quarta-feira, fevereiro 20, 2013



Quem tem um Poeta,como amigo,não morre descalço.

Pois é .O Poeta  Cachim (este sim,repentista, é-o.Eu, como ele diz, sou um fazedor de palavras) amigo do peito ,quase sempre me responde em verso.Uma missão salutar para os meus estados de alma,por vezes azedos.
Ora ao  «Encolhi as asas e  continuei» (blog anterior) ,o Zé Cachim respondeu-me assim:


ESSA CASA À BEIRA RIA
ESSA CASA À BEIRA MAR
ENCHE-TE DE NOSTALGIA
SEM LIMITES NO OLHAR

VÊS TUDO QUANTO IMAGINAS
NAS GAIVOTAS A VOAR
VÊS INFÂNCIAS PEQUENINAS
QUE ESTÃO CONTIGO A MORAR

E VAIS VER, NÃO MORREM MAIS
VIVEM UMA ETERNIDADE
SEM LÁGRIMAS, SOLTAM AIS
A ISSO CHAMO SAUDADE

E É BOM ASSIM VIVER
COM UMA CANETA NA MÃO
PODES RIR, PODES SOFRER
E CANTAR NA SOLIDÃO


Zé Cachim


------------------------------------------------//


OH Zé eu respondo

Pois quem me dera ao menos viver
Com a caneta na mão
mas o raio da caneta já não escreve:
Sujeita á gravidade ja nao aponta o longe
Mas tão só vertical,ali onde tenho os pés.  
Causa certamente,foi desgaste por erosão.


Um abração
João Fonseca

terça-feira, fevereiro 19, 2013



POSTAL nº 4




S Bartolomeu :dia do diabo à solta.

Nem o despertador precisou de me chamar, nem o galo de cantar; parti no horário em que sabia, apanharia as «faladeiras».  E a meio do percurso, lá vinham as duas simpáticas pescadeiras, lestas e ainda desempenadas das pernas. Notei que vinham a gesticular fortemente, parando de vez em quando, especadas  na marginal.

Máquina a meia força, fui-me aproximando. Pàra a máquina!...,devo ter pensado.E fiquei a pairar, à espera que as duas,a Zefa e a Tibéria se aproximassem. E leme a bombordo, atraquei ao de labaró, e dei os louvados:

-Louvadas Vossorias, gente fina desta praia velhinha; mas ainda bonita e asseada,  como o são as sua cachopas .

_ Ah seu endrominador, você não perde tempo para,ainda não ter passado a mão da barca e já  está na mangação,seu camanduleiro.    

- Eh Ti Josefa essa de camanduleiro é que nunca ouvi. Astão o que é lá isso? Perguntei interessado no léxico vernáculo.

-Ai não sabe ?!...pois..  pois.. eram os rapazotes enganadores .Ou as beatas na camandula: de terço de contas grossas à vista, as banguinas a fingir que iam a rezar, aquelas calamantronas. O que elas estavam era a fazer horas para irem ao confesso, onde o Padre Horácio lhes despertava a cocegueira  na  cricalhada. Que eu diga era um grande rascoeiro.Que diga-se dava abêgo a todas, astifazendo-lhe as necessidades. De boa boca ...tudo o que vinha á rede era peixe, desde que tivesse guelra avermelhada. Não havia beata, saltarina ou cantadeira de missa, que lhe escapasse. Trambolhão por trambolhão,ia-se o paraíso.Que a Eva também era danada p’rà cambalhota. E pr’a homem e mulher  mais saborosa  brincadeira, deus não inventou. Disques. 
-Ah mulher vê lá como falas aqui com o senhor. És mesmo uma desaussernada .  Lingua ruim e envenenada. Emboitas qualquer uma com a tua língua de vinagreira. Olhe aqui amigo: olhe c’a vida na companha não era só um enxogalho de má língua.Havia momentos de inquisilar a alma .Ó!...  Zefa alembras-te daquele dia do S. Bartolomeu ? Já ouviu falar neste santo?
-Olhe que sim ,respondi. Quando era rapazinho,nesse dia, as mães nem nos deixavam sair de casa. Diziam que andava o diabo à solta…Ainda me lembro que num deles, andava um tenente muito  emproado, muito   esturto, no cavalo, ali  perto da antiga esplanada, a mostrar-se ás garotas (que olhavam mais para o cavalo que para  o pelingrino ).O animal  espantou-se,tomou o freio nos dentes,  e foi como trovoada  por ali acima até casa dos Taveiras. Estacou; e vai o  pavante «tenentezeco» avoou e aterrou no Bico, no meio do lodaçal, emboitando a farda toda.
-Mas olhe c’a até andava o raio malino à solta ,desembolado. Eu conto-lhe:
(…) no dia desse santo ,era costume não se ir ao mar, pois  diziam, acontecia sempre que o pecadito fazia das dele. Mas naquele ano as semanas tinham sido tão más que já havia fome entre as gentes. O arrais Ti Cruz reuniu a companha e botou faladura:
-Eh …gente :eu ando desaquietado:  esta vida está de morte. E morrer por morrer, mais vale morrer no meio daquele estipôr, que por aqui, á fome. Por isso eu quero ver se tenho homens da minha ógalha.Ou meninas virgoleiras,  com medo de serem espetadas com a padela. .Maneiem –se os que querem embarcar. Fiquem os inxuns  a rezar ao belzebu.
-Aqui me tem Senhor, avançou o Bernardo» rompendo a fila dos brejoeiros  hesitantes. Cabeça alevantada, peito firme, alto como uma torre, forçudo capaz de erguer um mansarrão pelos gorgomilhos,olhos verdes da cor do mar,quando manso. Mas de onde saíam chispas quando irado. Ao verem o Bernardo , o Carlos ,o «Negrote»,o «Ranhoso»…e outro e outro… deram passo em frente.

-Ti Joana, encaneire o pessoal,e vamos lá com Deus, que ele nos cubra com o seu divino capote,vamos dar lanço  nem que seja para o escabeche:- disse o ti Cruz para a «arraisa» Joana, a chefa da companha em terra..
Foi ordem que provocou uma restolhada. Redes pra dentro, sacada à borda  desenvencilhada,mangas enroladas  a que se juntou o cálão e a mão da barca. Chama-se o abegoeiro. Que trouxesse quatro  juntas de hercúleos  bois, pois  há pancada rija; e meter o meia lua a vogar,obriga a que a muleta vá até à borda, e que os bois,enfeixados nas arnelas, metam barriga mar dentro para dar impulso.E assim  ajudar  a embarcação a boiar. A entrar mar adentro..
E foi então, quando as duas juntas estavam com água pelos ruços, borregando em  ir mais dentro, aguentando  a vergastada  e o aguilhão da  vara inclemente que lhe zurrava nos costados, que uma vaga atravessa o meia lua. O Arrais grita num vozeirão:
-Rema !  Riba….Ó…Ó …riba…Eh! raios …diabos…  riba para a vaga …Seus langões.  Dai força aí no mieiro, ou ides  hoje todos para o inferno das profundezas .
Numa arrancada, mistura de vontade com medo,o barco dá um esticão para aproar à vagalhoça. Mas presa à embarcação, a junta  de bois de estibordo é arrastada com a ré da embarcação. E eis que os bois  perdem pé .Cabeça e cornadura de fora, tentam ferozmente desenvencilhar-se do cordame que os prende à embarcação. Num repente, vê-se o Bernardo astirar-se à auga,e com a navalha libertar, do barco e do cabeçalho,os animais. E  nadando para terra,resoluto ,entrega a ponta   da corda ao pessoal,que água até ao pescoço, alam o pobre animal para terra.
-E o outro?  Você sabe lá (?!),diz a Zefa inquirindo-me…
-Pois e outro Ti Zefa …..adianto, pronto a ouvir o resto deste quadro vivo ,expressivo, luta de gigantes com o mar,
- Pois: a Ti Joana mulher d’um carago, nadadora exímia, tinha-se atirado  e saltara para os costado do boi que resfolegava .E atirando –lhe o saiote preto para os olhos, filada ao cornígero animal, forçara-o a virar-se para terra. O animal sentindo areia debaixo das patas pareceu ganhar alento. E zás que ala tarde. Recuperado «pé»,ajudado pela vaga, e pegado pelos cornos pela Joana, o animal desenvencilha-se do mar e parte em corrida  resfolegante pelo areal adentro. Vai por ali fora e...De repente: escafedeu.
 Estaca, e a boa arraisa Joana voa e aterra de barriga no areal. Só que o saiote e fralda, ficam espetados nos cornos do boi. E a Joana esparralhada no areal, mostra o alvo traseiro. Bonito e redondinho. Firme, parecia montanha amaciada por mão divina.
-E quereis saber Senhor (?): entra a Tibéria de quarto.Pois todos aqueles zamparinas , gadagem que cobiçavam tudo que fosse mulher, viraram a cara (e os olhos !) libertando a Joana de córar de vergonha, ao ver-se exposta como a sardinha na sacada.
-Todos?. Todos não, diz a Zefa ,com um riso malino na cara.Não !.... o Bentinho «Cagaréu», que diariamente mirava guloso  aquela mulher tão liró,parecia  hipnotizado ao ver a  meia lua da Joana tão ajeitadinha e torneadinha. E ògadinho não tirava os olhos daquele quadro que parecia um retábulo real.Até que a voz da Joana trovejou:
-Que estás a olhar, pelintra? Gálico (!), nunca viste o  traseiro da balcória da tua mulher ? queres chari-lo? .Anda esculhambrado,  astreve-te  que eu filo-te pelo gasganete e amanho-te a tripa que tens entre pernas para escaço.
-AH chopa :morrendas se nao falendas.Que tinhas tu de comentar que Bentinho viu o «rabinho» de anjo da Ti Joana?   òspodias  ter terminado sem teres emboitado a estória. Assim : quando a arraisa Joana se pôs de pé,já o meia lua atravessara o mar quebrado e fazia emposta  à procura do cardume ….


 

SF .

 

domingo, fevereiro 17, 2013



Encolhi as asas …e continuei

 

Tive um sonho.

E nesse bonita pompa de sensações

Olhei pela janela

A contemplar, espantado, o voo de uma gaivota;

Na curva que deu para vir ter comigo. Via-a!

Asas esticadas, tinha na ponta de uma, o azul do firmamento

E na outra, o azul riscado da ria.

Já acordado  espero como ela,agachado,

A chegada do ocaso arroxeado

Para no crepúsculo  esconder as amarguras,

De ser um barco à deriva, perdidas as amuras.

No sonho voltei  por momentos a ser criança

A pensar que a vida é sempre azul

E que no azul só há «penas» brancas.

Estremunhado, despertei :

A minha vida foi um vale de lágrimas,

Seco (!),

Porque nela raramente chorei

Apenas encolhi as asas…e continuei.

SF (Fev 2013)  

sábado, fevereiro 16, 2013


A Capela das Almas (de novo)

 
Aproveitando o dia de intermezzo carnavalesco,fui dar uma volta pelos alfarrabistas no Porto. E num deles encontrei uma preciosidade: nada mais nada menos um exemplar da Revista «Branco e Negro».O  nº44 de 1897.
Este número traz um artigo de Diniz Gomes muito interessante, como o eram  todos aqueles em que rendia devota  homenagem ao seu «ílhavo»[1]. Surpreendente é que o artigo insira fotos com alguma qualidade, umas que já possuo ( prosapiamente como se diz, Arquivo do Autor iiiiiiiii!) e uma, para mim inédita. Da célebre «Capela das Almas» ou «Da toira», numa perspectiva inédita.
Desde logo uma questão: a foto é anterior a 1897,o que é notável(e todas as outras!).Eu catalogara estas fotos de inicio sec XX. São pois anteriores ,fiquei agora a saber.
Aqui vai a foto:
 
             

 
Tratando-se inicialmente de um simples oratório que ficava no rio da vila, situado no “meio” da calçada, que de Alqueidão vinha dar à Praça, foi com o produto advindo do «altar do mesmo», construída a Capela das Almas - onde a Irmandade das Almas suportava o encargo com os três capelães. E em que todas as segundas-feiras se dizia missa cantada por sufrágio das mesmas. Estava situada no canto sul actual«largo do Bispo», tendo uma forma hexagonal semelhante á Capela da Srª das Areias ;era pertença da Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco, sendo referida nas Informações de 1758, do seguinte modo :
“Fora da Capella há modernamente hum que podemos chamar oratório ainda que nelle se não diga missa. Fica no sitio chamado Rio da Villa em meyo da Calsada atravessa Alqueidão e vem ter à Praça. Chamam-lhe vulgarmente as ALMAS DA TOIRA. He um painel dellas de barro que está imbutido na parede das casa de hum Fulana Toira de alcunha, e faz frente para o rio”
Por isso se designava o local da sua implantação por Largo das Almas. Esta Capela foi sagrada pelo Prior João dos Santos em 12 de Junho de 1771.
  
Em 4.01.1911,a seguir à implantação da Republicas, é requisitada pela C.M.I, uma vistoria ao Director de Obras Publicas Distritais  sobre as condições de segurança da Capela,sita na praça do peixe, que se dizia serem precárias. A vistoria explicita a situação de ruína e a Câmara de Abel Regalla, António Paradela, Carlos Santos Marnoto, José Simões Ramos, Júlio Carvalho, Domingos Gago, decidem colocar em «Praça»  a sua demolição, questão que levantaria forte  polémica e criaria  um vivo mal estar entre as populações. O preço ajustado para a demolição foi de 341$000  réis (acta de 18.01.1911),tendo-se ainda deliberado proceder à venda dos bens existentes na Capela(?!)

Em 4.01.1911,a seguir à implantação da Republicas, é requisitada pela C.M.I, uma vistoria ao Director de Obras Publicas Distritais  sobre as condições de segurança da Capela,sita na praça do peixe, que se dizia serem precárias. A vistoria explicita a situação de ruína e a Câmara de Abel Regalla, António Paradela, Carlos Santos Marnoto, José Simões Ramos, Júlio Carvalho, Domingos Gago, decidem colocar em «Praça»  a sua demolição, questão que levantaria forte  polémica e criaria  um vivo mal estar entre as populações. O preço ajustado para a demolição foi de 341$000  réis (acta de 18.01.1911),tendo-se ainda deliberado proceder à venda dos bens existentes na Capela(?!)

               

Hoje a «razão» evocada parece não convencer. Porquanto a Capela tinha sido construída em pedra vermelha de Eirol e, tendo pouco mais do que um século, nada de especial para um templo. Não seria de esperar que o seu estado fosse assim tão mau como se apregoou. A sua arquitectura hexagonal conferir-lhe-ia, ainda e provavelmente, um acréscimo extra de estabilidade.

A questão foi, clara e inquestionavelmente, de índole politica, pois o regime nos primeiros passos, pretendeu desde logo limitar a influência do clero «reaccionário», a quem culpava do estado de ignorância em que se mantinha a população, com o fito ultimo de assim melhor lhe extorquir os parcos rendimentos que iam engordar as fortunas dos párocos, corruptos e de gula material desenfreada, como era voz corrente. E se esta noticia posta a circular percorreu o país de lés a lés após a implantação do regime republicano, as reacções populares fizeram-se sentir, especialmente no norte. Ílhavo não escaparia à onda.

SF



[1] Não sei para quando e porque se espera, editar essa raridade de identidade ilhavense «Costumes e Gentes de Ílhavo» de Diniz Gomes. Um livro de culto….

segunda-feira, fevereiro 11, 2013



 

 

 

O que valeu ao «Cantigas»  é que  o raio do canário …era canária…
Intriguei-me nestes últimos dias, de nunca mais ter postoa vista em cima à  Tiberia e à  Josefa que como  por encanto desapareceram do mapa. Afinal, nesta ultima  segunda- feira,  novo encontro.  E fiquei a saber porque se eclipsaram: peixeiras na praça ,esta fecha às segundas.E é  só neste dia que elas vêm desenferrujar as pernas.

  Senhor  :dantes era uma fona .Daqui p´ra Ibalho ,fazer a venda e voltar  pela noitinha ,derreadas, esgalfas ,mais tesas que o carapau ressequido que não tivera freguesa..Aí sim (!) é que estas perninhas que agora parecem mijadas(com sua licença) eram roliças ,duras e torneadinhas. Ai do zamparilho que se astrevesse a meter-se no meio delas.
-Era assim, era…. ajunta a Zefa. Às vezes era já noitinha e o que valia era que aquele caniné do Labareda nos esperava .Até  que todo o pessoal arribasse à Maluca, feita a venda na Vila..
-Atão hoje não têm nenhuma estória para me contar? interroguei eu…a meter cunfia.
-Crédo ,você parece q’ué bruxo .Olhe!...vinha agora a lembrar com a Zefa da história da  Pauseira «Canária», que era uma savelha   de se lhe tirar o chapéu. Mulher danada, de sim ò sopas.Mulher de ou  fora ou adentro a meio é que se não podia ficar.
-Conte lá Ti Tiberia….conte raios que sou todo  interessado.
E a Zefa não se fez rogada.
- A  Pauseira tinha na sua casinha, ali nas dunas, um canário que estimava muito. O raio do pássaro , um dia apareceu esmorecido .Parecia que tinha lançado um grapelim  ao trapiche  e de lá não saia ,nem para molhar o bico. E pior ,nem piava.O  estipor do canário,dizia o Luis «Cantigas» ,o  serrazina do home da Pauseira: -dá-lhe uma «passarinha »a ver se o bicho desperta.Olha  que o  bicho tem, é falta da «passarinha». T’ asseguro.
-Pois , quem não tem falta da passarinha és tu,«Cantigas» .Há benícias que nem lhe pões a vista em cima. A vista e o resto ,raios, diz inquisilenta a Pauseira ao seu homem. P’ra ti esconjurado ,«passarinha é o garrafão do tinto. Ora vai-te ,que eu tenho mais  que fazer c’abanar o traseiro.
«O Cantigas» lá foi a resmungar  para a vida. A «Pauseira ficou a fazer horas para ir p’rà escorcha, aproveitando para fazer  um caldo de conduto para a ceia. A meio da manhã batem ao «portaló».
-Quem bate? E o que quer ,diz ao tempo que abre a portinhola. Cá fora, especado, o Arnaldo «Mijinhas», uma espécie de botadinho à parte, atrapalhado e nervoso, diz à Ti  Pauseira:
-O Ti Luis mandou-me aqui ,dizendo para  Vossemecê me dar «passarinha» que ele não teve tempo de lhe pôr a boca em cima.
-O Luis mandou-te mesmo ,para eu te dar a «passarinha»? Ai ele quer mesmo enfeite? Anda cá filho ,que eu dou-te a dita. E agarrando o «Fininho» puxou-o a si com força, atirando-o para o catre disposta a cumprir ordens, que  Capitão manda imediato obedece.
Só que o Arnaldo pouco dado a empostas do género ,incapaz de ciar em mar tão encapelado  ,fixou com pavor à trabuzana que para ele representava  a Pauseira , e  espavorido,  dá de se libertar do corpo da fera desembolada ,escapulindo-se  ao lancão  d’alentada mulheraça.
À noitinha ,quando o Luis «Cantigas» voltou da faina ,a Pauseira não esteve com meias palavras:
-Olha lá ó seu  zamparilho, atão tu agora já não te satisfazes com a «passarinha», e mandas substitutos p’rà   aconchegar?
-C’a estás tu pra aí a xanar, raios? Eu mandei o «Fininho» buscar o garrafão de vinho. A que tu chamas «passarinha»,homessa (?!).
-Homessa (!) digo eu ; o que te vale é que  o raio do canário é canária. Senão a estas horas  estavas mais enfeitado que o manso do  boi  amarelo do abegoeiro Ti Aparício.
-À ganda  Ti Zefa.  Vamos lá acabar a voltinha, que para a semana vossemecê  conta-me outra. Combinado, remato eu  bardaleiro ?
-Pois atão .Se lhe der volta, apareça lá pela praça .Há lá bom peixe. O que está a dar,agora, é  a chaputa» .De entupir uma jàja.    

 SF ( Fev 2013)

 

sexta-feira, fevereiro 08, 2013





Encolhi as asas …e continuei.

 
Saí de um sonho.
E nesse bonita pompa de sensações
Olhei pela janela
A contemplar, espantado, o voo de uma gaivota,
Na curva que deu para vir ter comigo.
Via-a (!),
Asas esticadas, tinha na ponta de uma, o azul do firmamento
E na outra, o azul riscado da ria.
Já acordado,  espero como ela agachado,
A chegada do ocaso arroxeado,
Para no crepúsculo  esconder as amarguras
De ser um barco à deriva, perdidas as amuras.
No sonho voltei  por momentos a ser criança
A pensar que a vida é sempre azul
Que no azul só há «penas» brancas.
Estremunhado, despertei :
A minha vida foi um vale de lágrimas,
Seco (!),
Porque nela raramente chorei

Apenas encolhi as asas…e continuei.

SF (Fev 2013)  

quarta-feira, fevereiro 06, 2013



Oh! doutor ponha lá um espelho...…
E uma vez mais lá fui, hoje, ao castigo anual.
Deixar que Dr Ricardo (urologista) abuse da minha permissão (excepcional !) e me espete dedo acima, até ao que diz apalpar a dita próstata. E depois ,ainda por cima, pagar por tal maldade.
É um brincalhão. O que não deixa de ser importante e menos doloroso,sob o ponto de vista psicológico.
À saída diz-me :
-Meu caro eng.  você está porreiro .Tem aí uma próstata para mais vinte anos, sem chatices .
-Olhe doutor, já agora: eu como representante da CEC (Comissão  dos Espetados no Cú),sugiro que todos os urologistas devam ter um espelho no consultório.Para que o cliente esteja mais descansado, ciente do tipo da maldade que pelas suas costas lhe estão a fazer.Não apareça um maroto.
 
E sobre a próstata dar para mais vinte, o bom seria que me garantisse que o que o  que lhe está intimamente ligado, durasse esses vinte ano. Senão que se lixem os vinte anos….
E até para o ano.
SF (Fev 2013)

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

 
Amansar a fera….
Manhã cedo,que a cama nunca fez bem a ninguém,senão para morrer mais comodamente instalado, já que para o resto,para os actos mais lúdicos, a palha e areia, são bem melhores aconchegos, saí para o passeio habitual. Jogging,como agora soe dizer-se,né?.
A ria esplendorosa. Estanhada, nem uma tainha nela bulia. Sol brilhante, já bem alcandorado, depois de trepada a serra do caramulinho,onde aqui e ali ainda se avistavam, uns farrapos sem contornos definidos...O sol invadia tudo, escorraçando a neblina matinal.
Com espirito (já) bem desperto, deixei-me contagiar pela frescura da manhã, reforçando a alegria de  sobreviver a mais uma noite. Apetecia-me  ficar ali suspenso das horas, imutável na paisagem.
Foi pois, um prazer, ir por aí abaixo de um modo tão leve, alegre, quase que num sentimento de imponderabilidade.
OH!!! se alguém com espirito criativo tivesse reposto na beirada da ria,frente ao palmeiral, a antiga esplanada, e criasse um ponto de passeio e lazer, que requalificação se teria feito a esta linda, intrigante, irrequieta e volúvel Costa-Nova!. Coisa bonita só de ser imaginada.
Mas adiante.
Eis que lá do sul, vinham duas pescadeiras ainda desempachadas, em passo mexido, firme e decido, em conversa galhofeira. Chegadas à minha beira abrandaram. E uma delas (ambas sessentonas; uma trajada de luto elucidativo) dirigiu-se-me,  sorridente:    
-Oh (!)  meu senhor acha que somos velhos?
-Quem ? ,perguntei...Todos nós?...
-Sim ....sim...respondeu a rir-se…
-Não; acho que somos já,, é  um bocado usados, atalhei.
-Oh estipor diz a outra: eu que pouco ou nem usada fui. Mas tu que de tanto uso até criaste ferida nas costas, de tanto as esfregares na areia.....
-Ora ora ...se mais usara mais gozo me dera  filha....Quanto mais uso mais òstifação..raios.
-Tem razão mulher; o que é preciso, é amansar a fera...adiantei eu.
-Pois tem razão amigo (!) - disse a desbocada já com intimidade ganha num minuto. Mas é que o «bichano» aqui da Josefa só bebia e ronronava. Pouco ligava á «bichana», ógadinha por uma festinha.
-C'alte aí ,sua esculhambrada, atira a Josefa ofendida. Olha que o Toino(deus o tenha no céu e lhe dê o que lhe tirou nesta vida:- dizia a Josefa enquanto se benzia),inté era danado prá brincadeira.Só que depois com  o espinhaço e as rezas daquela marafona ,a Cláudia do Zé Linguiça, foi-se abaixo do espinhaço. E do resto, rapariga. O pobre bem queria, queria….eu que o diga….mas fio torcido não passa por buraco d’agulha
-Ensebasses o fio rapariga…   
Há dias que nascem bem. Dias bons para se nascer.Também. Mas
 absurdamente desgraçados para se morrer,se fôr o caso.
 Porreiros para um recém nascido se interrogar: valerá a pena? Mas absurdos para ponto final à duvida.
SF  (fev 2013)

domingo, fevereiro 03, 2013



Olhares…

Olho esta feira de vaidades tontas (e de  uma ignorância endémica),com distanciamento (doloroso), mas com certa dose  de ficção que o mesmo é, e que tudo há-de acabar. Conquista de poder e prestígio a qualquer preço, sem um mínimo de cultura humanista. E  claro de  saberes. Reinado de falsa pompa de todas as realidades.
Olha-se para estes impreparados políticos  e percebe-se em cada um (onde já param as excepções ?)  a soberba do : sei tudo!!!
Se ao menos tivessem de Severo a ideia de que sabendo tudo ,nada valeu a pena, ainda seria razoável. Mas não. Estes peralvilhos de fatico e gravata chinoca, gentiaga estupida mas soberba e monstruosamente insensivel,  pensa que vale-se tudo…desde que permaneçam na montra. Nem que o estar na montra seja como as putas (trabalhadoras) de Amsterdão .Com a diferença : aquelas dão o que é seu. E esta camarilha rouba o que não é seu. Estes maltrapilhos não perceberam que todos os filmes têm um END.
Não sei se já repararam :em nome da democracia pretende-se um país feito de estrume humano.Num tempo dito democrático,a ofensa vil aos  mais fracos é divertimento de tiro ao alvo.
Eu sempre sonhei .Mas quando não consegui erguer-me aos céus, não tive medo de aterrar na terra. Estes tipos não sonham : deliram no banquetear-se do suor dos mais fracos.

Ai aguentamos ..aguentamos!  Talvez te F…ulriquizinho….

SF  

 

terça-feira, janeiro 22, 2013


Desculpem-me companheiros: hoje não estarei

 

Quisera eu ,hoje de novo ,reunir convivas
Amigos !
E para eles erguer fausta mesa
Onde a amizade fosse coisa viva.
De baco colher o melhor mel das cepas
Vinhos sublimes, sem igual e variados
E com eles erguer o copo, saudar a vida
Falar de coisas sérias, outras não
Que a vida não é só siso, é também riso.

 
Corro até à janela do meu navio
Onde embarquei neste resto de vida;
Fico absorto olhando o céu, hoje sem as sardas luminosas
A noite está fria como eu.
E insossa sem o acre da maresia.
A vida parece parada, untuosa,
Já nela não mora a poesia.
 
Vou –me esconder atrás da porta
 Para enganar a realidade;
Se ela entrar que me não encontre.
Fico apenas com as duas sensações:
A de viver só o que é real
E de já não sonhar com os «impossíveis».
Mesmo o mínimo  de sonho  me parece logo real.
Desculpem-me companheiros: hoje não estarei.
SF (22 Jan 2013)  

 

domingo, janeiro 13, 2013


 

 

 ODE

De Confrade  encapotado anda mascarado
Potente Baco,  deste reino alegre e ditoso
Por feitos e glorias tão desmerecidas
O grão mestre  do bacalhau no prato
Lhe concedeu o baco e  o hissope
E assim foi tão grandioso Rei nos calotes
Como fraco  e desmerecido em obra feita
Ao ouvir o lapuz gafanhão
Mazorro e prolixo a arrotar sentença
A martelar cabeças córneas
A fazer do bacalhau cidadão
Não há quem não colha do palrador
De um burro a sisudeza no rir asneiro.
Ai  Ribau, Ribau...
Para atar os molhos da palermice
Só te faltava esta sandice
De um tanque encheres de bacalhaus.
 
 Eu sei…eu sei…

Que na tua sandice e vã glória
Assim lhes não chamas «bacalhaus»
Mas sim de cidadãos impolutos, filhos da terra.
Deste-lhe mãe aos filhos da puta
Bendito o gesto que aos ílhavos encantará
Gesto impante e glorioso,
Este de trazer o mar até nós, e de metê-lo na «bestega»
E assim se engrilará
Que foi  afinal por estes sanapaios
Que tantas mães choraram
E tantos filhos se mijaram .
Para que fosse d’uns tantos:-Ó bacalhau,
Afinal  burrice dos antepassados ,lá ir tão longe.
Agora ,depois do feito,  para o pescar já só basta
Navegar do lejo do Bispo ao lejo do Museu
Ah ganda Ribau!!!!!

Agora sim, é tempo do bacalhau a pataco.
Não será mais uma caça ao fiel amigo,
Mas uma nassada a infiel cidadão.
Ai Ribau !, Ribau!….
Para cumulo patético só Te faltava
Esta, do bacalhau….bacalhau…

 Ai Ribau…Ribau 
Mereces as boazonas Nereias que ao teu colo de deleitam
Mas cuida-te com os felpudos e caprípedes  maganos,
Que afitam as cornígeras orelhas. Lembra-te!...
Quão de paternas manhas, os asnos sobrevivem.,

Aladino    13 .Janeiro 2013

quarta-feira, dezembro 19, 2012


 
Eu e a minha má relação com os «Natais»
 
Gostaria de viver utopicamente num mundo onde não fosse necessário haver «natais», para, por vezes e só aí, nos lembrarmos para fora, para todos os que nos rodeiam. Uns, para quem olhámos mais. Outros de quem até certamente, apesar de tão próximos, nem demos por eles.

Parece que só no Natal, nos apercebemos de que durante o ano errámos (inadvertidamente?) os gestos.

Bem, valha-nos ao menos termo-nos apercebido, momentaneamente, disso.

Os «natais» foram sempre um tempo de grande amargura, de mal-estar e inquietação. Tempo de avaliar que o que fui fazendo, que quase sempre esteve em desacordo com o que queria realmente fazer.

Afinal fui um acomodado. Aqui chegado, concluía que não valia a pena ter pena de mim por me não atrever a mudar. Também nos meus «natais» havia pratos fingidos, postos em cima de toalhas fingidas, com trenós e renas, cheios de vitualhas que fingidamente se acreditava existirem em todas as mesas, porque o fingido «Pai Natal», não cometeria o sacrilégio de as dar só a alguns.

Andei uma vida a prometer-me que um dia iria finalmente para um qualquer lado, onde houvesse um qualquer rio, para nele voltar a pôr a navegar os barcos de papel que levavam as pedras preciosas dos meus sonhos de criança.
Agora que já não há rios,nem barquinhos,e muito menos sonhos,abstraio-me,esperando que as horas corram.E minimizo ,aqui e ali, só pontualmente, as coisas.Como já não estou em lugar algum que me permita  modificar seja o que for,não o altero.E não me incomodo.Vou para a cama sem projectos .E percebo então porque há muitos que dormem sempre bem !São os que andam uma vida a acreditar que os «pais natais» chegam e sobram para resolver os problemas dos outros....
 
SF 

 

terça-feira, novembro 27, 2012


 

Miséria Intelectual


Não sei se os meus caros já deram por isso: agora os nossos sábios economistas já não falam por si, como pareciam  fazê-lo dois anos atrás ,onde pareciam saber tudo. Até como resolver o problema  num anito,diziam.

Agora colocam-se na sua posição,  a quatro, e dá de  perorarem pela dita ,cansativa e putativa troyka. Como a «voz do dono», é vê-los  a repetir a sua crença  nas juras  de que, o que é evidente para qualquer ser pensante ,não o é para eles, homens (?).Que não capitulam  mesmo perante o precipício : e aí vamos …..

Agora não se afirmam por si; exibem e argumentam, fornecendo os dados (vindos) da dita trupe. E tudo o que dizem  é : –  «segundo dados do BCE….»…«segundo dados do FMI» etc . Ao fazê-lo não vêm,  que  afinal,  o que tudo isto veio provar, é  que esta rapaziada partidária,  sabichona , era afinal  inapta, ignorante e incapaz . Que nem sabia o que se passava em sua casa.

Que estado lastimoso a que chegámos!!! E é isto a elite  dos nossos sábios ,todos ou quase todos ,Prof’s das muito e variadas Universidades que por ai pululam como cogumelos.

Porra: então se estes são assim, para que chateiam o espertalhaço Relvas ?
SF
A decisão de hoje ,do eurogrupo,  é uma lástima intelectual :uma confissão clara de que a receita é tão má que, ou se pára, ou o doente fina-se com certeza .  Só que começa a ser tarde para  o doente; nem  os santos lhe vão valer, tal  o estado calamitoso em que o puseram.
E por cá? Agora é que isto vao doer a sério.E o pior é que não se vai lá com manifestações pacíficas.Eu estou farto.É chover no molhado.E o facto é que isto está muito mais pôdre que em 24 de Abril.
SF

domingo, novembro 25, 2012


 

«Milena»
 
De vez em quando acontecem coisas sérias nesta Terra.

Surpreendente (e muito louvável) a iniciativa de «O Ilhavense».
Não só por promover  a edição do livro «Milena», livro que, diga-se desde logo,  se absorve  de um trago: inicia-se e tem-se logo vontade de o levar de uma tirada até final .Porque é um trabalho muito sério (e infelizmente essa seriedade não tem sido apanágio na abordagem da epopeia do Bacalhau).E muito bem organizado (o registo factual é brilhante), lindamente escrito na sua simplicidade narrativa. E acima de tudo de uma virtude intocável: o autor narra factos, mas nunca cede á tentação de se fazer figurante maior. O que, no relato bacalhoeiro, é pouco (ou nada) habitual.Mais propenso os autores  a auto- biografarem-se.

Sem duvida que o «Milena» é a figura central onde decorrem os «feitos». No caso azarados. Curiosamente lembro-me do «Milena – conheci muitos figurantes que lá deixaram suor e lágrimas –- e na minha memória de rapazito e ouvinte atento das conversas dos «bacalhoeiros», que duravam noite fora, por vezes  até ao nascer do sol, a ideia que retive é que sendo um «barco grandalhão», não era um mimo de lugre: mau de manobra, pesadão, muito trabalhoso para a pesca, alto de borda, diziam «ser barco de sorte má para quem lá embarcava». Certamente a má sina que o perseguiu em 48, terá acontecido em muitas outras campanhas. Os barcos, como os homens, têm alma. E por isso há uns de boa sina, e outros de sina danada.
«O Ilhavense» para lá de promover a edição, tudo fez para dignificar a sua  apresentação, dada a ausência do autor, muito bem representado por seu irmão..
Empenhou-se(eu testemunho-o)  na dignidade do acto.
Só não entendo porque não se deu ao livro o palco merecido. Este sim (!) merecia a sala do MMI.

Porque este livro fará história. Outros que lá foram pomposamente apresentados, nem no rodapé da dita, ficarão. A não ser que a sala (muito digna) da Junta de S.Salvador, tenha sido escolha própria de «O Ilhavense».

SF

sexta-feira, novembro 23, 2012


 

Hoje é dia de falarmos…de Ti.

Por cá tudo igual. Tudo mal.
Por «aí» não sei. Mas não tardarei a sabê-lo.
Hoje, ao lembrarem-me da tua falta, diziam-me à laia de consolo – certamente (!) – da minha sorte (?) de: – ainda ir vivendo:
Olhe que não, olhe que não… atalhei com doce comiseração: isto de ir vivendo mais um dia, não é bem ter um dia a mais. É a lucidez de ter a consciência de se ter um dia a menos para fazer tanta coisa que se pretendia fazer.
Não sei exactamente, onde, mas li (ou ouvi alguém dizer) que a vida não tinha sentido. Eu sempre,assim, o pensei, duvidando do dito. Para mim o que terá sentido é o calor humano que pomos no fazer das coisas da vida. Nos princípios e ideais que nunca abandonámos, na ética com que a vivemos etc.
 
 
 
Por isso ao preocupares-Te, não em usufrui-la, mas em ultrapassá-la nas suas minudências, deste-lhe o sentido que falta, quando se vive …, por viver.
Hoje, a cada dia que passa, percebemos a dimensão da Tua preocupação em ultrapassar «o consentimento da Tua vida».
Um dia perguntaram-me de onde vinham as minhas «certezas» (?):
Do olhar para o céu e não me impressionar com a sua lonjura. E olhar aqui para a beira, para quem vai a «meu lado» na vida, e sentir-me tão longe de cada um. Não me impressionam (e cada vez menos) os «deuses grandes». Importam-me, isso sim, «os deuses fracos». 
Por isso Te entendi quando parecia que todos os dias (santos e não santos, para Ti todos eram iguais na angústia), a vida te flagelava de propósito, desafiando-Te.

João

(Nota : este Blog deveria ser lançado na web em 25/11,dia da morte da Zeca.Por erro informático,adiantou .Aqui fica o reparo)

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...