No comentário ao desaparecimento de Saramago expressei alguma compreensão (?!) pela falta de comparência do senhor Presidente da Republica (parece que por proposta do PSD vamos deixar de o ser…), no funeral.
Então referenciei uma certa, e para mim correcta apreciação de Saramago a Cavaco, a qual foi o de considerar aquele «um livro de banalidades».
Ora Cavaco veio, de imediato, dar razão a Saramago.
Questionado acerca da polémica sobre a sua ausência, o Presidente da Republica, disse, não pode comportar-se como os amigos do defunto. Estes devem ir ao funeral. O PR não!».
Banalidade execranda.
Porque os amigos até poderiam faltar, mas o PR: - esse, não!
Porque representando a Nação, o PR devia manifestar com a sua presença, o reconhecimento da dita a um seu notável filho. Só Ele poderia, por inteiro e universalmente, fazer. Não era Cavaco que estaria presente, mas o representante de «todos» os portugueses, o PR (que tantas vezes gosta de evocar o nome do Povo em vão.
Banal q.b.
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Foram muitos e diversos os comentários que me foram enviados. Tomei atenção a todos, e, claro agradeceu, mesmo os desfavoráveis. Eu sabia que estava a tocar numa matéria que não era universalmente consensual.
Registo aqui o comentário (que tentou inserir directamente no Blog, mas falhou) do amigo, nosso conterrâneo, Cte Paulo Corujo;
O que lhe dizia no blogue era mais ou menos o seguinte:
Concordo que José Saramago era um grande escritor e prestou um grande serviço aos pais projectando a língua portuguesa para uma visão cultural mais alargada. Eu li com alguma dificuldade em 1996 dois livros que julgo serem os melhores que ele escreveu: O Memorial do Convento e o ano da morte de Ricardo Reis. Gostei dos dois e achei sobretudo que constituíam efabulações surpreendentes. Mas não li mais pois achei que os seguintes tratavam de temas que colidiam grandemente com a nossa cultura. Não havia necessidade, como dizia a personalidade de Hermano José. Eu fui sempre liberal, política e economicamente falando. Recordo-me com imenso desgosto de um pobre homem, julgo que sapateiro, muito alto que tinha a modesta oficina defronte do Salão Cinema, creio que se chamava Pinho. As pessoas diziam: cospe meu menino, que é maçónico, julgo que no sentido de incréu.. A intolerância era selvagem e a lavagem dos cérebros manifesta.
Neste ponto chegamos a outra faceta do homem José Saramago: era um homem amargo e intolerante. O que ele disse no Diário de Noticias em 1975, quando saneou seus camaradas. Foi mais ou menos o seguinte. É preciso eliminar os nossos adversários pela violência para a vitória da revolução. Puro Leninismo e Estalinismo na sua forma mais requintada, com apelo às checas de Djerzinsky. O homem era mau e isto não lhe perdoo pelo facto de ele ter morrido.
Por pudor, não lhe retransmiti Maios de extrema-direita com que não concordo. Mas vou fazê-lo para o João tomar nota do mundo em que vivemos. Deve-se ler tudo, Freud or foe.
PC
Reconhecendo o acertado da sua apreciação quanto aos livros citados e respeitando a sua apreciação sobre os restantes.
E como ganhou «coragem» para vencer o pudor de me enviar os ditos comentários «foes» de extremistas- e mandou-os - garanti-lhe que os li com atenção. Garanti-lhe que leio e aceito tudo, e que até leio com particular atenção os fanáticos, pois assim percebo melhor a minha razão.
E que até aceito extremistas…desde que poucos…
SF





