segunda-feira, março 21, 2011

A BARCA DA “PASSAGE”


A barca da passage era ,desde os primeiros tempos em que as xávegas vindas da Costa Velha, da Srª das Areias, aportaram à Costa Nova, o único meio de acesso ao areal para onde tinham vindo fainar as companhas da pesca. Eram centenas, os pescadores empregues nas mesmas; mais o mulherio que ajudava no desembaraço e na escolha do peixe, e ainda os mercantéis. A que se juntavam os muitos almocreves que pela noitinha, burricos carregados  alombando com a sardinha, se embrenhavam por esses caminhos perdidos da serra.Ladeando vales e barrancos, para ao outro dia, logo de manhã, não faltar com a venda da prateada sardinha, lá para as beiras interiores e bairradas.

No início, ainda as companhas usaram enviadas para facilitar o transporte ao seu pessoal .Mas a confusão gerada, cedo indicou que o bom sentido era o da privatização (?!) daquele meio de transporte, deixando-o nas mãos de barqueiro, que, dono da sua própria embarcação, estava sempre disponível para fazer várias vezes ao dia –e até de noite – o transporte, de pessoal e material.



A largada da barca, sem hora rigorosa marcada, era anunciada por um toque singular, roufenho, saído de um búzio que se ouvia -nesses tempos isentos de outros arruídos incómodos -a um bom quarto de légua de distância.
Antes de largar dos moirões, o arrais dava uma olhadela lá para o fundo do caminho, a ver se divisava alguma alma atrasada. E quando tal sucedia, se a distância a percorrer não demorasse mais do que escassos cinco minutos – pelo cálculo do arrais, entendido nesse assunto! - adiava-se a partida .Certo é que tal adiamento, gerava, de imediato, uma zanguizarra dos diabos, com os passantes já embarcados escalabrados pela demora:

- Eh Ti Labareda . Astão vossomecê quer-nos fazer perder a maré ?...estipôr malino!…Por causa duma marafona atrasada ,que esteve, foi, entre pernas mais tempo códebido ,e agora nos faz esperar ?!.Largue mas é …homem dum raio!. Largue que temos freima de chegar á outrabanda .
-Calende-vos ou ides a nado, que ides mais depressa – respondia o arrais,moído de tanta algaraviada .

Chegada a Rosinha «Escudeira», a conversa mudava de tom e forma.Era imediatamente outra .Aquela gente era muito sabida.E então no fingimento :- umas doitoras !

-Ah Rosinha ,q’uim fim q’ue sempre achegastas ;filha ! Se não fossamos nós,o raio do Labareda não esp’rava por ti .Raios do home, c’anda sempre com o fogo entre pernas. E não há quem lhe acalme a marola.

                                     

                        O Labareda ( des. J.Antonio Paradela)

-Credo!...Fosse eu nova, e, cachopas!,….o pavio do Toino derreava -faiscava a Alzira «Saltoa»,mulheraça já cansada,enxuta, de convés corrido por tanta vaga, moradora lá para os Sete Carris. Só para adiantar conversa, para bisnagar .Para a galhofa.
O Labareda ria-se com tal desfaçatez.Ele sabia que era tudo boa gente.Aquilo eram tudo facécias.Pois numa astrapalhação, num momento mais doloroso, eram bem capazes de despir a roupa, para com ela agasalharem uma delas. Gente de acudir, solidária e amiga. Mas gente simultaneamente brincalhona, ladina, tarrinca, naqueles momentos de descontracção em grupo.
Ordem de largar,
o ajudante á proa enterrava a vara no ombro para aproar a barca a oeste .O arrais deixava-a descair um pouco, para logo dar ordem de meter a pá da borda. Leme a meio, caçava a escota retesando a vela com a dupla laçada na draga, fixando a mareação numa proa apontada ao trapiche da outra banda,ali ao lado do Salão do Arrais que, se o noroeste ajudava ,poderia ser alcançado em dois bordos.
Já por diversas vezes, o Labareda chamara a atenção, ao regedor, de que a mota devia ser deslocada para sul, aí uns cem passos, pois, se assim fosse, num só bordo, fazia-se a travessia .Se o vento era frescote – e quase sempre o era, bufando lá do noroeste - cinco a dez minutos eram mais que suficientes para laçar moirão na Costa Nova .

Durante a travessia era uma algazarra; a miudagem correndo a sentar-se no bico da proa, sonhando com o dia em que se sentasse ao leme, a retesar a escota ,e rumar ponteiro ao outro lado.

Os almocreves que tinham deixado os burricos a descansar na estrebaria da  «Bruxa» ,a recompor-se da jorna com palha fresca – pois que para cá tinham vindo carregados de azeite vindo lá das serranias,o melhor !- deitavam contas à vida na tentativa de ler o tempo. Imaginando como seria a noite, em que serra acima ,ladeando a ravina ,atravessando o riacho, metendo à desbanda por um atalho conhecido …toque… toque… , lá iam por entre pinheirais a zangalhar, assanhados com a ventania da noite que facilitava que por ali surgisse algum marmanjo da rapina. Percorrendo ligeiros os caminhos do interior a carrear a sardinha fresca. Por isso, e porque amanhecido o sol era tempo de entregar o carrego lá para as bandas de Viseu, havia que dar ao pé .Burro, e pimpão almocreve.

Por vezes aparecia para atravessar na barca, o João«Ruço»,exímio tocador da concertina que fazia as delicias dos embarcadiços. Encostado à barra da escota, atirava-se ao «vira que vira», esbofando a sanfona ,enquanto com dedos ágeis percorria os botões das notas .E logo duas pescadeiras saltavam, lestas, para o centro ,saltitando e rodopiando. Pés descalços «sapateando» nos paneiros ,enquanto a voz fina mas timbrada e maviosa da Joaninha «Cantadeira» se fazia ouvir, depressa denunciando a origem :



Meninas vamos ao bira
Ai ! que o bira
É coisa voa
Eu já bi dançar
O bira
Lá p’rós
Lados de Lisboa

Ai! bira» que bira,
E torna a birar,
As «boltas» do bira
São voas de dar

Enquanto isso, as cachopas num falazar grazina, aproveitando o ripanço daqueles breves momentos, lá iam em conversa onzeneira:

- Astão Rosinha? fostas a ultima a vir lá da vila .Deves saber nobidadas .Disque lá ,chopa !...

- Novas(?!), só que entrou na barra o iate do Ti Cachina, vindo lá da estranja .A Ana «Fradoca» foi esperar o homem, o Armando Ramízio .Logo à noite, lá p’ró Arnal, vai ser uma zanguizarra dos diabos .Sete meses de fastio, gentes !...,nem as pulgas incomodam. Chegada a hora, vai ser tempo de medrar menino .Idas ver - ia dizendo a Rosinha.

- E olha c’os tempos não estão nada p’ra isso, rapariga.Só vejo fidalgotas a cheirar o frescal, e a desdenharem. Que não presta, dizem !O que essas delambidas querem, é «dado» .Mas enganam-se .Que cá a Zefa, dado, só ò mêhome. E num é sempre !. C’ás vezes lá lhe caço uma felpa, a troco do festim. Que não é para o gabar – q’inté é p’rigoso com tanta serigaita a c’rer pastar - mas cá o meu Zé é danado p’rá brincadeira .Num é por ele ser o mêhome,mas aquele bardal prece c'anda sempre esgalfo pela jája.

- Ah!... Zefa ,c’alte …Tu sabes q’ué bom, porque nunca comeste doutra malga. Amorna-te aí…. raios! Tem relego nessa língua e não nos desinquetes,com essas toleimas.Mogadinha de mim que h´a benícias que nem escasso cheiro.

Outra figura que era habitual, de tempos a tempos aparecer a tomar o seu lugar na passagem, era o «amolador». Lá vinha empurrando o carrinho de roda com os apetrechos para colocar a gataria nos barros esfanicados, ou esmeril aconchegado. Pronto para afiar os navalhões da trupe das campanhas, ferramental indispensável ao exercício diário daquelas gentes, precisando do gume bem afiado, capaz de cortar papel em tiras de enfeitar .O ti Francisco da «Gaita», assim chamado por anunciar a sua presença de porta em porta, por uma gaita de beiços ,com sonoridade distinta e singular, que era o aviso para se ajuntar todo o material a necessitar de reparo, à porta dos palheiros, onde exercia o sei mister.

Ti «Gaita» –dizia maldosa a Berta «Lamaroa»- vossemecê não é capaz de me pôr três gatos numa racha, p’ra a aviar como nova?

-Asponho pois..não havia de m’astreber eu .Atão que é lá isso?. Cuida-te, ósdepois ,porque os gatos miam de noite, se incomodados, e gostam de tripa miúda - respondia sisudo o «Gaita», homem de pouca conversa fiada. Que fiado só os muitos calotes por trabalhos feitos àquela gente, a aguardar paga, à espera de melhor maré .

Tempo de chegar. O arrais media a distância, e, chegado o momento ,orçava, apontando a proa ao vento. Folgada a escota, recolhida a pá da borda para cima da tosta , o vento e a corrente levavam a borda da embarcação a beijar, suave, o trapiche a que acostavam, para descarrego das gentes.

Era um desaforo. Uma restolhada dos demónios .Todas queriam ser a primeira a colocar o pé descalço no tabuado da mota ,lestas para chegar à escolha e venda do peixe .Se o não havia fresco ,porque o mar não permitiu lanço ao meia lua ,carregava-se do escorchado. Que à falta de melhor ,também tinha clientela.
À volta, no regresso ai fim da jorna , era um queixumar de arrenega .

-Danado do mar! Escajunrrado.Aquele cão anda mais «seco» que trimbaldes de porco capado; o peixe branco está pela hora de morte, não se lha pode achegar .Mais caro c’ós pozinhos de maio, milagreiros , da botica do Ti Cunha – queixava-se a Ana «Espadela» maneando a cabeça num esgar de nojo, ascupindo para a borda..

Mal , acomparado, - que comparações só se podem fazer com os santos - era assim :
À ida :
- Maria,adonde vais tão pimpona ?!
-Para a «festa!!!»
À vinda :
- Maria ?:- de onde vens , cachopa triste:
-Da… «fe...sta…»
SF 8Março 2011)



















quinta-feira, março 17, 2011



E então vai ser assim….(II Parte)

 
Portugal é um país de «mourinhos».Isto é, um país de hábeis e geniais estrategas.

Começou a prole com o biganau  Alphonso,que tinha o vicio de assobiar aos mouros, imitando rouxinóis de noite (?).E quando estes se punham á procura ...pimba :  berrincha para cima dos infiéis,emigrantes desorfados da altura.Aqui d'el Rei,de foice ou forquilha, ia tudo na frente. 

Agora, exemplo claro disso ,a magistral jogada de Sócrates.Chamada pressão alta do terrivel campeador.

Há dias -lembram-se?! - previa-a. E dela dei conta no Blog  http://terralampada.blogspot.com/2011/03/e-entao-vai-ser-assim-1-socrates-forca.html . O primeiro passo, aí está.

Entretanto o País continua a melhorar e a entrar num rumo de onde nunca se deveria ter afastado.

 Sacrifícios? Pois claro, ou pensamos que isto é para brincar…

É altura para os outros dizerem como vão fazer…ou então cambalhotar…Que raio :- quem nunca deu uma cambalhota que se acuse.

 (gaita também não era preciso avançar o pelotão inteiro...que diacho.)

Crise é crise,mas há muitas maneiras de a controlar :- poupem com o que é Vosso. Ou julgam-se todos Berlusconni's.

Aladino

quarta-feira, março 16, 2011

Pegadas …



Pela beirinha do mar sigo as pegadas

Infindáveis,

Por outros, deixadas no areal;

Muitos outros, tantos!

Que como eu perseguem

A procura de se reencontrarem.

Esquecer o passado meu

É o mesmo que correr atrás do vento que me fustiga;

Nele pouco encontro de que valeu.



Vem o farfalho branco da vaga

E tudo que está para trás apaga.

Como se a vida recomeçasse de novo

Tento olhar em frente e seguir caminhada.

Para onde vou(?) Não sei.

Sem o peso dos erros vou mais leve,

A deixar de novo as minha pegadas,

As minhas marcas, na vida ainda que breve.

O passado foi-se

O importante é que desperte um novo dia

Em que volte de novo a ser eu,

Mas um outro eu.

Agora, inteira e totalmente: LIVRE !

SF  -Março 2011

sábado, março 12, 2011


E então vai ser assim:



1-Sócrates força o PSD a mandá-lo embora,


2-Cavaco fica à rasca,


3-Convocam-se novas eleições,


4-Santana Lopes constitui um novo Partido,


5-Portas perde com Santa Lopes,


6-PS E Santana L. têm a maioria absoluta,






O Filme da nova geração «ROSCOF» começa dentro de momentos.


END .



ALADINO  (TERRA DA LÂMPADA)

sexta-feira, março 11, 2011


O passado …passou…



Sentado no terraço

Afundo o olhar na ria,

Ao querer saber tudo a meu respeito.

Sinto a brisa quente que me traz o aroma da saudade

Vejo no espelho do seu azul prateado

Enigmático sorriso estampado no meu rosto baço;

Afinal , a vida pode ser olhar…e nada mais.



Neste fim de tarde quero lembrar
As últimas ofertas de sonhos
Os últimos momentos em que me dei
As derradeiras palavras que escrevi
Os últimos afectos com que matei a tua sede ..

 
Não consigo reencontrar-me ;
Recolho o olhar
E regresso para dentro de mim.
Nesta desconstrução que persigo;
Mas não consigo dilucidar,
Pareço não ter deixado rasto
Naquilo de que me afasto.
Nem ao menos dos momentos que contigo
                                                          [ vivi



SF  Mar 2011

terça-feira, março 08, 2011


CADA GERAÇÃO QUE ASSUMA O SEU TEMPO.


É o tempo de se andar mascarado. O País parece aproveitar a ocasião, e vive a fazer de conta.


-Geração Rasca…ou à Rasca …ou Parva, são várias dos slogans «pimba» que suportam  encenações para que a juventude possa de diferentes maneiras, chamar sobre si, a atenção.


Devo contudo começar por afirmar que os dizeres da canção dos Deolinda, agora na berra, feita hino geracional, são em si mesmo, uma «parvoíce».Fiquei desiludido. E os cantadores da «Luta Continua», imagem rasca de Zeca Afonso & Branco, são de uma pobreza diletante. Imagem popularucha, de uma demagogia que arranca a custo, ligeiros sorrisos, mais pelas figuras tipo emplastro, do que pela lenga-lenga.


Ser-se «parvo» por estudar e aprender (sempre e todos os dias), é de todo em todo,  uma mensagem perfeita mente parva.


O que esta geração teve foi o que outras anteriores, ainda recentes, não tiveram: a solidariedade nacional para permite a todos, em igualdade e de borla, poderem adquirir os conhecimentos para…


(Aqui é que a porca torce o rabo….)


...,não para arranjar emprego, mas sim para trepar na vida, conforme o merecimento e capacidades. Que isto de igualdade (para lá das oportunidades concedidas) não conduz a ilha paradisíaca nenhuma.


Muitos –a maior parte! – dos que compunham a geração a que pertenci, não tinham possibilidades de aprender. E aos quinze, dezasseis anos - ou antes! - já trabalhavam bem no duro por uma côdea de pão. Essa sim, era uma geração (quase) sem oportunidades. E quando emigrou, a salto, foi para habitar os bidonvilles.  Agora quer se cante quer não - essa geração nem podia cantar, senão, o «Lá vamos cantando e rindo...»- o mundo está cheio de oportunidades (agora é que eu queria recomeçar)  mas é preciso trepar e a pulso, para as agarrar.E a pulso, esta nova geração só sabe fazer outras coisas. 
Não são os parcos conhecimentos obtidos num curso superior qualquer (andam por aí ás centenas diplomas de nada) que dão direito ao putativo emprego.É o que se aprende no trabalho,no dia a dia, que irá definir o êxito.


Mas que é bom ouvir a juventude a pronunciar-se, entendamo-nos: - é bom e pode ser que do hábito nasça uma postura de abordagem da vida bem diferente.


(achei especialmente oportuna, e até inteligente, a cena de interromper o 1º Ministro)

2- «Descontentes»

 
Descontentes …há muitos. Uns bem intencionados, outros nem por isso.


Preparem-se…não acreditavam que esta confusão toda era, principalmente, produto de uma crise (uma completa subversão das regras da economia), vinda de fora, dos mercados(?!) invisíveis que ninguém controla ou sabe identificar? Vão então ver no que isto vai dar. A crise já não está só por aqui perto, pela Europa. O estouro vai chegar a todos os lados.


Crise?... Há ainda quem não tenha percebido o que aí vem. Pois que se preparem …


Aladino


PS- Na minha vida profissional nunca aceitei fazer um contrato com o empregador.Um unico que existiu por insistência do patrão, ficou guardado no cofre do mesmo.Livre como o passarinho.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

RE…no seu melhor.




Leio no «Diário de Aveiro» a espantosa entrevista feita (?)  a Ribau Esteves, em que este,  despudoradamente, se oferece como putativo candidato à Câmara de Aveiro. Iniciou, assim,RE,a caça aos «gambuzinos». Coisa perfeitamente aceitável.

Mas qual é a estratégia usada?

O Senhor Ribau Esteves  - que se assume  a mais destacada figura politica regional- examina com prolixo critério as reformas que o País precisa.Como menina virgulada, malsina os despesistas que nos levaram ao descalabro.Esquecendo-se que só á sua conta vão 50 MIlhões!
Ora depois de o ler fica-se com a ideia que o País não precisa de reforma alguma. Isto está tão arruinado que já agora melhor é deixá-lo assim. Muda-se apenas o Terreiro do Paço e fazem-se vários «terreirinhos municipais».
O Senhor tem ambições e a sede de um nome.Esta é, pois, a Reforma- RE.

Não podemos deixar de admirar o Senhor:-entrou de bibe em Ílhavo, e sai de fraque e cavanhaque.
A entrevista, um monte de pensamentos e ideias, erráticos, género eu pergunto e eu respondo (é mais rápido e fica mais barato) parece ter como ideia o fixar uma «Nova Ordem (p&a) para o País».Assim mesmo.Já transmitida (é o que diz) ao Presidente do seu Partido.(Por isso entende-se mal porque é que este convidou o historiador Rui Ramos e lhe encomendou coisa parecida. Se já tinha em casa quem lhe fizesse o trabalho….)

Essa «Nova Ordem» tem como premissa enterrar o «Centralismo do Terreiro do Paço (coisa nova (?) que vem sendo falada há séculos!). Novidade pois, nenhuma…


Mas no seu discurso de frescata bamboleante,primeiro de ambito pátrio,logo depois reduzido ao poder local, espanta é que quem tenha assim, ideias tão «claras e brilhantes», como o «bota abaixo do centralismo» inibidor, gastador e afastado, é quem venha propor o «Centralismo Local»: – intenção final de toda a encomendada entrevista!
 E o que nos propõe  RE ? ;nem mais nem menos do que a definição de uma «nova estrutura Municipal».

E antes que se não faça entender ao que vem, logo oferece uma «fusão» dos Municípios de Aveiro, Ilhavo e Vagos.

 
Não deixa de ser curioso….

 

Aqui há dois ou três anos, RE descobriu nas páginas de um livro proibido - afinal anda por aí, cuidado! … -que  na história de Ílhavo terá havido um hiato de tempo em que o Concelho esteve fundido, anexado, a Aveiro. Desanexado ao fim de três anos.

E zás … Mesmo que tenha descoberto o facto, 110 anos depois da «libertação», dá de fazer dessa data da independência,qual grito do Ipiranga,ou passagem do rubicão , calendário Municipal. Todos os anos vem comemorando o acto libertador. Fê-lo ainda há dias…Evocação tipo «5 de Outubro» de antanho, com pompa e circunstância. E claro, inflamado discurso.

Ora  a ideia é tão estapafúrdia- inconsistente e vaga - que qualquer ceguinho «vê» o que pretende RE com a farfúncia: - nos Clubes de futebol, um candidato quando se oferece para lhe presidir aos destinos, acena aos votantes (associados) com pipas de massa, ronaldos, e até, mourinhos. RE enredado numa teia de fraseado retórico imita os charlatães (enquanto esquece Focião)….e oferece numa bandeja, aos cagaréus, o Concelho destes cordatos e amansados «ílhavos».

E julgam Vossências que alguém contestaria o «dono»? Aposto…

«Isto» desceu a ponto tal, que já não andamos de pé. Mas de gatinhas…

Estranho mundo este. Estou cada vez dele mais enojado.

 
Aladino

Ps:nestepaís, já Ramalho&Eça o referiam, há reformativos,reformatotes,reformarengos,reformatóides,reformáfobos,reformingas,reformónimos reformalhos e agora os reformagros.

Que pena o tempo desandar e não aparecer nenhum reformador.






Até aqui, tudo bem... 


domingo, fevereiro 20, 2011



   « FAINA-MAIOR»


No magnífico auditório do MMI- sala reservada para apresentação de grandes escritos - foi apresentada uma reedição do álbum «Faina Maior», há muito esgotado e que se impunha recolocar no centro das atenções, cuja autoria pertence ao saudoso «Chico» Marques, assessorado pela sempre interessada (e sabedora destas intimidades marujas), Ana Maria Lopes. À pena fluida do «Chico» que posteriormente teria tempo para se experimentar em outros escritos, revelando uma capacidade descritiva muito apreciável no jeito com que capta o leitor e lhe transmite imagens gravadas e tratadas(reflectidas), que se deixa rapidamente envolver pela paisagem agreste dos mares danados onde se cata (va) o fiel amigo, junta-se a conhecida segurança técnica ( cuidado no pormenor)especialmente a especial atenção e relevo que sabe dar à imagem, característica que acabaria por demonstrar sobejamente, no seu livro posteriormente editado, «Moliceiros» -Memória da Ria.

Entendamo-nos. É claro que o álbum «Faina Maior»   é  leve; é um memorial descritivo, espécie de diário prolixo de bordo, que «não pretende, nem quer» ir mais além, do que a focalização dos aspectos técnicos inerentes a     uma  recriada viagem, barra a barra,  a bordo de um lugre bacalhoeiro dos   anos 30. Onde é certo por vezes sobressair uma ou outra pincelada de vivência quotidiana abordo;- suavizada, demasiado, talvez!..


Nos anos trinta, aqui, em Portugal, ainda se teimava -e uns poucos faziam por acreditar - que a anquilosada pesca à linha, tinha ainda futuro…

Iam passados  cinco séculos desde que homens rudes, mas irredutíveis, vinham pescando o bacalhau nas águas frias da Terra-Nova,Apaixonante aventura,em que desde os primeiros momentos estivemos presentes. Gentes de laguna de Aveiro (acompanhados  de gentes,de Viana e açoriana) foram os primeiros a romper o medo com tão longo afastamento em águas tão beligerantes e impiedosas.

A pesca iniciada dentro de barricas, fixadas a cada bordo do navio,foi sofrendo evoluções.Em 1875, o pescador saltou, linha na mão para dentro do dóri, em cada dia,da alba ao crepúsculo, a defrontar as névoas cerradas e gélidas, suportando no corpo e na alma dorida, as intempéries que uma natureza desapiedada fazia gala em oferecer.

Em 1628, já nos tinha sido impedida a nossa presença. Faina apenas reduzida a franceses e ingleses (mais na guerra dos impostos que na vontade de pesca), em guerras intermináveis «dos bacalhaus». Nesse ano, só de S.Malô armariam 112 embarcações.



Os portugueses, longos séculos afastados, só regressariam à Terra-Nova em 1836. (?),enviando três hiates, entre os quais o Patacho Neptuno com o nosso Cap.Pena (o primeiro capitão português da era segunda,da pesca do bacalhau), apoiados pelos grandes capitalistas judeus que investiram na Companhia Lisbonense de Pescas. Em 1848 enviávamos, já, 19 veleiros.E em  1907, juntamente com 235 três mastros franceses, povoávamos, já então, os bancos da Terra- Nova.

No referido ano dar-se-ia a aparição do primeiro «chalutier» francês. Os resultados tardaram pouco a ser universalmente assumidos, alterando profundamente os hábitos de pesca, tornando-a menos pesada. E muito menos perigoso o desempenho das tripulações. A França (e outros) investem neste tipo de pesca, convictos dos resultados. Daquele país ,em 1939, já não largam mais do que onze veleiros para a pesca à linha, que os franceses apelidaram «Le Grand Mètier». Entretanto ,de 1924 a 1939, os franceses passariam de 28 a 40 arrastões (dobrando a capacidade de carga).

Por cá, indiferentes ao que a experiência recomendava, continuou-se a exaltar como verdadeiro fim patriótico de unidade em torno de um desígnio nacional, a faina maior, investindo na construção de lugres: em 1910 tínhamos 28 lugres, em 1917 eram já 40 embarcações, (….) até que em 1969, dos 65 navios envolvidos na pesca do fiel amigo, trinta utilizavam, ainda, o anacrónico sistema de pesca à linha.

Em todas as circunstâncias, a grande saga dos «terra-novas», merece ser tratada na sua integralidade. O que convenhamos, entre nós, se não fez. Certo é que o livro «Faina Maior», editado logo após a exposição -com o mesmo nome - levada a cabo no Museu em 1996, e cujos responsáveis maiores foram precisamente os autores acima referidos, teve o (grande) mérito de desafiar a que, sobre o assunto, outros intervenientes prestassem o seu testemunho. Há coisas boas já publicadas, no seguimento desse desafio. Excelentes mesmo. Mas falta, em nossa opinião, o livro impossível de nascer aqui, na nossa terra, onde temos uma visão parcial, muito própria e particular, do que foi essa saga.Temos uma leitura bem diferente,é tudo.

O livro aí está de novo a refrescar a memória. E a cumprir a sua missão. Estão todos de parabéns.

SF



PS- Se os leitores quiserem mesmo ter uma noção do que foi a «Faina Maior», vista de outro ângulo, por aqueles que mais a sentiram na pele, colhendo o desamor e a amargura dos dias sem fim, e onde apesar de tudo se encontram retratos humanos de uma grandeza patética a duvidar da razão de uma actividade que lhes devorava, a alma e o corpo, sugiro, depois da leitura do nosso «Faina Maior» (obrigatória), a leitura do «Mer Misère» de Jean Michèl Barrault. Um dos livros mais bonitos – mesmo que amargo, dramático, -que me foi dado ler. Simplesmente notável. Fazendo jus aos inúmeros prémios que lhe foram consagrados








SF
























quinta-feira, fevereiro 10, 2011

E assim vamos….


1- Anda tudo entupido. Os Srs. economistas que sabiam de tudo (e lutavam pelos seus regressos aos corredores do Poder), clamavam pelo FMI. Já!

Mas e até agora, Sócrates vem-lhes estragando as contas. Reina por aí um silêncio dos sepulcros.Agora,dizem, até já andam a ler o livro «Pequeno Almoço com Sócrates».

 
2- O PCP faz uma restolhada com a ameaça da moção de censura. Claro as coisas não estão sair tão mal como queriam e desejavam. E como «lutar» pelos trabalhadores? Ah!!! Disso sabem eles: - quanto pior melhor. Assim foi na URSS, na Checoslováquia etc. Etc. E agora na sua amada Coreia.Com amigos destes os trabalhadores estão feitos….Pois se ainda não chega - pensam - demos-lhes um governo de PP (Paulo & Passos). (que raio:- aquele tipo da Fenprof, parece-me quem? ando intrigado….tê-lo-ei visto num cartaz exibido no Egipto?).Está um frio dos diabos. É preciso mais fogo….( Isso…Bravo!!!).

3- O Sr. Professor chumba o decreto-lei que permitia, em certos e limitados casos, trocar o receitado por genérico, com evidentes ganhos para o comum dos mortais (o resto são chavões….neste caso nem sequer corporativos). Claro que o Sr. Presidente quer mostrar, que agora, a música é outra. E nada melhor que reprovar o que daqui a uns meses, tem a certeza que irá aprovar. O Sr. Presidente é muito coerente(!).

4- Viram por aí o Medina Carreira? Eu gostava de lhe perguntar se ele é capaz de acertar em quem será campeão de futebol, este ano. Que raio o homem sempre iria acertar pela primeira vez. Há sempre uma primeira.

5- Passos C. não me parece nada burro, ao contrário de uns diletantes que andam á sua volta, que confundem o mar com uma bacia de lavar as mãos. Uma coisa ele sabe: não há outra maneira de fazer o que tem que ser feito. E sabe que quem o está a fazer, não o está a fazer por gosto, mas pela simples razão de que estava no lugar errado quando o barco começou a meter água. Mas estava e não o abandonou.

Ora Passos C. até talvez esteja a pensar que a gaita pode não ser a moção de censura que se apregoa como certa. O que pode acontecer é que, tapados os rombos, o «Capitão» lhe apeteça desembarcar. O que são apoios agora, podem ser então, depois, agressões simétricas.

Aladino

domingo, janeiro 30, 2011




As ligações de Ílhavo ao Marquês de Pombal .



É sem duvida interessante ,embora cansativa , esta atitude de procurar entrelaçar os factos na história e conseguir perceber o que existe por detrás de simples acontecimentos ,mesmo que por vezes eles não tenham muita importância como facto histórico ,mas apenas recompensem a curiosidade de quem trabalha embrenhado na procura documental.

No livro com que ando ás voltas – uma biografia desse notável aveirense João Sousa Ribeiro da Sylveira, capitão mor de Ílhavo ,«pai da pátria» como publicamente foi reconhecido , uma personalidade de enorme grandeza ,moral ,ética ,magnânima na solidariedade com todos ,e em especial com os mais desprotegidos, figura que esteve na decisão Pombalina de elevação de Aveiro a cidade, e no perdão conseguido , sobre o temor tido na altura de qualquer represália sobre a população, como consequência do atentado de lesa majestade, perpetuado pelo Duque de Aveiro sobre D José. O dono da casa Ducal que era a segunda maior do País ,logo atrás da de Bragança, nunca teria vindo a Aveiro, e muito menos aqui residido. E claro não haveria qualquer ligação de gentes de Aveiro ao regicídio.

Sousa Ribeiro não só trouxe com ele a carta de elevação a cidade , a limpeza do nome das populações, como ainda trouxe a boa nova da isenção das habituais taxas de elevação hierárquica na orgânica administrativa, dos agregados populacionais, como era habitual suceder nessas situações.

Ora tenho andado embrenhado na documentação da época para explicar o que até hoje ninguém terá ainda explicado. Deixemos os pormenores da minha tese para quando da apresentação do Livro, já contratado com a Editora para ser editado no fim do ano ,data em que me comprometi a tê-lo pronto.

Ora neste arrumo final tenho «catado» ,e tentado imaginar, como não é possível encontrar uma gravura com figura de tanta importância(Arquivos históricos, Torre de Tombo ,Alfandega ,etc etc) .Claro que o fogo que consumiu o palacete da Familia (nessa altura na posse de seu bisneto Visconde Almeidinha), o palacete do Terreiro onde hoje está o edifico do Governo Civil de Aveiro, verdadeiro «museu» onde se encontrava um espólio de arte notável ,incomparável ,poderá explicar o facto.Com o fogo que transformou tudo em cinzas teriam desaparecido todos os retratos (pinturas) familiares. É possível.

É-me fundamental –para a tese que defendo – explicar a proximidade de João Sousa Ribeiro com o Marquês de Pombal. E julgo poder justificar a mesma. Ora na passada semana estava eu embrenhado no Arquivo Histórico da Universidade de Coimbra ,na tarefa de encontrar os registos dos alunos da Universidade nas décadas de 1720 a 40,e, por um acaso, verifiquei que o Sebastião José tinha casado, ainda com apenas 23 anos, com a D Teresa de Noronha e Bourbon(35 anos), filha de Bernardo de Noronha. Estremeci!!!!

Quereriam lá ver .O que a ninguém poderia interessar a mim despertou-me total interesse.

Este senhor – D. Bernardo Noronha – eu sabia-o quando estudei os Donatários de Ílhavo( Ensaio Monográfico pp 58 e 505) era o marido de uma tal D. Maria Antónia de Almada ,senhora que até se pensava teria passeado por aqui pela vila ,quando dela tomou posse, recebendo as chaves na Igreja e visitado o Pelourinho ali na Praça(leitura atenta levou-me, na altura, a concluir que senhora nunca cá pôs os pés e quem teria andado a fazer de figurante terá sido o Prior ).

Por esta é que eu não esperava.

A mulher (1ª) do Marquês de Pombal, filha da Donatária desta Santa Terrinha.

E esta heim?!!!

Registo o facto que – vamos lá – nos ilustra mas e também não desmerece.

SF (Jan 2011)

sábado, janeiro 22, 2011


A ria e só nós, os dois









Quando já não tiveres lágrimas para verter


Vem à minha porta


Àquela casa pousada sobre a ria


Que não tem chaves, nem muros, nem segredos


Ou enredos.


É tua. Entra.


Guardadas estão lá todas as palavras


Que não disse, ou não soube dizer,


À ria.


E a Ti, tão grande era meu medo.










Colhe uma flor nesse jardim escondido


E nela percebe o que quis contar de mim


E não me atrevi, porque a mais ninguém ousaria


Desnudar a intensidade da paixão.


Descalça-te e vem comigo oferecer-lhe este verso


Vem comigo afundar os pés na areia molhada,


Anda vem comigo,


De mãos dadas sentir a dádiva refrescante


Da sua maresia perfumada ;


Vem olhar o voo das gaivotas inquietas


Pelo lento marulhar da velha bateira.


Olhar o rosto enrugado de quem lá vem a contar histórias.


Aconchega-te ao meu ombro e fiquemos


Na noite a contar o verso, corpos em lume


A ouvir o vento levar o eco latente do nosso queixume.


Sou eu e tu à espera de ser o que nunca seremos…


A ria, e só nós, os dois….


JF (22.01.2011)

sexta-feira, janeiro 21, 2011


                                                             CANTO X



E pensando com os seus botões, o Sr. Bloom tinha ,agora ,no momento actual, o inventário completo da existência de ser português .Perante o que escutou (mais do que viu) só quem tenha descido à cave da condição humana ,pode tão indigentemente pretender ocupar as cadeiras do poder.Os que aplaudem por aplaudir, não lhes estão longe.


(Vamos supor que o Presidente eleito ganha com 60% dos votos expressos, que somam a conta de 50% dos votos possíveis.


Quer dizer que o Supremo Magistrado da Nação tem apenas o apoio declarado de 30% dos portugueses). O que representa S. Exª?


Certo é que a partir de 23 Janeiro virá dizer : - a partir de agora sou o Presidente de «todos os portugueses».


Uma ova…..


Então o Sr Bloom pega no seu móvel ,e liga para a agência de viagens :-pretendia um bilhete para a Índia,sff.


-De ida e volta, pergunta a voz doce da funcionária da agência?


-Só de ida. Vou para ficar. Emigro. Já não faz sentido ter memória. (Cada pessoa julga-se dono do tédio inteiro do mundo. O dos outros – julgam! – vai de avião, assim pensava o Sr.Bloom ,depois de ...)


Os políticos em Portugal preenchem o que vai dos sapatos aos ombros, conclui o Sr Bloom. E é dentro das cabeças que as coisas acontecem. Razão pela qual, por cá, nunca acontece nada de bom. Parece . As inundações começam ao nível dos mares. Quando as águas chegarem aos ombros, aboiam. Os coveiros não vão ter grande trabalho para enterrar os portugueses felizes. Já são poucos.


E o Sr. Bloom reviu no canto IV o vate:


                        (…) Com não vistas vitórias, com receio


                               A quantas gentes vês porás freio (…)





Àmen….



SF,21 de Jan 2011

quarta-feira, janeiro 19, 2011

                                                           CANTO IX



O VOTO GAY É  FUNDAMENTAL....PARA CAVACO -são já uma maioria

( Hoje os fermosos c….., estão virgenias tetas imitando)


Mas os fortes mancebos que na praia


Põem os pés, de terra cobiçosos


De acharem homem desejosos,


Que mais lhes incita a força dos amores.


Sorrindo e gritinhos dando, correndo certeiros


Nus a lavar se deitam na praia, de cu pró ar


P’ra na água matar o fogo:- indinados  paneleiros!


Julgar melhor é, do que levar no cu experimentar.       

               (por quem, deusa pátria, é esse o teu chorar?






Já ora não há no reino neptunino


Onde nasci , progénie forte e bela


Capaz de dar exemplo ao mundo vil, malino


Impotentes gays na Pátria dos Cabrais proliferam.


Nenhuma triste hipocrisia contra eles vai


Nus, lavar se deixam nas águas, afundando-se nelas


A matar o fogo que neles arde


Geme o mar com mil tiros, glória, maravilha


                         (Exultam os ninfos com mil enrabadelas.





 

terça-feira, janeiro 18, 2011

                                                    Canto VIII



(Defensor de Moura)



Mas antes, valoroso Defensor


Desta Pátria que foi moura indigente;


Liberta-a pela guerra famosa,


Corre, vai em marafona  diligente


Contra infernais vontades enganosas


Falar da terra tua, de Viana a linda


Onde o vento dorme, o mar e as ondas jazem;


Capitão não te detenhas, nome e glória assim se fazem.



E Tu ,ó Coelho que afrontas o títere João

Vieste lá do fundo do mar, coelho truão,

Desvirgular a pureza de Cavaco

Cujo virtude não pode ser defunta

Enquanto no mundo houver humano trato.

Tens mostrado esforço, e manha muita

Na denuncia da liberdade que ele pretende

Para a seita que o segue e o defende.

                 (catuais corruptos a vender adulação que bem consente.




segunda-feira, janeiro 17, 2011

                                      CANTO VII



(cand  Alegre)


E com largas palavras lhes promete


Tudo quanto é preciso cumprir nos seus reinos.


E se mantimento para tal falisse


Não temais! Garante a fama que bem conhece;


Da gente Lusitana, ‘inda que a não visse


Sabe o seu valor; razão há, acreditar em sua eterna glória


Nova Praça da Canção que ressuscite todo o passado.

Largaremos a podre Europa belicosa

Em busca de novas terras, da Índia tão famosa. 


A.Bloom

domingo, janeiro 16, 2011

Assim não vamos às Índias(cont.)


                                                                   CANTO VI




(Candidatura de Cavaco)




Ó Caso medonho, estranho e não cuidado;


Ó Milagre turvo, panaceia vendida de seriedade,


Ó descoberto engano, inopinada revelação


Ò pérfida inimiga e falsa gente, que Te rodeia


Quem poderá do mal aparelhado, na tentação


Livrar-se de ti, perigo iminente,penedo imoto


Ó guarda divina, tem cuidado, guarda prudência


Com ele, este pobre povo :- está lixado,

Que a «Nau» avante,não pode ir, país naufragado.


SF

quinta-feira, janeiro 13, 2011

                                                            CANTO V




O Sr. Bloom tinha viajado pela Europa, antes de iniciar a sua partida para a Índia. Assim o tinham feito os emissários de D.Manuel I.Para vender divida pública junto dos Estados Soberanos, a arranjar painço para a frota. Espanha era um temível concorrente nessa arrecadação, pois assegurava conhecer outros caminhos mais curtos, para atingir o seu fim.Por isso a sua divida em dobrões de ouro era astronómica.

O Sr. Bloom chegara a Munique, vindo de Roma.E enquanto bebia uma cerveja na Hofbräuhaus de Munique (ir a Munique e não ir á Hofbrauhaus, é maior crime que ir a Roma e não ver o Papa). O que,claro,o Sr. Bloom cumprira. Mas o Papa já não era o Papa de antigamente.Assombrado de pecadilhos, e com divida soberana que chega para todo o BCE.Conclue o Sr Bloom :-mas se todos devem a todos,então o problema é de um deles, ou do bloco europeu? E não seria por aqui que se deveria começar a resolver o problema?-pensa o Sr Bloom.E conclue : o que falta é crença.Um País sem crença afunda-se, e não logra o Cabo.

E enquanto no centro da Hofbrauhaus uma heavy metal incitava o trinkt mer,eis que  no enorme ecrã de Televisão apareceu a Rainha Merkel, senhora toda-poderosa do reino. De imediato, silêncio. Que os alemães continuam na mesma: chefes não se discutem ; escutam-se. Espantado Bloom sorriu de satisfação com aquilo que aos seus ouvidos parecia música celestial.E porque não dizer orgulho! -ao ouvir as referências mais que elogiosas da senhora, comentando apreciativamente a certeza das acções levadas a cabo por Portugal para vencer a batalha do euro.Afinal em Portugal há «alguém» com uma crença valorosa,exemplar, que deve ser seguida:- afirma a chanceller. Convincente, apropriadas e objectivas palavras, ouviu o Sr. Bloom.
 A operação de vendas de títulos saldou-se por uma compra três vezes superior à procura. Blomm empertigou-se, ergueu a caneca dourada,e brindou ao seu País.

Mas eis que de repente o Sr. Bloom estremeceu. Arrotou,vernaculamente falando.Não percebeu se teria sido pelo excesso de cerveja emborcada, mas o certo é que o Sr. Bloom, ouviu,logo de seguida em contra ponto,mas não sem espanto, o Rei do Cavaquistão português, afirmar que a crise social, financeira e politica, está à vista. E certo da sua experiência,diz, soçobraremos no Cabo da boa esperança  socrática. A não ser que embarquemos pilotos do FMI, para por em ordem a tripulação amotinada.
E logo de seguida, o senhor Bloom pensando que a cerveja lhe teria subido à cabeça, e se se levantasse cairia de borco, ouviu o candidato a novo chanceler português, o senhor dos Passos, dizer: venha o FMI, porque se vier, Sócrates tem de ir embora.
 Ah! - percebeu finalmente o Sr. Bloom: o problema não é o País, nem os problemas dos portugueses. O problema é a ambição pessoal. Os homens querem sempre começar pelo final. Lá fora a pedirem água ;cá dentro, bem ao contrário, a pedirem fogo. Se os pássaros existisem aqui, já teriam perdido toda a capacidade de chilrear ,pensava o Sr.Blomm.

O Sr. Bloom pensou com os seus botões: quem tem amigos destes, nem precisa de inimigos.

E pensando no facto de termos ido à Índia sem pedir ajuda a ninguém, antes pelo contrário guardando segredo do feito – se aquilo que hoje se passa no seu País se passasse no tempo de esclarecido El rei João II, este bem saberia como tratar dos dislates destes inimigos públicos números um.

O Senhor Bloom pensou então : à entrada dos partidos políticos deveria estar um aviso :não entre aqui quem não for trafulha.

Bloom que ainda não é sábio -só o será depois de visitar a India- começa a entender que é verdade.O que hoje está do nosso lado direito, poderá, amanhã, estar do nosso lado esquerdo.O Mundo português está em decomposição.

Para a Índia e em força: - pensa Bloom.

SF

domingo, janeiro 09, 2011

                                                      CANTO V



Não falta com razões quem desconcerte, negando o «rei e a pátria», e se até convém ,aquilo que deus tem; ia Bloom pensando, revendo o vate.

No púlpito o meirinho- mor tinha dado conta que o CABO tinha – finalmente !- sido dobrado. O défice tal como anunciado –e que durante messes a fio se considerou impossível.E a receita fiscal, essa afinal, acima do previsto ,enganando todas as aves agoirentas que peroraram, diária continuamente nos planos inclinados e quejandos.E finalmente o crescimento atingiu o dobro (dobro!)do previsto. Estávamos – assim pensava Bloom – no bom caminho para a Índia.

Julgava Bloom ,ir ouvir danças, estridulo foguetório e muitas outras alegrias; o momento será de festa, pensou.

Mas logo pelo espesso ar das tribunas, choveram, os estridentes farpões, setas e vários tiros voaram ;a terra tremeu ,os vales soaram. A fera batalha se encruece.

«O que importa é o BPN!....»

Que importa a nau que ousou tentar o mar, e o cabo ultrapassar? Que importa a navegação certa ,e que assim se caminhe já mais seguro do que dantes vinha.

A que novos desastres,determinam?Nascemos perante os acontecimentos, pensa Bloom, sem hipótese de dizer: -mas ?!

De que é feito um País cobarde ? pergunta-se Bloom. De uma maioria que cala e consente. Por isso crápulas há em todos os lados. Mesmo nos púlpitos.

Que podem fazer os vivos? É questão para a qual Bloom deseja encontrar resposta.

Vai à lista telefónica para encontrar um sábio que o esclarecesse. .Eram tantos nos púlpitos que muitos outros deve haver. Encontra «advogados» ,«engenheiros» ,«economistas» ,«professores» etc .Só crápulas modestos. Sábio, nenhum…

Seria que todos os sábios - aqueles a quem o mar caiu em sorte - estavam nos púlpitos?- interrogou-se Bloom.E pensou : nada no mundo da politica é claro.A não ser o mundo dos imbecis.

Bloom estava mais perto de partir para a sábia ,sensata e receptiva Índia. Ao encontro de sábios. Em Portugal os sábios são gente que sabe tudo, de nada.

 SF

sábado, janeiro 08, 2011

E assim não vamos à Índia…..

O senhor Bloom (se ainda não leram, não percam G.Tavares) preparou-se para retomar os Lusíadas, e sem sair de cá, resolveu ir de novo à Índia. Viagem à Índia não saindo (para já ) do País.


Sentado em frente dos televisores, Bloom ouve o moribundo País ( a melhor maneira de saber a verdade é ouvir um moribundo, pensa Bloom…)


                                       Canto I


As armas e varões deste País, andam maluquinhos a discutir o sexo dos anjos – o BPN. Quem não aceitaria uma oferta de umas acções, com a promessa de, dobrado o Cabo, as ditas(boas ,embora filhas de más….) rendessem, seguro, mais 140%? Então D Manuel I não fez o mesmo? Para que servem os amigos?


Então onde está o umbigo do mundo? Para onde dirige o Homem – todo o mortal - o olhar glutão, os passos e o pensamento? Não é verdade, pensa Bloom, que se devem vigiar os homens que apregoam a santidade, falando manso? Quem acumula não escava.


Qual imortalidade, qual gaita, pensa Bloom : - todos os mortais, chegada a hora, são banais.


Money …Money…os homens são feitos de carne e osso. Ou quase….


                                   Canto II

Os poetas são uns distraídos: - pensa Bloom. Contam Infâncias ,Pátrias ,Liberdades.No essencial da língua. Como poderiam eles lembrarem-se do cheque? Os números não batem certo com melancolias necessárias para o poema. Cheque é numero…poema é sonho.

Erótico é no corpo da amada nunca encontrar uma saída, só entrada.

Na memória é o contrário. Esquecem – se as entradas e só se conhecem as más saídas.

Os poetas são fingidores, pensa Bloom. Camões também escreveu os Lusíadas para publicidade (encomendada) de um País. E por isso recebeu tença. Sem vergonha. Antes pedindo-a.

E devolveu a tença?


Os poetas, pensa Bloom, podem ser banais, mas não são estúpidos. Camões era ceguinho, mas só de um olho.


Allegro…ma non tropo






                                           Canto III


Já se viram homens a tentar serem inteligentes. Outros só a parecê-lo. Os economistas deste País, não só deviam sê-lo como parecê-lo, pensa Bloom.


Não são nem parecem. Não se ensina quem é sábio. Cá todos são sábios.


Bloom acabara de ouvir aquela economista tagarela do informativo Económico (pago e sustentado por quem?). A rapariga era uma sábia, pensava Bloom .


De repente perguntam-lhe: -como explica que afinal o investimento em Portugal tenha aumentado tanto em 2010,ao contrário do que previam?


Já viram mulheres com ramo de flores na mão esquerda a agarrarem – se ao marido com a direita, para não caírem?


-Pois. Pois …é inexplicável…


Inexplicável é a garganta existente num mudo, pensou Bloom.


E a outra pergunta: -como explica que os portugueses tenham gasto mais em Dezembro que em outro qualquer mês da história?


-Pois…pois: olhe eu tenho duas teorias (afinal não era muda…, pensa Bloom): - ou pensaram no fim do mundo que iria ser Janeiro …e gastaram tudo (sorriu-se como quem apanha uma martelada num dedo) …. Ou as Estatísticas deste País estão erradas.


Pois...pois …, pensa Bloom, então não é verdade que há aves que pousam nas asas dos aviões para se não cansarem? As intenções da ecónoma em ter resposta para tudo, eram louváveis...pois nela havia uma certeza: -falharemos o porto de destino (diz a douta).


Pois.pois…este Pais é um país de iluminados na certeza …(não há buraco para esconder os iluminados, por causa do fogo fátuo, pensa Bloom).


Certeza …certeza, essa teve-a o «iluminado» de Stº Comba, quando mandou:


-Para Angola, já!... e em força! E tudo .chiu...chiu...


Certeza,certa… tinha – a o iluminado de Boliqueime quando ordenou: -venha daí uma mala de acções (falidas), que eu transformo-as em ouro. Não… não era um vago juízo, era uma concreta certeza.Se a laranja estava ,ali ,á mão,porque se fazer rogado? Descasca-a enquanto os famintos loureiros a devoram.


Então pensa Bloom, será este Povo, de novo, capaz de se aproximar de sítios onde o desconforto exige acções raras, mas decisivas (Sócrates dixit)?


Esclareceu-se Bloom. O Povo deste País parece surdo quando se diz avança. Porque aos poderosos interessa é que se obedeça: - RECUA!.


Percebeu então, Bloom, porque os especuladores, estão tão agiotas.

SF –Jan 2011




sexta-feira, dezembro 31, 2010

Onde estão «os céus» prometidos (?!)



Grande desatino
Percorre este tempo
Num turbilhão de emoções;
Crianças, velhos e novos,
Todos (!)
À espera que chegue o momento
Em que trazido na noite,
Enovelado no chaile do vento,
Chegue o adulado menino.


 Mas o menino não virá.
Para quê (?) regressar ao ponto de partida,
Se o Homem é negação de obra-prima,
Clamorosa imperfeição da obra divina.


Se o menino viesse
Encontraria de novo,
Na praça, os Vendilhões
A chorar (pel)a pobreza do Povo.
Choram a pobreza mas não O servem.
Alarido de carpidores,
São os mesmos que em surdina
Nos púlpitos do templo
À uma se levantam, votam
E a decretam.
De novo (e sempre!) em nome do Povo traído
Prometem um mundo novo.


Eu por mim desiludido
Náufrago varado na praia afortunada
Procuro na rosa-dos-ventos
Orientes (ou ocidentes?)
Novo rumo para esta pátria ousada.
Nova epopeia iluminada,
Em demanda de outra Antília de novo amanhecida,
Bem lá nos longes do mar, ainda escondida.

Deus , Ó Deus: porque ficam assim tão longe,
Inacessíveis (!),
Os «céus» que prometeste?



SF. (31. Dez. 2010)

terça-feira, dezembro 28, 2010

E assim escorrega o ano para o seu fim.

 
Foi um tempo mais que concedi a mim próprio em busca de me conhecer (?). Ou melhor me entender. Será que esta constante vontade de me inquirir – ou solucionar - é comum às outras pessoas, ou existe só nos que sonham a vida? Eu fui - e sou - um eterno e constante sonhador .Não de coisas boas, mas de coisas diferentes. Querer sempre estar com quem não estou, ou estar onde não estou. Ou não estar onde estou, a fazer o que faço por não me atrever a fazer mais do que faço.

Por isso me ensaiei de diversas maneiras, e em diversos tempos. E não sei se gostei das maneiras que vivi, ou se depressa desejei mudar outra vez. Só por simples pensar que haveria de encontrar um modo de não sentir a saudade de um passado morto. Facto é que sonhar é sempre mais fácil, que viver. E por isso ainda não compreendi bem se o que faço é não querer viver, e desculpar-me com o sonho de...

Vivo constantemente intranquilo. Intranquilo que amanhã só me atreva a sentir o que sinto hoje, e não me atreva a sentir-me diferente. Vida perdida, insatisfeita. Difícil entender-me nesta quase doença de não ficar, sempre e só, pela satisfação do que é preciso. Estar sempre a criar mais - ainda que coisas inúteis -, a desejar o que não preciso para o corpo mas desejo para a mente. Preciso de a alimentar constantemente. A realidade nunca me apaga a sede. O sonho, esse, sim. Refresca-me; e por vezes se exagerado, embriaga-me.

Acodem-me sentimentos, quase ridículos. Porque impossíveis. Alguns dos meus sentimentos quando os tento explicar, parecem aos olhos comuns, ridículos.

Perturba-me a gratidão. Confrange, colocar-me na posição de agradecido. Se o que faço não requer agradecimento, quando são os outros a fazer-mo (mesmo que infimamente), não sei o que hei-de mostrar: agradecimento ou indiferença (?). Por isso reajo perturbado.Com extremo pudor.

Julgo por vezes – e atrevo absurdamente a citar-me - como homem livre. E o facto é que sou incapaz, de estar ou ser, só. Não conseguiria viver sem os outros. E com quantos mais, melhor. Deixo-me engolfar na vida por essa incapacidade de me pôr de fora. E desse modo perco a minha liberdade – não a de espirito – mas a de servidão. Sou uma espécie de servo livre, quando muito. E é bastante sê-lo.

Excluo de mim para os outros, confessar a amargura. A amargura de até aqui ter superado tudo, menos as lágrimas, não as exteriores, mas as interiores. Não as que se vêm mas as que se deixam correr para dentro. Só nossas. Violento-me a pensar …. E não querer pensar. Dói-me a inquestionável verdade de ter, finalmente (!), sabido que nem todos os impossíveis são possíveis. Que os há, mesmo impossíveis. As feridas que a vida foi deixando nada têm de comparável à ferida que só não é insuportável, porque por vezes perco a consciência dela.

E finjo.

SF

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Terra de acocorados.A que ponto chegámos!….


Depois de um dia tormentoso entre paredes do IPO, chego e deparo com um pedido de chamada de atenção para o último número de «O Ilhavense», «embrulhado» num apressado pedido de desculpas de um participante no acto inqualificável.

Perplexo li que os elementos do PSD, na Assembleia Municipal,tinham chumbado-por unanimidade!- uma mensagem de congratulação pelos 30 Anos do Casci .

Que esta Terra se vinha transformando, neste ultimo decénio, um lameiro nauseabundo, fedegoso, insuportável, eu já por diversas vezes o tinha anunciado.

Mas nunca me passaria pela cabeça que os conspurcadores, abjectos farsantes, tivessem perdido toda a condição de seres pensantes. Tendo uma expressão corpórea, parecendo que têm forma , medida e peso que os apontaria como seres racionais ,têm afinal ,apenas e só, a condição de preguiçosos -ou raquíticos - cerebrais.Mudos e quedos, apenas sabem na hora de votar levantarem-se para cumprimento do ensaio que lhes foi ministrado, no antes. Vivem sem carácter nem opinião. Um e outra, desnecessários, para quem é invertebrado dos pés à cabeça.Vivem (vegetam!..vegetam..) de cócaras.

Ílhavo no seu habitat político perdeu a inteligência. Perdeu até a consciência moral, perdida a integridade intelectual. Mais : - perdeu a vergonha.

Mas o que mais me impressiona é que um daqueles biltres atolado no corixo se apresse a, por detrás da cortina, pedir desculpa á Instituição da ofensa ( no intuito que esta não retalie sobre próximos, seus), desculpando-se com a disciplina partidária.Com quem confunde a Instituição? Com o corifeu que lhe mais ordena?

Depois de ler o dislate, já não tive oportunidade de responder ao borraça. Faço-o agora. Contas saldadas.

-Não se preocupe. Quando bater á porta, o Casci reduz-lhe as patas a metade e faz de conta que Você é um HOMO ERECTUS. 
 
Aladino

Nota .Se o leitor quiser conhecer estes panarras,vencidos da vida, visite : http://www.cm-ilhavo.pt/main.php?srvacr=pages_41&mode=public&template=frontoffice&lang=pt&layout=layout&id_page=41

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...