sexta-feira, junho 10, 2011

Poder de novo voltar a ser...Mar...



Olho a tua grandeza
A imensidão das tuas lonjuras
E de um modo absurdo
Sinto que (ainda) existo
Num passado que foi teu.


 Sinto-o no desassossego que me causas
Sinto-o na pequenez que me rodeia
E apetece-me perguntar:
Porque nos não ajudas
De novo a cumprir Portugal ?

A partir para achar,
Cá dentro,
A árvore, a flor, a praia, a ave e a fonte
A encher de esperança as horas navegadas
Para assim ultrapassar o medonho.


Galgar valas, subir encostas, ondear os montes
Em conquista de novo o sonho
A recuperar altivez,
E entre o chão encontrado e o império perdido
De novo, tão só, voltar a ser português.

A desejar querer
Poder de novo ser
Povo de um País amanhecido.


SF (Junho 2011)





domingo, junho 05, 2011


Alternância não é exactamente prática de «alterne»



Os resultados eleitorais mostraram uma vontade inequívoca dos votantes. Mas também –e não menos importante -mostraram uma vontade inequívoca dos abstencionistas,que tiveram -eles só!-maioria absoluta.

A Democracia segue – ou espera-se que siga- ,por outros caminhos .Esperemos que é chegada a hora de a ex-oposição fazer o que sempre afirmou saber muito bem.

Sócrates saiu pela porta enorme. O discurso dele só terá comparação nos de Churchill,quandosaiu para voltar aos ombros ano mais tarde.

Viva a Democracia.

AH!!! Eu devo dizer que, desde que me conheço, sempre fui do Belenenses. Hoje ainda exulto e ou sofro com as suas vitória ou derrotas, ande por onde andar. Transfuga é que nunca. Cá ficarei.

Sou assim mesmo : já vi tantos a passarem por mim para a esquerda que hoje é altura de ver muitos mais trânsfugas a correr para ver se ainda apanham o andor da direita.

E pronto: querias mais comentários? A moral deste acto eleitoral onde uma esquerda do mais estúpido que há deixa conduzir o País neste sentido irreversível, merece avaliação histórica no futuro. AH!!!!!! agora já ameaçam com a força da rua. É o que lhes dá sobrevivência.

Caros: se sentem azia, raptos febris, ígneas visões sobre o futuro: -dissolvam cânfora numa colher de óleo de rícino, e tomem a mistela de meia em meia hora. Verão os efeitos.

Aladino

domingo, maio 15, 2011

Pois . Já se percebe como tudo isto vai acabar...

Pois é verdade. Um dia ainda chegaremos à conclusão que Sócrates foi o maior.

Reparem na excelente lição, de como falando tão simplesmente chegaremos à triste conclusão de que caminhamos para o abismo. Não apenas nós e não por causa do Sócrates. Mas por causa do sistema. Como venho alertando as campainhas já soam nos EUA. De volta a crise, aproxima-se Foi lá que em 2008 tudo começou. Agora vai ser pior.

Em 2008 a receita era mesmo a do défice publico.

Aqui uns doidivanas mal aconselhados atiraram-nos para a fogueira. E agora?


No dia 5 ,ou me engano muito ou vamos ter mais do mesmo. Estaremos pior do que estávamos. Continuo pois a pensar: ainda a procissão vai no adro. O pior está para chegar.

E é verdade:tarde ou cedo temos de renogociar algo.A divida ? Os Juros? Quando tudo entrar em incumprimento ,não resta mais nada....Nós e todos!!!

Aladino

 

segunda-feira, abril 25, 2011






Há emoções que perduram, indiferentes ao tempo.



E que esperam até hoje


O desfecho.


Pois estou decidido:

Fico por cá …sempre no mesmo sítio, a aguardar.


Preso ao chão - a voar….

SF 25 Abril 2011

domingo, abril 17, 2011


Descrição de Ílhavo em 1758

( Em tradução livre inserimos uma curiosa descrição de Ílhavo feita em 1758)



Antes que façamos o detalhe e descrição dos lugares da Freguesia, pede a razão e boa ordem que primeiro a façamos da vila .Consta esta de uma grande e Principal rua ,que principia no sítio ,ou bairro chamado de cimo de villa ,e se estende ,e discorre por quase meio quarto de légua até á malhada ,ou posto geral de barcos. Em toda esta extensão tem infinitos becos de um e outro lado ,que chamam carris ,e vielas, com inúmeras casas ,e casinhas ,quanto baste limpas ,e asseadas à maneira de células de abelhas, habitação da plebe. Tem alguns edifícios e casas de sobrado com distinção ,mas poucas. ao longo das casas, ue fazem face para o poente corre a calçada por onde a gente ordinariamente se serve com bastante largueza; e por baixo é o resto da serventia de carros ,que vulgarmente chamam o rego, a causa da água que por ele continuadamente corre, nasce, e transpira dos lados por ser o centro húmido, e por essa razão menos saudável..Tem mais outra grande rua chamada de Espinheiro ,que corre de nascente a poente e vai acabar pouco distante do rio, em um porto chamado Juncal Ancho ..Quase no meio da villa fica a Praça publica bastante pequena para o tráfego das gentes, e comerciantes, que a ela concorrem. É contudo provida de todos os víveres assim da terra como de fora. Ali estão a casa da Câmara ,e Paços do Concelho, tudo muito suficiente, e capaz principalmente depois que se lhe acrescentou um quarto novo pela parte de trás. Nas lajes ficam as enxovias, excepto do quarto novo que se destinou para açougue.
(...)
Adverte-se que o nome de Ílhavo se deve pronunciar esdrúxulo , com acento na primeira e não na ultima como alguns menos advertidos na Corte erradamente pronunciam.

(…)

Um certo Domingos da Cruz, sacristão que foi da Matriz que se gastava de bom humor fleumático, costumava ,e a próprio cérebro ,formar e fingir etimologias dos nomes das terras. E chegando a Ílhavo dizia ele que a origem (fora) porque sendo a Chousa Velha (um lugar vizinho),povoação mais antiga, era nesse tempo Ilhavo,Ilha ,ou terra aplanada e pantanosa, e que na tal ilha ,ou paul criavam muitas AVES,OU ADES,E COSTUMAVAM OS MORADORES DA Chousa Velha ir tirar-lhe os ovos. Sucedia pois que uma velha ir com um neto que tinha a mesma diligência, e quando se descuidava, o neto costumado

Notas - A praça era o largo do Outão.A casa da Câmara era a actual casa dos herdeiros do dr José Balseiro.O Juncal Ancho, perto do Curtido, deu o nome à ponte.

SF Abril 2011



quarta-feira, abril 06, 2011

Ora aí está :a tempestade perfeita.

Tenho vindo a pregar no deserto. O problema das dívidas soberanas, versus especulação, está a tingir dimensão tal que acabaremos mergulhados numa catástrofe trans- nacional.

Anda para aí numa discussão do sexo dos anjos. Há muito que clamo que o problema é Europeu, e que a bancarrota não é de um país periférico, e pequenino, mas de todos eles, uns atrás de outros .A moeda euro cairá por aí abaixo e o colapso bancário será inevitável.

Ma atente-se. Hoje já começou o assalto especulativo á divida soberana dos EUA.E aqui é que poderá ser a tempestade mais do que perfeita.

Os que nos têm tentado convencer que a divida soberana de Portugal é uma enormidade(94% do PIB - até não é exactamente assim-) ,escamoteiam(porque não creio que o não saibam ) que ela está, até, abaixo do nível de uma grande parte dos Países Europeus.

O problema é outro.

É o sistema capitalista levado ao extremo que se está a afunda.Faliu (Marx dixit). Agora não há muro de Berlim para pôr abaixo.A verdade é que agora serão muitos muros ,tantos quantos os países do mundo capitalista ocidental ,a derrubar os seus muros.

Por isso, ou muda-se o sistema ,ou teremos um sublevação catastrófica, por acção daqueles que foram levados ao total extermínio económico-financero .

É inevitável .E o que espante e me leva à revolta é que os causadores desta situação especulativa, que encheram as maquias venham agora com desplante absoluto exigir ao Estado que peça (para eles, certamente dando o Estado(nós!) as garantias ) uma boa maquia de dinheiro. Ora de vez as responsabilidades dos accionistas dos Bancos e as suas fortuna é que deverão responder pelos empréstimos tal como eles negoceiam com as empresas suas clientes. Dando uma corda a quem lhes der um porco.
Ou se arranjo um novo sistema ,ou o descalabro estará aí para o ano. E as eleições imbecis que andamos a tratar só virão atrapalhar..

SF

quarta-feira, março 30, 2011

MAR




Canto 1 – Partir nunca mais…



Olho assombrado para ti

Mar!

Não sei das lonjuras de onde vens,

Nem razão do desassossego que trazes contigo.

Sei que mora em ti permanente inquietação

E uma eterna crispação

Quando vens apressado

No regresso de outras paragens.



Que novos mostrengos viste tu: - MAR!


Dos que Portugal sonhou primeiro,

Que ainda os não tivéssemos aquietado?!.

Diz-nos! - Não por querermos voltar a ousar,

A navegar de mar em mar, em ti todo: Mar !


A fundar o 5º Império, nem outros tais

Que por desvarios nos perderam demais.

Mas para refazer a pátria, há que de novo ficar

Plantar de novo as raízes dum Portugal

Que se esqueceu de ser jardim florido

De rosas, de cravos, de papoilas,

Meu olhar no seu rubro detido.



Partir nunca mais!



Canto 2- Anúncio da chegada



Vens de azul vestido guiado pelo voo da gaivota

Que te convida a descansar no leito da praia,

Para que melhor possas olhar o céu.

Num repente ensombras o teu ondular

A gaivota desatina e vem pousar em terra

Na esperança que emudeça o teu escarcéu.

E eu sei apenas que só por te chamar,

Mar! …

Percebo a tua dimensão

No vislumbre das montanhas ocultas no teu corpo

A erguerem-se cobertas de farfalho

Revolto véu branco que te serve d’ agasalho.



És abismo profundo em dialecto de carícias

Quando enrolas na praia, a vaga, ao entardecer,

Bailas ao compasso do vento, num fazer e desfazer.

És sonho, és dor, és acaso, provocador de notícias

Sombra dos que sepultaste, desafio aos vivos,

Que um dia partiram para longe daqui.

Como poderia deixar de gosta de ti (?!)

Se o teu nome basta para me abismar,

MAR!....

Fera cansada

O rugir na noite assombrada

Lá de longe avisando a sua chegada,

                                   [de madrugada.





Canto3-Vai sózinho. Eu fico…



Com cega brutalidade

Acordas azul, envolto na bruma da ilusão.

(e os meus olhos ficam azuis, imensos,

Na febre de querer ir contigo: - navegar).

Vieste antes da palavra

Na rara intenção de provar

A existência da eternidade.

Antes dos tempos tu já eras

Depois dos tempos tu serás.

Nada que eu faça sou eu

O mundo é teu,

De ti todo inteiro; de mim nada,

Mar!

Se eu te chamar não voltes para trás;

Eu sou como o vento na forma incompleta

Vai. Deixa que nele se esvaía meu longínquo apelo.



SF (Março 2011)

terça-feira, março 22, 2011


E então vai ser assim…

É bem chegada a hora de se demonstrar que, embora sendo má – a democracia -é verdade que não há melhor.

Confesso-me cansado de tanto dislate.
Ouvi-OS a todos.

Ao Primeiro-ministro. Cansado e baralhado com tanta confusão  adiantadamente provocada.Há culpas que, dificil será eximir-se. Um dia gostaria de perceber porque conduziu, assim, o processo da crise política.

Ao putativo (e apressado) candidato ao tal lugar: Passos Coelho. Mais vale ser rei por um dia…do que príncipe o tempo inteiro-pensará. Assume o peso de já se sentir Primeiro.Ah! o peso de sentir é bem capaz de ser diferente, se tiver que sentir. Empurrado, lá vai sem saber por onde, nem para onde. Breve será o seu destino.Há pessoas que entram na morte ,já mortas.

Ouvi o esquizofrénico Louçã. Que incapacidade politica, que delírio inconsequente, que enormidade demagógica.Que magnificos são os castelos de areia.

Ouvi o Paulo «Feirante» que acredita ter chegado a hora!

Mas …. Talvez esteja aqui a chave da questão ideológica. A Europa vai perceber que, provavelmente, a hora de pagar os erros de uma esquerda de colarinhos engomados, terá chegado mesmo.O próximo futuro vai conviver com os extremos ideológicos.

Ah! Não ouvi o Cavaco. O marechal…fez uma retirada estratégica. A soldadesca que se lixe…

Bem: vou tomar banho…. Estou encharcado em porcaria...

Aladino

segunda-feira, março 21, 2011

A BARCA DA “PASSAGE”


A barca da passage era ,desde os primeiros tempos em que as xávegas vindas da Costa Velha, da Srª das Areias, aportaram à Costa Nova, o único meio de acesso ao areal para onde tinham vindo fainar as companhas da pesca. Eram centenas, os pescadores empregues nas mesmas; mais o mulherio que ajudava no desembaraço e na escolha do peixe, e ainda os mercantéis. A que se juntavam os muitos almocreves que pela noitinha, burricos carregados  alombando com a sardinha, se embrenhavam por esses caminhos perdidos da serra.Ladeando vales e barrancos, para ao outro dia, logo de manhã, não faltar com a venda da prateada sardinha, lá para as beiras interiores e bairradas.

No início, ainda as companhas usaram enviadas para facilitar o transporte ao seu pessoal .Mas a confusão gerada, cedo indicou que o bom sentido era o da privatização (?!) daquele meio de transporte, deixando-o nas mãos de barqueiro, que, dono da sua própria embarcação, estava sempre disponível para fazer várias vezes ao dia –e até de noite – o transporte, de pessoal e material.



A largada da barca, sem hora rigorosa marcada, era anunciada por um toque singular, roufenho, saído de um búzio que se ouvia -nesses tempos isentos de outros arruídos incómodos -a um bom quarto de légua de distância.
Antes de largar dos moirões, o arrais dava uma olhadela lá para o fundo do caminho, a ver se divisava alguma alma atrasada. E quando tal sucedia, se a distância a percorrer não demorasse mais do que escassos cinco minutos – pelo cálculo do arrais, entendido nesse assunto! - adiava-se a partida .Certo é que tal adiamento, gerava, de imediato, uma zanguizarra dos diabos, com os passantes já embarcados escalabrados pela demora:

- Eh Ti Labareda . Astão vossomecê quer-nos fazer perder a maré ?...estipôr malino!…Por causa duma marafona atrasada ,que esteve, foi, entre pernas mais tempo códebido ,e agora nos faz esperar ?!.Largue mas é …homem dum raio!. Largue que temos freima de chegar á outrabanda .
-Calende-vos ou ides a nado, que ides mais depressa – respondia o arrais,moído de tanta algaraviada .

Chegada a Rosinha «Escudeira», a conversa mudava de tom e forma.Era imediatamente outra .Aquela gente era muito sabida.E então no fingimento :- umas doitoras !

-Ah Rosinha ,q’uim fim q’ue sempre achegastas ;filha ! Se não fossamos nós,o raio do Labareda não esp’rava por ti .Raios do home, c’anda sempre com o fogo entre pernas. E não há quem lhe acalme a marola.

                                     

                        O Labareda ( des. J.Antonio Paradela)

-Credo!...Fosse eu nova, e, cachopas!,….o pavio do Toino derreava -faiscava a Alzira «Saltoa»,mulheraça já cansada,enxuta, de convés corrido por tanta vaga, moradora lá para os Sete Carris. Só para adiantar conversa, para bisnagar .Para a galhofa.
O Labareda ria-se com tal desfaçatez.Ele sabia que era tudo boa gente.Aquilo eram tudo facécias.Pois numa astrapalhação, num momento mais doloroso, eram bem capazes de despir a roupa, para com ela agasalharem uma delas. Gente de acudir, solidária e amiga. Mas gente simultaneamente brincalhona, ladina, tarrinca, naqueles momentos de descontracção em grupo.
Ordem de largar,
o ajudante á proa enterrava a vara no ombro para aproar a barca a oeste .O arrais deixava-a descair um pouco, para logo dar ordem de meter a pá da borda. Leme a meio, caçava a escota retesando a vela com a dupla laçada na draga, fixando a mareação numa proa apontada ao trapiche da outra banda,ali ao lado do Salão do Arrais que, se o noroeste ajudava ,poderia ser alcançado em dois bordos.
Já por diversas vezes, o Labareda chamara a atenção, ao regedor, de que a mota devia ser deslocada para sul, aí uns cem passos, pois, se assim fosse, num só bordo, fazia-se a travessia .Se o vento era frescote – e quase sempre o era, bufando lá do noroeste - cinco a dez minutos eram mais que suficientes para laçar moirão na Costa Nova .

Durante a travessia era uma algazarra; a miudagem correndo a sentar-se no bico da proa, sonhando com o dia em que se sentasse ao leme, a retesar a escota ,e rumar ponteiro ao outro lado.

Os almocreves que tinham deixado os burricos a descansar na estrebaria da  «Bruxa» ,a recompor-se da jorna com palha fresca – pois que para cá tinham vindo carregados de azeite vindo lá das serranias,o melhor !- deitavam contas à vida na tentativa de ler o tempo. Imaginando como seria a noite, em que serra acima ,ladeando a ravina ,atravessando o riacho, metendo à desbanda por um atalho conhecido …toque… toque… , lá iam por entre pinheirais a zangalhar, assanhados com a ventania da noite que facilitava que por ali surgisse algum marmanjo da rapina. Percorrendo ligeiros os caminhos do interior a carrear a sardinha fresca. Por isso, e porque amanhecido o sol era tempo de entregar o carrego lá para as bandas de Viseu, havia que dar ao pé .Burro, e pimpão almocreve.

Por vezes aparecia para atravessar na barca, o João«Ruço»,exímio tocador da concertina que fazia as delicias dos embarcadiços. Encostado à barra da escota, atirava-se ao «vira que vira», esbofando a sanfona ,enquanto com dedos ágeis percorria os botões das notas .E logo duas pescadeiras saltavam, lestas, para o centro ,saltitando e rodopiando. Pés descalços «sapateando» nos paneiros ,enquanto a voz fina mas timbrada e maviosa da Joaninha «Cantadeira» se fazia ouvir, depressa denunciando a origem :



Meninas vamos ao bira
Ai ! que o bira
É coisa voa
Eu já bi dançar
O bira
Lá p’rós
Lados de Lisboa

Ai! bira» que bira,
E torna a birar,
As «boltas» do bira
São voas de dar

Enquanto isso, as cachopas num falazar grazina, aproveitando o ripanço daqueles breves momentos, lá iam em conversa onzeneira:

- Astão Rosinha? fostas a ultima a vir lá da vila .Deves saber nobidadas .Disque lá ,chopa !...

- Novas(?!), só que entrou na barra o iate do Ti Cachina, vindo lá da estranja .A Ana «Fradoca» foi esperar o homem, o Armando Ramízio .Logo à noite, lá p’ró Arnal, vai ser uma zanguizarra dos diabos .Sete meses de fastio, gentes !...,nem as pulgas incomodam. Chegada a hora, vai ser tempo de medrar menino .Idas ver - ia dizendo a Rosinha.

- E olha c’os tempos não estão nada p’ra isso, rapariga.Só vejo fidalgotas a cheirar o frescal, e a desdenharem. Que não presta, dizem !O que essas delambidas querem, é «dado» .Mas enganam-se .Que cá a Zefa, dado, só ò mêhome. E num é sempre !. C’ás vezes lá lhe caço uma felpa, a troco do festim. Que não é para o gabar – q’inté é p’rigoso com tanta serigaita a c’rer pastar - mas cá o meu Zé é danado p’rá brincadeira .Num é por ele ser o mêhome,mas aquele bardal prece c'anda sempre esgalfo pela jája.

- Ah!... Zefa ,c’alte …Tu sabes q’ué bom, porque nunca comeste doutra malga. Amorna-te aí…. raios! Tem relego nessa língua e não nos desinquetes,com essas toleimas.Mogadinha de mim que h´a benícias que nem escasso cheiro.

Outra figura que era habitual, de tempos a tempos aparecer a tomar o seu lugar na passagem, era o «amolador». Lá vinha empurrando o carrinho de roda com os apetrechos para colocar a gataria nos barros esfanicados, ou esmeril aconchegado. Pronto para afiar os navalhões da trupe das campanhas, ferramental indispensável ao exercício diário daquelas gentes, precisando do gume bem afiado, capaz de cortar papel em tiras de enfeitar .O ti Francisco da «Gaita», assim chamado por anunciar a sua presença de porta em porta, por uma gaita de beiços ,com sonoridade distinta e singular, que era o aviso para se ajuntar todo o material a necessitar de reparo, à porta dos palheiros, onde exercia o sei mister.

Ti «Gaita» –dizia maldosa a Berta «Lamaroa»- vossemecê não é capaz de me pôr três gatos numa racha, p’ra a aviar como nova?

-Asponho pois..não havia de m’astreber eu .Atão que é lá isso?. Cuida-te, ósdepois ,porque os gatos miam de noite, se incomodados, e gostam de tripa miúda - respondia sisudo o «Gaita», homem de pouca conversa fiada. Que fiado só os muitos calotes por trabalhos feitos àquela gente, a aguardar paga, à espera de melhor maré .

Tempo de chegar. O arrais media a distância, e, chegado o momento ,orçava, apontando a proa ao vento. Folgada a escota, recolhida a pá da borda para cima da tosta , o vento e a corrente levavam a borda da embarcação a beijar, suave, o trapiche a que acostavam, para descarrego das gentes.

Era um desaforo. Uma restolhada dos demónios .Todas queriam ser a primeira a colocar o pé descalço no tabuado da mota ,lestas para chegar à escolha e venda do peixe .Se o não havia fresco ,porque o mar não permitiu lanço ao meia lua ,carregava-se do escorchado. Que à falta de melhor ,também tinha clientela.
À volta, no regresso ai fim da jorna , era um queixumar de arrenega .

-Danado do mar! Escajunrrado.Aquele cão anda mais «seco» que trimbaldes de porco capado; o peixe branco está pela hora de morte, não se lha pode achegar .Mais caro c’ós pozinhos de maio, milagreiros , da botica do Ti Cunha – queixava-se a Ana «Espadela» maneando a cabeça num esgar de nojo, ascupindo para a borda..

Mal , acomparado, - que comparações só se podem fazer com os santos - era assim :
À ida :
- Maria,adonde vais tão pimpona ?!
-Para a «festa!!!»
À vinda :
- Maria ?:- de onde vens , cachopa triste:
-Da… «fe...sta…»
SF 8Março 2011)



















quinta-feira, março 17, 2011



E então vai ser assim….(II Parte)

 
Portugal é um país de «mourinhos».Isto é, um país de hábeis e geniais estrategas.

Começou a prole com o biganau  Alphonso,que tinha o vicio de assobiar aos mouros, imitando rouxinóis de noite (?).E quando estes se punham á procura ...pimba :  berrincha para cima dos infiéis,emigrantes desorfados da altura.Aqui d'el Rei,de foice ou forquilha, ia tudo na frente. 

Agora, exemplo claro disso ,a magistral jogada de Sócrates.Chamada pressão alta do terrivel campeador.

Há dias -lembram-se?! - previa-a. E dela dei conta no Blog  http://terralampada.blogspot.com/2011/03/e-entao-vai-ser-assim-1-socrates-forca.html . O primeiro passo, aí está.

Entretanto o País continua a melhorar e a entrar num rumo de onde nunca se deveria ter afastado.

 Sacrifícios? Pois claro, ou pensamos que isto é para brincar…

É altura para os outros dizerem como vão fazer…ou então cambalhotar…Que raio :- quem nunca deu uma cambalhota que se acuse.

 (gaita também não era preciso avançar o pelotão inteiro...que diacho.)

Crise é crise,mas há muitas maneiras de a controlar :- poupem com o que é Vosso. Ou julgam-se todos Berlusconni's.

Aladino

quarta-feira, março 16, 2011

Pegadas …



Pela beirinha do mar sigo as pegadas

Infindáveis,

Por outros, deixadas no areal;

Muitos outros, tantos!

Que como eu perseguem

A procura de se reencontrarem.

Esquecer o passado meu

É o mesmo que correr atrás do vento que me fustiga;

Nele pouco encontro de que valeu.



Vem o farfalho branco da vaga

E tudo que está para trás apaga.

Como se a vida recomeçasse de novo

Tento olhar em frente e seguir caminhada.

Para onde vou(?) Não sei.

Sem o peso dos erros vou mais leve,

A deixar de novo as minha pegadas,

As minhas marcas, na vida ainda que breve.

O passado foi-se

O importante é que desperte um novo dia

Em que volte de novo a ser eu,

Mas um outro eu.

Agora, inteira e totalmente: LIVRE !

SF  -Março 2011

sábado, março 12, 2011


E então vai ser assim:



1-Sócrates força o PSD a mandá-lo embora,


2-Cavaco fica à rasca,


3-Convocam-se novas eleições,


4-Santana Lopes constitui um novo Partido,


5-Portas perde com Santa Lopes,


6-PS E Santana L. têm a maioria absoluta,






O Filme da nova geração «ROSCOF» começa dentro de momentos.


END .



ALADINO  (TERRA DA LÂMPADA)

sexta-feira, março 11, 2011


O passado …passou…



Sentado no terraço

Afundo o olhar na ria,

Ao querer saber tudo a meu respeito.

Sinto a brisa quente que me traz o aroma da saudade

Vejo no espelho do seu azul prateado

Enigmático sorriso estampado no meu rosto baço;

Afinal , a vida pode ser olhar…e nada mais.



Neste fim de tarde quero lembrar
As últimas ofertas de sonhos
Os últimos momentos em que me dei
As derradeiras palavras que escrevi
Os últimos afectos com que matei a tua sede ..

 
Não consigo reencontrar-me ;
Recolho o olhar
E regresso para dentro de mim.
Nesta desconstrução que persigo;
Mas não consigo dilucidar,
Pareço não ter deixado rasto
Naquilo de que me afasto.
Nem ao menos dos momentos que contigo
                                                          [ vivi



SF  Mar 2011

terça-feira, março 08, 2011


CADA GERAÇÃO QUE ASSUMA O SEU TEMPO.


É o tempo de se andar mascarado. O País parece aproveitar a ocasião, e vive a fazer de conta.


-Geração Rasca…ou à Rasca …ou Parva, são várias dos slogans «pimba» que suportam  encenações para que a juventude possa de diferentes maneiras, chamar sobre si, a atenção.


Devo contudo começar por afirmar que os dizeres da canção dos Deolinda, agora na berra, feita hino geracional, são em si mesmo, uma «parvoíce».Fiquei desiludido. E os cantadores da «Luta Continua», imagem rasca de Zeca Afonso & Branco, são de uma pobreza diletante. Imagem popularucha, de uma demagogia que arranca a custo, ligeiros sorrisos, mais pelas figuras tipo emplastro, do que pela lenga-lenga.


Ser-se «parvo» por estudar e aprender (sempre e todos os dias), é de todo em todo,  uma mensagem perfeita mente parva.


O que esta geração teve foi o que outras anteriores, ainda recentes, não tiveram: a solidariedade nacional para permite a todos, em igualdade e de borla, poderem adquirir os conhecimentos para…


(Aqui é que a porca torce o rabo….)


...,não para arranjar emprego, mas sim para trepar na vida, conforme o merecimento e capacidades. Que isto de igualdade (para lá das oportunidades concedidas) não conduz a ilha paradisíaca nenhuma.


Muitos –a maior parte! – dos que compunham a geração a que pertenci, não tinham possibilidades de aprender. E aos quinze, dezasseis anos - ou antes! - já trabalhavam bem no duro por uma côdea de pão. Essa sim, era uma geração (quase) sem oportunidades. E quando emigrou, a salto, foi para habitar os bidonvilles.  Agora quer se cante quer não - essa geração nem podia cantar, senão, o «Lá vamos cantando e rindo...»- o mundo está cheio de oportunidades (agora é que eu queria recomeçar)  mas é preciso trepar e a pulso, para as agarrar.E a pulso, esta nova geração só sabe fazer outras coisas. 
Não são os parcos conhecimentos obtidos num curso superior qualquer (andam por aí ás centenas diplomas de nada) que dão direito ao putativo emprego.É o que se aprende no trabalho,no dia a dia, que irá definir o êxito.


Mas que é bom ouvir a juventude a pronunciar-se, entendamo-nos: - é bom e pode ser que do hábito nasça uma postura de abordagem da vida bem diferente.


(achei especialmente oportuna, e até inteligente, a cena de interromper o 1º Ministro)

2- «Descontentes»

 
Descontentes …há muitos. Uns bem intencionados, outros nem por isso.


Preparem-se…não acreditavam que esta confusão toda era, principalmente, produto de uma crise (uma completa subversão das regras da economia), vinda de fora, dos mercados(?!) invisíveis que ninguém controla ou sabe identificar? Vão então ver no que isto vai dar. A crise já não está só por aqui perto, pela Europa. O estouro vai chegar a todos os lados.


Crise?... Há ainda quem não tenha percebido o que aí vem. Pois que se preparem …


Aladino


PS- Na minha vida profissional nunca aceitei fazer um contrato com o empregador.Um unico que existiu por insistência do patrão, ficou guardado no cofre do mesmo.Livre como o passarinho.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

RE…no seu melhor.




Leio no «Diário de Aveiro» a espantosa entrevista feita (?)  a Ribau Esteves, em que este,  despudoradamente, se oferece como putativo candidato à Câmara de Aveiro. Iniciou, assim,RE,a caça aos «gambuzinos». Coisa perfeitamente aceitável.

Mas qual é a estratégia usada?

O Senhor Ribau Esteves  - que se assume  a mais destacada figura politica regional- examina com prolixo critério as reformas que o País precisa.Como menina virgulada, malsina os despesistas que nos levaram ao descalabro.Esquecendo-se que só á sua conta vão 50 MIlhões!
Ora depois de o ler fica-se com a ideia que o País não precisa de reforma alguma. Isto está tão arruinado que já agora melhor é deixá-lo assim. Muda-se apenas o Terreiro do Paço e fazem-se vários «terreirinhos municipais».
O Senhor tem ambições e a sede de um nome.Esta é, pois, a Reforma- RE.

Não podemos deixar de admirar o Senhor:-entrou de bibe em Ílhavo, e sai de fraque e cavanhaque.
A entrevista, um monte de pensamentos e ideias, erráticos, género eu pergunto e eu respondo (é mais rápido e fica mais barato) parece ter como ideia o fixar uma «Nova Ordem (p&a) para o País».Assim mesmo.Já transmitida (é o que diz) ao Presidente do seu Partido.(Por isso entende-se mal porque é que este convidou o historiador Rui Ramos e lhe encomendou coisa parecida. Se já tinha em casa quem lhe fizesse o trabalho….)

Essa «Nova Ordem» tem como premissa enterrar o «Centralismo do Terreiro do Paço (coisa nova (?) que vem sendo falada há séculos!). Novidade pois, nenhuma…


Mas no seu discurso de frescata bamboleante,primeiro de ambito pátrio,logo depois reduzido ao poder local, espanta é que quem tenha assim, ideias tão «claras e brilhantes», como o «bota abaixo do centralismo» inibidor, gastador e afastado, é quem venha propor o «Centralismo Local»: – intenção final de toda a encomendada entrevista!
 E o que nos propõe  RE ? ;nem mais nem menos do que a definição de uma «nova estrutura Municipal».

E antes que se não faça entender ao que vem, logo oferece uma «fusão» dos Municípios de Aveiro, Ilhavo e Vagos.

 
Não deixa de ser curioso….

 

Aqui há dois ou três anos, RE descobriu nas páginas de um livro proibido - afinal anda por aí, cuidado! … -que  na história de Ílhavo terá havido um hiato de tempo em que o Concelho esteve fundido, anexado, a Aveiro. Desanexado ao fim de três anos.

E zás … Mesmo que tenha descoberto o facto, 110 anos depois da «libertação», dá de fazer dessa data da independência,qual grito do Ipiranga,ou passagem do rubicão , calendário Municipal. Todos os anos vem comemorando o acto libertador. Fê-lo ainda há dias…Evocação tipo «5 de Outubro» de antanho, com pompa e circunstância. E claro, inflamado discurso.

Ora  a ideia é tão estapafúrdia- inconsistente e vaga - que qualquer ceguinho «vê» o que pretende RE com a farfúncia: - nos Clubes de futebol, um candidato quando se oferece para lhe presidir aos destinos, acena aos votantes (associados) com pipas de massa, ronaldos, e até, mourinhos. RE enredado numa teia de fraseado retórico imita os charlatães (enquanto esquece Focião)….e oferece numa bandeja, aos cagaréus, o Concelho destes cordatos e amansados «ílhavos».

E julgam Vossências que alguém contestaria o «dono»? Aposto…

«Isto» desceu a ponto tal, que já não andamos de pé. Mas de gatinhas…

Estranho mundo este. Estou cada vez dele mais enojado.

 
Aladino

Ps:nestepaís, já Ramalho&Eça o referiam, há reformativos,reformatotes,reformarengos,reformatóides,reformáfobos,reformingas,reformónimos reformalhos e agora os reformagros.

Que pena o tempo desandar e não aparecer nenhum reformador.






Até aqui, tudo bem... 


domingo, fevereiro 20, 2011



   « FAINA-MAIOR»


No magnífico auditório do MMI- sala reservada para apresentação de grandes escritos - foi apresentada uma reedição do álbum «Faina Maior», há muito esgotado e que se impunha recolocar no centro das atenções, cuja autoria pertence ao saudoso «Chico» Marques, assessorado pela sempre interessada (e sabedora destas intimidades marujas), Ana Maria Lopes. À pena fluida do «Chico» que posteriormente teria tempo para se experimentar em outros escritos, revelando uma capacidade descritiva muito apreciável no jeito com que capta o leitor e lhe transmite imagens gravadas e tratadas(reflectidas), que se deixa rapidamente envolver pela paisagem agreste dos mares danados onde se cata (va) o fiel amigo, junta-se a conhecida segurança técnica ( cuidado no pormenor)especialmente a especial atenção e relevo que sabe dar à imagem, característica que acabaria por demonstrar sobejamente, no seu livro posteriormente editado, «Moliceiros» -Memória da Ria.

Entendamo-nos. É claro que o álbum «Faina Maior»   é  leve; é um memorial descritivo, espécie de diário prolixo de bordo, que «não pretende, nem quer» ir mais além, do que a focalização dos aspectos técnicos inerentes a     uma  recriada viagem, barra a barra,  a bordo de um lugre bacalhoeiro dos   anos 30. Onde é certo por vezes sobressair uma ou outra pincelada de vivência quotidiana abordo;- suavizada, demasiado, talvez!..


Nos anos trinta, aqui, em Portugal, ainda se teimava -e uns poucos faziam por acreditar - que a anquilosada pesca à linha, tinha ainda futuro…

Iam passados  cinco séculos desde que homens rudes, mas irredutíveis, vinham pescando o bacalhau nas águas frias da Terra-Nova,Apaixonante aventura,em que desde os primeiros momentos estivemos presentes. Gentes de laguna de Aveiro (acompanhados  de gentes,de Viana e açoriana) foram os primeiros a romper o medo com tão longo afastamento em águas tão beligerantes e impiedosas.

A pesca iniciada dentro de barricas, fixadas a cada bordo do navio,foi sofrendo evoluções.Em 1875, o pescador saltou, linha na mão para dentro do dóri, em cada dia,da alba ao crepúsculo, a defrontar as névoas cerradas e gélidas, suportando no corpo e na alma dorida, as intempéries que uma natureza desapiedada fazia gala em oferecer.

Em 1628, já nos tinha sido impedida a nossa presença. Faina apenas reduzida a franceses e ingleses (mais na guerra dos impostos que na vontade de pesca), em guerras intermináveis «dos bacalhaus». Nesse ano, só de S.Malô armariam 112 embarcações.



Os portugueses, longos séculos afastados, só regressariam à Terra-Nova em 1836. (?),enviando três hiates, entre os quais o Patacho Neptuno com o nosso Cap.Pena (o primeiro capitão português da era segunda,da pesca do bacalhau), apoiados pelos grandes capitalistas judeus que investiram na Companhia Lisbonense de Pescas. Em 1848 enviávamos, já, 19 veleiros.E em  1907, juntamente com 235 três mastros franceses, povoávamos, já então, os bancos da Terra- Nova.

No referido ano dar-se-ia a aparição do primeiro «chalutier» francês. Os resultados tardaram pouco a ser universalmente assumidos, alterando profundamente os hábitos de pesca, tornando-a menos pesada. E muito menos perigoso o desempenho das tripulações. A França (e outros) investem neste tipo de pesca, convictos dos resultados. Daquele país ,em 1939, já não largam mais do que onze veleiros para a pesca à linha, que os franceses apelidaram «Le Grand Mètier». Entretanto ,de 1924 a 1939, os franceses passariam de 28 a 40 arrastões (dobrando a capacidade de carga).

Por cá, indiferentes ao que a experiência recomendava, continuou-se a exaltar como verdadeiro fim patriótico de unidade em torno de um desígnio nacional, a faina maior, investindo na construção de lugres: em 1910 tínhamos 28 lugres, em 1917 eram já 40 embarcações, (….) até que em 1969, dos 65 navios envolvidos na pesca do fiel amigo, trinta utilizavam, ainda, o anacrónico sistema de pesca à linha.

Em todas as circunstâncias, a grande saga dos «terra-novas», merece ser tratada na sua integralidade. O que convenhamos, entre nós, se não fez. Certo é que o livro «Faina Maior», editado logo após a exposição -com o mesmo nome - levada a cabo no Museu em 1996, e cujos responsáveis maiores foram precisamente os autores acima referidos, teve o (grande) mérito de desafiar a que, sobre o assunto, outros intervenientes prestassem o seu testemunho. Há coisas boas já publicadas, no seguimento desse desafio. Excelentes mesmo. Mas falta, em nossa opinião, o livro impossível de nascer aqui, na nossa terra, onde temos uma visão parcial, muito própria e particular, do que foi essa saga.Temos uma leitura bem diferente,é tudo.

O livro aí está de novo a refrescar a memória. E a cumprir a sua missão. Estão todos de parabéns.

SF



PS- Se os leitores quiserem mesmo ter uma noção do que foi a «Faina Maior», vista de outro ângulo, por aqueles que mais a sentiram na pele, colhendo o desamor e a amargura dos dias sem fim, e onde apesar de tudo se encontram retratos humanos de uma grandeza patética a duvidar da razão de uma actividade que lhes devorava, a alma e o corpo, sugiro, depois da leitura do nosso «Faina Maior» (obrigatória), a leitura do «Mer Misère» de Jean Michèl Barrault. Um dos livros mais bonitos – mesmo que amargo, dramático, -que me foi dado ler. Simplesmente notável. Fazendo jus aos inúmeros prémios que lhe foram consagrados








SF
























  VIDA CUMPRIDA:... Ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, desenvolvi,a convite honroso, a palestra: “ As Artes da pesca no Norte ...