segunda-feira, agosto 23, 2010

«Gafanha da Nazaré» 1910-2010


A celebração do Centenário da Gafanha da Nazaré, levou a que o Prof. Fernando Martins elaborasse um trabalho que deu á estampa onde alinhou, numa ordem cronológica, algumas das datas mais marcantes do historial da hoje cidade Gafanhoa. Um século de existência ; uma história que ainda não é chegado o tempo de contar.
Certamente que objectivo do Prof.Fernando Martins não era o de enveredar por esse caminho,mas tão só fazer um registo cronológico dos acontecimentos ,sem deles retirar qualquer tipo de ilação (senão méritos).
Trabalho,pois, de enaltecer , cheio de oportunidade, que veio enriquecer os festejos da celebração dos cem anos de existência - uma data sempre bonita e digna de ser celebrada - nem sempre fácil.
Aquela frase, que houve um tempo era comum ouvir-se - se os holandeses fizeram a holanda,os gafanhões fizeram as gafanhas,continha muita verdade.
O Prof. Fernando Martins-um assumido humanista- segue há muito, com muita atenção,muito interessadamente e numa perspectiva de permanente de valorização dos aspectos positivos – por isso o seu Blog «Pela Positiva»-o dia a dia da comunidade– a realidade local e tudo que lhe é envolvente: no social,humano e religioso .Fê-lo desde longa data.E fê-lo de várias maneiras, utilizando para tal as mais variadas e diversificadas ferramentas,no exercício nobre de comunicar. E continua hoje ,ainda, muito atento. Foi bom que deixasse este testemunho que como poucos estava em condições de fazer. São aliás este tipo de testemunhos que servirão de base, um dia,para se tecer a história destas gentes cuja origem e preservação de identidade desde logo levanta curiosas interrogações a merecer estudo aprofundado,dando continuidade (e para o completar) esse notável trabalho monográfico do P.Vieira Resende.
Positivo ,pois,este trabalho de Fernando Martins.
Senos da Fonseca

segunda-feira, agosto 02, 2010

Caros amigos:

O baú que se deixa na Costa-Nova,tipo «Reserva» é surpreendente.

Encontrei lá este.Porque não o hei-de compartilhar com os amigos?

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A VIDA É «soma e segue»

Pudesse eu sentir o bafo dos dias quentes
(para deixar de sentir a dor
A dor tremenda de me ver ainda acordado
(em tudo o que escrevi.
Nessas folhas em que amei e fui amado
(ainda que noutras, não sei (?), odiado..


Sinto a dor tremenda de nelas não ver gestos,
(seria que lá não couberam?
Ou estando lá, eu não os vi, tão escassos eles eram?
(a vida é «soma e segue».
Por isso quem me dera morrer num instante
(antes que o inverno mos negue.

Ateio as poucas brasas que ainda há em mim
(frias dos beijos que não recebi
E recuso o sono, a paz e a solidão que só hei-de querer no fim
(quando então longe daqui;
Mas não deixo, hoje, de escrever num cravo ruivo para Ti
(o que já não sei dizer a mim.

SF (s/d)

segunda-feira, julho 19, 2010

O Barco da Ilusão


Terminada a tarde
Feita braseira de mil sóis
Veio a noite primeva
Sem sopro nem sombra
Errando na ria, neste praiar do mar;
Os meus olhos, outrora sonhadores,
Olhando o que
Aos outros trará vida.
A mim, apenas vejo sorrir a morte.

Silêncio coalhado de prata,
Solidão estendida no sono impaciente
Cortada pelo pio de uma ou outra gaivota.
No meu choro correm bagas de gritos:
Já não virá o dia, algum dia(!)
Que há-de ser «novo dia».
A vida, magana :- não pára, enfim!
Avança ao som do toques marciais
Comandados pelo soar estridente do clarim.

Amanhã haverá nova alvorada
Azul ,enevoada, ou imprecisa
Pouco já me importa, ou colhe ,
Que chegue a fria madrugada
E apague e dê por finda
Esta errante caminhada.
Sou gaivota de asa ferida
Na borda do mar irado, enxerida
Esperando o barco da ilusão.
Colher amarras, alar a vela, largar do cais
E vogar além…ainda mais além... sempre além,
Partir como ave de arribação
Voltar ou não ?!

SF (19 /7/2010)

terça-feira, junho 22, 2010

CAVACO BANAL ...sempre igual.

No comentário ao desaparecimento de Saramago expressei alguma compreensão (?!) pela falta de comparência do senhor Presidente da Republica (parece que por proposta do PSD vamos deixar de o ser…), no funeral.
Então referenciei uma certa, e para mim correcta apreciação de Saramago a Cavaco, a qual foi o de considerar aquele «um livro de banalidades».
Ora Cavaco veio, de imediato, dar razão a Saramago.
Questionado acerca da polémica sobre a sua ausência, o Presidente da Republica, disse, não pode comportar-se como os amigos do defunto. Estes devem ir ao funeral. O PR não!».
Banalidade execranda.
Porque os amigos até poderiam faltar, mas o PR: - esse, não!
Porque representando a Nação, o PR devia manifestar com a sua presença, o reconhecimento da dita a um seu notável filho. Só Ele poderia, por inteiro e universalmente, fazer. Não era Cavaco que estaria presente, mas o representante de «todos» os portugueses, o PR (que tantas vezes gosta de evocar o nome do Povo em vão.
Banal q.b.
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Réplica ao meu comentário ( v.Saramago)

Foram muitos e diversos os comentários que me foram enviados. Tomei atenção a todos, e, claro agradeceu, mesmo os desfavoráveis. Eu sabia que estava a tocar numa matéria que não era universalmente consensual.
Registo aqui o comentário (que tentou inserir directamente no Blog, mas falhou) do amigo, nosso conterrâneo, Cte Paulo Corujo;
Olá João Fonseca

O que lhe dizia no blogue era mais ou menos o seguinte:
Concordo que José Saramago era um grande escritor e prestou um grande serviço aos pais projectando a língua portuguesa para uma visão cultural mais alargada. Eu li com alguma dificuldade em 1996 dois livros que julgo serem os melhores que ele escreveu: O Memorial do Convento e o ano da morte de Ricardo Reis. Gostei dos dois e achei sobretudo que constituíam efabulações surpreendentes. Mas não li mais pois achei que os seguintes tratavam de temas que colidiam grandemente com a nossa cultura. Não havia necessidade, como dizia a personalidade de Hermano José. Eu fui sempre liberal, política e economicamente falando. Recordo-me com imenso desgosto de um pobre homem, julgo que sapateiro, muito alto que tinha a modesta oficina defronte do Salão Cinema, creio que se chamava Pinho. As pessoas diziam: cospe meu menino, que é maçónico, julgo que no sentido de incréu.. A intolerância era selvagem e a lavagem dos cérebros manifesta.
Neste ponto chegamos a outra faceta do homem José Saramago: era um homem amargo e intolerante. O que ele disse no Diário de Noticias em 1975, quando saneou seus camaradas. Foi mais ou menos o seguinte. É preciso eliminar os nossos adversários pela violência para a vitória da revolução. Puro Leninismo e Estalinismo na sua forma mais requintada, com apelo às checas de Djerzinsky. O homem era mau e isto não lhe perdoo pelo facto de ele ter morrido.
Por pudor, não lhe retransmiti Maios de extrema-direita com que não concordo. Mas vou fazê-lo para o João tomar nota do mundo em que vivemos. Deve-se ler tudo, Freud or foe.
PC
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Já respondi ao Comandante.
Reconhecendo o acertado da sua apreciação quanto aos livros citados e respeitando a sua apreciação sobre os restantes.
E como ganhou «coragem» para vencer o pudor de me enviar os ditos comentários «foes» de extremistas- e mandou-os - garanti-lhe que os li com atenção. Garanti-lhe que leio e aceito tudo, e que até leio com particular atenção os fanáticos, pois assim percebo melhor a minha razão.
E que até aceito extremistas…desde que poucos…

SF

domingo, junho 20, 2010

Da vida para a galeria dos veneráveis



Plagiando Saramago direi:
- aquilo que a morte nunca poderá ser acusada é de ter deixado indefinidamente no mundo algum esquecido velho… não porque, no caso vertente, a velhice lhe tivesse retirado merecimento, mas porque a dita - dizem -tem hora marcada para retirar da prateleira dos vivos os que vão sendo empurrados para o seu topo .

Neste tempo de crise o País ficou ainda mais pobre. Porque construir o futuro sem a ajuda de homens lúcidos, críticos, socialmente presentes, eticamente exemplares, é muito mais difícil e problemático.
Escritores com a dimensão universal de Saramago, não se repetem geracionalmente, senão de intervalos a intervalos, por vezes tão longamente afastados que não há outra maneira de os perpetuar senão em estátua de argila.
O contacto com a escrita de Saramago não era fácil. Pelo menos para mim não foi. Bem ao contrário foi-me necessária teimosia para me adaptar e penetrar no autor. Habituado a uma leitura clássica, de ponto e vírgula esperados, de conjugação intuitiva temporal, ao principio tudo me pareceu em Saramago subversivo. Foram precisas uma , duas …seis vezes -sei lá, já não me lembro! - para vencer a distância entre o leitor vulgar e o escritor que rescrevia as regras. Lembro-me, até, de algumas criticas avulsas e cavernosas, que ao tempo, diziam, não saber Saramago escrever porque o não teria aprendido nos bancos da universidade.
Verifiquei contudo, não sem espanto, que depois de habituado à leitura, esta se tornava sôfrega, imparável, impondo-se o desejo de não mais a largar até a esgotar. Houve, assim ,livros lidos numa só noite. Como eu gosto…
Desde muito cedo tive a percepção de estar perante um autor universal e intemporal. Para tal ser – ou aceder - era importante que, não só os temas deixassem de ser redutoramente fechados(referenciados) ao rectângulo pátrio (por muito bons que fossem ) mas transportados para a universalidade das preocupações do devir do homem num momento histórico de reconstrução, carregado de nuvens de mau agoiro. E era ainda imprescindível, para alcançar tal catalogação, que o ritmo verbal dessa expressão preocupada fosse liberta do espartilho de uma língua difícil ,onde só mestres discípulos de P. António Vieira, no verbo e no ponto, se fizeram aceitar.
A escrita de Saramago era do género: -se és capaz de olhar e ver ,atenta. Se não fores capaz:-faz de conta. Para melhor o exemplificar , descreveu-o no seu « Ensaio sobre a Cegueira».
Claro que há obras melhores e outras menos boas em Saramago. Mas no seu todo o que a obra saramaguiana reflecte, e fez jus ao Nobel - mesmo contra a «cegueira» de uns tantos excluídos pátrios - foi ter na base a permanente inquietação do homem que se confundia com o escritor, assumindo-se na vida cívica um espírito critico que não temia dizer - o quê, quando ,e sobre - o que pensava.
Podíamos, pois ,e á vontade, discordar de Saramago. Lê-lo ou não. Mas a verdade é que mesmo discordando – a não ser que fossemos cegos de todo – éramos levados a pensar. E isso era exactamente o que Saramago pretendia ousar: pôr todos nesta Pátria - mais do que no espaço redutor do País -a pensar, cada um por si. Mesmo que de um modo diferente. Tanto melhor….se assim fosse.
Saramago foi hoje cremado por sua vontade, própria, expressa. A referência que hoje lhe é feita no órgão oficial da Igreja Católica, em Roma , faz-nos antever que se os tempos fossem, ainda, o de trevas inquisitórias, Saramago seria cremado ,não por vontade sua ,mas por ordenança condenatória dos esbirros do templo, na praça publica, por ousio blasfemo .
Quando Saramago resolveu dilucidar sobre se que a existência humana não era ,afinal, a prova da inexistência de Deus, ao fazer da cabeça escritório da razão, entrou por veredas perigosas. Afinal quando se limitara a exemplificar que existe um profundo abismo entre o dictat de Cristo e a práxis da Igreja que se acolheu á sua sombra.
Creio que todos estiveram bem ,neste dia de homenagem ao escritor que continuará entre nós ,pois dos seus feitos se libertou desse acidente que é a morte física. Todos?
Sim :-até Cavaco, de quem Saramago disse um dia, ser um livro de banalidades, confrangedoras, esteve igual a si mesmo. Um tipo banal que por acaso é
Presidente de um País, que não de uma Pátria.
SF

sábado, maio 15, 2010


Pois… pois… estava á vista….


A situação é grave. Era minha perfeita convicção, e disse-o aqui , ser a dita muito mais grave do que aquilo que por aí se ia falando. Há um claro défice qualitativo de informação em Portugal. Os problemas são debatidos, estritamente numa posição de confronto. E há poucos -muito poucos - analistas capazes de despirem as vestes partidárias e exercerem uma acção informadora/formadora. E assim não se sai do digo agora eu, desmente logo tu, relegando-se a leitura dos problemas do País para um plano secundário. Enquanto andávamos nesta,mais preocupados se o 1º Ministro mentiu ou não ao Parlamento,parece que ninguém relevava o facto de as coisas terem mudado – finalmente! - de um dia para o outro.
Eu avisei ,aqui no meu cantinho..O problema era muito mais grave do que aquilo que se andava a imaginar. O problema não se esgotava no risco de bancarrota de Portugal,Grécia ou Espanha. O ataque especulativo, a continuar , arrastaria não só esses Paises mas toda a União Europeia, e levaria o Velho Continente ao tapete. Inexoravelmente.
E por isso não se soube, ou se avaliou erradamente, o que aconteceu nesta ultima semana: a UE teve avançar com o sinal á Grécia,admitindo que isso iria acalmar os mercados..Mas foi logo intuido nas horas seguintes que isso não ia chegar.Foi então a hora de tocar a rebate,mas agora pela União Europeia.Percebeu-se-finalmente!- o erro de se ter avançado com uma união monetária antes de avançar com uma união económica (e ou até politica).Houve pois,que um sinal aos mercados e esse sinal impôs regras completamente novas. Para isso era preciso baixar abruptamente os defices, já objecto de correcção anterior. Mas agora drasticamente e em conjunto. Logo, todos os Primeiro Ministros se viram obrigados a desdizer o que tinham dito ,convictamente, há umas semanas(infelizmente não foi só o nosso,mas sim :-TODOS!!).
E agora a questão é mesmo a doer…

Se no ano passado se traçaram politicas de apoio ao emprego (tentando minorar a sua escalada,para isso desprezando os défices) agora quase que se vem dizer que é mesmo preciso apoiar o desemprego,incentivando-o (!)criando condições para o fazer aumentar ,especialmente na máquina do Estado. Aqui e em todos os Países.
Percam-se as ilusões: se estas(drásticas e penosas medidas ) não contentarem o «Big Brother» que manobra o ataque especulativo, um Ser invisível que ainda ninguém parece certo saber de onde provém - virão novas e muito mais penalizadoras medidas. Os tempos que se avizinham são dramáticos.
Ora pelos resultados da bolsa do dia de hoje, parece que as mesmas não chegaram para parar a especulação. As bolsas caíram de novo brutalmente. (Ao contrario do anunciado na TV ,a queda de Portugal não foi uma das mais altas mas uma intermédia. Grande ajuda a destes tipos inconscientes e péssimos analistas) .
Mas essa queda o que poderá querer dizer?
Precisamente:-que se o mal antes estava nas dividas soberanas, agora, o mal,estará na recessão que as medidas brutaisrestritivas ( mas necessárias ,imperativas!) irão certamente provocar.
A velha história :não foste tu ,mas o teu Pai…
E afinal o o que é que isto tudo quer dizer?
Pois uma coisa muito simples, que os nossos economistas parecem ainda não ter percebido: substituído o capital produtivo pelo capital que sem rosto que manobra na Bolsa, o sistema capitalista desmorona-se. O sistema está no estertor.
O Liberalismo selvagem estoirou; Marx previu este desenlace embora de um outro modo. Mas fosse de que modo fosse, era inevitável. O sistema acabaria por ruir logo que globalização explodiu e se desenvolveu anarquicamente e descontroladamente , na ausência de todo e qualquer controlo e a ritmo galopante.
SF
PS- Vamos continuar nos próximos Blogs a conjecturar, por conta própria, sobre esta questão quer do ponto de vista prático (reacção sindical) e teórico (novo paradigma económico)

quinta-feira, maio 13, 2010


Visita Papal– no timing certo….

Temos para nós que esta visita de Bento XVI a Portugal se deu em boa hora, com vantagens evidentes para ambas as partes.Concretizada no momento próprio, certo e adequado.
Já aqui o disse mais do que uma vez, mas é sempre bom repeti-lo: não sei o que é esse mistério da fé, na crença de uma qualquer divindade. Não me revejo nos que dizem a vida não ter sentido se não se acreditar numa outra (?!)- que ninguém sabe explicar o que será ou como se materializará, pois ao se materializar negava-se a si mesma .Mas nutro enorme respeito pela Igreja, pela prática religiosa ( excluído o beatério) que conduzida segundo finalidades cristãs ,pode trazer enormes benefícios à comunidade. E temo, até, que uma sociedade que não dá aos seus jovens uma educação básica (teórica),de princípios morais e éticos, se arrisca a desagregar-se rapidamente, por demasiadamente centrada numa lógica individualista .Fui educado dentro de princípios católicos, muito rígidos e fortes. Mas logo que chegada a idade de decidir por mim, foi-me dada total liberdade de escolha. Sem qualquer tipo de influência ,para um ou outro lado. A decisão foi inteiramente minha. E nunca a questão mereceu abordagem para se procurar entender o meu desvio.
Posto isto vejamos :
a) A igreja atravessa uma das maiores crises dos seus dois milénios de vida. Como disse Bento XVI, o grave da questão - a dimensão que a mesma tem no mundo - é que o ataque, a sabotagem, vem de dentro dela própria. Do vício -do pior dos vícios !- de alguns (?) dos seus representantes. É certo que a Igreja - e as Instituições dela emergentes - , conviveram sempre -e bem !– com a licenciosidade e o vicio. Muitos Papas encabeçaram a lista dos mais libertinos, viciosos, licenciosos e vis pulhastras, empunhando o báculo mais como gládio do que como símbolo doutrinal de Cristo. Só que pelo menos até ao século XIX a Igreja soube gerir dentro das suas paredes o vício carnal. Hoje não é o poder de um Rei, qualquer, que se atira ao Papa para lhe subtrair, esta ou aquela mordomia. É a Senhora toda poderosa da Comunicação Social que acolhe com intenso furor a denuncia do nefando e horrível crime da pedofilia.
Só os ingénuos não percebiam que o ambiente onde decorria a prática religiosa, católica, era fortemente propícia ao crime carnal. Só que enquanto o adultério se ficou pela frequência de camas das que se espenujavam, concessoras, frente dos pobres castos caídos na tentação das demoníacas ninfas , tudo era murmurado, passado no escondido do rebate dos templos entre as «ti zefas» das matinas,no abrigo do xaile que abafava o diz-se.Só desatentos poderiam ser levados a supor que o abrir do breviário era exorcismo bastante para afastar o diabo nos ataques ao terceiro pecado da alma.
Agora vem tudo escarrapachado, a bold, nos jornais, ou cacofoniado nas noticiários televisivos
com foro de moléstia onde já nada, nem ninguém, se aproveita.
Umas dezenas de casos viraram milhões. Hoje, pior que um Padre só um Politico.

O Papa precisava, por isso, de um banho de multidão que de um modo espontâneo lhe manifestasse a simpatia. Portugal e o fervor religioso das suas gentes e a sua identificação com Fátima, melhor do que nenhum outro poderia oferecer esse acolhimento afectuoso, quente e sincero.

b) Mas também é certo que o País precisava,também ele, de se reconciliar. Encontrar algo que unisse o seu Povo,afastando-o das querelas partidárias,encerrando por uns dias o coliseu dos gladiadores , onde diariamente se contam polegares. Para cima ou para baixo, matando ou esfolando, raramente percebendo. Todos estamos cansados do espectáculo.

Nas multidões que acolheram Bento XVI estiveram gentes de todas as cores partidárias(pois...pois!!!) estou bem certo. E nestes momentos terrivelmente difíceis que assolam a Europa - e não Portugal unicamente - é benéfico que exista um sentimento de unidade em torno de algo, mesmo que esse algo seja indecifrável..

O momento para o País foi pois de uma oportunidade flagrante. Parece mesmo que o País pôs a politica de lado e se sentiu capaz de se unir em torno de um sentimento comum. Salazar soube gerir bem o problema religioso no seu tempo. Usou a Igreja para pedir sacrifícios ao Povo, mas manteve aquela em respeito sempre que a mesma quis ultrapassar a sua vocação pastoral.

O tempo vai ser de pedir sacrifícios. E nada nos diz que seja por pouco tempo. Creio que o pior ainda está para vir. Para nós e para todos.

Claro que a fé não pode retirar ao Homem o sonho de um mundo mais igual. Infelizmente a Igreja condescendeu demasiado com o apetite da exploração dos mais fracos pelos mais fortes.
Talvez ainda seja tempo de se humanizar, mesmo que para isso, Cristo - um outro - «desça» à Terra. Ou seja, se afirme na Terra.
A Igreja sabe que não pode parar a Ciência. E sabe que a explicação está próxima.

Aladino

terça-feira, maio 04, 2010

Somos um verdadeiro país da treta…

No Parlamento, enquanto o País se confronta com uma crise que mais do que a real, é resultado de pressão especulativa vinda de investidores que apenas querem prolongar o que anteriormente vinham fazendo -uma verdadeira guerra dos tempos modernos - um grupo de Inquisidores, pré-anuncia até á exaustão,tal como nos tempos de Torquemada, a certeza, por mera convicção, que os actos heréticos do PM o terão de levar à fogueira. Ainda que nada de concreto fique provado..

E se se verificar que não foi ele que sujou a águia….prolonga-se a dita turma inquisitorial, nem que seja para dizer …

- pois sim mas a água vai suja e estamos convencidos que foi V Exª o provocador de tal. E se não foi, bem poderia ter sido.

Exibem os grotesco e façanhudos inquisidores gestos de juízes implacáveis,predispostos a mostrar que é ali, na assembleia do povo – facto que repetem até à exaustão - que reside, agora, a senhora de olhos vendados, justiceira ainda que céguinha, balança na mão sem que importe saber o lugar do fiel.

Ao fim de cada audiência os justiceiros saltam(!), agarram um qualquer microfone e olhos no publico, sorriso vitorioso clamam : está visto!...o crime é evidente .
Onde? Importa pouco.
Como?...pensamos nós de que, é bastante..
Quando? …ao jantar ou á ceia …ontem … pouco importa .Mas que houve…houve, essa é a convicção da Santa Mesa da Inquisição.

E o País que lhes paga as mordomias olha estupefacto para esta salada de politica e justiça, mixing explosivo.
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Só se forem à bruxa…é que acertam !!!

Mas do que eu estou a gostar mesmo, é daqueles descamisados economistas, todos ex Ministros.
Por acaso-ou talvez não - qual deles o pior!..
Pois agora vão em peregrinação a «fátima» falar com o papa Cavaco .
Este anunciou, esta semana, que já há sete anos tinha previsto o que ia acontecer a Portugal.
E até o escreveu. Tal feito ,só por si justificaria um prémio Nobel.

Mas a verdade é que eu - e todos ! - sabíamos muito antes do Prof Cavaco Silva o que viria a acontecer a este País .Desde o tempo em Ele que foi preclaro Ministro das Finanças, e, depois, 1º Ministro.
Da Europa vieram,então TIR’s de dinheiro. E o que fez ele nesses tempos de herança soarista?
Lembram-se?
Assim o que o Sr. Professor previu com antecedência de sete anos, eu previ com antecedência de vinte.
Isto de ser economista é bestial.
Só sabem explicar o que aconteceu , porque acertar no que vai acontecer, só se forem á bruxa.

C.S. vai receber o bando dos sete, e dar-lhes espaço televisivo .Para que digam, não o que eles pensam – o que pouco importaria aos portugueses que os conhecem de outras empostas -mas o que Ele pensa(?!) mas não se atreve a dizer, preto no branco.
Andou a dizê-lo no ultimo ano via Manelinha. Posta esta na prateleira arranja agora este grupelho de bruxos cuja paga será - eu o prevejo :
Um para Gov. do BP ,outro para Pres. da CGD, um outro para Ministro das Finanças, outro para chairman da PT, ainda outro para Ministro Economia, outro para a REN.(ou vocêspensam que eles estão mesmo preocupados com o destino da Pátria?)
E….o Medina perguntará o atento leitor ?
O Medina fica sem cargo.Com reforma antecipada por incapacidade mental, atingido que foi por esclerose múltipla em estado adiantado.

Aladino

Ps- Não meus caros;não é preciso ser bruxo. A continuarem as coisas como vão, não é só Portugal que vai á bancarrota. Vai toda a Europa. Porque a questão não é dos investimentos serem errados, grandes ou pequenos, prioritários ou não.
Não!- o que está errado é sistema.
Mas como dizia o outro: morrer de caldeirada nem custa
A.

sábado, maio 01, 2010

1º de Maio.
Recebo um texto.Aprecio-o e pressinto nele algumas sólidas particularidades.
Não sendo meu subscrevo a justeza do significado da leitura: o confronto presente no desafio que poderá ser sempre o ultimo.
Publico.
SF
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Dia do Trabalhador.

Manhã serena, maré baixa, laje descoberta, brisa refrescante.
Desço a calçada do Algodio e chegando à estrada, sigo para norte. Subo pelo passeio junto à praia. Mais ou menos a meio, o muro interrompe-se e umas escadinhas na rocha dão acesso à plataforma rochosa, a laje,. Desço-as e ando com cuidado.A rocha está molhada e escorregadia. Um homem está dentro de água, a pescar. Estou na areia. Encontro o abrigo confortável de uma grande pedra. Parece um “fauteuil”. Acomodo-me. O mar olha para mim. Percebo o que me está a dizer.
Primeiro Ele. Sempre. Descalço-me e vou ao encontro dos pés do mar, por enquanto só os pés. Ao sentir a quente frescura da água, é só o tempo necessário para levantar o ferro e ir fundeá-lo ao meio da praia onde as ondas já o são, embora timidamente
[Soube da detenção de Pinochet numa auto estrada italiana e, depois de a celebrar, apressei-me a telefonar à minha companheira.]
A esteira às riscas brancas e azuis,estirada sobre a areia. O saco em cima onde procuro um fato de banho. Hoje é o encarnado, só o encarnado pode ser. Os óculos, a touca.Por fim as botas de borracha. O mar espera-me. Está só. Na praia, em toda a praia apenas dois jovens. Deitados para se ampararem do vento. Começo por cumprimentar com cerimónia, baixando-me até que as mãos toquem com devoção na água. Lentamente vou avançando para que a temperatura do corpo e a do mar se harmonizem. Nunca sei quando é o ultimo encontro, por isso cada um pode ser esse. Nada se repete, muito menos no amor. A vida é um permanente recomeço.

[Foi longa a luta no Chile no exílio. Os camaradas da resistência interna não lhes deram um único dia de descanso.]
Vem a primeira onda, estou preparada para me entregar e para recebê-la. Elevo o corpo e sinto o embate do mar contra o peito.Tem força,o mar, tem muita força.O fogo é a cor do fato de banho, mas isso não é para vencer-te.Mas sim para te convencer. Estamos completamente sós:eu e o mar mar. Todo inteiro para mim e eu para ele . Os que estão na areia presenciam o nosso delírio. Invejam-me,com certeza. Uma mulher e um mar abraçados em desmesurada entrega.
[Agitámos, escrevemos artigos verdadeiramente agitadores, subversivos, porque a verdade é sempre subversiva……Mas tenho a certeza de que os nossos artigos foram apreciados pelos que sofreram, pelos que sofrem, pelos que ainda mantém a esperança e não se cansam de afirmar que um outro mundo é possível.]
Deixei o relógio em casa. Para que quero horas? Hoje não o largo enquanto não o vir saciado.
A maré sobe como um ventre grávido, primeiro lentamente e no fim do tempo avolumando-se como um gigante.
[Numa dessas pausas conheci as duas irmãs e o irmão mais novo de Oscar Lagos Rio. Os quatro possuíam uma beleza inquietante…E os quatro olhavam para o mundo através de umas pupilas que passavam velozmente do castanho a um verde suave e transparente.]
Ainda um mergulho, um afundar em busca do que está para além, há sempre um mais além a desafiar a imaginação. A despertar os sentidos para emoções novas.
[Oscar Lagos Rios tinha sonhos dos quais às vezes falava: gostava de ser piloto de Fórmula Um e era, além disso, um óptimo mecânico de automóveis. Também gostava de estudar agronomia me confessou uma tarde em casa dos pais durante uma festa familiar.]
Agora é tempo de sair, estamos tão bem que nem damos pelo Sol a esconder-se por detrás das nuvens. O mar quererá descansar? Ou tem receio que eu adormeça? Quem estava na praia deve ter ido almoçar ou merendar, que horas são mar?
[Algum dia se escreverá a verdadeira história daqueles dias ,algum dia escreverei sobre aqueles anos felizes de compromisso e entrega total…]
Lentamente dirijo-me ao lugar onde está o saco. Retiro a touca os óculos as botas o fato. Seco ligeiramente o corpo, visto o biquíni, penteio o cabelo, ponho o panamá , os óculos graduados e deito-me e de barriga para cima à espera que o sol reapareça para me aquecer.

[Oscar Lagos Rios foi visto pela última vez no regimento Tacna de Santiago. Ferido em La Moneda, juntamente com outros elementos do GAP, foi brutalmente torturado pela soldadesca.
Amarraram-lhes as mãos com arame farpado, suportaram os interrogatórios mais inumanos e degradantes…e nenhum deles falou, entregou ou traiu aqueles que ainda resistiam]

E enquanto assim estou vou pensando
[Algum dia se escreverá a verdadeira história e então os audazes ocuparão o lugar a que tem direito]
Sonho...levada pela mão de Sepulveda.Que não escreve.Esculpe a pedra da memória.
Chamo-me M.R.

domingo, abril 25, 2010

25 Abril 2010-04-25

Em Portugal
De novo os corvos debicam
Os restos.
O povo calado,
Já pouco ensaia o gesto.

Deixo secar as lágrimas
Mas não o sonho
Da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade,
De um mundo novo.
Só secando as minhas lágrimas
Poderei ver as do meu POVO.

Coragem Amigo
Coragem Companheiro
Chegada a hora,
Num outro «abril» qualquer
A gente ainda sabe o que quer
Ainda sabemos dizer não.
Sairemos de novo à rua.
Cravo rubro erguido
Passado de mão em mão,
A clamar
Grilhetas de volta ?!
Não!
SF(Abril 2010)

segunda-feira, abril 19, 2010

Por vezes acontece…

Engalinho com aqueles tipos que estão sempre a citar autores célebres.
Mas que faz um jeitão ás vezes tê-los na ponta da língua, lá isso vale. Nesta idade, de vez em quando ainda apetece ser simpático com as da nossa idade. É vício.
Sucedeu há dias ver uma cachopa toda esfrangalhada pelos anos e, julgando ser – ou querer ser – simpático, disse-lhe :
- Ainda estás toda jeitosona …,galante-ei,
Ao que, mal encarada como sempre foi, me respondeu:
-
já eu não posso dizer o mesmo de ti…
E foi então que me acudiu Bernard Shaw para lhe responder:
-
Podias ao menos mentir como eu..….
….e fui á vida,gaita.
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Sabedoria…

Ao ver aquela desgarrada da Comisssão de Inquérito, não deixo de me recordar e pensar na sabedoria dos velhos:

A sabedoria consiste em saber que se sabe o que se sabe, e saber que se sabe o que não se sabe..

Pois é .Hoje é raro encontrar dos primeiros. E dos segundos, então ?!..., nem pensar encontrar um para amostra.

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Porque se recorre ao palavrão?…

O que é que se diz quando um galo se põe em cima de uma galinha …e esta se agacha:

-Gala-a…

Ora assim sendo a natureza descrita, com tanta justeza e simplicidade no verbo, não se deveria dizer que quando um homem se deita com uma mulher:

- Home-a ?...

E pronto : assim acabavam-se os palavrões…e eu ao ouvir Pacheco Pereira na Comissão já poderia dizer ,alto e bom som:-
vai-te homer.

Aladino.

domingo, abril 18, 2010


Sócrates e Jardim
É bem certo.
Não faltará muito e ainda verei o Sócrates vestido (despido ..) de Zulu em saltadouro simiesco ,acompanhando o cafre da Madeira.
Agora é caso para nos interrogarmos: de quantos disfarces se veste a corrupção ?

A política é toda ela um agente activo de corrupção. Se mais não for :- de corrupção intelectual, e ou, ética.
Estás perdoado RE, quando me fizeste o convite. Eu é que ando errado.
A pensar que tanto se é «puta» aqui – na T.L- como em Lisboa ou na Madeira.

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«Habemos Papa»

Pois tinha razão Ramalho Ortigão, quando perguntava aos seus leitores se conheciam o peixinho vermelho que anda ás arrecuas?
O Papa parece um peixinho vermelho. Porque continua a encobrir a porcaria ,a justificar os dogmas e a esquecer que se estes ficaram sempre na mesma , o ser humano, esse , foi avançando sempre…sempre .A ciência vai fazendo o seu caminho e quem não se adaptar a este progresso, cairá no negrume dos tempos.
O Papa -glosando Ramalho – finalmente (!) é mais vermelho do que o caranguejo. Porque este só o fica depois de ser cosido. E o Papa é vermelho, já em cru.
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As ideias deste tipo entopem manilhas de esgoto…..

Somos um país de tristes, de piegas despeitados, de choramingas.
Ouço aquele mentecapto do Medina Carreira a vomitar estatísticas que nada provam ,nem nada esclarecem – porque reduzem este País a um estado circular, imune ao que se passa á sua volta - ,a dizer semana após semana, mais do mesmo;este aplauso( pelo menos a merecer tempo de antena,semanal) cria-me vómito(gómito!).
Este tipo de reaccionarismo primário, onde se prenuncia o País sem conserto, e nos pretende fazer acreditar que naquele tempo onde se glorificava o inculto, « ontem» é que fomos …e nunca mais o voltaremos a ser… ,chateia-me.
OH…Medina lembras-te da tua receita (?!!!) : -para diminuir a divida publica vamos passar todos a andar de burro para não gastarmos gasolina ?!
Aposto que já não se lembravam (desta) genial ideia do então esperançoso Ministro pós-25 Abril?.
Este tipo é como as pilhas duracell :- dura…dura… ainda que sempre a piscar o olho(esquerdo!)

A
ladino

terça-feira, março 09, 2010

Hoje ainda …mais só…

A paz e a inquietação, habituais.
A paz de quem voltou costas à vida.
A inquietação de quem dela quer mais!.
Ir ou ficar?
Tomar a posição da inércia, ou assumir movimento?
Essa a difícil decisão deste solitário momento.
Paneio como a vela da barca da vida
Preso ainda ao chão, mas prestes a voar.
Oh! como seria boa a vida, a durar
E nós dois sempre, aqui, a não perceber que passava.
A fazer de conta,a olhar
Além do orvalho o gemido, o eco latente de quem se afastava.

SF (8 Março 2010)

segunda-feira, março 01, 2010

Para fazer esta borrada, bastavam dois dias…

Era meu dever visitar alguém muito próximo de quem temo ser evidente a separação próxima. É sempre arrepiante. Aquele género de conversa de querer convencer quem não está mesmo nada convencido das nossas esperanças. E como esteve sempre habituado á nossa sinceridade parece nos censurar, «agora».
Às tantas pergunta :
- Acreditas mesmo que «Ele» não existe?
Ensalivo , tento ganhar tempo, mas decido-me:

-Sim !...E cada vez mais. Olha !... se o encontrares primeiro diz-lhe da minha parte que para fazer «esta borrada» « podia ter, só e apenas, trabalhado dois e descansado os outro cinco». Podia ser que as coisas tivessem ficado mais entregues a cada um.

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Morte é fim único,superior?

Há quem pense -e eu já tive essa fase - de que a morte é um acto único. Morre-se naquele instante. Já está…
Ora eu penso que não. A partir de muito cedo começamos a morrer devagarinho. E depois ás tantas embalamos assustadoramente. Até que na continuação, acontece o ultimo acto.

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Responsável pela Natureza?...quem é afinal…

As declarações do Sr Bispo do Funchal deixam-me apatetado. Então ainda há argumento para culpar a Natureza e perdoar a «Deus»?
Mas quem é o responsável pela Natureza -como por tudo o resto?
Então se é responsável que Lhe preste mais atenção, é o mínimo exigido.
Porque não desviamos a conversa , acusando - sei lá!..-,o Primeiro Ministro de fazer chover ,proibindo o «Sol» de sair?
Ao menos assim, já teríamos um arguido.
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Escutas ao «Céu».JÁ!...

Que pena que as escutas ainda não tenham chegado ao Céu. Assim poder-se-iam detectar as ordens transviadas de uns amigalhaços que traem o chefe dando ordens em seu nome.
Porque eu vou lá acreditar que Deus pudesse dar ordens destas?!.

Aladino

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Em que por assim querer, estamos


Sou o homem de olhar acinzentado
Que segue a mulher insinuante
De cor de canela que surge do império.

Já não olho para a sua silhueta, surpreendentemente, pasmado.
Mas para o que retenho da imagem que se foi dissolvendo.
A luz não me ofusca porque dela apenas retenho a miragem.
Interessa-me pouco por onde foi, o que fez, ou onde andou. A sério…
É um enigma de que perdi o desejo. Voltar a descobri-la.


Vou jogando com ela à batota.
Falando de coisas que podiam ser, mas não são.
Como nós também já não somos, não há batota.
Há um terno de mãos que não se mostra. Finge-se.
Ela joga comigo estranhos jogos florais.
E às vezes a vida. Eu não.
Melhor deixar repousar a poeira do passado
Que ficar com os olhos doridos do presente, ausente.

Sinto por vezes que sorrimos. Ou choramos?
E que insinuando, sem nunca o dizer
Lembramos esses anos que nos fugiram.
A noite de ausência em que por assim querer, estamos.

Aladino (fev,2010)

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Regresso

Provo o sal do tempo
No teu corpo
Reencontrado.

Percorro as montanhas ocultas
No teu corpo
Recomeçado

O regresso.


SF (Fev 2010)

sábado, fevereiro 13, 2010


Matar a Democracia…parece ser« interesse público»

Reina a mais absoluta e desbragada..e intolerável, leveza do ser ,em Portugal.
Já ninguém tem vergonha. Já ninguém acredita em ninguém. Já todos perceberam que transformámos – ou deixámos transformar este País -no maior pardieiro, onde nem eu nem Tu ,temos o direito de dar um traque …Porque o dito..silencioso ou espatafurdiamente sonoro, ressonante e requebrado,flauteado, virá amanhã esparrachado no Orgão de Comunicação Social libertário(ou libertino?!),próximo.

Hoje é o dia dos namorados. Na comunicação social -não sei se repararam?! – apregoam-se mezinhas para tratar uma pandemia que parece grassar no País: - a disfunção eréctil…
Não sabia -felizmente! - que este surto pandémico grassava por aí com tal intensidade. Embora desconfiasse…pelas consequências.
É verdade.
Isto é já um País de sujeição à gravidade. Incapaz de se levantar. Perdido no diz-se. E alegremente sorridente na inconsciência com que vai para o cadafalso.
Recebo diariamente de (amigos)radicais, informação sobre textos «reaccionários».(sim porque o radicalismo é sempre reaccionário!) .Enviam coisas de que lêem ,e com que se masturbam.
Eles que me desculpem. Eu não transcrevo. Tento reflectir. Penso por mim ,não preciso que outros me indiquem o caminho.
Muitos desses já nem se lembram da PIDE:-entrávamos no «Trianon» e até sabíamos a mesa onde estavam os esbirros. Íamos ver a televisão ao «Santos», e logo que descortinávamos os «informadores» fascistas frequentadores do «Café Berlin».Tomávamos cuidado. Eu não. Afrontava-os. E cheguei mesmo a ir á cara de um deles, o cap Barreto, figura patética, embirrenta, lembrando as SS, que se deve ter mijado quando o afocinhei nos bolos do «Manuel Cova».
Ridículo foi o que aconteceu, muito mais tarde. Patético.Já aqui contei.Volto a...
Connosco ,semanalmente, confraternizava um «verdadeiro»revolucionário».No processo da PIDE recuperado pós Abril, boquiabertos(eu e família) demos com o nome do informador que era recebido, e recebia, os cabecilhas do reviralho distrital. O agente da Pide, o «Tavares Pinto».
Constatei no meu processo (recuperado) que afinal o tipo até me tinha em alta consideração!!!. Não só considerava e fazia anotar, eu ser um elemento «altamente» perigoso para o regime, como elogiava a biblioteca que dizia eu ter(Marx,Fidel,Rosa Luxemburgo,Engels etc etc), porque até era verdade, eu lhe emprestar uns livros, que em determinada altura tive de esconder em casa do meu sogro (do que ele deu conta aos patrões).Coitado: era um pobre diabo…
Vem isto a propósito desta nova PIDE instalada no País.
Agora,nem eu nem Tu,reconhecemos, ou desconfiamos do PIDE boçal .Agora és escutado por «uma PIDE» que tudo sabe. E que nem te leva para o calabouço. Não!...abatem-Te na praça publica sem direito -ou presunção – de defesa. A tortura física é muito mais suave. Esta agora mata, porque é indigna.
O País é um lameiro de corporações. Ora a corporação jornalística é das mais reles. Sei-o de fonte sabida. Quando foi preciso «vender», comprei muitas vezes o espaço. Esmolas. O que será,hoje, com os interesses na grande comunicação Social.
O País hoje rende-se a uma «desbocada» Manela & Marido. Que entrouxaram milhões de euros, e se estão a rir dos peralvilhos, preocupados com a perda da dedirrósea aurora da liberdade . O arrastado Crespo, segurou o programa onde defeca lugares comuns, apregoando …o que ..outro…ouviu. E um Saraiva putrido, que se vende aos interesses da família Santos, como se venderia aos interesses de Bin-Laden para fugir ao falido projecto «Sol» ,brinca com uma justiça em nome da «Liberdade».«Liberdade?...» afinal o que és tu...apetece perguntar chegados,aqui,ao fim da linha.
Dizem que o interesse publico, é quem mais ordena!!!
Pois : até em nome desse interesse se pode matar. O quê
?
A DEMOCRACIA…
Aladino

domingo, janeiro 31, 2010

Evocando o 31 de Janeiro de 1891

Criado num ambiente de republicanismo assumido, orientado para o reconhecimento das virtualidades exaltadas e gloriosas deste sistema que prometia trazer com ele, se revivificada a sua pureza, a possibilidade de ser a fonte de onde brotaria a força capaz de derrubar o abastardamento que dele fez o regime corporativo,ditatorial, de Salazar.Cedo me vi protagonista de intervenções públicas em vários 31 de Janeiro (e 5 de Outubro). Eram apenas e só estas ,as comemorações mais ou menos consentidas (e toleradas) por Salazar. Serviam para dum modo (também ele) mais ou menos público (?), à sombra de se falar um pouco dos ideais republicanos -que começaram na revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891 e que depois se concretizariam em 5 de Outubro de 1910 com o definitivo advento da sua definitiva implantação em Portugal - se aproveitar para dizer cobras e lagartos do bafio salazarento .E até ,quando as coisas aqueciam e se gritava: Abaixo Salazar ! Viva a Republica!, Viva Portugal!!!..... e em uníssono se entoava a Portuguesa."heróis do mar, nobre povo"… etc…etc,fazer passar uma onda entusiasmante, prometedora de acção próxima..
Hoje, ao remexer nos papéis, encontrei o manuscrito de uma intervenção, minha, numa dessas comemorações, levada a cabo no Teatro Aveirense, em fins de sessenta..

Manuscrito ( 1ª pag).


Reli-o.Começo exactamente, então, no mesmo, por referir desde logo que o 31 de Janeiro não foi uma revolução triunfante. E não o foi,não porque o sentir indelével de todo um povo o não desejasse,perante uma Pátria hipotecada aos interesses estrangeiros. O 31 de Janeiro falhou - adiantava eu -pela impreparação revolucionário do povo.
Hoje se tivesse de participar uma vez mais em outro qualquer comício das comemorações dessa, tão gloriosa como dolorosa data, diria exactamente o mesmo.

De facto a revolta do Porto teve o seu quê de extemporâneo. Era certo que havia dissidências entre os republicanos do Porto e de Lisboa sobre o modo, de como e quando, fazer eclodir a revolta no sentido de apear a Monarquia de D.Carlos.Que estava podre, caduca e corrupta. À espera de um empurrão para cair.Era contudo preciso dar tempo para «os colocar de acordo», dada o tumulto provocado pela questão do ultimato inglês,ainda não digerido.

Três semanas antes da «revolta», os elementos mais moderados tinham conseguido exactamente chegar a tal situação. Mas um acontecimento fortuito relacionado com a oposição dos sargentos à Lei que impunha que os lugares de Alferes fossem exclusivamente ocupados por alunos da Escola do Exército, fez grassar uma forte indignação nos Sargentos, contra a mesma, levando à organização de um levantamento nos quatéis, decidido à revelia do directório do Partido. Durante a revolta os oficiais das unidades do Porto mantiveram-se alheios ao «golpe».

Mas o Povo, esse, esteve ao lado dos revoltosos, vitoriando-os entusiasticamente, servindo-lhes aguardente e pão quente, depois de uma noite fria e chuvosa, suportada fora dos quartéis.. E das janelas da Câmara do Porto, pôde Alves da Veiga proclamari pela primeira vez em Portugal -ainda que por escassas horas- a Republica.E até anunciar o nome dos elementos que iriam constituir o primeiro Governo Provisório.




A 1ª Proclamação da Republica (Porto)

Revoltosos e o Povo dirigiram-se então para a Praça da Batalha. Das janelas, senhoras de braços pousados nas colgaduras com que repentinamente se apressaram a enfeitar as janelas debruçadas sobre a rua íngreme, gritavam entusiasmadas, acenando freneticamente aos bravos do batalhão. A marcha parecia triunfal. Só que quando subia a rua de Stº.António, postada lá no cimo, a Guarda Municipal -provando que as autoridades civis e militares do Porto estavam perfeitamente ao corrente do plano - equipada com recente armamento de grande eficácia, entrincheirada nas escadas da igreja, fez inesperadamente fogo apontando ao peito dos revoltosos. A rua ficou num ápice, juncada de cadáveres.


A carga da G.M.


A marcha retrocedeu. Povo e soldados, atropelando-se, fugiram espavoridos. Aí o Cap. Leite e o Alferes Malheiro resistiram heroicamente, tentando reagrupar os seus soldados, ao tempo que interpelavam os oficiais da Guarda Municipal de quem não se esperava tamanho, e tão feroz, procedimento. Retrocedendo até ao largo Municipal, apesar dos esforços dos referidos heróis revolucionários, não houve outra atitude senão a rendição.

O Porto «o berço da liberdade», «a cidade Invicta», honraria assim, uma vez mais, o seu historial. Já tinha sido ali, naquela cidade, que eclodira a primeira revolta liberal. Aconteceu em 1820,com a ajuda do batalhão de Aveiro. E nela se gritou,então, «às Cortes».

Também em 31 de Janeiro de 1891 se gritaram vivas à Liberdade, à Revolução e à Republica.



Conselho de guerra a bordo do »Afonso de Albuquerque«

Senos da Fonseca

PS –Não era fácil nesses anos de sessenta, subir ao palco e invectivar o regime. Conduzido pela mão de minha Mãe, desde miúdo que me habituei a essas refregas.

Era um risco;confesso porém que pouco ligava a isso.E até tenho um episódio curioso que não resisto a contar.

Recordo-me de um dia após uma dessas intervenções, trabalhava eu na então Companhia Portuguesa de Celulose, do espanto dos meus colegas mais velhos à minha participação num Comício ,onde atirei forte e feio no regime Salazarista, o que veio noticiado nos jornais da época. Avisaram-me que estava a pôr em causa a estabilidade do meu lugar. Curiosamente, para espanto ,o eng. Quevedo(adm todo poderoso) da CPC, passado pouco tempo promoveu-me com rapidez nunca vista naquela casa.E mais. Louvou-me pelo trabalho desenvolvido.

E pouco tempo depois era eu que me despedia (com amizade de todos) por entender que não tinha feitio para chegar a general só depois de velho.Apesar de… todos os esforços do Quevedo para que eu ficasse.

Mas as coisas nem sempre eram assim...
SF

sábado, janeiro 30, 2010


Super Nacionalismos

Existe um sério problema ao qual me parece se estar a dar pouca importância.
Não é só cá pelos nossos lados. Também lá fora, ainda não se ensaiam opiniões (muito) concludentes de modo a fazer ressaltar a impossibilidade de reabsorver o desemprego generalizado, por meios reais. Isto é através de um aumento do crescimento.
Ora nós pensamos que há aqui uma questão incontornável: as super produções conseguidas nos domínios dos produtos que alimentaram o consumismo, baseadas numa estratégia creditícia de contornos perturbadores, dificilmente poderão continuar a crescer, mesmo que o boot de vendas fictícias ainda se mantenha. Primeiro porque os mercados no mundo ocidental estão saturados, e cheios de lixo consumista. Segundo porque a bolha voltaria e com mais força.
A realidade é outra bem diferente; os mercados em crescimento vertiginoso obrigaram a deslocalizações da produção dos bens a produzir para zonas geográficas mais perto dos mesmos. Lógico. E, claro por razões de exploração de mão-de-obra local. Para que eles comprem tem de se lhe meter uns míseros tostões no bolso.
Para voltarmos a taxas de pleno emprego precisaríamos que a Europa rondasse taxas de crescimento muito perto de 5/6%.Ora isso, no futuro, nunca será possível no velho continente. Nem sequer na Alemanha, isso, será viável.
O que vai suceder é, apenas e só, um atenuar do descalabro dos últimos dois anos. Mas por intervenções governamentais sobre a economia, não porque esta o possa conseguir sozinha. Mas estas intervenções esgotar-se-ão rapidamente porque os grandes grupos já andará por outros lados. E a Europa com as portas escancaradas não poderá fazer muito mais para evitar que a satisfação das necessidades do seu mercado, em grande parte, possa ser feita por agentes externos.
O grande projecto pós moderno de um império Europeu construído voluntariamente, esfumar-se-á. À tentativa de atenuar os nacionalismos no seu interior, responderão outras potências com um exacerbar nacionalista.
A Rússia, de mãos livres, senhora de uma capacidade energética brutal, terá a tentação de fazer pagar a afronta do fim da guerra fria. E lá longe a China acumulará riqueza de um modo brutal, que a levará finalmente a concretizar o seu lema: país rico precisa de forças armadas poderosas. Os tempos da sua humilhação de há, ainda apenas sessenta anos, encontrarão finalmente o momento de vingança. Em tão curto espaço de tempo a memória é,ainda, fresca. O super nacionalismo mostrar-se-á em toda a sua, dimensão e força, a exigir vassalagem.
Os super nacionalismos estão aí a chegar. Cuidem-se.
Aladino

terça-feira, janeiro 26, 2010


OGE -2010

Já aqui o referimos, anteriormente, dando conta que nunca terá sido tão pacifico e tão facto previsível, o resultado da aprovação do O.G.E. para 2010.A direita viabilizá-lo-ia ,desde que recebidos uns trocos de modo a aparecer à opinião pública(ao povo) com uma fortaleza que putativamente teria sido suficiente para exigir «coisa» palpável, em troca.Nada disso aconteceu. Ora a verdade é que já se percebeu que aquilo foi um fazer de conta. Ao fim PSD/CDS levaram apenas uns trocos e já não foi nada mau. Claro é que, Orçamento aprovado, serão os primeiros ratos a abandonar o barco,antes que cheguem as manifes, esperadas e já anunciadas.A força está na rua ,sorri o PC.
A Esquerda portou-se como esperado. Mas até o BE ruminou, no fim, um hipotético compromisso ,não fora, dizem, a velha questão das mais valias de curto prazo(especulativas).
Eles sabem perfeitamente que esse é, também, um objectivo do Governo. É até pela mera questão de que tem de ser. Já ninguém contesta(senão os próprios que usufruem os chorudos lucros) que num curto espaço de tempo a taxação das mesmas não seja uma decisão pacifica na EU.Mas de imediato ,quer-me parecer que seria perigoso introduzi-la.Neste momento em que o fundamental é resolver a crise do emprego.
Quer-me parecer que se fosse em ultima análise, necessário ,até o BE se absteria. Assim o CDS e o PSD ,resolveram o problema ao B.E, certamente em troca de algo.
Veremos quando e como se voltarão a formar as coligações negativas.


PAPANDREOU sem papas na língua


Hoje é um dia memorável para a história. Estou certo.O Primeiro Ministro Grego disse nos areópagos que a dèbacle da Grécia se ficou a dever á super concentração do dinheiro especulativo e ao poder da Comunicação Social, em meia dúzia de mãos. E ás ligações mafiosas entre estes potentados.
Um País julga que tem um Governo que manda. Pura ilusão : manda mais uma «Moura Guedes» comprada por um grupelho especulativo que um Governo. E até se sente no direito de impor a sua presença a um outro grupo especulativo. A luta é entre grupos ,e a desbocada MG é um instrumento, apenas e só.Qual liberdade de imprensa qual carapuça.A MMG alutar pela liberdade da dita era o mesmo que a madame Vitória «a Bexigosa» a defender a virgindade das suas meninas.
Ora em boa verdade Vos digo: sob uma pressão especulativa um País como Portugal estará indefeso. E essa altura está bem mais próxima de acontecer do que aquilo que se pensa. Não há , em minha opinião, reformismo que se atreva a mudar as coisas. A mudança só se fará por via revolucionária , a doer. Não tenho duvidas. E enquanto isso não sucede faz-se de conta.
Mas onde é que já há revolucionários?
O sistema está errado. Todos quantos se dedicam a pensar nisso concluem o mesmo. Os nossos putativos economistas – que foram, ano após ano , refucilando na gamela- dizem barbaridades que envergonham os garotelhos de rua. Hoje ouvia-se um ex-ministro a dizer,alarve!, que a solução era despedir trabalhadores da função publico ,por mútuo acordo.
E não há ninguém que mande calar um «marmelo» destes?
Aladino

R evisitando Colón E de novo,lá veio mais um livro abordando o enigmático Colón. Desta vez, uma extensa e esg...