sexta-feira, setembro 12, 2008

Fim de Verão…Voltando á «Terra da Lâmpada»(TL).

Retirar um tempo aos trabalhos onde me envolvo, às vezes inesperadamente, permite uma olhadela ao Blog, e dentro deste á Terra da Lâmpada.
É tempo de regresso, de aviar as malas e emalar a trouxa, e á falta do carro do «Zé Pachacho» para levar a tralha, vai-se de pó-pó, o que é mais depressa :e por isso tempo de olhar para a T.L com um olhar mais atento.
No Jornal «O Ilhavense» apareceu o anúncio da Venda da Quinta de Alqueidão. Assim vão desaparecendo, aos poucos, pedaços da nossa história, sem quase nos apercebermos de tal desaconchego. A esta hora, João Sousa Ribeiro ,o Capitão – Mor de Ílhavo, pai da pátria (lagunar), deve estar a revolver-se no túmulo. Tanta honra, tanto alarde na casa senhorial d’ «Alqueidão, para agora ser retalhada em lotes.
Mas o que tem de singular este anúncio, é sugerir uma leitura de algo misterioso e ainda não explicado, que é o da pertença do lote (?!) da referida Quinta, o local onde foi edificada a Biblioteca Municipal. Que o Tribunal veio sentenciar ser propriedade do Construtor Civil, de quem se dizia, a Câmara o ter recebido a troco de (não se sabe de quê, ao certo). Comprou mas não pagou (ou não cumpriu com o prometido, o que vai dar ao mesmo), e agora o terreno reverteu (inapelavelmente) para o dito empreiteiro. E o que está nele edificado (na nova demanda judicial em curso), poderá ter de ser demolido (como é expressamente pedido na referida demanda).

Então a que diz respeito este anúncio de venda? Ao local (e ao que lá está indevidamente aposto), ou só ao terreno que nos impingiram ser o local para construir o Palácio da Justiça (cujo protocolo com o Ministério da Justiça nos disseram ter sido já assinado (?!)) Haverá por aí alguém que ajude a clarificar esta trapalhada? Então como se compreende a emissão de licenças de construção, e se recebem comparticipações para a mesma, quando sobre o terreno pendiam ónus ainda de todo não resolvidos? Alguma vez isso poderia suceder com um particular?
E quais serão(de momento) as preocupações do partido da Oposição (P.S) que permite (até hoje) o silêncio em vez de nos explicar o que andam os seus representantes por lá a fazer,na Câmara, sem obrigar a que entidade hierarquicamente superior venha esclarecer o imbróglio?
Coitado do major Valentim. A ver cada vez mais próximo o dia em que verá o sol poalhado de ferrinhos, por muito menos. Comparado com o Tenente Lateiro (e que lata!), da «Terra da Lâmpada», o major é um cabo raso, um aprendiz.
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O «PIMBA».

O PIMBA (Projecto Imobiliário da Marina da Barra), volta a ser notícia. O R.E já tinha ameaçado (curioso nuè?!) com a pipa de massa que o Promotor iria exigir ao Estado, por este lhe ter negado o projecto Imobiliário delirante, que a CMI, e R.E, promoveram, (e a Câmara pagou!). Muito mais do que o dito.
O Projecto no seu todo está chumbado, e bem chumbado. Pode voltar – e voltará – mas reduzido à sua essência inicial, que era o de fazer uma Marina inofensiva para o ambiente, e útil para as finalidades do Turismo sustentado da Laguna (há vinte anos que o vimos sugerindo). Imobiliário– já o afirmámos tantas vezes -terá de ser algum. Mas com conta peso e medida. E sujeito a uma clara e inequívoca definição, e condição: -pousado em terra.
As trapalhadas da gestão da APA, praticadas pelo «socialista» Raul Martins – um perfeito incapaz, inapto e descabelado homem do aparelho partidário distrital, que um dia se viu nomeado para a Presidência daquele organismo, apenas e só por razões politicas -, culminaram com o fervor e a pressa do «socialista» Cravinho, e daí as trapalhadas de um concurso internacional (?) feito á medida de um mestre-de-obras, habituè e expedito em alimentar a sua estrutura empresarial com as obras portuárias.O concurso antes de o ser já teria (?) destinatário apalavrado, infere-se das candidaturas que não apareceram. E quando assim é, sabe-se na gíria, porquê…
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O PIMBA, MIRÓ E MOEDAS RARAS…
O suporte financeiro do projecto PIMBA era do BPN, que vendo sendo notícia recente com a indiciação da prática de ilícitos em fase de investigação, consumados na Presidência de uma patética figura nem sempre referenciada pelos bons motivos, mas isso sim, profundamente comprometida com os diversos barões do PSD.
Ora hoje a Comunicação Social dava conta que o actual Presidente, Miguel Cadilhe, para salvar o Banco de possível dissolução, resolveu vender muitos dos activos, e destes, para lá das pinturas de Miró e da colecção de moedas raras (euro 2004), alguns projectos em carteira, de «finalidade duvidosa».
Estou na expectativa de saber se os 49,9 % do PIMBA (mais do que duvidoso, pateticamente escandaloso), detidos pelo BPN, foram alienados, e nesse caso quem se teria proposto à sua compra?

Ora aí está uma boa altura para a CMI, de R.E - que tão farta de recursos deve andar, tantos e tão inimagináveis gastos tem levado a cabo - os adquirir, e fazer com os Irmãos Cavaco uma parceria público – privada. Coisa que parece ter sido o poço de petróleo achado na pinhal da Amarona, que lhe vai permitir continuar a cantar e rir…como a cigarra tonta.
E por hoje basta….
MAS HÁ MAIS…
Aladino

terça-feira, setembro 09, 2008


A visita ao S.Paio

Segunda –feira, mal ataviado e mal informado ,procurei, contudo, não faltar ao encontro anual com o Orago.
Desamoirei
o «Costa-Nova», essa beleza de bote de fragata (já agora aqui fica a informação, pois andam sempre a perguntar-me que tipo de barco é aquele), icei velas e, toque- toque – no caso bole-bole que o vento estava mareiro- em duas horas e meia atracava o C.N. ao cais dos pescadores, na Torreira.
A meio da singradura, na ilha da Testada descobri dois enormes bandos de flamingos, que sossegados - tão sossegados que nem reagiram ao meu pum-pum! para ver se os fazia levantar, e assim admirar o deslumbrante espectáculo daqueles pernas longas ,rosados, flaps em baixo, a ganhar altura - procuravam a mariscada que lhes dá os salpicos da plumagem





Os Flamingos


Chegado á Torreira, o foguetório estreloiçava no ar, avisando que a festa ainda ia a meio. E a procissão, também, pensei eu de que ….
Amainadas as velas, trincados os cabos, arrumadas as tralhas, fechados os paióis de proa e ré, olhei espantado para uma série de bateiras embandeiradas que se faziam ao regresso. Interrogado um amigo com quem regateei (?!), em tempos, no Moliceiro «O ilhavense» - paz á sua alma e a quem assim ordenou o seu fim, o de apodrecer no cais da Bruxa - fui informado que a regata dos «Chinchorros» em que eu pretendia participar hors – série, se tinha realizado no sábado.
Bem, engano por engano - um homme nasce p’ra ser enganado, se for que não se importe



Cangas há muitas!

! dizia o Felisberto «Ógado da Inês «Mamalhuda» -que até de vaca era corno! -decidi render de imediato visita ao S.Paio, não fosse ele levar a mal, a falta de urbanidade. E com santos, nada hácomo os não indispor, que zangados podem atirar cá para baixo alguma maroteira.
A procissão, essa, já não ia no adro, pois tinha era acabado. Os andores jaziam já encanteirados dentro da igreja, ainda exuberante e prodigiosamente floridos, exibindo, ao lado, um dístico: Proibido roubar flores. Sem mais. Que raio ?! Lá que se roube um Multibanco, eu compreendo. Mas uma flor(?), flor, não das outras, está bem de ver!.. Se ali estivesse a Manelinha Leite, aproveitava para afirmar com aquele ar de beata empedernida: - a onda de criminalidade já chegou ao interior dos lugares de culto, tudo por culpa desses maçons socráticos.
E foi então aí que vislumbrei o Sampaio, não o pequeno e mulato S.Paio, avinhado como uma linguiça, escurecido por tanto baptismo com tintol.
Este Orago tem uma história.
A Torreira (meados séc.XVIII) é um pouco mais nova que a Costa-Nova. Começou por ser um ponto do litoral onde se empregou a Xávega. Ora, conta a tradição que um dia, na coada de uma das artes, terá vindo arrolado um santinho de pau, com rosto de criança, que logo foi adoptado para orago, por aquela gente da borda. Companhas sem orago, não puxa remo . O ser o orago, uma criança, até teria as sua vantagens, deveriam ter pensado aquelas gentes. Mas para o que eu não encontro explicação, é para o facto da tradição, mandar verter almudes de vinho sobre a criança-santo, despejando-os pela cabeça abaixo do pobrezito, a tal ponto que as faces rosadinhas tomaram uma cor arroxeada que mais parecia provocada por cirrose de figadeira empapada em vinhaça, a que só faltaria uma cebolada para dele fazer umas excelentes iscas.
Ora o S.Paio é santo de muita devoção lá para a Galiza. E eu acredito, mais, que aqueles que trouxeram as artes grandes no séc.XVIII, para estas bandas, teriam trazido com eles o santinho, dando conta do seu feitio milagreiro. A entrega do santo deveria ter tido festa de arromba. E copos a mais.Ás tantas foi um banhada. E daí a tradição foi o que foi .Mas ao que parece, já não é…
Voltemos ao rendez – vous:
No andor estava o Orago, que muito embora exiba a cara de menino, tem um corpo de rapaz espigadote. Estive tentado a dizer-lhe: -Vai chamar o teu irmão mais novo. Mas como nisto de falar com santos, não sei em que dialecto se faz, decidi antes inquirir uma santa, que ajoelhada em frente do irmão mais velho, se lhe encomendava, confiadamente.



O S.Paio (espigadote)

-Olhe por favor, não me sabe dizer o que é feito do santinho «bebedola»?
-Está guardado….
-Então porquê? Não me diga que têm medo que o roubassem…adiantei eu, com cara de santa ingenuidade.
-Pois olhe o senhor, que até «assucedeu», uma vez….Uns «escaramentados velhacos», quiseram levá-lo p’rá Aveiro….Mas não é por isso. É que faziam –lhe uma tropelias e o Sr Prior achou por bem acabar com elas…
O santo não compareceu ao encontro, não por sua culpa ,que até devia de gostar desta visita de um ateu, respeitoso, seu conhecido e com quem mantém bom relacionamento desde há mais de cinquenta anos. Paciência…
Como habitual dei uma volta pelo arraial da feira antes de entrar numa das muitas tasquinhas para a bacalhauzada do costume. São dois quilómetros de barraquinhas das vendas.
Tudo de marca(?!): malas Versage, óculos Raybam, camisolas La Coste, Calvin Kleiner, etc. etc. Este ano proliferavam, contudo, os hair dressers a anunciar:
Fazem-se TERERÉS e RASTA
Nas vendas de roupa, por todo o lado se exibiam body’s para todos os gostos e tamanhos: vermelhinhos como as «papoilas(ih,ih!) saltitantes» do Benfica, negros como a Briosa, ou branquinhos como as pombas que pretendem engaiolar.
Dei comigo a apreciar como uma Murtoseira avantajada, daquelas que só debaixo de um capote de Varino disfarça os refegos, mirava e remirava, tirando medidas a um dos vermelhos, tipo fio dental. Não entendi lá muito bem – ou imaginei - como seria a troglodita vestida (despida), com o bodesão a conformar-lhe as regueifas. Ainda se fosse ás riscas.O que estaria ela a pensar fazer com aquele body extra largo? Dei tratos de polé á minha imaginação que dizem fértil, a pensar no que seria o ataque do bode (salvo seja)
Mas a verdade é que na feira se encontra tudo.
Por exemplo: - eu que me vejo atrapalhado sempre quero comprar uns boxers (fino não é?!) -XL, lá, tinha ao dispor a medida XXXL. A 5€ a molhada. Não podia perder a oportunidade, até porque a marca era convidativa: «DESPERADO», assim mesmo. Elucidativo,quando um home se vê com as ditas na mão…
Adiante que estamos a falar de coisas sérias...…
Regressei ao cais. Foi aí que deparei com um grupo especado, embasbacado, contemplando o «Costa-Nova». Claro que quando cheguei meteram conversa, inquirindo onde tinha eu ido buscar aquela maravilha. Palavra puxa palavra, e eis que do grupo, há um velhote simpático que me atira:


O «Costa-Nova»

-Pena é que tenha sido pintado «à moliceiro». Foi lamiré bastante para eu já o não largar…
-Então mestre diga-me porquê…
-Olhe: - ali e ali faltam os botões de rosa; ali, àquelas letras falta-lhe ressaimento, e no painel de popa falta a corda da embelezadura. E a bica não é pintada em preto.

Fiquei espantado: andei eu na semana passada a dilucidar sobre as diferenças, levando horas a ensaiar a dissertação, e o homenzinho, um pintor de Varinos, Faluas e Fragatas, explica-me, ali, tudo bem explicado, em duas penadas. Ora era exactamente como eu pensava ser. As diferenças são, de facto, abismais.
Então abri o jogo e lá lhe expliquei que eu sabia a diferença. Só que não podia levar o barco todos os anos à Moita para ser pintado por mestre. E assim, tinha-me socorrido do que havia (do melhor!) por cá. Como não havia outros para acomparar, fiquei-me pelos mestres de cá, e o barquinho faz um vistão. Pudera…
Conversa puxa conversa, e quando dou comigo – e com o «Costa-Nova» - velas içadas, ambos desejosos de regressar para trazer cumprimentos do orago á Srª da Saúde,o CN estava em seco, encalhado, abusacado no lodaçal.
-Estou bem aviado, pensei. Agora vou passar aqui a noite. Resolvido lá me atirei para o lodo.e zás fui por ali abaixo. Espetado até à cintura, eu já queria, era ao menos, saltar para dentro. Mas o que vale é que por aquelas bandas tenho muito conhecido. Lá vieram quatro deles, safar-me: -a mim e ao «C.N».
A calmaria apanhou-me entreáguas, e lá arrolei com a maré e com um sopro de vento, até ao CVCN.
Lancei mourão às dezanove. Tempo de tirar as arrufadas da bica da proa; o Clube estava vazio. Parecendo «O Ilhavense» no cais da Bruxa.
E eu descontraidamente lá vinha para casa todo sujo de lodo, quando ouço uma voz:
-Onde é que vai de cuecas?!
Então não era mesmo verdade que despidos os calções …por causa do lodaçal, eu nem tinha dado que vinha naquele preparo!....
Ao menos se estivesse atento, tinha calçado as «Desperadas».
Mas no fim, cumpri a minha promessa. As contas com este estão em dia.

Senos Fonseca
Setembro 2008

quinta-feira, agosto 28, 2008

«O PITO»
ELEGIA DESSA VITUALHA BEM PORTUGUESA

Falemos hoje dessa vitualha que faz parte do cardápio tradicional do portuga, que democraticamente se apresenta, sem distinção, que não em quantidade, está bem de ver, à mesa do pobre o do rico: «O PITO», que por muitos também é apelidado de franga.

Há muitas e variadas maneiras de preparar um Pito. Desde logo depende da idade do dito cujo, já que os Pitos à medida que medram na idade medram na qualidade. Mas atenção: -isso é só até certo ponto, a partir do qual se tornam rijos, engelhados, secos, só comestíveis se a fome for danada.

«PITOS» de farta plumagem e outros carecas. Em norma trata-se apenas de sinais exteriores, já que interiormente tal aspecto nada tem a ver com a qualidade da xixa. Ao tacto, quando se afagam antes de se lhes meter o facalhão, um PITO de plumagem encaracolada pode proporcionar requintada fruição sensorial, e até permitir ousados e antecipados, e efésios, gozos, antes do repasto final.

«O PITO» pode comer-se de faca e garfo usando a mesa mesmo atoalhada a rigor para o pôr a jeito, isto é à beira da dita, de modo que o acesso, seja bocal, manual, ou se apressado lhe escanemos uma coxa para cada lado e mesmo de pé avancemos com a sua degustação. Neste caso há que ter cuidado pois é fácil trilhar as norsas ou os botões na esquina do tabuado, o que pode interromper a folgança antevista.





Proa de um Moliceiro:sítio aconchegado para uma boa Festa





Há quem à boa moda lhe agarre pelas coxas esmeradas, macias e túmidas, as aparte, e sem outro instrumento que não seja a língua afiada se atire mais intencionado a gozar com o molho do seu preparo, que escorre por entre vales e profundezas, do que propriamente com o festival do peito da franga, que diga-se não é nada de enjeitar.

Bem pelo contrário, há mesmo quem prefira começar por estes, pegando-lhe pelas asinhas, puxando-as um pouco para trás de modo a que aqueles ressaiam em todo o seu esplendor, fartos e espigados, convidando a debicar na farta febra, deixando os baixios entre coxas para final do festival gastronómico.

De um modo geral «o PITO» apresenta-se sempre estendido de costas, exibindo as suas partes podengas para o comensal, que desse modo o pode apreciar com mais pormenor. Mas há também quem o goste de voltar de barriga para baixo, pois desse modo a arquitectura carnal do dito exibe-se com mais propriedade. E tal posição, ao contrário do que se pensa, não complica o acesso da tesoura da poda. E há mesmo quem deslumbrado com o que lhe é mostrado, por vezes se contente com o bochechudo e não menos saboroso postigo traseiro d’ «O PITO», entreaberto sem grande pocema e alarido por parte da dona do dito, já habituada a que lhe comam aquela parte, quase sempre destinada ao dono da capoeira.





Há maneiras e...maneiras de pedir «Pito»



Há os que mais lambisqueiros não se contentam com «O PITO» só por só. Para isso fazem-no acompanhar por outros grelos, em mistura, dando uma bicada ora num ora noutros frangainhos, de modo a desenjoar do adocicado que às vezes macula o repasto de um galfarro.
Para preparar «O PITO» deve seguir o seguinte procedimento: vá a um galinheiro bem recheado. Escolha «O PITO», mais jeitosinho. Nem muito gordo nem escanifobético. Nem muito novo (mínino sixteen ) nem muito velho (embora ás vezes aqui haja verdadeiras surpresas).Agarre-o e apalpe-lhe a plumagem. Acaricie a mesma, doce e meigamente, apreciando como à medida que o vai fazendo, «O Pito», ao principio desconfiado com o que julga ser chegada a sua hora de ir ao castigo, começa pouco a pouco a enlapar. Há uns mais resistentes. Quem não tiver paciência, torça (meigamente) o pescoço ao animal, para conseguir o seu sossego. Não aconselhamos –ou até denunciamos á protectora dos ditos - quem ouse tal .Pois «O PITO» só é bom ,se se entregar à degola, voluntariamente, e de cara alegre. Antes de lhe espetar a faca ,convença-o que o sacrifício é honroso e que do mesmo podem advir diversas benesses. Tenha contudo cuidado em não prometer mais do que as suas posses sejam capazes de cumprir. De seguida, depene-o. No polivan dá um jeitão. Aí já ficarão bem visíveis, e á mostra, as qualidades, que nem sempre uma farta plumagem permitem perceber. Não se esqueça de nos preparos, polvilhar com sal q.b.,pois nada há de pior do que comer um «PITO» desenxabido. Ponha-o em brasa, sem contudo o deixar estornicar. Vá-lhe dando as voltas, ora por cima ora por baixo, de modo que chegada a hora de lhe aferrar a dentuça todo «O PITO» esteja au point. Isto é:- um figo de mel, madurinho ,a pingar aquele odoroso e saboroso leite de anjos. Ele cairá de maduro, pronto para ser papado. Pape-o mas não abuse, porque que pode empaturrar-se .Coma «PITO»,regularmente, mas não abuse.«O PITO» é bom para a saúde. É comida recomendada, mesmo para doentes. Claro que para estes, uma canjinha chega. «PITO» …pito, nem vê-lo Só cheirá-lo.


Use mas não abuse...


NB. Qualquer interpretação descontextualizada, distorcendo ou enviesando a intenção do autor, é da pura responsabilidade do leitor. Não leitor; não falei daquilo, em que já …só pensa…

Aladino

segunda-feira, agosto 25, 2008



Pedaços da História da A.H.B.V.I


Em 1932 ,numa altura em que se gerou um grande movimento em torno da AHBVI ,visando instalá-la na sua sede definitiva, na Rua Manuel da Maia, a Direcção da Instituição afadigava-se em reunir ajudas materiais para fazer face ao investimento com tal obra, independentemente de contar com grandioso apoio da Câmara de Dinis Gomes.

A AHBVI ,fundada em 1893 por iniciativa de meia dúzia de ilhavenses, de onde se destacavam o Dr Francisco Moura ,seu primeiro Presidente,







Dr F.Moura



António Encarnação Júnior (seu 1º Comandante) Henrique Cardoso Figueira, Anselmo Corujo e Joaquim António Bio, albergou-se em diversos locais ao longo dos seus primeiros anos de existência. Primeiro num edifício perto do Largo do Oitão, propriedade do Ten. Mendonça. Logo depois ocupando parte do r/c do prédio da esquina da Praça Mouzinho de Albuquerque ,propriedade do Cap.Bagão , onde mais tarde esteve instalada a loja da D.Lidinha. Daqui passou para a Capela ,para o r/c do prédio da Srª Cartaxo, de onde saiu para se instalar num edifício integrado no Mercado Municipal (1926), do lado nascente.


A AHBVI no Mercado


Durante este período a bomba manual (hoje em exposição no Quartel, verdadeira peça de Museu) foi albergada em local, na actual Rua St António , numa garagem onde mais tarde esteve a oficina do «Artistinha».





O Projecto inicial do Quartel de 1932

Em 1932 o quartel e a sede foram, então, instalados na referida Rua Manuel da Maia ,em prédio construído de raiz para o efeito, mesmo ao lado da primeira cabina de distribuição da energia eléctrica ,erecta em 1926.
Para reunir fundos, organizaram-se, na altura, diversos acontecimentos.
É destes que recordamos, numa foto de 1932, os elementos da Velha Guarda do Sport- Ílhavo ,que na Vista Alegre defrontaram a equipade honra dos jovens da referida Associação. Numeroso publico presenciou a renhida disputa. A Velha Guarda (onde figuravam as velhas glórias do futebol Ilhavense –Beira Mar de 17 Janeiro 1932) entrou equipada de chapéu de coco e papillon, luvas e calção azul,o que fez delirar a assistência, especialmente a numerosa claque feminina.

A Velha Guarda do Sport-Ílhavo


1ºPlano:M.Mendes,Evangelista Ramalheira, M.Oliveira, Carlos Marcela, Bento Capote, João Sousa (cap) e J.Ramalheira (ZUCA);2ºPlano Manuel Balseiro,Manuel Fonseca,E.Vieira,Frente Leopoldo Sacramento

Resultado final (sem favores do arbitro que se tinha retirado, acreditando no fair-play dos jogadores em campo),foi de 3-2, favorável à Velha Guarda.

SF
Agosto 2008




quinta-feira, agosto 14, 2008




Os novos Califas


Dois dos maiores problemas com que se defronta o mundo, residem:

-na Globalização

-no fanatismo religioso
.

Sobre a Globalização já aqui reflecti por diversas vezes, a última das quais, ainda recentemente, no blog de 25 de Julho.

Abordemos o segundo.

Um novo livro de Hugh Kennedy - «La Corte de los Califas»- induz-me a reflectir sobre observação própria, que sempre me intrigou e me despertou a atenção.

Em vários e múltiplos contactos com gentes árabes, por razões de relacionamento comercial, que me obrigaram a visitas constantes a Marrocos, Tunísia e Argélia, dei por mim especado, mas atento, a observar o quanto o vulgar cidadão, árabe, tinha de culto na questão religiosa. Observei com curiosidade que o Corão era sabido, evocado, reproduzido, e até levado à regra,pelo comum cidadão, com um conhecimento absoluto e pormenorizado de toda a complexidade e emaranhado dos seus ensinamentos, o que a meu ver contrastava com o (comum) praticante cristão ocidental, que por norma tem um conhecimento, vago e distante, da Bíblia.

Isso suscitou o meu interesse por compreender um pouco o islamismo.

E do que me fui apercebendo impressionou-me como foi possível, no séc.VII e VIII, àqueles povos árabes, dominarem e propagarem o islamismo do Profeta, por fronteiras tão longínquas e distantes como as do Império Persa, as províncias bizantinas da Síria e Egipto etc.etc Um mundo gigantesco, que ia do Atlântico à China. E fui observando que feita essa guerra das conquistas, como se tratasse de uma Guerra Santa levada a cabo em nome do profeta, me pareceu haver similitudes com a expansão da fé cristã, em nome da qual, mais tarde, os portugueses fizeram crer, ser essa, a intenção primeira da descoberta de novos mundos. Ora, o certo é que hoje se tem plena consciência - e conhecimento -de que, quer uns, quer outros, fizeram-no apenas por meros interesses comerciais, que se sobrepuseram aos fins religiosos.


Maomé e os Califas


Impressionou-me, e dei conta disso no « Ensaio»,a questão dos moçárabes na Península. Apercebi-me que os conquistadores árabes eram, afinal, honoráveis e tolerantes vencedores (para o tempo!).De facto, depois da conquista, os muçulmanos convidavam(?!) as populações a absorver o islamismo,aceitando, compreendendo, e até tolerando, aqueles que não o desejassem fazer.Aceitando que em troca do pagamento de uma taxa ,pudessem conservar a sua fé, e manter os seus ritos. Encontrei com espanto a referência ao facto de, em alguns templos da Península -caso da igreja de S.Miguel, em Aveiro - se praticar, eventualmente, o culto simultâneo do cristianismo e do islamismo.

E assim como aconteceu na Península Hispânica, onde houve convivência entre as duas religiões, também no Egipto se verificou a convivência com os coptos; e na Palestina com os judeus. Assim parece que, paulatina e de um modo inteligente, a adesão massiva ao Corão foi-se fazendo, nos primeiros séculos da expansão, parecendo não haver grande pressa nisso.

"O Profeta"

Apercebi-me como na religião islâmica existe uma especial protecção contra a pobreza extrema. E apercebi-me, ainda, do extraordinário desenvolvimento cientifico daqueles povos, na época da expansão, especialmente –para mim gratificante –da matemática ,da navegação, da construção naval etc. Um extraordinário conhecimento cientifico -que muito útil nos foi! – que contrasta com o estado de uma certa indigência intelectual, hoje patente nestes povos, que parecem querer emergir ,embora nem sempre pelos bons meios, e boas práticas, para atingir esse fim.

É esta reflexão que me leva a ter um pouco de esperança de a actual jhiad possa, ainda, ser despida do fanatismo exacerbado do fundamentalismo religioso que a comanda e parece ser seu objectivo final :- a destruição dos valores ocidentais. E que desse modo se possa voltar à convivência com um islamismo que na sua essência é bem diferente da imagem que hoje dele temos, fruto das práticas abomináveis de alguns dos seus novos califas bem diferentes daqueles da corte de Maomé.


Aladino

quinta-feira, agosto 07, 2008

Inventando os teus lábios


Silencioso este voo nocturno

Nem é dia nem é noite, tanta é a claridade

Perturbá-lo seria trair o instante que indecifrável, passa

Deixo-o seguir viagem


Por mim aqui fico a inventar o espaço

De olhos fechados.

Deixo-o passar. Na sede de adormecer

Inventando teus lábios.



SF (8.08.2008)

terça-feira, julho 29, 2008

EMPRESTAR A RIA (?!) ,OU VENDÊ-LA.
Eis a questão.

Ontem, numa interessante Tertúlia – pelo que ela teve de confronto de posições – falou-se de coisas que poderão comprometer ou descompremeter o futuro da Ria de Aveiro.Na mesa – melhor do lado de lá – estiveram os que alcandorados a postos desenvolvimentistas, tinham -ou têm – por missão, no cumprimento das suas tarefas, o pugnar pelo futuro dentro do modelo estritamente económico, a que se ligaram. Eu compreendo-os …Presentes o Presidente da A.P.A e o Presidente da, ainda, Rota da Luz. E ainda, a questionadora, a Profª D Fátima Alves, que não deixou de colocar pertinentes questões, especialmente à catadupa de planos com que se vem brindando a Ria, baralhando-se uns aos outros, entrechocando-se, rapidamente caindo em saco roto, por inócuos.
Espera-se para breve a definição exacta do Órgão que virá gerir a Ria. Que terá de ser totalmente independente dos interesses que se movimentam em seu torno. Entregar esse órgão à disputa Autárquica, é passar um certificado de óbito à Laguna. Conciliar as pretensões válidas daquelas, as da A.P.A, as da pesca Artesanal, no sentido da utilização da Ria como área privilegiada de gozo da Natureza protegida, a manter a todo o custo, será a função exigível ao referido Órgão, que deverá gozar de autonomia, ser desburocratizado, mas acima de tudo responsável. E se fosse possível – deve sê-lo! – despartidarizado.


Ficou ontem claro que a sociedade civil exige a defesa intransigente da Ria, mantendo e preservando e melhorando, todas as suas virtualidades: - que são imensas. E mostrou ali na amostra, que repudia planos irresponsáveis e ofensivos à estabilidade e integridade lagunar. Vistam a roupagem que vestirem. Mesmo aos que mascarados de cordeiros, à primeira distracção mostram a dentuça do lobo mau. (Para que serão tais dentes ?!).

O P.I.B.A (Projecto Imobiliário da Barra), mascarado com uma Marina, é claramente o produto de mentes subordinadas aos interesses de grupos económicos, o (reles) resquício do 25 de Abril que tarda a ser extinto. Mas será, não tenhamos duvida. Aquele insulto, hoje, mercê da informação saída do esforço de contestação de há quatro anos, tem a absoluta oposição dos que se preocupam com o futuro da Ria .Valeu a pena ! Curiosamente o Presidenta da APA, no seu direito de contraditório, foi o único ponto da charla em que optou por nem sequer pretender, nele, falar. O que quererá dizer este silêncio?.
Seria interessante saber-se…É preciso estar atento. O polvo ainda mexe.

O Dr. Pedro Silva tem o discurso na ponta da língua. Só que o mesmo não resiste ao primeiro embate do contraditório.
Turismo de massa , captação de operadores, «venda» da marca ,etc. etc. ,é saber advindo das teorias de marketing turístico ,lido em qualquer revista. Mas não é, certamente, o modelo para «emprestar» -não o «vender» –, a Ria de Aveiro. O Dr. Pedro se mais actualizado pelo que vai no mundo turístico, se estivesse atento, saberia que a sua grande preocupação deveria ser a de planificar a «CULTURA DA RIA DE AVEIRO». Hoje o turismo começa a transmutar-se para este tipo de nova paixão, que a Internet ajuda a promover. Ora a «Cultura da Ria de Aveiro» – muito para lá dos passeiozinhos ridículos do vou ali e já venho – é de uma riqueza inigualável: a cultura lagunar, das suas gentes, dos seus costumes, das suas tradições, das suas artes, da sua natureza, limpa e límpida. Emprestemo-la para usufruto de alguns, mas guardemo-la, como jóia, com uma relíquia que é, e queremos que seja: -NOSSA.

Quanto á Professora Fátima Alves, eu percebi a sua desilusão com tanto plano. Mas os académicos são, em parte, os culpados. Custa a entender que dificilmente se encontrem, em Portugal, dois sábios com posição idêntica sobre o mesmo assunto. Então poderemos dizer: se um é sábio o outro não o é, de certeza. Verdade Lapalisseana.

Sabe Profª(?) os sábios anda muito promíscuos, eles também mais interessados em vender o seu saber, assoldando-o, do que usá-lo para o bem comum. E a verdade é que os sábios custam muito dinheiro à comunidade. Devem-lhe por isso, respeitoOlhe Prof.ª !.

Pessoalmente não gosto nada da promiscuidade entre a Universidade de Aveiro e a APA.

Acabo: -a Ria de Aveiro foi a circunstância das gentes que somos; que sejamos agora nós a circunstância que lhe proporcionará o remoçar...
Só isso....remoçar...

Valeu a pena, a Tertúlia de ontem. E de continuar. Já o vinha dizendo há um bom par de anos. Talvez repensada, para o período que se avizinha.

Senos da Fonseca

domingo, julho 27, 2008

Senos da Fonseca, errou no paragrafo 8º

-disse ELE (R.E)

Sem direito a contraditório, direi eu,agora, plagiando o meu antigo professor, Dr. Euclides :

-Abóboras …presidente…abóboras .

Não sei se R.E. pensa (?) –é difícil o acto de… eu sei-o … –que alguém ainda o leva a sério. Porque normalmente R.E., não pensa, fala! «E quem fala muito…pouco acerta» lá o diz o opiniático povinho

Porque entendamo-nos,

O paragrafo 8º do Prefácio a «Ângelo Ramalheira –O Rigor Cientifico Numa Personalidade de Eleição»,diz..
(…)
Ora, é a estas comparações que os farfalhos temem sujeitar-se, preferindo deixar os exemplos fechados nos arcazes onde repousam memórias, que não querem recordar..Débeis, temem as comparações. Vivem do escalracho poluído da retórica balofa. E isso lhes basta. Pobres de espírito…
(…)

Disse, e volto a afirmá-lo .

Vejamos :

Já lá vai praticamente meio ano, quando foi feita informação à Câmara da pretensão de honrar o Eng. Ângelo da Graça Ramalheira ,um ilustre «ilhavense» que aquela -e Câmaras anteriores - tinham, pura e simplesmente, descartado.

E solicitada ,então , a cedência de uma Sala para a evocação .E mais:

Sugerido, fosse atribuído o seu nome a uma artéria, e ou praça – tendo-se indicado dois locais - para memória futura.Justificadas as razões.

Parece-me pois, que meio ano ,seria suficiente para decidir, na matéria .Ou não seria?

Os «farfalhos » são pois, muitos e variados….e não só R.E..Cada um que enfie a carapuça...

Só há duas razões para explicar o esquecimento :ignorância ou temor .

Ignorância no caso, não!.Tinham informação, mais do que suficiente.

Outras desculpas –reactivas - remetendo «a coisa», para o modernaço thinking , metendo-a no baú pejado de teias de aranha, é escalracho poluído de retórica balofa .Repito-o.

Enganei-me ?!. Ora ..ora …isso queria eu, pensar «de que»….


O caso é só com Ângelo Ramalheira?

Que o fosse, e já seria merecedor de censura. Mas não é…

Querem outros exemplos:
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Euclides Vaz ,um portentoso escultor, dos mais notáveis do séc. XX, do seu país, onde está lembrado?

Frederico de Moura, um «ilhavense ,aveirense ,vaguense », um espírito humanista de dimensão invulgar, homem de superior cultura e rara capacidade em a tratar de vários modos e em várias vertentes, onde está lembrado?...

Manuel Ferreira da Cunha, incansável lutador pela sua terra, espírito cientifico(*) reconhecido pela França e Itália, feitor da desanexação em 1893, onde foi referido na tardia evocação do acontecimento.E onde está lembrado?

Luís Barreto ,o demiurgo da Costa-Nova, onde está lembrado ?

Filinto Elíseo, de quem crítico de literatura, Teófilo Braga, disse ser o maior cultor da língua portuguesa ,depois de Camões e P.António Vieira; sobejamente enaltecida a sua grande qualidade poética por Hernâni Cidade, no que foi seguido por Camilo, Mendonça Figueiredo etc etc-Filho de «ílhavos».Onde está lembrado?

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Não. Não fui excessivo. Fui apenas - e uma vez mais !- tolerante.

Engolindo sapos …
Mas pelo eng. Ramalheira, um sapo sabe-me a doce conventual.

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E agora que já sabe…?!

Venha lá esse livro .Ao contrário do que pensa,não me amofina.Empolga-me saber que fui o causador, reactivo.

Sabe que mais?

Abóboras….Presidente …abóboras…
Senos da Fonseca

(*) Sobre Manuel Ferreira da Cunnha consultar www.senosfonseca.com na janela FIGURAS

sexta-feira, julho 25, 2008


MARX, cada vez com mais razão.



Mário Soares é citado, hoje, na Comunicação Social, a recuperar Marx.

Parece que andou muito distraído.

Neste Blog -creio que já no ano passado – levantei a mesmíssima questão. Precisamos de recuperar uma ideologia, senão, será o descalabro total.

Marx estava correcto nas suas teorias. Foram é mal aplicadas.Isto é hoje claro: a aplicação prática do marxismo na União Soviética – Marx julgava que a mesma se iria concretizar num país industrialmente desenvolvido, como por exemplo na Inglaterra – deu cabo das boas intenções – e ideias – de Marx. O comunismo duro e puro, centralizado de Lenine (o menos mau), a paranóia terrifica de Staline (o pior) e seus continuadores, até Grovachov (que pôs finalmente em causa o processo) não permitiram que um socialismo cientifico, recuperasse e corrigisse os erros do Capitalismo, que começaram a ser evidentes, logo no início da revolução industrial, dos fins do séc.XIX.

Ora o que hoje estamos a assistir, já o referi várias vezes. O Capitalimo mostra ser autofágico, alimentando-se de si próprio para continuar a sua senda de exploração, agora não já regional mas global. A Globalização incontrolada, exacerbada e hiperbólica, tendo como única regra a satisfação das necessidades do mercado, que ele próprio incute e gera nas pessoas, fazendo-as dependentes do consumismo irracional, seja a que preço for, é feita hoje por processos especulativos sem rosto, e a níveis que fogem já ao controlo dos blocos políticos. Se a paranóia do mercado não for parada, estancada e controlada, este Capitalismo selvagem acabará numa tragédia, de que ninguém ficará para contar como foi.

Hoje o Capitalismo galopa sobre o seu próprio cadáver. Isto é: - para gerar mais riqueza, canalizada só para alguns, muito poucos -que nem sabemos quem são! -, obriga o social a despejar tudo, e a pagar-lhe as dividas, recuperando as migalhas que distribuiu com o único fito de as mesmas voltarem breve à sua posse. Para «ele», para o privado, ficará só a parte lucrativa. E assim sob a forma de apoios ao investimento estrangeiro, é pago hoje aqui por «uns», para que «lhes» explore a mão-de-obra local; e amanhã será já por outros; e depois por outros, sempre…sempre de um escalão social mais atrasado (mão obra a tuta e meia). De degrau em degrau vai descendo a escada da exploração até ao último degrau. E aí chegado como acabará a história, importa interrogar-mo-nos?

Mas para aproveitar o «bom» do Marxismo, temos de lhe vestir outra roupagem. E reconsiderá-lo nas Escolas, reexaminando-o, corrigindo-o, discutindo-o. E aí nasce a questão, que é o saber quem ainda não está tocado pelo podre do capitalismo, disposto a arriscar (?!)

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Dinheiro ?!: É para já.
Parece que anda aí, a rodos…

Atente-se no colapso imobiliário, começado na América, e cujo efeitos ainda não sabemos de que modo os iremos pagar, ou que quota-parte iremos assumir.

Certo é que por cá o sistema fez o mesmo, só que em menor dimensão (só porque somos menos e começámos mais tarde).
A partir da década de oitenta os bancos assentaram as suas estratégias no endividamento colectivo. Para isso oferecendo, com o beneplácito dos Governos, dinheiro fácil. Dinheiro para casa, móveis, obras inventadas, a pagar em dez (!), depois em vinte, agora já vai em trinta anos; e por este andar o cidadão ainda vai pagar mesmo depois de enterrado, e bem enterrado. Já se fala passar para 50 anos.

Para alimentar a indústria automóvel, à beira do colapso, os carros ofereceram-se a três anos, depois a cinco, agora já vai em sete. Ou até já nem se compram: - alugam-se.

Até hoje no Diário de Aveiro se oferecia dinheiro,de imediato. Ring.ring…e já está. É só dizer quanto, para poder ir de férias (a fazer figura de rico)

Há dias um banco ofereceu-me uma aplicação a quinze meses a quinze por cento. O cartaz era assim mesmo que dizia. Eu que não sou parvo perguntei à funcionária se o banco estava numa de mecenato, a vender mais barato do que compra. Então ela explicou: quinze por cento ao ano (1,2% mês) só diz respeito à taxa vencida no 15º mês, e só para o capital remanescente. Quanto ao resto, nos outros meses (14) afinal era uma aplicação pior que muitas outras que andavam para aí.

Para ir a um Banco, aconselhamos: -não leve um dicionário; leve antes um intérprete.

Os Bancos aqui – e lá fora – são verdadeiros caças níqueis, com publicidade consentida profundamente enganosa.
Agora aparecem as empresas paralelas a meter o cidadão em mais sarilhos. Primeiro ofereciam mil via telemóvel, agora cinco mil, amanhã dez mil. Tudo parece fácil, Recebe já, e paga …. Sei lá quando. Muitos iludem-se e um dia acordam e nem a camisa lhes deixaram

. Conheço muitos amigos que estão com sérios problemas. Não por eles, mas para salvar os filhos da desgraça, desgraçando-se eles também. Convenceram os putos que eram Berardos em potência, e agora deixaram-nos com o papel na mão, inútil, E as promissórias com os avais dos Pais, essas ainda vão servir para aguentar a desgraça imediata. Mas chegados ás gerações seguintes, os pais (os filhos de hoje) a sua assinatura nem para promissórias vale algo.

Até quando este Capitalismo selvagem, enganoso e destruidor, vai continuar a andar por aí à solta?

Tive esperanças que Sócrates já tivesse actuado.Sei que romper o sistema pode originar uma catástrofe.

Mas não tenho a certeza de que a desgraça não chegue, continuando nós a ir por onde vamos.

Aladino

segunda-feira, julho 21, 2008





Pena que há dez anos não nos tivessem dado o apoio, que agora o Governo promete à Renault – Nissan, para o carro eléctrico


Tenho fortes razões, para me queixar -neste particular – da vida, essa magana ingrata, que me fez passar á distância de um cabelo, aquilo que me poderia – e até certo ponto julgo que merecia – dar : um cantinho,um rodapé, por pequeno que fosse, da história.

Se no tempo em que bati - mendiguei – a todas as portas das esferas governamentais, estas tivessem compreendido que o caminho que propunha, era, o viável e correcto, para resolver (no sector que me dizia respeito) aquilo de que tinha a certeza viria a suceder ,mais tarde : -a crise petrolífera. Que já em fins de 90 se tinha começado a desenhar.

Se nos tivessem apoiado – como agora se dispõem a apoiar a solução do carro elétrico da Renault-Nissan- então, o único problema que faltava conseguir resolver – o problema do desenvolvimento de novas baterias. – resolver-se-ia. E hoje Portugal seria o primeiro país, não só a conceber a primeira scooter eléctrica mundial a - Electron –, como seria o primeiro a fabricá-la em série com resultado que hoje, fácil é adivinhar, seria um êxito mundial.


A Electron

Voltemos um pouco atrás.

Tive então no final da década de 90 a clara percepção que os veículos de duas rodas eram aqueles por onde a experiência da motorização eléctrica poderia ser a solução ideal, para a movimentação de largos estratos da população urbana. O Projecto que então coordenei, conseguiu, conjuntamente com as empresas a que nos ligámos exteriormente, resolver os pontos mais difíceis do complexo –e totalmente inovador - exercício tecnológico. Quando o veículo foi mostrado em Colmar (França) tudo ficou de boca aberta. A própria BMW logo se mostrou interessada em analisar a novidade. O êxito parecia estar ali a dois dedos de distância. A ELECTRON era de facto - quase! - perfeitíssima. A motorização invulgar (que levaria a Honda a tentar adquirir os direitos do seu Know-How) permitia perfomances iguais ou superiores às dos
melhores veículos térmicos, e em muito maior segurança.

Havia apenas uma questão.

De facto apesar de todos os esforços e contactos, só na Alemanha, na SONNENCHEINE, foi possivel encontrar disponibilidade para apurar o desenvolvimento das baterias de gel, que desde logo se mostraram muito superiores às que até ali eram produzidas (ácidas), e muito mais seguras. Contudo nós precisávamos de uma autonomia mínima de 55 km, e na prática apenas se conseguia -e não a 100%-cerca de 35-40 Km. Insuficientes para uma utilização citadina.Estávamos a 10% do caminho para o êxito, para o lugar no podium.

Por outro lado – ao contrário do agora se vem equacionando – o veiculo eléctrico não pode ser carregado instantaneamente, mas, no melhor dos casos, numa demora de 1 a 2 horas. E ainda assim, só parcialmente (30%).

A conclusão a que chegámos foi a de que:

1) As baterias teriam de se reduzir em volume, transformando-se em packs, que seriam integralmente substituídos nos locais de abastecimento (pack montado num tipo de gavetão, de pôr e tirar).

Isso exigiria um novo conceito de baterias, de menor volume e com níveis de descarga mais lentos. As baterias de litium, eram, a nosso ver, as que poderiam vir resolver o problema, se se avançasse para a sua produção, em aumento da relação de capacidade /peso.

Assim fomos aos E.U.A. para tentar convencer os fabricantes americanos (BELL, LOCKEED, e o próprio centro de investigação da Universidade de S. Francisco) a se integrarem no projecto, desenvolvendo os ditos acumuladores energéticos. Sem êxito. O lobby do petróleo não estava interessado no projecto. E fechou-nos as portas.

Do lado do Governo português não se conseguiram apoios para colocar a «Tudor» (fabrica de baterias) a trabalhar com o centro de pesquisa da EDF (a EDP de França), no sentido de se estudar nova bateria.
O projecto Electron, fabricadas que foram as primeiras centenas de veículos, apesar de ter sido recebido com os maiores encómios e esperanças, teve pois, de abortar. Só e apenas, por …ter nascido cedo demais.

Hoje tenho a certeza, tudo seria bem diferente. As baterias de litium, desenvolvidas em packs resolverão satisfatoriamente o problema. Creio que hoje ,de novo,se deveria voltar aos ensaios com os veículos de duas rodas, dada a sua mobilidade e simplicidade, que poderiam resolver os grandes problemas do trânsito urbano, com graus de emissão (poluentes) zero. E zero também na questão do ruído.

Tenha-se em atenção que nas primeiras séries da scooter eléctrica, o preço era apenas 30% mais elevado que o veiculo térmico, normal. Nada que a produção de grande série, de imediato, não resolveria. Tínhamos a certeza que a produção em série traria esse preços bem para baixo. O apuro do sistema de controlo electrónico garantia uma fiabilidade e duração, muito superiores às do vulgar veiculo, movido a motor de combustão.

Há dias um ex-aluno meu da F.E.U.C, que encontrei por acaso, atirou-me:

-Olhe Eng F.você nasceu dez anos mais cedo; se hoje fosse apresentada a scooter eléctrica, você teria os governantes a seus pés. Foi pena…

Pois foi.

Teria sido a cereja em cima do bolo de quem teve uma vida profissional que nunca se contentou com a vulgaridade, e fez do impossível, apenas algo um pouco mais demorado a fazer.

Mas já me sinto satisfeito (?!) de ter sido o responsável pelo projecto do primeiro veículo eléctrico de duas rodas, não apenas sonhado – o que já não era pouco – mas totalmente concretizado.De que há farta literatura, aqui e por essa Europa fora, nos jornais da época. Tive muito orgulho na belíssima equipa que me acompanhou em todos os níveis, e na empresa –Famel- que se propôs ao impossível. Foi pena…para todos nós...


Isto do golpe de asa não ser para todos, é por vezes amargo. Fico a pensar no que poderia sido. Mesmo assim orgulho-me do que fizemos, e que a história não poderá escamotear.

Faço votos para que o Governo avance na sua intenção de apoiar o projecto Renault – Nissan. Este tipo de projectos tem que ter apoios governamentais que lhe dêem à partida condições para a sua sustentabilidade. E até benefícios, fiscais e materiais, para que a revolução energética que permitirá uma independência do petróleo, se concretize,acarretando benefícios para a qualidade de vida, de toda a ordem, tipo e dimensão..

Senos da Fonseca

quarta-feira, julho 09, 2008



Exposição Temporária de João Carlos e de Cândido Teles



No passado sábado (dia 5), motivado pela anunciada exposição que reunia os dois mais expressivos pintores ilhavenses, João Carlos (C.G) e Cândido Teles, dei comigo a entrar na «Barragem», que é como o neto Miguel classifica o inestético edifício do Centro Cultural de Ílhavo.


O interior daquele monstro inestético é muito mau; pior por dentro que por fora. Não tem ponta por onde se lhe pegue: inestético (a entrada para o Salão da Exposição, essa é deprimente), delirante (a escada de caracol não tem qualquer função ou utilidade); chocante a pobreza (e inadequadação) do piso do salão de exposição; imprópria a iluminação da sala para aquele tipo de exposições ( e que deveria constar do caderno de encargos da obra, se é que o houve), porquanto como o reafirmou o Sr. Presidente, a mesma destinava-se, só e apenas, para albergar a exposição permanente dos trabalhos daqueles dois artistas ilhavenses.

Da exposição, só as obras dos autores escaparam. Valha-nos isso.

Se a alma dos dois artistas pairasse nas suas obras, dever-se-iam ter sentido terrivelmente consternadas com tanta azelhice (e desleixo) de quem preparou a exposição.

1-Parece.nos perfeitamente claro que o bom senso mandaria que os dois pintores não devessem ser patentes numa mostra conjunta. Porque não há o mínimo ponto de encontro entre técnica, temática, motivação e expressão, artística, que permita qualquer tipo de abordagem, comum. Talvez que numa selecção muito criteriosa (e reduzida) dos trabalhos dos autores permitisse uma exposição lado a lado. Com tal quantidade de trabalhos de um e do outro, não nos parece aconselhável metê-los num único espaço, comum.

2-Por outro lado parece-nos que não se ganha nada com a exposição em quantidade, quando esta não segue nenhum critério (ou pelo menos não o conseguimos descortinar); -nem cronológico, nem temático, nem outro qualquer. Nada. Os quadros estavam espalhados ao sabor de coisa nenhuma. Como no catálogo.

3 -Desconheço por outro lado se a Câmara (o Museu) é detentora de obras dos vários períodos de Cândido Teles, um verdadeiro experimentador estético, que se deixa absorver pelo meio em que sucessivamente se integra, experimentando técnicas mas não modismos. (Ria, África, Alentejo e de novo Ria -moliceiros). Se as tem teria sido muito mais interessante retirar algumas das presentes (que nada acrescentam) e incluírem-se as que dessem a conhecer os referidos períodos mencionados, permitindo, assim, ter uma ideia da evolução do artista. Sempre gostei particularmente do primeiro período de CT, como seu pontilhado impressionista, e depois a fase do Alentejo, quente , cromaticamente muito trabalhada, sóbria mas intensa, contrariamente à de Africa, em que o escuro rouba, a meu ver, alguma das particularidades do mestre.Á excepção das figuras. Foi pois uma oportunidade perdida, esta, em que sem critério (ou se existia era imperceptível e incompreensível) as obras foram achapadas pela área da exposição.

4-De João Carlos ficaram por expor algumas obras, particularmente bonitas. O que deu origem a murmúrios que, parece, voltam a exorcizar os espíritos, com a falta de uma explicação que há muito deveria já ter sido dada.

Ao contrário de Cândido Teles, João Carlos, em nossa opinião, esteve escassamente representado. Porque João Carlos, justifica, se se pretender mostrar toda a busca e experimentação nas mais diversas maneiras de exprimir a arte, que lhe consagremos uma só sala. Porque claramente João Carlos na sua inquietação de artista sôfrego desbaratou carradas o talento por tudo onde pudesse exprimir arte: e por isso não foi apenas um pintor desenhista, mas um notável entalhador – com raízes muito profundas na temática local –como ainda modelou o barro com a afeição de um ceramista; e ainda um extraordinário xilógrafo . Por isso dar a conhecer o espírito fecundo de JC, não é apenas mostrar as suas pinturas e ou desenhos.É muito mais do que isso.

5-Que dizer do catalogo? Desde logo a abrir, deplorável (patareca e patega) a preocupação – parece que única! - em mostrar a foto do Sr. Presidente, omnipresente, fosse qual fosse o início de leitura. Da frente para trás ou de trás para a frente. Um culto de personalidade doentio, este, de por tudo e por nada lhe colarem a fotografia em panegírico laudatório.

Um catálogo em que as obras expostas não são numeradas nem identificadas, reduz a efectiva utilidade da brochura guia. Incompreensivel !....Pior era impossível fazer-se.

6-Outra questão que não mereceu a mínima atenção aos responsáveis, prende-se com a falta de qualidade da iluminação da Sala, falha imperdoável do projecto, que se mostra perfeitamente inadaptado para as funções que presidiu à sua feitura. De um lado a luz batia em cheio nos quadros; do outro estava completamente arredia. Era sol e sombra,o ambiente.


Em resumo, repetimos:

Salvo as obras dos artistas – notáveis algumas delas –, tudo o resto mostrou em elevada dose leviandade, ligeireza, desconhecimento, despreparo e até negligência.

Pareceu apenas e só, o descarte enfastiado de uma promessa feita por linguaraz, no habitual exercício de demonstração da leveza da palavra vã.

Por entre os presentes os comentários eram de profundo desagrado. Mas como habitualmente tudo ficará pelo rumorejo.

Temos pois, o que merecemos. Isso sei de fonte sabida.


Aladino

domingo, julho 06, 2008

O Discurso do Século
.
Um surpreendente discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc,de descendência indígena, advogando o pagamento da dívida externa do seu país, o México, deixou embasbacados os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.
A conferência dos chefes de Estado da. União Européia, Mercosul e Caribe, em Maio de 2002 em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e de exactidão histórica, que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.
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Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a descobriram só há 500 anos.
O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país -, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indemnização por perdas e danos. Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano 'MARSHALL MONTEZUMA', para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não! No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue? Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas. Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América.
Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..
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Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira dívida externa.

Aladino


quarta-feira, junho 18, 2008





Ainda «O LABAREDA»

E o encontro com o «O Labareda» aconteceu.

Como lá disse “Eu volto sempre…» para cumprir o prometido.

Julgo que a mensagem passou: é ainda possível fazer cultura fora do circuito institucional,este apenas e só preocupado com a «cultura de consumo, em kit».

Quis naturalmente que os companheiros de jorna fossem o prato principal, dando-lhes todo o tempo do mundo.

Eu julgo – e o feed – back que me chega vem confirmar a minha ideia – que ninguém saiu de lá frustrado. E que o tempo ali correu, sem ser maçador.

Haveria que dinamizar a ideia. Criar espaços novos, onde se possam equacionar novas perspectivas para não deixar abastardar a imagem que nos vem do passado. E evitar o desconhecimento absoluto do que queremos ser no futuro, agora que muitos capítulos do nosso historial estão encerradas e quando é urgente abrir novos caminhos. Eles chegariam, naturalmente.

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Por quem é, Sr. Presidente, entrasse
Nem que fosse ás arrecuas…

O senhor Presidente reagiu. Fez bem, é sinal de que se sentiu. Ele não tem, em boa verdade, politica cultural; tem apostas desgarradas. Ouvi-lo, é já, um verdadeiro massacre, um assalto à sanidade mental de quem fica sujeito ás suas tontas explicações. Um verdadeiro caso que confirma, com rara acuidade, o princípio de Petter.

Disseram-me que ainda esteve à porta. Certamente por ver o vice-Presidente da Câmara de Aveiro presente – que compareceu ao convite, contrariamente a toda a Câmara de Ílhavo-deu meia volta, e foi-se.

O «Ensaio» levou à Câmara, o conhecimento da anexação e da desanexação do Concelho. E lá comemoraram ao 110 anos, este ano. Agora levantámos a questão dos 200 Anos da Costa – Nova, a que pareceram passar ao lado. Para o ano comemorarão os 201 anos da dita. Apostam ?

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ASUDOESTE

Este interessante Blog, editado por Vieira da Silva, resolveu incluir-me dentro do grupo dos amigos que o autor vai sucessivamente apresentando, utilizando uma rara sensibilidade para manifestar elegias pródigas, mas sensatas – excepção ao caso presente! -, com um verdadeiro dom, que é, o saber ser companheiro de jorna.

Por vezes entro com Vieira da Silva-ele diz que eu sou um pouco ácido-, no intuito que me é característico: quanto maior consideração tenho por alguém, maior é a minha vontade de o picar, para que esse amigo venha daí, também!....
Tem sido uma dura penitência, para mim, viver aqui, neste local que escolhi para fazer o meu mundo, nestes mais de cinquenta anos de reclusão auto-consentida. Era horrível não sentir ou não ter a noção da minha desdita. Então quando aparece alguém que a percebe, não deixa, tal, de ser gratificante, como se nos quisesse dizer que não foi de todo inútil – embora às vezes me pareça. E o certo é que nunca como hoje o «ílhavo» atingiu individualmente e colectivamente um grau de alheamento e de irresponsabilidade cívica, como o que hoje se respira. Um povo que se deixa de tal modo enganar por mais de três décadas, é um Povo que gosta de ser um encornelhado, talvez não gostando que se veja, mas se se vir, parece que não se importa.
Deixemos isto…

A mim o VS nada deve. Eu, curiosamente devo-lhe: pedi-lhe colaboração aquando do VIP-VIP e, depois, em qualquer coisa que se fez, julgo para a Obra da Criança.Que pena que se não tivesse ido muito mais longe.
O beco da ti Emilinha Gueira ,onde cresceu, foi meu também, e por lá joguei à bola com os companheiros de então. Embora eu fosse uns anos mais velho, claro. Não tivemos por isso contactos nessa fase.Mas aí conheceu o seu Pai(e Mãe) , homem muito afável, bom falador, especialmente dotado na arte da encenação. E ainda, com uma certa veia versejadora. Ando até num dilema para recolher e refazer a cantiga da noite do armistício, onde a letra é de sua autoria (se não é, será do Zeca Peliconcas)


Depois da fase contestatária das cantigas que fizeram acreditar que Abril estava próximo, e onde V.S. ocupou um lugar de especial relevo, confesso que sempre estive à espera que ele aparecesse mais interveniente. Compreendo perfeitamente, contudo, como uma alma sensível – e V.S. é – pode ficar chocada com a práxis politica, que pouco tem de interessante, tal como ela é praticada neste sistema ainda muito longe de uma democracia, como ele e eu certamente desejávamos. Mas lá que eu queria mais …lá isso é verdade, V.S.

A SUDOESTE, que visito com regularidade obrigatória, tenho por lá visto tanta tripulação, que bem poderiam constituir uma notável Companha.Eu já só sirvo para camboeiro mas ainda sou capaz de o fazer ao remo maião.
Ora da leitura, fiquei a olhar para a folha de serviço que VS me atribui. Não sendo coisa grande é grande pelo menos nos anos que a levei para preencher.

Meus amigos: façam melhor, poupem-me para ver se eu arengo por aqui mais uns anitos.

Ao V.S um abraço

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Labareda foi –se .E agora?

Agora :- «200 Anos da Costa Nova »está entregue. Acabado na semana passada, depois de um bom e exaustivo ano de labuta.




AS «Embarcações Que Tiveram Berço na Ria»,um trabalho onde misturo o histórico com o técnico (reprodução dos modelos em 3 D), e que me vai deslumbrando ,esse demorará mais um anito.



Como vêm no desemprego é que não estou. Há muito ,muito!... com que me entreter.

Vamos é lá ver se a vida o consente.

Mangana…já que te não apressaste, aguenta aí mais um bocadinho,P!!!!.

Aladino

quarta-feira, junho 11, 2008


PEDRAS FÉRTEIS


Desde longe, muito longe, que desisti de fazer a pergunta: - o que é que a cultura pode fazer por esta terra?.., e antes procurei interpelar-me: - o que consigo – eu – fazer por ela?...

No sábado vou – com os amigos – tentar dar mais uma resposta, à questão. Se ainda, a muitos, ela passar despercebida, pouco me importa. Pois que seja. Fazem que andam distraídos.

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A propósito de distraído:

É costume dizer-se que as respostas estão escritas nas estrelas.

Não sei se estão, ou não; nunca me preocupei com esses saberes.

Mas agora ao reler o Ábio de Lápara (José António Paradela), e a sua «Uma Ilha No Nome» sei que as respostas estão por aí, em frente aos nossos olhos, que parece, não sabem ler, nem cuidam de sabê-lo.

Interroga-se Ábio de Lápara:

Que ganhou a nossa terra quando fomos costa abaixo à procura de pão que aqui escasseava?
Que ganhou a nossa terra com a aventurado bacalhau?
E o que temos em troca?
Após a aventura o que sobrou?

Para nas pedras encontrar a resposta: -

Não faças sempre a mesma pergunta. Apenas luta por uma resposta diferente

Certamente se eu andasse atento encontraria a resposta para a minha pergunta:

" Porque apostei tudo o que tinha e saí a perder ?!"….

Ou estarei distraído, e o que deveria fazer, como mostra Ábio de Lápara, era

"Apenas lutar por uma resposta diferente!"

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«Uma Ilha no Nome»,
não precisa de palavras elogiosas…

Não!.., não precisa.Precisa, apenas, de ser lido. É indispensável que o seja, para continuarmos

a ter,

(…) Orgulho em pertencer a uma comunidade com gente desta estirpe

como nos diz o «João Bocanegra» da «Ilha No Nome».

E eu o confirmo, no José António Paradela

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ÁBIO DE LÁPARA (J.A.P.)


E lá está Ábio da Lápara:

Construímos durante muitos anos, talvez séculos, uma comunidade fechada em torno de uma luta que suplantou todas as outras e nos isolou, fechando os nossos corações num círculo apertado.

Saímos navio e chegávamos de navio, com longas ausências pelo meio.

Quisemos ser uma «ilha» e conseguimo-lo….
Porquê?...

E lá estava nas pedras, uma vez mais, a resposta:

Às vezes preciso de me evadir, deixar a razão de lado para poder sentir…fugir desta realidade que não me deixa sonhar”

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PONTES…PRECISAM-SE

E de resposta em resposta, lá veio a resposta final:

“Construamos as pontes para os que, vindos de longe, escrevam nas pedras…FIQUEMOS!!!”

Aladino

quinta-feira, junho 05, 2008

Para me destruir basto eu.


Continuo a ser um impenitente compartilhante de vida.

Sempre senti uma necessidade, irreprimível, de o ser. Por isso, tive sempre à minha volta, muitos e variados amigos, com quem me esforcei por lhes dar o meu melhor.

E hoje, desaparecida a maior parte deles – eu sempre fui o mais novo de todos! o que parece não ter -mas tem... e muito! – significado - começo a não ter com quem compartilhar momentos (os ditos momments).

Talvez que esta montanha de palavras que vou despejando, se um dia olhada, exprima exactamente esse vício de dar de mim, em cada momento, o que de melhor – ou mais útil -tenho para dar.

Mas há angústias insuportáveis.
E vai daí: - precisava de um parceiro(a) de vida, daqueles(a) com quem estamos, sempre, em construção.

Porque é verdade:
Para me destruir basto eu.

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E para nós, não sobra nada?

Olho para o espectro da fome que está aí, mesmo em frente dos nossos olhos, e que pensamos estar ainda longe. E este sofrimento torna-se, pouco a pouco, uma verdadeira chaga. É um desconforto, uma desilusão, o deitar-me todas as noites a senti-la, a macerar-me.
E pior: acordar e ouvir com as primeiras noticias que era preciso produzir mais 50% do que produzimos para matar a fome, cria-me um sentimento de náusea. Brutaliza-me o estômago que se dispõe a ser lautamente servido com um pequeno-almoço que é mais do que, milhares e milhares de seres, não comerão, no dia inteiro.

E ver tantos a afivelarem uma crença …como se «Isto» fosse, como pensam, uma obra divina.
Então que fazer? Continuar nesta indiferença, como se tudo fosse culpa dos outros?
E para nós não sobra nada?


Aladino

quarta-feira, junho 04, 2008

Pura perda de tempo.


Estas eleições, no PSD, foram nada de coisa alguma.

A votação não deu para varrer toda aquela cambada de demagogos populistas que por lá pululam. È certo que os ditos populistas levarão muito tempo a recuperar. Ou só lhes restará fazer um novo partido. Talvez juntando-se a uma das tendências do CDS.

Creio que o PSD perdeu uma boa ocasião (ou perdeu tempo) na sua afirmação definitiva como um partido liberal. E por isso eu desejava, para que fosse feita uma clarificação e uma separação de águas, que isso tivesse sucedido. Já. Poupava-se tempo e caminho. E assim as coisas ficariam mais de acordo com o que são na prática.Um partido Liberal e um partido Socialista (com uma ideologia social já muito ténue, apenas reconhecida em um ou outro ponto.)

A nossa integração na Europa teria que conduzir, inevitavelmente, a esta separação d’águas.

Talvez que assim o PS sentisse a necessidade de se preocupar mais com o social.
Pode também suceder que esta crise importada obrigue o Governo a dar mais atenção a quem mais precisa dela.

Ora o PSD escolheu mais do mesmo. Comida requentada, que navegará em afirmações pragmáticas muito próximas das seguidas pelo PS. A diferença estará nas pessoas, que não nas políticas.

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Em Ílhavo tudo como dantes.
O pesadelo voltou

O Marau voltou e, com Ele, o disparate.

Logo se apressou a anunciar coisas impantes. Pudera!... não é ele que as vai pagar.

O primeiro sinal da sua presença foi-nos anunciado pela placa «VENDE-SE», na quinta dos Rebochos.

Reparem: - até hoje ninguém explicou o imbróglio, da Biblioteca ser, no momento, posse de uma firma privada,retirada à Câmara em Tribunal,por não cumprimento.

Mas …

No tal Relatório das Contas, falava-se, mesmo assim, no dinheiro que a Câmara esperava vir a receber do Estado, como subsidio para a mesma, que estava um muito atrasado.

Só se o Ministro das Finanças estivesse XONÉ.

Sem vergonhas estes tipos.

O povo, esse, pouco se importa sobre quem é o dono da Biblioteca.Com razão. Também ainda ninguém lhe explicou para que é que aquilo serve, para além de uns tipos que vão lá ler o jornalzito para não gastar uns cobres, diariamente. Com razão sempre dá para mais um mijinho de gasolina.

Este povo está de cangalhas: já não há ninguém que lhe valha.

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Foto: mesmo que seja à «laminuta»

Lá me demonstrou o que há de belo e fácil, no uso do click-clack do diafragma da sua nova cyber-shot.Com ela resolve tudo.

E é verdade, quer eu contraponha ou não argumentos.

Uma foto, umas palavras de circunstância, e parece encontrada a receita ideal para fixar aderentes. Torna-se, sem dúvida, muito menos maçador ver que ler. A Internet trouxe-nos uma exacerbação deste facto, na comunicação entre pessoas.

Eu, contudo já não mudo. Teimo em substituir a foto pelas emoções que tento dar do retrato. Para mim desafio aliciante. Para os outros é que talvez nem tanto. Paciência…eu não me dou com o au minute.Gosto de saborear.

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Remodelação do site
www.senosfonseca.com

Bem…

O site continua em reorganização, e tarda a solução que solicitei. Por isso inactivo no mês de Maio.

E há tanto para lhe pôr lá dentro: «Manuel Ferreira da Cunha», «Pitato & Benjamim», «Joana Càlôa»,«Manuel da Benta» e a versão original do «Thomé Ronca»

Vamos a ver ……..

Aladino

sexta-feira, maio 23, 2008

GLOSA AO PADRE ETERNO


Não creio em Deus eterno
Nem que a alma é imortal…

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Não creio que depois
Do derradeiro sono
Haverá uma treva
Para o ditador
Que usurpou o trono.
Nem creio, pois,
Que haverá uma luz
Para aquele que na terra
Aguentou de pé, uma cruz.


Não tenho crença firme,
Ou sequer crença néscia
Que Deus há-de fechar
Numa jaula de ferro
Por sua própria mão
A alma dum fero.
E que guardará a seu lado
Num trono debruado d’oiro
A alma de Platão.

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Mas creio em Cristo hodierno
Homem só, como eu, simples mortal.


S.F (Maio 2008)

terça-feira, maio 20, 2008

Afinal, «TANTA PARRA PRA VULGAR UVA».



Lá estive para ver a exposição no MMI, «Rostos da Pesca».Valeu a pena.

Devo dizer que gostei. Mas atenção : nada de especial. Nem sequer a melhor e maior exposição – número ou qualidade? - como foi propagandeada pelo Director do MMI, na apresentação, o que nele é habitual,. a hiperbolização dos acontecimentos de que é o autor.

Vamos à exposição.

1º CONSTATAÇÃO

Desde logo observei que o que foi exposto não respeitava com rigor, o título. De facto, muitas das obras – e até talvez das de maior qualidade – extravasavam a representação romântica dos rostos ,enveredando por paisagens humanas da pesca.

Nada de muito importante para o apreciador de pintura, mas de alguma gravidade para a sistematização que parecia ser o desafio a colocar aos visitantes, naquele delirante texto que até nós chegou via news letter.

As obras de João Vaz, Silva Porto eHogan, desinseriam-se, claramente, do contexto. Não eram rostos o que se representava, mas paisagens humanas no mundo das pescas.Nelas, contudo, estavam algumas das mais belas obras apresentadas.

Gostei – muito! -da Velha Varina, de Eduarda Lapa; das fainas de Lozano, do retrato de Domingos Rebela ,da cabeça de velho de Dário Barbosa e, depois, pouco mais….

A Velha de MARIA EDUARDA LAPA


Cabeça de Velho-Dário Barbosa

2ª Constatação

Mas vim de lá com um pesadelo: porque é que muitos dos rostos de autoria de artistas de Ílhavo, não compareceram? Alguém consegue explicar? Foi por pura ignorância ou desconhecimento.

E já não falo em J Carlos ou Cândido Teles. Muitos outros, muitos!... ombreariam com facilidade entre os que foram apreciados Os que tenho tinham lugar entre o melhor.
Então estamos perante algo de muito grave, muito complicado,com contornos que exigem explicação plausível, para falha tão grande.
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E AFINAL»?...

Perante as new letter delirante, incompreensível redundante, que anunciava a exposição, vamos tentar decifrar o imbróglio com que a mesma termina. Dizia-se na mesma, que importante era saber-se em que medida os retratos do pescador ou da varina supõe a fixação de estereótipos locais e regionais que independentemente das formas estilísticas, parecem exprimir na etnologia dos tipos humanos da pesca.
Retrato-Maria Xavier Rebelo

Salvo melhor opinião a exposição não responde a esta inquietação. Nem podia responder.

Nem sequer dele se abeira. Não cremos que baste o rosto com todas as emoções inscritas, com todo o sofimento recolhido e reproduzido, fora dos barcos, que seja diferente aqui, na Póvoa, na Nazaré, ou em outro local qualquer etc etc.

Ao contrário dos barcos em que a singularidade dos mesmos identificam com muita facilidade a naturalização das representações a nível local ou regional.


ALADINO

sábado, maio 17, 2008

TUDO FEITO AO CONTRÁRIO ...

DO QUE ERA NECESSÁRIO FAZER...


E AINDA POR CIMA A CALOTE...



Não vale a pena repetir muitas das observações, mais ou menos correctas, e ou, mais ou menos demagógicas, que diversos intervenientes tiveram a oportunidade de apontar na Assembleia Municipal, demonstrativas, contudo- bem ao contrário do que diz em «O Ilhavense», J. T.-, de que, em 2007, se verificou,na verdade, um fraco desempenho do executivo camarário; seja ao nível de receita, mas e também, e naturalmente, da despesa (cerca de 54 e 52 %, respectivamente). Não me motiva mas sempre o indico, que nos custos de pessoal há por lá verbas que bem valiam uma ponderação cuidada, para avaliar o que se paga e o que resulta em qualidade da acção do beneficiado, normalmente ocupando cargo de topo (especialmente assessores do Sr. Presidente - Job for the boys and girls - são tantos!). Notar que determinados assessores recebem mais - muito mais, o dobro! - do que o protocolado pela Câmara com Freguesias concelhias, ou ajudas atribuídas a IPSS. Parece-nos no mínimo estranho.

Vamos então ao que importa.

Eu aceitaria Sr. Deputado J.T., que a Câmara contraísse dividas a médio e longo prazo desde que para obras no interesse real, para melhoria da qualidade de vida das populações, Agora para construir meia dúzia de equipamentos, em que uns se atropelam aos outros, ou que na finalidade estão completamente desajustados com as realidades locais, é procedimento que não resulta de bom senso - como o Sr. expressa - mas tão só de puro pedantismo bacoco, e ou grave megalomania de que todos - agora que vejo uns a quererem sair da carroça - são responsáveis. O senhor deputado também o é. Não esqueça isso.

Estão erradas - desastradamente erradas - essas práticas desgarradas que vêm sendo levadas a cabo, cedendo a pressões lobistas externas que comprometem o presente e podem destruir o futuro. O poder Autárquico tornou-se o centro de práticas pouco transparentes, e o pantanal por onde se movimentam interesses obscuros. É um bueiro onde se escondem actos a justificar castigo adequado, severo, e que sirva de lição. Estamos em plena época do «Apito Dourado». Temo que acabado este, comece o das «Autarquias Douradas».

Em meu entender a Câmara deveria assumir como bandeira:


1- Eliminar todo e qualquer tipo espectro de fome.
Há fome no Concelho. E tirando as IPSS - que a Câmara trata mal, desconsidera e insulta - ninguém cuida em eliminar esse abcesso pútrido que nos envergonha.

2- Resolver o problema de proporcionar tecto aqueles que comprovadamente não têm meios para os possuir. Nos últimos anos nem uma casa foi construída para esse fim. E estima-se serem necessárias mais de um milhar delas.

3- Resolver o problema de saneamento de zonas populacionais do seu concelho (substancial parte cidade da Gafanha da Nazaré e a Gafanha de Aquém, ainda o não têm). Aqui sim, Sr. Deputado, o retorno em qualidade de vida, justificava o recurso a empréstimos bancário ou outros.

4- Assumir a responsabilidade de criar os meios para dinamizar o Comércio da cidade, em agonia tremenda e irreversível, cujo programa esteve iniciado, e que, por desleixo da Câmara foi caducado, e desse modo perdida toda a capacidade de a ele voltar a recorrer. Foi um comportamento estulto e irresponsável de quem por ausência e incapacidade, permitiu criar as condições que levaram à extinção do programa.

5- Auscultar as unidades empregadoras concelhias, trabalhando com elas na definição de objectivos, incitamentos, apoios políticos justificados, de modo a requalificar e revigorar o tecido empresarial. As condições geográficas privilegiadas (plataforma do Porto de Aveiro situada no terminus do IP5), não estão a ser minimamente aproveitadas.

6- Propor parcerias com a Universidade de Aveiro ou outros centros de conhecimento de modo a que se venha instalar no Concelho um (ou mais) centro de saber dirigido a áreas especificamente identificadas pelas entidades anteriormente referidas. Para isso seria necessário que a Câmara não estivesse - como está - sobranceira e malcriadamente, como lhe é apanágio e postura habitual, de costas voltadas para o tecido empresarial, local.

7- Dotar o Concelho de um Parque de Exposições, polivalente, para promoção da produção e misteres concelhios, e que seja ao mesmo tempo capaz de albergar iniciativas de carácter promocional e lúdico.

8- Fortalecer os laços de uma identidade comum, através de uma politica cultural capaz de dinamizar grupos de diversas tendências, plurais e diversificados, a fim de permitir a recuperação e a regeneração do nosso património histórico. Que se não pode perder, em troca de falsos maneirismos e ou modernismos serôdios.

Em resumo Sr.Deputado (municipal) J.T. : as contas são as contas, e demagogicamente servem para ser lidas de muitas e variadas maneiras. Foi só isso que quis demonstrar.
O que eu não desejava era voltar a ouvir responsáveis sacudir a água do seu capote. Se fizer um exercício de memória lembra-se onde «ouvimos» tais atitudes.
Atravessamos um dos períodos mais negros da nossa vida como comunidade.
Temos uma Câmara exangue, uma comunidade socialmente de costas voltadas, temos uma tecido económico em extinção ou letargia, temos uma memória alzheimada, passamos uma vida no encolher ombros.
Tudo foi feito ao contrário do que era necessário fazer para recuperar o tempo perdido,
pois que aí terei de dizer que os outros não foram melhores-de facto-,pese embora não desavergonhados.

Aladino

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...