sábado, outubro 24, 2009



CAIM

Em noite anterior, perdi umas boas duas horas a abordar o «CAIM» de Saramago. Levantei-me de madrugada, com o intento lhe dar mais um toque. Praguejando, percebi que talvez cansado da noitada, não gravei o texto. Coisas que acontecem….Aconteceu. Está encerrada a desdita...

Parece percorrer o País um frémito convulso de indignação inquisitória, onde à falta de fogueira se brame com a expulsão pátria do autor; se este fora, ainda, o tempo de Salazar, estariam já convocados vários desagravos e o «pobre» livro «Caim», apreendido e riscado a azul pelo zelo pidesco. Adiante…Mas –oh sorte saramaguiana!- se tivesse acontecido antes, o autor de «Caim» seria passado pelas brasas. Torquemada por bem menos mandou acender o lume no intuito de acabar com os maus costumes heréticos.
Leitor habitual de Saramago, apreciando os seus livros, mais uns que outros, uns obras primas outros vulgares, saídos da sua já longa e discutida lavra -quase sempre polémica o que é inteligente por parte do autor, que mesmo sendo Nobel não descura a promoção, não vá dar-se o caso de o leitor dele se esquecer - era certo que me atiraria ao «Caim», logo que houvesse intervalo no que estava a ler (Curiosamente dos irmãos Abel e Caim, Grim’s, desse notável Sepúlveda).
Dada a polémica entretanto suscitada, deixei o Sepúlveda em descanso por uns dias, e em duas noites ataquei Saramago.
O «Caim» é livro interessante :- leve de leitura, mesmo naquele jeito estranho do discurso directo em pontuação corrida, que depois de a ela habituados, permite um ritmo muito mais intenso e contínuo de leitura, tornando-se mais solta, com menos hiatos; o livro chega mesmo, em vários momentos, a fazer aflorar o sorriso pelo cutiladas cheias de humor, mimoseadas ao texto sagrado de onde é retirada a história e a personagem.Agora refeitas numa «nova» leitura literal levada a cabo por um não crente.
. Saramago reconhecendo, embora, que a Bíblia sendo mais do que um livro, pois que é uma biblioteca de vários livros, de vários autores, pretende apenas mostrar que lida literalmente, se esvai- passo a passo, facto a facto narrado- a ideia de um deus omnipresente e omnipotente, atento, bom, encerrando em si só virtudes -todas as virtudes! -«alguém !?» tolerante e apaziguador,pouco dado a vinganças deste mundo.
Ora sou eu agora, que em boa verdade Vos digo, que um agnóstico( como é o meu caso) ao ler trechos da Biblia não compreende como se possa tirar do seu conteúdo ,racionalmente, a afirmação(ou prova) da existência de um tal deus (à nossa imagem e semelhança ,ainda por cima). Podem dizer-me que a questão de Deus não é racional. Uma ova!,respondo. Podia essa afirmação ter tido um tempo para ser aceite, à falta de melhor. Com os passos gigantes da ciência, fácil é concluir que a questão se resolverá, um dia ,trazendo a explicação desse grande problema ,o qual é a razão da existência. Atrevo-me a prognosticar, já o abordei aqui várias vezes, que essa explicação se poderá resumir a um simples algoritmo que desencadeou o processo.
Saramago questiona algo tão simples como isto:
Numa infinidade do tempo- alguém consegue absorver facilmente o conceito de infinidade?! -a questão (história) religiosa, católica, resume-se temporalmente a dois mil e tantos, anos: Um ápice. Uma multimilionésima fracção do segundo elevado ao trilião, digamos, na infinidade temporal do universo . Onde esteve esse deus da Bíblia antes, nessa infinidade de tempo anterior? Por onde andou, e o que fez,pergunto? E mesmo neste curto instante que foram os dois mil anos, por onde terá andado tão distraído (e qual terá sido a causa da sua distracção,ou ausência) para se ter esquecido da tragédia humana que semeou, e literalmente abandonou á sua triste sina ?.

A Bíblia está para os católicos como o Corão está para os islamistas.
Já o repeti.O que me impressionou naqueles,foi, que fosse qual fosse a sua formação, ou nível social, os islamistas sempre me mostraram um enorme conhecimento corânico. Embora absurdo aos meus olhos, porque recolhido em escolas (madrassas) diferentes, originavam interpretações diferentes a muitos dos seus pontos.
Uma má recolha de ensinamentos do Corão justifica a onda de terrorismo islâmico que aflige,hoje,o mundo.
A igreja católica já foi, ela também, intolerante. E tem por isso na sua história, um período de trevas manchado de sangue de inocentes, num passado não muito longínquo. Hoje, pouca a pouco, a Igreja católica vem-se identificando com Cristo.
Para mim Cristo e «Deus» são conceitos perfeitamente desligados. Cristo existiu e foi um paradigma de virtudes (eu sei…eu sei…) e ensinamentos para a humanidade. Quando se pretendeu transformá-lo num filho de Deus, criou-se o absurdo. Assim, para mim não foi «deus» que criou Cristo; Cristo é que gerou pelas palavras de «outros» a necessidade de se aproximar de uma figura divina, para melhor O promover.

«Mal acomparado»: Saramago para vender o seu livro criou a polémica; os Apóstolos para «venderem» a imagem de Cristo, e a superiorizar em relação aos circundantes, deram-lhe uma áurea divina.
A Bíblia, tirando a frequência com que é lido nos templos, é algo que normalmente existe nas casas católicos só para fazer de conta e enfeitar móveis na «sala do Senhor». Conheço católicos praticantes, milagrosamente agraciados com o dom da fé, que nunca a lerem. Muitos, Diria quase todos os que conheço. E a verdade é que a maior parte nem sequer tem conhecimentos para nela penetrar, para lá de uma leitura superficial.Quanto mais para lhe descobrir o que lá não está escarrapachado.
Ler o livro de Saramago nada tem a ver com uma leitura bíblica. O livro de Saramago é apenas uma leitura de um não teólogo do que lá está.É uma obra de arte (escrita), de que se gosta ou de que se não se gosta, boa ou má, e que só e apenas deve ser julgada pelo seu valor como arte profana.
Saramago e todos os que produzem arte, são livres de a exprimir, como melhor entendem. José Saramago não pede crédito aos seus leitores, e muito menos lhes dá certeza que a sua leitura seja a correcta. Espera deseja -o ,claro! - que o leiam e no fim digam : gostei (ou detestei) o livro(como expressão artística) e não por interpretação de esta ou aquela passagem.
Estranhamente parece que ainda ninguém se lembrou de que esta incursão não é única (depois do «Evangelho Segundo Cristo»): entre outros fazem-lhe companhia o «Dios no digo esso » ou o «Evangelho Segundo Judas».Incursões recentes de escritores ao texto sagrado, desmistificando-o. Apontando-lhe diversas inverdades,ou contradições.
Porquê despejar o fel sobre o Nobel português? Será por ele ser de facto português?

Aladino

segunda-feira, outubro 19, 2009

Este gosto de ir ALEM- TEJO

Não sei porquê, de vez em quando cresce em mim uma certa nostalgia que me leva a uma nova e repetida fugição ao Alentejo. É certo que aguento lá pouco tempo. Vou lá embeber-me naquela terra de horizonte a horizonte, antevista, onde brotaram esperanças adiadas de uma mudança que nunca existiu - talvez porque a ninguém conviria-,e isolar-me no seu mar de silêncio à espera de, numa visita qualquer, perceber como pode o homem ser, apenas e só, um escravo do chamamento telúrico da terra, sem intervir sobre a natureza geográfica, desmoralizado pela agrestia que o cerca. Ali mais parece que o homem não fez, antes se deixou fazer.
A volta é mais para encher o olho no bucolismo de um qualquer povoado perdido na imensidão da planície, alcandorado nas faldas de uma ou outra mamoa onde parecem repousar uns perdidos chaparros frondosos a tonificar o ambiente, do que para ancorar em qualquer lado predestinado. Nunca parto para ir a…mas sim para deambular por… Deixo-me ir, perdido em emposta, por aí abaixo, até que o diafragma da retina dispara para captar umas esganadas ruelas com o casario tão sobrante de branco, tão alvo, que parece ter sido brochado na véspera para «me receber». Aí fundeio. Para admirar o encaixilhado das suas portas e janelas debruadas a azulão impante, a chocar com o diluído pachorrento, monótono, da paisagem.



Foto: Lénia Santos

Ou de um amarelo torrado, mais a condizer com a acalmia daquela.

Foto Lénia Santos

Gosto de ver aquele casario debruçado sobre ruela tão estreita que mais parece assim desenhada para que se sombreassem uns aos outros. Porque havendo tanto espaço para que raio haviam aqueles pardieiros de se encostar uns aos outros ao longo de uma linha que a réstia do sol alinhou?!
Gosto, assim, de encher a vista naqueles lugarejos perdidos na planície. Estimula-me ver aquelas gentes remansosas, no fim de tarde escaldante, acocoradas num banquito de pau de sobro, reunidas à porta no vagar da sombra, quase não dando pelo passar do intruso, como que abstraídas dele, e também ,do correr do tempo. O tempo no Alentejo parece correr mais devagar, e por isso, nesse sentido invejo-os.
Deixando estes povoados, só a atitude pachorrenta de uns refocilantes recolhidos na sombra de um qualquer chaparro me estimula.E um ou outro casario isolado de paredes de feitura tosca, virginais no seu branco de cal encimadas pelo telhado



ôcre desmaiado pela continuada cozedura, alapado no cocuruto do monte a interromper a extensão da terra pardacenta.Imensidão de planície a servir de rodapé a um céu de azul esmaltado, tão sereno e limpo, que parece aquietado com a braseira de um sol portentoso.
Sempre tive a noção de o Alentejo ser um motivo excepcional para um fotografo amante da imagem desnudada de subtileza, mas forte no contraste do preto e branco. Imagem que pode nesta paisagem um pouco entristecida, adquirir uma força estética soberba. Poderosa nos contrastes focados de um sobro frondoso a emergir de



um deserto onde parece não existir vida; ou de uma silhueta humana, estática, sobraçando uma vara que lhe serve de amparo, olhar perdido nas lonjuras de uma superfície enrugada pelos sulcos tatuados na superfície da terra seca.



Mas desta vez encontrei belíssimos exemplares de imagens coloridas.,não menos fortes, de uma beleza que enchem o olho.
A mistura cromática (trabalhada ou não?) destes momentos proporciona cambiantes que nos estimulam os sentidos, reclamando a sua apreciação.
Reproduzo aqui algumas que mais me impressionaram.



(Fotos de Nuno Veiga)



Seja contudo qual for a côr com que pintemos o lenço, ele é sempre fabuloso na harmonia que ressalta do fluir do tempo, da constância das formas, da luminosidade, ora estonteante do meio dia, ora repousante no desvanecer da tarde, quase a lutar para se deixar ficar e sobreviver.
Sinto que nos momentos que lá passo fujo de mim e das minhas angustias. E também me invade o devaneio de querer voltar a sentir.A ser eu de novo.

Começo a parecer um estranho. Não sou feito para os céus .Sei apenas o que havia que fazer. E fi-lo. Os que estiveram atrás de mim empurraram-me. O que é que eu poderia fazer? Negar-me?!

É chegada a hora de voltar.Fugir da paz; virar as costas ao silêncio.

E volto então para me defrontar, de novo, com o vozear do mar a desafiar-me .De novo! Sempre ele(!) a lembrar-me que há que cumprir o destino. Ah! cão!,porque te me lembras que um homem não pode ser homem sem provar do teu salgado gosto?Porque «a» deténs enlaçada nos teus braços e m'a não deixas levar, comigo,para onde eu fôr? Porque me prendes, orfão de espanto, a ouvir o teu vozear quando bates,inclemente,com a onda no areal?

Se apartado de ti eu findasse com as minhas angústias a viver ao desbarato as minhas ilusões,ia para longe afogar a sede de te amar,oh!... mar.

Aladino

segunda-feira, outubro 12, 2009


O «Príncipe» arrasou…
Vivó «Príncipe»

Certamente a preparar-me para a hecatombe que racionalmente (já)esperava no acto eleitoral, aqui, em Ílhavo, entretive-me nos últimos dias da semana que passou, a reler Maquiavel. Ao fazê-lo perceberemos, claramente, muita da realidade que enforma o Poder Autarquico,onde se praticam,com rara oportunidade e actualidade, muitos dos ensinamentos que o apóstolo do poder como fim sem olhar a qualquer meio para o alcançar e conservar, nos legou no seu notável escrito «O Príncipe»(1532) . Nicolò di Bernardo Machiaveli, nome dado ao pimpolho nascido, em Florença, perto da ponte do «Vecchio»,desde muito cedo deu demasiada atenção às prédicas de Savonarola que anunciavam os flagelos adivinhados se os governantes não deixassem de ser corruptos.
Ora Maquiavel cedo notou que por causa desse aviso, Savonarola,perdeu a cabeça que lhe foi cortada (entre outras coisas), por afrontar os poderosos.Que acham que ser corrupto, é natural e até parecem dizer justificável,um mal menor.
Nomeado cinco dias depois do acontecimento, Secretário da Chancelaria da Cidade, Maquiavel depressa se decidiu que, melhor seria especializar-se em explicar aos poderosos que um «Príncipe», alcançado o Poder,deve cuidar-se, pois se seguir os ensinamentos clássicos -ser justo, prudente e clemente -não governará por muito tempo. Por isso Maquiavel lhes ensina as artes que devem aprender para tal não suceder: -não serem bons porque mesmo que o fossem, em torno «deles» outros o não seriam. Não valeria pois, a pena, sê-lo, mas apenas parecê-lo.É com isso, e só com isso,ensina Maquiavel, que um «bom Príncipe» se deve preocupar,se pretender reinar por muitos e bons anos.
E desse modo postula que o «Príncipe» depois de alcançar o poder, tem é de se preocupar em conservá-lo. Por isso adverte: o fim justifica os meios empregues para tal feito.E mais importante, faz notar que o vulgo se deixa cativar pela aparência e com o êxito (demagogia).
Ora o recém-nomeado Professor da Cátedra de Ciência Politica da Universidade Sénior do Prior Sardo, o «Principezinho» cá do burgo, teve, forçosamente, de ler a bíblia de Maquiavel,para bem desempanhar este novo e mui digno encargo. E por isso, lá, aprendeu o essencial: nos nossos dias se vê (bem)como aqueles que têm pouco em conta a palavra dada e souberam burlar com astúcia e engenho «os homens», superaram aqueles que se detiveram em ser leais.
E certamente,foi inevitável, terá atentado e reflectido na pergunta de Nicolò:- é melhor ser amado ou temido? ou vice-versa?
Ora Maquiavel ensina os «Príncipes» que o melhor (e mais conveniente) é ser um e outro, simultaneamente, sublinhando que sendo difícil combinar ambas as coisas é mais seguro ser temido que amado. A ciência de um «bom» Príncipe, ensina o autor, é ser um fingido em acordo com as circunstâncias.
Aí chegado RE sabia-a toda.E sabendo que sabia e que os outros nada sabiam de tais saberes,soube até fingir que ficaria mais quatro anos ,para se dedicar a acabar os que os outros não saberiam,incultos sopistas de tais saberes.
RE mostrou assim ,que é um sábio,sabido, a merecer continuar «Príncipe».Pois que não tendo atributos para ser «rei», inverte pragmaticamente a máxima e guia-se por :
" mais vale príncipe muitos anos ,que rei apenas por uns dias".

Perante sobre tudo o que acima reflicto, teria eu alguma duvida em que o «Príncipe» do burgo viesse a ter, de novo, uma aceitação esmagadora?
Então por esse País fora não foram vistos até á exaustão muitos «principezinhos» para quem a arte da política não engloba a fidelidade aos valores, morais,éticos e civicos, afadigados em demagogia desmiolada, a justificar que todos os meios são válidos para alcançar os fins...numa fuga atabalhoada para a frente?
Aqui,(em Ílhavo) foi apenas a representação de mais um dos episódios maquiavélicos da arte política de bem cavalgar o poder (a de manter-se como num rodeo, o maior tempo na sela, sem se ser atirado ao tapete)
Aladino
NB-Parece que a «maquiavélica» personagem ,terrivel convencedor de «Principes» para obter as suas pretensões, só não terá tido muito êxito com Catarina Sforza.Depois de uma noite passada com o travesseiro,Catarina logrou desfazer as promessas da véspera,exigindo bem mais dinheiro ,a Maquiavel, pelas suas tropas.O que teria levado o jovem (Maquiavel) a restar ciumento do travesseiro,por este,afinal, ser mais bem maquiavélico que ele próprio.
Terá sido deste episódio que se admite, tenha vindo a ideia «maquiavélica», de que um bom travesseiro vale bem mais que um bom regaço.Por vil seja tido quem a isso der mau sentido.

sábado, outubro 10, 2009


Dia de reflexão ?
Antes fosse ..

Porque se o fosse eu sabia de fonte segura que amanhã esta santa terrinha se libertava de um terrível pesadelo.
Mas as gentes cá do sítio não são muito dadas a reflectir. Decidem por impulso, certamente que é mais seguro ter um «sanapaio no quete» que dois bacalhaus á borda.
Quem não precisa de reflectir sei eu bem quem é.

Por falar em reflectir

Interroga-me uma leitora se aquilo que escrevo reflecte a pessoa que sou?
Provavelmente chocada, ainda, com umas liberdadezitas que deixei voar,e que, ao que parece, fizeram corar e até ofenderam - vá de retro!- muitos espíritos.
Descanse a leitora.
Não!.. o que escrevo não reflecte o que eu sou, mas sim o que gostava de ter sido.
A vida ,minha cara, nunca nos deixa ser o que desejávamos ser; viver é tentar ser o mesmo, sem nunca ser igual. A escrita(ou outra qualquer expressão de arte) é que nos deixa ser exactamente como pretendíamos ser.
A vida tem pouco de estética; muito mais e apenas «do possível». Eu por mim tentei sempre desesperadamente ser livre; mas, o mais que consegui, foi não perder a ideia de quem sou. Foi isso apenas que consegui salvar. Não desgostei da vida que amassei; mas ninguém me pode impedir de sonhar.

E já agora ,criticado por sonhar…
Pois assim o fui. Falar de amor, e sobre ele poetizar aos setenta, parece ser ofensivo.
Sorrio-me com doce perdão. Tão novos e já precisam de «viagra» para sonhar.
Mas não ficaram sem resposta:
-«Éh pá o que me espanta são as V/ poesias de luta parada no tempo; nem lutaram nele …nem deixam que outros ousem fazê-lo, com outros argumentos». Mudem lá de cassete…
Olhem! :-eu por mim «saio de cima» logo que a V geração mostre «argumentos»….Mas enquanto puder falo de algo sem o qual não vale,de modo algum, a pena viver.

Obama e o Prémio Nobel

Este Nobel foi claramente um sinal de esperança. Concedido não pelo que foi feito mas por aquilo que todos desejamos ardentemente aconteça.
Na Europa ,já todos percebemos a era dos grandes Estadistas já se foi.Por isso a Europa atravessa uma crise de valores, que é temível se de repente ,tal como sucedeu na América não aparecer uma figura mobilizadora. Obama apanhou a América na crise maior da sua história(depois de 1929).Mas ao ouvi-lo defrontamo-nos com uma personalidade que nos toca ,porque tem uma capacidade verdadeiramente de dizer as coisas difíceis de um modo tão claro e incentivador, que nos faz ,de facto acreditar no «Yes we can».
Vê-se que não é um papagaio falante; mas alguém que tem um discurso de uma racionalidade inultrapassável.
Claro que a tarefa que tem pela frente é de uma complexidade assustadora. Nunca os EUA estiveram tão fracos, e principalmente assustados. Muitos parecem querer ,só e apenas fechar-se no seu quintal e importarem-se pouco com o que vai no quintal dos vizinhos.
Ora uma Europa sem os EUA é um território politico sem força para defender as suas ambições e até as suas fronteiras.
Obama não é só um referencial de esperança para os americanos. É-o também para os Europeus. Os chefes políticos desta velha europa perceberam que não podem mais correr os erros de embarcarem, de novo, nas aventuras de um qualquer «Busch» inapto, irresponsável ,impreparado e troglodita. Por isso ofereceram a Obama esta prenda (o Nobel) como que a dizer-lhe :pode contar connosco.
E é verdade. A paz e a sustentabilidade ambiental, do mundo, tal como o conhecemos, está como nunca depositada nas mãos de um só homem. Tarefa tamanha para um Homem só…mas a história assim o ditou.
E se este falha …
Aladino

sexta-feira, outubro 09, 2009

As palavras que nunca LHE cheguei a dizer….

Dói-me esta saudade
Do tempo em que em ti morava.

Dói-me a imagem
Dos teus lábios carnudos
Que eram de rosa aveludados.
Túmidos a implorar que os trincasse,
Em tropel furioso de tantos beijos.

Enfeitavam provocantes
O teu bonito rosto
Deixando adivinhar promessas de novas madrugadas;
Onde corpos em dança desencontrada,
Unidos por bocas em paixão,
Se entrelaçavam numa luta de sombras desassossegadas.

Meu amor
Chega-te a mim
Vamos juntos marear.

Se a ria quer morrer no mar
A soluçar de saudade,
Deixa-a ir….

Eu quero viver em ti.
Postado na varanda do teu olhar
A olhar o céu,
Para lhe roubar as estrelas
E com elas enfeitar
O sonho real de te amar.

SF ( sem data)

quinta-feira, outubro 08, 2009

Só me faltava mais esta papalvice…

Nunca digas desta água não beberei….É bem certo.
Andei uma vida sem «patrão». Pugnei sempre por ser um pássaro que nunca se deu ou se adaptou, ou mesmo se aquietou, ainda que a gaiola «fosse de ouro».
Gaiola para mim foi, sempre e só, o que a minha consciência me ditou.
Afinal bem preguei aos peixinhos . Oh! «Pe. Tóino» anda cá baixo um instante -porque a mim ainda não me dá jeito ir aí, aonde estás-para me explicares como fizeste, para que eles (os peixinhos, bacalhaus incluídos) te prestassem atenção, já que os homens preferiam os prazeres das riquezas mundanas, a ouvir as tuas pregações? Como pode ter acontecido que nem eu próprio fui ouvinte atento – e seguidor – das minhas pregações? É bem certo «faz o favor de fazer o que eu digo, não olhes para o que eu faço».

E zás….Então não querem lá saber que me «contrabandeei» para o Ribau?
Assim foi. Tomei hoje conhecimento de ter sido «nacionalizado ?!», o «CASCI»
Por via de tal resolução, «administrativamente decretada», eu serei – pois então?! – desde já um devoto, fiel e submisso trabalhador para o novo «Patrão» Ribau Esteves. Ainda me hão-de ver de mão em riste a fazer o sinal dos dedinhos( a gaita é se me engano e faço como o Ministro Pinho).
E porque esta será talvez a notícia mais marcante do dia deste pantanal -e da campanha - não perco a oportunidade de aqui a anunciar em primeira mão, ainda que a vontade de me meter nesta bagunça, seja nenhuma.
Vamos lá a explicar:
Fizeram-me chegar, hoje, às mãos (embora a tenha lido com os pés!) a entrevista ao «Diário» das Beiras, onde entre muitos delírios, o senhor Presidente declarou que o CASCI integrava a (sua) obra grandiosa e inigualável, digna de se poder mostrar ao mundo; tal e qual como o Hospital de Cuidados continuados (. Hoje não acontece por causa da revolução que fizemos(...). Quantos concelhos têm um Hospital de cuidados como o nosso, ou instituições de apoio à deficiência como um CASCI?- assim disse, mais exactamente, o Senhor Presidente
Parece pois que o CASCI tem, finalmente, um «dono».
Convenhamos :
O iluminado não é tonto «na sinhor»: avaliando o CASCI, este vale bem, (por baixo se pensarmos que o tal Hospital quando for pago, custará 5.000.000 €- cinco milhões de euros), - 30.000.000€-trinta milhões de euros!...Vale-os com certeza.
E como está tudo pago -naquela casa (tudo!!!!),o que se fazia pagava-se- com esforço dos que o fizeram sem ajuda da «senhora Câmara»-e muito menos de RE- ,a divida prenha da Câmara ,avaliada em 40.000.000 €-quarenta milhões de euros!!!) estará, pela entrada do activo CASCI, praticamente saldada(faltam só 10.000.000€)
De onde viriam os dez milhões que faltam?
Hellas! -diz o brilhante gestor: tal como o Benfica com o fundo de capitalização dos seus jogadores, a Câmara de RE utilizaria os activos (o pessoal) que viria do CASCI, colocando-os em Bolsa, e zás…Saldo ZERO.
Eu lá estou incluído no rol. Valho pouco mas …sempre dava para uns trocos! O mundo capitalista está farto de valorizar o mau papel. Porque não o voltar a fazer.
E eis como um pássaro livre,depois de velho, vai vassalar príncipe tão belo e sabedor.
Aqui há justiça grande. Castigo merecido: iustum enim est bellum quibus necessarium (justa é,de facto a guerra para aqueles aos quais é necessária).
Senos da Fonseca

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domingo, outubro 04, 2009



«Costa-Nova-200 anos de História Tradição»
Quem faz um filho fá-lo por gosto….

Hoje é, exactamente, um daqueles raros dias em que pedi tréguas á vida. Informei mesmo a família que não ousasse perturbar-me a liberdade de uns momentos só meus, a fim de fundir numa só resposta o muito que tenho a agradecer a tanta – é que foi surpreendentemente tanta! –gente amiga que se me tem dirigido a propósito do livro «Costa-Nova -200 Anos de História e Tradição».
Eu e o CASCI sentimo-nos recompensados: um dia e meio (dois!)foi o tempo bastante para que este ultimo amealhasse umas significativas migalhas, importantes para o inesgotável e nunca suficientemente consumado fim, de prática solidária, activa. Eu sabia que as migalhas viriam para confortar o alforge e prover, assim, a necessidades urgentes. Desejava-o muito. Mas que concluiríamos a tarefa em apenas dois dias, essa era apenas a ambição que guardava, secretamente, apenas e só, para mim :-a de bater o livro «Ensaio Monográfico de Ílhavo», que levou, mais ou menos, um mês a esgotar.
As muitas – mesmo muitas! - reacções despertadas pelo livro que constantemente me vêm chegando, levam-me a intuir que os dois livros provocaram reacções e simpatias diferentes: o «Ensaio» interessou (sinceramente, creio, que vivamente), só a alguns .Outros guardam-no como documento no convencimento da sua validade futura. Satisfaz-me qualquer que seja a opção. (Vou definitivamente acertar com a Editora a sua reedição, para o ano).
Já o livro «Costa-Nova», esse, mexeu com as pessoas, avivou-lhes as memórias há muito fechadas a sete chaves, gravadas no mais íntimo de cada uma à espera de serem sacudidas. Estavam guardadas, mas não mortas. Ninguém melhor definiu essa provocação como aquela amiga que se abeirou para me dizer: - o teu despudor mexeu comigo. Despertou-me…tanta recordação. Ao ler o livro foi como se me puxasses pela mão a dizer-me: anda, vem daí sonhar…
Vou pois então tentar responder a todos os que de longe – mensagens, cartas ou telefonemas – ou de perto, directamente, me interpelaram. Todos me embaraçando com a sua apreciação….Embaraçando, é exacto.
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Na apresentação a amiga Zita Leal, poeticamente, sem que nunca - mas nunca!- os dois falássemos do livro, insinuou, anteviu ou percepcionou, algo de muito exacto e verdadeiro: este livro (disse) pareceu ser a fazedura (digo eu) dum filho.Afirmação transcrita na comunicação Social e que, parece,veio para ficar.Digo propositadamente fazedura e explico já porquê.
Um filho é a coisa mais fácil de fazer (eu sei…eu sei…?!): às vezes até por distracção acontece. Ora foi exactamente como aconteceu com este livro. Andava há muito a ser desejado -é certo - mas nasceu de um impulso repentino, descontrolado: brotou de mim num ápice, não custando nada a consumar. Foi um delírio tremendo, um verdadeiro e repetido orgasmo que me endoidou horas -dias!.. semanas! - na intenção de partilhar o prazer com alguém. Um mês ? Creio que sim, mais coisa menos coisa.
A Zita chegou a ruborizar-me quando afirmou que o ora nascido teria saído de uma relação de amor,(minha), com a areia da Costa-Nova. Os poetas sonham, figurando! Poesia pura ou questão semântica na utilização da preposição?
Ora manda a verdade dizer, já que falam nisso,
(…)que na areia da Costa-Nova aprendi todos os saberes –muitos!- dessa coisa a que se chama «amor»: esta confissão, é, de facto, entrevista no livro. Eu pensava que passaria despercebida.
Pois foi lá nas suas areias, debaixo da lindeza do seu tecto estrelado, enquanto prometia, não um dos seus adornos, mas uma mão cheia de estrelas à «amada» da aventura, que nas cálidas noites da Costa-Nova, ao tempo em que identificava no céu a estrela mais bela para ofertar à deusa, a enloilava e amaciava, usando a subtileza do jogo de mãos na procura (consentida e partilhada) de acariciar, pousando-as em cada saliência ou reentrância, no delírio de amar. Hoje, esgotado o stock de estrelas, consumido em tantas promessas, é já certo nada ter para ofertar de belo.
E também foi no leito da sua areia que percebi rapidamente que as bocas não são só para se tocar, mas para se morderem, num desaforo sôfrego, audaz e incontido, no «trauto» do beijo: mistura frenética do enlaçar de línguas empapadas de areia que nos despertava outros desejos bem mais suaves, mas não menos sôfregos.
E foi ,ainda,no areal da Costa-Nova que aprendi a agarrar no meu amor e a levá-lo no voo dos pássaros que nos espreitavam, ciumentos, ao encontro da graça dos anjos :-ao céu!.

Acesa a fogueira, foi por ali, tantas vezes, que me imolei, voluntário, a me deixar estorricar no brado tumultuoso das labaredas que os nossos corpos alimentavam.
E foi também lá que aprendi a colher as pétalas da rosa escondida no tufo que cobre o ventre húmido, sequiosas de serem desfolhadas, umas vezes sob um luar prateado a ofuscar as estrelas, outras sob arrufos de água que espargiam os nossos corpos, arrefecendo-os do doidejo estouvado.Insuficientes contudo para pôr fim ao desabuso e desacoitá-los.
Razão tem a amiga Zita: fui uma meretriz das areias da Costa-Nova. Ponto final….
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Quando senti pelos sinais exteriores que aquilo -a história da Costa-Nova - ia nascer, começaram as angustias habituais. Só que desta vez muito mais intensas. Quase me recusei a assistir ao parto, temendo que o menino (o livro), mais do que me desiludisse ,desiludisse a família .A extensa família dos «costanovenses».
Nascido, nem me atrevi em pegar-lhe ao colo (a abri-lo) com medo de lhe descortinar alguma má formação genética . E hoje dorme descansado sem que ouse estorvar-lhe o sono repousado na prateleira.
Quero-lhe tanto que tenho temor de o acordar.
E percebo então agora- e só agora !-a razão porque o meu Pai nunca me pegou ao colo,quando era bébé. Porque temia deixar-me cair!. Só um Pai é capaz de tal sacrifício.
E mais..,
entendo agora também, e muito claramente, que o meu Pai se tivesse zangado com um familiar, quando este viu o «seu» pimpolho, e predestinasse : «vai dar um homem grande».O meu Pai queria iludir-se, e ouvir, afinal, o trocadilho. Mas o primo tinha razão. Homem grande( como está á vista…) e nada mais do que isso.
O «Costa-Nova» também não é, nem vai ser - mais do que isso.
A determinada altura da gestação dei que o livro começava, ele também, a ter fotos a mais. Estava aos meus olhos pesado. Insistiram que não…que deixasse o catraio nascer assim mesmo…
Acontece que muitos que se abeiram, agora, para me dizer:- «O livro é tão lindo!»,devem ficar intrigados com a minha fugidia (e enfastiada) resposta :- pois..pois, não consegui ir mais longe. De qualquer modo, reconhecido.
É que mal sabem eles a ferida que a sua gentileza reabre, a ponto de doer.
Eu queria (só!) que o livro fosse bonito por dentro (bonito pelo prazer da sua leitura). Essa foi a minha aposta.Pouco (ou nada mesmo ) preocupado com o a beleza estética da aparência (para mim sempre apreciação secundária).Eu gostaria de ouvir (e ouvi, felizmente) que o livro era bonito de se ler. Disso,sim, gostei. Com isso me envaidei.
Não sei e nem perco tempo a pensar nisso - se todos o apreciarão.
Um «filho» que acaba de nascer, tem para nós a promessa de ser ainda melhor que todos «os outros». No caso, sem enjeitar nenhum «dos outros», este talvez seja o preferido por ter a cor dos olhos do «pai»: azul, como o azul insuperável da «Costa-Nova», fascinantemente doce que me alimentou a vida, mas que não me mata a fome dela, tanto ainda me consome.
A todos os que me quiseram dar merecimento da sua simpatia o meu obrigado.

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Sem referir os muitos que me contactaram,abro uma excepção para o «Kilino» (pseudónimo de António Lino, um amigo dos bancos da escola, muito próximo, que partiu, rapazito ainda para o Brasil, e por lá ficou. Era o António Lino,que morava no Pedaço, colega de escola, companheiro inseparável de todas as horas de juventude .Pois o livro «Costa-Nova» trouxe-o até mim, de novo .No seu Blog
www.kilino.net
(...)
Tenho um BLOG (www.kilino.net). Nele divulgo a nossa TERRA, critico políticos e futebol, mostro o Rio de Janeiro,escrevo sobre mim, faço versos e prosas e tem em seu meio vídeos de rir, etc...Este teu velho companheiro de um passado já distante mas nunca esquecido, espera que recebas estas minhas noticias para recordares nosso saudoso passado.
(....)
António Lino indica-nos a linha editorial do que faz..
«Costa-Nova» foi o motivo que o despertou para o contacto. Leiam o Blog do Kilino, e podem ter a certeza que valerá a pena.
E por aqui me fico ,antes que avance em outras confissões….

Senos da Fonseca (Out 2009)

quarta-feira, setembro 30, 2009

Obviamente Sr Presidente:- demita-se....
Em 24 de Agosto publicámos aqui esta nota. Hoje a mesma não poderia ser mais actual .A história de Republica (exceptuando o periodo Salazarista) teve hoje um dos mais tristes e preocupantes episódios.Parece que a vingança não se soube servir fria.E Cavaco,tosco, inhábil, incoerente, irritantemente descontrolado veio complicar ainda mais, o que por sua-e só sua- e inteira culpa, criou:-um pequeno mostrengo destinado a meter medo e que agora o parece ter aprisionado nos seus tentáculos.As consequências desta tontaria ainda as não sabemos até onde vão parar.
Veja-se o que dissemos em Agosto
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CAVACO nunca me enganou
Sempre vi neste politico uma (total) inabilidade para desempenhar o cargo que ocupa.Direi confrangedora .Sempre que fala sobre qualquer coisa …a coisa custa a sair.Como professor de Economia sempre me pareceu um Contabilista que sabe, apenas e só, ler friamente os números sem perceber o alcance do seu significado.
Nestes últimos tempos Cavaco mostra uma falta de isenção incompatível com o lugar que ocupa. Fica-se sem se perceber muito bem quem é o candidato do PSD ás eleições de 27 de Setembro.
Esta da manter o tabu sobre as possíveis escutas recaindo sobre os seus assessores (ou até deixando pairar a suposição que Ele próprio podia estar a ser escutado ) não cabe na cabeça de ninguém. Mas é de uma total falta de sentido de oportunidade. Um verdadeiro tiro no pé, convenhamos.
Bem,a questão é :-se o PSD ganhar vamos ter cavaquismo por muitos e bons anos e este país ficará entregue à bicharada.Mas se o PS ganhar, depois dos últimos episódios bem se pode dizer : ou Cavaco se remete á sua insignificância politica( interior e mais ainda exterior) …ou demite-se.
Num país qualquer da Europa ,amanhã, em unissono, os Jornais clamariam : Sr Presidente : Obviamente,no superior interresse da Nação, demita-se.
Aladino

sexta-feira, setembro 11, 2009

D. Maria II em terras lagunares de Aveiro

Tendo visitado primeiro a cidade do Porto e depois o norte do País (Braga, Barcelos e Viana) a Rainha D Maria II decidiu visitar Aveiro, para o efeito tomando a barca em OVAR.
Esta visita e o hábito de suas altezas reais gozarem de uma passeata na ria, antecedeu as visitas do Príncipe D. Luís, que na ria foi conduzido pelo arrais Ançã, celebridade heróica que o Príncipe quis conhecer pessoalmente. E ainda, na ria, se passeou em mercantel transformado em bergantim real, D Manuel que de Aveiro foi, em cortejo náutico, apreciar o Farol da Barra.



Teria sido assim o bergatim real (?).(visita D Manuel.


Voltemos a D. Maria II.

Em 1852,mais propriamente a 22 de Maio, chegava D Maria e o seu séquito a Ovar. Há muito que a Câmara desta Vila, tendo notícia do facto, preparara, apesar de ter os cofres depenados, recepção estrondosa para receber a Rainha. E para o efeito não hesitou em pedir emprestados 2.375$498 reis a um tal «Cavilha», rico proprietário que logo abriu os cordões á bolsa para proceder ao empréstimo, concedido a um juro de cerca de 4%. Rainha à parte, negócios são negócios. Ou como o meu avô João, emigrante na América, dizia no seu inglês macarrónico: «bizinisses is biziness»
Para albergar a Comitiva mobilou-se um quarto com duas camas para o casal real, e outros dois,um para o Príncipe D. Pedro (futuro D. Pedro V) e outro para Infante D. Luís. E outro ainda, para o aio Visconde de Carreira. Pelas casas dos maiores da Vila (Médico, Administrador Concelhio, Vereadores, Clérigo etc.) foram distribuídos os restantes importantes da Comitiva.

Nas escadarias da Igreja, o Presidente da Câmara, M. Bernardino de Carvalho, recebeu a Rainha. Introduzida no templo foi celebrado um Te-Deum com real solenidade a que não faltou a distribuição de esmola aos pobres da terra. O príncipe consorte D Fernando II e o Infante D. Luís, esses, tinham ficado para trás desejosos de apreciar o Castelo da Feira.
À noite foi servido lauto jantar a quantos couberam no acanhado Salão dos Paços do Concelho. Findo repasto houve beija-mão real. O jantar deveria ter sido rico em saborosas vitualhas (certamente peixe) pois que mereceu farto elogio da Comitiva, e em particular, do Duque de Saldanha
[1].
A vinda de suas altezas às janelas dos Paços do Concelho para admirar as iluminações feéricas
[2](?) e ouvir os acordes de música prodigalizados pela Banda de Caçadores 6, foi um momento entusiasticamente saudado (e vivido) por uma multidão interessada em ver uma figura da realeza de que apenas teriam uma ou outra vez ouvido falar. Nos seus trajos tão característicos, onde avultavam e sobressaiam os espantosos chapéus de presilhas com as suas abas largueironas (cerca de meio metro), sustentadas à copa por presilhas de seda [3](cordões, travancas) e borlas no corrupito, as gentes locais chamavam particular atenção dos gentios da comitiva.




Ovarina com chapéu de Presilhas(grav.Portier)

Os homens da beira-ria apresentavam-se de tamancos, envergando as suas características manaias e camisas de abotoadura, colete encarnado e gabão de varino, cingido á cintura. Barrete vermelho debruado a cetim.
Homem e Mulher de Ovar(Grav.Palhares)

O quadro não deixava de ser vistoso e singular, especialmente rico em exotismo, cor, espectacularidade e originalidade do vestuário das gentes varinas, já afamados e conhecidos pela beira do Tejo, por onde pululavam muitos naturais idos destas bandas, os quais mesmo na capital, mantinham os traços diferenciadores da sua cultura lagunar.
Começaria cedo o dia seguinte.
Logo pela manhã a Rainha acompanhada pelo seu marido, o Príncipe alemão, Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, assistiram á missa na Capela de Stº António, onde nas mãos do Frei Zagalo, reverendo abade da mesma, depositaram choruda espórtula.
E foi quando suas altezas por volta das nove e meia da manhã se dirigiram para o cais de embarque, que se relata, terem sido mais de 12.000 ovarinos (já naquele tempo se exagerava a dimensão das manif!) a ocupar praça e as avenidas que iam na direcção do cais da Ribeira, para assistirem ao cortejo real.



Desfile da Comitiva (D.Manuel)

Notícias da altura referem que as embarcações reais e da comitiva teriam sido acompanhadas por mais de 6.000 entusiasmados(e animados) habitantes da Vila até ao cais, para aí se despedirem da sua Rainha. E muitos outros nos seus mercantéis, e ou de moliceiro, fizeram questão de comboiar o cortejo lagunar, levando D. Maria a Aveiro.
A Rainha e marido seguiram num mercantel coberto por toldo, hasteando o pavilhão real, especialmente enviado pela cidade de Aveiro. Em oito outras embarcações vieram os coches reais. E em muitas outras barcas teriam vindo os príncipes e restante comitiva. O trajecto foi animado pelos acordes das Banda de Caçadores 6 dos amigos de Ovar.
A despesa com esta viagem entre Ovar e Aveiro atingiu o valor de 90$040 réis.
A comitiva chegaria a Aveiro, ao cais na Porta da Ribeira, aonde foram entregues as medalhas da cidade à Rainha.Desde as pirâmides ,de um de outro lado do canal, no Alboi e no Rossio do S.João, se viam embarcações a lançar flores sobre «o mercantel real».Das casas da borda do Canal, caíam colgaduras,panos e bandeiras; havia muito povo a dar vivas à Rainha, erguendo chapéus, tabaqueiros e tudo que servisse para criar agitação entusiástica.
Aladino






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[1] Anais do Município.
[2] A iluminação, feita com lanternas estava pendurada numa torre especialmente erguida para o efeito
[3] Presilhas de seda de cinco mil réis




sexta-feira, setembro 04, 2009


DEIXA QUE TE LEVE….

Não deixa de ser curioso: à frente das audiência televisivas, na segunda-feira, dia 31,melhor que Sócrates só a Telenovela «Deixa que te leve».
Um acirrador de Sócrates diria: mas como pode um programa onde a pretensão do entrevistado (daquele ou de outro qualquer politico) é o de pedir que o povo se deixe por ele conduzir – levar -, ombrear em audiência com uma telenovela de título tão sugestivamente idêntico na finalidade da pretensão?
Não há dúvida que o povo português naquela noite escolheu, claramente, que o deixassem levar. Por isso aderiu em massa aos «shows» que indiciavam esse desígnio.
Indubitavelmente a questão é, a de que tudo que cheire «a deixem que te levem» desperta um certo masoquismo, latente na complexa estrutura psicológica de cada um dos indígenas destes pais, em quem mais do que «ir» -leia-se fazer - o que quer é que «o levem».
Deste modo é natural que este povo, acredite e adira, às propostas mentirosas de facilidades do crédito bancário, às viagens quase que oferecidas (pagas depois, claro…), às donas Brancas (BPP e muitas outras), aos telemóveis onde se pode falar interminavelmente de borla,etc.etc. E, claro, no bacalhau a pataco eleiçoeiro. Ora é também por isso que aceita, ou dá atenção, a uma Comunicação Social que deliberadamente, sem pudor, insere notícias fantasiosas, inventadas, para atingir quase sempre fins tenebrosamente obscuros. À espera que o Zé Povinho se deixe levar, sem reflectir muito na atoarda que lhe lança aos olhos.
Bem,
Eu que escolhi (na dita seg-feira) deixar-me levar pelo Sócrates, fiquei satisfeito:- ele conseguiu que muitos indecisos se deixem levar....
A mim ele não me levou a lado nenhum onde eu já não estivesse. Simplesmente é para mim inquestionável que ia mais depressa com ele para o «céu», do que com a Manuela para o «paraíso». O «céu» de Sócrates é a realidade em que vivemos estes últimos anos. Vislumbrou-se um País diferente, foram criadas condições para o ser no futuro. Chegada a crise arregaçaram-se as mangas para a combater. O «paraíso» da Manuela, nem sabe se as macieiras medravam.
Quanto ao mundo do Padre Francisco, já sou velho demais para acreditar em demagogias baratas. Olhem para o que ele diz – é bom sonhar -, mas não acreditem. Pois nada daquilo era para fazer, em caso de….
Aladino

quarta-feira, setembro 02, 2009

A roda nunca pára. Nunca!

Conto os anos por cada mês de Setembro, de cada um deles.
Ligo pouco à data de aniversário, até porque começa com ela o ano que pretendo levar até ao fim. Eu quero. Ainda e sempre.
Mas chegado Setembro começa como que o desencanto, a noção de que rapidamente este (ano) já se foi…
Daqui ao fim é um tiro.
A passagem do tempo é, por assim dizer, pelo menos para mim, relativa. Ou melhor a velocidade com que se esgota, não tem (para mim) a mesma escala: - suportável até este período, e inclementemente apressada, a partir de agora.
O tempo (meteorológico) sente-se de repente, parece também mudar. A cor empalidece, os finais do dia são tristonhos, e isso causa claro mal-estar. O banquete que me chegava deste azul da ria visto da minha janela parece estar já nas arrumações. No levantar da festa.
O sol inclina-se cedo para o ocaso, a fragrância da maresia dilui-se no resfriado da noite e no ar perpassa um fluido de melancolia, e até de saudade. De nós…
A beleza onde diariamente dessedentava a intranquilidade de espírito de tantos afazeres, languesce, definha. Paira no ar um certo torpor espreguiçado, esmalmado. Uma promessa de voltar um dia destes. Volta de certeza. Nós é que poderemos já aqui não estar.
Inquieto, dorido, penso nesta dança corrida que é a vida humana. Começa de quê e para quê?
Não sei. Sei contudo apenas, e com certeza, onde acaba. Na dança (da vida) as gerações sucedem-se. Ela, a mangana, mantém-se.
A vida é um carrossel. Gira entre montanhas e profundezas. Entramos a rir; saímos descorçoados por a viagem ter demorado tão pouco
Por vezes temos a sensação de parar nessa dança das voltas. Pura ilusão. Estamos redemoinhando apenas; a roda continua a girar, e nós corremos dentro dela. Mesmo parados estamos a correr no tempo. Nunca para trás. Nunca! Sempre para a frente.

Aladino

quinta-feira, agosto 27, 2009

TEREI SAUDADES..


Terei saudades da mar
Quando na terra me esquecer.


Anda, vem amor,
Vem-me aconchegar.
Anda. Vem daí
Vamos marear.
Vadiar descalços
Pela beirinha do mar
Perdidos na areia náufraga
Que deu á praia.

As nossas pegadas
Darão o passo para acontecer.
Ficarás a saber
Que Tu és ainda o meu fogo
E que só dentro de ti
Sei, exausto, que me venci.
Juntos adormecemos,
Eu, Tu e o Mar.


Terei saudades de ti
Quando o dia amanhecer.


JF (Agosto 2009)

O SALTADOURO DO «TI TAINHA» por AML.

A Drª Ana Maria Lopes insere no seu Blog
http://www.marintimidades.blogspot.com/, um muito apreciável trabalho, em que descreve pormenorizadamente a técnica do «saltadouro» praticada pelo «ti Manel Tainha», um especialista da arte, e o seu ultimo praticante.Pelo menos no Canal de Mira,pois de facto ainda há bem pouco a vi praticar para o lado do Bico da Murtosa.
Fá-lo com muita segurança descritiva e junta-lhe uma dose inabitual de emoção e intensidade que nos conduz à sensação de participar no cerco. O que para mim, habitual leitor de AML, os Blogs do «Ti Tainha» têm de mais apreciável, é o entusiasmo com que a autora traz á conversa o velho pescador para que este com muita vivacidade, em linguagem própria, nos descreva pormenores da execução técnica da arte. E as palavras descrevem muito melhor o que é conhecido nas fotografias, ou até no vídeo que conheço sobre tal personagem, e sua técnica do«saltadouro».
Ainda sou do tempo que havia, na ria, muitos «saltadouros». A pouco e pouco esse número ficou reduzido ao do « ti Manuel das Tainhas».Figura típica da Praia, aquele mesmo que no vídeo sobre os «200 Anos da Costa – Nova» é evocado pelo Cap. São Marcos, ao referir-se ás chamas que consumiram o palheiro do «Chincalhão», exclamando: -oh…mulheras…oh mulheras, acudi! que o fogo a sair das telhas parecem arànhões.

Assisti muitas vezes a colocar estendal que era o montar do caracol. E fiquei vezes sem conta, por perto, a observar o empalmar das tainhas no redame, adoidadas com as batidelas no fundo da bateira e do bater da vara na água. Era de facto um espectáculo que nos prendia a atenção, e que agora com o registo em boa hora feito por AML, fica conservado para lembrança futura.
Não tenho tanta certeza de esta arte ter nascido na Laguna. Mas isso pouco importa.
O que me ocorre referir era outra técnica muito usada para apanhar as tainhas, especialmente utilizada no canal do Rio Boco. A da «esteira».
Consistia a mesma em rebocar a uns 20/30 metros, uma esteira. Por acção de batidelas no fundo enquanto a embarcação se deslocava contra corrente, as tainhas levantavam voo para aterrarem na esteira onde ficavam a espadanar até serem recolhidas. Curiosamente participei numa pescaria feita ali defronte da Vista-Alegre, em que a esteira era rebocada pela lancha «Borboleta», que possuía na altura. Apanhámos um balde de excelentes exemplares. E também curioso era que o próprio roncar do motor espantava as tainhas fazendo-as saltar quando entreviam a sombra da esteira a deslocar-se.
Aqui deixo este pequeno registo, que o Blog de AML me fez recordar.
E oxalá a autora continue a deitar cá fora muitos dos registos que foi arquivando.Vai sendo hora de os dar a conhecer.

Aladino

terça-feira, agosto 25, 2009

COLAGEM

Uma tarde em que não passei o tempo. Deixei apenas que o tempo deslizasse sobre mim, à espera não sei de quê.Talvez, absurdamente, de nada.
É !...vamos começando a nos habituar a tardes como estas em que o desapego nos tolhe,em uma obediência de espera, de nada.

E contudo a porcaria dos telemóveis, e até a Internet, vão-nos ligando à vida. Tudo preso por fios. Ou já nem isso existe porque tudo paira confusamente no ar que respiramos.
Com o livro pronto (entregam-mo terça-feira,se for será, se não for paciência ) a «Costa-Nova» fica arrumada para os outros.Para mim nem tanto.
Alguns apressados vêm buscar fotografias e depois trazem–me álbuns para eu ver. Hoje a tecnologia faz coisas maravilhosas.
Outros ganham finalmente coragem e olham para o que têm e vêm, e querem saber mais. Num ou noutro Blog, e por antecipação, começarão a palrar sobre o assunto. Olho para tudo com uma curiosidade alheada. Distancio-me.
Sou absurdamente diferente. O meu desassossego leva-me a acrescentar, sempre e sempre, algo à vida. Para outros a vida é simples. Nada se acrescenta. Cola-se.
Vive-se do «COPY» and «PAST».Nada se constrói de raiz.
Depois há coisas impressionantes.A necessidade de se viver numa sede de protagonismo febril.Sem primeiro se fazer uma auto-avaliação da medida exacta do que somos.

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O QUE TEM DE SER QUE ACONTEÇA…

Tardes como esta envolvem-me com o seu silêncio para não me estragar, ou perturbar, tudo que me perpassa pela cabeça.
Parece que (eu) estar, assim mudo a meu lado, me dá a ideia da minha total transparência. E vou pondo deste meu cantinho, de uma intimidade toda minha -só minha! - os olhos sobre tudo que mexe lá fora. Por vezes tenho a sensação de que não olho. Mas sonho.
E o que tem de ser: que aconteça. Sempre hei-de querer ver esse lugar onde não se vê. E só então, lá, fique a perceber o mundo a que pertenço. Porque neste me não entendo.
Chorar? Talvez. Mas se eu desse para chorar agora, toda a ria cabia inteira nos meus olhos.
E diria aos meus mortos: ouçam lá não voltem a morrer…deixando a meu cargo sonhar convosco.
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«CANÇÃO DO MAR»

Peguei – já nem sei bem porquê- uma vez mais na «Canção do Mar». Intriga-me aquele texto de GR. Sempre me intrigou. E só aos que não sabem ler, não pode deixar de intrigar.Há quem diga que uma fotografia vale por mil palavras.Coitados.Não as sabendo dizer,como é que as poderiam ler ...ou ouvir!
Porque por vezes ,em momentos como este, parece-me ouvir no som da voz do mar, uma voz que não é a dele. E que de repente se concentrarmos todos os sentidos nela: -cala-se!
Parece ser uma voz vinda lá do fundo, de onde se libertam as ondas, de onde se criam as tempestades, de onde a morte recolhe os afogados.
Ora hoje parece-me que vem de lá um queixume onde distingo a minha alma amortalhada.
JF

segunda-feira, agosto 24, 2009


Problema sério…

Um dos grandes males de que enferma a democracia portuguesa é a irresponsabilidade com que a Comunicação Social(e nesta em especial a escrita) fornece as notícias.
A um leitor atento fácil é perceber as noticias fabricadas. Mas mesmo um destes fica por vezes confundido com as aberrações noticiosas efabuladas, tendo normalmente origem em sindicatos que movidos por interesses obscuros vão activamente colocando, a seu bel-prazer, factos depois atribuídos a fontes geralmente bem colocadas, quase sempre anónimas, metodologia que serve á falta de melhor para o próprio escriba se auto inserir no grupo.
Claro que a única resposta para este estado de coisas é a selecção do leitor. Escolhendo o Órgão de Comunicação que lhe mereça mais confiança. Porque há OCS funcionando perfeitamente como pasquins partidários.
O problema reside no facto de a moléstia se transformar pandemia e afectar todos.
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As surpresas nunca mais param…

Trabalhamos, trabalhamos…e quando pensamos que as coisas estão controladas eis que somos, ainda, surpreendidos com uma ou outra questão do passado que vem de novo perturbar tudo.
Isto cria um cansaço e um desgaste, enormes. Fica-se com um amargo de boca que nos entumece o espírito. Fico sem dúvida frustrado e revoltado. E claro, acode-nos a pergunta: porque raio é que eu me meti nisto, nesta situação calamitosa? A verdade é que ficamos sempre, e ainda na duvida, até quando teremos de resolver as trapalhadas que avultavam no CASCI.
Cansado e molestado.
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E por cá…?.
Por Ílhavo tudo como dantes.
Uns vão vendendo o bacalhau a pataco (salvo seja). Outros continuam em gozo de férias.
Eu que gostaria de saber é como pode um cidadão gozar férias quando tem trabalho de casa(e muito!) para fazer?!
Nesse aspecto há que elogiar RE. Se teve férias ninguém deu por elas. Agora, todos os dias está presente, de manhã à noite, falando-nos, não do actual mandato mas do próximo,como se não houvesse um acto eleitoral pelo meio.
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CAVACO nunca me enganou
Sempre vi neste politico uma (total) inabilidade para desempenhar o cargo que ocupa.Direi confrangedora .Sempre que fala sobre qualquer coisa …a coisa custa a sair.
Como professor de Economia sempre me pareceu um Contabilista que sabe, apenas e só, ler friamente os números sem perceber o alcance do seu significado.
Nestes últimos tempos Cavaco mostra uma falta de isenção incompatível com o lugar que ocupa. Fica-se sem se perceber muito bem quem é o candidato do PSD ás eleições de 27 de Setembro.
Esta da manter o tabu sobre as possíveis escutas recaindo sobre os seus assessores (ou até deixando pairar a suposição que Ele próprio podia estar a ser escutado ) não cabe na cabeça de ninguém. Mas é de uma total falta de sentido de oportunidade. Um verdadeiro tiro no pé, convenhamos.
Bem,a questão é :-se o PSD ganhar vamos ter cavaquismo por muitos e bons anos e este país ficará entregue à bicharada.
Mas se o PS ganhar, depois dos últimos episódios bem se pode dizer : ou Cavaco se remete á sua insignificância politica( interior e mais ainda exterior) …ou demite-se.

Aladino

domingo, agosto 23, 2009

Os Rios que quis levar ao Mar…

Espaço,
Galáxias;
Eu sei lá
Exactamente até onde vai o espaço sideral?
Não cabe em mim a noção do infinito, sem fim,
Por onde se passeiam vias lácteas
Errantes.
Penetrar num daqueles buracos negros
Ao encontro de um momento já passado,
Soterrado na massa ultra densa, inerte,
Tão negra como mil sóis apagados,
Furacão de sombra errante no infinito,
É regressar a uma nova infância.


Assombro-me( !) ou caio em paz ?,
Ao perceber que tudo comecei e nada dou por concluído
Fico quieto no silêncio à procura do infinito da razão.
Saio destas noites, sereno, mais convicto e reforçado
Que por muito que a vida esteja já puída
Ainda bate seguro este pobre coração
Á espera de uma nova alvorada
E outra …ou outra …ou outra ainda
De onde brote minha vontade renovada.


Sou eu próprio, assim, um mistério
Em contínua feitura, fazendo-me.
Sem um Deus que me guarde no seu Império
Ou uma Nau que me leve p’ra «ilha afortunada»
Para lá viver, aquém, na bruma
A sonhar
Com os rios que quis levar ao mar
Deixados encalhados na praia,
Feitos espuma.
SF (Agosto 2009)

segunda-feira, agosto 17, 2009

A ESCOLHA NÃO É ENTRE PS + (?)...MAS PS- E O RESTO.


Eu não sou,nunca fui, um indefectível de ninguém, nem de nada.

De Sócrates, admiro(muito) a sua vontade.
Gosto de tipos como ele, a entregarem-se de alma e coração(e corpo), a lutar por convicções, a bater-se corajosamente mesmo quando a sorte vira completamente o sentido do jogo. Mesmo atingidos os noventas minutos, vai a todas, com a mesma vontade com que começou, a saber perfeitamente que nisto de politica, ou vence-se, ou morre-se. Não há meio termo.

O seu Governo, foi sem duvida o melhor desde 25 de Abril. Houve mudanças estruturais que nunca, antes, tinham sido, sequer, equacionadas. O facto da dita esquerda radical lhe cair, despudorada e demagogicamente em cima, é prova disso mesmo. É inegável que a reforma da Segurança Social foi uma delas.Com pleno êxito. Matéria de transcendente importância que só por si marcaria(e bastaria)para uma legislatura. E no «Ensino» muita coisa mudou, para melhor .E se mudou .É óbvio. Não podemos julgar, influenciados, apenas, na melhor ou pior aceitação dos Professores em relação à avaliação. A extensão do inglês a todas as idades escolares,o Magalhães – só mentecaptos podem duvidar da revolução que esta iniciativa vai causar no futuro-,a reorganização do Parque escolar,a entrega das Escolas a directores para assim restabelecer a capacidade de decisão e autoridade na Escola etc, etc,foram factos inegáveis, de validade indesmentível. Porque a verdade manda dizer que o ensino se transformara num lameiro. E que só uma ideia corporativa, cega e surda,sem querer qualquer tipo de co-responsabilidades, assumidas, exaltada por um Sindicato fundamentalista,totalmente à revelia da realidade dos tempos ,pode achar que um enquadramento dos Professores, baseado numa avaliação coerente(não o é hoje ainda mas virá a sê-lo), foi crime de «lesa profissão». Poder-me-ão dizer que a metodologia da avaliação é confusa ou complexa. Corrija-se,pois um sistema de avaliação, seja de que for, não se faz assim do pé para a mão.Há que o pôr em prática,monitorizá-lo e, claro, introduzir as correcções que se entenderem necessárias.Há que fazer...fazendo.
O Ministro das Finanças foi (de longe) o melhor Ministro desta área ,no pós 25 de Abril. Sóbrio ,seguro, sabendo muito bem o que queria e por onde ia, foi, meta a meta, excedendo as expectativas. E este País pareceu mesmo querer dar o salto definitivo, o ir além da Taprobana(leia-se Pirinéus).Até que a maior das crises financeiras de que há memória, vinda do exterior, veio, acabou como não podia deixar de acontecer, de atingir em cheio o nosso País, afectando e de que modo, a sua economia real. Até tal acontecer o Governo de Sócrates fez o que nenhum outro foi capaz de fazer. Portugal começou a respirar. Mas e mais :começou pela dinâmica das novas tecnologias a indiciar que Portugal tinha uma palavra a dizer no futuro da Europa.(já aqui falámos dessa capacidade)

As energias renováveis foram uma mira totalmente certeira, e Portugal tem hoje, nesta matéria decisiva, um lugar de destaque na Europa.
Foi portanto pena que a crise viesse estragar parte do trabalho feito.
E pena ,muita pena, que os Partidos não desprezassem o acessório – a chicane política- para se colocarem de acordo em relação a algumas matérias essenciais: investimento, emprego,politica social de combate à crise e Justiça(sim porque a Justiça não pode continuar a funcionar em roda livre ,como funciona).

O tempo para o período eleiçoeiro-do bacalhau a pataco- esse viria sempre, e então aí, cada um caçasse desbragadamente os votos usando todo o tiupo de exercício demagógico.
Na grande maioria dos Paises Europeus,o combate á crise fez-se com co-responsabilidade.Pois que não havia outros meios diferentes para atacar a crise.

As resposta postas em prática, e que tiveram,cá, a oposição demagógica de todos,sem perceberem o essencial,não fora a forte determinação de Sócrates, não teriam sido levadas à prática.Ainda hoje estaríamos a discutir o sexo dos anjos.
Aqui-em Portugal- até parece que o problema do desemprego foi culpa exclusiva de Sócrates.Onde é que o problema teve contornos diferentes,apetece perguntar aos distraídos?
Ora manda a verdade dizer que se esta crise nos apanhasse no tempo daqueles governos de trapalhada ,não só o caso viraria catástrofe como ninguém dentro daquele período era capaz de tomar medida que se visse ,como bem se demonstra pela total falta de propostas do PSD.
Que a crise é geral e interligada,vê-se; -logo que um começa a respirar e sai do ventilador ,logo por arrasto os outros o seguem.
O importante para nós é saber se estão tomadas medidas para não deixar(aqui e em todo o lado)reaparecer de novo «as bolhas».

Mas também importante é decidir a quem vamos confiar o País.O País não pode ser governado por PS+-não adianta estarmos a falar, levianamente, de possiveis soluções,no caso de...
O PS tem ,como Sócrates indica,e em nosso entender bem ,que escolher entre PS e o resto...
Em democracia urge assumir responsabilidades.

SF

domingo, agosto 16, 2009


ESCRITORES E PAIXÕES

Tinha a ideia de que Lobo Antunes seria um tipo incapaz de olhar para outra coisa que não fosse a sua trabalhada escrita. Mas ele já tinha avisado. Só que como nos disse que " Hei-de amar uma pedra”não fazia adivinhar que a pedra tivesse requinte de brasileira. A minha relação com os seus livros foi sempre má; muito boa,sim,mas com as suas crónicas.Excelentes. Acho que ele se leva demasiadamente a sério, mortificando-se (como o ouvi dizer de si, muitas vezes) com a aventura de escrever coisas diferentes, de um modo diferente. Profissional da escrita com longo percurso -e hoje notável reconhecimento - diz que por vezes “duas linhas lhe levam o dia inteiro a garatujar e outro tanto a corrigir”; e ou modificar.
Li há pouco que se apaixonou por uma brasileira muito mais nova que ele, e vi-o retratado num gesto afectuoso a receber,no aeroporto, a sua nova namorada -eu que julgava que isso era coisa que há muito tinha esquecido - cingindo-a num amplexo amoroso de que o não supunha capaz.E ainda de ramo de rosas, na mão.
O artigo que acompanha as fotos do papparazi, contém, até, coisas «graves»não provadas, respeitantes a velhotes de mais de sessenta..
Por exemplo, diz a certa altura que, se um homem de sessenta e tais não tem a fogosidade de um de vinte,compensa o facto com outros argumentos (???) ( vide jornal CM). Com rosas,certamente. Tomei apontamento, vá lá saber-se as voltas da vida quando um tipo fica patareco e dá de oferecer flores a uma primeira que lhe faça uns esgares amorosos (?), não de paixão, mas de compaixão.
Aliás pouco faltou para o «voyeur» ter mandado parar LA para o interogar que chumaço era aquele que lavava debaixo do caso .A carteira?., seria?:-perguntaria.
- Rosas meu caro -diria LA desapertando o casaco
Eu aceito como natural uma paixão de Ana Plácido por Camilo. Julgo que Heminghway inspirava vulcões amorosos. Já Fernando Pessoa sempre me pareceu - como de facto o foi-inspirador de uma paixão platónica de uma Ofélia triste. Saramago já com provecta idade, atraiu uma Pillar que lhe trata dos negócios livresco, e, certamente, lhe faz, diariamente, a cama. Lobo Antunes sempre tão ciumento de Saramago (de quem diz cobras e lagartos «do escriba», que diz ser, o autor do «Memorial do Convento»,e…),não lhe quis ficar atrás e pimba: há dois meses cruzou olhares conspícuos com uma brasileirinha que embuchou pelo beiço.
Que pena eu não ter jeito nenhum para romancear. Agora que andava mesmo a precisar de «moçoila» que me fizesse com jeito um cafonè anti stressant.
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Só vale o que disser ….
A morte de Sonaldo, esse extraordinário artista,homem bom ,terno, um ser de eleição sob o ponto de vista de uma prática e posição humanista, invulgares, arrastou com as confidências que sempre ressaltam nessas alturas,afirmadas por próximos que referem um certo esbatimento das duvidas que o actor teria sobre O Divino , na fase final da sua vida.
Não me parece correcto esse tipo de confidências ,sem que o visado cá esteja para poder defender-se.
Acontece com frequência invulgar que muitos que em vida não demonstraram qualquer apetite pelo mistério da Fé, chegados a uma altura de fragilidade(física, emocional ou psicológica) fazerem uma aproximação tardia ao transcendente.
Eu, aqui, já o repeti : as minhas opções só são válidas e poderão ser invocadas enquanto estiver na posse de todas as capacidades físicas e cognitivas. Ninguém tem ,pois, o direito de falar sobre mim em matéria tão difícil a que eu, e só eu, posso dar explicação cabal.
E também não creio que a existir um Deus -imagem superior do homem – o mesmo ficasse contente, e certamente irritado com o atrevimento de quem tendo levado uma vida a desmenti-Lo -ou pelo menos a procurá -Lo noutro sítio,o da racionalidade - e que só por oportunidade de jogar em todos os tabuleiros, viesse, no fim, apostar em todas as bancas.
Não ! ..Era mais fácil eu entrar pelo buraco da fechadura do céu mantendo as minhas convicções até ao fim ,do que oportunista , batesse á porta do S Pedro a dizer que fui um indefectível crente do seu reino. Eu se fosse a Ele, perante esse atrevimento, corria-me aos pontapés…
Há tempos uma iluminada(da fé) dizia-me: agora é altura de te chegares mais a Deus,e pedires-Lhe com mais humildade…
-Pedir o quê, se Ele a existir, já me deu o que tinha para me dar. Devemo-nos contentar com o que temos. E esta chegou-me-respondi-lhe a sorrir .
SF (agosto)

sábado, agosto 15, 2009

ANGÚSTIA

Temo o dia
Em que traído deixe escapar
A angustia que vou guardando,
E me faz sangrar.
Mas que escondo – sei lá!-
Tantas vezes, mesmo de mim .
Não sei exactamente quando.
Mas um dia
Deixo de fingir
Que desprezo o afecto teu.
E o sonho, a noite, o desejo
Ai ! tudo belezas da minha mentira
Que julgas?
Que fora eu
Sem dela me alimentar,
Para que todos os dias ao acordar
Tenha sempre e ainda, vontade,
A vontade de não desesperar.

SF 04/08/2009

sexta-feira, agosto 14, 2009


Despeço-me da noite à espera que nasça o dia…
E assim vou sobrevivendo extasiado com a vida.

As noites quentes, apreciadas do meu terraço são belas, de uma intensidade que chega a emocionar. A lua salta lá dos longes serranos ,alevanta-se ,primeiro mortiça mas nos 20º é já brilhante , deixando que a ria traga o seu reflexo afogueado até ali, a uma mão de distância. Trago dois copos – um para mim e outro para o amigo que há-de comparecer.Chegará? E faço saltar a rolha. Beberico o meu, e como ele, afinal não chega- nunca chega!-, vou pensando no que tem de ser, há-de acontecer. Mas enquanto não, cumpra-se o tempo a tempo, e as promessas.
Chegam os pirilampos criqueiros. Espalham-se aqui pela frente, tagarelando, roncando, buziando. Observo-os e pareço ansioso de me intrometer no seu ritual de engaçar a crosta que a maré deixou à vista.
O amigo definitivamente não vem .Agarro no seu copo brindo e bebo-o.
Horas de deita.
Depressa: - há que matar o tempo ,antes que ele nos mate, antes que chegue a hora ou momento. Antes, um ultimo olhar -qualquer deles pode ser o ultimo - olhando fixamente tudo o que os olhos olhando podem ver. As estrelas brilham poderosas no deserto infinito parecendo diamantes espalhados pelas suas areias. Apetece-me colher uma delas para a dar ao meu amor.
De manhã desvenda-se o mistério, e ponho-me a futurar a vida. E a agradecer – não sei bem a quem :- talvez a ninguém !- o belo que é acontecer a renovação em cada alvorada que se ganha. O bom é continuar a vida ,amar amando.E que a tirana não seja só para nela se estar ,mas para que, se seja.
Momento para me deslumbrar com as primeiras horas de um novo dia. De ir por aí –pressentindo toda(?!) a gente,ainda adormecida, enquanto eu a olhar o sol vou rasgando o espaço à procura do meu caminho. Tudo é tão calmo. Nem a água bule na quieta melancolia do despertar lagunar. As gaivinas ainda sonâmbulas têm preguiça de esvoaçar, e aproveitam para mais um codorno tranquilo.
Sigo direito ao mar. Gosto de o ver praiar logo de manhãzinha. As ondas vindas de longe parecem cansadas, e o sussurro do seu enrolar a desfazer-se de espuma, tem um inebriante fascínio. O perfume da maresia mistura-se com o acre dos carneirinhos que ainda vão sobrevivendo. Encho o peito desse ar húmido que me penetra.
Manhãs de oiro e de cetim que me envolvem tonificando a vontade de ir adiante no caminhar da vida, ousando.

SF (agosto 2009)

quinta-feira, agosto 06, 2009

REESCREVER A VIDA…


Um espantoso luar
Baila prateado sobre a Ria
Vem acompanhado por ligeira brisa perfumada
A deslizar sobre as quietas águas
Enredando-as na maresia.
Na noite, deslumbrado
Sôfrego de me encharcar no belo,
Inebriado pelo êxtase,
Procuro reescrever a vida.

Há nesta noite amanhecida
Um sonho no vento
Um sonho no ar
Um sonho por desvendar.
O de te levar pelas águas
Em passos ledos
Para lá da imensidão
Onde restaremos quedos.
A deixar que o amor mande ousar,
Os meus olhos pousados em Ti
A desfolhar a flor da primavera
Teu corpo de mulher aberto
Sorvido até que chegue a madrugada.

SF (3 Agosto 2009)

quarta-feira, agosto 05, 2009


Estivemos a um passo de conseguir..
Resta-nos a consolação de termos sido pioneiros à escala Mundial

Tenho seguido com enorme curiosidade e atenção, as noticias do carro eléctrico Renault – Nissan, e acode-me á cabeça o projecto que dirigi e concretizámos, da primeira scooter eléctrica mundial.
Tivemos mais ou menos, há dez anos, as mesmas ambições de solucionar o problema de um veículo limpo. Claro que esta terminologia não é totalmente exacta, pois se o veículo é, de facto, limpo, aquando da utilização, a energia para carregar as baterias, obriga, na mesma a emissões aquando da sua produção.
Há duas questões que me levam a pensar que o grupo vai ter, praticamente, os problemas que nós defrontámos (menos o apoio governamental que nós não tivemos).

Em primeiro lugar a autonomia de 120 Kms, anunciada, é boa mas insuficiente: nós, na scooter, tínhamos 50 km. Comparado com a utilização scooter /automóvel (potência/peso) a nossa solução estaria até mais consentânea com o que se pretende do desempenho/utlização de um automóvel, e ou,de uma scooter. . Só que estas autonomias não são reais, pois dependem muito da utilização e da vida do veículo. E no real, poderemos estimar vinte por cento menos. Num carro é problema de monta.
Enquanto se não alcançarem os 300kms de autonomia teremos sempre dificuldade em impor o veículo. Na scooter se tivéssemos ao tempo a felicidade de os fabricantes de baterias produzirem(na altura) baterias de iões-litio, teríamos chegado aos 100kms.No caso da scooter mais do que suficiente. Corri o mundo á procura de interessar algum fabricante que se propusesse á tarefa .Impossível. A tecnologia de então não o permitia.
Acresce um outro problema: os recarregamentos. Os carregamentos lentos não põem problema de qualquer espécie. De noite há tempo mais do que suficiente para fazer uma carga lenta. Mas e recarregamento rápido, em estrada, põe muitos problemas. Porque é falácia falar em posto de abastecimento capaz de debitar carga instantânea. Para ultrapassar esta questão nós com a EDF (a EDP francesa) abordámos a hipótese de conceber um sistema de gavetas para que as baterias fossem trocadas nos postos de abastecimento de energia. Não é impossível, mas não é fácil.
Estivemos mesmo perto ,muito perto, do registo da história. Todos nós que trabalhámos no projecto admitimos que com m ais apoios tínhamos lá ido. Fomos de longe os primeiros à escala mundial. Tudo o que este automóvel conterá ,a scooter já o tinha: recuperação de energia, indicação nível de carga, gestor de baterias etc etc. Lançámo-nos muito cedo .Mas impunha-se . Mesmo para a Renault-Nissan parece-me cedo. E não sei se não será um Flop.
Eu, depois da experiência recolhida, acredito que a solução do veículo limpo não passa por aqui, mas sim pela motorização alimentada a hidrogénio.
Mas enfim, consola-me o adiantamento de dez anos em relação a todos, mesmo a estes monstros da indústria.
E cada vez com mais razões para pensar que a massa cinzenta (e a capacidade inventiva) portuguesa, bem aproveitada, é genial. Por isso, este caminho das novas tecnologias, é um desafio que, se continuado, nos recolocará de novo a dar cartas ao mundo.
Gostei de fazer o que fiz. Gosto de ver os outros percorrer o caminho que então cheio de ilusões -
mas não só! - percorri.

segunda-feira, agosto 03, 2009


Ria minha….meu bem …achega-te

Hoje, nesta noite do crescente, a Ria cumpriu-se.
E eu festejei-a. Abri uma garrafa de champanhe, e aqui estou a brindar com ela. Neste, como em todos os lugares desta casa por mim reinventada no sonho de a fazer diferente, única, festejo-a.
O rasto da lua esparralha-se pela água quieta, vindo nesta hora lá do sul, refulgindo num tom esverdeado de ágata que me penetra, inunda, e subverte, os sentidos. Deste meu pousio ,recanto desta casa que uns dizem «tolaria», desfruto, guloso enquanto bato as teclas, este deslumbrante desnudo de uma ria tão inesperada, como bela. Como as mulheres recata-se uns dias para logo noutros nos prender deslumbrante.

Tolos os que não amam. Tolos os que, cegos, não percebem, ou não entendem, os sinais de vida.
Viver não custa(a alguns…).Saber apreciar o deslumbrante que é a vida, isso é que é difícil.
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Volta não volta, distingue-me…

É! .. volta e meia o despecuniado peralvilho aparece…
Parece que o «verme» tentou meter-se (uma vez mais!) comigo. Ou baralhando, meteu-se com o outro eu.
Ora:
Se se meteu comigo a resposta é:
-Não respondo a cretinos que não distinguem « bosta» de pão» -parafraseando o saudoso Frederico de Moura.

Se se meteu com «o outro», eu
- Guardo o «escólio» para o dia em que …
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(Aviso:a imagem abaixo é só para adultos)



Aviso à navegação:



Familiar trouxe-me esta foto.




Confirmadora. Já nasci com «eles»….
Por isso mesmo, tenho de fazer jus aos que, assim ,aqui, me botaram.

SF

R evisitando Colón E de novo,lá veio mais um livro abordando o enigmático Colón. Desta vez, uma extensa e esg...