terça-feira, janeiro 22, 2013


Desculpem-me companheiros: hoje não estarei

 

Quisera eu ,hoje de novo ,reunir convivas
Amigos !
E para eles erguer fausta mesa
Onde a amizade fosse coisa viva.
De baco colher o melhor mel das cepas
Vinhos sublimes, sem igual e variados
E com eles erguer o copo, saudar a vida
Falar de coisas sérias, outras não
Que a vida não é só siso, é também riso.

 
Corro até à janela do meu navio
Onde embarquei neste resto de vida;
Fico absorto olhando o céu, hoje sem as sardas luminosas
A noite está fria como eu.
E insossa sem o acre da maresia.
A vida parece parada, untuosa,
Já nela não mora a poesia.
 
Vou –me esconder atrás da porta
 Para enganar a realidade;
Se ela entrar que me não encontre.
Fico apenas com as duas sensações:
A de viver só o que é real
E de já não sonhar com os «impossíveis».
Mesmo o mínimo  de sonho  me parece logo real.
Desculpem-me companheiros: hoje não estarei.
SF (22 Jan 2013)  

 

domingo, janeiro 13, 2013


 

 

 ODE

De Confrade  encapotado anda mascarado
Potente Baco,  deste reino alegre e ditoso
Por feitos e glorias tão desmerecidas
O grão mestre  do bacalhau no prato
Lhe concedeu o baco e  o hissope
E assim foi tão grandioso Rei nos calotes
Como fraco  e desmerecido em obra feita
Ao ouvir o lapuz gafanhão
Mazorro e prolixo a arrotar sentença
A martelar cabeças córneas
A fazer do bacalhau cidadão
Não há quem não colha do palrador
De um burro a sisudeza no rir asneiro.
Ai  Ribau, Ribau...
Para atar os molhos da palermice
Só te faltava esta sandice
De um tanque encheres de bacalhaus.
 
 Eu sei…eu sei…

Que na tua sandice e vã glória
Assim lhes não chamas «bacalhaus»
Mas sim de cidadãos impolutos, filhos da terra.
Deste-lhe mãe aos filhos da puta
Bendito o gesto que aos ílhavos encantará
Gesto impante e glorioso,
Este de trazer o mar até nós, e de metê-lo na «bestega»
E assim se engrilará
Que foi  afinal por estes sanapaios
Que tantas mães choraram
E tantos filhos se mijaram .
Para que fosse d’uns tantos:-Ó bacalhau,
Afinal  burrice dos antepassados ,lá ir tão longe.
Agora ,depois do feito,  para o pescar já só basta
Navegar do lejo do Bispo ao lejo do Museu
Ah ganda Ribau!!!!!

Agora sim, é tempo do bacalhau a pataco.
Não será mais uma caça ao fiel amigo,
Mas uma nassada a infiel cidadão.
Ai Ribau !, Ribau!….
Para cumulo patético só Te faltava
Esta, do bacalhau….bacalhau…

 Ai Ribau…Ribau 
Mereces as boazonas Nereias que ao teu colo de deleitam
Mas cuida-te com os felpudos e caprípedes  maganos,
Que afitam as cornígeras orelhas. Lembra-te!...
Quão de paternas manhas, os asnos sobrevivem.,

Aladino    13 .Janeiro 2013

quarta-feira, dezembro 19, 2012


 
Eu e a minha má relação com os «Natais»
 
Gostaria de viver utopicamente num mundo onde não fosse necessário haver «natais», para, por vezes e só aí, nos lembrarmos para fora, para todos os que nos rodeiam. Uns, para quem olhámos mais. Outros de quem até certamente, apesar de tão próximos, nem demos por eles.

Parece que só no Natal, nos apercebemos de que durante o ano errámos (inadvertidamente?) os gestos.

Bem, valha-nos ao menos termo-nos apercebido, momentaneamente, disso.

Os «natais» foram sempre um tempo de grande amargura, de mal-estar e inquietação. Tempo de avaliar que o que fui fazendo, que quase sempre esteve em desacordo com o que queria realmente fazer.

Afinal fui um acomodado. Aqui chegado, concluía que não valia a pena ter pena de mim por me não atrever a mudar. Também nos meus «natais» havia pratos fingidos, postos em cima de toalhas fingidas, com trenós e renas, cheios de vitualhas que fingidamente se acreditava existirem em todas as mesas, porque o fingido «Pai Natal», não cometeria o sacrilégio de as dar só a alguns.

Andei uma vida a prometer-me que um dia iria finalmente para um qualquer lado, onde houvesse um qualquer rio, para nele voltar a pôr a navegar os barcos de papel que levavam as pedras preciosas dos meus sonhos de criança.
Agora que já não há rios,nem barquinhos,e muito menos sonhos,abstraio-me,esperando que as horas corram.E minimizo ,aqui e ali, só pontualmente, as coisas.Como já não estou em lugar algum que me permita  modificar seja o que for,não o altero.E não me incomodo.Vou para a cama sem projectos .E percebo então porque há muitos que dormem sempre bem !São os que andam uma vida a acreditar que os «pais natais» chegam e sobram para resolver os problemas dos outros....
 
SF 

 

terça-feira, novembro 27, 2012


 

Miséria Intelectual


Não sei se os meus caros já deram por isso: agora os nossos sábios economistas já não falam por si, como pareciam  fazê-lo dois anos atrás ,onde pareciam saber tudo. Até como resolver o problema  num anito,diziam.

Agora colocam-se na sua posição,  a quatro, e dá de  perorarem pela dita ,cansativa e putativa troyka. Como a «voz do dono», é vê-los  a repetir a sua crença  nas juras  de que, o que é evidente para qualquer ser pensante ,não o é para eles, homens (?).Que não capitulam  mesmo perante o precipício : e aí vamos …..

Agora não se afirmam por si; exibem e argumentam, fornecendo os dados (vindos) da dita trupe. E tudo o que dizem  é : –  «segundo dados do BCE….»…«segundo dados do FMI» etc . Ao fazê-lo não vêm,  que  afinal,  o que tudo isto veio provar, é  que esta rapaziada partidária,  sabichona , era afinal  inapta, ignorante e incapaz . Que nem sabia o que se passava em sua casa.

Que estado lastimoso a que chegámos!!! E é isto a elite  dos nossos sábios ,todos ou quase todos ,Prof’s das muito e variadas Universidades que por ai pululam como cogumelos.

Porra: então se estes são assim, para que chateiam o espertalhaço Relvas ?
SF
A decisão de hoje ,do eurogrupo,  é uma lástima intelectual :uma confissão clara de que a receita é tão má que, ou se pára, ou o doente fina-se com certeza .  Só que começa a ser tarde para  o doente; nem  os santos lhe vão valer, tal  o estado calamitoso em que o puseram.
E por cá? Agora é que isto vao doer a sério.E o pior é que não se vai lá com manifestações pacíficas.Eu estou farto.É chover no molhado.E o facto é que isto está muito mais pôdre que em 24 de Abril.
SF

domingo, novembro 25, 2012


 

«Milena»
 
De vez em quando acontecem coisas sérias nesta Terra.

Surpreendente (e muito louvável) a iniciativa de «O Ilhavense».
Não só por promover  a edição do livro «Milena», livro que, diga-se desde logo,  se absorve  de um trago: inicia-se e tem-se logo vontade de o levar de uma tirada até final .Porque é um trabalho muito sério (e infelizmente essa seriedade não tem sido apanágio na abordagem da epopeia do Bacalhau).E muito bem organizado (o registo factual é brilhante), lindamente escrito na sua simplicidade narrativa. E acima de tudo de uma virtude intocável: o autor narra factos, mas nunca cede á tentação de se fazer figurante maior. O que, no relato bacalhoeiro, é pouco (ou nada) habitual.Mais propenso os autores  a auto- biografarem-se.

Sem duvida que o «Milena» é a figura central onde decorrem os «feitos». No caso azarados. Curiosamente lembro-me do «Milena – conheci muitos figurantes que lá deixaram suor e lágrimas –- e na minha memória de rapazito e ouvinte atento das conversas dos «bacalhoeiros», que duravam noite fora, por vezes  até ao nascer do sol, a ideia que retive é que sendo um «barco grandalhão», não era um mimo de lugre: mau de manobra, pesadão, muito trabalhoso para a pesca, alto de borda, diziam «ser barco de sorte má para quem lá embarcava». Certamente a má sina que o perseguiu em 48, terá acontecido em muitas outras campanhas. Os barcos, como os homens, têm alma. E por isso há uns de boa sina, e outros de sina danada.
«O Ilhavense» para lá de promover a edição, tudo fez para dignificar a sua  apresentação, dada a ausência do autor, muito bem representado por seu irmão..
Empenhou-se(eu testemunho-o)  na dignidade do acto.
Só não entendo porque não se deu ao livro o palco merecido. Este sim (!) merecia a sala do MMI.

Porque este livro fará história. Outros que lá foram pomposamente apresentados, nem no rodapé da dita, ficarão. A não ser que a sala (muito digna) da Junta de S.Salvador, tenha sido escolha própria de «O Ilhavense».

SF

sexta-feira, novembro 23, 2012


 

Hoje é dia de falarmos…de Ti.

Por cá tudo igual. Tudo mal.
Por «aí» não sei. Mas não tardarei a sabê-lo.
Hoje, ao lembrarem-me da tua falta, diziam-me à laia de consolo – certamente (!) – da minha sorte (?) de: – ainda ir vivendo:
Olhe que não, olhe que não… atalhei com doce comiseração: isto de ir vivendo mais um dia, não é bem ter um dia a mais. É a lucidez de ter a consciência de se ter um dia a menos para fazer tanta coisa que se pretendia fazer.
Não sei exactamente, onde, mas li (ou ouvi alguém dizer) que a vida não tinha sentido. Eu sempre,assim, o pensei, duvidando do dito. Para mim o que terá sentido é o calor humano que pomos no fazer das coisas da vida. Nos princípios e ideais que nunca abandonámos, na ética com que a vivemos etc.
 
 
 
Por isso ao preocupares-Te, não em usufrui-la, mas em ultrapassá-la nas suas minudências, deste-lhe o sentido que falta, quando se vive …, por viver.
Hoje, a cada dia que passa, percebemos a dimensão da Tua preocupação em ultrapassar «o consentimento da Tua vida».
Um dia perguntaram-me de onde vinham as minhas «certezas» (?):
Do olhar para o céu e não me impressionar com a sua lonjura. E olhar aqui para a beira, para quem vai a «meu lado» na vida, e sentir-me tão longe de cada um. Não me impressionam (e cada vez menos) os «deuses grandes». Importam-me, isso sim, «os deuses fracos». 
Por isso Te entendi quando parecia que todos os dias (santos e não santos, para Ti todos eram iguais na angústia), a vida te flagelava de propósito, desafiando-Te.

João

(Nota : este Blog deveria ser lançado na web em 25/11,dia da morte da Zeca.Por erro informático,adiantou .Aqui fica o reparo)

segunda-feira, novembro 19, 2012



 

Por cá vamos indo…

 

Cá por casa tudo continua como «Ela» gostaria que estivesse. Coisas com as quais respeitosamente, eu concordava, a que  me fora moldando ao longo dos anos de uma vida partilhada intensamente. Houve altos,houve baixos?: claro, mas apenas alevanto de vento que logo passava; para o que bastava uma abordagem,doce, pelo meu lado «ronca».

Uma  sabedoria de vida que nem todos conseguiam facilmente abarcar : o convívio  fácil com as pessoas fáceis, para com quem tinha -sempre!–um gesto ou uma palavra de carinhosa brincadeira, quando não  um dito que transformava uma maledicência num sorridente  remoque; mas bem ao contrário a fuga às gentes artificialmente emproadas  que dificilmente tolerava. Tudo na Z. era natural transparente e frontal. Demasiadamente frontal.   

Agora : os sapatos deixados á entrada, desalinhados,  é uma das poucas liberdades   que desde já  assumo transgredir. Não havia meio de me corrigir: entrava  e logo iam sapatos para aqui ,casaco para ali, calças para o varandim: à medida que entrando no meu refúgio  respirava a sensação de eu, só eu ,e mais ninguém, tinha o direito de transgredir as regras da boa arrumação . Pacientemente zangada, ia apanhando tudo e colocando o rol no local aonde ao outro dia, eu encafuava o que lá estivesse e me fosse distribuído para vestir. Poderia ser amarelo, azul às riscas, o que quer que fosse: - eu vestia (ainda que fosse uma meia de cada côr). E agora, grande trabalho é o meu,este, de aprender onde estão as coisas. Apesar de que ultimamente, pressentindo o desfecho, me foi dando referências do local de armazenagem..

 No meu luto interior ( e só esse é meu!) recordo-lhe a dimensão solidária, o dar-se inteira e integralmente a todos –mas é que era mesmo todos …tantos!!!-que dela precisassem, independentemente do preço que muitas dessas atitudes nos acarretassem. Tomada a decisão,   assumíamo-la  por completo.

Por isso o nosso meio «familiar» era grande e preenchido. Se não pudemos fazer melhor, não foi porque nos eximíssemos  a uma ou outra tarefa por mais  difícil que fosse, para  o concretizar. Apenas porque não foi possível, fazer melhor, dentro das circunstâncias.

Espantosamente dedicava aos seus animais ,a mesma dedicação que dedicava aos seus. Não ia a lado nenhum sem a sua companhia. Podia tentar convencê-la a ir a um longo passeio: ia se os «meninos também  fossem». Ponto final! O mundo da Z. era o seu mundo próximo. O dos seus.

 E assim não havendo outra hipótese, um dia  fomos –finalmente! – todos.  A trabalheira para meter nos hotéis(em França e Espanha) os cachorros embarcados em malas, foi coisa épica. De outro modo os passeios ,só poderiam ter o máximo de duração dois dias.

Casaco,calças,ou outro, de que eu me esquecesse uns meses, desapareciam como por encanto. À pergunta : então  onde está «aquilo»?. Ora : olha dei a quem mais falta tinha delas que tu….Eu encolhia os ombros, claramente satisfeito….Um dia um ladrãozito entrou-me na casa da Costa.Quando foi apanhado e  fomos chamados á GNR para prestar declarações, às tantas dei que tinha vestido um belíssimo casaco de cabedal,meu. Claro que perguntei: de quem é esse casaco ? É seu :gostei muito dele,respondeu-me.

Tire-o ,já…E quando o rapazola cumpria a ordem diz a Z…: deixa, que o casaco até o tinhas esquecido na Costa. E ao «rapazinho»,faz-lhe jeito. E fica-lhe bem. A ti já te estava apertado, ora….

Fisicamente  a  Z. era um poder do senhor: agarra aí…e eu dizia, como é que te atreves?…e afinal era eu que desistia.  Esquerdina, tinha uma força desusada naquele braço ,e ai de quem o quisesse experimentar.

Bem poderia aqui estar até amanhã a falar de pequenas incidências da nossa vida em intimidade que se prolongou por mais de sessenta anos.

A secretária onde escrevo começa a estar um pouco desarrumada. Como eu. A vida também começa a desarrumar-se dentro de mim. Nunca me subordinei a nada e agora o vazio toma conta de mim.

Emocionalmente ,sinto-me equilibrado. Sobre factos futuros, não tenho curiosidade de maior. Sobreviver.
Os condenados sabem, que amanhã ou depois, os espera o cadafalso. Aos ditos  a decisão humana substituirá  a  interferência  do destino .Seremos  nós diferentes desses condenados, só porque aspiramos a uma morte sem data pré-anunciada?

Prossigamos, então, nesse intervalo, surpreendendo-nos mais a nós do que aos outros. Viver a vida por inteiro, é impossível. É ficção.
Vivamos a vida arrumando vivências, saudades, memórias, sem abdicar de viver o resto com dignidade. Aspergindo  a monotonia  da inconsistência dos dias, acreditando que só vale morrer de pois de ter amado. Mas não apenas…

Vejo para aí tantos louco a fazer-nos acreditar que acreditam nas suas delirantes loucuras, que começo a sentir  estar a perder  a minha pobre lucidez. Os meus sentimentos são fortes de mais,mesmo para quem arranja argumentos para os colocar em causa. O que os meus sentimentos podem, é estar errados com a vida.

SF

sexta-feira, novembro 09, 2012


REENCONTRO





Vem Ria!

Corre e vem roubar-me a este desengano

A este silêncio amargo que me entedia,

Tão intenso que o seu «ruído» me ensurdece.

Tenho frio de ver a noite, tenho sede de  ver o dia.


Vem Ria!

Foi no meu mar interior que o rio da vida veio desaguar;

Trouxe no seu ventre o inverno da vida.

 Vejo pessoas como barcos negros a navegar

 Cruzando o breu da noite sem se verem, ou sequer saudar.


Vem Ria!

Traz contigo o vento para varrer as minhas penas.

Quero nele verter as minhas rosas de espinhos

Quero nele sentir o ressoar do meu coração distante

Quero que ele me traga a parte do meu sonho que pereceu.


Vem Ria!

Traz-me o azul para nele embrulhar as recordações

Onde nem tudo, no passado, foi falso

Quero recordá-lo para o volver presente

Trazer para junto de mim, quem está ausente.


Vem Ria!

Oh! Quanto nos afastámos neste verão de dor

Recomecemos, hoje, o nosso inocente amor.

Deixa que este tempo  do não viver, não dura sempre:

Eu vou acordar deste sono falso, deste cansaço aparente.


Vem Ria!

Eu não sonho possuir-te, ser contigo carnal

Não: contigo não quero ser, assim, banal

Quero voltar a ver-te nua, mas não possuída

Quero voltar contigo ao pedaço de vida interrompida.  


SF. Nov. 2012

quarta-feira, novembro 07, 2012


 

CARPE  DIEM versus  BEATUS ILLE

A propósito do CARPE DIEM publicado (3Nov 2012), à medida que as horas  silenciosas vão correndo, vou  eu discorrendo….
Creio que sempre que  a vida nos prega uma partida, paramos e juramos: é agora .Parece  chegada a altura de procurar viver segundo Horácio , o poeta  venesino.
Viver segundo as regras do poeta era viver na suprema virtude (perfeição )da vida.
Seguir Horácio –e muitos juraram segui-lo ,e imitá-lo –tinha entre  outros saberes (  virtudes) o  beatus ille, que seria o viver «afastado» , num modo (propósito) contemplativo. Ora manda a verdade dizer que os nossos Árcades, cantavam esse viver. Só que  não muito longe do bulício (e prazeres)da cidade. Era o tal viver lá fora, cá dentro. Quando muito cantavam as suas Odes nos jardins públicos, a paisagem citadina que imitava (?!)a «Arcádia» pastoril.
Por mim, também aderia (poeticamente) ao CARPE DIEM.
Só que prometi fazê-lo um ror de vezes, e voltei sempre ao mesmo. Mas tantas foram as vezes que jurei dizer palavras que afinal nunca disse; tantos foram os gestos ensaiados e logo fenecidos á nascença; tantos foram os sentimentos que guardei só para mim, quando os devia lançar ao vento e deixá-los ribombar por todos os cantos….,A cada promessa ensaiada, logo voltava à estaca zero.
 Chego pois á conclusão, que (já) não mudarei, embora o tenha prometido, agora,uma vez mais.
E  por isso continuarei a querer importar-me ;e continuarei a querer saber; e continuarei a aceitar sofrer. E continuarei a guardar a sete chaves muito dos meus sentimentos, que não contarei  a ninguém. Que levarei comigo. Como levarei os gestos e as palavras, os sorrisos e as lágrimas.
E vou andando. Continuarei a deixar-me agir impulsionado por um qualquer sonho. Não tenho outro modo de me deixar existir. Parece que nunca aprendi. Ou não quis.
E discorro: os avisos e propósitos de Horácio, ficaram registados  nos compêndios literários. Morrem lá enterrados, bafientos. Utopia inalcançável..  

SF  (7 Nov 2012)

sábado, novembro 03, 2012


 

       Carpe diem

 

      Recolho-me aqui, bem para junto de Ti

       Na tentativa de me render à filosofia

        Da natureza que nos criou e alimenta.

       Carpe diem ,

        É a mensagem que me pareces recomendar:

        Saber é proibido.

        Querer saber o fim que um qualquer «deus»

        Me dará, é proibido.

        Saber se faltam ainda poucos

        Ou muitos invernos, que um qualquer «deus» me concederá,

        Saber até se este  não será o ultimo,

        É proibido.  Fugaz, é a única certeza da vida.

         Mas se o for, que  sendo este o ultimo

          Não seja o menos importante.

         Traz pois contigo as musas para com elas beber

         Todo o meu vinho;

          Que o melhor  não fique guardado

         Bebamos à vida; olha que o tempo é ciumento

         E foge para longe de nós.

         Deixa-o ir; fica aqui junto de mim,

         Nunca acredites no amanhã!

          Vamos aproveitar o que a vida nos oferece

           E colher  cada botão acabado de florescer

           Antes que só nada mais haja que espinhos

            Para  viver ou..morrer.

             SF   1 Nov 2012

quarta-feira, outubro 31, 2012


 

 O complexo problema da Fé

 Com a  morte a rondar-me  a porta, num ciclo cujo timing alterou as minhas perspectivas de vida, remeto-me, nestas horas pateticamente dolorosas, porque nos sentimos perfeita e irremediavelmente vencidos.IMPOTENTES.
E claro  há pequenos (grandes!) problemas com que inesperadamente  nos deparamos, depois de uma vida em comum, pacífica, onde nunca houve  a mais pequena divergência  no que  concerne às convicções religiosas de cada um. Respeito integral de cada um, pelo outro.
Ambos fomos educados  dentro do maior respeito e prática  cristã. Cedo, de minha parte ,tal praxis foi conscientemente abandonada. Mas sem nunca colocar em causa o caminho que o outro queria seguir. Nunca falámos ,minimamente desta divergência.
E por isso neste momento transcendente do fim ,vi-me confuso de como proceder em relação ao possível desejo de reconforto cristão, que acredito desejado.
E dei comigo a reflectir:
Aceito que uma das razões, a ultima, do cristianismo será o de dar ao homem ,uma indicação substantiva de uma regra moral a seguir, certamente porque é admissivel que o homem o não conseguiria fazer por si só, ao não ser capaz  de atingir tal desiderato pela própria razão.

Se assim fosse a a religião confinava-se á moral.
Creio que sim.
E se assim for,e tal como me posiciono, aceito um «deus», não à minha imagem ou semelhança mas ,sei lá!, um simples(ou complexo) programa evolutivo que se auto programa onde reside um princípio  racional  supremo. Nada de qualquer apropriação religiosa.

Senos Fonseca

sábado, setembro 29, 2012


 
 
O impagável  Relvas
 
Hoje ,RELVAS  alerta para o risco de se instalar a falta de confiança do povo,nos políticos.
Eu já admitia que este tipo era literalmente um caso de desajuste entre o que é na verdade –um impreparado no sentido literal do termo – e a paranoia  que o faz pensar viver numa impunidade absoluta.
Este  bácoro que desde miúdo mama na política, é certo, já fala pouco. Mas quando abre a boca sai asneira: baba-se com a leituça a escorrer-lhe pela boca .
Se há no mundo sujo da politica, alimária que desilustra a  referida classe ,colocando-a ao nível  intolerável de indigência ética, fétida , a este Relvas- asno bacharel que mal  saber ler nem escrever – a quem se não podia entregar a gestão, sequer, de uma fábrica de água quente,chamavam-lhe doutor .E teima em ser Ministro.

Parodiando Eça quase valeria dizer: «que a este (Relvas) ,em cujos ombros,a tal universidade(?!)lançou um capelo, o povo  lhe ofereça um monte de trampa» e o mande engraxar sapatos.
 
SF

sábado, setembro 22, 2012


 

Foi Você que pediu um «d.sebastião»?:
Sem duvida estamos a viver um período decisivo para o futuro deste País, como Nação independente, liberta de peias e teias «troykianas » (confusas, erráticas, ideologicamente dirigidas contra o elo mais fraco, muito dolorosas).Um país servil.
Importa-me pouco os erros que se cometeram. Todos(digo todos!) cometeriam os mesmos erros ,como aconteceu com todas as famílias deslumbradas com as facilidades de crédito ,que, quase de um modo  forçado lhe  foram impingidas. Nem sei onde estaria se não tivesse s ido sempre indiferente às loucuras que me foram oferecidas de bandeja .Os bancos pareciam ter ensandecido. Em vez de darem  uma corda a quem lhes desse um porco, inverteram: deram porcos a quem nem corda tinham para o amarrar. E até ofereciam porcas já prenhas (carros, cortinados, férias etc . etc,)
Como sair agora desta tramoia?
Pensam muitos bem intencionados que  vejo (e ouço) nas manifestações,  que sairemos do buraco alavancados por  uma democracia onde todos terão  representatividade nas opções a tomar. Já temos experiência suficiente para não acreditar em «boas» (na maioria), e disfarçáveis  intenções (nuns poucos..por lá misturados).
Quem o pensar cai em puro engano.
Não há modo de viver democraticamente com pouco ou nada para dar.Muito menos quando há (ainda) muito a retirar para pagar (como e a quem?!) .O caminho do desenvolvimento acelerado é vereda tortuosa, que só uma ignorância tonta julga ser sempre a descer em roda livre .Por isso nenhuns dizem por onde é esse caminho(creio que muitos já o perceberam) .Quanto mais formos ao fundo –e estamos a ir! –mais difícil vai ser recuperar o espaço perdido.
Não sei, pois, como sairemos  desta situação. Sei apenas que adiar nada resolve. E que teremos de passar, por momentos e tempos, ainda bem mais difíceis.
Na minha vida vivi e defrontei  situações reais  a que me coube(empurrado às vezes) resolver. Sempre   situações que pareciam irreversíveis. Tive sempre o cuidado de explicar  aos proponentes, o que iria fazer e, mais importante: – o modo  como iria proceder ,o que queria alcançar, como iria lá chegar,  e os prazos que   me concedia. Ninguém mo exigia.Mas era eu que me queria amarrar ao compromisso .Pedi crédito para as decisões que iria tomar..Fixei sempre –mas sempre! –prazos claros: ou conseguia ou vinha-me embora. E fixei sempre – mas sempre !– o tempo da minha intervenção. Para mim sempre houve uma clara necessidade de todos saberem o tempo que precisava para aplicar as «minhas regras»(?)por vezes bem duras, correctivas, às vezes (aceito) no limiar do procedimento dito democrático. Era conhecida a minha decisão, sempre inabalável, de me não prolongar depois das coisas resolvidas. A mim competia-me resolver o momento difícil (o que confesso sempre me motivou e deu gozo),mas não viver depois o tempo de vacas gordas, que vinha a seguir. Deixar as coisas bem gordinhas era o meu gozo supremo. A minha recompensa .
Ora isto vem a propósito da minha convicção :

                  1-Ou a Europa reformula radicalmente a ideia de prazos curtos  e dolorosos para os «paises pobres» pagarem a divida(vivemos essa situação de divida publica desde D. João II),  dando condições de desenvolvimento  e assegurando limites de endividamento compatíveis com o mínimo de bem estar colectivo  (pois não se podem ultrapassar limites sensíveis, incompreensíveis ),ou não iremos a aprte alguma. Em asuntos deste tipo quem não souber chegar-se será o perdedor.
(É inadmissível que esta não seja a preocupação primeira de quem nos dirige, só explicável por falta de experiência de liderança. Uma liderança convicta compromete-se ,mas exige em contrapartida, crédito para as suas decisões. Os que no dirigem capitularam. Renderam-se…)

                    2-ou a tal não acontecer, ressurgirão (aqui e lá fora) acontecimentos  sebastianistas.
O nevoeiro  cobre já este País. Depois não nos queixemos.
As manifestações acontecidas ,aqui e em outros países, são,  não  só dirigidas contra um governo de «rapazolas» imberbes e impreparados, tontos,que em vez de estarem a servir de porteiros numa empresas decente ( emprego bem mais compativel com os seus conhecimentos de Jotas de um qualquer democrático partido, do chega para lá) se apropriaram do poder representativo partidário, desinteressado e distraído,fora da bagunça eleitoral.
 As manisfestações grandiosas,não corporativas,  são  claramente uma rejeição do  sistema partidário que entre nós cresceu e se enquistou.E deita puz por todos os poros. De todo,ninguém já não acredita em ninguém.
E quem se julgar fora do acto de rejeição, está perfeitamente enganado.
SF

                                 

 

 

(E lá chega o Outono de novo)

«OUTONIÇO»

Acordo hoje
Nesta manhã que sendo linda
A mim, doente me parece.
Como as folhas das árvores que o Outono amarelece.
Olho o céu que se mostra, aqui, pequeno
Sem lonjuras onde pouse o meu olhar
Além! 
Estou triste,ao olhar a minha gente deprimida
E eu ,outoniço, também…

Senos Fonseca

 

sexta-feira, setembro 21, 2012



Ora digam lá…..
  Ultimamente têm circulado na Internet excertos  de textos provindos da pena  de monstros sagrados das escrita portuguesa: Eça ,inimitável na forma e conteúdo, ironicamente certeiro e contundente como nenhum outro, um  «farpador» exímio;  Torga ,telúrico, de uma tempera vibrátil, de uma força impetuosa   e vivência ofegantes ; Saramago, inconformado  fugitivo  de uma cegueira colectiva,   questionador  do iberismo na  europa dos ricos,um «Blimunda» vidente dos novos tempos . Catando esses nacos de prosa excelentes, vivos e contundentes,  cola-se o seu conteúdo  a uma leitura dos tempo actuais de crise profunda. Crise de um País à beira do soçobro, por infantilidade de uns impreparados politicos, inconscientes rapazotes que foram conduzidos a uma ratoeira  ideológico ,soberanamente montada, onde uns poderosos de rosto desconhecido, mas intenções escandalosamente bem conhecidas, pretendem,de uma vez,  vergar a dignidade do «trabalho». A luta de classes levada ao extremo.
 Se a referida crise serviu ao menos para reencontro com   as preciosidades literárias –ricas e ajustadas – dos  nossos maiores ,então ironicamente, poderemos dizer que nem tudo foi mau.
Depois :a barricada é lá em baixo na rua da  Bistega, indicava Eça.O (des)governo está morto e embalsamado.
Ora o certo é que eu sempre me deslumbrei –e por isso li e releio, assiduamente- aquele que para mim é,inquestionavelmente, o príncipe das letras lusas ,o P. António Vieira(sendo eu um descrente absoluto,o que não me impede de o eleger,príncipe dos príncipes).Ler Ant.Vieira cria-me sempre fervor e amargura.A amargura advém de me sentir canhestro e desprezivel escrevinhador de horas (e matérias) vagas. O fervor está em  em descobrir,permanentemente, um deslumbrante exercício de retórica humanista indestrutivel.Nem sequer confrontável. 
Não é preciso ir muito longe na sua leitura para encontrarmos quadros ,eles também, assustadoramente ,actuais.
Retiremos um ….
A primeira coisa  que me desedifica (…) é que vós vos comeis uns aos outros. Não só vos comeis uns aos outros ,senão que os grandes comem os pequenos .Se fora pelo contrário era menos mal. Se os pequenos comerem os grandes bastará um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem ,nem mil para um só grande.
(….) porque a  a plebe e os plebeus, que são os mais pequenos ,os que menos podem(…) são os comidos.(P .A.V.)
Oram digam lá,que não é actual.
SF
SF

sábado, setembro 15, 2012


Manif
É claro que este Governo que tão mal, desastrada e tão incompetentemente nos (des)governa, está ferido de morte. As brutais manifestações populares,genuínas, carregadas de emoção,autênticas,despidas de institucionalização corporativa, são a sua certidão de óbito.Paz à sua alma,sé é que a merecem.Sejamos piedosos.
Mas..,
 esta manifestação(global) é claramente  anti-partidária.Pretende ser uma espécie de reedição do «Povo Unido». E manifesta o seu repúdio por «toda » a classe politica partidária.
Ora assim sendo (foi assim que a senti…),estamos perante  um  complexo problema, tipo quadratura do circulo.
E quando assim é, poderá,num repente, aparecer um novo D.Sebastião.
 Isto é alguém que mande. Porque o governo, esse, está na rua.
Difíceis os tempos que aí virão.
Não nos podemos esquecer que se este governo lá está,grande culpa disso deve ser assacada ao BE e ao PCP. Por isso estes dois partidos também estão claramente debaixo de fogo.Ainda que o disfarcem feitos pombas brancas de papel.
Isto pode ser o dia zero,mas não, apenas e só, para o governo.
 
 
SF

domingo, setembro 09, 2012


 

Ílhavo: Terra de túmulos vazios….

E depois de uns tempos – curtos, muito curtos,e este ano muito amargos – eis que volto á terrinha da  Nôcha.
Desinteressante, a terrinha arrasta-se neste lamaçal onde ninguém parece interessar-se pelo  estado de espirito que a corrói.
Indignados (cá) não existem.
Existe apenas um  jornal (Ilhavense) que, sozinho, vai lucidamente registando para a história, como um peralvilho( gigânteo serôdio populista) se apossou  dos destinos desta terra de pachorrentos  e  acomodados indígenas,  esbanjando –lhe o património material (foi á falência a «tasca» do Senhor da Maluca), cultural ( afogado no tanque dos bacalhaus que lhe deu volta à tontinha farófia que nele substitui o  miolo pensante do erectus); e social (dividindo os indígenas em «meus e os outros»).E a dita que outrora era excelente, se viva fôra,é hoje carcaça de navio  encalhado: apodrecida(moral e materialmente)cheia de carepas, de musgos ,decrépita, sem cordame, mastreação carcomida e história pálida e obscura. Sem tripulação, espera para ser desmantelada como foi o  «avé maria».
A Oposição (?)  aos costumes (e por costume) nada diz. Meteu o fole entre pernas e foi a banhos(maria & comp).Tão lestos quanto puderam. Palrarão sim, mas lá para o ano: a chinfrineira habitual de que «agora é que vai ser». Hão-de charilo, os cachopos! Serão os putativos e eternos candidatos, a candidatos. E nunca serão mais do que «petit patapons». Debalde passeiam. Debalde falam. Debalde se mostram (escondidos).  Finaram-se. Isto de ter opinião, cansa. É necessário inteligência, imaginação e vontade para o trabalho. Eles tomam o seu tempo por um tempo de capitulação. e por isso desertam. Estão mortos embalsamados,prontos para ressuscitarem. Não ao terceiro dia,mas para o ano, para as calendas eleitorais. Por ora mudos, inertes,  apodrecem entediados. Mortos.
Ninguém hoje na terrinha da nocha, tem  espirito e muito menos vontade. E  nem sequer consciência. Aqui não se escreve ,não se lê, nem se conversa.E qualquer dia já nem se fala.
Hoje em ílhavo não se pensa e muito menos ninguém se interroga (salvo o J.A no FaceBook).Há um silêncio terrível que cobre o burgo. Silêncio dos cemitérios, onde se não pensa e apenas se está.
Ou falando ilhavês:-um porão carregado de bacalhau, contaminado de «rouge alaranjado».Podre e mal cheiroso.
Ílhavo é, isso não se duvide, uma terra de túmulos vazios. Os «ocupantes» vagueiam por aí.
   SF

sábado, setembro 08, 2012


DESPEDIDA ….hoje…

Cansado
De  mim, ou da vida por mim,

Venho aqui ao meu terraço

Para me despedir de ti, fim deste  ano tão ruim,

Que não deu nem para um pequeno namoro

Nem para te dizer as palavras que para ti guardei;

Não houve tempo. Coitado de mim.



Vieste bonita para o adeus.
Encharco o olhar no brilho que reflectes nesta noite.

 Embevecido
Pouso os olhos no prateado
Que flutua em ti

São miríades de estrelas a brilhar
No vestido com que me convidas

Para em ti nadar

 
É então que me  decido;
Lanço-me nos teus braços,
Aconchego-me ao teu corpo húmido

Bebo do  teu  perfume  
Afogo-me na doçura dos teus enlaces

Embriago-me no licor dos teus beijos
Teço a rede com que entrelaço teus olhos.

Faço-me teu, assim

Na inteireza do  meu nu
Como nunca me fiz,

Para assim melhor te sentir

E possuir;
Teu desejo  a desaguar em mim
Meu desejo  a morrer em ti.

 

E sei..sei  que amanhã   já não virás
Viverei  então de recordações: voltarei a ser eu

O mesmo de sempre
Inconstante a desatar  o nó cego,
Lucidamente a repudiar quanto não enxergo

A voltar, lentamente, à realidade.

A sonhar contigo, o mar, e o longínquo firmamento

Serei eu, sozinho

A cantar o azul do meu encantamento;

Contigo no pensamento nunca morrerei  dentro de mim!

 
Mas compreendo uma vez mais
Que não posso ser só teu,

E que a ilusão me venceu

Por ora.

Descansa; não sou de ninguém
Não posso mais dar-me

Pois não posso moldar-me

A ser outro que não eu,
Tão longe de ti, como de mim.

Não …

Não posso ser mais nada
Só eu…

Só eu

No intervalo das aventuras
A procurar-me

Por entre o vazio das palavras

Que guardo para ti.
SF(7 ag. 2012)

  VIDA CUMPRIDA:... Ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, desenvolvi,a convite honroso, a palestra: “ As Artes da pesca no Norte ...