segunda-feira, novembro 19, 2012
Por
cá vamos indo…
Cá por casa tudo continua como
«Ela» gostaria que estivesse. Coisas com as quais respeitosamente, eu
concordava, a que me fora moldando ao
longo dos anos de uma vida partilhada intensamente. Houve altos,houve baixos?:
claro, mas apenas alevanto de vento
que logo passava; para o que bastava uma abordagem,doce, pelo meu lado «ronca».
Uma sabedoria de vida que nem todos conseguiam
facilmente abarcar : o convívio fácil
com as pessoas fáceis, para com quem tinha -sempre!–um gesto ou uma palavra de carinhosa
brincadeira, quando não um dito que
transformava uma maledicência num sorridente remoque; mas bem ao contrário a fuga às gentes
artificialmente emproadas que
dificilmente tolerava. Tudo na Z. era natural transparente e frontal. Demasiadamente
frontal.
Agora : os sapatos deixados á
entrada, desalinhados, é uma das poucas
liberdades que desde já assumo transgredir. Não havia meio de me
corrigir: entrava e logo iam sapatos
para aqui ,casaco para ali, calças para o varandim: à medida que entrando no
meu refúgio respirava a sensação de eu, só
eu ,e mais ninguém, tinha o direito de transgredir as regras da boa arrumação .
Pacientemente zangada, ia apanhando tudo e colocando o rol no local aonde ao
outro dia, eu encafuava o que lá estivesse e me fosse distribuído para vestir. Poderia ser amarelo, azul às riscas,
o que quer que fosse: - eu vestia (ainda que fosse uma meia de cada côr). E
agora, grande trabalho é o meu,este, de aprender onde estão as coisas. Apesar de que
ultimamente, pressentindo o desfecho, me foi dando referências do local de
armazenagem..
No meu luto interior ( e só esse é meu!)
recordo-lhe a dimensão solidária, o dar-se inteira e integralmente a todos –mas
é que era mesmo todos …tantos!!!-que dela precisassem, independentemente do
preço que muitas dessas atitudes nos acarretassem. Tomada a decisão, assumíamo-la por completo.
Por isso o nosso meio «familiar»
era grande e preenchido. Se não pudemos fazer melhor, não foi porque nos eximíssemos a uma ou outra tarefa por mais difícil que fosse, para o concretizar. Apenas porque não foi possível,
fazer melhor, dentro das circunstâncias.
Espantosamente dedicava aos seus
animais ,a mesma dedicação que dedicava aos seus. Não ia a lado nenhum sem a
sua companhia. Podia tentar convencê-la a ir a um longo passeio: ia se os «meninos também fossem». Ponto final! O mundo da Z. era o
seu mundo próximo. O dos seus.
E assim não havendo outra hipótese, um dia fomos –finalmente! – todos. A trabalheira para meter nos hotéis(em França e Espanha) os
cachorros embarcados em malas, foi coisa épica. De outro modo os passeios ,só
poderiam ter o máximo de duração dois dias.
Casaco,calças,ou outro, de que
eu me esquecesse uns meses, desapareciam como por encanto. À pergunta : então
onde está «aquilo»?. Ora : olha
dei a quem mais falta tinha delas que tu….Eu encolhia os ombros, claramente
satisfeito….Um dia um ladrãozito entrou-me na casa da Costa.Quando foi apanhado
e fomos chamados á GNR para prestar
declarações, às tantas dei que tinha vestido um belíssimo casaco de cabedal,meu. Claro que perguntei: de quem é esse
casaco ? É seu :gostei muito dele,respondeu-me.
Tire-o ,já…E quando o rapazola cumpria a ordem diz a Z…: deixa, que o casaco até o tinhas esquecido
na Costa. E ao «rapazinho»,faz-lhe jeito. E fica-lhe bem. A ti já te estava
apertado, ora….
Fisicamente a Z. era um
poder do senhor: agarra aí…e eu dizia,
como é que te atreves?…e afinal era
eu que desistia. Esquerdina, tinha uma
força desusada naquele braço ,e ai de quem o quisesse experimentar.
Bem poderia aqui estar até amanhã
a falar de pequenas incidências da nossa vida em intimidade que se prolongou
por mais de sessenta anos.
A secretária onde escrevo começa
a estar um pouco desarrumada. Como eu. A vida também começa a desarrumar-se
dentro de mim. Nunca me subordinei a nada e agora o vazio toma conta de mim.
Emocionalmente ,sinto-me
equilibrado. Sobre factos futuros, não tenho curiosidade de maior. Sobreviver.
Os condenados sabem, que amanhã
ou depois, os espera o cadafalso. Aos ditos a decisão humana substituirá a
interferência do destino .Seremos
nós diferentes desses condenados, só
porque aspiramos a uma morte sem data pré-anunciada?
Prossigamos, então, nesse
intervalo, surpreendendo-nos mais a nós do que aos outros. Viver a vida por
inteiro, é impossível. É ficção.
Vivamos a vida arrumando
vivências, saudades, memórias, sem abdicar de viver o resto com dignidade. Aspergindo
a monotonia da inconsistência dos dias, acreditando que só
vale morrer de pois de ter amado. Mas não apenas…
Vejo para aí tantos louco a
fazer-nos acreditar que acreditam nas
suas delirantes loucuras, que começo a sentir
estar a perder a minha pobre
lucidez. Os meus sentimentos são fortes de mais,mesmo para quem arranja
argumentos para os colocar em causa. O que os meus sentimentos podem, é estar
errados com a vida.
SF
sexta-feira, novembro 09, 2012
REENCONTRO
Vem Ria!
Corre e vem roubar-me a este desengano
A este silêncio amargo que me entedia,
Tão intenso que o seu «ruído» me ensurdece.
Tenho frio de ver a noite, tenho sede de ver o dia.
Vem Ria!
Foi no meu mar interior que o rio da vida veio desaguar;
Trouxe no seu ventre o inverno da vida.
Vejo pessoas como barcos negros a navegar
Cruzando o breu da noite sem se verem, ou sequer saudar.
Vem Ria!
Traz contigo o vento para varrer as minhas penas.
Quero nele verter as minhas rosas de espinhos
Quero nele sentir o ressoar do meu coração distante
Quero que ele me traga a parte do meu sonho que pereceu.
Vem Ria!
Traz-me o azul para nele embrulhar as recordações
Onde nem tudo, no passado, foi falso
Quero recordá-lo para o volver presente
Trazer para junto de mim, quem está ausente.
Vem Ria!
Oh! Quanto nos afastámos neste verão de dor
Recomecemos, hoje, o nosso inocente amor.
Deixa que este tempo do não viver, não dura sempre:
Eu vou acordar deste sono falso, deste cansaço aparente.
Vem Ria!
Eu não sonho possuir-te, ser contigo carnal
Não: contigo não quero ser, assim, banal
Quero voltar a ver-te nua, mas não possuída
Quero voltar contigo ao pedaço de vida interrompida.
SF. Nov. 2012
quarta-feira, novembro 07, 2012
CARPE DIEM versus BEATUS ILLE
A propósito do CARPE DIEM
publicado (3Nov 2012), à medida que as horas
silenciosas vão correndo, vou eu discorrendo….
Creio que sempre que a vida nos prega uma partida, paramos e
juramos: é agora .Parece chegada a
altura de procurar viver segundo Horácio , o poeta venesino.
Viver segundo as regras do poeta
era viver na suprema virtude (perfeição )da vida.
Seguir Horácio –e muitos juraram segui-lo ,e imitá-lo –tinha
entre outros saberes ( virtudes) o beatus ille, que seria o viver «afastado» , num modo (propósito)
contemplativo. Ora manda a verdade dizer que os nossos Árcades, cantavam esse viver. Só que não muito longe do bulício (e
prazeres)da cidade. Era o tal viver lá
fora, cá dentro. Quando muito cantavam as suas Odes nos jardins públicos, a
paisagem citadina que imitava (?!)a «Arcádia» pastoril.
Por mim, também aderia (poeticamente)
ao CARPE DIEM.
Só que prometi fazê-lo um ror de
vezes, e voltei sempre ao mesmo. Mas tantas foram as vezes que jurei dizer
palavras que afinal nunca disse; tantos foram os gestos ensaiados e logo
fenecidos á nascença; tantos foram os sentimentos que guardei só para mim, quando
os devia lançar ao vento e deixá-los ribombar por todos os cantos….,A cada
promessa ensaiada, logo voltava à estaca zero.
Chego pois á conclusão, que (já) não mudarei, embora
o tenha prometido, agora,uma vez mais.
E por isso continuarei a querer importar-me ;e
continuarei a querer saber; e continuarei a aceitar sofrer. E
continuarei a guardar a sete chaves muito dos meus sentimentos, que não
contarei a ninguém. Que levarei comigo. Como
levarei os gestos e as palavras, os sorrisos e as lágrimas.
E vou andando. Continuarei a
deixar-me agir impulsionado por um qualquer sonho. Não tenho outro modo de me
deixar existir. Parece que nunca aprendi. Ou não quis.
E discorro: os avisos e
propósitos de Horácio, ficaram registados
nos compêndios literários. Morrem lá enterrados, bafientos. Utopia
inalcançável..
SF (7 Nov 2012)
sábado, novembro 03, 2012
Carpe diem
Recolho-me aqui, bem para junto de Ti
Na tentativa de me render à filosofia
Da
natureza que nos criou e alimenta.
Carpe diem ,
É a
mensagem que me pareces recomendar:
Saber é
proibido.
Querer
saber o fim que um qualquer «deus»
Me
dará, é proibido.
Saber se faltam ainda poucos
Ou muitos invernos, que um qualquer «deus» me concederá,
Saber até se
este não será o ultimo,
É proibido. Fugaz, é a única certeza da vida.
Mas se o for, que sendo este o ultimo
Não seja o
menos importante.
Traz pois
contigo as musas para com elas beber
Todo o meu
vinho;
Que o melhor não fique guardado
Bebamos à
vida; olha que o tempo é ciumento
E foge para
longe de nós.
Deixa-o ir;
fica aqui junto de mim,
Nunca
acredites no amanhã!
Vamos
aproveitar o que a vida nos oferece
E
colher cada botão acabado de florescer
Antes que
só nada mais haja que espinhos
Para viver ou..morrer.
SF 1 Nov 2012
quarta-feira, outubro 31, 2012
O complexo problema da Fé
Com a
morte a rondar-me a porta, num
ciclo cujo timing alterou as minhas perspectivas de vida, remeto-me, nestas
horas pateticamente dolorosas, porque nos sentimos perfeita e irremediavelmente
vencidos.IMPOTENTES.
E claro há pequenos (grandes!) problemas com que
inesperadamente nos deparamos, depois de
uma vida em comum, pacífica, onde nunca houve
a mais pequena divergência no que
concerne às convicções religiosas de
cada um. Respeito integral de cada um, pelo outro.
Ambos fomos educados dentro do maior respeito e prática cristã. Cedo, de minha parte ,tal praxis foi
conscientemente abandonada. Mas sem nunca colocar em causa o caminho que o
outro queria seguir. Nunca falámos ,minimamente desta divergência.
E por isso neste momento
transcendente do fim ,vi-me confuso de como proceder em relação ao possível desejo
de reconforto cristão, que acredito desejado.
E dei comigo a reflectir:
Aceito que uma das razões, a
ultima, do cristianismo será o de dar ao homem ,uma indicação substantiva de
uma regra moral a seguir, certamente porque é admissivel que o homem o não
conseguiria fazer por si só, ao não ser capaz
de atingir tal desiderato pela própria razão.
Se assim fosse a a religião
confinava-se á moral.
Creio que sim.
E se assim for,e tal como me
posiciono, aceito um «deus», não à minha imagem ou semelhança mas ,sei lá!, um
simples(ou complexo) programa evolutivo que se auto programa onde reside um
princípio racional supremo. Nada de qualquer apropriação
religiosa.
Senos Fonseca
sábado, setembro 29, 2012
O impagável Relvas
Hoje ,RELVAS
alerta para o risco de se instalar a falta de confiança do povo,nos políticos.
Eu já admitia que este tipo era
literalmente um caso de desajuste entre o que é na verdade –um impreparado no sentido literal
do termo – e a paranoia que o faz pensar
viver numa impunidade absoluta.
Este bácoro que desde miúdo mama na política, é
certo, já fala pouco. Mas quando abre a boca sai asneira: baba-se com a leituça a escorrer-lhe pela boca .
Se há no mundo sujo da politica, alimária
que desilustra a referida classe ,colocando-a
ao nível intolerável de indigência ética,
fétida , a este Relvas- asno bacharel que
mal saber ler nem escrever – a quem
se não podia entregar a gestão, sequer, de uma fábrica de água quente,chamavam-lhe doutor .E teima em ser Ministro.
Parodiando Eça quase valeria
dizer: «que a este (Relvas) ,em cujos ombros,a tal universidade(?!)lançou um
capelo, o povo lhe ofereça um monte de
trampa» e o mande engraxar sapatos.
SF
sábado, setembro 22, 2012
Foi Você que pediu um
«d.sebastião»?:
Sem duvida estamos a viver um período
decisivo para o futuro deste País, como Nação independente, liberta de peias e
teias «troykianas » (confusas, erráticas, ideologicamente dirigidas contra o
elo mais fraco, muito dolorosas).Um país servil.
Importa-me pouco os erros que se
cometeram. Todos(digo todos!) cometeriam os mesmos erros ,como aconteceu com
todas as famílias deslumbradas com as facilidades de crédito ,que, quase de um
modo forçado lhe foram impingidas. Nem sei onde estaria se não
tivesse s ido sempre indiferente às loucuras que me foram oferecidas de bandeja
.Os bancos pareciam ter ensandecido. Em vez de darem uma corda a quem lhes
desse um porco, inverteram: deram porcos
a quem nem corda tinham para o amarrar. E até ofereciam porcas já prenhas
(carros, cortinados, férias etc . etc,)
Como sair agora desta tramoia?
Pensam muitos bem intencionados
que vejo (e ouço) nas manifestações, que sairemos do buraco alavancados por uma democracia onde todos terão representatividade nas opções a tomar. Já
temos experiência suficiente para não acreditar em «boas» (na maioria), e
disfarçáveis intenções (nuns poucos..por
lá misturados).
Quem o pensar cai em puro engano.
Não há modo de viver
democraticamente com pouco ou nada para dar.Muito menos quando há (ainda) muito a
retirar para pagar (como e a quem?!) .O caminho do desenvolvimento acelerado é vereda
tortuosa, que só uma ignorância tonta julga ser sempre a descer em roda livre .Por
isso nenhuns dizem por onde é esse caminho(creio
que muitos já o perceberam) .Quanto mais formos ao fundo –e estamos a ir! –mais
difícil vai ser recuperar o espaço perdido.
Não sei, pois, como sairemos desta situação. Sei apenas que adiar nada
resolve. E que teremos de passar, por momentos e tempos, ainda bem mais difíceis.
Na minha vida vivi e defrontei situações reais a que me coube(empurrado às vezes) resolver. Sempre
situações que pareciam irreversíveis. Tive
sempre o cuidado de explicar aos proponentes,
o que iria fazer e, mais importante: – o modo
como iria proceder ,o que queria alcançar, como iria lá chegar, e os prazos que me concedia. Ninguém mo exigia.Mas era eu que me queria amarrar ao compromisso .Pedi crédito para as decisões
que iria tomar..Fixei sempre –mas sempre! –prazos claros: ou conseguia ou
vinha-me embora. E fixei sempre – mas sempre !– o tempo da minha intervenção. Para
mim sempre houve uma clara necessidade de todos saberem o tempo que precisava
para aplicar as «minhas regras»(?)por vezes bem duras, correctivas, às vezes
(aceito) no limiar do procedimento dito democrático. Era conhecida a minha
decisão, sempre inabalável, de me não prolongar depois das coisas resolvidas. A
mim competia-me resolver o momento difícil (o
que confesso sempre me motivou e deu gozo),mas não viver depois o tempo de
vacas gordas, que vinha a seguir. Deixar as coisas bem gordinhas era o meu gozo
supremo. A minha recompensa .
Ora isto vem a propósito da minha
convicção :
1-Ou a Europa reformula
radicalmente a ideia de prazos curtos e
dolorosos para os «paises pobres» pagarem a divida(vivemos
essa situação de divida publica desde D. João II), dando condições de desenvolvimento e assegurando limites de endividamento compatíveis
com o mínimo de bem estar colectivo (pois não se podem ultrapassar limites sensíveis,
incompreensíveis ),ou não iremos a aprte alguma. Em asuntos deste tipo quem não souber chegar-se será o perdedor.
(É inadmissível que esta não seja a preocupação primeira
de quem nos dirige, só explicável por falta de experiência de liderança. Uma
liderança convicta compromete-se ,mas exige em contrapartida, crédito para as
suas decisões. Os que no dirigem capitularam. Renderam-se…)
2-ou a tal não acontecer, ressurgirão
(aqui e lá fora) acontecimentos sebastianistas.
O nevoeiro cobre já este País. Depois não nos queixemos.
As manifestações acontecidas
,aqui e em outros países, são, não só dirigidas contra um governo de «rapazolas» imberbes
e impreparados, tontos,que em vez de estarem a servir de porteiros numa
empresas decente ( emprego bem mais compativel com os seus conhecimentos de Jotas de um qualquer democrático partido, do chega para lá) se apropriaram do poder
representativo partidário, desinteressado e distraído,fora da bagunça eleitoral.
As manisfestações grandiosas,não corporativas, são claramente
uma rejeição do sistema partidário que entre nós cresceu e se enquistou.E deita puz por todos os poros. De
todo,ninguém já não acredita em ninguém.
E quem se julgar fora do acto de
rejeição, está perfeitamente enganado.
SF
(E lá chega o Outono de novo)
«OUTONIÇO»
Acordo hoje
Nesta manhã que sendo lindaA mim, doente me parece.
Como as folhas das árvores que o Outono amarelece.
Olho o céu que se mostra, aqui, pequeno
Sem lonjuras onde pouse o meu olhar
Além!
Estou triste,ao olhar a minha gente deprimida
E eu ,outoniço, também…
Senos Fonseca
sexta-feira, setembro 21, 2012
Ora digam lá…..
Se a referida crise serviu ao menos para
reencontro com as preciosidades literárias –ricas e ajustadas
– dos nossos maiores ,então ironicamente,
poderemos dizer que nem tudo foi mau.
Depois :a barricada é lá em baixo na rua da
Bistega, indicava Eça.O
(des)governo está morto e embalsamado.
Ora o certo é que eu sempre me
deslumbrei –e por isso li e releio, assiduamente- aquele que para mim é,inquestionavelmente, o príncipe
das letras lusas ,o P. António Vieira(sendo eu um descrente absoluto,o que não me impede de o eleger,príncipe dos príncipes).Ler Ant.Vieira cria-me sempre fervor e amargura.A amargura advém de me sentir canhestro e desprezivel escrevinhador de horas (e matérias) vagas. O fervor está em em descobrir,permanentemente, um deslumbrante exercício de retórica humanista indestrutivel.Nem sequer confrontável.
Não é preciso ir muito longe na
sua leitura para encontrarmos quadros ,eles também, assustadoramente ,actuais.
Retiremos um ….
A primeira coisa que me
desedifica (…) é que vós vos comeis uns aos outros. Não só vos comeis uns aos outros
,senão que os grandes comem os pequenos .Se fora pelo contrário era menos mal. Se
os pequenos comerem os grandes bastará um grande para muitos pequenos; mas como
os grandes comem os pequenos, não bastam cem ,nem mil para um só grande.
(….) porque a a plebe e os
plebeus, que são os mais pequenos ,os que menos podem(…) são os comidos.(P .A.V.)
Oram digam lá,que não é actual.
SF
SF
sábado, setembro 15, 2012
Manif
É claro que este Governo que tão mal, desastrada e tão
incompetentemente nos (des)governa, está ferido de morte. As brutais
manifestações populares,genuínas, carregadas de emoção,autênticas,despidas de institucionalização corporativa,
são a sua certidão de óbito.Paz à sua alma,sé é que a merecem.Sejamos piedosos.
Mas..,
esta manifestação(global)
é claramente anti-partidária.Pretende ser
uma espécie de reedição do «Povo Unido». E manifesta o seu repúdio por «toda »
a classe politica partidária.
Ora assim sendo (foi assim que a senti…),estamos perante um complexo
problema, tipo quadratura do circulo.
E quando assim é, poderá,num repente, aparecer um novo
D.Sebastião.
Isto é alguém que
mande. Porque o governo, esse, está na rua.
Difíceis os tempos que aí virão.
Não nos podemos esquecer que se este governo lá está,grande
culpa disso deve ser assacada ao BE e ao PCP. Por isso estes dois partidos
também estão claramente debaixo de fogo.Ainda que o disfarcem feitos pombas brancas de papel.
Isto pode ser o dia zero,mas não, apenas e só, para o governo.
SF
domingo, setembro 09, 2012
Ílhavo: Terra de túmulos vazios….
E depois de uns tempos – curtos, muito
curtos,e este ano muito amargos – eis que volto á terrinha da Nôcha.
Desinteressante, a terrinha
arrasta-se neste lamaçal onde ninguém parece interessar-se pelo estado de espirito que a corrói.
Indignados (cá) não existem.
Existe apenas um jornal (Ilhavense) que, sozinho, vai
lucidamente registando para a história, como um peralvilho( gigânteo serôdio
populista) se apossou dos destinos desta
terra de pachorrentos e acomodados indígenas, esbanjando –lhe o património material (foi á
falência a «tasca» do Senhor da Maluca),
cultural ( afogado no tanque dos bacalhaus que lhe deu volta à tontinha farófia
que nele substitui o miolo pensante do
erectus); e social (dividindo os indígenas em «meus e os outros»).E a dita que
outrora era excelente, se viva fôra,é hoje carcaça de navio encalhado: apodrecida(moral e
materialmente)cheia de carepas, de musgos ,decrépita, sem cordame, mastreação
carcomida e história pálida e obscura. Sem tripulação, espera para ser
desmantelada como foi o «avé maria».
A Oposição (?) aos costumes (e por costume) nada diz. Meteu o fole entre pernas e foi a
banhos(maria & comp).Tão lestos quanto puderam. Palrarão sim, mas lá para o
ano: a chinfrineira habitual de que «agora é que vai ser». Hão-de charilo, os cachopos! Serão os putativos e eternos
candidatos, a candidatos. E nunca serão mais do que «petit patapons». Debalde
passeiam. Debalde falam. Debalde se mostram (escondidos). Finaram-se. Isto de ter opinião, cansa. É
necessário inteligência, imaginação e vontade para o trabalho. Eles tomam o seu tempo por um tempo de capitulação.
e por isso desertam. Estão mortos embalsamados,prontos para ressuscitarem. Não
ao terceiro dia,mas para o ano, para as calendas eleitorais. Por ora mudos,
inertes, apodrecem entediados. Mortos.
Ninguém hoje na terrinha da nocha, tem espirito
e muito menos vontade. E nem sequer
consciência. Aqui não se escreve ,não se lê, nem se conversa.E qualquer dia já
nem se fala.
Hoje em ílhavo não se pensa e
muito menos ninguém se interroga (salvo o J.A no FaceBook).Há um silêncio terrível
que cobre o burgo. Silêncio dos cemitérios, onde se não pensa e apenas se
está.
Ou falando ilhavês:-um porão carregado de bacalhau, contaminado de «rouge
alaranjado».Podre e mal cheiroso.
Ílhavo é, isso não se duvide, uma
terra de túmulos vazios. Os «ocupantes» vagueiam por aí.
SF
sábado, setembro 08, 2012
DESPEDIDA ….hoje…
Cansado
De mim, ou da vida
por mim,Venho aqui ao meu terraço
Para me despedir de ti, fim deste ano tão ruim,
Que não deu nem para um pequeno namoro
Nem para te dizer as palavras que para ti guardei;
Não houve tempo. Coitado de mim.
Vieste bonita para o adeus.
Encharco o olhar no brilho que reflectes nesta noite.
Pouso os olhos no prateado
Que flutua em ti
São miríades de estrelas a brilhar
No vestido com que me convidasPara em ti nadar
É então que me decido;
Lanço-me nos teus braços,
Aconchego-me ao teu corpo húmido
Bebo do teu perfume
Afogo-me na doçura dos teus enlaces
Embriago-me no licor dos teus beijos
Teço a rede com que entrelaço teus olhos.Faço-me teu, assim
Na inteireza do meu nu
Como nunca me fiz,Para assim melhor te sentir
E possuir;
Teu desejo a desaguar
em mim
Meu desejo a morrer
em ti.
E sei..sei que amanhã
já não virás
Viverei então de recordações:
voltarei a ser eu
O mesmo de sempre
Inconstante a desatar o nó cego,
Lucidamente a repudiar quanto não enxergoA voltar, lentamente, à realidade.
A sonhar contigo, o mar, e o longínquo firmamento
Serei eu, sozinho
A cantar o azul do meu encantamento;
Contigo no pensamento nunca morrerei dentro de mim!
Mas compreendo uma vez mais
Que não posso ser só teu,E que a ilusão me venceu
Por ora.
Descansa; não sou de
ninguém
Não posso mais dar-mePois não posso moldar-me
A ser outro que não eu,
Tão longe de ti, como de mim.Não …
Não posso ser mais nada
Só eu…Só eu
No intervalo das aventuras
A procurar-mePor entre o vazio das palavras
Que guardo para ti.
SF(7 ag. 2012)sexta-feira, agosto 17, 2012
As penas que sinto de mim…
Escurece
Mas eu vejo aquele voo da gaivina
Em dança fandangueira
Voa rente e logo se eleva,
Vadia e graciosamente ligeira
Rasando o farfalho da vaga que persegue
E onde refresca
As «penas» das suas asas.
E eu aqui fico por perto
À espera do momento de te ver.
Enquanto espero e sorvo a poção da maresia
Que me embriaga.
Já a provei…
Sabe-me a pouco
E só tu matarás este desejo louco
Da saudade que quero
Em ti afogar.
Anda !... vem daí
Vem em segredo,
Que eu prometo
Não contar a ninguém
O que vamos celebrar.
Anda !...vamos voar….
Para eu matar em ti
As penas que sinto de mim….
SF (ag 2012)
quarta-feira, agosto 15, 2012
Demasiadamente ...demasiado...
Todos os dias nasce comigo a ambição.Entenda-se : no bom sentido. Nada de materialidade.
Mas espiritual. Tenho uma ansia de me ultrapassar todos os dias. Tem o tamanho exacto da minha imperfeição em tudo o que faço.
Mas ao menos eu fustigo-me com essa imperfeição reconhecida. Sou um bastardo bravo da imperfeição que nasce em mim com o sol que me desperta e adormece todos os dias: –
A sonhar que amanhã encontrarei uma maneira de reduzir essa imperfeição.
OH! Se não fora eu imperfeito!!!!
SF
Todos os dias nasce comigo a ambição.Entenda-se : no bom sentido. Nada de materialidade.
Mas espiritual. Tenho uma ansia de me ultrapassar todos os dias. Tem o tamanho exacto da minha imperfeição em tudo o que faço.
Mas ao menos eu fustigo-me com essa imperfeição reconhecida. Sou um bastardo bravo da imperfeição que nasce em mim com o sol que me desperta e adormece todos os dias: –
A sonhar que amanhã encontrarei uma maneira de reduzir essa imperfeição.
OH! Se não fora eu imperfeito!!!!
SF
terça-feira, agosto 14, 2012
Tacanhez ...à solta..
SF
Cada vez (ou à medida que o tempo corre) me dou conta de que, bem dolorosamente, sou o que não queria ser:- dependente e nunca completamente livre.
Uma tragédia que disfarço como posso.
Olho-me (para dentro claro!) e descubro o que poucos se terão dado conta. Talvez mesmo ninguém.Sou delirantemente sensível. Por isso por vezes descubro inesperadamente uma postura de sensibilidade que não veste a minha roupa. A natureza atirou-me com uma dose de farta brutos. E obrigou-me a uma atitude de artificialização dessa mesma sensibilidade. E eu embarquei…
Por isso me dou extremamente mal com a tacanhez.
E vou-a encontrado amiúde. Onde menos esperava…
quinta-feira, julho 19, 2012
Namoro renovado
E brinquei…brinquei
Enlevado
Quando depois de longa ausência
Te vi de novo.Amanhecia!
Logo te namorei com os meus olhos
Inquietados
À procura de amor nos teus;
Da tua pele amanhecida, beijada pelo sol
Vi surgirem miríades de estrelas
Que pareciam pousadas em teus olhos
Para fazer de mim, teu cativo.
Com mil brilhantes farpas me ferias,
Ou era assim tanto, o quanto me querias?
Apeteceu-me contá-las…
Mas depois achei loucura;
Para cantar a beleza e o teu encanto
Nem todas as estrelas do céu chegariam
Porventura.
Ditosa esta, a sorte de assim te amar;
De nunca te olvidar
Indiferente ao tempo da separação.
Se a arte de amar eu não soubera
E nem contigo a aprendera,
Eu não seria louco, tão pouco,
Pois que a vida sem de amor enlouquecer
Não é vida,
É pálido entardecer.
SF (regresso 2012)
quinta-feira, julho 05, 2012
De vez em quando , neste País em agonia de carácter, acontecem coisas interessantes
1 - A dita (diva!) Câncio
Esta Câncio de há muito que me impressiona.
Se mais nada se pudesse elogiar a Sócrates(e vai haver, preparem-se!) o simples facto de ter «cambalhoteado»(espero!) com um puro sangue destes, era motivo para lhe render os maiores encómios. Ser diplomado, e por distinção ,por apreciação de uma Cãncio, vale por vinte diplomas de um engenheireco qualquer.
Vi-a ontem no seu decote sabiamente desenhado, deixando á imaginação recrear tudo quanto imaginável ou delirantemente se pode funambular estar para lá dele.
Mas a inteligência felina com que atingiu (... ) esta cáfila de mentecaptos que uma democracia exige suportar,fez-me exultar pelas certeiras críticas formuladas:
1ª- Pois se há um ano se apregoava o dislate de um desvio monumental no défice(7,2%) ,o que havemos de chamar,quando depois de desvairos criminosos de assaltantes de estrada, o défice é ainda maior (7,8%).Monumental ?!Não galáxio...
2º Se uma entidade pública comete uma ilegalidade(caso o TC venha assim a classificar a locupletação de dois meses de salários e ou pensões),que deve acontecer ao actual Governo: perder ou não o mandato (?!) como sucede com outras situações (Macário & Comp. por exemplo).
3º-Então–disseram os sábios deste governo (Relvas incluido) – as «Novas Oportunidades» terão sido uma clara e vergonhosa trapaceira. Se o foram(?!) como devem ser chamadas as «Excelsas Oportunidades» que permitiram a Miguel Relvas ser doutor,num ano ,e com um único «banco» feito com dez valores !!!!?
Vamos pois seguir na TVi24,esta rapariga. Não apenas pelo decote –e já não era mau de todo – mas por aquilo que tem dentro da cabeça.
2- Durão Barroso
Gostei muito do discurso de Durão Barroso. Ouvi com redobrado interesse a sua repetição. DB parecia ter voltado aos tempos «maoistas» onde se empolgavam as multidões com chavões de adesão fácil.E fez bem em lembrar que há uns paises ricalhaços que ainda usam «cueiros»...
Ontem pareceu mesmo ser o estadista de que a Europa urgentemente precisa. Gostei de o ver a pegar pelos «ditos», aqueles trapaceiros políticos que em Bruxelas se acocoram, e, chegados às terrinhas, cantam de galo (na caça ao voto).
É tempo de acabar com esta farsa. Se é para deitar abaixo, então vamos todos juntos. Que isto de morrer de caldeirada (dizia o arrais), não custa nada…
A Europa precisa de políticos «generais ». Porque sob as ordens de generais bravos não há soldados fracos.
E não me venham com confusões. Sei e assumo o que disse.
3- O Diploma de Relvas
Positivamente estou-me marimbando para se o homenzinho, tem ou não, um diploma. Se tem que se alimpe ao dito.
Diplomas são certidões de nada. Ter um diploma de engenheiro, nada assegura que o indígena o seja.
Ora eu não exijo que os meus governantes(?) sejam doutores ou engenheiros, O que exijo é que saibam governar. E como não há diplomas de bom governante, senão aqueles tirados na prática da vida, nas provas dadas, eu o que quereria, é que quando o fossem, apresentassem o currículo que comprovasse a sua idoneidade para o cumprimento do cargo.No caso vertente não sei se algum passaria no exame,pois aos «créditos»,diziam- NENHUNS!!!!
O que me incomoda de sobremodo nesta manada, é a arrogância de pensarem saber que tudo sabem .Por obra e graça do divino….
SF
(Pensam então Vossências que Relvas é caso unico:pois esperem.Pior é o caso do nosso Primeiro).
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