sexta-feira, setembro 11, 2009

D. Maria II em terras lagunares de Aveiro

Tendo visitado primeiro a cidade do Porto e depois o norte do País (Braga, Barcelos e Viana) a Rainha D Maria II decidiu visitar Aveiro, para o efeito tomando a barca em OVAR.
Esta visita e o hábito de suas altezas reais gozarem de uma passeata na ria, antecedeu as visitas do Príncipe D. Luís, que na ria foi conduzido pelo arrais Ançã, celebridade heróica que o Príncipe quis conhecer pessoalmente. E ainda, na ria, se passeou em mercantel transformado em bergantim real, D Manuel que de Aveiro foi, em cortejo náutico, apreciar o Farol da Barra.



Teria sido assim o bergatim real (?).(visita D Manuel.


Voltemos a D. Maria II.

Em 1852,mais propriamente a 22 de Maio, chegava D Maria e o seu séquito a Ovar. Há muito que a Câmara desta Vila, tendo notícia do facto, preparara, apesar de ter os cofres depenados, recepção estrondosa para receber a Rainha. E para o efeito não hesitou em pedir emprestados 2.375$498 reis a um tal «Cavilha», rico proprietário que logo abriu os cordões á bolsa para proceder ao empréstimo, concedido a um juro de cerca de 4%. Rainha à parte, negócios são negócios. Ou como o meu avô João, emigrante na América, dizia no seu inglês macarrónico: «bizinisses is biziness»
Para albergar a Comitiva mobilou-se um quarto com duas camas para o casal real, e outros dois,um para o Príncipe D. Pedro (futuro D. Pedro V) e outro para Infante D. Luís. E outro ainda, para o aio Visconde de Carreira. Pelas casas dos maiores da Vila (Médico, Administrador Concelhio, Vereadores, Clérigo etc.) foram distribuídos os restantes importantes da Comitiva.

Nas escadarias da Igreja, o Presidente da Câmara, M. Bernardino de Carvalho, recebeu a Rainha. Introduzida no templo foi celebrado um Te-Deum com real solenidade a que não faltou a distribuição de esmola aos pobres da terra. O príncipe consorte D Fernando II e o Infante D. Luís, esses, tinham ficado para trás desejosos de apreciar o Castelo da Feira.
À noite foi servido lauto jantar a quantos couberam no acanhado Salão dos Paços do Concelho. Findo repasto houve beija-mão real. O jantar deveria ter sido rico em saborosas vitualhas (certamente peixe) pois que mereceu farto elogio da Comitiva, e em particular, do Duque de Saldanha
[1].
A vinda de suas altezas às janelas dos Paços do Concelho para admirar as iluminações feéricas
[2](?) e ouvir os acordes de música prodigalizados pela Banda de Caçadores 6, foi um momento entusiasticamente saudado (e vivido) por uma multidão interessada em ver uma figura da realeza de que apenas teriam uma ou outra vez ouvido falar. Nos seus trajos tão característicos, onde avultavam e sobressaiam os espantosos chapéus de presilhas com as suas abas largueironas (cerca de meio metro), sustentadas à copa por presilhas de seda [3](cordões, travancas) e borlas no corrupito, as gentes locais chamavam particular atenção dos gentios da comitiva.




Ovarina com chapéu de Presilhas(grav.Portier)

Os homens da beira-ria apresentavam-se de tamancos, envergando as suas características manaias e camisas de abotoadura, colete encarnado e gabão de varino, cingido á cintura. Barrete vermelho debruado a cetim.
Homem e Mulher de Ovar(Grav.Palhares)

O quadro não deixava de ser vistoso e singular, especialmente rico em exotismo, cor, espectacularidade e originalidade do vestuário das gentes varinas, já afamados e conhecidos pela beira do Tejo, por onde pululavam muitos naturais idos destas bandas, os quais mesmo na capital, mantinham os traços diferenciadores da sua cultura lagunar.
Começaria cedo o dia seguinte.
Logo pela manhã a Rainha acompanhada pelo seu marido, o Príncipe alemão, Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, assistiram á missa na Capela de Stº António, onde nas mãos do Frei Zagalo, reverendo abade da mesma, depositaram choruda espórtula.
E foi quando suas altezas por volta das nove e meia da manhã se dirigiram para o cais de embarque, que se relata, terem sido mais de 12.000 ovarinos (já naquele tempo se exagerava a dimensão das manif!) a ocupar praça e as avenidas que iam na direcção do cais da Ribeira, para assistirem ao cortejo real.



Desfile da Comitiva (D.Manuel)

Notícias da altura referem que as embarcações reais e da comitiva teriam sido acompanhadas por mais de 6.000 entusiasmados(e animados) habitantes da Vila até ao cais, para aí se despedirem da sua Rainha. E muitos outros nos seus mercantéis, e ou de moliceiro, fizeram questão de comboiar o cortejo lagunar, levando D. Maria a Aveiro.
A Rainha e marido seguiram num mercantel coberto por toldo, hasteando o pavilhão real, especialmente enviado pela cidade de Aveiro. Em oito outras embarcações vieram os coches reais. E em muitas outras barcas teriam vindo os príncipes e restante comitiva. O trajecto foi animado pelos acordes das Banda de Caçadores 6 dos amigos de Ovar.
A despesa com esta viagem entre Ovar e Aveiro atingiu o valor de 90$040 réis.
A comitiva chegaria a Aveiro, ao cais na Porta da Ribeira, aonde foram entregues as medalhas da cidade à Rainha.Desde as pirâmides ,de um de outro lado do canal, no Alboi e no Rossio do S.João, se viam embarcações a lançar flores sobre «o mercantel real».Das casas da borda do Canal, caíam colgaduras,panos e bandeiras; havia muito povo a dar vivas à Rainha, erguendo chapéus, tabaqueiros e tudo que servisse para criar agitação entusiástica.
Aladino






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[1] Anais do Município.
[2] A iluminação, feita com lanternas estava pendurada numa torre especialmente erguida para o efeito
[3] Presilhas de seda de cinco mil réis




sexta-feira, setembro 04, 2009


DEIXA QUE TE LEVE….

Não deixa de ser curioso: à frente das audiência televisivas, na segunda-feira, dia 31,melhor que Sócrates só a Telenovela «Deixa que te leve».
Um acirrador de Sócrates diria: mas como pode um programa onde a pretensão do entrevistado (daquele ou de outro qualquer politico) é o de pedir que o povo se deixe por ele conduzir – levar -, ombrear em audiência com uma telenovela de título tão sugestivamente idêntico na finalidade da pretensão?
Não há dúvida que o povo português naquela noite escolheu, claramente, que o deixassem levar. Por isso aderiu em massa aos «shows» que indiciavam esse desígnio.
Indubitavelmente a questão é, a de que tudo que cheire «a deixem que te levem» desperta um certo masoquismo, latente na complexa estrutura psicológica de cada um dos indígenas destes pais, em quem mais do que «ir» -leia-se fazer - o que quer é que «o levem».
Deste modo é natural que este povo, acredite e adira, às propostas mentirosas de facilidades do crédito bancário, às viagens quase que oferecidas (pagas depois, claro…), às donas Brancas (BPP e muitas outras), aos telemóveis onde se pode falar interminavelmente de borla,etc.etc. E, claro, no bacalhau a pataco eleiçoeiro. Ora é também por isso que aceita, ou dá atenção, a uma Comunicação Social que deliberadamente, sem pudor, insere notícias fantasiosas, inventadas, para atingir quase sempre fins tenebrosamente obscuros. À espera que o Zé Povinho se deixe levar, sem reflectir muito na atoarda que lhe lança aos olhos.
Bem,
Eu que escolhi (na dita seg-feira) deixar-me levar pelo Sócrates, fiquei satisfeito:- ele conseguiu que muitos indecisos se deixem levar....
A mim ele não me levou a lado nenhum onde eu já não estivesse. Simplesmente é para mim inquestionável que ia mais depressa com ele para o «céu», do que com a Manuela para o «paraíso». O «céu» de Sócrates é a realidade em que vivemos estes últimos anos. Vislumbrou-se um País diferente, foram criadas condições para o ser no futuro. Chegada a crise arregaçaram-se as mangas para a combater. O «paraíso» da Manuela, nem sabe se as macieiras medravam.
Quanto ao mundo do Padre Francisco, já sou velho demais para acreditar em demagogias baratas. Olhem para o que ele diz – é bom sonhar -, mas não acreditem. Pois nada daquilo era para fazer, em caso de….
Aladino

quarta-feira, setembro 02, 2009

A roda nunca pára. Nunca!

Conto os anos por cada mês de Setembro, de cada um deles.
Ligo pouco à data de aniversário, até porque começa com ela o ano que pretendo levar até ao fim. Eu quero. Ainda e sempre.
Mas chegado Setembro começa como que o desencanto, a noção de que rapidamente este (ano) já se foi…
Daqui ao fim é um tiro.
A passagem do tempo é, por assim dizer, pelo menos para mim, relativa. Ou melhor a velocidade com que se esgota, não tem (para mim) a mesma escala: - suportável até este período, e inclementemente apressada, a partir de agora.
O tempo (meteorológico) sente-se de repente, parece também mudar. A cor empalidece, os finais do dia são tristonhos, e isso causa claro mal-estar. O banquete que me chegava deste azul da ria visto da minha janela parece estar já nas arrumações. No levantar da festa.
O sol inclina-se cedo para o ocaso, a fragrância da maresia dilui-se no resfriado da noite e no ar perpassa um fluido de melancolia, e até de saudade. De nós…
A beleza onde diariamente dessedentava a intranquilidade de espírito de tantos afazeres, languesce, definha. Paira no ar um certo torpor espreguiçado, esmalmado. Uma promessa de voltar um dia destes. Volta de certeza. Nós é que poderemos já aqui não estar.
Inquieto, dorido, penso nesta dança corrida que é a vida humana. Começa de quê e para quê?
Não sei. Sei contudo apenas, e com certeza, onde acaba. Na dança (da vida) as gerações sucedem-se. Ela, a mangana, mantém-se.
A vida é um carrossel. Gira entre montanhas e profundezas. Entramos a rir; saímos descorçoados por a viagem ter demorado tão pouco
Por vezes temos a sensação de parar nessa dança das voltas. Pura ilusão. Estamos redemoinhando apenas; a roda continua a girar, e nós corremos dentro dela. Mesmo parados estamos a correr no tempo. Nunca para trás. Nunca! Sempre para a frente.

Aladino

quinta-feira, agosto 27, 2009

TEREI SAUDADES..


Terei saudades da mar
Quando na terra me esquecer.


Anda, vem amor,
Vem-me aconchegar.
Anda. Vem daí
Vamos marear.
Vadiar descalços
Pela beirinha do mar
Perdidos na areia náufraga
Que deu á praia.

As nossas pegadas
Darão o passo para acontecer.
Ficarás a saber
Que Tu és ainda o meu fogo
E que só dentro de ti
Sei, exausto, que me venci.
Juntos adormecemos,
Eu, Tu e o Mar.


Terei saudades de ti
Quando o dia amanhecer.


JF (Agosto 2009)

O SALTADOURO DO «TI TAINHA» por AML.

A Drª Ana Maria Lopes insere no seu Blog
http://www.marintimidades.blogspot.com/, um muito apreciável trabalho, em que descreve pormenorizadamente a técnica do «saltadouro» praticada pelo «ti Manel Tainha», um especialista da arte, e o seu ultimo praticante.Pelo menos no Canal de Mira,pois de facto ainda há bem pouco a vi praticar para o lado do Bico da Murtosa.
Fá-lo com muita segurança descritiva e junta-lhe uma dose inabitual de emoção e intensidade que nos conduz à sensação de participar no cerco. O que para mim, habitual leitor de AML, os Blogs do «Ti Tainha» têm de mais apreciável, é o entusiasmo com que a autora traz á conversa o velho pescador para que este com muita vivacidade, em linguagem própria, nos descreva pormenores da execução técnica da arte. E as palavras descrevem muito melhor o que é conhecido nas fotografias, ou até no vídeo que conheço sobre tal personagem, e sua técnica do«saltadouro».
Ainda sou do tempo que havia, na ria, muitos «saltadouros». A pouco e pouco esse número ficou reduzido ao do « ti Manuel das Tainhas».Figura típica da Praia, aquele mesmo que no vídeo sobre os «200 Anos da Costa – Nova» é evocado pelo Cap. São Marcos, ao referir-se ás chamas que consumiram o palheiro do «Chincalhão», exclamando: -oh…mulheras…oh mulheras, acudi! que o fogo a sair das telhas parecem arànhões.

Assisti muitas vezes a colocar estendal que era o montar do caracol. E fiquei vezes sem conta, por perto, a observar o empalmar das tainhas no redame, adoidadas com as batidelas no fundo da bateira e do bater da vara na água. Era de facto um espectáculo que nos prendia a atenção, e que agora com o registo em boa hora feito por AML, fica conservado para lembrança futura.
Não tenho tanta certeza de esta arte ter nascido na Laguna. Mas isso pouco importa.
O que me ocorre referir era outra técnica muito usada para apanhar as tainhas, especialmente utilizada no canal do Rio Boco. A da «esteira».
Consistia a mesma em rebocar a uns 20/30 metros, uma esteira. Por acção de batidelas no fundo enquanto a embarcação se deslocava contra corrente, as tainhas levantavam voo para aterrarem na esteira onde ficavam a espadanar até serem recolhidas. Curiosamente participei numa pescaria feita ali defronte da Vista-Alegre, em que a esteira era rebocada pela lancha «Borboleta», que possuía na altura. Apanhámos um balde de excelentes exemplares. E também curioso era que o próprio roncar do motor espantava as tainhas fazendo-as saltar quando entreviam a sombra da esteira a deslocar-se.
Aqui deixo este pequeno registo, que o Blog de AML me fez recordar.
E oxalá a autora continue a deitar cá fora muitos dos registos que foi arquivando.Vai sendo hora de os dar a conhecer.

Aladino

terça-feira, agosto 25, 2009

COLAGEM

Uma tarde em que não passei o tempo. Deixei apenas que o tempo deslizasse sobre mim, à espera não sei de quê.Talvez, absurdamente, de nada.
É !...vamos começando a nos habituar a tardes como estas em que o desapego nos tolhe,em uma obediência de espera, de nada.

E contudo a porcaria dos telemóveis, e até a Internet, vão-nos ligando à vida. Tudo preso por fios. Ou já nem isso existe porque tudo paira confusamente no ar que respiramos.
Com o livro pronto (entregam-mo terça-feira,se for será, se não for paciência ) a «Costa-Nova» fica arrumada para os outros.Para mim nem tanto.
Alguns apressados vêm buscar fotografias e depois trazem–me álbuns para eu ver. Hoje a tecnologia faz coisas maravilhosas.
Outros ganham finalmente coragem e olham para o que têm e vêm, e querem saber mais. Num ou noutro Blog, e por antecipação, começarão a palrar sobre o assunto. Olho para tudo com uma curiosidade alheada. Distancio-me.
Sou absurdamente diferente. O meu desassossego leva-me a acrescentar, sempre e sempre, algo à vida. Para outros a vida é simples. Nada se acrescenta. Cola-se.
Vive-se do «COPY» and «PAST».Nada se constrói de raiz.
Depois há coisas impressionantes.A necessidade de se viver numa sede de protagonismo febril.Sem primeiro se fazer uma auto-avaliação da medida exacta do que somos.

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O QUE TEM DE SER QUE ACONTEÇA…

Tardes como esta envolvem-me com o seu silêncio para não me estragar, ou perturbar, tudo que me perpassa pela cabeça.
Parece que (eu) estar, assim mudo a meu lado, me dá a ideia da minha total transparência. E vou pondo deste meu cantinho, de uma intimidade toda minha -só minha! - os olhos sobre tudo que mexe lá fora. Por vezes tenho a sensação de que não olho. Mas sonho.
E o que tem de ser: que aconteça. Sempre hei-de querer ver esse lugar onde não se vê. E só então, lá, fique a perceber o mundo a que pertenço. Porque neste me não entendo.
Chorar? Talvez. Mas se eu desse para chorar agora, toda a ria cabia inteira nos meus olhos.
E diria aos meus mortos: ouçam lá não voltem a morrer…deixando a meu cargo sonhar convosco.
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«CANÇÃO DO MAR»

Peguei – já nem sei bem porquê- uma vez mais na «Canção do Mar». Intriga-me aquele texto de GR. Sempre me intrigou. E só aos que não sabem ler, não pode deixar de intrigar.Há quem diga que uma fotografia vale por mil palavras.Coitados.Não as sabendo dizer,como é que as poderiam ler ...ou ouvir!
Porque por vezes ,em momentos como este, parece-me ouvir no som da voz do mar, uma voz que não é a dele. E que de repente se concentrarmos todos os sentidos nela: -cala-se!
Parece ser uma voz vinda lá do fundo, de onde se libertam as ondas, de onde se criam as tempestades, de onde a morte recolhe os afogados.
Ora hoje parece-me que vem de lá um queixume onde distingo a minha alma amortalhada.
JF

segunda-feira, agosto 24, 2009


Problema sério…

Um dos grandes males de que enferma a democracia portuguesa é a irresponsabilidade com que a Comunicação Social(e nesta em especial a escrita) fornece as notícias.
A um leitor atento fácil é perceber as noticias fabricadas. Mas mesmo um destes fica por vezes confundido com as aberrações noticiosas efabuladas, tendo normalmente origem em sindicatos que movidos por interesses obscuros vão activamente colocando, a seu bel-prazer, factos depois atribuídos a fontes geralmente bem colocadas, quase sempre anónimas, metodologia que serve á falta de melhor para o próprio escriba se auto inserir no grupo.
Claro que a única resposta para este estado de coisas é a selecção do leitor. Escolhendo o Órgão de Comunicação que lhe mereça mais confiança. Porque há OCS funcionando perfeitamente como pasquins partidários.
O problema reside no facto de a moléstia se transformar pandemia e afectar todos.
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As surpresas nunca mais param…

Trabalhamos, trabalhamos…e quando pensamos que as coisas estão controladas eis que somos, ainda, surpreendidos com uma ou outra questão do passado que vem de novo perturbar tudo.
Isto cria um cansaço e um desgaste, enormes. Fica-se com um amargo de boca que nos entumece o espírito. Fico sem dúvida frustrado e revoltado. E claro, acode-nos a pergunta: porque raio é que eu me meti nisto, nesta situação calamitosa? A verdade é que ficamos sempre, e ainda na duvida, até quando teremos de resolver as trapalhadas que avultavam no CASCI.
Cansado e molestado.
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E por cá…?.
Por Ílhavo tudo como dantes.
Uns vão vendendo o bacalhau a pataco (salvo seja). Outros continuam em gozo de férias.
Eu que gostaria de saber é como pode um cidadão gozar férias quando tem trabalho de casa(e muito!) para fazer?!
Nesse aspecto há que elogiar RE. Se teve férias ninguém deu por elas. Agora, todos os dias está presente, de manhã à noite, falando-nos, não do actual mandato mas do próximo,como se não houvesse um acto eleitoral pelo meio.
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CAVACO nunca me enganou
Sempre vi neste politico uma (total) inabilidade para desempenhar o cargo que ocupa.Direi confrangedora .Sempre que fala sobre qualquer coisa …a coisa custa a sair.
Como professor de Economia sempre me pareceu um Contabilista que sabe, apenas e só, ler friamente os números sem perceber o alcance do seu significado.
Nestes últimos tempos Cavaco mostra uma falta de isenção incompatível com o lugar que ocupa. Fica-se sem se perceber muito bem quem é o candidato do PSD ás eleições de 27 de Setembro.
Esta da manter o tabu sobre as possíveis escutas recaindo sobre os seus assessores (ou até deixando pairar a suposição que Ele próprio podia estar a ser escutado ) não cabe na cabeça de ninguém. Mas é de uma total falta de sentido de oportunidade. Um verdadeiro tiro no pé, convenhamos.
Bem,a questão é :-se o PSD ganhar vamos ter cavaquismo por muitos e bons anos e este país ficará entregue à bicharada.
Mas se o PS ganhar, depois dos últimos episódios bem se pode dizer : ou Cavaco se remete á sua insignificância politica( interior e mais ainda exterior) …ou demite-se.

Aladino

domingo, agosto 23, 2009

Os Rios que quis levar ao Mar…

Espaço,
Galáxias;
Eu sei lá
Exactamente até onde vai o espaço sideral?
Não cabe em mim a noção do infinito, sem fim,
Por onde se passeiam vias lácteas
Errantes.
Penetrar num daqueles buracos negros
Ao encontro de um momento já passado,
Soterrado na massa ultra densa, inerte,
Tão negra como mil sóis apagados,
Furacão de sombra errante no infinito,
É regressar a uma nova infância.


Assombro-me( !) ou caio em paz ?,
Ao perceber que tudo comecei e nada dou por concluído
Fico quieto no silêncio à procura do infinito da razão.
Saio destas noites, sereno, mais convicto e reforçado
Que por muito que a vida esteja já puída
Ainda bate seguro este pobre coração
Á espera de uma nova alvorada
E outra …ou outra …ou outra ainda
De onde brote minha vontade renovada.


Sou eu próprio, assim, um mistério
Em contínua feitura, fazendo-me.
Sem um Deus que me guarde no seu Império
Ou uma Nau que me leve p’ra «ilha afortunada»
Para lá viver, aquém, na bruma
A sonhar
Com os rios que quis levar ao mar
Deixados encalhados na praia,
Feitos espuma.
SF (Agosto 2009)

segunda-feira, agosto 17, 2009

A ESCOLHA NÃO É ENTRE PS + (?)...MAS PS- E O RESTO.


Eu não sou,nunca fui, um indefectível de ninguém, nem de nada.

De Sócrates, admiro(muito) a sua vontade.
Gosto de tipos como ele, a entregarem-se de alma e coração(e corpo), a lutar por convicções, a bater-se corajosamente mesmo quando a sorte vira completamente o sentido do jogo. Mesmo atingidos os noventas minutos, vai a todas, com a mesma vontade com que começou, a saber perfeitamente que nisto de politica, ou vence-se, ou morre-se. Não há meio termo.

O seu Governo, foi sem duvida o melhor desde 25 de Abril. Houve mudanças estruturais que nunca, antes, tinham sido, sequer, equacionadas. O facto da dita esquerda radical lhe cair, despudorada e demagogicamente em cima, é prova disso mesmo. É inegável que a reforma da Segurança Social foi uma delas.Com pleno êxito. Matéria de transcendente importância que só por si marcaria(e bastaria)para uma legislatura. E no «Ensino» muita coisa mudou, para melhor .E se mudou .É óbvio. Não podemos julgar, influenciados, apenas, na melhor ou pior aceitação dos Professores em relação à avaliação. A extensão do inglês a todas as idades escolares,o Magalhães – só mentecaptos podem duvidar da revolução que esta iniciativa vai causar no futuro-,a reorganização do Parque escolar,a entrega das Escolas a directores para assim restabelecer a capacidade de decisão e autoridade na Escola etc, etc,foram factos inegáveis, de validade indesmentível. Porque a verdade manda dizer que o ensino se transformara num lameiro. E que só uma ideia corporativa, cega e surda,sem querer qualquer tipo de co-responsabilidades, assumidas, exaltada por um Sindicato fundamentalista,totalmente à revelia da realidade dos tempos ,pode achar que um enquadramento dos Professores, baseado numa avaliação coerente(não o é hoje ainda mas virá a sê-lo), foi crime de «lesa profissão». Poder-me-ão dizer que a metodologia da avaliação é confusa ou complexa. Corrija-se,pois um sistema de avaliação, seja de que for, não se faz assim do pé para a mão.Há que o pôr em prática,monitorizá-lo e, claro, introduzir as correcções que se entenderem necessárias.Há que fazer...fazendo.
O Ministro das Finanças foi (de longe) o melhor Ministro desta área ,no pós 25 de Abril. Sóbrio ,seguro, sabendo muito bem o que queria e por onde ia, foi, meta a meta, excedendo as expectativas. E este País pareceu mesmo querer dar o salto definitivo, o ir além da Taprobana(leia-se Pirinéus).Até que a maior das crises financeiras de que há memória, vinda do exterior, veio, acabou como não podia deixar de acontecer, de atingir em cheio o nosso País, afectando e de que modo, a sua economia real. Até tal acontecer o Governo de Sócrates fez o que nenhum outro foi capaz de fazer. Portugal começou a respirar. Mas e mais :começou pela dinâmica das novas tecnologias a indiciar que Portugal tinha uma palavra a dizer no futuro da Europa.(já aqui falámos dessa capacidade)

As energias renováveis foram uma mira totalmente certeira, e Portugal tem hoje, nesta matéria decisiva, um lugar de destaque na Europa.
Foi portanto pena que a crise viesse estragar parte do trabalho feito.
E pena ,muita pena, que os Partidos não desprezassem o acessório – a chicane política- para se colocarem de acordo em relação a algumas matérias essenciais: investimento, emprego,politica social de combate à crise e Justiça(sim porque a Justiça não pode continuar a funcionar em roda livre ,como funciona).

O tempo para o período eleiçoeiro-do bacalhau a pataco- esse viria sempre, e então aí, cada um caçasse desbragadamente os votos usando todo o tiupo de exercício demagógico.
Na grande maioria dos Paises Europeus,o combate á crise fez-se com co-responsabilidade.Pois que não havia outros meios diferentes para atacar a crise.

As resposta postas em prática, e que tiveram,cá, a oposição demagógica de todos,sem perceberem o essencial,não fora a forte determinação de Sócrates, não teriam sido levadas à prática.Ainda hoje estaríamos a discutir o sexo dos anjos.
Aqui-em Portugal- até parece que o problema do desemprego foi culpa exclusiva de Sócrates.Onde é que o problema teve contornos diferentes,apetece perguntar aos distraídos?
Ora manda a verdade dizer que se esta crise nos apanhasse no tempo daqueles governos de trapalhada ,não só o caso viraria catástrofe como ninguém dentro daquele período era capaz de tomar medida que se visse ,como bem se demonstra pela total falta de propostas do PSD.
Que a crise é geral e interligada,vê-se; -logo que um começa a respirar e sai do ventilador ,logo por arrasto os outros o seguem.
O importante para nós é saber se estão tomadas medidas para não deixar(aqui e em todo o lado)reaparecer de novo «as bolhas».

Mas também importante é decidir a quem vamos confiar o País.O País não pode ser governado por PS+-não adianta estarmos a falar, levianamente, de possiveis soluções,no caso de...
O PS tem ,como Sócrates indica,e em nosso entender bem ,que escolher entre PS e o resto...
Em democracia urge assumir responsabilidades.

SF

domingo, agosto 16, 2009


ESCRITORES E PAIXÕES

Tinha a ideia de que Lobo Antunes seria um tipo incapaz de olhar para outra coisa que não fosse a sua trabalhada escrita. Mas ele já tinha avisado. Só que como nos disse que " Hei-de amar uma pedra”não fazia adivinhar que a pedra tivesse requinte de brasileira. A minha relação com os seus livros foi sempre má; muito boa,sim,mas com as suas crónicas.Excelentes. Acho que ele se leva demasiadamente a sério, mortificando-se (como o ouvi dizer de si, muitas vezes) com a aventura de escrever coisas diferentes, de um modo diferente. Profissional da escrita com longo percurso -e hoje notável reconhecimento - diz que por vezes “duas linhas lhe levam o dia inteiro a garatujar e outro tanto a corrigir”; e ou modificar.
Li há pouco que se apaixonou por uma brasileira muito mais nova que ele, e vi-o retratado num gesto afectuoso a receber,no aeroporto, a sua nova namorada -eu que julgava que isso era coisa que há muito tinha esquecido - cingindo-a num amplexo amoroso de que o não supunha capaz.E ainda de ramo de rosas, na mão.
O artigo que acompanha as fotos do papparazi, contém, até, coisas «graves»não provadas, respeitantes a velhotes de mais de sessenta..
Por exemplo, diz a certa altura que, se um homem de sessenta e tais não tem a fogosidade de um de vinte,compensa o facto com outros argumentos (???) ( vide jornal CM). Com rosas,certamente. Tomei apontamento, vá lá saber-se as voltas da vida quando um tipo fica patareco e dá de oferecer flores a uma primeira que lhe faça uns esgares amorosos (?), não de paixão, mas de compaixão.
Aliás pouco faltou para o «voyeur» ter mandado parar LA para o interogar que chumaço era aquele que lavava debaixo do caso .A carteira?., seria?:-perguntaria.
- Rosas meu caro -diria LA desapertando o casaco
Eu aceito como natural uma paixão de Ana Plácido por Camilo. Julgo que Heminghway inspirava vulcões amorosos. Já Fernando Pessoa sempre me pareceu - como de facto o foi-inspirador de uma paixão platónica de uma Ofélia triste. Saramago já com provecta idade, atraiu uma Pillar que lhe trata dos negócios livresco, e, certamente, lhe faz, diariamente, a cama. Lobo Antunes sempre tão ciumento de Saramago (de quem diz cobras e lagartos «do escriba», que diz ser, o autor do «Memorial do Convento»,e…),não lhe quis ficar atrás e pimba: há dois meses cruzou olhares conspícuos com uma brasileirinha que embuchou pelo beiço.
Que pena eu não ter jeito nenhum para romancear. Agora que andava mesmo a precisar de «moçoila» que me fizesse com jeito um cafonè anti stressant.
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Só vale o que disser ….
A morte de Sonaldo, esse extraordinário artista,homem bom ,terno, um ser de eleição sob o ponto de vista de uma prática e posição humanista, invulgares, arrastou com as confidências que sempre ressaltam nessas alturas,afirmadas por próximos que referem um certo esbatimento das duvidas que o actor teria sobre O Divino , na fase final da sua vida.
Não me parece correcto esse tipo de confidências ,sem que o visado cá esteja para poder defender-se.
Acontece com frequência invulgar que muitos que em vida não demonstraram qualquer apetite pelo mistério da Fé, chegados a uma altura de fragilidade(física, emocional ou psicológica) fazerem uma aproximação tardia ao transcendente.
Eu, aqui, já o repeti : as minhas opções só são válidas e poderão ser invocadas enquanto estiver na posse de todas as capacidades físicas e cognitivas. Ninguém tem ,pois, o direito de falar sobre mim em matéria tão difícil a que eu, e só eu, posso dar explicação cabal.
E também não creio que a existir um Deus -imagem superior do homem – o mesmo ficasse contente, e certamente irritado com o atrevimento de quem tendo levado uma vida a desmenti-Lo -ou pelo menos a procurá -Lo noutro sítio,o da racionalidade - e que só por oportunidade de jogar em todos os tabuleiros, viesse, no fim, apostar em todas as bancas.
Não ! ..Era mais fácil eu entrar pelo buraco da fechadura do céu mantendo as minhas convicções até ao fim ,do que oportunista , batesse á porta do S Pedro a dizer que fui um indefectível crente do seu reino. Eu se fosse a Ele, perante esse atrevimento, corria-me aos pontapés…
Há tempos uma iluminada(da fé) dizia-me: agora é altura de te chegares mais a Deus,e pedires-Lhe com mais humildade…
-Pedir o quê, se Ele a existir, já me deu o que tinha para me dar. Devemo-nos contentar com o que temos. E esta chegou-me-respondi-lhe a sorrir .
SF (agosto)

sábado, agosto 15, 2009

ANGÚSTIA

Temo o dia
Em que traído deixe escapar
A angustia que vou guardando,
E me faz sangrar.
Mas que escondo – sei lá!-
Tantas vezes, mesmo de mim .
Não sei exactamente quando.
Mas um dia
Deixo de fingir
Que desprezo o afecto teu.
E o sonho, a noite, o desejo
Ai ! tudo belezas da minha mentira
Que julgas?
Que fora eu
Sem dela me alimentar,
Para que todos os dias ao acordar
Tenha sempre e ainda, vontade,
A vontade de não desesperar.

SF 04/08/2009

sexta-feira, agosto 14, 2009


Despeço-me da noite à espera que nasça o dia…
E assim vou sobrevivendo extasiado com a vida.

As noites quentes, apreciadas do meu terraço são belas, de uma intensidade que chega a emocionar. A lua salta lá dos longes serranos ,alevanta-se ,primeiro mortiça mas nos 20º é já brilhante , deixando que a ria traga o seu reflexo afogueado até ali, a uma mão de distância. Trago dois copos – um para mim e outro para o amigo que há-de comparecer.Chegará? E faço saltar a rolha. Beberico o meu, e como ele, afinal não chega- nunca chega!-, vou pensando no que tem de ser, há-de acontecer. Mas enquanto não, cumpra-se o tempo a tempo, e as promessas.
Chegam os pirilampos criqueiros. Espalham-se aqui pela frente, tagarelando, roncando, buziando. Observo-os e pareço ansioso de me intrometer no seu ritual de engaçar a crosta que a maré deixou à vista.
O amigo definitivamente não vem .Agarro no seu copo brindo e bebo-o.
Horas de deita.
Depressa: - há que matar o tempo ,antes que ele nos mate, antes que chegue a hora ou momento. Antes, um ultimo olhar -qualquer deles pode ser o ultimo - olhando fixamente tudo o que os olhos olhando podem ver. As estrelas brilham poderosas no deserto infinito parecendo diamantes espalhados pelas suas areias. Apetece-me colher uma delas para a dar ao meu amor.
De manhã desvenda-se o mistério, e ponho-me a futurar a vida. E a agradecer – não sei bem a quem :- talvez a ninguém !- o belo que é acontecer a renovação em cada alvorada que se ganha. O bom é continuar a vida ,amar amando.E que a tirana não seja só para nela se estar ,mas para que, se seja.
Momento para me deslumbrar com as primeiras horas de um novo dia. De ir por aí –pressentindo toda(?!) a gente,ainda adormecida, enquanto eu a olhar o sol vou rasgando o espaço à procura do meu caminho. Tudo é tão calmo. Nem a água bule na quieta melancolia do despertar lagunar. As gaivinas ainda sonâmbulas têm preguiça de esvoaçar, e aproveitam para mais um codorno tranquilo.
Sigo direito ao mar. Gosto de o ver praiar logo de manhãzinha. As ondas vindas de longe parecem cansadas, e o sussurro do seu enrolar a desfazer-se de espuma, tem um inebriante fascínio. O perfume da maresia mistura-se com o acre dos carneirinhos que ainda vão sobrevivendo. Encho o peito desse ar húmido que me penetra.
Manhãs de oiro e de cetim que me envolvem tonificando a vontade de ir adiante no caminhar da vida, ousando.

SF (agosto 2009)

quinta-feira, agosto 06, 2009

REESCREVER A VIDA…


Um espantoso luar
Baila prateado sobre a Ria
Vem acompanhado por ligeira brisa perfumada
A deslizar sobre as quietas águas
Enredando-as na maresia.
Na noite, deslumbrado
Sôfrego de me encharcar no belo,
Inebriado pelo êxtase,
Procuro reescrever a vida.

Há nesta noite amanhecida
Um sonho no vento
Um sonho no ar
Um sonho por desvendar.
O de te levar pelas águas
Em passos ledos
Para lá da imensidão
Onde restaremos quedos.
A deixar que o amor mande ousar,
Os meus olhos pousados em Ti
A desfolhar a flor da primavera
Teu corpo de mulher aberto
Sorvido até que chegue a madrugada.

SF (3 Agosto 2009)

quarta-feira, agosto 05, 2009


Estivemos a um passo de conseguir..
Resta-nos a consolação de termos sido pioneiros à escala Mundial

Tenho seguido com enorme curiosidade e atenção, as noticias do carro eléctrico Renault – Nissan, e acode-me á cabeça o projecto que dirigi e concretizámos, da primeira scooter eléctrica mundial.
Tivemos mais ou menos, há dez anos, as mesmas ambições de solucionar o problema de um veículo limpo. Claro que esta terminologia não é totalmente exacta, pois se o veículo é, de facto, limpo, aquando da utilização, a energia para carregar as baterias, obriga, na mesma a emissões aquando da sua produção.
Há duas questões que me levam a pensar que o grupo vai ter, praticamente, os problemas que nós defrontámos (menos o apoio governamental que nós não tivemos).

Em primeiro lugar a autonomia de 120 Kms, anunciada, é boa mas insuficiente: nós, na scooter, tínhamos 50 km. Comparado com a utilização scooter /automóvel (potência/peso) a nossa solução estaria até mais consentânea com o que se pretende do desempenho/utlização de um automóvel, e ou,de uma scooter. . Só que estas autonomias não são reais, pois dependem muito da utilização e da vida do veículo. E no real, poderemos estimar vinte por cento menos. Num carro é problema de monta.
Enquanto se não alcançarem os 300kms de autonomia teremos sempre dificuldade em impor o veículo. Na scooter se tivéssemos ao tempo a felicidade de os fabricantes de baterias produzirem(na altura) baterias de iões-litio, teríamos chegado aos 100kms.No caso da scooter mais do que suficiente. Corri o mundo á procura de interessar algum fabricante que se propusesse á tarefa .Impossível. A tecnologia de então não o permitia.
Acresce um outro problema: os recarregamentos. Os carregamentos lentos não põem problema de qualquer espécie. De noite há tempo mais do que suficiente para fazer uma carga lenta. Mas e recarregamento rápido, em estrada, põe muitos problemas. Porque é falácia falar em posto de abastecimento capaz de debitar carga instantânea. Para ultrapassar esta questão nós com a EDF (a EDP francesa) abordámos a hipótese de conceber um sistema de gavetas para que as baterias fossem trocadas nos postos de abastecimento de energia. Não é impossível, mas não é fácil.
Estivemos mesmo perto ,muito perto, do registo da história. Todos nós que trabalhámos no projecto admitimos que com m ais apoios tínhamos lá ido. Fomos de longe os primeiros à escala mundial. Tudo o que este automóvel conterá ,a scooter já o tinha: recuperação de energia, indicação nível de carga, gestor de baterias etc etc. Lançámo-nos muito cedo .Mas impunha-se . Mesmo para a Renault-Nissan parece-me cedo. E não sei se não será um Flop.
Eu, depois da experiência recolhida, acredito que a solução do veículo limpo não passa por aqui, mas sim pela motorização alimentada a hidrogénio.
Mas enfim, consola-me o adiantamento de dez anos em relação a todos, mesmo a estes monstros da indústria.
E cada vez com mais razões para pensar que a massa cinzenta (e a capacidade inventiva) portuguesa, bem aproveitada, é genial. Por isso, este caminho das novas tecnologias, é um desafio que, se continuado, nos recolocará de novo a dar cartas ao mundo.
Gostei de fazer o que fiz. Gosto de ver os outros percorrer o caminho que então cheio de ilusões -
mas não só! - percorri.

segunda-feira, agosto 03, 2009


Ria minha….meu bem …achega-te

Hoje, nesta noite do crescente, a Ria cumpriu-se.
E eu festejei-a. Abri uma garrafa de champanhe, e aqui estou a brindar com ela. Neste, como em todos os lugares desta casa por mim reinventada no sonho de a fazer diferente, única, festejo-a.
O rasto da lua esparralha-se pela água quieta, vindo nesta hora lá do sul, refulgindo num tom esverdeado de ágata que me penetra, inunda, e subverte, os sentidos. Deste meu pousio ,recanto desta casa que uns dizem «tolaria», desfruto, guloso enquanto bato as teclas, este deslumbrante desnudo de uma ria tão inesperada, como bela. Como as mulheres recata-se uns dias para logo noutros nos prender deslumbrante.

Tolos os que não amam. Tolos os que, cegos, não percebem, ou não entendem, os sinais de vida.
Viver não custa(a alguns…).Saber apreciar o deslumbrante que é a vida, isso é que é difícil.
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Volta não volta, distingue-me…

É! .. volta e meia o despecuniado peralvilho aparece…
Parece que o «verme» tentou meter-se (uma vez mais!) comigo. Ou baralhando, meteu-se com o outro eu.
Ora:
Se se meteu comigo a resposta é:
-Não respondo a cretinos que não distinguem « bosta» de pão» -parafraseando o saudoso Frederico de Moura.

Se se meteu com «o outro», eu
- Guardo o «escólio» para o dia em que …
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(Aviso:a imagem abaixo é só para adultos)



Aviso à navegação:



Familiar trouxe-me esta foto.




Confirmadora. Já nasci com «eles»….
Por isso mesmo, tenho de fazer jus aos que, assim ,aqui, me botaram.

SF

terça-feira, julho 28, 2009


Aprender até ao fim …que ainda vale a pena.

Nesta vida tumultuosa em que me envolvo - ou melhor, me deixo envolver -há momentos compensadores, altamente gratificantes.
Evitei aqui falar da minha tarefa no CASCI.
Hoje falo; foi o dia de uma certa libertação de uma tensão vivida a sós, que dura de há sete meses para cá, sem um momento de tréguas.
Com os dados finalmente apurados -só em salários disponibilizaram-se, hoje, 300.000 €-, foi possível juntar á avaliação do trabalho, das reformas intensas levadas a cabo ,a realidade dos números.
Dou por mim satisfeito. Se tudo -e quando digo tudo é mesmo tudo - do que tinha prometido fazer -e ao prometer aos outros empenhei-me a mim mesmo! - foi levado á prática, a situação económico-financeira respira um já total conforto que nos permite olhar para o tempo difícil que se avizinha, com uma certa tranquilidade. Trabalhou-se muito e tomaram-se decisões que deram –é já patente no espírito de todos - uma outra filosofia(e estrutura) que melhor permitirá ao CASCI responder aos desafios que se avizinham.
Existe já hoje interiorizada, a noção de pertença a uma equipa. É a noção que insistentemente faço passar: a de que o futuro de todos, e em particular do CASCI, depende não de um ,mas do modo como todos funcionarem em equipa. Todos sabem ,exactamente, qual é a sua missão. Todos começam a seguir procedimentos que não admitem desculpas mas elegem os mais capazes. E para sobreviver, o CASCI precisa de se dotar dos melhores. Para se ser melhor é preciso assumir sem falsos pudores, que o queremos ser.
Houve mudanças que todos temiam e que afinal se fizeram com excelente absorção. Mudar o passado é temível. Eu sei-o. Sempre o soube. Mas isso nunca me atou os braços, nem toldou a razão.
O CASCI trouxe-me muitas lições. A sua grandeza (para lá do social)é de uma enormidade que define o sonho de quem, pedra a pedra, o construiu partindo do nada. Gostaria que «Essa» pessoa estivesse cá hoje, só para lhe dizer,sorrindo :
-Vês que é possível continuar? Não valia a pena teres-te imolado.

Sim !,porque quando atraiçoada por quem lhe estava perto compreendeu já não ter forças para lutar de igual para igual, a vida deixou de Lhe fazer sentido.
Não vai haver tempo para descansos. Descansar é estar tranquilo ,e só se está tranquilo quando se seguem dia a dia os acontecimentos. Só deve descansar quem está cansado .E esse não é o meu caso. Estou, sim, ansioso por concluir a tarefa.
Vamos pois, em Agosto, preparar a entrada da recta final. Falta dar um dos principais passos do tratamento de choque que propus: o CASCI a partir do ultimo trimestre deste ano será dirigido em toda a sua plenitude por uma equipa de profissionais. Que os há lá ,e de grande gabarito. Estavam lá; só que sem espaço para o demonstrarem . Ficarei, assim, só mais um tempo –o estritamente necessário - para lhes dar confiança, acompanhar nas primeiras decisões, corrigir se necessário for ,para enfim largá-los, entregando-lhes este mundo de uma grandeza Solidária inquestionável.
Cavalgada gigantesca .Mas de todo bonita, porque com os outros aprendemos a ganhar –ainda! - maior sentido para a vida. E para a morte, até. Porque esta será apenas o fim dos caminhos por onde não quisemos ir.
SF (28.07.2009)

sexta-feira, julho 24, 2009


O Prólogo já começou


O prólogo que antecede as eleições, como sucede nas grandes competições -de bicicleta –, se não dita o vencedor antecipado, serve para dar uma ideia do que vai ser a competição.

Em Aveiro aparece um candidato José Costa (dr) que no cartaz introduz a frase «Adoro Aveiro». Não conheço o Senhor, não sei dos atributos que lhe justificam uma candidatura vencedora. Sim porque o PS em Aveiro, deve concorrer para ganhar. Ora as indicações (sondagens), valendo o que valem, indiciam,bem ao contrário, o desastre.

A frase acima é de uma pacovice atroz. O candidato cuja historial escapa ao comum dos mortais, poderia inspirar alguma aproximação se retirada essa frase saloia.
Mas o mais grave é que li, hoje, uma entrevista sua onde entre coisas banais, aferrou um par dos ditos a um camarada que lhe deveria merecer mais respeito. E com isso mostrou logo o que vale. Numa ânsia de caça ao voto ,onde vale tudo,num populismo tonto e insensato, medonhamente ingrato, ética e politicamente intolerável, o novel e desconhecido candidato afirmava às tantas qualquer coisa como: _ «os aveirenses que já se afastaram das políticas de Alberto Sotto…», tentando dessa forma demarcar-se de uma obra, que, quase diríamos, merece a aprovação de todos os aveirenses, independentemente de razões de avaliação que nada têm a ver com a mesma, mas com factores da sua excessiva dimensão financeira.
Engana-se o putativo candidato. Os aveirenses não repudiam a obra de Sotto.Bem ao contrário o Alberto Sotto ficará na história como um dos maiores Presidentes da edilidade aveirense, ao longo da sua história. Sotto foi quem soube dar, a Aveiro, a dimensão de modernidade que há muito se desejava, sem postergar a preservação da qualidade de vida e bem-estar,elevando-os a um ponto tal que hoje permitem á cidade ombrear com o que de melhor o País tem.
O PS é que traiu e apunhalou o Alberto Sotto. Desculpem lá! O PS não! Uns peralvilhos de pacotilha, que por lá andam, há anos, a mendigar tachos, a polir cadeirões de ocasião, sobrevivendo no lamaçal da indignidade e da desbragada e impudica incompetência. E esses lá estão, na fotografia com o candidato José Costa.
De Alberto Sotto, os aveirenses ainda, de novo chegada a hora, têm muito a esperar. Em Outubro, do Sr. Costa, é que os aveirenses já se não lembrarão.

Em Ílhavo o PS joga para perder por poucos.Oxalá...
Adiando para mais tarde, por abandono do adversário, recolar, e, assim, preparar-se para o spint final. Não sou eu que o digo, mas o que ouvi da boca de integrantes da lista.
Não sei que raio de gente é esta que se movimenta por calculismo, e não vai a todas para lutar e ganhar.
Nada tenho contra o candidato José Vaz. Está no seu pleno direito cívico, ao candidatar-se. O que tenho é que não cumpriu a sua palavra quando garantiu que o candidato a Presidente da Concelhia não se candidataria à Câmara, procurando, antes, num grande movimento de abertura partidária, promover o aparecimento de alternativas poderosas. Ora nnada disto se passou.
Não gosto e não aprecio faltas deste género. Mas agora aqui chegados, ponto final. A discussão virá mais tarde quando se compreender e avaliar o erro de se queimarem candidaturas.
Nunca RE esteve tão a jeito, nem tão vulnerável. Não lhe convinha disputar mais este mandato. Palpita-me que vai acabar mal! Mas sem outra saída dentro do Partido, R.E vai fazer figas para que Sócrates ganhe. Por quantos mais, melhor!
Um candidato a sério,assumido,ganhava. Partindo para perder por poucos,pode a coisa descambar numa goleada.
Ouvi ontem a entrevista do candidato da CDU, A.Marta. A justificação das razões porque não caminhou para um acordo com o PS são delirantes. De uma inconsistência e falta de racionalidade, que fedem.
Que raio de idiotice aquela de que todos os Partidos defendem só alguns, e que só o PC defende todos. É por isto que as «palermices» de Jardim às vezes até medram onde deveriam apenas encontrar repudia.
Visto isto, resumindo e concluindo: o «prólogo» eleitoral já começou, e dá para temer o que aí vem.

Aladino

sábado, julho 18, 2009


Lá vem a nau catrineta que tem muito que contar…


Uma das claras, e hoje já indisfarçáveis causas do défice democrático reside precisamente no Poder Local. No seu caciquismo, na sua atitude de confronto, na falta de preparação (e educação) dos seus actores. Uns oligarcas de pacotilha que se eternizam, seja quais forem as cambalhotas que para tal sejam obrigados a dar.
Apenas perseguindo o fácil trilho de edificação de obras faraónicos - com que julgam se eternizar na história -, estas são levadas a cabo sem controlo de qualquer espécie. É por isso banal as mesmas terminarem com custos muito mais elevados que o previsto ,sem que sejam assacadas responsabilidades dos buracos, a quem quer que seja. Até hoje o regabofe e impunidade andaram de mãos dadas. Mas há sinais que está a chegar o tempo de rever as contas.
São raros os casos em que as autarquias intervieram em áreas diferentes, do obreirismo tonto.
As obras têm de ser um fim, mas nunca um meio de justificar poder. Parece que todos os autarcas tiraram o curso de «patos bravos» tal é a afinidade entre uns e outros. E por isso as mistelas pululam por aí.
As políticas culturais esgotam-se na compra de enlatados que vão adquirindo a preço de saldo (todos compram o mesmo). Porque zelar pela cultura local, promover as Associações, fixar verdadeiros contratos programa, incentivando aquelas a criarem e ou recuperarem as tradições, isso não fazem. Porque não sabem. Pagam e pronto. Lavam as mãos e discursam enaltecendo-se, já que ninguém em boa verdade o faz.
Pouco, ou quase sempre nada! Preocupados com o problema social das suas gentes, ficam por fazer de conta que participam em redes sociais, que estão longe de qualquer eficácia. A pobreza cresce; mas os oligarcas agarram-se a estatísticas cozinhadas, marteladas, para justificar quase sempre a ausência de problemas sociais nas suas áreas geográficas, justificando, assim, nada ser preciso. E até agredindo quem o tenta fazer. Como se a culpa da pobreza seja apenas consequência do poder central (ainda que o seja em grande parte, convenhamos). Mas pode-se (e deve-se.) atenuar, localmente, esse problema.
As parcerias criadas visam apenas o faz de conta com encenações de dias, ou semanas, com acções a fazer de conta. Levantada a barraca, tudo ficará na mesma. Até para o ano. Importa é vender a imagem do que parece, e não do que é. A inacção comandará os destinos até á próxima encenação.
Tudo isto nos ocorreu a propósito das Comemorações do dia de elevação a cidade (envergonhada e decrépita) da outrora aberta, risonho e cosmopolita, vila de Ílhavo. Uma vila airosa, fervente de vida, rica de contactos sociais, liberta de casos de pobreza generalizada, interessante no carácter das suas gentes acolhedoras, cativante para os muitos que em continuados fins-de-semana vinham disputar ao rapazio local os corações das belas «ílhavas», com fama (e proveito) comprovados de serem ternos, acolhedores. Normalmente um porto seguro.

Ora numas comemorações inventadas, o Senhor Presidente fez um discurso onde apregoou as obras futuras que irá (como advinha o obreiro (?!) as intenções de voto) levar a cabo. Fez uma salada misturando investimento camarário, apoiado pelo Estado – caso do Tribunal e escolas - com investimento privado que assumiu ser seu, da sua Câmara. É o caso da Misericórdia, que diz ser o maior investimento da Câmara e irá custar quatro milhões (nós pensávamos que era a Misericórdia que assumia o investimento). E até promete recuperar a «casa do Illiabum» (nós supúnhamos que o Illiabum ainda não chegara aí, continuando a ser dono de si mesmo). E até dos Bombeiros. Oh! há quantos anos vimos ouvindo esta promessa. Quantos quartéis já seriam feito, se não andasse toda a gente fiada em promessas, à espera da banana cair da árvore das patacas?
Enfim uma trapalhada. Daquelas que são a imagem de marca dum incorrigível prometedor de promessas, nunca cumpridas.
Pois bem: tudo indica, pois, que se não houver freio ao despesismo autárquico, o valor da divida actual da «sua» Câmara -40.000.000 euros! - Chegará aos cem milhões no final do próximo mandato do «mestre-de-obras municipal». O que nos vale é que é o ultimo mandato. Senão nem interruptor havia para apagar, nem porta para fechar.
Porque quanto ao resto: -disse nada.
Fantásticas estas gentes de Ílhavo. Totalmente indiferentes ao seu destino. Parece que apenas importadas em que o céu lhes não caia em cima. Porque a desgraça, com essa convivem há muito.
E agora o adversário (já anunciado) o que fará? Pois…. que ,certamente aumentará a parada. Prometer não custa…

E assim vamos na Terra da Lâmpada

terça-feira, julho 14, 2009


FRAGMENTO DA HISTÓRIA DE AVEIRO

A data em que Aveiro se passou(?) a chamar NOVA BRAGANÇA


Aqui há uns tempos, numa palestra que fui fazer a um Departamento da U.A, o auditório cheio preparado para uma charla que tinha o tempo previsto de duração de meia hora, transformou-a em quase duas hora e meia de conversa interessada-e interessante-, motivada pela avidez dos presentes que queriam saber muito saber muito mais sobre a história de Aveiro.
Impressionou-me a surpresa da assistência quando referenciei o facto de a cidade de Aveiro ter estado preste a mudar de nome, para NOVA BRAGANÇA.
Expliquei então o facto, e prometi num Blog falar disso, agora que se comemoram os 250 anos de elevação de Aveiro, a cidade.

Então vamos lá contar a história do facto….

Na noite de 3 de Setembro de 1758, D.José voltava pelos caminhos da Quinta do Meio ao Palácio Real de Belém, depois de mais um encontro de alcova com a bonita esposa de Luís Bernardo, um dos jovens marqueses de Távora. De repente, três vultos armados de escopetas, surgiram das moitas, embuçados, e rapidamente atiraram sobre a carruagem, ferindo gravemente, o Rei. De um imenso mas bem fechado mistério apenas sobressaiu a noticia do afastamento dos negócios de Estado, de sua Alteza, retido no leito para convalescença. Corria contudo a noticia onde se afirmava ter estado o Rei « muito perto da morte».


O 1º Ministro Sebastião José, logo aproveitou a oportunidade para ajustar contas com a alta nobreza que aceitava mal ou até conspirava contra suas ideias revolucionárias que punham em causa o comportamento de uma fidalguia arrogante, ambiciosa e até indisciplinada,que não raramente tinha o desplante de publicamente interpelar o Rei à cerca do adiamento das suas pretensões de aumento dos cabedais das suas «casas» ducais.
Os grandes nobres não aceitavam que o ditame do recém Marquês fosse a do respeito absoluto devido à régia majestade, em quem «residia o único poder da Nação».Pombal queria tornar o Rei livre da influência negativa dos nobres-destruindo os resquicios feudais- e do clero ,e assim libertar a nação do seu jugo,que punha em causa a sua afirmação contra as potências estrangeiras.Pombal sabia que só sendo livre desta união poderia negociar Estado a Estado. Os nobres,perante as afrontas que o poder de Pombal lhes incutia eram os maiores antagonistas do 1º Ministro, vendo nele o maior obstáculo ás benesses que pretendiam continuar a usufruir, e a que Pombal se opunha. Tinham-lhe ódio e rancôr. Aos nobres juntavam-se os Jesuítas que Sebastião José se propunha exterminar pelo excessivo poder da Companhia -que se opunha ás reformas do Marquês como acontecido com a companhia do Grão Pará e Maranhão, quer com a fundação da Companhia dos Vinhos do Alto Douro.A revolta e tumultos do Porto,terá sido incitada pelos Jesuitas,terminando com a execução publica dos revolucionários do Porto.Pombal pretendia acabar com ostentação chocante de riqueza desta ordem eclesiástica,e fazer regressar essa riqueza aos cofres da Nação.
Por isso,nobres e jesuitas ,todos ,excediam-se em conspiração, usando todos os meios para empecer a tarefa de Pombal.


Logo que recomposto o Rei, passados três meses da sua caída à cama, um decreto publicado em 9 de Dezembro do referido ano proibia que todo e qualquer se ausentasse de Lisboa sem autorização especial para o efeito. A 13 desse mês procedia-se à prisão dos acusados/ culpados, e a 4 de Janeiro instituía-se o Tribunal que veio condenar á morte pelos meios mais violentos, o Duque de Aveiro, D José de Mascarenhas, Francisco de Assis, Marquês de Távora e sua Esposa,a Marqeza, para lá de outros familiares e servidores.


A Marquesa de Távora é degolada

O Duque de Aveiro, que possuía a «mais opulenta casa » do País, considerado o principal instigador, foi sentenciado a ser levado ao cadafalso para aí «ser roto e rodado vivo» quebrando-lhe os ossos.


A execução do Duque de Aveiro

E depois desta cruel execução, seria queimado vivo, sendo as «cinzas deitadas ao mar». Os bens desta família, bem como os dos Távora foram confiscados, destruídas as suas casas e queimado o seu solo, com sal, para que nem as ervas ali crescessem.
Por todo o País se ergueram vozes de desagravo ao excelso Rei, ao mesmo tempo que se conjurava na sombra e escuridão dos jardins dos palacetes e nos altares jesuítas, terrível desforra e vingança que tinha em Pombal o adversário visado.



A Expulsão dos jesuítas

Em 6 de Janeiro de 1759,em Aveiro, ainda simples Vila, reuniram-se na bonita Igreja matriz de S.Miguel, ali defronte da pousada de S.Brás (antigo Liceu de Aveiro) o Senado, os Nobres e o Povo, para, incitados pelo prior da mesma, frei Paulo Pedro Ferreira Granado, fazer solene protesto de «não quererem continuar sob tutela do dignatário»,o Duque de Aveiro, «sujeitando-se de imediato ao governo de El-Rei».E levando mais longe o lavar da afronta, é no referido conclave sugerido que Aveiro mudasse o nome para NOVA BRAGANÇA.
Ora foi desta acção que D.José, certamente lisonjeado por tamanho gesto «democrático»(?!) das forças sociais da terra, decidiu elevar Aveiro a cidade. Foi receptor e portador da alforria «o Pai da Pátria» o Capitão-mor de Ílhavo, João Sousa Ribeiro, na altura a figura de maior prestigio da região, pelo grande feito cometido, a bem de toda a população, o de ter aberto a suas expensas a barra na Vagueira.Com ela pôs fim ao período mais negro da história lagunar, terminando com o surto de pandemia de peste que devido ao inquinamento das águas apresadas no interior da laguna.sem renovação e vivificação, ceifou milhares de vidas na região.A abertura do rigueirão na Vagueira,veio também pôr fim ao interregno de todo o desenvolvimento que anteriormente o Porto de Aveiro tinha permitido, pelo envio das primeiras frotas à Terra Nova, para a pesca do bacalhau, e também da exportação de sal.

Mas porquê a ideia do nome de Nova Bragança? A única ligação ao nome poderia ter provindo de a mãe do primeiro duque de Aveiro, D.João de Lencastre, ter sido D.Beatriz de Vilhena, neta dos duques de Bragança. Mas era duvidosa esta possibilidade.
Certo é que se refere que esta designação chegou, na época, a figurar em alguns mapas geográficos, mesmo que tardiamente publicados (1848).
Fosse como fosse, para desfazer dúvidas, um decreto de Dona Maria I veio anular todos os actos administrativos do reinado precedente. E Aveiro lá continuou com o seu nome, se é que alguma vez de facto mudou, senão na ideia de uns mais delirantes adeptos do Pombalismo.


Mas se Ílhavo se encontra envolvido nesta história do regicídio tentado contra D.José, pela distinção(já referida acima) dada ao portador das alvíssaras de elevação a cidade do burgo, há ainda outro ponto interessante de inter- ligação histórica.

Sucedeu que D João de Almeida Portugal, 2º Marquês da Alorna, se viu envolvido no atentado a D.José, tendo sido feito prisioneiro,encarcerado nos baixios da Torre de Belém. Sua mulher e filhas foram enclausuradas no convento de Chelas. Neste, um dos Padres que ai leccionava era precisamente, Francisco Manuel (futuro poeta Filinto Elísio), filho dos «ílhavos» Manuel Simões -fragateiro real- e da esbelta peixeira Maria Manuel, que tinham «botado» para Lisboa para o ganho da vida.


Assim Filinto (F.M.) foi professor de latim, no mosteiro de Chelas, da futura Marquesa de Alorna, D. Leonor de Almeida, e de música, de sua irmã Maria de Almeida, futura Condessa da Ribeira.
O P .Francisco Manuel irá ser atingido por paixão assolapada a D. Maria de Almeida - muito embora se creia ter sido, apenas e só, platónica, pois é Filinto quem afirma que aquela, designada por «Márcia» e/ou «Dafne» nas odes que lhe dedica plenas de grande (imensa!) ternura (e que Teófilo de Braga diz “serem suficientes para uma Antologia de sugerências”), Lhe dá conta da «abundante alegria que (a mesma) dava ao seu ser».
Será contudo a irmã, D. Leonor, quem mais tarde se irá revelar uma apreciada poetisa pré romântica, melancólica e saudosa-a Alcipe-que atribuirá a Nascimento a identificação de «Filinto», que este nunca mais largará.
Curiosamente Filinto era um protegido do Marquês. Com a «viradeira», com o marquês de Pombal deposto, Filinto é perseguido pela Inquisição (1) e obrigado a fugir para França,onde realizará uma obra que foi considerada, ao tempo,regeneradora do bom português, só foi superada por Camões e P. António
Vieira.
E pronto…aqui está um bom pedaço histórico de Aveiro que eu prometi contar.
Senos da Fonseca (Julho 2009)

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(1) Para mais detalhe ver Filinto Elisio (http://www.senosfonseca.com/)

quarta-feira, julho 08, 2009

Seja Solidário :POR FAVOR DIVULGUE

O gosto de conhecer mais em cada dia em que a vida desanda, ainda não esmoreceu em mim.Desta vez levou-me desta vez a frequentar um módulo de formação especialmente dedicado às potencialidades que podem ser extraídas d as novas tecnologias no campo da deficiência (seja qual for : acidental, tetraplégicos, deficiência motora e ou visual).
Vim perfeitamente espantado. Sonho muito com essas potencialidades e até «me dou ao luxo» de ainda concepcionar ideias e soluções para casos que vejo . Por acaso - ou talvez não - uma das potencialidades em que andava a magicar – a condução de uma cadeira de rodas por quem não o pode fazer normalmente- foi, afinal, já desenvolvida. E mostrada no módulo juntamente com outras.


Guiando uma cadeira só com o olhar

Talvez a que menos me tenha impressionado-porque dela já tinha conhecimento- foi na área do invisual.

A Microsoft apresentou-se com os seus softwares aliás acessíveis, já integrados no Windows Vista. Tem boas soluções (e baratas) permitindo facilitar, muito (!), o uso do computador.

Com o olhar comandando a vida
Mas o que me deixou boquiaberto -a mim e julgo pelo interesse e questões levantadas, todos os presentes- foi o software apresentado por um grupo de investigadores portugueses, já disponível (www.magickey.ipg.pt). Impressionável pelas potencialidades que demonstra. Especialmente adaptado para tetraplégicos, pode estender-se a muitos outros tipos de deficiência como a falta ou impossibilidade de movimentar membros superiores; fala reconhecimento de voz etc.


Blogando diariamente só com o olhar

Com uma Key bord especial, adaptada caso a caso de um modo facílimo, podem ser criadas as mais diversas utilizações; controle de Televisão ou Hi-fi, uso do telemóvel para todos os fins, abrir ou fechar luzes, ou portas, escrever no computador com failidades de soluções propostas etc etc.E tudo apenas comandado pelo simples olhar (ou até movimentos da testa).Enfim um manancial de soluções inteligentes que deve ser dado a conhecer a todos os Pais, pois que sem grandes dispêndios poderão proporcionar uma melhoria notável na qualidade de vida de seus filhos, diferentes.


Mesmo para invisuais há soluções espectaculares. De todas a que me deslumbrou mais foi a possibilidade de um software para Telemóvel que permite captar em imagem e reproduzir de imediato , excelentemente, em voz, seja que texto for. Nesta área há de tudo desde impressoras Braille a software para escrever e reproduzir voz. Há já, felizmente, muitas soluções ao dispor com as quais se minimiza a grave desdita.

Dei já instruções para dar a conhecer estas novidades a todos os Pais das crianças diferentes do Ensino Especial, e CAO’s, do CASCI. Disponibilizando-me para promover sessão de divulgação com os informáticos.

Mas creio que o assunto é importante demais para esta questão ficar por aqui.

Peço pois a todos os amigos que divulguem. E qualquer Pai me poderá contactar para mais informações.através de:
(telm 919251063 ou
senosfonseca.casci@mail.telepac.pt)

Senos da Fonseca

terça-feira, julho 07, 2009

Mais vale burro toda a vida que cavalo de sela por um dia….

Há pessoas que depois de um tempo de convívio, julgam já estar de posse de todos os elementos que permitam avaliar-me.E logo acontece que cedem à tentação de me condicionar.
É um processo infeliz. Reajo a todo o condicionamento como o burro reage á albarda. Por isso que talvez tenha um apreço enorme por esta espécie zoológica, que não armam em espertos –mesmo na aparência - mas que desejam ,só, ser livres.

Sou – não escondo – uma espécie de ; azafamado a desvendar os trilhos da congosta ,desbravando caminho entre penhascos e como ele louco por arribar à loja para descalçar a albarda(no meu caso sapatos e tudo o rresto. Desse modo me libertando á noitinha ,despojado de tudo – até de mim –para me enlaçar em amorosa na volúpia nas águas da ria que me lavam do emporcalhamento da circo da vida, diário.
Em cada momento portentoso desses finais de tarde sinto-me inexpugnável ;saio dele renascido ,revivificado pronto para tudo de novo ,amanhã.
Escorro água depois de passar a mangueira pelo corpo mas logo que entro em casa acaba-se o festim:
-Molhas-me tudo ,ando há cinquenta anos a pedir-te que entres pela porta detrás..ouço o habitual..
Devo dizer que é o mesmo que nada, ouço a pregação repetida…a que não presto a mínima atenção,
mas resmordo…
-Olha já é pouco o tempo que tenho para me dessedentar. Na minha casa entro, sempre e só por uma porta; - a da frente. Se vier outro, a obrigação do consorte é que entre pelas traseiras e vá limpar o chão que sujou, para não estragar o que me custou tanto a fazer…
atiro eu contra atacando ,que isto de relacionamento conjugal a melhor defesa é o ataque!...

Então se esta é a minha natureza, se sou completamente imoldável - por incapacidade minha, irreconciliável com a herança genética - , porque será que alguns pensam que com jeito me conduzem à golgota com a cruz ás costas?
Reafirmo a minha admiração por Cristo homem . Mas exactamente por não ser capaz de levar a cruz podendo evitar - poderia?!-o gesto, eu que não sou Cristo nem sequer tento iniciar a subida.
Muitos tentaram: muitos foram os desiludidos.
Dentro do horizonte temporal da minha vida, nunca cedi á tentação de imitar ser . Prefiro sê-lo, tal qual sempre me conheci.
Há um velho ditado que diz «que só os burros é que não mudam ».
Pois seja :
Mais vale burro a vida inteira que cavalo de sela por um só dia.
Aladino

PS- Chegaram-me aos ouvidos mais uma atoardas que visam exactamente condicionar-me. Pois sim …
Esperem lá pela volta.

sexta-feira, julho 03, 2009

FAINA MAIOR

Agora é tarde.

Outros contam a história que escreveste

E chamam-lhe sua.

E Tu que calçavas as botas e cerravas os punhos

Marinheiro que o sonho abençoara,

E partias depois de beijar teu filho

Ficas a ouvir a «estória» das «estórias» que lhe escrevias.

Que não fala da tua inquietação de então

Terão pão?

E não fala do teu sofrimento, a cada momento ,

Terão alimento ?

E não fala da tua alienação quando em vão

Andavas perdido na solidão.

Ninguém explica a dor sombria que então sentias

Naquele lugre carregado de medos.

Sabia -se lá se haveria humanos regressos ?!


É por isso que clamo pela tua presença;

Queria reunir os destroços que sobraram

E dizer aos contadores da tua história imensa

Que era o medo quem fazia os heróis

E toda essa imensidão de bravos,

Que sonhavam, sofriam e choravam

Só para que os seus filhos não fossem,

Eles também,

Os novos escravos…


SF


(nota:encontrei isto na papelada.Não me recordo se algum dia o mostrei.Não importa se o fiz.Nunca é demais lembrá-Los)
É proibido…proibir ser feliz…

Uma pessoa amiga que me vem acompanhando nesta caminhada solidária, dizia há dias com uma convicção de crente assumida «ter alcançado todos os objectivos da vida, e ser, portanto, uma pessoa feliz».
Feliz, acredito. Regozijo-me que uma pessoa - neste caso estimável – se assuma. São afinal poucos, os que o conseguem ser.A minha amiga é,pois ,uma sortuda.

Mas esta frase inocente, que outros presentes ouviram também, e certamente nem importância terão dado, a mim martelou-me a mente; não uma, mas dezenas de vezes, dei repentinamente comigo a reflectir no seu sentido. A questionar a afirmação (respeitando-a ,claro…)

Gostaria de desfazer a convicção (assumida) desta amiga. Mas para quê interrogar os que convictamente assumem o alcance da felicidade como se esse sentimento -ou estado de alma – dependa, exclusivamente, da observação restrita do seu eu, desligado do que o rodeia?
Posso eu ser feliz num mundo que ,propositadamente ou não , não foi feito para tal?

Gostaria -mas para quê (?!), pergunto-me - de Lhe fazer notar que a meio da vida nunca se deve deixar de fixar novos – e desafiadores objectivos - porque se o não fizermos a vida passa de coisa suportável, a coisa entediante.
E, como habitualmente, dou comigo,por mero exercício retórico, a ir ao absurdo da questão.

Podemos em qualquer altura da vida dizer que atingimos os objectivos que num momento qualquer(qual?) fixámos? Não! Respondo…desde logo.

Basta ir a um só exemplo…

Há um objectivo final que julgo ser comum a todos os mortais: o de findar dignamente. Ora a verdade é que nunca saberemos se o alcançámos.
Então apetecia-me dizer á minha amiga que corrigisse o discurso e,no futuro, dissesse:
-Sou feliz porque alcançei todos os objectivos que até ontem (!) fixei.


Mas não direi. São tão poucos os que á minha volta têm essa convicção, que eu não tenho direito de a beliscar, um instante que seja.


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País de brandos costume, exaltado….


Vai por aí hoje uma freima.

Parece ser insulto indiciar bonitos enfeites cornigeros a uns peralvilhos que assentam o rabinho, ano após ano, nas cadeiras do redondel da praça a insultarem-se desbragadamente ,dia após dia,nada mais fazendo do que vomitar tolas pantominices demagógicas.


Porquê, pois, tamanho pudor, que faz de um facto banal- a transcrição gestual do simbolo«Ápis»- uma ofensa pátria? Provavelmente com direito a« manif» de desagravo, com data marcada, á boa maneira Salazarista. Ora se Pinho em vez de indiciar com os dedos em riste ,indiciasse com as mãos «em concha»,talvez acertasse mais e escandalizasse menos.Parece que ser-se burro não ofende,mas ser-se remanso já é aviltante.


Ou estavam, antes, à espera que uma «cicciolina portuguesa» mostrasse as maminhas como é habitual lá pela Itália, onde ninguém se sentiu insultado, à excepção de quem não possuía tais atributos? Ou se, como acontece nos «Comuns» de sua Alteza, se questionasse o ilustre deputado,de «to be or not be»um «corno de vaca»? (O que convenhamos é muito mais duro de encaixar e muito mais aviltante).


Amanhã, é certo, a imagem vai aparecer em todos os jornais e fazer manchete de todos os noticiários televisivos, com o se os «Portugueses» tivessem ficado escandalizados com tal gesto.
Ora aposto que o sentimento do portuguesinho de hoje é precisamente o contrário. Até gostou do gesto.
Depois do célebre «toma» do Zé Povinho do Bordalo, o expressivo gesto do Pinho ficará na história. Daquela cambada de indigentes demagogos que se alimentam da teta da vaca pátria, nem rasto ficará.
Lembrei-me hoje dos tempos da 1ª Republica. O que hoje sucedeu, naquele tempo resolvia-se logo ali, á bengalada. Mas a acusação gestual, indicia que a falta bengala, é precisamente a causa do expressivo gesto.
Aquilo foi o discurso do «Estado da Nação? Oh pá, se foi, a coisa deve estar mesmo má.
Aqueles tipos- todos! os que palraram -viverão em Portugal, ou virão apenas aqui para o palratório costumeiro?


Aladino

segunda-feira, junho 22, 2009


TALVEZ (?!) …MAS…

Dei por mim a tentar responder a uma pergunta difícil: -o que é isso de um homem (mulher) culto(a)?
Balbuciei uma explicação, servindo-me de uma certeza: quis sempre sê-lo mas tenho consciência absoluta que estou longe - muito (!) longe de o ter conseguido.
Provavelmente porque perdi tempo demais a ganhar a vida e não a vivê-la.
E o que é, pois, o que eu entendo por se ser culto?
- A avidez de saber, sempre mais, todos os dias mais, como se a vida fosse uma eterna infância, sempre disposta a aprender.
Então sempre julguei que para isso eu teria sempre que considerar tudo (todas as opiniões dos outros, e as minhas!) em aberto. Tudo como se não fosse o absoluto, mas apenas uma parte do problema. E em cada coisa, e em cada acto, senti o dever de me interrogar numa curiosidade permanente - obsessiva se quiserem - mantendo sempre o espírito pronto a reequacionar o que à primeira vista parece óbvio. Por isso as palavras que porventura mais uso é: -Talvez(?!)…mas…
Esta abertura (a refazer-me) predispôs-me (sempre) a perceber que sei que nada sei, porque cedo reconheci (e curvei-me) à minha pobre condição humana de não conseguir ultrapassar os meus limites, com os quais estou em permanente combate. Por mais que vertesse para dentro de mim, cedo verifiquei quem nunca seria capaz de encher a capacidade plena.
Hoje já não me renovo. Talvez apenas – e para já - me mantenha.

Será preciso ser-se muito culto para criar?

Hoje um amigo que trabalhou comigo, trouxe consigo uma senhora que me queria pedir uma coisa tão simples como:
que lhe permitisse uma visita á «cabana da Costa-Nova».
Claro, quando quiser. Pois se de vez em quando, desconhecidos, em grande percentagem estrangeiros, me batem á porta pedindo licença para a deixar ver…e fotografar(?),como recusaria tal pedido.
Para uns a casa é uma tolaria. Para outros o despertar dos sentidos para algo que parecendo descontextualizado, acaba por despertar um sentimento (atitude) estético(a).
Quando a fiz, procurei dar-lhe um sentido: -o equilíbrio da casa comigo e com a ria. Fui, pois, nesse acto,um criativo (digam o que disserem; goste-se ou não).
E lá está,
há grandes criadores que não precisam de ser cultos para criar.
Porque deveria eu ir á procura de um criador que criasse para si, e não para mim?.
Um dia um excelente arquitecto ofereceu-se para me fazer um projecto.
-
E como era meu caro? Para o fazer tinha de me conhecer tão bem, que precisaria de partilhar tudo comigo, até a cama. E eu (e certamente você…) não gosto dessas promiscuidades.

A nova Matemática

Com os exames do Miguel, tive de abrir com ele o livro da Matemática. E não deixei de ter ficado impressionado. Ao contrário do que se ouve por aí, a matéria é muito mais racional e lógica, a exigir muito mais capacidade criativa e exploratória, do que a do meu tempo. Nada fácil. Por isso talvez resida, aí, o facto das más notas nesta cadeira essencial.
Ora o que me parece é que será difícil encontrar bons professores nesta matéria, a exigir muita criatividade para a tornar apetecível.
Percebo mal o que a censura da Comissão de Matemáticos, ao facilitismo dos exames. Mas então estes exames devem ser penalizadores, ou tão só um teste para melhorar oportunidades? Acessíveis? E porque não?

Aladino

domingo, junho 21, 2009

A Vida desiludiu-me?
Não!...eu que certamente a desiludi.


Apetece-me, hoje fugir á balbúrdia de trabalhos onde ando engolfado, entocaiado numa autêntica roda-viva, doidejante, sem meio de atreguar com uns, sem deixar para trás os outros, na certeza, porém, de que algo sairá prejudicado.

Mas só se vive uma vez. Nem sequer uma e meia.

E dou comigo, volta e meia, a tentar perceber-me..Ora se para mim é difícil – que passo todas as horas comigo - para os outros é impossível.
Um «turbilhão» é o que, mais ou menos, por mais voltas que dê,o que de melhor encontro para definir este espírito que teima descer ao abismo do risco sem medir, ou se importar, com as consequências. Não sei de facto defender-me dessa faceta. O risco desafia-me ,o risco confronta-me, o risco transcende-me.
Sou um turbilhão de sentimentos – deslumbro-me, sonho, tenho dor, inquieto-me -, e não raro saio do sonho como chegasse ao fim de um labirinto por onde me embrenhei, crente de que suceda o que suceder, hei-de chegar ao fim.
Coexiste em mim , em permanente conflito, uma necessidade de estarexperimentar-me - com uma necessidade de ser: procurar exprimir o que me vai na alma.
Se para isso tivesse jeito ou se tivesse começado, há muito, a ensaiar-me nas palavras – o único meio, ainda que restrito, que tenho de exprimir sentimentos -, talvez fizesse coisa que se apreciasse. Mas porque para outras artes - musica, pintura -,mais capazes de exprimir o turbilhão emocional que me percorre, não tenho qualquer tipo de jeito, fico-me com a minha escrevinhice. Nas outras nem com jornas suplementares conseguiria «penetrar» nem ao de leve, no espírito, fosse de quem fosse.
Tenho, pois, consciência absoluta que o que tenho feito mais não é do que um esboçar de simples traços. Como se sonhasse com uma obra e apenas garatujasse meia dúzia de riscos que, quando muito, podem servir para mostrar a intenção do que me não atrevi a fazer.
E aqui chegado o que pretendia, eu, de ter sido capaz?
Gostaria de ter penetrado na alma humana do «ílhavo», na análise profunda da sua dimensão, mergulhar no profundo das minhas gentes, elevá-los a «civilização», exprimi-los como «cultura».
Sei que fiz esboços. Do resto não fui capaz. Sucedeu-me o que sucedeu a todos os outros que o tentaram.
E o que me pesa é que poucos o estarão, no futuro, tão próximos de «OS» ter percebido, como eu estive, por neles ter mergulhado, provavelmente, mais com o coração do que com a razão.

Não fui capaz, mas ninguém me pode acusar de à tarefa não ter dado horas suplementares ,que chegavam e sobravam,se arte houvesse, para lhe dar forma.
A vida desiludiu-me?
Não!...eu ,certamente ,é que a desiludi...
Aladino

  VIDA CUMPRIDA:... Ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, desenvolvi,a convite honroso, a palestra: “ As Artes da pesca no Norte ...