quinta-feira, maio 22, 2014





Caros :

Não Vos envio,como aliás é meu costume, qualquer incitamento ou conselho.
Votem como entenderem melhor. Mas votem mesmo…
Melhor que votar, nestas Eleições Europeias…é Falecer….
É, de facto. A barba cresce depois de morrermos, e isso, depois de, não nos dá gozo nenhum.
Se  hoje  começasse a deixar crescer a barba, sem falecer, iria dar o meu voto a  (?)……
Para nada, mas ao menos ria-me…
Agora, domingo, vou dar o meu voto a (?). sabendo que dentro em pouco,estaremos numa encruzilhada sem saída.
Porque isto não vai lá …a votos…
Desinfectar um País ,até pode justificar aceitar quem mande, por um tempo. Mas  q.b. Desinfectar um continente ,não há  FLIT que chegue.
Em situações com alguma analogia com o estado catastrófico em que caímos, usei sempre a metodologia: «Então não há ninguém que mande aqui? Bem…então mando eu…».
Só com uma diferença: posto o barco a navegar…desembarcava no primeiro porto a que chegasse.  
A minha clara intuição, é a de que este País, no actual quadro europeu, não tem futuro nenhum. Ou muda a Europa, ou mudamos nós de Clube. Ignorantes da História, não perceberam o dito socrático: as dividas dos Países não se pagam!!!vão-se pagando».Ele tinha razão. Mete-lhes mais medo que o diabo...e isso ,palavra ,dá-me um gozo...
 Pagámos nestes três anos alguma divida,nossa? Não !.. pagámos foi a divida de uns tantos especuladores .A divida é como as pilhas Duracel l : - e cresce …e cresce…cresce!!!!
E vamos continuar a pagar. Vendendo não só os dedos, e depois  os órgãos (rins,figado,pila etc etc).
Rio-me….pois quando me vierem buscar «essa»,lixam-se: –  de «duracel» já nem o cel descortina.    
Pior que votar para bem pouco, «falecer», era mesmo não votar.Ou votar em branco.
E assim sendo, com  a «camisinha» protectora,  lá irei meter na racha da galdéria Europa.
Raios ...um homem não nega uma racha,boa ou má.
Votem caraças...



    Sf              

quarta-feira, maio 21, 2014



 

Pontuando:


1-      E lá me desembaracei do TDEX.Foi uma experiência ,que, embora ligeiramente forçada, depois  acabou por me criar  algum interesse.

Admirei o profissionalismo, e a vontade de «fazer bem», dos voluntários que levaram a cabo, e a bom termo, o evento.
 
 Sinceramente perturbou-a minha vida..mas disponibilizei-me inteiramente para os pormenores : a  mostra à Imprensa, os treinos (!!!)... treinos (sim!)...e a preocupação de  criar  uma ambiência que levasse os chamados «oradores» a dar litro e meio, no sentido de interessar a clientela (jovem).

Com direito a foto, vou guardá-la. Ou melhor pô-la no quarto do João, para que veja que o Pai é velho ,mas não patareco. Eu que abomino fotos, gosto particularmente desta. Eles convenceram-me que «aquilo» era mesmo a sério.

2-      Depois dos «Maias na Costa Nova» tenho recebido comentários e sugestões.Normal.E claro,sempre agradáveis.É das regras, que quem não gostou não quer ser indelicado.


De entre as sugestões e ideias dadas para novos livros, não deixo de referir uma. Curiosa  e porque veio ao encontro de algo que já me tinha perpassado pela cabeça.

Diz uma amiga: «tenho apreciado o modo como tenta dobrar o cabo do Não (fim).Isso leva-me a sugerir um titulo para o livro de remate: «Morte à MORTE».Seria interessante perceber como é (ou foi) a sua atitude com este enigma da vida.

Sorri-me perante este desafio. E de noite, dei voltas sobre volta. Às cinco da manhã já não aguentei mais, e vim teclar. Conclui desde os primeiros parágrafos: quis morrer ontem ; amanhã não me apetece nada!

E comecei a perceber : - eu não nasci diferente porque quis. Não. Fui-me fazendo diferente.

Ora vai-Te….

         3 – É bem certo : o que magoa não é quando um inimigo nos fere. É sim, quando um amigo, nos apunhala. E passado o primeiro impacto de perder um amigo, eu, que tudo fiz por não perder nenhum, julgo chegado o momento de largar a mão e dizer:- basta!
 O que magoa foram as palavras perdidas. Mas nada de chorar debaixo dos ciprestes grandes.
Anos a fio a conhecer o amigo.Sem afinal lhe conhecer a alma.
Tempo agora  de correr as cortinas.
Eu estou longe de Deus. E  Ele de mim. Entre nós não há equívocos.
Mas se estou longe Dele, há «pessoas» que estão  na torradeira, mesmo em vida. Eu não bato com a mão no peito, nem osculo o Senhor, em vão.
 
          4- Já não preciso como arranjei esta foto.A única que conheço da família Senos Fonseca.
 
 
   Curiosa a fotografia,recolhida no casamento da Maria Vitorina e do Samuel Corujo(o dos barquinhos engarrafados).Olhando hoje para esse passado longínquo (mas recente pelo modo como o gravei) noto que me não angustia a perda. 
                Recordo-me logo a seguir ao cliché, termos -eu e a Zeca- pedido para irmos brincar.
Resposta da Mãe: vão...vão...que vão ter pouco tempo para isso...
                  O que é que a minha Mãe estava a pensar? Premonição....Do momento, ou da vida que adivinhava para os seus filhos.
              5-Poemeto
 
                                   e foste tão rápida na saída,
                                    fugindo sem eu dar por ti
                                    que não me lembro
                                    de como são os teus olhos,
                                    tuas mãos, nem sequer os teus cabelos.
                                    só me resta o sabor do ultimo beijo, roubado.
 
 
                                     hoje,nesta noite de lua cheia
                                     enviarei uma borboleta de mil cores
                                      mil  fascínios
                                      que te levará  os beijos que não te dei.
                                     
                                      não a prendas;
                                      devolve-ma...viúva da lua ... 
                 




                                     SF


 

terça-feira, maio 13, 2014




  Foi Você que pediu um TDEX?


E foi assim,
quando convidado para tedexar  no evento, confesso,
 
 eu nem sabia bem que objectivo, e que orgânica, estavam por detrás da Organização. A primeira reacção foi,
vou pensar.
 
Depois uma espécie de cunha familiar ditou o resto. E pensei: mas que raio vou eu com o peso da idade dizer aquela gente?
Percebi depois que era muita gente. E levei um dia a interiorizar:- dizer o quê e para quê?
 
De repente dei-me conta que me estava a ser feito um desafio. E aí, à citação, respondi:
 
 OK, porque não (?!).
 
E por isso, amigos, levarei a minha idade àquela gente ávida de saber as veredas tortuosas do  empreendorismo(?!).
 
Tenho a impressão de que andamos a vender a ideia  de que todos os novos diplomados devem ser empreendedores,
Seremos um País de ambiciosos  capitalistas...sem trabalhadores que façam a sua parte.
 
Se alguém pensou que não falarei dos meus erros, misturados com pequenos êxitos: engana-se. Na vida aprendi muito mais com os inêxitos que com os êxitos. Êxitos ou inêxitos, o importante é saber processar, uns e outros.
 
Ser empreendedor é escancarar a porta para o desconhecido.
 Mas cuidado: agasalhem-se.Não vão apanhar uma pneumonia.
 
Lá estaremos, sábado.
 
Sf

 

«OS NOVOS MAIAS …& Comp.)

 

1-      Creio ter razões que não  escondem a razão da minha teimosia. É preciso insistir para não deixar desaparecer um património cultural, que, não sendo  nada negligenciável, sobreviveu a todos os «tratos de polé»  com que, obstinada e com intuito claro, bem se tentou distorcer a história de Ílhavo.Amigos  :«os ílhavos» são os «ílhavos» do passado, e não os pissocos do presente..E se não nos agarrarmos ao seu exemplo, «fomo-nos!!!». Et voilà …diria o Ega….O resto é «conversation» diria o meu avô «Gueira».

Não sei se hoje existem figuras em Ílhavo que consigam ombrear com a geração de vinte, e seguintes, que tinham atrás de si um património já rico. E isto de ter atrás de nós,alicerces profundos ajuda…

Para salvar todo esse património é preciso ir à luta. Ir à luta é acima trabalhar com afinco e sem complexos.

2-      A apresentação de Os Novos Maias na Costa Nova que inclui os Postais da Costa Nova, agradou-me. Vi interesse nas pessoas: - um interesse, talvez, fora do normal. Hoje os contactos com que me vão desinquietando o tempo, parecem provar o facto. Quando assim é:- é bom. Se em todas as circunstâncias teria valido  a pena, assim creio que ainda mais.

3-      Para a apresentação contei:

                   3-1- Com a dedicação da Dr.ª Helena Malaquias. Fez as últimas revisões (e devo dizer que me surpreendeu pela segurança com que o fez).«Ensaiou» o grupo Sénior da Fundação Prior Sardo, e fez uma apresentação do livro, a meu ver, muito criteriosa. Preocupou-se em explicar o que está lá, objectivamente, e não o que o autor subjectivamente pretendeu  insinuar(ou propor…talvez?). Saramago dizia que tinha sete revisoras para lhe catarem o texto. Claro, a responsabilidade era enorme. Mas por mim, cedo conclui que nisto de escrevinhar, chega-se a um ponto…. e tem mesmo de se passar o trabalho a outras mãos. Mantive com sucessivas revisoras, de trabalhos anteriores, acesas discussões.E oposição a vários entendimentos. Que me recorde, aceitei todas as objecções da Maria Helena Malaquias.O que diz tudo. Todas? Ah!...em algumas partes M.H. queria que o texto fosse (ainda!) mais exclamativo. E em dois ou três passos, eu discordei.

                    3-2 -O livro conta e enriquece-se com a ilustração da Sara Bandarra ,na capa. Eu gosto muito. Simples mas eficaz. Brilhante!... Há muito...muito a esperar da arte desta promissora descendente da família «Bandarra»

                    3-3- Dos Amigos Seniores já referi. Deram-se ao desempenho. E sem minha interferência (nenhuma!) lustraram a sessão com aquele que considero o meu melhor trabalho poético (?????),se é que consegui algum.
O Rui(Bela) como sempre presente.Vamos continuar a estar atentos aos seus trabalhos.
A todos o meu :-Obrigado.

                    3-4- Como sempre – e como gosto – faço as coisas, lanço-as… e nunca mais sei o que é feito delas. Por isso a AML foi preciosa na ajuda da recolha dos Postais e no seu ordenamento.

                     3-5- A atitude da CMI, na cedência ao CASCI, do auditório do MMI, foi um sinal muito positivo. A CMI deve olhar aos «novos tempos» avessos a «folclore» de obras sem sentido – e sem dinheiro! – e olhar mais para o imaterial. É preciso reencontrarmo-nos, uns com os outros, na conservação e preservação da nossa identidade, ultrapassando para tal as divergências clubistas, ideológicas (se é que há consciência do que isso seja). Positivo foi, com franqueza, o acerto da representante da Edilidade. Sóbria mas assertiva.

Pelo que, dito isto, hoje fico por aqui.

Certo é que há pontos a esmiuçar……   

SF

terça-feira, maio 06, 2014




  Memória...

Em 1970,um ano e tal após a morte de Mário Sacramento , encontrava-me convalescente e ainda acamado.A tentar sair vivo (esteve mais para o outro lado...) de uma grave, e até hoje inexplicável pancreatite aguda. Foi com surpresa que  recebi, no quarto, a visita de  Cecília Sacramento, acompanhada de uns indefectíveis amigos de MS. Com ele vinha minha Mãe.Vinham colocar-me a questão: era preciso organizar-se, no Illiabum, uma palestra sobre MS, vedando o caminho a uns próceres do sistema  salazarista, inimigos figadais de MS, em vida,  e que pretendiam, com a evocação publica,  lavar-se das tropelias que sobre MS, tinham praticado.

Por mim - via-se ! - era tarefa impossível, tal o estado de debilitação em que me encontrava. Mas concordando que era necessário fazer algo, indiquei duas ou três personagens, que, pensava ,ainda mais seguramente e qualitativamente poderiam fazer melhor do que eu.

Passados dias recebo de novo uma visita daqueles amigos, para me darem conta   da «nega» tida nas suas démarches. Era um tempo difícil, e nem todos aceitavam expor-se .Insistiram pois,de novo, apelando (e incentivando-me!) a por mãos à obra. Eu sentia-me fraco para trabalho de tal monta. Epara além disso, ainda  impreparado para tarefa de tal monta e complexidade..
Minha mãe em vez de me apoiar no não (!) ,como sempre, ajudou apelou à missão  e ao  desafio.

Bem...tinha de ser.

Pedi, então  para me trazerem para o quarto toda os livros  (e artigos) de MS.E, além disso ,os livros de Eça, que tinha no escritório, os de Fernando Pessoa (de que tinha pouco) e os de Namora (Cesário Verde,deixei para o fim).
E na cama comecei um martírio exigente. Ler MS como critico literário fez-me suar as estopinhas.Com Frederico de Moura (o médico que astuta e sabiamente tinha diagnosticado a pancreatite,e me visitava diariamente, troquei diversas opiniões. Em muitas observações FM, homem de uma cultura invejável, discordava de MS(no bom sentido),o que me permitiu uma melhor leitura.
Claro que a aproximação de MS a Eça,descortinando(?) uma estética de ironia, foi o meu primeiro passo(e talvez o mais fácil).Como o seria com Namora ou Redol para  o neo- realismo.

Mas a abordagem interpretativa de MS a Fernando Pessoa foi, lembro-me, um perfeito bico de obra.Reconheci que nem toda a critica foi receptiva à leitura do «Poeta da Hora Absurda».MS também(não foi difícil aí chegar) , não ficou muito satisfeito com o que produziu , queixando-se, de que escrito na prisão,sem poder fazer consultas suficientes (eu vi-me em situação algo semelhante, num certo aspecto, claro!), terá feito interpretações que sempre pensou corrigir. Por outro lado,era certo que  estávamos num tempo da descoberta (e eleição) de Pessoa, sendo ainda muita obra do poeta,desconhecida.
Bem,ao fim e ao cabo lá consegui(toscamente) abordar MS.
Entretanto,anunciada com antecipação a palestra, os «peralvilhos» recolheram a penates. E remeteram-se à expectativa, na esperança de que eu me não desenvencilhasse do oficio..
E o dia chegou. Magro e enfezado como um caniço bamboleante lá fui. Apresentou a palestra, se bem me lembro o Prof.Guilhermino.Que foi mestre de MS, de cuja inteligência guardava elogiosa referência :- o do melhor e mais inteligente aluno que lhe passara pelas mãos!!!!
Na primeira fila, sentou-se o palestrante a quem se goraram as intenções de se desinfectar. A sala encheu-se completamente. Frederico de Moura estava a postos para o desse e viesse...
Houve momentos difíceis.A palestra não poderia deixar de ser longa, e finda, travou-se animada troca de ideias com os presentes, muitos vindos de Aveiro.Claro.....
E lá me aguentei na «baldeação».´
Este esforço marcou-me. Porque me abriu portas ao interesse pelos nossos autores,e a uma leitura selectiva e informada.
Hoje, na abordagem (desafiante) de uma leitura de «Os Maias», não deixo de relevar a influência que MS e FM, tiveram, em despoletar, em mim, novas e continuadas abordagens, na leitura dos nossos maiores.
 
No Blog já um dia publiquei a palestra. Poderia ter corrigido muito do que lá disse.
Mas entendi que não o deveria fazer.
Tive um dia o prazer de abordar Oscar Lopes(que recebeu de Cecília um exemplar para apreciação),e ouvi com atenção a critica e elogios -que também os houve !-ao que fiz. E um dia tivemos oportunidade de discutir no Teatro Aveirense algumas posições.

Não me desculpo com a situação em que me encontrava.Poderia era não estar à altura do que fiz.

SF 2014



 

sábado, maio 03, 2014



E assim  se vão....


Ontem fui alertado para o falecimento do Armando(Quintino).
Nada que eu não esperasse, pois no ultimo almoço dei que a sua quebra de saúde era irreparável.
O Quintino era um dou últimos «Borboletas» que segue a lei da vida. Amigo de todas as horas sentia dele uma estima inultrapassável.
Nas inúmeras tainadas, o Armando era quem se encarregava de por a mesa(brilhantemente!) e quem se encarregava de lavar a louça. Fazia-o de um modo esmerado e carinhoso. Comia sossegado-salvo quando o José(Ançã) costumava intervir com as suas costumadas teimosias.
Era tão perfeito que a minha mulher dizia :
-Ai Armando ,se o meu homem ficar viúvo, venha tomar conta dele....

Pois é Armando:-foi pena não continuarmos a borboletear para sempre. Alcunharam-nos para nos chatear ...e a coisa pegou de estaca.
Vai amigo.Isto agora é um despacho.
Se OS encontrares por aí, dá-Lhes um grande abrtaço.
Até sempre ,companheiro

Senos Fonseca

segunda-feira, abril 21, 2014


 Na ante câmara do 25 Abril

 

Um grito de angústia

Ecoa neste país

São os homens…são os homens,

Perdidos entre as brumas da derrota
 
A clamar;

Tudo neles é uma sombra dum passado

Em que lhes prometeram

Mais do que a Liberdade:

Fraternidade.

Hoje por onde quer que se vá

Vemos um punhal

Apontado ao coração do seu Povo

São os homens…são os homens.

Que  já não sonham

Nem sabem, mas sofrem.

 
Deixo-me ficar por aqui  a velar…..
 

A crença e a esperança

Já se foram; nada mais resta;

Nada mais do que

O terrível  desespero

Na elipse do grito

Que ecoa por entre cadáveres (vivos)

Adormecidos,

À sua sorte abandonados.

Deixo-me ficar por aqui  a velar….


Neste país já não se levam

Os velhos  para a montanha;

Neste país mais comodamente

Se matam os velhos

Dentro das cidades estranhas.

E com o talão atestando o óbito,

Devidamente carimbado,

Pode ser que o falecido troque a carreta

Pelo  «audi»…premiado..
 

Deixo-me ficar por aqui  a velar….

 

Neste país até o vento

Parece triste

Depois do assassinato

Das vermelhas flores

E já nem os trigais

Ondulam

Nem  as espigas se beijam

E se acariciam,

E os pássaros já não chilreiam

A fazer amor

No escondido dos beirais;

Vento  este, ruim (!)

Salgado de tanta dor.

 
Deixo-me ficar por aqui  a velar

 
Os lobos descem ao povoado

Disfarçados

De avozinhas celestiais;

São loucos e façanhudos

A vasculhar os tostões

Sofridamente   amealhados.

Ai do Povo…ai do Povo

Sugado por estes vilões

De olhos cavos

E aguçados dentes;

Gente vulgar, gentes soezes

Ai do Povo..ai do Povo

A  ser  roubado de novo

Por estes corvos negrões

Que enchem o papo

«Faminto»

Àqueles insaciáveis ladrões

Deixo-me ficar por aqui  a velar…

Sf abril 2013

domingo, abril 13, 2014


Costa Nova

Uma praia injustiçada

 

Há praias em Portugal

Que estão na nossa memória

O que é muito natural

Fazem parte da História

 

Ó Costa Nova do prado

Minha praia injustiçada

Tua estória é um tratado
 
E nunca foste afamada,
 

 

Para narrar estes feitos

E sentir inspiração

Invoquei os meus eleitos

 
 
 
 
 
 
St. António, S. Pedro e S. João


Deu ordens o nosso Infante
 
P’ra navegar nos canais

Do ocidente ao levante

Sobre moliço e juncais

 
Trazei grandes alegrias
Conquistai a terra ímpia

Se cheirar a pó de enguias

Já descobristes a Índia

 



Até El Rei D.João II

Com seus trajes reais

Quis sair do galeão

P’ra pisar os areais

 

Mas caiu uma borrasca                                              
                                                                                      
Que arrancou o traquete

E El-rei ficando à rasca

Sentou-se no cagarete

 


Vasco da Gama também

Aqui veio navegar

Pouco experiente, porém,

Na coroa foi encalhar                                                          

 

P’ró astrolábio olhou

E disse em bom português

Esta merda avariou

Mas foi a primeira vez

 
Gritou ao timoneiro:
 

P’ra que são as malaguetas?

Estamos num atoleiro

Vais levar duas galhetas

 






Quando Albuquerque chegou


Tão cheio de munições

Nem a salva disparou

Com medo dos gafanhões

                                                                                          

Viu a bica dum moliceiro

Que estava em amanhação

Julgou que era um morteiro

E escondeu-se no porão

 

físico Frei-Vieira

Com perícia e muita calma

À tripulação inteira

Tratou do corpo e da alma




Animou os encalhados

Medicou os cagarolas

E vestiu os descarados

Dos indígenas matolas

                                                                           
                                                                                                                  
 
Estando cá desterrado

O grande Camões um dia,


Sentiu-se logo inspirado

P’las ninfas da nossa ria
 

Dos Deuses familiar

A Júpiter fez o pedido

Para vir recompensar

Este esforço desmedido

 

Do Olimpo veio Baco

Com os vinhos e leitão

E todos dentro de um barco
 

Festejaram a expedição

 
Assim se faz justiça

Às enormes proezas

Da que é a mais castiça

Das praias portuguesas

 
Alcina C. Parracho
2012

















AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...