva como um partido liberal. E por isso eu desejava, para que fosse feita uma clarificação e uma separação de águas, que isso tivesse sucedido. Já. Poupava-se tempo e caminho. E assim as coisas ficariam mais de acordo com o que são na prática.Um partido Liberal e um partido Socialista (com uma ideologia social já muito ténue, apenas reconhecida em um ou outro ponto.)

A nossa integração na Europa teria que conduzir, inevitavelmente, a esta separação d’águas.

Talvez que assim o PS sentisse a necessidade de se preocupar mais com o social.
Pode também suceder que esta crise importada obrigue o Governo a dar mais atenção a quem mais precisa dela.

Ora o PSD escolheu mais do mesmo. Comida requentada, que navegará em afirmações pragmáticas muito próximas das seguidas pelo PS. A diferença estará nas pessoas, que não nas políticas.

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Em Ílhavo tudo como dantes.
O pesadelo voltou

O Marau voltou e, com Ele, o disparate.

Logo se apressou a anunciar coisas impantes. Pudera!... não é ele que as vai pagar.

O primeiro sinal da sua presença foi-nos anunciado pela placa «VENDE-SE», na quinta dos Rebochos.

Reparem: - até hoje ninguém explicou o imbróglio, da Biblioteca ser, no momento, posse de uma firma privada,retirada à Câmara em Tribunal,por não cumprimento.

Mas …

No tal Relatório das Contas, falava-se, mesmo assim, no dinheiro que a Câmara esperava vir a receber do Estado, como subsidio para a mesma, que estava um muito atrasado.

Só se o Ministro das Finanças estivesse XONÉ.

Sem vergonhas estes tipos.

O povo, esse, pouco se importa sobre quem é o dono da Biblioteca.Com razão. Também ainda ninguém lhe explicou para que é que aquilo serve, para além de uns tipos que vão lá ler o jornalzito para não gastar uns cobres, diariamente. Com razão sempre dá para mais um mijinho de gasolina.

Este povo está de cangalhas: já não há ninguém que lhe valha.

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Foto: mesmo que seja à «laminuta»

Lá me demonstrou o que há de belo e fácil, no uso do click-clack do diafragma da sua nova cyber-shot.Com ela resolve tudo.

E é verdade, quer eu contraponha ou não argumentos.

Uma foto, umas palavras de circunstância, e parece encontrada a receita ideal para fixar aderentes. Torna-se, sem dúvida, muito menos maçador ver que ler. A Internet trouxe-nos uma exacerbação deste facto, na comunicação entre pessoas.

Eu, contudo já não mudo. Teimo em substituir a foto pelas emoções que tento dar do retrato. Para mim desafio aliciante. Para os outros é que talvez nem tanto. Paciência…eu não me dou com o au minute.Gosto de saborear.

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Remodelação do site
www.senosfonseca.com

Bem…

O site continua em reorganização, e tarda a solução que solicitei. Por isso inactivo no mês de Maio.

E há tanto para lhe pôr lá dentro: «Manuel Ferreira da Cunha», «Pitato & Benjamim», «Joana Càlôa»,«Manuel da Benta» e a versão original do «Thomé Ronca»

Vamos a ver ……..

Aladino

sexta-feira, maio 23, 2008

GLOSA AO PADRE ETERNO


Não creio em Deus eterno
Nem que a alma é imortal…

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Não creio que depois
Do derradeiro sono
Haverá uma treva
Para o ditador
Que usurpou o trono.
Nem creio, pois,
Que haverá uma luz
Para aquele que na terra
Aguentou de pé, uma cruz.


Não tenho crença firme,
Ou sequer crença néscia
Que Deus há-de fechar
Numa jaula de ferro
Por sua própria mão
A alma dum fero.
E que guardará a seu lado
Num trono debruado d’oiro
A alma de Platão.

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Mas creio em Cristo hodierno
Homem só, como eu, simples mortal.


S.F (Maio 2008)

terça-feira, maio 20, 2008

Afinal, «TANTA PARRA PRA VULGAR UVA».



Lá estive para ver a exposição no MMI, «Rostos da Pesca».Valeu a pena.

Devo dizer que gostei. Mas atenção : nada de especial. Nem sequer a melhor e maior exposição – número ou qualidade? - como foi propagandeada pelo Director do MMI, na apresentação, o que nele é habitual,. a hiperbolização dos acontecimentos de que é o autor.

Vamos à exposição.

1º CONSTATAÇÃO

Desde logo observei que o que foi exposto não respeitava com rigor, o título. De facto, muitas das obras – e até talvez das de maior qualidade – extravasavam a representação romântica dos rostos ,enveredando por paisagens humanas da pesca.

Nada de muito importante para o apreciador de pintura, mas de alguma gravidade para a sistematização que parecia ser o desafio a colocar aos visitantes, naquele delirante texto que até nós chegou via news letter.

As obras de João Vaz, Silva Porto eHogan, desinseriam-se, claramente, do contexto. Não eram rostos o que se representava, mas paisagens humanas no mundo das pescas.Nelas, contudo, estavam algumas das mais belas obras apresentadas.

Gostei – muito! -da Velha Varina, de Eduarda Lapa; das fainas de Lozano, do retrato de Domingos Rebela ,da cabeça de velho de Dário Barbosa e, depois, pouco mais….

A Velha de MARIA EDUARDA LAPA


Cabeça de Velho-Dário Barbosa

2ª Constatação

Mas vim de lá com um pesadelo: porque é que muitos dos rostos de autoria de artistas de Ílhavo, não compareceram? Alguém consegue explicar? Foi por pura ignorância ou desconhecimento.

E já não falo em J Carlos ou Cândido Teles. Muitos outros, muitos!... ombreariam com facilidade entre os que foram apreciados Os que tenho tinham lugar entre o melhor.
Então estamos perante algo de muito grave, muito complicado,com contornos que exigem explicação plausível, para falha tão grande.
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E AFINAL»?...

Perante as new letter delirante, incompreensível redundante, que anunciava a exposição, vamos tentar decifrar o imbróglio com que a mesma termina. Dizia-se na mesma, que importante era saber-se em que medida os retratos do pescador ou da varina supõe a fixação de estereótipos locais e regionais que independentemente das formas estilísticas, parecem exprimir na etnologia dos tipos humanos da pesca.
Retrato-Maria Xavier Rebelo

Salvo melhor opinião a exposição não responde a esta inquietação. Nem podia responder.

Nem sequer dele se abeira. Não cremos que baste o rosto com todas as emoções inscritas, com todo o sofimento recolhido e reproduzido, fora dos barcos, que seja diferente aqui, na Póvoa, na Nazaré, ou em outro local qualquer etc etc.

Ao contrário dos barcos em que a singularidade dos mesmos identificam com muita facilidade a naturalização das representações a nível local ou regional.


ALADINO

sábado, maio 17, 2008

TUDO FEITO AO CONTRÁRIO ...

DO QUE ERA NECESSÁRIO FAZER...


E AINDA POR CIMA A CALOTE...



Não vale a pena repetir muitas das observações, mais ou menos correctas, e ou, mais ou menos demagógicas, que diversos intervenientes tiveram a oportunidade de apontar na Assembleia Municipal, demonstrativas, contudo- bem ao contrário do que diz em «O Ilhavense», J. T.-, de que, em 2007, se verificou,na verdade, um fraco desempenho do executivo camarário; seja ao nível de receita, mas e também, e naturalmente, da despesa (cerca de 54 e 52 %, respectivamente). Não me motiva mas sempre o indico, que nos custos de pessoal há por lá verbas que bem valiam uma ponderação cuidada, para avaliar o que se paga e o que resulta em qualidade da acção do beneficiado, normalmente ocupando cargo de topo (especialmente assessores do Sr. Presidente - Job for the boys and girls - são tantos!). Notar que determinados assessores recebem mais - muito mais, o dobro! - do que o protocolado pela Câmara com Freguesias concelhias, ou ajudas atribuídas a IPSS. Parece-nos no mínimo estranho.

Vamos então ao que importa.

Eu aceitaria Sr. Deputado J.T., que a Câmara contraísse dividas a médio e longo prazo desde que para obras no interesse real, para melhoria da qualidade de vida das populações, Agora para construir meia dúzia de equipamentos, em que uns se atropelam aos outros, ou que na finalidade estão completamente desajustados com as realidades locais, é procedimento que não resulta de bom senso - como o Sr. expressa - mas tão só de puro pedantismo bacoco, e ou grave megalomania de que todos - agora que vejo uns a quererem sair da carroça - são responsáveis. O senhor deputado também o é. Não esqueça isso.

Estão erradas - desastradamente erradas - essas práticas desgarradas que vêm sendo levadas a cabo, cedendo a pressões lobistas externas que comprometem o presente e podem destruir o futuro. O poder Autárquico tornou-se o centro de práticas pouco transparentes, e o pantanal por onde se movimentam interesses obscuros. É um bueiro onde se escondem actos a justificar castigo adequado, severo, e que sirva de lição. Estamos em plena época do «Apito Dourado». Temo que acabado este, comece o das «Autarquias Douradas».

Em meu entender a Câmara deveria assumir como bandeira:


1- Eliminar todo e qualquer tipo espectro de fome.
Há fome no Concelho. E tirando as IPSS - que a Câmara trata mal, desconsidera e insulta - ninguém cuida em eliminar esse abcesso pútrido que nos envergonha.

2- Resolver o problema de proporcionar tecto aqueles que comprovadamente não têm meios para os possuir. Nos últimos anos nem uma casa foi construída para esse fim. E estima-se serem necessárias mais de um milhar delas.

3- Resolver o problema de saneamento de zonas populacionais do seu concelho (substancial parte cidade da Gafanha da Nazaré e a Gafanha de Aquém, ainda o não têm). Aqui sim, Sr. Deputado, o retorno em qualidade de vida, justificava o recurso a empréstimos bancário ou outros.

4- Assumir a responsabilidade de criar os meios para dinamizar o Comércio da cidade, em agonia tremenda e irreversível, cujo programa esteve iniciado, e que, por desleixo da Câmara foi caducado, e desse modo perdida toda a capacidade de a ele voltar a recorrer. Foi um comportamento estulto e irresponsável de quem por ausência e incapacidade, permitiu criar as condições que levaram à extinção do programa.

5- Auscultar as unidades empregadoras concelhias, trabalhando com elas na definição de objectivos, incitamentos, apoios políticos justificados, de modo a requalificar e revigorar o tecido empresarial. As condições geográficas privilegiadas (plataforma do Porto de Aveiro situada no terminus do IP5), não estão a ser minimamente aproveitadas.

6- Propor parcerias com a Universidade de Aveiro ou outros centros de conhecimento de modo a que se venha instalar no Concelho um (ou mais) centro de saber dirigido a áreas especificamente identificadas pelas entidades anteriormente referidas. Para isso seria necessário que a Câmara não estivesse - como está - sobranceira e malcriadamente, como lhe é apanágio e postura habitual, de costas voltadas para o tecido empresarial, local.

7- Dotar o Concelho de um Parque de Exposições, polivalente, para promoção da produção e misteres concelhios, e que seja ao mesmo tempo capaz de albergar iniciativas de carácter promocional e lúdico.

8- Fortalecer os laços de uma identidade comum, através de uma politica cultural capaz de dinamizar grupos de diversas tendências, plurais e diversificados, a fim de permitir a recuperação e a regeneração do nosso património histórico. Que se não pode perder, em troca de falsos maneirismos e ou modernismos serôdios.

Em resumo Sr.Deputado (municipal) J.T. : as contas são as contas, e demagogicamente servem para ser lidas de muitas e variadas maneiras. Foi só isso que quis demonstrar.
O que eu não desejava era voltar a ouvir responsáveis sacudir a água do seu capote. Se fizer um exercício de memória lembra-se onde «ouvimos» tais atitudes.
Atravessamos um dos períodos mais negros da nossa vida como comunidade.
Temos uma Câmara exangue, uma comunidade socialmente de costas voltadas, temos uma tecido económico em extinção ou letargia, temos uma memória alzheimada, passamos uma vida no encolher ombros.
Tudo foi feito ao contrário do que era necessário fazer para recuperar o tempo perdido,
pois que aí terei de dizer que os outros não foram melhores-de facto-,pese embora não desavergonhados.

Aladino

terça-feira, maio 13, 2008



O «pessoal» da Câmara zela….

...Vocês cuidem-se….


Continuemos a charla sobre as contas da Câmara Municipal (2007), a que o Sr. deputado Jorge Tadeu, em «O Ilhavense», pretende dar o epíteto de um documento claro, transparente …enobrecedor.

E como o pretende provar?...

Ora nada mais, nada menos com um obtuso raciocínio: indexando as despesas de pessoal ao imobilizado corpóreo.E vai daí exemplifica: com cada euro dispendido em gastos de pessoal conseguia-se zelar, em 2002, por 1.45 euros de imobilizado, enquanto em 2007, o pessoal zela por 9,75 euros, do dito.
Donde conclui: um ganho de eficiência de 700%!!! OH!!!!oh!!!ó ó.ó....
Como para o atento avaliador o imobilizado da Câmara, em 1998, seria zero, o pessoal da Câmara até a essa data cuidava dos canários, cortava as unhas e palitava os dentes.
O Sr. deputado deve julgar estar a falar para uma Assembleia da Madeira, e tem dos colegas de tribuna que se abusacam (isso, isso, e nada mais do que isso…) no largo do Município a mesma ideia que o seu colega João Jardim tem dos deputados, lá do seu curral.
Verdade. Se tem… isso é lá com eles…!

Mas ao transcrever este brilhante raciocínio em «O Ilhavense» deve também pensar que o pagode cá do burgo é parvo ou imbecil, ou destituído.
Ora se na terra há alguém com esses atributos, é precisamente o seu chefe de fila, como aliás foi exuberante (e certeiramente) qualificado pela Comunicação Social, que o elegeu como a figura mais cretinamente rasca, mais patética e imbecil do ano; monstruosa! ..chegou a dizer-se..do farfalho (e note eles só o conheceram, seis desgraçados meses. Sortudos!)

Por isso calma.

Olhe?!.... Quer que eu jogue play station consigo:

O acréscimo do Imobilizado corpóreo desde 2002, di-lo o Sr. deputado, foi de 50 Milhões. Admitamos tal como verdade (pode não ser!...pode não ser!..)
Se utilizarmos as suas contas, só 40% do mesmo foi pago. O resto foi calote (27/28 M).
Já de si grave que o pessoal camarário esteja lá para cuidar dos calotes de quem os fez.

Mas na realidade o problema é mais grave: dos 50 Milhões só 20% foram pagos: -. 40 Milhões são calote.

Por isso deixe-se o Sr. deputado de brincadeiras: gestão equilibrada e sensata, a do executivo de R.E?
Nada disso Sr. deputado J.T: um verdadeiro desastre,uma calamidade-como iremos ver adiante-, que as gerações vindouras irão pagar (pelo menos nos próximos dez anos!), euro a euro. Isto se os desvairos despesistas, sem retorno, que um desmiolado executivo autárquico, semeou, não forem limitados por via superior hierárquica. Há já em relação a eles, sinais claros de vergonha, que grassa entre os seus pares. E ainda só se sabem as dívidas de rodapé….

O senhor sabe tão bem como eu – ou melhor! - o que anda no ar. Olhe caro sr. Deputado J.T.: eu aconselho a sua bancada a aceitar uma auditoria externa, antes que as coisas se compliquem.

Continuaremos a charla. É um prazer.


Aladino

DEVER ? QUE MAL HÁ NISSO...


Neste Blog tive, há dias, a oportunidade de explicar as razões, porque, finalmente, depois de vistas as contas da Câmara Municipal de Ílhavo, elas me levaram a concluir que, mesmo na fria mas não menos malabarista expressão dos números, a pintura sai borrada.

«O Ilhavense» do passado dia 10 de Maio, inseria uma curiosa e demagógica manipulação; a intervenção do Deputado Municipal, Jorge Tadeu Morgado, produzida na Assembleia Municipal, aquando da aprovação das contas do Município. Pela mesma perpassa uma série de inexactidões que é conveniente confrontar:

1- Ficámos pela mão do deputado, a saber que a divida consolidada da Câmara, que atinge – já se assume os 27.000.000 (vinte e sete milhões de euros)-, não é nada de preocupante – diz-nos o senhor deputado (!). Dando de barato que a divida é só?! 27/28 M, mesmo assim ela representa mais do que os 100% das receitas ordinárias da Câmara (23M). É pouco sr.deputado? Olhe que não…olhe que não…
E aqui, o certo é que não têm uma única razão para falar da pesada herança, porque neste caso esta Câmara herdou - e bem - 2,5 M da Câmara anterior. Quer dizer que de certeza, certezinha, já foram 30 M. Mas…veremos adiante. que a realidade é outra, e bem diferente.
2- Diz o deputado que foi elevada a execução física dos valores em termos da Rubrica das despesas. Foi …lá isso foi .
A questão que o deputado não diz é que da mesma (90,83%),só foi paga 52,65 %, pouco mais de metade, somente. Assim também eu, todos….a calote qualquer um é capaz de fazer….

3-Mas vamos indo…

O mobilizado corpóreo aumentou, de 2002 a 2007, 50 M, diz o relatório ,e o sr.Deputado confirma-o . Ora do mesmo o que se pode concluir , como lá é dito,é que a capacidade de gerar receita, pouco aumentou, provocando uma dependência do Estado. Então em que ficamos?!: dos 50 milhões devem-se, no mínimo, 30 milhões. A Câmara não pode gerar legalmente mais receitas. É o que conclui do seu relatório .Não sou eu que o digo . Então é claro: quem vier que apague a luz. Querem maior e verdadeira irresponsabilidade?.

Ora tudo isto já seria preocupante...
Só que… e aqui é que está o buzilis:

O sr. Deputado não faz referência a uma rubrica inscrita no Passivo, que é um saco cheio de gatos. E que representa 16.000.000 M de euros.

Proveitos diferidos inscritos no Passivo? Que explicação dá o sr. Deputado sobre o significado deste valor?. Se a Câmara, ao contrário de uma empresa, não paga impostos, então qual é o mistério daquela rubrica?

Ora parece, claramente, que a mesma representa uma habilidade contabilística a mascarar o valor real da divida camarária, que é previsível – admito-o – se aproxime, na realidade, dos 40 Milhões. Pois é sr Deputado .São mesmo 40 Milhões.
Nada de preocupante dirá o sr. Deputado. Enfim está em moda esta falta de preocupação: - se em seis messes se puseram as contas do PSD em pantanas,.dez anos aqui, e com ideólogos destes, teriam de ser arrasadoras. E foram-no.Eu quase que adivinho do que se trata. E já agora, vou mesmo querer saber que parte da mesma é divida encoberta.

E assim e com toda a lógica impunha-se uma auditoria à situação, para a esclarecer, e o primeiro a desejá-la deveria ser o executivo camarário.

No próximo Blog vamos analisar a actividade da Câmara perante a realidade palpável e visivel .
O saber-se que melhoria de qualidade de vida foi essa, provocada por esses investimentos, e que retorno eles trarão.


Aladino

segunda-feira, maio 12, 2008

ENVERGONHADOS..E TRISTES…assim vamos em Ílhavo



Vamos hoje deter-nos sobre Ílhavo, e em alguns dos seus problemas, actuais, porque como as questões estão a evoluir, parece ter chegado o momento exacto para questionar aquilo que parecendo, talvez não fuja à regra de o ser.

Comecemos pelo MUSEU.

Museu 1

Em visita que lhe fizemos esta semana, por pouco não nos passava despercebida a exposição fotográfica-poética, subordinada ao título «Destino de Peixe», da autoria de Brigitte d’Ozouville (fotos) e Isabelle Lebastard (poemas).

Avancemos por um olhar rápido à exposição. Notável Não se trata de simples retratos, daqueles que tantos se tiram que há sempre uns a ficarem bons, mas um tema que a retratista persegue, conseguindo levar-nos à compreensão de uma mensagem que pretendeu registar: o destino do peixe está na mão do homem. Mas o destino de muitos homens está no peixe,…parece querer dizer-nos a autora quando nos fala do destino de ambos a dizerem quero sair desta rede…enquanto é tempo, respirar profundamente.

Ora acontece esta mostra está dispersa por duas paredes, colocada por detrás de umas colunas, sem condições para a sua devida apreciação.
E assim morre sem ser devidamente apreciado um belo tema, em tudo diferente do que, sem regra ou selecção, por lá se vem expondo. Há mostras e mostras …. E por isso deveria haver mais cuidado quando aparecesse uma diferente.

Museu 2

A constatação do que atrás dizemos, apenas reflecte a clara pobreza da concepção do Museu. Que pode ser esteticamente válido, por fora, mas totalmente inadequado por dentro.

A falta de uma sala de dimensão adequada para estas exposições temporárias já se tinha intuído aquando da «Diáspora dos Ílhavos», e até, na recente exposição da colecção do Cap. Marques da Silva. A salinha não tem as mínimas condições para responder a uma exposição onde se precisa de espaço mínimo entre peças, de perspectiva, e espaço de circulação, para evitar molhadas.

E o facto, e isso me parece incrível ninguém parece se aperceber que a resolução do problema está, ali, à mão. Na realidade, perante a exiguidade interior não se percebe a teimosia de manter uma cafetaria sem interesse de maior, e uma loja sem movimento que justifique, ela sim, o espaço que ocupa. Com algum espírito inventivo a loja poderia ser anexada à recepção, com um arranjo simples. E a cafetaria, limitada ao estritamente necessário, creio que há por lá cantos que chegariam perfeitamente para a enquadrar.

Mais difícil é resolver o caso – assombroso! - da total inadequação da sala da ria com falta de dimensão e perspectiva para albergar as embarcações expostas. Claro que haveria outra solução imaginativa, que melhoraria, e de que modo, o funcionamento do museu, resolvendo o erro da sua concepção. E onde as embarcações ganhassem toda a riqueza das suas formas

E não me venham com a questão estética. Aceito que o museu sob o ponto de vista de formas, exteriores, é bonito. Nada mais. Ora isso não chega, porque isso não é o essencial
pretendido.

Museu 3

Os mais atentos – e mais pacientes já se devem ter interrogado com o frenesim que vai por aí, com o Director do Museu a, seja por entrevista com preparação cuidada e antecipada da matéria, ou em artigos de opinião, a vir, nas ultimas semanas (vide «Diário de Aveiro» e logo a seguir em «O Ilhavense») ocupar páginas e páginas na Comunicação Social.

Que o director aceda a entrevistas, tudo bem, se bem que não apreciemos as entrevistas do entrevistado – entrevistador. Perdem espontaneidade e são de tal modo rebuscadas e articuladas, que perdem a graça do imprevisto. A entrevista não questiona; aceita. Torna-se fácil neste tipo de entrevista adivinhar o que vem a seguir. Ora, no caso presente a que nos referimos (D.A.), o Director manda, claros e muitos recados para o exterior, no intuito de tentar gerir um assunto que já lhe teria escapado de mão (é evidente).

De todo errado e inadmissível -em nossa opinião, mas é a nossa -, são os artigos de opinião do Director que seriam de evitar, quando se vira elogista em causa própria, de um cargo pago pelos edis ,a quem,a esses sim competiria elogiar ou criticar. O Senhor Director deve perceber que não é pelo facto de hiperbolizar o seu trabalho - mas sim pô-lo á apreciação,à discussão -, que será aceite por aqueles, pois que facilmente,ao falar sózinho, perde a noção da palavra exacta, o equilíbrio verbal, ao afirmar haver um, e só um caminho, para o futuro desenvolvimento do M: M: I. O que não é de todo verdade.

Porque por tudo quanto se passa à volta do Museu, nada indica que o projecto que se tem vindo a desenvolver seja o correcto -ou deva ser esse, exactamente –, especialmente no modo como alguma opções são levadas à prática e as finalidades com que o são. Estamos perfeitamente à vontade para dizer isto, pois somos dos poucos – quase uma verdadeira excepção – que considera, apesar de tudo, haver coisas boas no trabalho que o referido Director vem desenvolvendo.

A verdade – e essa são a questão! -,o desempenho do cargo está inquinado: O Director não foi escolhido por concurso, ou sequer por acordo das forças politicas concelhias e, por isso, e como o repete o Presidente à saciedade e em publico – malcriadamente, mas quem cala…-ele (o Director do MMI) é tão só o «meu Assessor, como tantas vezes o ouvi referir.Com isso quer dizer está aqui para executar a minha politica. Logo a sua opinião é secundária: -assim o parece dizer, o Sr. Presidente.

E claro nesta situação o prazo de validade do Director é o prazo de validade do Presidente,
salvo se…

Ora o certo é que o salvo se…já se consumou.
Por isso este frenesim do Director a mandar recados, a julgar que talvez assim recolha apoios. Ou me engano muito ou nenhuma mão se erguerá para o defender. O que de certo modo será pena.

Eu, corrigidas algumas questões, seria dos que levantaria o meu braço.

SÓ QUE ISSO TERIA, COMO É EVIDENTE, UM EFEITO AO CONTRÁRIO.
Aladino

sábado, maio 10, 2008

AMOR DE AMOR


E não terem mais fim
Estes dias,
E esta vida,
Para beber dos teus seios
Encaixar no teu ventre
Sorver o teu bafo
Dançar a tua musica
Em mil volteios
Em mil enleios,
A deixar que o fogo do teu olhar
Me queime
E nele se consuma
A paixão sem parar
Tornada cinza
Para me diluir em ti
No frio Inverno.
Não digas nada,
Amor,
Só amor de amor
Só nós, eu e tu
Somos eternos

S.F (9.05.2008)

quinta-feira, maio 08, 2008



O SURGIMENTO DA PARENTE BRASILEIRA, DARCY SENOS


A Internet traz-nos surpresas, pois as distâncias podem ser repentinamente encurtadas em poucos segundos.Vem isto a propósito, de um mail que uma Darecy Senos, que tendo dado com o meu site, logo me veio interrogar, por este meio de comunicação. Diz ela que tendo conhecimento de que só em Ílhavo havia Senos, perguntava-me se eu podia dar-lhe algumas referências que a levassem a identificar os seus ancestrais.

Curioso é que a questão dos «Senos» nunca me foi posta, e nunca pensei muito nela. Sei desde sempre que há muitos «Senos» em Ílhavo. Penso aliás, ao contrário do que é habito, que todos os Senos têm uma origem comum e, por isso, terão entre si um parentesco. -mais afastado nuns, mais próximo noutros.

Existe um factocurioso e não menos esclarecedor: a terceira geração que precedeu os que estão agora na minha idade tem todos o« André Senos» no nome: -João André Senos, Álvaro André Senos, José André Senos etc. etc., provirão, estou em crer, da mesma cepa de um tal André Senos, ovarino, que aqui vinha no transporte do caulino para a fábrica da Vista – Alegre.

Ora a Darcy Senos exultou com a minha informação, tendo-me dito que o seu avô era André Senos (outro pois). Solicitei uma fotografia do avô a ver se o identifico. Certo é que três irmãos do meu avô João foram para a América. O outro irmão foi para o Brasil.Deste eu sabia que tinha um filho. Esta Darcy será sua filha?

Ora e a propósito de tudo isto comecei a magicar se os «Senos» não serão uma das maiores famílias ilhavenses, ombreando com os Ramalheira que já vão em mais de cem. Vou ver se arranjo tempo, como o fez o meu bom amigo cap. Vitorino Ramalheira, e organizo a arvore da família.

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A PROPÓSITO DE «SENOS».

Minha Mãe tinha dois grandes desejos: um mudar o nome de Farmácia Cunha (de que hoje estive a fazer a história, pois é o mais antigo estabelecimento comercial de Ílhavo), praticamente com 200! Anos-, dando-lhe o nome de Farmácia Senos, o que aconteceu logo que teve a percepção que a neta iria continuar a profissão, que considerava ser a mais bonita para Mulher, e a mais deslustrante para um homem, assim explicava a Vasco Branco ou ao Hermes de Águeda. Desejo conseguido.

O outro desejo era que eu me chamasse SENOS DA FONSECA, e nunca João ou NUNES. E o certo é que sem grande esforço, e por insistência dela, o nome ficou, perante um certo desalento do meu Pai, pois na história dos Fonsecas eram todos Manéis, Josés, Joões….Nunes da Fonseca.

E curioso é que minha Mãe não tinha qualquer tipo de preocupação, idêntica, para a filha.

Por ser muito raro, nos colegas ficou o Senos, muito embora por vezes trocado pelo habitual Lemos, confundido.
Nunca percebi as razões de tal pretensão de minha Mãe, mas o certo é que interiorizei de tal modo o nome, que me não reconheço noutro.
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VERGONHA!.
.

Ando envergonhado a ler os Jornais. Dantes tinha um jornal fixo.Agora escolho na prateleira um que não traga mais uma bacorada do Esteves. Ainda há dias fui massacrado com o Diário de Noticias, que o tratava como uma monstruosidade prenhe de estupidez; pelo Publico que o dava com o exemplo do que não deve ser um político responsável, ou do Jornal de Noticias que o tratava como um perfeito cretino, que fala sem ele próprio perceber o que diz.

Depois a desgraça em que aquela gente pôs o PSD, malbaratando as suas finanças, pondo-o à beira da falência, sem crédito, não espanta a desgraça que se abateu sobre a Câmara de Ílhavo.

Aqueles tipos são um tipo de marabunta. Onde chegam é a desgraça.

Hoje todos percebemos como irresponsavelmente levaram as finanças da Câmara de Ílhavo, ao caos.


Aladino

quarta-feira, abril 30, 2008

Assim vamos com o bom português.


Pode um cidadão que gosta de pensar, sobreviver a um tempo em que o que interessa é estar na moda, e por isso levantar o arco e seguir a rusga? …

Levei uma boa parte da tarde a tentar convencer quem me dava pachorrentamente ouvidos, que escrever não é só enunciar um estado de alma, o simples registar de um facto, mas mais do que isso, o importante é exprimi-lo, descrevê-lo, emprestar-lhe a emoção que nos provoca, dar-lhe vida para levar o leitor a partilhar e compreender o efeito que o mesmo teve no momento em que se terá produzido.
Um facto é um facto, que tem registo cronológico.
Mas não chega fazer isso.De modo nenhum ...
Para lá disso o que importa é que cada facto tem uma história. Registar o facto pode simplesmente fazer-se por uma fotografia. Mas a sua história, uma!... não chegaria para a contar; para contar toda a história, esta teria de ser transmitida por muitas (muitas!) fotografias. Por filme, por exemplo. Diferentes pois os métodos para contar a história de um facto sucedido. No filme o actor exprime as emoções que perpassam ao longo da história. No livro terá de ser o autor a transmitir essas emoções, justificando-as.

Convencer um adulto é obra. Hoje as pessoas não gostam de ouvir,.Sim! …mas. Gostam só de ouvir o circunstancial.Comigo não contem para esse peditório.

Ora estava nisto, até um pouco cansado da longa arenga, quando chegado a casa o neto Miguel me vem com «As Histórias da Terra e do Mar», de Sophia Mello Breyner.Estava o rapaz preocupado em que lhe explicasse os gatafunhos que a professora inscrevera na análise do texto.

Então lá vinha o espaço geográfico da obra, a prolepse, a analepse, a comparação e enumeração, a dupla adjectivação, a antítese, a sensação activa, a sensação auditiva, a hiperbola, a cenematopeia etc etc.Pobre do puto,sujeito a estas malfeitorias...

Oh my god!.... E logo para o primeiro livro que se lê a sério, para lá do tio Patinhas!...

E ainda vamos aí? Afinal a razão porque só em adulto, li os «Lusíadas», posto perante a divisão de orações com que nos chateavam a mona -isso e mais nada -, mantém-se, ainda, inalterável. Eu julgava que há muito o ensino tinha evoluído. Mas parece que não. Por isso se teme a avaliação…
E assim se assassina um belo livro, sem se explicar a prosa poética da autora.
Acxonselhei o Mike a ir ver o wrestling,onde tudo é a brincar.
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Fome …aí a têm …


Já não foi a primeira vez que, aqui, adverti para os perigos da Globalização. A tragédia que se avizinha da carência, e por isso do consequente aumento (incontrolável) de preços, dos cereais, não é mais do que uma primeira consequência da referida Globalização: países como a China e a Índia, abandonam produções porque a população abandona os terrenos onde a mesma se fazia, destruídos pelas agressões ambientais, o que faz com que a produção diminua; por outro lado com o aumento – ainda que mínimo – dos rendimentos, há uma maior procura, na ânsia lícita de finalmente!,matar a fome.
Os preços sobem.
Enquanto isso, na Europa e nos EUA, fixaram-se níveis de produção e impuseram-se artifícios alfandegários de protecção à entrada de cereais, para proteger a produção interna.

E o espectro de fome a nível do planeta é possível e próximo. O que pode redundar numa tragédia sem limites.

O aumento dos preços dos factores de produção podem contribuir para uma total inversão do que se deveria fazer: produzir mais, muito mais e em força.

Aladino

quarta-feira, abril 16, 2008

SE O ESTEVES É DO P.S.D, ENTÃO EU ESTOU BEM NO PS

….OU EM QUALQUER OUTRO…..



Se fosse eu que chamasse «ESTAROLA» ao Esteves ,logo uns pateta- alegres, diziam: lá

está o tipo…

Mas não fui eu.Com pena de ainda me não ter lembrado, que, de facto, ele é isso mesmo.

No «Público» de hoje, Rui Tavares , chama-lhe, no Editorial !!! «ESTAROLA», com as letras todas.

Antes de ontem, no «Diário de Notícias», pouco faltava para o classificar de Imbecil.

Enfim!...foi como eu previ. Quatro meses foram suficientes para se perceber que o bacoco, só não era um emplastro , aqui no lameiro, habitado por um montão de capados da mente.

Porque o Esteves,

Não fala, circunloqueia; ouve-se a si próprio na praça pública, mas as ideias não vêm .Porque não as tem. Nem uma original; e muito menos uma-UMA!..UMA!!!-- palavra iluminada.

Porque o Esteves, não duvidem ;

É a imagem de um safardão mal educado, é a meta da decadência do espírito culto dos «ílhavos» .

Que ele envergonha há dez anos.

O Esteves, meus…!,

Não é inteligente, nem decente, nem educado. É só um embófia.


Riam-se …riam-se …olhem que está de volta. Quem vos avisa…
Se por acaso alguém Vos perguntar de que terra sois ,nunca digais que sois da terra do Esteves. Digam que são de Freixo de Espada à cinta ou da Medaleja.
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ORA VAI-TE…


Chegou e disse-me :

-Nascemos numa grande terra….

-E o que fizemos por merecê-lo?....
.respondi eu ,enfadado..


Aladino

terça-feira, abril 15, 2008




NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO


Não tinha, ainda, prestado muita atenção a este problema que hoje faz parte da agenda cultural. Tive a sorte de uma amiga me ter feito chegar uma publicação, a que dediquei um pouco de tempo.

E penso que com a leitura amansei um pouco os meus temores.

Ora o acordo(?) - cujas razões me parecem óbvias de avaliar-não traz muita complicação: não me preocupa o aumento do alfabeto (K, Y, W), nem a sistematização da utilização da minúscula (eu já tinha essa tendência). Também não me mete complicação a consoante muda. Percebe-se quando ela deve ser incluída, ou retirada. A acentuação, também já estava imbuída no hábitos.A hifenização é tão lógica, que tem toda a razão de ser.

Só que …

Pois, o busilis está na questão da coexistência de duplas grafias, que me mete confusão. Porque a questão é a harmonia da escrita: ou faz-se tudo numa norma lusoafricana ou viramos tudo para a norma brasileira.Deixar ao critério é que me parece mal.

Feitas as contas:-se a língua portuguesa ganha estatuto, e força, se utilizada de um modo uniforme por basileiros, palop’s e portugueses, pois bem: que seja. Se desde a República não tinha havido mudanças, então é tempo suficiente para se aceitar uma ligeira mudança. Afinal mais simples que a do PH da pharmácia.

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A CÂMARA DE ÍLHAVO DEVE MAIS DE 40 MILHÕES.
É OBRA!

Tenho sido interpelado por causa da minha última explicação sobre este caso. Parece que o Blog foi chamado à baila, no programa da mesa redonda da rádio Terra- Nova, de sábado.

Que ninguém tenha duvidas. A dívida ultrapassa aquele valor. Provo-o, onde e quando se queira. E outras coisas mais… (já agora…).

Pena que há muito se não tivesse feito - já! - o simples exercício de leitura das mesmas.

Um dia tudo será claro como o era a água (da muchacha)

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Os PROFESSORES CHEGARAM A ACORDO COM O MINISTÉRIO.

Como eu previa e desejava(disse-o aqui ,há muito ,que era assim que todo o imbróglio ia terminar)

Vitória de ninguém, e vitória de todos…

Perfeita idiotice falar em derrotados. O que significa, para alguns, o termo negociar? Apenas e só impor as nossas razões? Ou ajustar as mesmas ao realismo do possível.?

E o curioso é que sempre pensei, que apesar da dimensão do protesto, os Sindicatos é que ficaram com a batata quente na mão. E não tinham saída.

Vi agora que a maioria esmagadora dos professores concorda com as bases do acordo (SOL).

Pode ser que daqui a dois ou três anos tenhamos já um tipo de ensino responsável, capaz de responder ao maior desafio do tempo actual: ganhar a batalha da competência, que começa nas escolas.

Lia-se nas entrelinhas do que era dito, fora do político, que todos consideravam a Ministra uma excelente profissional, que sabia o que queria. E que queria mesmo fazer, o que sabia.

Aladino

segunda-feira, abril 07, 2008

Falidos …mas alegretes …

Sucedeu-me, finalmente (!),
ter em mãos, um relatório de contas da Câmara Municipal de Ílhavo (referente a 2007).

Espantoso, como tudo bate certo com o que pensámos e várias vezes denunciámos neste Blog. Espantoso como um parlapatão, utilizando todos os artifícios de como devem ser utilizados os órgãos de comunicação social para fazer crer o que não é, baralha, confunde, atordoa, apregoando falsas verdades, que passam por verdades de lei

E a verdade é só uma: a dívida -o calote! - Evidenciado sem qualquer tipo de acanhamento, escancarado na dimensão dos números que constam no relatório, atinge os 28 Milhões de Euros. Esta dívida excede, já (!), a receita corrente da Câmara.

Mas escondida, surge uma outra dívida. É que para lá da escancaradamente exibida,ficámos também a saberque se venderam também os anéis, e já só restam os dedos: venderam-se créditos a médio prazo para regularizar dívidas a terceiros. Embolsou-se dinheiro, adiantadamente, e quem vier a seguir que vá pedir pelas portas.
É fácil perceber que a divida da Câmara Municipal de Ílhavo, na realidade, nua e crua ultrapassa os QUARENTA MILHÕES DE EUROS. Brutal, só…


E até já serve de gabarolice, o dizer-se que se cumpriu o serviço da divida (relatório de contas de 2007). Era só o que faltava!

O PASSIVO da Câmara Municipal de Ílhavo cresceu SETE vezes, de 2002 a 2008!Já vai em 44 MILHÕES DE EUROS….

E agora? Quarenta e quatro milhões!....

Investiram-se Sessenta Milhões de euros entre 2002 e 2006, em activos corpóreos. Só que se ficaram a dever Quarenta Milhões.


Mas o mais grave é responder,a :- investiram-se em quê?
Em mudanças profundas no sentido de dar resposta às novas realidades sociais com que nos defrontamos? Dinamizámos um processo de mudança de atitude? Fomentámos uma participação empenhada para resolução de causas comuns?

Socialmente o que foi feito? Em solidariedade o que foi gasto? Em apoio aos mais carenciados o que investimos?

Foi um gastar por gastar. Onde as obras não se justificam por serem válidas, mas tão só «porque foram as mais caras …»

Em definitivo, nestes anos comprometemos todo o modelo de desenvolvimento iniciando o nosso processo de decadência. Devíamos fazê-lo com indignação.Ao contrário, fazemo-lo com um encolher dos ombros. Para muitos um bem-estar.

Todos sussurram a podridão do regime local; mas quase todos se dão bem vivendo numa sonolência, no desprezo pela ideia que poderia ajudar a mudar.
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MMI ,ENRIQUECE-SE


No passado sábado, tivemos o gosto de visitar a exposição da Colecção do Cap. Marques da Silva, no Museu.

No Cap. Marques da Silva confluem predicados que o enformam como uma das figuras interessantes dos saberes náuticos; e se o saber já é de elogiar, porque é real e provindo de experiência feita, em Marques da Silva é, ainda, de elogiar o singular mérito posto na transmissão desses saberes, Quer nos livros, onde com uma qualidade muito apreciável e de uma forma profundamente didáctica foi registando -e ensinando – os segredos da arte do velejar nos barcos de então, quer na sua inquestionável habilidade manual, onde umas mãos de ouro servem o rigor de quem pretende reproduzir com absoluta fidedignidade. Respeitando planos e regras, baixando aos pormenores, às minudências, quase parecendo um profissional da maqueta, Marques da Silva assume um permanente exercício de pedagogia aplicada.

O Museu Marítimo consegue, assim, um notável acervo; que integrado no restante, pode ter a projecção que merece.

A exposição contou com um catálogo que a nosso ver pecou apenas pelo desajustado preço, face ao que certamente se pretendia: a divulgação. No resto, perfeito, graficamente muito bem conseguido, anotado com rigor.
O catálogo foi certamente um justo prémio para o Cap. Marques da Silva e para a sua elogiosa atitude. Contudo, julgamos, que tal não deveria inviabilizar a feitura de um mais simples catálogo (?) de divulgação da sua obra, gratuito e de acesso universal a todos os que visitem a exposição, para lá daquele grupo de amigos (e admiradores) que ali compareceram.

Enfim uma boa jornada. De parabéns o Cap. Marques da Silva e, também, o Museu.

ALADINO

quinta-feira, abril 03, 2008

Saudades de mim, menino



Ai barcos, ai barcos

Triste é vosso negror,

Por onde ides navegar?

Que espreitais ?! ...

Pelo olho que levais na proa.

Ai amores, ai amores

Da ria amada,

Ai amores do verde pino…

Ai saudades de mim, menino,

Levai-me no vosso vagar.


Senos da Fonseca
(Março 2008)

segunda-feira, março 31, 2008

COMO VAMOS DE SAGE?...

Quando olho e me detenho a observar o que bóia por aí, na política, não posso de pensar no sophos de Platão.

Como é possível que quando ainda o tempo era menino e moço, ou o novo tempo ainda nem sequer tinha ousado, e já alguém pensava que o poder (só) deveria ser atribuído aos que sabem.

E entre outras coisas ensinava-nos que o politico sagaz – sem ela não há politico que se afirme -não pode ter só e apenas conhecimentos mas deve-lhe, sobrar temperamento.

E correcto é concluir que aqueles a quem falta o dito, são incapazes de governar. Porque tendem, ao menor espirro, a inclinar-se sob o poder, incapazes de combater os que só têm razão na multidão.

Para Platão não haveria governo se os que mandam não tivessem um pouco de filósofos -ou até – melhor seria, que os filósofos chegassem a reis.

Se assim fosse, estaríamos livres de uns carroceiros que do uso do poder só têm a visão do exacerbar de um ego patético, lerdaço, génios na patarrela mas medíocres na cidade.

Lá vamos. Esperem só um pouco…
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EIS O HOMEM!

Dizia Platão que a politica era a arte de criar rebanhos, os quais se dividem em animais cornudos e não cornudos e, depois em bípedes e quadrúpedes. (…). A política é a arte de conduzir bípedes sem cornos e sem penas.

Foi preciso vir Diógenes com o candeeiro a atirar um galo depenado para o meio da academia e gritar «Eis homem de Platão»

Depenado sim; com cornos era indiferente. Porque, lá que os hay…hay…mas não o sabem. Ou sabem-no mas não se importam.

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CRESCE O QUÊ? - Só se for o cabelo…

Acabo de ouvir na televisão «Há uma coisa que cresce …cresce…cresce…»

Estes publicitários são uns exagerados. Que insistência. Não lhes chegava dizer «Há coisas

Em que era expectável que crescessem …»


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ESTRANHO ESTE VOLTAR DE CARA À VIDA….

De repente chocamos com pessoas por quem passámos uma vida e a quem, sem darmos por isso, nunca demos grande atenção, nem sequer nos detivemos para lhes dar uma palavra de encorajamento, tão assoberbados andamos a pensar que o importante é o nosso mundo.

Sou -ou contínuo – incorrigível. Atento numa pessoa e é como se ela (ou ele) passasse a fazer parte, imediatamente, do meu mundo. Consigo descortinar, ainda que por várias razões, que não há pessoas desinteressantes. Nós são que nem sempre estivemos atentos para as diferenças.

E ficamos a olhar, a saber como é tarde para estabelecer pontes.

Aladino

sexta-feira, março 28, 2008




SOMOS PORTUGUESES E BASTA… (2)


Fustigamo-nos, continuamente, flagelamo-nos seja em tempo de Paixão, seja fora dele. Sem ter do exterior um olhar crítico (o que se aceitava quando encerrados no Salazarismo, mas incompreensível quando hoje convivemos num mundo global da sociedade da informação), fazemos de um mosquito que nos cai no olho, o alarido de que, afinal o que nos atingiu foi, certamente, um elefante. E tanto chocarramos essa distorção que perdemos o espírito critico para nos interrogarmos se os elefantes voam.

1- Caso do vídeo

Já me entrou portas adentro, centenas de vezes. Desde há quatro dias que mesmo em zapping, não lhe consigo fugir. Estou farto da vulgata.

Com ele se deu a ideia que era algo de inédito, virgem, merecedor, por isso de repetição até à exaustão.Só por hipocrisia é que poderíamos vir clamar a ignorância sobre um fenómeno que começou há já muitos anos, e que se vulgarizou, aceite em silêncio por uma Escola (tudo que a compõe, note-se, não apenas e só os Prof’s) comodista, apática, permissiva e ausente. De que ouvimos falar continuamente e de que todos os que têm familiares na Escola, conhecem a imagem de cor e salteado.

Ora a meu ver, o problema – e isso é que deveria ser discutido – é exterior à Escola.
Mais: é comum – vulgar! – em todos os Países que não souberam superar os efeitos nocivos da sociedade de consumo.
Aos alunos antes da idade escolar falta educação, porque os pais também já primam pela ausência dela, e porque à medida que o tempo avança, essa carência se vai sentindo com mais acuidade, avança exponencialmente.

Comos Pais entontecidos pelo consumismo – valor (?!) que os miúdos interiorizam rapidamente – vive-se só para a posse, seja a que preço for. A posse sem limites e ou freio ou barreiras. Tudo parece lícito, quando feito em seu nome. Agregados familiares rapidamente desfeitos, porque o sentido do usa e compra um ultimo modelo, se transfere para os afectos, desfazendo-os, pulverizando-os, toldado o espírito pela paixão de um punhado de novos pixels, ainda que poucos e nem sequer testados. Os miúdos ensarilhados nesta mudança continua – e continuada – ficam entregues, desde muito cedo, a si próprios, vivendo isolados com – e para – os seus gadjets. Brincando sós e até sem amigos, porque os amigos que hoje criaram com os seus Pais, mudam em pouco tempo e aparecem os novos amigos que os novos pais lhes trazem porta adentro, numa rebalderia que parece não ter fim. Afectos ,foram-se...


Aladino

(PS: Durante o tempo (20 min ?!) em que escrevinhei o que fica dito acima, o vídeo passou meia dúzia de vezes.

quarta-feira, março 26, 2008


PULSO LIVRE


Tive o grato prazer – e até deleite -confesso, em ler com antecipação a edição do opúsculo contendo a mensagem que o nosso conterrâneo, Dr. António Malaquias, irá transmitir aquando da apresentação de «Pulso Livre», de Frederico de Moura.

Bateu certa a minha previsão sobre a pessoa mais indicada para enquadrar o esplêndido livro de Frederico de Moura. Difícil fazer melhor, senão impossível.
Porquanto A.M. junta à prodigalidade da forma como avalia o autor, um conteúdo exaustivo e subtil da personalidade daquele “que o que queria é que fossem libertados os «rústicos» de toda a espécie de grilhetas que os atormentavam». E que não gostava de se ater entre varais, e que até gostava de ter opiniões diferentes. Avaliação fundamentada em um contacto directo, próximo e até familiar, que leva o introdutor à leitura do «Pulso Livre» a sublinhar –o que reforça a nossa opinião –que não chega o passar-lhe os olhos por cima ,à vol d’oiseau ,sendo imperioso lê-lo ,mastigá-lo… e saboreá-lo. Pois só assim poderemos apreender a bonomia das deformações humanas, que sendo no livro (hiper) sublinhadas – que uma leitura apressada nos poderia conduzir a uma acentuação excessiva dos males – são antes uma expressão estética, subtil, de um olhar para o homem como resultado do meio em que se insere, «rústico» na superficialidade, mas xaroposo, doce, na verdade interior. E para o qual F.M. olhava com o mesmo desvelo paternal, idêntico ao que aquelas gentes dispensavam ao bulir do milheiral para lhe retirar as danosas, ou no gadanhar da leira para aconchego dos seus animais.

O opúsculo que em boa hora se entendeu registar, merece, ele também, uma leitura atenta.
Tem momentos de louvável ternura à mistura com outros de deliciosa erudição, orlada de citações tão a propósito, e tão bem enquadradas na prosa doce, que não resta outra atitude que a de nos deixar enlear, até ao fim, na dialéctica deste mestre, algures refugiado na sua toca que pena! – e que dela saiu para nos deliciar com a sua leitura do «Pulso Livre». Mas e fundamentalmente com a leitura que faz do autor, numa elegia à sua inquieta identificação com as raízes e as gentes da sua criação, impermeável a todas as deformações que lhe obliterassem, ou distorcessem, a fidelidade que parecia-e assumia- dever ao seu chão.

Com esta motivação acrescida, conto ansioso pelas horas que faltam para ouvir falar de um Amigo que me tratou, tantas vezes, a mim – rústico de tantos saberes – dos meus excessos racionais, levando-me a entender que o mundo é fascinante desde que o olhemos com óculos adequadamente prescritos.
Senos da Fonseca

terça-feira, março 25, 2008




SOMOS PORTUGUESES, E BASTA…

Um dia, já lá vão cinco séculos, anunciaram-nos que tantos tinham sido os feitos, e tantas as glórias alcançadas, e tanto fora mundo dado ao Mundo, que dali em diante, nós, Portugueses, não precisaríamos mais de trabalhar (a sério). Abençoados por providência divina, encarnada no nosso excelso e venturoso Rei, teríamos daí em diante, direito a, pelo simples abano da árvore das patacas, e à sombra de uma palmeira, deitados, obter sem cansaço de maior o que precisássemos para sustento – e gozo!...

Já no século XX, vieram de novo uns tantos arautos apregoar que não era preciso trabalhar afincadamente pois que os eram os ricos são que iriam pagar a crise. Viu-se...E quase todos acreditaram que não era preciso trabalho, mas sim, emprego

O País encheu-se de Corporações. Cada qual a ver se melhor amealhava benesses. Individualizar nunca! avaliar : jamais!

Então, perdida a oportunidade de descentralizar para que cada nesga do país, perdido o Império, deitasse mãos à vida, cada uma tentando por si e para si, o melhor, todas as Corporações se ajuntaram na Capital, aí acampando, com o patriótico – dizem! - intuito de fazer bem perceber ao Governo (aos sucessivos governos), que este (s) só manda (m) no que aquelas deixam, de fora. E quando um deles se atreve a refilar, dá de convidar a malta - e primos, amigos e namorados -, pagar-lhes o trem e até uma bucha, distribuir-lhe umas bandeiras e pô-los a gritar um slogan:
A vontade é tua…Governo para a rua!
Nada de muito novo.
Salazar de vez em quando ensaiava «folclore» do género, para proveito próprio. Mas a multidão tanto vai num sentido como noutro.

Governar pelo espectáculo (força) da multidão. Num caso era para dizer que sim; agora é para dizer que não. Valha-nos isso, ao menos.
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E ASSIM SENDO…



Dos trocos que crescem na distribuição do bodo aos ricos, o Governo serve apenas para, parcimoniosamente, os ir, a conta gotas, distribuindo aqui e ali, preferencialmente nos locais onde a gritaria for maior.

Por cá leio em «O Ilhavense», ano após anoconto já doze !..., que,

localmente as alfaias de trabalho foram postas de lado, desistindoa as Instituições de se afirmarem fortes e independentes, arrastando a população a acreditar que o que nascia era produto da vontade colectiva local e, por isso, dum modo mais claramente visto, obra sua. E assim tudo o que nascia era pertença colectiva. Primeiro mostrava-se trabalho.E depois não se pedia: exigia-se apoio.
Agora passámos a olhar para o Estado, para o Governo, com a ideia de que tudo de ali virá, UM DIA!
Queremos um novo Quartel de Bombeiros?!: pedimo-lo ao Terreiro do Paço. Queremos uma Misericórdia: requisitamo-la a Lisboa. E pomo-nos a assobiar, à espera que UM DIA! no-los dêem, sem mexer um passo, ou suar um dia.

Esperamos. Esperamos mesmo que passem anos – muitos anos! -, ainda que repetindo todos esses anos:- para o ano é que vai ser. (querem dizer: vem aí a paparoca…)

Esforço e rasgo individual, sacrifício, entrega: -foi-se. Compra-se tudo feito.
Os portugueses – de todas as partes – sentem que é mais cómodo estender a mão na pedincha, do que levantar o braço para trabalhar. E como têm da vergonha um raro sentido diletante, não se importam de se eternizarem no acto de estender o braço.

Tornámo-nos uns abanadores da árvore das patacas, impenitentes. Mais grave: - desavergonhados

ALADINO
(Cont)

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...