segunda-feira, julho 19, 2010
Terminada a tarde
Feita braseira de mil sóis
Veio a noite primeva
Sem sopro nem sombra
Errando na ria, neste praiar do mar;
Os meus olhos, outrora sonhadores,
Olhando o que
Aos outros trará vida.
A mim, apenas vejo sorrir a morte.
Silêncio coalhado de prata,
Solidão estendida no sono impaciente
Cortada pelo pio de uma ou outra gaivota.
No meu choro correm bagas de gritos:
Já não virá o dia, algum dia(!)
Que há-de ser «novo dia».
A vida, magana :- não pára, enfim!
Avança ao som do toques marciais
Comandados pelo soar estridente do clarim.
Amanhã haverá nova alvorada
Azul ,enevoada, ou imprecisa
Pouco já me importa, ou colhe ,
Que chegue a fria madrugada
E apague e dê por finda
Esta errante caminhada.
Sou gaivota de asa ferida
Na borda do mar irado, enxerida
Esperando o barco da ilusão.
Colher amarras, alar a vela, largar do cais
E vogar além…ainda mais além... sempre além,
Partir como ave de arribação
Voltar ou não ?!
SF (19 /7/2010)
terça-feira, junho 22, 2010
No comentário ao desaparecimento de Saramago expressei alguma compreensão (?!) pela falta de comparência do senhor Presidente da Republica (parece que por proposta do PSD vamos deixar de o ser…), no funeral.
Então referenciei uma certa, e para mim correcta apreciação de Saramago a Cavaco, a qual foi o de considerar aquele «um livro de banalidades».
Ora Cavaco veio, de imediato, dar razão a Saramago.
Questionado acerca da polémica sobre a sua ausência, o Presidente da Republica, disse, não pode comportar-se como os amigos do defunto. Estes devem ir ao funeral. O PR não!».
Banalidade execranda.
Porque os amigos até poderiam faltar, mas o PR: - esse, não!
Porque representando a Nação, o PR devia manifestar com a sua presença, o reconhecimento da dita a um seu notável filho. Só Ele poderia, por inteiro e universalmente, fazer. Não era Cavaco que estaria presente, mas o representante de «todos» os portugueses, o PR (que tantas vezes gosta de evocar o nome do Povo em vão.
Banal q.b.
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Foram muitos e diversos os comentários que me foram enviados. Tomei atenção a todos, e, claro agradeceu, mesmo os desfavoráveis. Eu sabia que estava a tocar numa matéria que não era universalmente consensual.
Registo aqui o comentário (que tentou inserir directamente no Blog, mas falhou) do amigo, nosso conterrâneo, Cte Paulo Corujo;
O que lhe dizia no blogue era mais ou menos o seguinte:
Concordo que José Saramago era um grande escritor e prestou um grande serviço aos pais projectando a língua portuguesa para uma visão cultural mais alargada. Eu li com alguma dificuldade em 1996 dois livros que julgo serem os melhores que ele escreveu: O Memorial do Convento e o ano da morte de Ricardo Reis. Gostei dos dois e achei sobretudo que constituíam efabulações surpreendentes. Mas não li mais pois achei que os seguintes tratavam de temas que colidiam grandemente com a nossa cultura. Não havia necessidade, como dizia a personalidade de Hermano José. Eu fui sempre liberal, política e economicamente falando. Recordo-me com imenso desgosto de um pobre homem, julgo que sapateiro, muito alto que tinha a modesta oficina defronte do Salão Cinema, creio que se chamava Pinho. As pessoas diziam: cospe meu menino, que é maçónico, julgo que no sentido de incréu.. A intolerância era selvagem e a lavagem dos cérebros manifesta.
Neste ponto chegamos a outra faceta do homem José Saramago: era um homem amargo e intolerante. O que ele disse no Diário de Noticias em 1975, quando saneou seus camaradas. Foi mais ou menos o seguinte. É preciso eliminar os nossos adversários pela violência para a vitória da revolução. Puro Leninismo e Estalinismo na sua forma mais requintada, com apelo às checas de Djerzinsky. O homem era mau e isto não lhe perdoo pelo facto de ele ter morrido.
Por pudor, não lhe retransmiti Maios de extrema-direita com que não concordo. Mas vou fazê-lo para o João tomar nota do mundo em que vivemos. Deve-se ler tudo, Freud or foe.
PC
Reconhecendo o acertado da sua apreciação quanto aos livros citados e respeitando a sua apreciação sobre os restantes.
E como ganhou «coragem» para vencer o pudor de me enviar os ditos comentários «foes» de extremistas- e mandou-os - garanti-lhe que os li com atenção. Garanti-lhe que leio e aceito tudo, e que até leio com particular atenção os fanáticos, pois assim percebo melhor a minha razão.
E que até aceito extremistas…desde que poucos…
SF
domingo, junho 20, 2010
Plagiando Saramago direi:
Neste tempo de crise o País ficou ainda mais pobre. Porque construir o futuro sem a ajuda de homens lúcidos, críticos, socialmente presentes, eticamente exemplares, é muito mais difícil e problemático.
Sim :-até Cavaco, de quem Saramago disse um dia, ser um livro de banalidades, confrangedoras, esteve igual a si mesmo. Um tipo banal que por acaso é Presidente de um País, que não de uma Pátria.
sábado, maio 15, 2010
Pois… pois… estava á vista….
A situação é grave. Era minha perfeita convicção, e disse-o aqui , ser a dita muito mais grave do que aquilo que por aí se ia falando. Há um claro défice qualitativo de informação em Portugal. Os problemas são debatidos, estritamente numa posição de confronto. E há poucos -muito poucos - analistas capazes de despirem as vestes partidárias e exercerem uma acção informadora/formadora. E assim não se sai do digo agora eu, desmente logo tu, relegando-se a leitura dos problemas do País para um plano secundário. Enquanto andávamos nesta,mais preocupados se o 1º Ministro mentiu ou não ao Parlamento,parece que ninguém relevava o facto de as coisas terem mudado – finalmente! - de um dia para o outro.
Eu avisei ,aqui no meu cantinho..O problema era muito mais grave do que aquilo que se andava a imaginar. O problema não se esgotava no risco de bancarrota de Portugal,Grécia ou Espanha. O ataque especulativo, a continuar , arrastaria não só esses Paises mas toda a União Europeia, e levaria o Velho Continente ao tapete. Inexoravelmente.
E por isso não se soube, ou se avaliou erradamente, o que aconteceu nesta ultima semana: a UE teve avançar com o sinal á Grécia,admitindo que isso iria acalmar os mercados..Mas foi logo intuido nas horas seguintes que isso não ia chegar.Foi então a hora de tocar a rebate,mas agora pela União Europeia.Percebeu-se-finalmente!- o erro de se ter avançado com uma união monetária antes de avançar com uma união económica (e ou até politica).Houve pois,que um sinal aos mercados e esse sinal impôs regras completamente novas. Para isso era preciso baixar abruptamente os defices, já objecto de correcção anterior. Mas agora drasticamente e em conjunto. Logo, todos os Primeiro Ministros se viram obrigados a desdizer o que tinham dito ,convictamente, há umas semanas(infelizmente não foi só o nosso,mas sim :-TODOS!!).
Percam-se as ilusões: se estas(drásticas e penosas medidas ) não contentarem o «Big Brother» que manobra o ataque especulativo, um Ser invisível que ainda ninguém parece certo saber de onde provém - virão novas e muito mais penalizadoras medidas. Os tempos que se avizinham são dramáticos.
Mas essa queda o que poderá querer dizer?
Precisamente:-que se o mal antes estava nas dividas soberanas, agora, o mal,estará na recessão que as medidas brutaisrestritivas ( mas necessárias ,imperativas!) irão certamente provocar.
Pois uma coisa muito simples, que os nossos economistas parecem ainda não ter percebido: substituído o capital produtivo pelo capital que sem rosto que manobra na Bolsa, o sistema capitalista desmorona-se. O sistema está no estertor.
O Liberalismo selvagem estoirou; Marx previu este desenlace embora de um outro modo. Mas fosse de que modo fosse, era inevitável. O sistema acabaria por ruir logo que globalização explodiu e se desenvolveu anarquicamente e descontroladamente , na ausência de todo e qualquer controlo e a ritmo galopante.
quinta-feira, maio 13, 2010
Visita Papal– no timing certo….
Só os ingénuos não percebiam que o ambiente onde decorria a prática religiosa, católica, era fortemente propícia ao crime carnal. Só que enquanto o adultério se ficou pela frequência de camas das que se espenujavam, concessoras, frente dos pobres castos caídos na tentação das demoníacas ninfas , tudo era murmurado, passado no escondido do rebate dos templos entre as «ti zefas» das matinas,no abrigo do xaile que abafava o diz-se.Só desatentos poderiam ser levados a supor que o abrir do breviário era exorcismo bastante para afastar o diabo nos ataques ao terceiro pecado da alma.
Agora vem tudo escarrapachado, a bold, nos jornais, ou cacofoniado nas noticiários televisivos
Umas dezenas de casos viraram milhões. Hoje, pior que um Padre só um Politico.
O Papa precisava, por isso, de um banho de multidão que de um modo espontâneo lhe manifestasse a simpatia. Portugal e o fervor religioso das suas gentes e a sua identificação com Fátima, melhor do que nenhum outro poderia oferecer esse acolhimento afectuoso, quente e sincero.
b) Mas também é certo que o País precisava,também ele, de se reconciliar. Encontrar algo que unisse o seu Povo,afastando-o das querelas partidárias,encerrando por uns dias o coliseu dos gladiadores , onde diariamente se contam polegares. Para cima ou para baixo, matando ou esfolando, raramente percebendo. Todos estamos cansados do espectáculo.
Nas multidões que acolheram Bento XVI estiveram gentes de todas as cores partidárias(pois...pois!!!) estou bem certo. E nestes momentos terrivelmente difíceis que assolam a Europa - e não Portugal unicamente - é benéfico que exista um sentimento de unidade em torno de algo, mesmo que esse algo seja indecifrável..
O momento para o País foi pois de uma oportunidade flagrante. Parece mesmo que o País pôs a politica de lado e se sentiu capaz de se unir em torno de um sentimento comum. Salazar soube gerir bem o problema religioso no seu tempo. Usou a Igreja para pedir sacrifícios ao Povo, mas manteve aquela em respeito sempre que a mesma quis ultrapassar a sua vocação pastoral.
O tempo vai ser de pedir sacrifícios. E nada nos diz que seja por pouco tempo. Creio que o pior ainda está para vir. Para nós e para todos.
Claro que a fé não pode retirar ao Homem o sonho de um mundo mais igual. Infelizmente a Igreja condescendeu demasiado com o apetite da exploração dos mais fracos pelos mais fortes.
A Igreja sabe que não pode parar a Ciência. E sabe que a explicação está próxima.
Aladino
terça-feira, maio 04, 2010
No Parlamento, enquanto o País se confronta com uma crise que mais do que a real, é resultado de pressão especulativa vinda de investidores que apenas querem prolongar o que anteriormente vinham fazendo -uma verdadeira guerra dos tempos modernos - um grupo de Inquisidores, pré-anuncia até á exaustão,tal como nos tempos de Torquemada, a certeza, por mera convicção, que os actos heréticos do PM o terão de levar à fogueira. Ainda que nada de concreto fique provado..
E se se verificar que não foi ele que sujou a águia….prolonga-se a dita turma inquisitorial, nem que seja para dizer …
- pois sim mas a água vai suja e estamos convencidos que foi V Exª o provocador de tal. E se não foi, bem poderia ter sido.
Exibem os grotesco e façanhudos inquisidores gestos de juízes implacáveis,predispostos a mostrar que é ali, na assembleia do povo – facto que repetem até à exaustão - que reside, agora, a senhora de olhos vendados, justiceira ainda que céguinha, balança na mão sem que importe saber o lugar do fiel.
Ao fim de cada audiência os justiceiros saltam(!), agarram um qualquer microfone e olhos no publico, sorriso vitorioso clamam : está visto!...o crime é evidente .
Onde? Importa pouco.
Como?...pensamos nós de que, é bastante..
Quando? …ao jantar ou á ceia …ontem … pouco importa .Mas que houve…houve, essa é a convicção da Santa Mesa da Inquisição.
E o País que lhes paga as mordomias olha estupefacto para esta salada de politica e justiça, mixing explosivo.
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Mas do que eu estou a gostar mesmo, é daqueles descamisados economistas, todos ex Ministros.
Pois agora vão em peregrinação a «fátima» falar com o papa Cavaco .
Mas a verdade é que eu - e todos ! - sabíamos muito antes do Prof Cavaco Silva o que viria a acontecer a este País .Desde o tempo em Ele que foi preclaro Ministro das Finanças, e, depois, 1º Ministro.
C.S. vai receber o bando dos sete, e dar-lhes espaço televisivo .Para que digam, não o que eles pensam – o que pouco importaria aos portugueses que os conhecem de outras empostas -mas o que Ele pensa(?!) mas não se atreve a dizer, preto no branco.
Andou a dizê-lo no ultimo ano via Manelinha. Posta esta na prateleira arranja agora este grupelho de bruxos cuja paga será - eu o prevejo :
Um para Gov. do BP ,outro para Pres. da CGD, um outro para Ministro das Finanças, outro para chairman da PT, ainda outro para Ministro Economia, outro para a REN.(ou vocêspensam que eles estão mesmo preocupados com o destino da Pátria?)
O Medina fica sem cargo.Com reforma antecipada por incapacidade mental, atingido que foi por esclerose múltipla em estado adiantado.
Aladino
Ps- Não meus caros;não é preciso ser bruxo. A continuarem as coisas como vão, não é só Portugal que vai á bancarrota. Vai toda a Europa. Porque a questão não é dos investimentos serem errados, grandes ou pequenos, prioritários ou não.
sábado, maio 01, 2010
Manhã serena, maré baixa, laje descoberta, brisa refrescante.
[Foi longa a luta no Chile no exílio. Os camaradas da resistência interna não lhes deram um único dia de descanso.]
[Oscar Lagos Rios foi visto pela última vez no regimento Tacna de Santiago. Ferido em La Moneda, juntamente com outros elementos do GAP, foi brutalmente torturado pela soldadesca.
Amarraram-lhes as mãos com arame farpado, suportaram os interrogatórios mais inumanos e degradantes…e nenhum deles falou, entregou ou traiu aqueles que ainda resistiam]
domingo, abril 25, 2010
Em Portugal

De novo os corvos debicam
Os restos.
O povo calado,
Já pouco ensaia o gesto.
Deixo secar as lágrimas
Mas não o sonho
Da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade,
De um mundo novo.
Só secando as minhas lágrimas
Poderei ver as do meu POVO.
Coragem Amigo
Coragem Companheiro
Chegada a hora,
Num outro «abril» qualquer
A gente ainda sabe o que quer
Ainda sabemos dizer não.
Cravo rubro erguido
Passado de mão em mão,
A clamar
Grilhetas de volta ?!
Não!
segunda-feira, abril 19, 2010
Engalinho com aqueles tipos que estão sempre a citar autores célebres.
Mas que faz um jeitão ás vezes tê-los na ponta da língua, lá isso vale. Nesta idade, de vez em quando ainda apetece ser simpático com as da nossa idade. É vício.
Sucedeu há dias ver uma cachopa toda esfrangalhada pelos anos e, julgando ser – ou querer ser – simpático, disse-lhe :
- Ainda estás toda jeitosona …,galante-ei,
Ao que, mal encarada como sempre foi, me respondeu:
-já eu não posso dizer o mesmo de ti…
E foi então que me acudiu Bernard Shaw para lhe responder:
-Podias ao menos mentir como eu..….
….e fui á vida,gaita.
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Sabedoria…
Ao ver aquela desgarrada da Comisssão de Inquérito, não deixo de me recordar e pensar na sabedoria dos velhos:
A sabedoria consiste em saber que se sabe o que se sabe, e saber que se sabe o que não se sabe..
Pois é .Hoje é raro encontrar dos primeiros. E dos segundos, então ?!..., nem pensar encontrar um para amostra.
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Porque se recorre ao palavrão?…
O que é que se diz quando um galo se põe em cima de uma galinha …e esta se agacha:
-Gala-a…
Ora assim sendo a natureza descrita, com tanta justeza e simplicidade no verbo, não se deveria dizer que quando um homem se deita com uma mulher:
- Home-a ?...
E pronto : assim acabavam-se os palavrões…e eu ao ouvir Pacheco Pereira na Comissão já poderia dizer ,alto e bom som:-vai-te homer.
Aladino.
domingo, abril 18, 2010
Sócrates e Jardim
Não faltará muito e ainda verei o Sócrates vestido (despido ..) de Zulu em saltadouro simiesco ,acompanhando o cafre da Madeira.
Agora é caso para nos interrogarmos: de quantos disfarces se veste a corrupção ?
A política é toda ela um agente activo de corrupção. Se mais não for :- de corrupção intelectual, e ou, ética.
A pensar que tanto se é «puta» aqui – na T.L- como em Lisboa ou na Madeira.
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«Habemos Papa»
Pois tinha razão Ramalho Ortigão, quando perguntava aos seus leitores se conheciam o peixinho vermelho que anda ás arrecuas?
As ideias deste tipo entopem manilhas de esgoto…..
Somos um país de tristes, de piegas despeitados, de choramingas.
OH…Medina lembras-te da tua receita (?!!!) : -para diminuir a divida publica vamos passar todos a andar de burro para não gastarmos gasolina ?!
Aladino
terça-feira, março 09, 2010
SF (8 Março 2010)
segunda-feira, março 01, 2010
Era meu dever visitar alguém muito próximo de quem temo ser evidente a separação próxima. É sempre arrepiante. Aquele género de conversa de querer convencer quem não está mesmo nada convencido das nossas esperanças. E como esteve sempre habituado á nossa sinceridade parece nos censurar, «agora».
- Acreditas mesmo que «Ele» não existe?
Ensalivo , tento ganhar tempo, mas decido-me:
-Sim !...E cada vez mais. Olha !... se o encontrares primeiro diz-lhe da minha parte que para fazer «esta borrada» « podia ter, só e apenas, trabalhado dois e descansado os outro cinco». Podia ser que as coisas tivessem ficado mais entregues a cada um.
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Morte é fim único,superior?
Há quem pense -e eu já tive essa fase - de que a morte é um acto único. Morre-se naquele instante. Já está…
Ora eu penso que não. A partir de muito cedo começamos a morrer devagarinho. E depois ás tantas embalamos assustadoramente. Até que na continuação, acontece o ultimo acto.
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As declarações do Sr Bispo do Funchal deixam-me apatetado. Então ainda há argumento para culpar a Natureza e perdoar a «Deus»?
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Escutas ao «Céu».JÁ!...
Que pena que as escutas ainda não tenham chegado ao Céu. Assim poder-se-iam detectar as ordens transviadas de uns amigalhaços que traem o chefe dando ordens em seu nome.
Porque eu vou lá acreditar que Deus pudesse dar ordens destas?!.
Aladino
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
Sou o homem de olhar acinzentado
Que segue a mulher insinuante
De cor de canela que surge do império.
Já não olho para a sua silhueta, surpreendentemente, pasmado.
Mas para o que retenho da imagem que se foi dissolvendo.
A luz não me ofusca porque dela apenas retenho a miragem.
Interessa-me pouco por onde foi, o que fez, ou onde andou. A sério…
É um enigma de que perdi o desejo. Voltar a descobri-la.
Vou jogando com ela à batota.
Falando de coisas que podiam ser, mas não são.
Como nós também já não somos, não há batota.
Há um terno de mãos que não se mostra. Finge-se.
Ela joga comigo estranhos jogos florais.
E às vezes a vida. Eu não.
Melhor deixar repousar a poeira do passado
Que ficar com os olhos doridos do presente, ausente.
Sinto por vezes que sorrimos. Ou choramos?
E que insinuando, sem nunca o dizer
Lembramos esses anos que nos fugiram.
A noite de ausência em que por assim querer, estamos.
Aladino (fev,2010)
terça-feira, fevereiro 16, 2010
sábado, fevereiro 13, 2010
Matar a Democracia…parece ser« interesse público»
Reina a mais absoluta e desbragada..e intolerável, leveza do ser ,em Portugal.
Já ninguém tem vergonha. Já ninguém acredita em ninguém. Já todos perceberam que transformámos – ou deixámos transformar este País -no maior pardieiro, onde nem eu nem Tu ,temos o direito de dar um traque …Porque o dito..silencioso ou espatafurdiamente sonoro, ressonante e requebrado,flauteado, virá amanhã esparrachado no Orgão de Comunicação Social libertário(ou libertino?!),próximo.
Hoje é o dia dos namorados. Na comunicação social -não sei se repararam?! – apregoam-se mezinhas para tratar uma pandemia que parece grassar no País: - a disfunção eréctil…
Não sabia -felizmente! - que este surto pandémico grassava por aí com tal intensidade. Embora desconfiasse…pelas consequências.
É verdade.
Isto é já um País de sujeição à gravidade. Incapaz de se levantar. Perdido no diz-se. E alegremente sorridente na inconsciência com que vai para o cadafalso.
Recebo diariamente de (amigos)radicais, informação sobre textos «reaccionários».(sim porque o radicalismo é sempre reaccionário!) .Enviam coisas de que lêem ,e com que se masturbam.
Eles que me desculpem. Eu não transcrevo. Tento reflectir. Penso por mim ,não preciso que outros me indiquem o caminho.
Muitos desses já nem se lembram da PIDE:-entrávamos no «Trianon» e até sabíamos a mesa onde estavam os esbirros. Íamos ver a televisão ao «Santos», e logo que descortinávamos os «informadores» fascistas frequentadores do «Café Berlin».Tomávamos cuidado. Eu não. Afrontava-os. E cheguei mesmo a ir á cara de um deles, o cap Barreto, figura patética, embirrenta, lembrando as SS, que se deve ter mijado quando o afocinhei nos bolos do «Manuel Cova».
Constatei no meu processo (recuperado) que afinal o tipo até me tinha em alta consideração!!!. Não só considerava e fazia anotar, eu ser um elemento «altamente» perigoso para o regime, como elogiava a biblioteca que dizia eu ter(Marx,Fidel,Rosa Luxemburgo,Engels etc etc), porque até era verdade, eu lhe emprestar uns livros, que em determinada altura tive de esconder em casa do meu sogro (do que ele deu conta aos patrões).Coitado: era um pobre diabo…
Vem isto a propósito desta nova PIDE instalada no País.
Agora,nem eu nem Tu,reconhecemos, ou desconfiamos do PIDE boçal .Agora és escutado por «uma PIDE» que tudo sabe. E que nem te leva para o calabouço. Não!...abatem-Te na praça publica sem direito -ou presunção – de defesa. A tortura física é muito mais suave. Esta agora mata, porque é indigna.
O País é um lameiro de corporações. Ora a corporação jornalística é das mais reles. Sei-o de fonte sabida. Quando foi preciso «vender», comprei muitas vezes o espaço. Esmolas. O que será,hoje, com os interesses na grande comunicação Social.
O País hoje rende-se a uma «desbocada» Manela & Marido. Que entrouxaram milhões de euros, e se estão a rir dos peralvilhos, preocupados com a perda da dedirrósea aurora da liberdade . O arrastado Crespo, segurou o programa onde defeca lugares comuns, apregoando …o que ..outro…ouviu. E um Saraiva putrido, que se vende aos interesses da família Santos, como se venderia aos interesses de Bin-Laden para fugir ao falido projecto «Sol» ,brinca com uma justiça em nome da «Liberdade».«Liberdade?...» afinal o que és tu...apetece perguntar chegados,aqui,ao fim da linha.
Dizem que o interesse publico, é quem mais ordena!!!
Pois : até em nome desse interesse se pode matar. O quê?
A DEMOCRACIA…
domingo, janeiro 31, 2010
Manuscrito ( 1ª pag).
Reli-o.Começo exactamente, então, no mesmo, por referir desde logo que o 31 de Janeiro não foi uma revolução triunfante. E não o foi,não porque o sentir indelével de todo um povo o não desejasse,perante uma Pátria hipotecada aos interesses estrangeiros. O 31 de Janeiro falhou - adiantava eu -pela impreparação revolucionário do povo.
Hoje se tivesse de participar uma vez mais em outro qualquer comício das comemorações dessa, tão gloriosa como dolorosa data, diria exactamente o mesmo.
De facto a revolta do Porto teve o seu quê de extemporâneo. Era certo que havia dissidências entre os republicanos do Porto e de Lisboa sobre o modo, de como e quando, fazer eclodir a revolta no sentido de apear a Monarquia de D.Carlos.Que estava podre, caduca e corrupta. À espera de um empurrão para cair.Era contudo preciso dar tempo para «os colocar de acordo», dada o tumulto provocado pela questão do ultimato inglês,ainda não digerido.
Três semanas antes da «revolta», os elementos mais moderados tinham conseguido exactamente chegar a tal situação. Mas um acontecimento fortuito relacionado com a oposição dos sargentos à Lei que impunha que os lugares de Alferes fossem exclusivamente ocupados por alunos da Escola do Exército, fez grassar uma forte indignação nos Sargentos, contra a mesma, levando à organização de um levantamento nos quatéis, decidido à revelia do directório do Partido. Durante a revolta os oficiais das unidades do Porto mantiveram-se alheios ao «golpe».
Mas o Povo, esse, esteve ao lado dos revoltosos, vitoriando-os entusiasticamente, servindo-lhes aguardente e pão quente, depois de uma noite fria e chuvosa, suportada fora dos quartéis.. E das janelas da Câmara do Porto, pôde Alves da Veiga proclamari pela primeira vez em Portugal -ainda que por escassas horas- a Republica.E até anunciar o nome dos elementos que iriam constituir o primeiro Governo Provisório.

A 1ª Proclamação da Republica (Porto)
Revoltosos e o Povo dirigiram-se então para a Praça da Batalha. Das janelas, senhoras de braços pousados nas colgaduras com que repentinamente se apressaram a enfeitar as janelas debruçadas sobre a rua íngreme, gritavam entusiasmadas, acenando freneticamente aos bravos do batalhão. A marcha parecia triunfal. Só que quando subia a rua de Stº.António, postada lá no cimo, a Guarda Municipal -provando que as autoridades civis e militares do Porto estavam perfeitamente ao corrente do plano - equipada com recente armamento de grande eficácia, entrincheirada nas escadas da igreja, fez inesperadamente fogo apontando ao peito dos revoltosos. A rua ficou num ápice, juncada de cadáveres.
A marcha retrocedeu. Povo e soldados, atropelando-se, fugiram espavoridos. Aí o Cap. Leite e o Alferes Malheiro resistiram heroicamente, tentando reagrupar os seus soldados, ao tempo que interpelavam os oficiais da Guarda Municipal de quem não se esperava tamanho, e tão feroz, procedimento. Retrocedendo até ao largo Municipal, apesar dos esforços dos referidos heróis revolucionários, não houve outra atitude senão a rendição.
O Porto «o berço da liberdade», «a cidade Invicta», honraria assim, uma vez mais, o seu historial. Já tinha sido ali, naquela cidade, que eclodira a primeira revolta liberal. Aconteceu em 1820,com a ajuda do batalhão de Aveiro. E nela se gritou,então, «às Cortes».
Também em 31 de Janeiro de 1891 se gritaram vivas à Liberdade, à Revolução e à Republica.

Conselho de guerra a bordo do »Afonso de Albuquerque«
Senos da Fonseca
PS –Não era fácil nesses anos de sessenta, subir ao palco e invectivar o regime. Conduzido pela mão de minha Mãe, desde miúdo que me habituei a essas refregas.
Era um risco;confesso porém que pouco ligava a isso.E até tenho um episódio curioso que não resisto a contar.
Recordo-me de um dia após uma dessas intervenções, trabalhava eu na então Companhia Portuguesa de Celulose, do espanto dos meus colegas mais velhos à minha participação num Comício ,onde atirei forte e feio no regime Salazarista, o que veio noticiado nos jornais da época. Avisaram-me que estava a pôr em causa a estabilidade do meu lugar. Curiosamente, para espanto ,o eng. Quevedo(adm todo poderoso) da CPC, passado pouco tempo promoveu-me com rapidez nunca vista naquela casa.E mais. Louvou-me pelo trabalho desenvolvido.
E pouco tempo depois era eu que me despedia (com amizade de todos) por entender que não tinha feitio para chegar a general só depois de velho.Apesar de… todos os esforços do Quevedo para que eu ficasse.
Mas as coisas nem sempre eram assim...
SF
sábado, janeiro 30, 2010
Super Nacionalismos
Existe um sério problema ao qual me parece se estar a dar pouca importância.
A realidade é outra bem diferente; os mercados em crescimento vertiginoso obrigaram a deslocalizações da produção dos bens a produzir para zonas geográficas mais perto dos mesmos. Lógico. E, claro por razões de exploração de mão-de-obra local. Para que eles comprem tem de se lhe meter uns míseros tostões no bolso.
O grande projecto pós moderno de um império Europeu construído voluntariamente, esfumar-se-á. À tentativa de atenuar os nacionalismos no seu interior, responderão outras potências com um exacerbar nacionalista.
terça-feira, janeiro 26, 2010
OGE -2010
Já aqui o referimos, anteriormente, dando conta que nunca terá sido tão pacifico e tão facto previsível, o resultado da aprovação do O.G.E. para 2010.A direita viabilizá-lo-ia ,desde que recebidos uns trocos de modo a aparecer à opinião pública(ao povo) com uma fortaleza que putativamente teria sido suficiente para exigir «coisa» palpável, em troca.Nada disso aconteceu. Ora a verdade é que já se percebeu que aquilo foi um fazer de conta. Ao fim PSD/CDS levaram apenas uns trocos e já não foi nada mau. Claro é que, Orçamento aprovado, serão os primeiros ratos a abandonar o barco,antes que cheguem as manifes, esperadas e já anunciadas.A força está na rua ,sorri o PC.
A Esquerda portou-se como esperado. Mas até o BE ruminou, no fim, um hipotético compromisso ,não fora, dizem, a velha questão das mais valias de curto prazo(especulativas).
Eles sabem perfeitamente que esse é, também, um objectivo do Governo. É até pela mera questão de que tem de ser. Já ninguém contesta(senão os próprios que usufruem os chorudos lucros) que num curto espaço de tempo a taxação das mesmas não seja uma decisão pacifica na EU.Mas de imediato ,quer-me parecer que seria perigoso introduzi-la.Neste momento em que o fundamental é resolver a crise do emprego.
Veremos quando e como se voltarão a formar as coligações negativas.
PAPANDREOU sem papas na língua
Hoje é um dia memorável para a história. Estou certo.O Primeiro Ministro Grego disse nos areópagos que a dèbacle da Grécia se ficou a dever á super concentração do dinheiro especulativo e ao poder da Comunicação Social, em meia dúzia de mãos. E ás ligações mafiosas entre estes potentados.
Ora em boa verdade Vos digo: sob uma pressão especulativa um País como Portugal estará indefeso. E essa altura está bem mais próxima de acontecer do que aquilo que se pensa. Não há , em minha opinião, reformismo que se atreva a mudar as coisas. A mudança só se fará por via revolucionária , a doer. Não tenho duvidas. E enquanto isso não sucede faz-se de conta.
Mas onde é que já há revolucionários?
E não há ninguém que mande calar um «marmelo» destes?
sexta-feira, janeiro 22, 2010
E o que fazer agora dobrado o Cabo dos setenta?
Olhar com olhos tristes os poucos e esganados horizontes,
E ficar por aqui a mendigar emoções novas
Quando o suão que traz na mão a foice
Espreita escarrapachado no varandim o momento em que me distraia?
Que hei-de dar à vida ,senão uma enorme vaia,
À magana que não poucas vezes, em vez de amor, só me deu coice;
E que em vez de alento só soube colocar á prova
O sôfrego que a quis beber em taça de ouro, num só momento,
Todas as delícias prometidas:- o céu ,o azul, a loucura vã de quem a inventa (?)
Revejo-me nessa já longa história, inconsequente.
Onde ontem esperei, hoje já não espero, nem sequer tento,
Deixo-me conduzir não por aquilo que queria ver, mas que vi
E sem nada esperar, contudo, não me renego. A vida foi-se,
Eu sigo coração apaixonado sem saudade de voltar àquela «praia».
SF 22.01.2010
quarta-feira, janeiro 13, 2010
E assim se vão desenvolvendo(e cumprindo) as etapas. E estarei em breve em trabalho de parto, com todos os incómodos que tal situação acarreta.
Há pouco, há cinco minutos, chegou-me impresso o nº1 do livro «História das Embarcações Lagunares».
História Embarcações Lagunares
O «puto» tem raça e corpo.É a primeira avaliação que faço do figurino..
Agora começa uma tarefa desgastante. Ver, aumentar ,cortar ,corrigir, planificar, tratar roda-pés etc. etc. Gosto que as coisas que me saiem da mão sigam praticamente prontas para a gráfica. Lá limitam-se a dar-lhe um toque de disposição da ilustração, personalizado.
E assim se encerra mais um capitulo, que levou um par de anos a construir.

E é já nesta altura que germina a ideia do que fazer a seguir. A escolha é difícil. Mas também sei que na altura própria, a ideia vai aparecer.
Ao menos hoje vale a pena comemorar comigo o acontecimento.
Senos da Fonseca
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