sábado, fevereiro 13, 2010


Matar a Democracia…parece ser« interesse público»

Reina a mais absoluta e desbragada..e intolerável, leveza do ser ,em Portugal.
Já ninguém tem vergonha. Já ninguém acredita em ninguém. Já todos perceberam que transformámos – ou deixámos transformar este País -no maior pardieiro, onde nem eu nem Tu ,temos o direito de dar um traque …Porque o dito..silencioso ou espatafurdiamente sonoro, ressonante e requebrado,flauteado, virá amanhã esparrachado no Orgão de Comunicação Social libertário(ou libertino?!),próximo.

Hoje é o dia dos namorados. Na comunicação social -não sei se repararam?! – apregoam-se mezinhas para tratar uma pandemia que parece grassar no País: - a disfunção eréctil…
Não sabia -felizmente! - que este surto pandémico grassava por aí com tal intensidade. Embora desconfiasse…pelas consequências.
É verdade.
Isto é já um País de sujeição à gravidade. Incapaz de se levantar. Perdido no diz-se. E alegremente sorridente na inconsciência com que vai para o cadafalso.
Recebo diariamente de (amigos)radicais, informação sobre textos «reaccionários».(sim porque o radicalismo é sempre reaccionário!) .Enviam coisas de que lêem ,e com que se masturbam.
Eles que me desculpem. Eu não transcrevo. Tento reflectir. Penso por mim ,não preciso que outros me indiquem o caminho.
Muitos desses já nem se lembram da PIDE:-entrávamos no «Trianon» e até sabíamos a mesa onde estavam os esbirros. Íamos ver a televisão ao «Santos», e logo que descortinávamos os «informadores» fascistas frequentadores do «Café Berlin».Tomávamos cuidado. Eu não. Afrontava-os. E cheguei mesmo a ir á cara de um deles, o cap Barreto, figura patética, embirrenta, lembrando as SS, que se deve ter mijado quando o afocinhei nos bolos do «Manuel Cova».
Ridículo foi o que aconteceu, muito mais tarde. Patético.Já aqui contei.Volto a...
Connosco ,semanalmente, confraternizava um «verdadeiro»revolucionário».No processo da PIDE recuperado pós Abril, boquiabertos(eu e família) demos com o nome do informador que era recebido, e recebia, os cabecilhas do reviralho distrital. O agente da Pide, o «Tavares Pinto».
Constatei no meu processo (recuperado) que afinal o tipo até me tinha em alta consideração!!!. Não só considerava e fazia anotar, eu ser um elemento «altamente» perigoso para o regime, como elogiava a biblioteca que dizia eu ter(Marx,Fidel,Rosa Luxemburgo,Engels etc etc), porque até era verdade, eu lhe emprestar uns livros, que em determinada altura tive de esconder em casa do meu sogro (do que ele deu conta aos patrões).Coitado: era um pobre diabo…
Vem isto a propósito desta nova PIDE instalada no País.
Agora,nem eu nem Tu,reconhecemos, ou desconfiamos do PIDE boçal .Agora és escutado por «uma PIDE» que tudo sabe. E que nem te leva para o calabouço. Não!...abatem-Te na praça publica sem direito -ou presunção – de defesa. A tortura física é muito mais suave. Esta agora mata, porque é indigna.
O País é um lameiro de corporações. Ora a corporação jornalística é das mais reles. Sei-o de fonte sabida. Quando foi preciso «vender», comprei muitas vezes o espaço. Esmolas. O que será,hoje, com os interesses na grande comunicação Social.
O País hoje rende-se a uma «desbocada» Manela & Marido. Que entrouxaram milhões de euros, e se estão a rir dos peralvilhos, preocupados com a perda da dedirrósea aurora da liberdade . O arrastado Crespo, segurou o programa onde defeca lugares comuns, apregoando …o que ..outro…ouviu. E um Saraiva putrido, que se vende aos interesses da família Santos, como se venderia aos interesses de Bin-Laden para fugir ao falido projecto «Sol» ,brinca com uma justiça em nome da «Liberdade».«Liberdade?...» afinal o que és tu...apetece perguntar chegados,aqui,ao fim da linha.
Dizem que o interesse publico, é quem mais ordena!!!
Pois : até em nome desse interesse se pode matar. O quê
?
A DEMOCRACIA…
Aladino

domingo, janeiro 31, 2010

Evocando o 31 de Janeiro de 1891

Criado num ambiente de republicanismo assumido, orientado para o reconhecimento das virtualidades exaltadas e gloriosas deste sistema que prometia trazer com ele, se revivificada a sua pureza, a possibilidade de ser a fonte de onde brotaria a força capaz de derrubar o abastardamento que dele fez o regime corporativo,ditatorial, de Salazar.Cedo me vi protagonista de intervenções públicas em vários 31 de Janeiro (e 5 de Outubro). Eram apenas e só estas ,as comemorações mais ou menos consentidas (e toleradas) por Salazar. Serviam para dum modo (também ele) mais ou menos público (?), à sombra de se falar um pouco dos ideais republicanos -que começaram na revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891 e que depois se concretizariam em 5 de Outubro de 1910 com o definitivo advento da sua definitiva implantação em Portugal - se aproveitar para dizer cobras e lagartos do bafio salazarento .E até ,quando as coisas aqueciam e se gritava: Abaixo Salazar ! Viva a Republica!, Viva Portugal!!!..... e em uníssono se entoava a Portuguesa."heróis do mar, nobre povo"… etc…etc,fazer passar uma onda entusiasmante, prometedora de acção próxima..
Hoje, ao remexer nos papéis, encontrei o manuscrito de uma intervenção, minha, numa dessas comemorações, levada a cabo no Teatro Aveirense, em fins de sessenta..

Manuscrito ( 1ª pag).


Reli-o.Começo exactamente, então, no mesmo, por referir desde logo que o 31 de Janeiro não foi uma revolução triunfante. E não o foi,não porque o sentir indelével de todo um povo o não desejasse,perante uma Pátria hipotecada aos interesses estrangeiros. O 31 de Janeiro falhou - adiantava eu -pela impreparação revolucionário do povo.
Hoje se tivesse de participar uma vez mais em outro qualquer comício das comemorações dessa, tão gloriosa como dolorosa data, diria exactamente o mesmo.

De facto a revolta do Porto teve o seu quê de extemporâneo. Era certo que havia dissidências entre os republicanos do Porto e de Lisboa sobre o modo, de como e quando, fazer eclodir a revolta no sentido de apear a Monarquia de D.Carlos.Que estava podre, caduca e corrupta. À espera de um empurrão para cair.Era contudo preciso dar tempo para «os colocar de acordo», dada o tumulto provocado pela questão do ultimato inglês,ainda não digerido.

Três semanas antes da «revolta», os elementos mais moderados tinham conseguido exactamente chegar a tal situação. Mas um acontecimento fortuito relacionado com a oposição dos sargentos à Lei que impunha que os lugares de Alferes fossem exclusivamente ocupados por alunos da Escola do Exército, fez grassar uma forte indignação nos Sargentos, contra a mesma, levando à organização de um levantamento nos quatéis, decidido à revelia do directório do Partido. Durante a revolta os oficiais das unidades do Porto mantiveram-se alheios ao «golpe».

Mas o Povo, esse, esteve ao lado dos revoltosos, vitoriando-os entusiasticamente, servindo-lhes aguardente e pão quente, depois de uma noite fria e chuvosa, suportada fora dos quartéis.. E das janelas da Câmara do Porto, pôde Alves da Veiga proclamari pela primeira vez em Portugal -ainda que por escassas horas- a Republica.E até anunciar o nome dos elementos que iriam constituir o primeiro Governo Provisório.




A 1ª Proclamação da Republica (Porto)

Revoltosos e o Povo dirigiram-se então para a Praça da Batalha. Das janelas, senhoras de braços pousados nas colgaduras com que repentinamente se apressaram a enfeitar as janelas debruçadas sobre a rua íngreme, gritavam entusiasmadas, acenando freneticamente aos bravos do batalhão. A marcha parecia triunfal. Só que quando subia a rua de Stº.António, postada lá no cimo, a Guarda Municipal -provando que as autoridades civis e militares do Porto estavam perfeitamente ao corrente do plano - equipada com recente armamento de grande eficácia, entrincheirada nas escadas da igreja, fez inesperadamente fogo apontando ao peito dos revoltosos. A rua ficou num ápice, juncada de cadáveres.


A carga da G.M.


A marcha retrocedeu. Povo e soldados, atropelando-se, fugiram espavoridos. Aí o Cap. Leite e o Alferes Malheiro resistiram heroicamente, tentando reagrupar os seus soldados, ao tempo que interpelavam os oficiais da Guarda Municipal de quem não se esperava tamanho, e tão feroz, procedimento. Retrocedendo até ao largo Municipal, apesar dos esforços dos referidos heróis revolucionários, não houve outra atitude senão a rendição.

O Porto «o berço da liberdade», «a cidade Invicta», honraria assim, uma vez mais, o seu historial. Já tinha sido ali, naquela cidade, que eclodira a primeira revolta liberal. Aconteceu em 1820,com a ajuda do batalhão de Aveiro. E nela se gritou,então, «às Cortes».

Também em 31 de Janeiro de 1891 se gritaram vivas à Liberdade, à Revolução e à Republica.



Conselho de guerra a bordo do »Afonso de Albuquerque«

Senos da Fonseca

PS –Não era fácil nesses anos de sessenta, subir ao palco e invectivar o regime. Conduzido pela mão de minha Mãe, desde miúdo que me habituei a essas refregas.

Era um risco;confesso porém que pouco ligava a isso.E até tenho um episódio curioso que não resisto a contar.

Recordo-me de um dia após uma dessas intervenções, trabalhava eu na então Companhia Portuguesa de Celulose, do espanto dos meus colegas mais velhos à minha participação num Comício ,onde atirei forte e feio no regime Salazarista, o que veio noticiado nos jornais da época. Avisaram-me que estava a pôr em causa a estabilidade do meu lugar. Curiosamente, para espanto ,o eng. Quevedo(adm todo poderoso) da CPC, passado pouco tempo promoveu-me com rapidez nunca vista naquela casa.E mais. Louvou-me pelo trabalho desenvolvido.

E pouco tempo depois era eu que me despedia (com amizade de todos) por entender que não tinha feitio para chegar a general só depois de velho.Apesar de… todos os esforços do Quevedo para que eu ficasse.

Mas as coisas nem sempre eram assim...
SF

sábado, janeiro 30, 2010


Super Nacionalismos

Existe um sério problema ao qual me parece se estar a dar pouca importância.
Não é só cá pelos nossos lados. Também lá fora, ainda não se ensaiam opiniões (muito) concludentes de modo a fazer ressaltar a impossibilidade de reabsorver o desemprego generalizado, por meios reais. Isto é através de um aumento do crescimento.
Ora nós pensamos que há aqui uma questão incontornável: as super produções conseguidas nos domínios dos produtos que alimentaram o consumismo, baseadas numa estratégia creditícia de contornos perturbadores, dificilmente poderão continuar a crescer, mesmo que o boot de vendas fictícias ainda se mantenha. Primeiro porque os mercados no mundo ocidental estão saturados, e cheios de lixo consumista. Segundo porque a bolha voltaria e com mais força.
A realidade é outra bem diferente; os mercados em crescimento vertiginoso obrigaram a deslocalizações da produção dos bens a produzir para zonas geográficas mais perto dos mesmos. Lógico. E, claro por razões de exploração de mão-de-obra local. Para que eles comprem tem de se lhe meter uns míseros tostões no bolso.
Para voltarmos a taxas de pleno emprego precisaríamos que a Europa rondasse taxas de crescimento muito perto de 5/6%.Ora isso, no futuro, nunca será possível no velho continente. Nem sequer na Alemanha, isso, será viável.
O que vai suceder é, apenas e só, um atenuar do descalabro dos últimos dois anos. Mas por intervenções governamentais sobre a economia, não porque esta o possa conseguir sozinha. Mas estas intervenções esgotar-se-ão rapidamente porque os grandes grupos já andará por outros lados. E a Europa com as portas escancaradas não poderá fazer muito mais para evitar que a satisfação das necessidades do seu mercado, em grande parte, possa ser feita por agentes externos.
O grande projecto pós moderno de um império Europeu construído voluntariamente, esfumar-se-á. À tentativa de atenuar os nacionalismos no seu interior, responderão outras potências com um exacerbar nacionalista.
A Rússia, de mãos livres, senhora de uma capacidade energética brutal, terá a tentação de fazer pagar a afronta do fim da guerra fria. E lá longe a China acumulará riqueza de um modo brutal, que a levará finalmente a concretizar o seu lema: país rico precisa de forças armadas poderosas. Os tempos da sua humilhação de há, ainda apenas sessenta anos, encontrarão finalmente o momento de vingança. Em tão curto espaço de tempo a memória é,ainda, fresca. O super nacionalismo mostrar-se-á em toda a sua, dimensão e força, a exigir vassalagem.
Os super nacionalismos estão aí a chegar. Cuidem-se.
Aladino

terça-feira, janeiro 26, 2010


OGE -2010

Já aqui o referimos, anteriormente, dando conta que nunca terá sido tão pacifico e tão facto previsível, o resultado da aprovação do O.G.E. para 2010.A direita viabilizá-lo-ia ,desde que recebidos uns trocos de modo a aparecer à opinião pública(ao povo) com uma fortaleza que putativamente teria sido suficiente para exigir «coisa» palpável, em troca.Nada disso aconteceu. Ora a verdade é que já se percebeu que aquilo foi um fazer de conta. Ao fim PSD/CDS levaram apenas uns trocos e já não foi nada mau. Claro é que, Orçamento aprovado, serão os primeiros ratos a abandonar o barco,antes que cheguem as manifes, esperadas e já anunciadas.A força está na rua ,sorri o PC.
A Esquerda portou-se como esperado. Mas até o BE ruminou, no fim, um hipotético compromisso ,não fora, dizem, a velha questão das mais valias de curto prazo(especulativas).
Eles sabem perfeitamente que esse é, também, um objectivo do Governo. É até pela mera questão de que tem de ser. Já ninguém contesta(senão os próprios que usufruem os chorudos lucros) que num curto espaço de tempo a taxação das mesmas não seja uma decisão pacifica na EU.Mas de imediato ,quer-me parecer que seria perigoso introduzi-la.Neste momento em que o fundamental é resolver a crise do emprego.
Quer-me parecer que se fosse em ultima análise, necessário ,até o BE se absteria. Assim o CDS e o PSD ,resolveram o problema ao B.E, certamente em troca de algo.
Veremos quando e como se voltarão a formar as coligações negativas.


PAPANDREOU sem papas na língua


Hoje é um dia memorável para a história. Estou certo.O Primeiro Ministro Grego disse nos areópagos que a dèbacle da Grécia se ficou a dever á super concentração do dinheiro especulativo e ao poder da Comunicação Social, em meia dúzia de mãos. E ás ligações mafiosas entre estes potentados.
Um País julga que tem um Governo que manda. Pura ilusão : manda mais uma «Moura Guedes» comprada por um grupelho especulativo que um Governo. E até se sente no direito de impor a sua presença a um outro grupo especulativo. A luta é entre grupos ,e a desbocada MG é um instrumento, apenas e só.Qual liberdade de imprensa qual carapuça.A MMG alutar pela liberdade da dita era o mesmo que a madame Vitória «a Bexigosa» a defender a virgindade das suas meninas.
Ora em boa verdade Vos digo: sob uma pressão especulativa um País como Portugal estará indefeso. E essa altura está bem mais próxima de acontecer do que aquilo que se pensa. Não há , em minha opinião, reformismo que se atreva a mudar as coisas. A mudança só se fará por via revolucionária , a doer. Não tenho duvidas. E enquanto isso não sucede faz-se de conta.
Mas onde é que já há revolucionários?
O sistema está errado. Todos quantos se dedicam a pensar nisso concluem o mesmo. Os nossos putativos economistas – que foram, ano após ano , refucilando na gamela- dizem barbaridades que envergonham os garotelhos de rua. Hoje ouvia-se um ex-ministro a dizer,alarve!, que a solução era despedir trabalhadores da função publico ,por mútuo acordo.
E não há ninguém que mande calar um «marmelo» destes?
Aladino

sexta-feira, janeiro 22, 2010

DOBRADO O «CABO DOS SETENTA»

E o que fazer agora dobrado o Cabo dos setenta?
Olhar com olhos tristes os poucos e esganados horizontes,
E ficar por aqui a mendigar emoções novas
Quando o suão que traz na mão a foice
Espreita escarrapachado no varandim o momento em que me distraia?

Que hei-de dar à vida ,senão uma enorme vaia,
À magana que não poucas vezes, em vez de amor, só me deu coice;
E que em vez de alento só soube colocar á prova
O sôfrego que a quis beber em taça de ouro, num só momento,
Todas as delícias prometidas:- o céu ,o azul, a loucura vã de quem a inventa (?)

Revejo-me nessa já longa história, inconsequente.
Onde ontem esperei, hoje já não espero, nem sequer tento,
Deixo-me conduzir não por aquilo que queria ver, mas que vi
E sem nada esperar, contudo, não me renego. A vida foi-se,
Eu sigo coração apaixonado sem saudade de voltar àquela «praia».

SF 22.01.2010

quarta-feira, janeiro 13, 2010

«A História das Embarcações Lagunares»

E assim se vão desenvolvendo(e cumprindo) as etapas. E estarei em breve em trabalho de parto, com todos os incómodos que tal situação acarreta.
Há pouco, há cinco minutos, chegou-me impresso o nº1 do livro «História das Embarcações Lagunares».


História Embarcações Lagunares

O «puto» tem raça e corpo.É a primeira avaliação que faço do figurino..
Agora começa uma tarefa desgastante. Ver, aumentar ,cortar ,corrigir, planificar, tratar roda-pés etc. etc. Gosto que as coisas que me saiem da mão sigam praticamente prontas para a gráfica. Lá limitam-se a dar-lhe um toque de disposição da ilustração, personalizado.

E assim se encerra mais um capitulo, que levou um par de anos a construir.


Sei bem o objectivo que pretendo atingir. Terá de ser o mais completo manual sobre a arte naval Lagunar, visa esclarecer -e desmistificar - muitos enganos e confusões. Para isso houve que ir ao fundo da questão. Por outro lado, tendo o livro, um anexo em DVD, com imagens tridimensionais que permitem uma definição absoluta de planos geométricos, para fins museológicos, dos planos de construção das mesmas ,há que perceber e definir como isso irá complementar a parte escrita.

Fico mais descansado. Suceda o que suceder, os que trabalham comigo sabem o que quero e como quero. Comigo ou sem mim, este livro verá o dia.


O ano de 2009 teve outros compromissos que obstaram a que o trabalho estivesse, nesta altura, totalmente concluído. Conto ficar mais liberto para intensificar a ultimação dos últimos pormenores.
E é já nesta altura que germina a ideia do que fazer a seguir. A escolha é difícil. Mas também sei que na altura própria, a ideia vai aparecer.

Ao menos hoje vale a pena comemorar comigo o acontecimento.

Senos da Fonseca

terça-feira, janeiro 12, 2010


Bácoros…

Quando um bácoro deixa a gamela ,grunhe.
Esta figura de João Salgueiro ,lembra-me a imagem anterior. Só deu por falta da teta, depois que lha tirarem. Até lá, mamou como os restantes. Caladinho e de barriguinha farta. Tiram-lha e dá de refucilar contra tudo e contra todos.
Outro economista de pacotilha. Já lá esteve. Lembram-se?
Ai não? Eu também quase me esquecia.
É tão fácil dizer o que não deve ser feito.
E fazer?

Achadores de coisas …já descobertas…

Estes novos«Cabrais»(achadores do já descoberto) falam do que acharam, e nunca do que sonharam.
Há duas maneiras -penso eu de que- para resolver a situação :
1) Fazer uma revolução total, partindo a loiça toda. Mudar o sistema.Só que as revoluções já não são como o 25 de Abril, a brincar. Hoje:- ou muda tudo ou fica,ou volta! tudo à mesma.
2) Ou outra maneira: colocar pensos rápidos nas feridas que vão aparecendo.
Ora parecendo-me que revolucionários de boa intenção já se esgotaram -será que alguma vez os houve(?!) como eu acreditei - tenho medo de ter caído na fase descrente em que já não se sonha. Remedeia-se.

ARAUTOS DA DESGRAÇA….

Bramem ( e prenunciam), uns, o espectro da Grécia. Tolinhos!
E então ?,
à nossa frente estão a Itália, a Espanha, o Reino Unido ,a Irlanda(-sim ! essa mesmo, o exemplo evocado ainda não há três anos como paradigma a seguir) que estão mais próximos da insolvência (técnica) que Portugal. E olhem : os EUA. Sim eles também . Porque em boa verdade aposto que é por aqui que a porca vai torcer o rabo. Os economistas não sabendo configurar o futuro, analisam o passado.
E não percebendo que ontem não foi exactamente o que será amanhã, falam. Mas nem eles se entendem.
Em boa verdade Vos digo : é mais fácil um elefante passar pelo beco do lá vem um ,do que dois economistas somarem dois mais dois para concluírem: - que é verdade e estão de acordo,são quatro.
PALPITE
Ou me engano muito, ou nem o Sócrates tinha imaginado que isto assim era tão fácil.
Só falta o tipo do jardim florido, lá «ilhéu», estender-lhe a passadeira.
A propósito: quando é que soltam as amarras e o deixam a boiar?
Já lá dizia o nosso arrais Thomé Ronca: um barco é feito de tábuas ;as tábuas aboiam. Logo um barco nunca vai ao fundo, seus merdosos !

Aladino

domingo, janeiro 10, 2010

Cristo (II)

No decurso da educação católica em que familiarmente me vi inserido com particular intensidade, fui ao longo do tempo tentando perceber, ou recolhendo informação, sobre as coisas (certezas) de que ouvi falar, que sempre me pareceram inconsistentes, porque cheia de contradições. Acreditar, parecia-me fruto de educação,de tradição familiar, mas nada mais…
Ora de entre os mistérios teológicos, aquele que me poderia abrir a porta para consolidar a crença, era, sem dúvida, a questão da Ressurreição. Pois foi precisamente ao contrário. Concretizemos...
Nada melhor que colocar as descrições, os relatos pormenorizados, concretos e sólidos (?) que para um facto de tal importância, sucedido e conhecido que importava relatar com todo o rigor, deveriam estar longe de contradições de modo a merecer crédito indiscutível.
Alinhem-se os relatos dos neo-testamentários e eles não resistem a uma rápida análise de um qualquer profano. Não é preciso ser-se especialista. Basta deduzir.
E o que encontro neles?
Pregado – e em consequência tendo expirado -na cruz, o que foi feito ao corpo de Cristo?
Parece neste ponto haver uma certa identidade nos neo-testamentários. De facto entre Mateus e Marcos há concordância de que o corpo terá sido entregue a um tal José de Arimateia (apenas a diferença existe na qualidade deste José). Lucas também não difere na referência á entrega do corpo por Pilatos.
Mas João o místico, o« Ancião» grego, inspirado em João o «discípulo», relata as coisas de um modo bem diferente. Não só refere dois anjos, como lhes põe na boca palavras que nos outros não são referidas.
Vejamos: em Lucas as mulheres vão intencionadas a ungir o corpo, e sem que haja abalo terreno, encontram a pedra da sepultura já aberta. Nela está um jovem à direita. Não há guardas.Em Lucas as mulheres vão para ungir, mas não é referido abalo de terra, nem guardas.
Relata,sim, o aparecimento de dois homens que dão o anúncio do local aonde se devem dirigir (em sitio bem diferente do referido nos outros textos).
Ora em Mateus refere-se o abalo e desce do céu um anjo que remove a pedra e que nela se senta.
Mas, voltando a João, este só refere uma mulher, a Maria Madalena que não vê ninguém no sepulcro. E que chama, de pronto, os discípulos para testemunhar.
Que grande confusão, no mínimo, em matéria tão fundamental, central, para que se acreditasse na divindade de Cristo. Inspirados por uma Divindade, estes textos não poderiam ter contradições tão flagrantes
Então, parece, que isto atesta a realidade dos escritos e autores: Marcos (traduzido por Pedro) afasta a mística; Mateus apesar de inspirado em Marcos mostra a tendência em colar a Cristo a mítica pagã, oriental (abalos, seres celestiais vindos do céu etc.). Lucas manteve-se fiel a Marcos, e nele se inspirou, pois nunca teria tido qualquer contacto com os acontecimentos. E, em vez de um, põe dois homens para, certamente dar maior credibilidade aos factos. E até introduz no caso o apóstolo Pedro, homem de credibilidade na comunidade Judaico-cristã.
E João?
O mais místico transforma os homens (dois) em anjos, só refere uma mulher, e não anuncia o aparecimento de Jesus em lado nenhum: fá-lo aparecer logo ali. Põe o João (Sacerdote a entrar primeiro que Pedro no tumulo, embora reserve para si a primazia de ter sido o primeiro a ver o sudário. Viu e acreditou.

Fiquemos hoje por aqui…
Aladino

quinta-feira, janeiro 07, 2010


Porque é que « isto» não muda?

Não deixa de ser singular este País, onde mais de 83% dos Professores teve avaliação de «Bom».
Todos percebem, mesmo os ceguinhos, o que isto quer dizer. Que a avaliação, tal como existe, é, pura e simplesmente um cozinhado entre pares, uma trama cooperativa que se auto classifica :-são todos «bons». Não há que distinguir. Há que os atar em molhada.
Todo o encarregado de educação percebe que há professores muito bons e bons; mas há também -e são muitos - os assim –assim. E os maus. Alguns indignos de continuar no Ensino.
Singular País este em que mais de noventa e tal por cento dos Senhores Juízes são classificados de bom para cima. Salvo um ou outro caso comportamental, quase impensável, leva um Juiz a ser classificado abaixo daquela fasquia. Então todos chegam ao topo. E para que isso suceda no final de carreira, é vê-los numa roda-viva, a ocuparem por pouco tempo as cadeiras.Só o tempo suficiente para as aquecer, e logo se levantarem, «meterem o papelinho», e dar lugar ao próximo que repete o gesto,and so.... Todos chegam a «almirantes». Ora nós estamos fartos de perceber que há muitos ,muito bons; outros bons.Mas outros execráveis. A desempenhar na área mais sensível da democracia: a justiça. Aqui só os muito bons deveriam ter lugar
Numa guerra não se entrega uma exército a uma general assim- assim, mas a um general de elite. Para batalhas pontuais servem os «generais» de segunda. Ora no caso de Juízes não se entregam grandes casos a Juízes medíocres (ou assim-assim).Por isso o sistema deveria permitir adequar o julgador á complexidade do processo.

«Almirante e Generais», mesmo que não haja navios nem canhões para brincar, têm a vida facilitada.Muitos deles – a maioria! - ocupam cargos burocráticos, sucessiva e paulatinamente, onde perfazem ,ancorados, as horas de embarque. E colecionam umas medalhitas para colocar ao peito em dia de festa, porque o que importa é, aguentarem-se vivos. A suceder, lá chegarão -bons e maus, ao topo.Para gáudio dos netos, ufanos de terem um avô Almirante(ou General).Com o que querem dizer,imaginarem-se descendentes de um Nelson, ou mais prosaicamente, de um Vasco da Gama ou Colombo, na arte marinheira.Ou um Bonaparte ou Wellington, ou um dos Magnos, na outra arte da guerra.Cavaleira, agora sem montada. Ou sendo a montada o Zé do Bordalo.
Poderíamos ir por aí adiante. Todos os desempenhos comprometidos com o Estado vivem de auto-defesa cooperativa. Vidè mesmo o caso espantoso dos médicos e do modo como a sua Ordem reage ao comezinho acto de pocriar novos médicos. Com a ideia peregrina de que o Estado tem a obrigação de empregar todos «os doutores» que saiem das Universidades. Porque terá o Estado obrigação de absorver todos( como os srs. professores), e não apenas os melhores para as necessidades detectadas?

Um individuo lá por frequentar a Universidade tem o direito de ser isto ou aquilo(doutor ,engenheiro, profe etc. etc.) ou apenas o direito de provar que o quer ser, sujeitando-se a escrutínio?
Hoje um tipo coça-se nos bancos da universidade. E como não sabe ser mais nada, quer logo de lá sair mestre,antes de ser aprendiz. Mestres de quê? De ignorância.
Recebo diariamente curriculum de dezenas de «mestres» sociais. Experiência profissional? Zero.
Um mestre pedreiro tinha que saber da poda. Um «mestre universitário» tem apenas de apresentar o seu curriculum como manda a UE. De acordo com as normas 9001.Qualidade só se for na fotografia.

Enquanto não tivermos uma sociedade integralmente gestionada pelo mérito, não viveremos nuns sociedade igualitária ( pelo menos)à partida, onde a cada um conforme as suas capacidades. Igualdade de direitos e também de deveres e oportunidades.
Mas não tenhamos ilusões. O recente folhetim da avaliação dos Professores, que se repetirá quando da abordagem dos Juizes, não nos permite, de facto,muitas ilusões. Este País não consegue reformar-se. Isso já vem do Liberalismo, depois com a Republica, depois com o Estado-Novo e, agora com a II Republica. O País não muda. Cria a cada novo impulso de onde parece irá sair um novo desígnio, uma elite que se serve do intuito reformista que rapidamente se esvai. Tudo se reconstrói diferente para que tudo seja igual de novo, esquecendo-se rapidamente do essencial: construir uma nova mentalidade que defina como teremos de vencer o futuro para preservar a nossa identificação como pátria.
Há pouco quem sirva.Mas há muitos -mais do que as mães - a servirem-se,a refucilar no sistema.

Aladino
PS_ Aqui há tempos pediram-me um favor.Ir dar umas aulas(blá... blá...) sobre Motores,a uns cursilhos de carta de navegador.Claro que me disponibilizei ,à borla,como sempre, a ir fazer o dito.Apresentei a documentação curricular,pedida: Curso de engenharia Mecânica,Curso de eng Maqunista;Professor da Faculdade de Engenharia.E mais importante:registo de ser um dos poucos (nem sei se único) egenheiro com projectos de motores ,registados e produzidos em Portugal,aprovadfos em variadissimos Paises da CEE.
Passado tempo disseram-me tudo bem ,mas tem de ir a Aveiro tirar um cursilho de «Formador».
Sim ? O que é preciso para isso ?
Saber ler.....
O bilhar é muito comprido?...foi a minha resposta

terça-feira, janeiro 05, 2010


Às voltas com Cristo

Perceber que Cristo foi um humano, que só as circunstâncias históricas empurraram para uma conotação divina, parece-me evidente. Duvidar da sua existência parece-me errado e falho de lógica. Os Evangelhos escritos uns quarenta anos depois da sua morte, dificilmente, apesar de todas as contradições que espelham, poderiam reinventar uma personagem de tão grande carisma. Nesse tempo, a recolha da tradição oral de factos, levaria a que de pronto, tão perto dos factos, ser denunciada a invencionice.
Historicamente Jesus existiu. Sempre foi isso que quis acreditar. E nada mais conseguiu além disto.
As contradições dos Evangelhos, lidos Mateus, Marcos Lucas e João( o ancião), só ainda muito recentemente começaram a ser objecto de estudo, confrontados os textos. Contando a história de Jesus, actos e palavras, é tão fácil neles encontrarem-se contradições de tal ordem ,que se percebe ,mesmo para um leigo ,que neles houve uma intenção de mitificar a figura de Cristo histórico. Os Evangelhos não escapam a uma comparação com profecias anteriores, onde se mistura o pagão (mítica solar) e o contexto judaico .Culpada a tradição oral pelas discrepâncias encontradas, sempre assim o justificou a Igreja católica.
Podem ler-se estes textos de uma outra maneira. Apreciando a sua beleza, e dar-mo-nos ao trabalho de tentar perceber como em coisas fundamentais ,mesmo no que uns beberam dos outros, houve alterações profundas do relato.
Cristo pareceu apenas vir, em principio, resolver, apenas e só, o problema judaico. Jesus terá nascido 9 a 5 aC e vivido 30 a 40 anos (há estudiosos que vão até aos 45 anos) inserido numa classe média, em permanente contacto com Judeus Fariseus (e talvez Essénios). Jesus terá mudado de atitude com a visita a João Baptista. Este grande pregador, na época exortando o povo judaico ao banho purificador no Jordão, como salvação dos tempos do fim do mundo, foi silenciado .E Jesus foi então tomado por seu discípulo. Depois de preso e executado, João, parece, pois, ter chegado a vez de Jesus lhe tomar o lugar, e levar, «porta a porta», a mensagem.
Jesus nesta nova actividade apareceu então a «fazer curas». Ainda hoje há crença nos curandeiros, que faria naquele tempo.
Jesus, mais iluminista que politico, cedo percebeu que lhe era mais fácil arrastar aquelas gentes pelo convencimento de que tinha chegado o «Messias» há tanto esperado pelo povo judaico. Jesus teria, assim, tentado cativar as massas, utilizando alguns truques para melhor e mais rapidamente fazer ouvir a sua mensagem. Mas não fez partido político, ao que se sabe. E por isso não tentou fazer uma nova «igreja», uma nova religião, mas sim aglutinar os israelitas num novo quadro religioso, uma ekklesia- a assembleia-geral do povo judeu. Ele próprio o disse: «não vim para mudar mas para aperfeiçoar» Mateus. E até se justifica «só vim para tratar das ovelhas perdidas de Israel» (M).
Cristo provavelmente nunca terá pensado que sobre as suas palavras se viria a fundar uma religião que se oporia á sua, o judaísmo. Paulo encarregou-se desse feito, ele que já tinha estado contra Cristo, terá abusado de o citar nas intenções quando divulgou a nova igreja.
Cristo não terá sido um homem submisso? Claro. E ai reside uma das suas virtudes e também a razão porque foi executado. Por ter evocado a sua qualidade «messiânica».
Jesus esteve ao lado dos desfavorecidos, conviveu com os excluídos, e tentou reformar o judaísmo, como foi o caso da «expulsão dos mercadores do templo». Isso me parece inquestionável. Foi um homem contestatário, hoje poderia ser dito das «esquerdas».
Aladino
Ps- Que fique claro. Eu falo no resultado das minhas leituras. Não quero tocar na crendice dos outros. Estas nótulas serão o resultado de conversas entre gente que gosta de pensar por si.(SF)

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Uma leitora agarrou no «Adopção» e recriando as palavras,deu-lhe outro mote
Vinha sem titulo(eu dou-o):

ESTRELA D'ALVA
" sonho louco"
minha noite sem manhã
meu devir absoluto
minha estrela d´alva
conduz-me com teu brilho virginal
ao coração dos homensnesta noite
para que a esperança na fraternidade
seja "tempo intemporal."
MRAM
Gostei.E publico .
Aladino

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Adopção

Nesta noite queria adoptar uma estrela
Para com ela m’ envolver
Em sonho louco
Que de tudo tivesse um pouco.
Fossemos só nós dois, apenas,
Aqui ou noutro lugar, não sei onde, nem como,
Queria uma noite de vida sem amanhecer
Transformada em amor para a todos dar,
Solidariedade bastante para a todos chegar.
Queria usar o seu brilho como condão
Para iluminar os campos das guerras
-De todas as guerras -
Volvendo-os trigais ululantes de espigas prenhes
Para transformar ( armas), em pão.
Fazê-la «rosa de marear»,
Não para procurar outros mundos
Com novas pobrezas para explorar,
Mas caminhos de papoilas marginados
Onde não mais corresse o sangue dos fracos,
Substituído pela água fresca das levadas
Para lavar as feridas dos oprimidos
Em gesto de humilde misericórdia.
Novos «Orientes» imaginados
Em descoberta do «Homem Novo», livre.
Irmão de irmãos sorrindo ao vento
Em tempo intemporal, nunca acabado
Rostos enxutos de lágrimas
Postas a forrar o mundo
De Paz, Fraternidade e Concórdia.

S.F. ( 31 Dezembro 2009)

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Edição Blog 2009
A uma pergunta sobre a não edição do Blog 2010,informei que nem tudo se pode fazer na vida; o ano foi complicado.Acresceu o livro «Costa-Nova»,e não havia tempo ,nem para mim nem para quem me ajuda na tarefa de recolher da web e alinhar graficamente o Blog.
E também é certo que, se pessoalmente eu goste das «Marés» de 2009(conjunto de Blos editados este ano) gostaria de lhes interpor algo de substancial,que,se está esboçado,não está acabado.Assim adiei para 2010 a tarefa.
Mas será só isto que quero fazer em 2010?
Não :
a) Em primeiro lugar quero tratar com a editora da re-edição do «Ensaio Monográfico -Ílhavo séc-x-séc.xx».
b)E conto acabar o novo livro «História das Embarcações Lagunares» e, quem sabe,publicá-lo em Novembro de 2010.
Há que pedalar.Para isso é preciso saúde.Tempo arranja-se...
Há aqui uma nova responsabilidade.Ao princípio procurava leitores.Agora sabendo que os encontrei,tenho de honrar a sua atenção.
Senos Fonseca
Nota imp: Embora não editando o Blog, que proporcionava na época natalicia umas boas centenas de euros á Conferência Vicentina,para s pobres,esta não ficou sem os mesmos.Recebeu de um quinhão da «Costa-Nova»,720€(setecentos e vinte Euros)
Missão cumprida.

terça-feira, dezembro 29, 2009


YES MAN’s bonecreiros

Cartroga ,dizia ontem – e quase que bem - que os partidos da Oposição não tinham a noção da situação do País.Eu acrescentaria : eles não têm a mínima noção da situação que abalou(e abala o mundo).

Lêem os números como se Portugal estivesse isolado do Mundo, e como se a nossa economia possa funcionar independentemente das outras economias ,agora que estamos num bloco que reage do mesmo modo- com as mesmas virtudes mas e também com os mesmos erros - a todos os problemas.
E contudo seria extremamente fácil a esses putativos políticos não exibirem, tanta e tamanha, ignorância. Poderiam, por exemplo, ler a Comunicação Social desses outros países (hoje ainda mais fácil pelo uso da Internet),e reparar que os problemas, aqui, são exactamente os mesmo que lá fora. A culpa não é deste ou daquele Governo,mas do sistema.
Ficamos pois a saber:
…..ou não o fazem porque das novas tecnologias só sabem o que lhes permite ligar a torradeira.
----ou não sabem traduzir ,o que ultrapassariam recorrendo aos serviços de tradução dos Partidos.
-----Ou( e mais certo) são intelectualmente desonestos, mais do que materialmente (esta faceta conhecemo-la bem ) como se apregoa.
Desta falta de conhecimentos (ou tino) poderá resultar para o País uma trágica e irreversível situação. Este parece, assim, estar exposto à mais poderosa onda de irresponsabilidade, que pode virar «tsunami» destruidor das frágeis estruturas sociais que ainda teimam em lutar contra a maré do vale-tudo, partidária.
Quando se vê um pseudo condottieri politico (Pacheco Pereira),ideólogo-mor do maior partido da oposição ,elogiar os grupelhos radicais que advogam ser chegado o momento da luta pela acção (nem que seja à bomba),desiludidos com os traidores revisionistas troktistas ( do B.E),acusados de começar a darem sinais de engorda no refucilar no mundo capitalista onde vão enchendo os bolsos – e matando a alma revolucionária -, então estamos feitos.
(em boa verdade vos digo :dois troktistas formam um partido, três uma internacional socialista e quatro... bem quatro… formam dois verdadeiros partidos revolucionários)

Direitas e esquerda radicais, unidas - O POVO será vencido…
parece ser o novo slogan de uma classe, pobre de espírito e de sabedoria, alapada nas cadeiras do poder ,de onde não quer sair ,seja qual for preço que o País venha a pagar por mais ineptas que sejam as decisões dos yes-man’s bonecreiros, manuseados por uns baronetes partidários de pacotilha.
Sim!...com estes, nós nunca poderemos
Aladino

domingo, dezembro 27, 2009

Morrer velho,novo

Neste tempo natalício, o que me impressiona, é que dá a sensação que perdemos a memória de tudo que de mal nos aconteceu e nos propomos festejar tudo, como se só coisas boas nos tivessem sucedido.
Razão tinha aquela funcionária quando me abordou a perguntar: O Sr. engenheiro também gostaria de morrer velho?
-Sim respondeu mas velho, novo.
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Desbaratar ilusões
À noite, ontem, quando fui com filho e neto ao jantar na Residencial, ao chegar o Miguel disse-me:
-Avô vais jantar na Residencial dos velhinhos? E de imediato acrescenta: - da tua idade, melhor dizendo...
Eh! Mais coisa menos coisa as idades andam perto. Muitos que lá estão, conheci eu pessoas ainda jovens, cheias de vida, esbeltas e até bonitas.
A olhar todos aqueles dramas concluo: ali desbarato as minhas ilusões, se é que as tenho.
É tudo tão a correr …
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Se naquele momento encontrasse «Deus» á esquina era altura de termos uma conversinha ao rasgadinho.

Conto: Há cerca de dois messes apareceu-me um caso que me perturbou. Uma velhinha de 93 anos, já com grandes dificuldades de locomoção, cuidava, ela sozinha, de uma filha de deficiente, acamada desde que nasceu. Um caso que urgia resolver.
Legalmente, porém, só poderiam ser acolhidas: uma na Residencial de Idosos e a outra, a deficiente, no Lar Residencial para esse fim. Não me dei por vencido, e nem baixei os braços. Bati -me por encontrar uma solução que coloquei à apreciação superior da Tutela, que desde logo tinha negado a hipótese. Assim fiz nova proposta. As duas, mãe e filha, partilhariam um quarto que é o último do Lar Residencial e o primeiro do Lar de idosos. A «menina» seria tratada pelo pessoal do L R e a velhinha seria tratada pelos pessoal do L dos I.
Depois de muita luta lá veio a autorização. Fez-se a mudança. A felicidade parecia reinar naquela velhinha que assim se via aliviada de tarefas que aguentou toda uma vida, mas que agora não tinha condições para continuar. E por outro lado saberia que quando desaparecesse a filha estaria amparada para o resto dos seus dias.
Repentinamente ao fim de três dias sobreveio uma pneumonia à «menina». Internada de urgência no H de A, não suportou a doença, e faleceu na semana passada. Recebi a notícia como se me dessem um sopapo.
Mas que «Deus?!» poderia ser assim tão cruel? Não teria bastado a cruz que deu àquela velhinha a vida inteira? Agora finalmente aliviada negou-lhe um mínimo de tempo feliz.
Por isso a minha reacção quando estupefacto me deram a noticia.
Se eu encontrar esse tal «Deus» ali à esquina vou ajustar umas contas com ele…
E é que ia mesmo. O que vale é que anda arredio de mim: ou eu dele.

SF

sábado, dezembro 26, 2009

Fim de ano tempo de balanço.


Foram muitos, os momentos de preocupação com a enormidade de afazeres que a actividade do CASCI despejou sobre mim.
Valeu-me, como sempre, um hábito que faz parte integrante da minha maneira de enfrentar os desafios -e este foi,sem duvida, um dos maiores: primeiro há que perceber exacta e exaustivamente,e em todas as vertentes o problema.Horas ,dias,noites em que a «coisa» nos não sai da cabeça. E, depois de recolher toda a informação, depois de observar a questão por todos os ângulos, interiorizado o que havia a fazer,determinado a ir em frente foi tempo de definir timmings, ensinar as pessoas a compartilhar responsabilidades, atacar as Tutelas no sentido de resolver os gravíssimos casos pendentes, reestruturar toda a Instituição. Fixando novos objectivos e explicando-os em pormenor para que todos partilhem na solução. Depois, acompanhar de perto cada passo dado para,se necessário corrigir algo que na prática se verifique não ser o melhor caminho.
Com uma precisão cronométrica cumprimos na totalidade, e dentro do previsto, o que nos propúnhamos fazer. E agora será a próxima AG a resolver em definitivo a última questão ainda em aberto: a aprovação da nova estrutura Directiva.
Foi preciso trabalhar muito. O CASCI é de um grandeza desconcertante e angustiante. Mais do que isso:- de uma complexidade verdadeiramente aterradora.
Mas tudo naquela Instituição nos desafia. E se por vezes dói não ter soluções para todas as chagas do mundo, sinto que chegado aqui, posso dizer: -enriqueci-me no CASCI.
Há no Casci verdadeiros exemplos de solidariedade, espantosos, que nos reforçam e desafiam para correspondermos, nós próprios, com a dádiva da nossa quota-parte.
O risco que corri era enorme.Eu sabia-o perfeitamente. E ainda é até entregar tudo noutras mãos.
A responsabilidade da mudança inibiria um outro qualquer. A minha condição de irmão da Fundadora trazia uma responsabilização acrescida. Sabia-o. E estava plenamente consciente disso. E por isso mesmo é que só aceitei o risco quando, falhadas todas as opções e perante a gravidade da situação que punha em perigo a Instituição,me senti sem possibilidade de dizer não,como várias vezes ,anteriormente ,o disse.Desta idade não tinha nenhuma necessidade de correr o risco.Mas não havia desculpa perante a situação.E que raio eu ainda não estava de todo acabado.Tinha ainda a confiança que sempre tive em mim,e me levou a outras lutas.
Eu nunca desculparia a mim mesmo se a Instituição entrasse em colapso.
Farei tudo – e esse tudo é não olhar a esforços- para entregar uma Instituição sólida, estruturada, capaz de vencer os novos desafios.Que são muitos.

SF

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Natal 2009

O PRESÉPIO DA VIDA

Ah! noite finalmente chegada
Nesta vida perdidiça, de sabor a fel.
Amargurada.
Presépio de figuras esquecidas,
Perdidas
Na imensidão de um céu sem a estrela,
Com magos de mãos vazias
Sem pão para ofertar
Ao menino (s)
Para a fome lhe(s) matar.
Ah! noite fria, noite de cão
Onde não há reis, nem roque,
Nem sequer um poeta a cantar
As razões da inconformada visão.
Noite de luz despida, de fria solidão
E cruel desamor
Onde tantos têm tudo
E muitos outros ,
Nem sequer uma migalha de pão.
Ou a esperança de um dia promissor.
Nem sequer o direito de «amanhã», dizerem
Não!

SF(Natal 23.12.2009)

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Ciúmes da Ria

Surpreendes-me sempre que te visito.
Nunca pareces cansada de andar de um lado para o outro.
Serena
Calma na tua frieza de hoje
Eras a mais bonita neste entardecer
Onde só a ausência do sol dava pena.
E eu parado
Cansado de tanto correr
Em mim ausente o prazer de viver
Olho para ti extasiado.
Que pena!..
Não encontrando semente para semear,
D.Quixote atiro-me aos moinhos
Ergo o braço e ferro o punho
Num desbaratar,até, de ilusões.
Apenas e só a desbaratar
Pois já nada, nem eu me ergo do chão.
Quem me quer nesta idade sonolenta?
Quem me leva a recriar desejos despidos(?)
A fazer-me lembrar pecados já esquecidos.
Parado enciúmo-me de ti
Desse amor que vens fazer à praia
A horas repetidas, não te cansando de amar,
Envolvida com o areal ainda estremunhado
A deixá-lo beber do teu ventre salgado.

SF (dez 2009)

domingo, dezembro 20, 2009

domingo, dezembro 13, 2009

Morre comigo de mansinho

Já se somem as pegadas que ficaram para trás
Semeadas nas tortuosas veredas que percorri,
Na convicção de que era caminhada obrigatória.
E o que dela retenho na memória?
A sensação de uma fogueira apagada.
Dias de sol de mudez descarnada
Faróis de lonjuras que se fundiram
Perdidos todos os orientes e ocidentes
Da nossa imaginação desalinhada.
De tudo isso ficou apenas a certeza
De uma paz interior reforçada,
No endemoniado caminho
Do relógio que não pára a olhar para trás,
Para a vida que agora teima em ser lenta
Quando a morte acena, já, cheia de pressa.
Hoje apetece-me a paz total,
Tão cansado estou de a percorrer,
Que me deixo soçobrar no areal
A ver a ria morrer comigo, de mansinho.

SF 13 Dez 2009

quinta-feira, dezembro 10, 2009


É o mesmo :na Democracia ou na Autocracia, quem se lixa é o mexilhão.

Deve cansar a todos este estado comatoso em que o processo democrático mergulhou.
Á mais violenta crise económica (da nossa vida) junta-se agora uma crise da mais abjecta intencionalidade. A de através da insinuação, que não da prova, se pretender visar, para fins políticos a destruição do adversário, assassinando-lhe o carácter. Ora o assassínio de carácter dói mais que o fuzilamento pelo pelotão de execução.
Uma estranha e obsessiva paranóia torna aliados de momento, os interesses partidários e o sensacionalismo de uma comunicação social persecutória, onde uma cáfila de ineptos corruptos vende corpo e alma a interesses privados que, sem outras alternativas, tentam a chantagem da notícia irresponsável em troca de migalhas que alimente a podridão do demérito.
A uns e a outros, uma ausência total de responsabilização impede de ver que o País está á beira da ingovernabilidade, cujos custos recairão sobre os que suportaram o pior da crise. E que ainda não refeitos de uma já se vêm alvoroçados por outra.
Parece que já ninguém manda neste País. Sem Presidente da Republica, refém no Palácio em tortuosas maquinações à espera que as coisas caiam por si, de podres. Sem justiça em que já ninguém acredita -nem os seus executores! -,sucedem-se os atropelos para ver quem fala mais alto. Se os Magistrados se o seu Sindicato. E o mais alto Magistrado da Nação aos quesitos diz: - nada! (A propósito continuo a não perceber a lógica, num sistema democrático, da existência de Sindicatos de Juízes, como não percebo a lógica dos Sindicatos das Forças Armadas, ou os da Policia.)
Percebo mal como é que o Governo se já não fartou das palhaçadas na AR e até colabora nelas. As oposições querem governar? Que façam um Governo desgovernado. A Manela não quer ir sozinha para o fundo? Que se faça acompanhar pelo genial Louçã, o poluto dos impolutos.
Estamos de novo no País ridicularizado por Eça. O País há trinta e tal anos apresenta sempre o mesmo grupo de onde saltam os títeres que mais ou menos alternadamente, hoje têm o poder, perdem-no amanhã para o reconquistar passados uns tempos. O poder não sai,assim , de um certo circulo vicioso ,como se fosse uma panela de iguarias desfrutada por um grupo de crianças esfomeadas.
Quando um grupo de meia dúzia de um daqueles está no poder, esse(s) são, no dizer de todos : incompetentes, esbanjadores, ruinosos,corruptos. E muitas mais :- brindam-nos com nomes, injúrias e epítetos ,dirigidos ao seu carácter, quando não ás pobres das mães. Os que por então não estão no poder, «são os únicos» salvadores da pobre pátria desvalida com tanta falta de sentido pátrio, os verdadeiros zeladores do povo, os salvadores e guardiões da causa publica.
E o que sucede ?: os que estão no poder fazem tudo para continuar a esbanjar e a arruinar o País. E os que lá não estão? - esses fazem tudo : conspiram, intrigam, tramoiam, cansam-se para deixarem de ser os salvadores e se tornarem, eles-cruel destino-, os carrascos da pátria.Lutam por esse triste destino.Esfarrapam-se .
E cai o governo.
Os que lá não estavam são os novos vendilhões do templo; e os que lá estavam passam a ser os ferozes defensores dos pobres, daqueles que outrora castigaram impiedosamente.
É isto a democracia que nos prometeram?
Ou isto é uma «autocracia sistémica» do quanto pior melhor, e os fracos que se lixem….
Porque lhes continuam a acenar que é preciso sofrer para «gozar» das virtudes das ditas democracia. Só que as virtudes da dita não chegam para alimentar a sofreguidão dos «pedintes» partidários.
Já Salazar justificava o sofrimento em nome da salvação da Pátria.
Quem se lixa é sempre o mexilhão….
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Sempre descrente

Esta história do aquecimento global pelas emissões de CO2 mete-me muito engulhos.
O terrível esfriamento verificado no séc. XIII, que fez cobrir de gelo os territórios nas latitudes altas do Norte, até ali amenos e perfeitamente habitáveis (Groenlândia ,Islândia etc)- e em que uma das suas consequências(entre muitos) foi o aparecimento de sardinha no nosso litoral- é, hoje, provado ter sido devido a variações gravitacionais que alteraram a inclinação do eixo terrestre.
O escândalo agora conhecido de «escutas» aos computadores de muitos cientistas que organizaram a tramóia para fazer «comer» o prato de lentilhas aos poderosos do mundo ,por motivos ainda pouco transparentes e conhecidos, é a notícia mais sensacional do dia. A comunidade cientifica está claramente dividida. Porque podem estar a ser pedidos sacrifícios enormes, em nome de nada,ou de outra coisa bem diferente.
Esta questão pode parecer, mas não ser, exactamente, como no-la querem vender.
Eu vou esperar para crer.
Mas mais vale prevenir enquanto se não esclarece totalmente a questão.

Aladino

segunda-feira, novembro 30, 2009

Pintem o mundo de pomada preta..


Quando era puto ,passava longas horas na Farmácia. Claro que nunca quis ser Farmacêutico. Aquilo era negócio para senhoras.
Mas apreciava a feitura de manipulados. E até apreciava os «bruxos» da região que confiavam na «Ti» Eduardinha, que, a rigor, sabia confeccionar as suas(dele…) mistelas. O «Bruxo» da Pedricosa era sem dúvida o mais afamado. A receita já a minha mãe a sabia de cor.
-Vão à «D Eduardinha» – ditava - e peçam o garrafão miraculoso. Fui lá levar pipas de garrafões da mezinha miraculosa. Tenho a impressão que um qualquer dia devo ter tomado um gole da poção mágica.
O «bruxo» tinha razão em receitá-la ao mulherio…
E assim era. Um garrafão de uma mistela que se nada fazia (mas fazia(!) ,digo-o eu,e perdura a sua benfeitoria) tinha com ele «o milagre» . Que diferença existia nessa, noutra,ou em qualquer água milagrosa? São todas iguais. O crédito ao sobrenatural é sempre a questão :parece que temos tudo e de repente descobrimos que não temos nada. À espera que um outro qualquer –deus - menor ou maior, venha interferir.
Porque fui buscar isto, hoje?
Porque na Farmácia faziam-se, diariamente, quilos de« pomada preta».Que faziam explodir todos os abcessos, exteriores e interiores. Pomada milagrosa.
Hoje o mundo precisaria de mezinha especial como aquela, tão putrefacto ,e com tantos abcessos prontos a rebentar. Que jeito daria. Brochávamo-lo com a dita e o pus infecto saltava todo cá para fora.
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Nem por sombras queria outra Pátria. Mais : nem outra Terra eu queria.
Mas que ando envergonhado com uma e com outra,lá isso confesso, que ando. Pensei aqui há um tempo que ia ter paz. Tinha-a «comprado». A questão é que eu não quero paz. Nem a sei dar. Nem a mim nem aos outros.
Vivo claramente desassossegado. E transmito esse desassossego. Os únicos que parecem queixar-se são os que, aqui dentro das paredes, me vão suportando. E tanto se habituaram que, se eu peço uma, duas(!) horas para mim, para em silêncio me aquietar (comigo), logo reclamam inspecção médica.
Nem me deixam morrer inédito: -em paz.
Mas não são só os de cá,os de dentro. Espécie de pára raios, nem me deixam acreditar no que decifro: o sol aquece e arrefece os instáveis sentimentos alheios.E os meus estavam gelados postos em sossego.E vai...
E aparecem a falar-me de que um beijo, cura tudo. Oh!...isto de morto sem ter morrido ,custa, raio!
Nunca acreditei em« bruxas» .Mas lá que as hay…hay..
Aladino

quarta-feira, novembro 25, 2009

Ser Solidária

Ser Solidária é desejar ir correndo ao rumo.
Ir sem medo de regressar
Mesmo que a caminhada seja inútil.

É ousar e logo transformar o sonho
Na fartura dos abraços.

É bater à porta e ouvir dizer :-Não!
É ter frio e não ter agasalho;
Para os outros,
Para si, Não!

É suportar a hostilidade dos que
Nem sequer sabem abrir a mão,
Pois só sabem dizer : -Não!

É sentir-se escorraçada, vexada, intolerada
Pelos que têm poder para dizer sim,
Mas só sabem dizer : Não!

É voltar sempre de novo
A gritar…
A ousar .. .
A levantar os olhos do chão
Para dizer :
Vencida eu(?!).... Não!

SF (25.11. 2009)


A «ZECA» ousou sempre ser Solidária.

sábado, novembro 21, 2009


Lá lírico ,sou…

Fazer ,ou alinhar um texto sobre um familiar próximo, é exercício a que fujo porque é aterrador.
O visado fica sempre a perder. Porque tenho pudor de falar dele , em toda a sua dimensão .
E contudo – outros pensarão exactamente como eu ,se bem que não todos –tenho ,guardo e revejo, amiúde, a « glória» mas também o peso ,de os carregar no meu nome.
Hoje obrigaram-me a falar da «Zeca»
Houve alguém que escorregou e até me disse, Ela tinha o defeito dos «Fonsecas».
Não me contive e tive de lhe dizer, o
defeito de serem sempre iguais,do principio ao fim, e não andarem mais tarde a explicar porque dobraram ,amiúde no antigamente, a espinha, na bajulação aos poderosos.
Tenho a certeza que a «Zeca» cá em baixo - porque haveria ela de estar noutro lado(?) se aqui é que conta... - dirá.
-Continuas um lírico a perder tempo com outros líricos.
Bem!.Lá escrevi umas palavras tôscas. Os sentimentos,no caso, obrigar-me-iam a escrever milhões de palavras,numa Elegia à Vida,inultrapassável . Mas as palavras que escrevi, parcas, simples e medidas, reforçam o meu sentimento. E isso me basta .Guardo-o por inteiro.

Raro o dia em que não dirijo palavras aos meus. Exprimindo os sentimentos. É tudo o que posso fazer, quando ainda ando metido na barafunda que me souberam apontar, com o fim de me justificar....
Na barafunda da vida..
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DOAÇÂO

Julgo que foi uma semana onde se insitiu na necessidade de concorrermos com a doação dos nossos órgãos ,para salvar vidas quando deles já não precisarmos.
Há muito que defendo essa ideia, que é do conhecimento de quem tiver de decidir.
Mas….
Ontem, contudo, em conversa de grupo, um amigo mais hesitante, perguntava-me:
-Mas não pões qualquer limite à doação?
-Ponho, carago!, atalhei eu de imediato. (A rir ,claro). Doo todos menos um. Porque indo para o inferno ,pode ser que com tantas boas companhias, esse ainda me faça falta.
Veio uma resposta à altura:
-Eh pá se já não te faz falta aqui, para que o querias lá…(?!)
Ele há cada amigo falho de comiseração,carago!.
Aladino

domingo, novembro 15, 2009

Paraíso ? Qual?


Deus falou no Paraíso ,e os Homens pensaram que sim ,que se poderiam habilitar a ganhá-lo. Crédulos impenitentes.
Ir de vez em quando ao céu já me sucedeu. Mas ver lá pelas suas beiras, o tal Paraíso onde «corre o leite e mel»,isso não vi.
E também adianto desde já que me não cativava. Leite nunca bebi e nem sei a que sabe. De coisas doces(de qualquer tipo, mesmo humanas) não gosto; não uso açúcar em nada. Nem nas palavras e muito menos nos gestos.
Depois de Cristo, Marx. Já aqui o disse.
Este ultimo ideólogo também precisou de inventar um Paraíso para convencer «os seus crentes». Haveria um «Paraíso» no objectivo final de construir um mundo comunista: a satisfação de cada um segundo as suas necessidades. Materiais , intelectuais, artísticas e espirituais. Um Éden na Terra.
Viu-se o que foi.
Não sei se o meu leitor (se o houver) sabe o que quer dizer « Paraíso».
Ora paraíso vem da palavra persa antigo, paradaisa,que em hebraico de dizia pardez, significando um belo jardim entre muros.
O primeiro era recompensa de Deus aos bons. Ora os bons só o eram, se Deus o quisesse. O árbitro era no caso parcial.
O segundo era uma conquista do homem .
Era pois preciso acreditar no Homem, em si, para si, e igualmente para os outros.
E Este mostrou que prefere o «inferno» a ser igual. E foi o «inferno»ou quase, o que fez.
E para isso nem descansou ao sétimo dia. Todos os dias eram (e são!) dias para fazer da vida o dito.
Aladino

terça-feira, novembro 10, 2009

Uma leitora enviou-me uma ideia sobre «Andorinha a olhar a Primavera».

Porque gostei,e até achei muito mais doce e menos provocador-por isso muito mais poético- pedi autorização para o publicar.

Aqui vai
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Uma nova leitura

VEM COMIGO PRINCESA
TROUXE ESTE LINHO BORDADO
ONDE FESTEJAR TEU CORPO

MORANGO DOS TEUS LÁBIOS
ROSADO DO TEU PEITO
SALGADO MAR
MINHA SEDE DE TI

TEU CORPO FUNDO
TEU CORPO MUNDO

ENROLO O FIO DOS TEUS CABELOS
COMO O SOL A PENETRAR A SOMBRA
PARA TRAZER A MADRUGADA

E QUEM NOS OLHA CEGOS DESLUMBRADOS
DIGO

SOU UMA ANDORINHA
ACOITADA NO NINHO A OLHAR A PRIMAVERA.


MR.

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Agradeço.Os meus leitores também agradecerão,certamente.

Aladino

NOS VINTE ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM

Hoje, quando se comemoram os vinte anos da queda do muro de Berlim, data das mais memoráveis -porque na altura inacreditável que acontecesse -, marco civilizacional que teve como consequência o desmembramento de um mundo comunista - que se dizia ser sem na verdade o ser,na práxis nem nas intenções - não pude deixar de me lembrar do episódio que há quarenta anos vivi, ao atravessá-lo.



Talvez valha a pena contar.
Tinha então trinta anos. Foi-me dada a oportunidade de, durante três semanas, viajar nos países do leste, com estadia prolongada na Polónia. Já neste Blog contei passagens desta atribulada – e inacreditável - viagem.
Ia desejoso de confirmar aquilo que na altura me merecia crédito e esperança. Tinha estudado desde os meus tempos da Universidade tudo sobre a teoria comunista. A minha bíblia, era então, o CAPITAL. À sua custa brilhei no derradeiro exame, na cadeira de Economia, arrancando um deslumbrante dezoito.
O que vi, aquilo que ali vivi (e muito foi), o espírito aventureiro de me meter em coisas que não lembrariam ao diabo, depressa me levou a perceber que aquilo era, pura e simplesmente, uma mistificação execrável de um falso regime para os trabalhadores. Uma falsidade que deveria ser denunciada. O que logo me propus fazer. Certo é que me senti profundamente magoado,descrente e desiludido, por ter sido tão ingénua e convincentemente enganado.


O que vi – vi com os meus olhos e apreciei com os meus sentidos-, não me matou a ideologia. Mas revelou-me até onde um bom conceito pode ser manejado, distorcido e depois levado á prática totalmente em contrário do que diz querer fazer.
Adiante: …
No final da viagem, no regresso, depois de mil e uma peripécias onde não faltou uma ida ao «chilindró» - já aqui a contei - eis que no aeroporto de Varsóvia me preparava para embarcar, já farto daquilo tudo, para Berlim (claro Ocidental). Teria um dia para visitar a cidade que me despertava imenso desejo de conhecer.
No aeroporto, à hora anunciada, ouço em alemão, língua que sempre me recusei a aprender (ainda que tenha andado três dias em explicações ao fim dos quais, rapidamente, concluí que era bem mais agradável dá-las (?!) eu à jovem explicadora alemã), vi um aviso - Berlin.Embarquei sem qualquer tipo de oposição.Ainda hoje estou para saber como. Depois percebi, claramente,a razão.
O avião vinha praticamente vazio. Interessante, era que estava a viajar num TUPOLEV o que me sucedia pela primeira vez (eu que os elogiava tanto, como indicador da «superioridade do sistema!). Estranhei o aspecto esquisito da pouca limpeza, do ar cansado dos assentos, da falta de bagageiras fechadas, da oferta de uma bebida (já não digo um menu, o que era habitual naquele tempo) etc.Vinha tão entretido a esquadrinhar o avião e a sentir o seu suave voar, que nem dei muita atenção àquelas questões.
Quando o avião aterrou, olhei com curiosidade pela janela.Achei, surpreendido, que o «aeroporto de Berlim (?)» era estranhamente pouco mais do que um edifício de linhas direitas, cor amarelada, desbotada, sem nenhum pormenor arquitectural espectacular.Enfim pouco mais do que uma cantina.


O pior foi quando saí. Olharam, reviraram o passaporte, e depois de um palavreado ininteligível mandaram-me para uma sala. Esperei horas até que me apareceram dois polícias de aspecto feroz,encharcados em vodka, que procuraram saber como teria eu,ali, aparecido. Claro que nem eles nem eu percebemos. Eu ao que queriam; eles como ali estava,porque nem sabia onde estava. Aonde perguntava-me eu? Deu contudo para entender algo estranho quando me pediram os dóllars (ainda não havia cartões de crédito) e o passaporte onde ,era verdade- tinha-o aprendido na Polónia-, estava registada a quantidade de moeda com que entrei na Polónia, e anotados todos os gastos nas lojas não estatais(cantinas ).Por aviso do Cônsul fiquei a saber do sarilho em que me meti (e os outros) quando numa loja de casacos, comprei e paguei em dollars, cabedais para toda a família e um casaco especial de peles, soberbo, para a minha mulher .Quando na loja anunciei que queria pagar em dollars, mandaram-me calar de imediato, agarraram em mim e levaram-me para um cubículo. Espantado consegui com os dóllars, preços de 50% dos marcados em Zlots. Uma pechincha.Fui chamar os colegas de viagem e a loja ia ficando vazia. Valeu-nos, á noite, o referido Cônsul alertar para o grave erro e consequências. E para o resolver passou-nos «uma carta» de divida, de empréstimo nosso ao Consulado. Receberíamos (lá se dizia) que o valor emprestado o receberíamos em Portugal.
Voltemos a Berlim.Agora estava a fazer ,sózinho,a viagem de regresso.
Nova espera. Outro par de horas. Pelo meio, recordo-me, mandaram-me umas almôndegas intragáveis. Eu começava a compreender que algo de errado se estava a passar. Mas não me tinha apercebido, exactamente de :-o quê(?).
Só me faltava mais esta, ia dizendo de mim para mim. Às tantas entra uma mulher Policia, uma cara patibular montada num corpo de vassoura que, falando num inglês correcto, me clarifica, só então, a questão. Você (YOU) está em Berlim Oriental,Queremos saber como foi possível chegar aqui, Se o seu bilhete era para Berlim ocidental,perguntava.Eu?! Eu não fiz nada, Apanhei o avião que dizia Berlim, e nada,nem ninguém, me disseram estar eu errado, ou o evitaram…
Tá bem... Eles é que não acreditavam. Vieram as malas. Abriram tudo, conferiram dinheiro, interrogaram-me sobre o empréstimo feito ao Consulado etc. …etc. Saíam, deixavam-me sozinho; depois vinham outros (agora já a falar inglês, valeu-me isso),E as horas, a noite, a passar.
E eu fulo. A praguejar com aquela corja, estuporado com o sistema ao sentir que as minhas ilusões tinham ficado por terra (Berlim era a cereja no bolo…) naquelas ultimas semanas.
Deram-me um quarto(uma enxovia ,tipo prisão sem grades, para dormir(?). Ainda sugeri que me deixassem ir à cidade, comer ou beber qualquer coisa. Nem pensar! No aeroporto nada havia para comer além dum gulash aquoso.
De manhã batem á porta.Fui ver.Prepare-se que vai sair,disseram-me.Antes terá de pagar em dollars a viagem Varsórvia -Berlim.Mas eu tinha-a no bilhete ,recalcitrei,mas eles tinha o poder de me manter ali,disseram-meo melhor era pagar e não bufar.
Um minuto depois puxava das notas,nem recibo nem meio recibo ,Alguém as meteu ao bolso,A essa caça ao dollar já me tinha habituado.Acabou-se, Acompanhado, meteram –me num táxi (um carro infecto, uma charanga).E nele vejo-me a atravessar o tão falado muro de Berlim, depois de uma breve paragem de controlo.Tempo de o mirar, danado de não o apreciar em pormenor.Ali estava o muro que Krutvchov dizia ter sido feito para evitar que os alemães ocidentais fugissem para o paraíso do Leste. Para o que ele tinha sido feito,percebia eu ,jáentão ,perfeitamente para quê.

Vejo-me a percorrer as avenidas. Mal tive tempo de olhar. Fiquei sem ter ideia precisa da cidade. Nunca mais lá voltei. Parecia -me estar a viver um filme de James Bond e estava doido que a cena chegasse ao fim.
Passada uma meia hora deixam-me à porta do Aeroporto de Berlim, especado no passeio,malas na mão. Arrancaram com uma leve saudação. Nome dos tipos (?): nem deu para saber.
Ento olho no Aeroporto de Berlim (W), miro o edifício e noto: bem este agora, pelo menos, é outra coisa.Movimento intenso de aviõe militares,era algo de inusual num aeroporto civil.
Tempo de entrar, beber uma caneca e forrar o estômago com um scwheinaxel, Comprar um «toblarone» para o jonh, E eram horas de tomar o avião para Frnkfurt e daqui para Lisboa.
Quando cheguei e me pus a contar,em casa, as desventuras daquele mundo, ninguém queria acreditar. E correram-me com «foi o que sempre pensámos: -és um reaccionário».
Depois foram anos e anos a ouvir alguns dos que assim me apelidaram, a sucessivamente evocarem: estávamos enganados. Eu sorria-me com a cupidez daqueles iluminados,alguns que por lá tinham vivido á custa do Partido.Que deshonestidade intelectual! Alguns por aí andam sentados noutras cadeiras, jurando que agora, dizendo o contrário do que naquele tempo diziam,acreditam piamente no novo dictat.
E quando mudavam de sítio(partido) o que eu achava e acho engraçado (?), era que passavam por cima de mim e iam «empanturrar-se» lá para as direitas capitalistas.
A doutrina comunista era (e é) teoricamente boa; a sua aplicação foi criminosamente trágica. Soube-o felizmente muito cedo .Muito antes do 25 de Abril .Por isso não fiz algumas figuras tristes.
E por isso é que soube (e sei!) muito bem, e sempre, o que queria e por onde ia.

Aladino

domingo, novembro 08, 2009

Andorinha a olhar a primavera


Vem comigo, princesa;
Trouxe-te este alinhado bordado
Para enfeitares o leito
Onde quero festejar o teu corpo


Sorver o morango dos teus lábios
Carnudos,
Beijar os figos melaços
Que te rosam o peito;
Sorver o salgado do mar
No declive do teu ventre
Onde guardas a fonte
Que sacia a minha sede
(De ti.


Esmordaçar o teu corpo
Fundo
Dardejando -o e endoidando-o
No latejar dos sentidos loucos
Deste mundo.
Trocaremos beijos entre gemidos
Enquanto de olhos fechados
Sentirás a maré a subir;
Que vinda do mar nos trás a maresia
Para perfumar a nossa cama
De uma doce poesia.
Afogando-nos na espuma que se desmancha
Contra os novelos que tecem
O teu e o meu corpo.



Fujo para o interior dos lábios
Encostando a língua ao céu da tua boca;
Entrelaço-a nos ais falados
Molhados,
Na saliva quente das margens do sonho
Enquanto enrolo os fios do teu cabelo
Desalinhados,
Para com eles fazer uma trança ao luar;
Encaixados na noite,
Somos como sol a penetrar a sombra
Para trazer a madrugada.

Sinto o anel das tuas coxas
Enlaçando,
Enforcando , o meu corpo
Numa avidez louca de desejo.
Parecemos na noite barcos negros
A marear a vaga alterosa
Em vai-vem frenético ,contínuo.
Perdidos não param de se procurar
Ligados pela fantasia da intimidade
Dos teus e meus, abraços.


E só por fim quando a acalmia vem
Com ternura me colo aos teus recantos
A minha boca inerte, entreaberta, saciada
Pousa nos teus ombros suados,
Cansados.
E enquanto a minha mão enforma o teu seio
Túmido e pontiagudo,
Abandonado,
Os meus pés tocam os teus
Que estremecem de novo,
Inquietados.
De mansinho lavram os meus,
Deitando a semente à terra
Que não tarda a germinar
E logo a florir no jardim
Encantado
Do teu regaço lindo.
Como que dizendo
A quem nos olha,cegos,deslumbrados,
Que é tempo de voltar a’mar
Chegou ao fim
O Intervalo.

Sou uma andorinha acoitada no ninho
A olhar a Primavera.

SF –Nov 2009

domingo, novembro 01, 2009

Assim é a vida
Vivo: atascado em cardos. Depois de morto, de rosas …coberto.

Dia choroso de uma chuva miudinha que nos entra mais por dentro, macerando-nos a alma, do que aquilo que o seu borrifo nos molha por fora.
Visita aos insubstituíveis.
Que lá que os há…há.
Momentos de reencontro. Para mim de justificação. Não do que fiz ,ou vou fazendo ,mas de exorcizão do que vou deixando para trás sem solução. Teimo ainda quando quase todos à minha volta já desistiram, em alargar ,ainda um pouco , por uma fresta que seja, os horizontes da vida. E é lá que pergunto : ainda não estais satisfeitos?
Talvez fosse fácil ter paz. Mas para que a quereria eu, quando tanto tempo ai vem para a ter em absoluto. Por isso vou teimando, e vou sendo feliz a meu modo, até que os meus valores deixem de ter sentido e eu já não saiba, com decência, ocupar o meu lugar entre os vivos (alguns já bem mortos).
Eu sei que tudo o que consiga ainda fazer me saberá a muito pouco. Engolfa-se a mão na vida convencidos que nela virão coisas boas e, aberta, percebemos que é uma mão cheia de nada.
Dia de finados (ou véspera?). O prado do repouso coberto de tantas flores, de tantos crisântemos, de tantas coroas e de tantas vergônteas esverdeadas, que parece querer dizer-nos que só depois de morto um homem vale uma flor, um gesto de tantos que lhe negámos em vida. Vivo que se aguente com os cardos da vida.
Voltei hoje lá, sempre no intuito de entender melhor quem sou.
Venho de lá sem perceber para que vim.
Mas que me importa isso?
Vou continuar a alhear -me de mim próprio e não deixar (por enquanto) morrer a vontade de à vida não renunciar (ainda). Não para o futuro que esse já não há.Mas um futuro presente vivido no dia a dia preocupado com os outros que têm ,eles,de ter futuro.Porque todos eles ,de uma man eira ou de outra o merecem.
JF.

Ideologias Religiosas - um perigo explosivo

Foquei já aqui, no Blog anterior, a questão latente em várias camada protestantes de uma certa incompreensão, e até de adulteração, dos princípios defendidos pelo seu ideólogo Lutero, que entendia que a Igreja não precisava de nenhum poder terreno, devendo para isso esquecer-se do Papado e apoiar-se exclusivamente na fé em Cristo. Também neste credo logo no principio houve leituras díspares das intenções do seu chefe espiritual.
Logo em vida Lutero confrontou-se com a distorção ao seu pensamento e constatou a necessidade de se opor, primeiro aos nobres alemães que logo tentaram aproveitar-se da reforma para acrescentar poder às suas «casas senhoriais», desvinculando-se do poder de Roma. E foram a factos, formando exército, intentando assaltar o Bispado de Tréveris (1522).
Mais grave, foi, que a arraia-miúda campesina a partir de determinada altura, entendeu ler nas doutrinas de Lutero um incitamento à igualdade e à abolição da propriedade feudal. Para «ela» era chegada a hora de acabar com impostos, taxas, submissão à hierarquia religiosa, pretendendo para tal deixar à comunidade local o poder de eleger directamente o seu pastor.
E se Lutero se demarcou de imediato dos nobres, certo é que, inicialmente, mostrou alguma simpatia com os campesinos. Mas não demorou muito a perceber que Satã teria, como disse, entrado no seu rebanho. E logo se apartou dos revolucionários , combatendo todas as acções provocadas pela entrada do mafarrico que o obrigou a intervir, não apenas com os escritos mas com a acção pessoal dissuasora. Cristo não teve essa oportunidade e isso foi mau.
Sem o apoio de Lutero a revolta estava aniquilada. A ameaça do «anabaptismo» -proveniente de uma leitura da Bíblia ao pé da letra! -, que constituía o reduto radical revolucionário, acabou por se extinguir, não sem lutas sangrentas.
Estes breves apontamentos servem-me apenas para tentar fixar a ideia que sempre que o fenómeno religioso é utilizado na resolução de problemas sociais, transformado em ideologia, os confrontos sucedem-se e terminam por lutas de uma violência inaudita.
Por isso hoje, restando a religião como as únicas ideologias em vigor, quer por nova explosão de radicalismos contidos no Ocidente, ou muito mais provavelmente,pelo fundamentalismo islâmico, corremos sérios riscos de um descalabro mundial terrífico.
Fica aqui a ideia que a Leitura dos Textos, sejam eles quais forem, tenham eles o rótulo que tiverem, são sempre perigosas. Ou a leitura é livre, e se transformada em orientação colectiva, é altamente perigosa. Ou a mesma é filtrada por magistério da hierarquia eclesiástica, e as as realidades apresentadas são segredos de alguns com finalidades nem sempre de acordo com quem os escreveu ou induziu a que fossem escritos.
Estou em pensar que o que Lutero disse ao seu protector Felipe de Hesse quando este casando-se em segunda núpcias sem romper com o primeiro matrimónio, assumiu que o teria feito porque a Bíblia, lida literalmente nada dizia contra tal prática (como os anabaptistas afirmavam e praticavam) Lutero respondeu: de facto não diz nada contra a poligamia, mas guarda segredo (do que lá lês) para não fazeres escândalo.
Bom conselho .Cada um lê e guarda para si a opinião.

Aladino

R evisitando Colón E de novo,lá veio mais um livro abordando o enigmático Colón. Desta vez, uma extensa e esg...