sábado, fevereiro 16, 2013


A Capela das Almas (de novo)

 
Aproveitando o dia de intermezzo carnavalesco,fui dar uma volta pelos alfarrabistas no Porto. E num deles encontrei uma preciosidade: nada mais nada menos um exemplar da Revista «Branco e Negro».O  nº44 de 1897.
Este número traz um artigo de Diniz Gomes muito interessante, como o eram  todos aqueles em que rendia devota  homenagem ao seu «ílhavo»[1]. Surpreendente é que o artigo insira fotos com alguma qualidade, umas que já possuo ( prosapiamente como se diz, Arquivo do Autor iiiiiiiii!) e uma, para mim inédita. Da célebre «Capela das Almas» ou «Da toira», numa perspectiva inédita.
Desde logo uma questão: a foto é anterior a 1897,o que é notável(e todas as outras!).Eu catalogara estas fotos de inicio sec XX. São pois anteriores ,fiquei agora a saber.
Aqui vai a foto:
 
             

 
Tratando-se inicialmente de um simples oratório que ficava no rio da vila, situado no “meio” da calçada, que de Alqueidão vinha dar à Praça, foi com o produto advindo do «altar do mesmo», construída a Capela das Almas - onde a Irmandade das Almas suportava o encargo com os três capelães. E em que todas as segundas-feiras se dizia missa cantada por sufrágio das mesmas. Estava situada no canto sul actual«largo do Bispo», tendo uma forma hexagonal semelhante á Capela da Srª das Areias ;era pertença da Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco, sendo referida nas Informações de 1758, do seguinte modo :
“Fora da Capella há modernamente hum que podemos chamar oratório ainda que nelle se não diga missa. Fica no sitio chamado Rio da Villa em meyo da Calsada atravessa Alqueidão e vem ter à Praça. Chamam-lhe vulgarmente as ALMAS DA TOIRA. He um painel dellas de barro que está imbutido na parede das casa de hum Fulana Toira de alcunha, e faz frente para o rio”
Por isso se designava o local da sua implantação por Largo das Almas. Esta Capela foi sagrada pelo Prior João dos Santos em 12 de Junho de 1771.
  
Em 4.01.1911,a seguir à implantação da Republicas, é requisitada pela C.M.I, uma vistoria ao Director de Obras Publicas Distritais  sobre as condições de segurança da Capela,sita na praça do peixe, que se dizia serem precárias. A vistoria explicita a situação de ruína e a Câmara de Abel Regalla, António Paradela, Carlos Santos Marnoto, José Simões Ramos, Júlio Carvalho, Domingos Gago, decidem colocar em «Praça»  a sua demolição, questão que levantaria forte  polémica e criaria  um vivo mal estar entre as populações. O preço ajustado para a demolição foi de 341$000  réis (acta de 18.01.1911),tendo-se ainda deliberado proceder à venda dos bens existentes na Capela(?!)

Em 4.01.1911,a seguir à implantação da Republicas, é requisitada pela C.M.I, uma vistoria ao Director de Obras Publicas Distritais  sobre as condições de segurança da Capela,sita na praça do peixe, que se dizia serem precárias. A vistoria explicita a situação de ruína e a Câmara de Abel Regalla, António Paradela, Carlos Santos Marnoto, José Simões Ramos, Júlio Carvalho, Domingos Gago, decidem colocar em «Praça»  a sua demolição, questão que levantaria forte  polémica e criaria  um vivo mal estar entre as populações. O preço ajustado para a demolição foi de 341$000  réis (acta de 18.01.1911),tendo-se ainda deliberado proceder à venda dos bens existentes na Capela(?!)

               

Hoje a «razão» evocada parece não convencer. Porquanto a Capela tinha sido construída em pedra vermelha de Eirol e, tendo pouco mais do que um século, nada de especial para um templo. Não seria de esperar que o seu estado fosse assim tão mau como se apregoou. A sua arquitectura hexagonal conferir-lhe-ia, ainda e provavelmente, um acréscimo extra de estabilidade.

A questão foi, clara e inquestionavelmente, de índole politica, pois o regime nos primeiros passos, pretendeu desde logo limitar a influência do clero «reaccionário», a quem culpava do estado de ignorância em que se mantinha a população, com o fito ultimo de assim melhor lhe extorquir os parcos rendimentos que iam engordar as fortunas dos párocos, corruptos e de gula material desenfreada, como era voz corrente. E se esta noticia posta a circular percorreu o país de lés a lés após a implantação do regime republicano, as reacções populares fizeram-se sentir, especialmente no norte. Ílhavo não escaparia à onda.

SF



[1] Não sei para quando e porque se espera, editar essa raridade de identidade ilhavense «Costumes e Gentes de Ílhavo» de Diniz Gomes. Um livro de culto….

segunda-feira, fevereiro 11, 2013



 

 

 

O que valeu ao «Cantigas»  é que  o raio do canário …era canária…
Intriguei-me nestes últimos dias, de nunca mais ter postoa vista em cima à  Tiberia e à  Josefa que como  por encanto desapareceram do mapa. Afinal, nesta ultima  segunda- feira,  novo encontro.  E fiquei a saber porque se eclipsaram: peixeiras na praça ,esta fecha às segundas.E é  só neste dia que elas vêm desenferrujar as pernas.

  Senhor  :dantes era uma fona .Daqui p´ra Ibalho ,fazer a venda e voltar  pela noitinha ,derreadas, esgalfas ,mais tesas que o carapau ressequido que não tivera freguesa..Aí sim (!) é que estas perninhas que agora parecem mijadas(com sua licença) eram roliças ,duras e torneadinhas. Ai do zamparilho que se astrevesse a meter-se no meio delas.
-Era assim, era…. ajunta a Zefa. Às vezes era já noitinha e o que valia era que aquele caniné do Labareda nos esperava .Até  que todo o pessoal arribasse à Maluca, feita a venda na Vila..
-Atão hoje não têm nenhuma estória para me contar? interroguei eu…a meter cunfia.
-Crédo ,você parece q’ué bruxo .Olhe!...vinha agora a lembrar com a Zefa da história da  Pauseira «Canária», que era uma savelha   de se lhe tirar o chapéu. Mulher danada, de sim ò sopas.Mulher de ou  fora ou adentro a meio é que se não podia ficar.
-Conte lá Ti Tiberia….conte raios que sou todo  interessado.
E a Zefa não se fez rogada.
- A  Pauseira tinha na sua casinha, ali nas dunas, um canário que estimava muito. O raio do pássaro , um dia apareceu esmorecido .Parecia que tinha lançado um grapelim  ao trapiche  e de lá não saia ,nem para molhar o bico. E pior ,nem piava.O  estipor do canário,dizia o Luis «Cantigas» ,o  serrazina do home da Pauseira: -dá-lhe uma «passarinha »a ver se o bicho desperta.Olha  que o  bicho tem, é falta da «passarinha». T’ asseguro.
-Pois , quem não tem falta da passarinha és tu,«Cantigas» .Há benícias que nem lhe pões a vista em cima. A vista e o resto ,raios, diz inquisilenta a Pauseira ao seu homem. P’ra ti esconjurado ,«passarinha é o garrafão do tinto. Ora vai-te ,que eu tenho mais  que fazer c’abanar o traseiro.
«O Cantigas» lá foi a resmungar  para a vida. A «Pauseira ficou a fazer horas para ir p’rà escorcha, aproveitando para fazer  um caldo de conduto para a ceia. A meio da manhã batem ao «portaló».
-Quem bate? E o que quer ,diz ao tempo que abre a portinhola. Cá fora, especado, o Arnaldo «Mijinhas», uma espécie de botadinho à parte, atrapalhado e nervoso, diz à Ti  Pauseira:
-O Ti Luis mandou-me aqui ,dizendo para  Vossemecê me dar «passarinha» que ele não teve tempo de lhe pôr a boca em cima.
-O Luis mandou-te mesmo ,para eu te dar a «passarinha»? Ai ele quer mesmo enfeite? Anda cá filho ,que eu dou-te a dita. E agarrando o «Fininho» puxou-o a si com força, atirando-o para o catre disposta a cumprir ordens, que  Capitão manda imediato obedece.
Só que o Arnaldo pouco dado a empostas do género ,incapaz de ciar em mar tão encapelado  ,fixou com pavor à trabuzana que para ele representava  a Pauseira , e  espavorido,  dá de se libertar do corpo da fera desembolada ,escapulindo-se  ao lancão  d’alentada mulheraça.
À noitinha ,quando o Luis «Cantigas» voltou da faina ,a Pauseira não esteve com meias palavras:
-Olha lá ó seu  zamparilho, atão tu agora já não te satisfazes com a «passarinha», e mandas substitutos p’rà   aconchegar?
-C’a estás tu pra aí a xanar, raios? Eu mandei o «Fininho» buscar o garrafão de vinho. A que tu chamas «passarinha»,homessa (?!).
-Homessa (!) digo eu ; o que te vale é que  o raio do canário é canária. Senão a estas horas  estavas mais enfeitado que o manso do  boi  amarelo do abegoeiro Ti Aparício.
-À ganda  Ti Zefa.  Vamos lá acabar a voltinha, que para a semana vossemecê  conta-me outra. Combinado, remato eu  bardaleiro ?
-Pois atão .Se lhe der volta, apareça lá pela praça .Há lá bom peixe. O que está a dar,agora, é  a chaputa» .De entupir uma jàja.    

 SF ( Fev 2013)

 

sexta-feira, fevereiro 08, 2013





Encolhi as asas …e continuei.

 
Saí de um sonho.
E nesse bonita pompa de sensações
Olhei pela janela
A contemplar, espantado, o voo de uma gaivota,
Na curva que deu para vir ter comigo.
Via-a (!),
Asas esticadas, tinha na ponta de uma, o azul do firmamento
E na outra, o azul riscado da ria.
Já acordado,  espero como ela agachado,
A chegada do ocaso arroxeado,
Para no crepúsculo  esconder as amarguras
De ser um barco à deriva, perdidas as amuras.
No sonho voltei  por momentos a ser criança
A pensar que a vida é sempre azul
Que no azul só há «penas» brancas.
Estremunhado, despertei :
A minha vida foi um vale de lágrimas,
Seco (!),
Porque nela raramente chorei

Apenas encolhi as asas…e continuei.

SF (Fev 2013)  

quarta-feira, fevereiro 06, 2013



Oh! doutor ponha lá um espelho...…
E uma vez mais lá fui, hoje, ao castigo anual.
Deixar que Dr Ricardo (urologista) abuse da minha permissão (excepcional !) e me espete dedo acima, até ao que diz apalpar a dita próstata. E depois ,ainda por cima, pagar por tal maldade.
É um brincalhão. O que não deixa de ser importante e menos doloroso,sob o ponto de vista psicológico.
À saída diz-me :
-Meu caro eng.  você está porreiro .Tem aí uma próstata para mais vinte anos, sem chatices .
-Olhe doutor, já agora: eu como representante da CEC (Comissão  dos Espetados no Cú),sugiro que todos os urologistas devam ter um espelho no consultório.Para que o cliente esteja mais descansado, ciente do tipo da maldade que pelas suas costas lhe estão a fazer.Não apareça um maroto.
 
E sobre a próstata dar para mais vinte, o bom seria que me garantisse que o que o  que lhe está intimamente ligado, durasse esses vinte ano. Senão que se lixem os vinte anos….
E até para o ano.
SF (Fev 2013)

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

 
Amansar a fera….
Manhã cedo,que a cama nunca fez bem a ninguém,senão para morrer mais comodamente instalado, já que para o resto,para os actos mais lúdicos, a palha e areia, são bem melhores aconchegos, saí para o passeio habitual. Jogging,como agora soe dizer-se,né?.
A ria esplendorosa. Estanhada, nem uma tainha nela bulia. Sol brilhante, já bem alcandorado, depois de trepada a serra do caramulinho,onde aqui e ali ainda se avistavam, uns farrapos sem contornos definidos...O sol invadia tudo, escorraçando a neblina matinal.
Com espirito (já) bem desperto, deixei-me contagiar pela frescura da manhã, reforçando a alegria de  sobreviver a mais uma noite. Apetecia-me  ficar ali suspenso das horas, imutável na paisagem.
Foi pois, um prazer, ir por aí abaixo de um modo tão leve, alegre, quase que num sentimento de imponderabilidade.
OH!!! se alguém com espirito criativo tivesse reposto na beirada da ria,frente ao palmeiral, a antiga esplanada, e criasse um ponto de passeio e lazer, que requalificação se teria feito a esta linda, intrigante, irrequieta e volúvel Costa-Nova!. Coisa bonita só de ser imaginada.
Mas adiante.
Eis que lá do sul, vinham duas pescadeiras ainda desempachadas, em passo mexido, firme e decido, em conversa galhofeira. Chegadas à minha beira abrandaram. E uma delas (ambas sessentonas; uma trajada de luto elucidativo) dirigiu-se-me,  sorridente:    
-Oh (!)  meu senhor acha que somos velhos?
-Quem ? ,perguntei...Todos nós?...
-Sim ....sim...respondeu a rir-se…
-Não; acho que somos já,, é  um bocado usados, atalhei.
-Oh estipor diz a outra: eu que pouco ou nem usada fui. Mas tu que de tanto uso até criaste ferida nas costas, de tanto as esfregares na areia.....
-Ora ora ...se mais usara mais gozo me dera  filha....Quanto mais uso mais òstifação..raios.
-Tem razão mulher; o que é preciso, é amansar a fera...adiantei eu.
-Pois tem razão amigo (!) - disse a desbocada já com intimidade ganha num minuto. Mas é que o «bichano» aqui da Josefa só bebia e ronronava. Pouco ligava á «bichana», ógadinha por uma festinha.
-C'alte aí ,sua esculhambrada, atira a Josefa ofendida. Olha que o Toino(deus o tenha no céu e lhe dê o que lhe tirou nesta vida:- dizia a Josefa enquanto se benzia),inté era danado prá brincadeira.Só que depois com  o espinhaço e as rezas daquela marafona ,a Cláudia do Zé Linguiça, foi-se abaixo do espinhaço. E do resto, rapariga. O pobre bem queria, queria….eu que o diga….mas fio torcido não passa por buraco d’agulha
-Ensebasses o fio rapariga…   
Há dias que nascem bem. Dias bons para se nascer.Também. Mas
 absurdamente desgraçados para se morrer,se fôr o caso.
 Porreiros para um recém nascido se interrogar: valerá a pena? Mas absurdos para ponto final à duvida.
SF  (fev 2013)

domingo, fevereiro 03, 2013



Olhares…

Olho esta feira de vaidades tontas (e de  uma ignorância endémica),com distanciamento (doloroso), mas com certa dose  de ficção que o mesmo é, e que tudo há-de acabar. Conquista de poder e prestígio a qualquer preço, sem um mínimo de cultura humanista. E  claro de  saberes. Reinado de falsa pompa de todas as realidades.
Olha-se para estes impreparados políticos  e percebe-se em cada um (onde já param as excepções ?)  a soberba do : sei tudo!!!
Se ao menos tivessem de Severo a ideia de que sabendo tudo ,nada valeu a pena, ainda seria razoável. Mas não. Estes peralvilhos de fatico e gravata chinoca, gentiaga estupida mas soberba e monstruosamente insensivel,  pensa que vale-se tudo…desde que permaneçam na montra. Nem que o estar na montra seja como as putas (trabalhadoras) de Amsterdão .Com a diferença : aquelas dão o que é seu. E esta camarilha rouba o que não é seu. Estes maltrapilhos não perceberam que todos os filmes têm um END.
Não sei se já repararam :em nome da democracia pretende-se um país feito de estrume humano.Num tempo dito democrático,a ofensa vil aos  mais fracos é divertimento de tiro ao alvo.
Eu sempre sonhei .Mas quando não consegui erguer-me aos céus, não tive medo de aterrar na terra. Estes tipos não sonham : deliram no banquetear-se do suor dos mais fracos.

Ai aguentamos ..aguentamos!  Talvez te F…ulriquizinho….

SF  

 

terça-feira, janeiro 22, 2013


Desculpem-me companheiros: hoje não estarei

 

Quisera eu ,hoje de novo ,reunir convivas
Amigos !
E para eles erguer fausta mesa
Onde a amizade fosse coisa viva.
De baco colher o melhor mel das cepas
Vinhos sublimes, sem igual e variados
E com eles erguer o copo, saudar a vida
Falar de coisas sérias, outras não
Que a vida não é só siso, é também riso.

 
Corro até à janela do meu navio
Onde embarquei neste resto de vida;
Fico absorto olhando o céu, hoje sem as sardas luminosas
A noite está fria como eu.
E insossa sem o acre da maresia.
A vida parece parada, untuosa,
Já nela não mora a poesia.
 
Vou –me esconder atrás da porta
 Para enganar a realidade;
Se ela entrar que me não encontre.
Fico apenas com as duas sensações:
A de viver só o que é real
E de já não sonhar com os «impossíveis».
Mesmo o mínimo  de sonho  me parece logo real.
Desculpem-me companheiros: hoje não estarei.
SF (22 Jan 2013)  

 

domingo, janeiro 13, 2013


 

 

 ODE

De Confrade  encapotado anda mascarado
Potente Baco,  deste reino alegre e ditoso
Por feitos e glorias tão desmerecidas
O grão mestre  do bacalhau no prato
Lhe concedeu o baco e  o hissope
E assim foi tão grandioso Rei nos calotes
Como fraco  e desmerecido em obra feita
Ao ouvir o lapuz gafanhão
Mazorro e prolixo a arrotar sentença
A martelar cabeças córneas
A fazer do bacalhau cidadão
Não há quem não colha do palrador
De um burro a sisudeza no rir asneiro.
Ai  Ribau, Ribau...
Para atar os molhos da palermice
Só te faltava esta sandice
De um tanque encheres de bacalhaus.
 
 Eu sei…eu sei…

Que na tua sandice e vã glória
Assim lhes não chamas «bacalhaus»
Mas sim de cidadãos impolutos, filhos da terra.
Deste-lhe mãe aos filhos da puta
Bendito o gesto que aos ílhavos encantará
Gesto impante e glorioso,
Este de trazer o mar até nós, e de metê-lo na «bestega»
E assim se engrilará
Que foi  afinal por estes sanapaios
Que tantas mães choraram
E tantos filhos se mijaram .
Para que fosse d’uns tantos:-Ó bacalhau,
Afinal  burrice dos antepassados ,lá ir tão longe.
Agora ,depois do feito,  para o pescar já só basta
Navegar do lejo do Bispo ao lejo do Museu
Ah ganda Ribau!!!!!

Agora sim, é tempo do bacalhau a pataco.
Não será mais uma caça ao fiel amigo,
Mas uma nassada a infiel cidadão.
Ai Ribau !, Ribau!….
Para cumulo patético só Te faltava
Esta, do bacalhau….bacalhau…

 Ai Ribau…Ribau 
Mereces as boazonas Nereias que ao teu colo de deleitam
Mas cuida-te com os felpudos e caprípedes  maganos,
Que afitam as cornígeras orelhas. Lembra-te!...
Quão de paternas manhas, os asnos sobrevivem.,

Aladino    13 .Janeiro 2013

quarta-feira, dezembro 19, 2012


 
Eu e a minha má relação com os «Natais»
 
Gostaria de viver utopicamente num mundo onde não fosse necessário haver «natais», para, por vezes e só aí, nos lembrarmos para fora, para todos os que nos rodeiam. Uns, para quem olhámos mais. Outros de quem até certamente, apesar de tão próximos, nem demos por eles.

Parece que só no Natal, nos apercebemos de que durante o ano errámos (inadvertidamente?) os gestos.

Bem, valha-nos ao menos termo-nos apercebido, momentaneamente, disso.

Os «natais» foram sempre um tempo de grande amargura, de mal-estar e inquietação. Tempo de avaliar que o que fui fazendo, que quase sempre esteve em desacordo com o que queria realmente fazer.

Afinal fui um acomodado. Aqui chegado, concluía que não valia a pena ter pena de mim por me não atrever a mudar. Também nos meus «natais» havia pratos fingidos, postos em cima de toalhas fingidas, com trenós e renas, cheios de vitualhas que fingidamente se acreditava existirem em todas as mesas, porque o fingido «Pai Natal», não cometeria o sacrilégio de as dar só a alguns.

Andei uma vida a prometer-me que um dia iria finalmente para um qualquer lado, onde houvesse um qualquer rio, para nele voltar a pôr a navegar os barcos de papel que levavam as pedras preciosas dos meus sonhos de criança.
Agora que já não há rios,nem barquinhos,e muito menos sonhos,abstraio-me,esperando que as horas corram.E minimizo ,aqui e ali, só pontualmente, as coisas.Como já não estou em lugar algum que me permita  modificar seja o que for,não o altero.E não me incomodo.Vou para a cama sem projectos .E percebo então porque há muitos que dormem sempre bem !São os que andam uma vida a acreditar que os «pais natais» chegam e sobram para resolver os problemas dos outros....
 
SF 

 

terça-feira, novembro 27, 2012


 

Miséria Intelectual


Não sei se os meus caros já deram por isso: agora os nossos sábios economistas já não falam por si, como pareciam  fazê-lo dois anos atrás ,onde pareciam saber tudo. Até como resolver o problema  num anito,diziam.

Agora colocam-se na sua posição,  a quatro, e dá de  perorarem pela dita ,cansativa e putativa troyka. Como a «voz do dono», é vê-los  a repetir a sua crença  nas juras  de que, o que é evidente para qualquer ser pensante ,não o é para eles, homens (?).Que não capitulam  mesmo perante o precipício : e aí vamos …..

Agora não se afirmam por si; exibem e argumentam, fornecendo os dados (vindos) da dita trupe. E tudo o que dizem  é : –  «segundo dados do BCE….»…«segundo dados do FMI» etc . Ao fazê-lo não vêm,  que  afinal,  o que tudo isto veio provar, é  que esta rapaziada partidária,  sabichona , era afinal  inapta, ignorante e incapaz . Que nem sabia o que se passava em sua casa.

Que estado lastimoso a que chegámos!!! E é isto a elite  dos nossos sábios ,todos ou quase todos ,Prof’s das muito e variadas Universidades que por ai pululam como cogumelos.

Porra: então se estes são assim, para que chateiam o espertalhaço Relvas ?
SF
A decisão de hoje ,do eurogrupo,  é uma lástima intelectual :uma confissão clara de que a receita é tão má que, ou se pára, ou o doente fina-se com certeza .  Só que começa a ser tarde para  o doente; nem  os santos lhe vão valer, tal  o estado calamitoso em que o puseram.
E por cá? Agora é que isto vao doer a sério.E o pior é que não se vai lá com manifestações pacíficas.Eu estou farto.É chover no molhado.E o facto é que isto está muito mais pôdre que em 24 de Abril.
SF

domingo, novembro 25, 2012


 

«Milena»
 
De vez em quando acontecem coisas sérias nesta Terra.

Surpreendente (e muito louvável) a iniciativa de «O Ilhavense».
Não só por promover  a edição do livro «Milena», livro que, diga-se desde logo,  se absorve  de um trago: inicia-se e tem-se logo vontade de o levar de uma tirada até final .Porque é um trabalho muito sério (e infelizmente essa seriedade não tem sido apanágio na abordagem da epopeia do Bacalhau).E muito bem organizado (o registo factual é brilhante), lindamente escrito na sua simplicidade narrativa. E acima de tudo de uma virtude intocável: o autor narra factos, mas nunca cede á tentação de se fazer figurante maior. O que, no relato bacalhoeiro, é pouco (ou nada) habitual.Mais propenso os autores  a auto- biografarem-se.

Sem duvida que o «Milena» é a figura central onde decorrem os «feitos». No caso azarados. Curiosamente lembro-me do «Milena – conheci muitos figurantes que lá deixaram suor e lágrimas –- e na minha memória de rapazito e ouvinte atento das conversas dos «bacalhoeiros», que duravam noite fora, por vezes  até ao nascer do sol, a ideia que retive é que sendo um «barco grandalhão», não era um mimo de lugre: mau de manobra, pesadão, muito trabalhoso para a pesca, alto de borda, diziam «ser barco de sorte má para quem lá embarcava». Certamente a má sina que o perseguiu em 48, terá acontecido em muitas outras campanhas. Os barcos, como os homens, têm alma. E por isso há uns de boa sina, e outros de sina danada.
«O Ilhavense» para lá de promover a edição, tudo fez para dignificar a sua  apresentação, dada a ausência do autor, muito bem representado por seu irmão..
Empenhou-se(eu testemunho-o)  na dignidade do acto.
Só não entendo porque não se deu ao livro o palco merecido. Este sim (!) merecia a sala do MMI.

Porque este livro fará história. Outros que lá foram pomposamente apresentados, nem no rodapé da dita, ficarão. A não ser que a sala (muito digna) da Junta de S.Salvador, tenha sido escolha própria de «O Ilhavense».

SF

sexta-feira, novembro 23, 2012


 

Hoje é dia de falarmos…de Ti.

Por cá tudo igual. Tudo mal.
Por «aí» não sei. Mas não tardarei a sabê-lo.
Hoje, ao lembrarem-me da tua falta, diziam-me à laia de consolo – certamente (!) – da minha sorte (?) de: – ainda ir vivendo:
Olhe que não, olhe que não… atalhei com doce comiseração: isto de ir vivendo mais um dia, não é bem ter um dia a mais. É a lucidez de ter a consciência de se ter um dia a menos para fazer tanta coisa que se pretendia fazer.
Não sei exactamente, onde, mas li (ou ouvi alguém dizer) que a vida não tinha sentido. Eu sempre,assim, o pensei, duvidando do dito. Para mim o que terá sentido é o calor humano que pomos no fazer das coisas da vida. Nos princípios e ideais que nunca abandonámos, na ética com que a vivemos etc.
 
 
 
Por isso ao preocupares-Te, não em usufrui-la, mas em ultrapassá-la nas suas minudências, deste-lhe o sentido que falta, quando se vive …, por viver.
Hoje, a cada dia que passa, percebemos a dimensão da Tua preocupação em ultrapassar «o consentimento da Tua vida».
Um dia perguntaram-me de onde vinham as minhas «certezas» (?):
Do olhar para o céu e não me impressionar com a sua lonjura. E olhar aqui para a beira, para quem vai a «meu lado» na vida, e sentir-me tão longe de cada um. Não me impressionam (e cada vez menos) os «deuses grandes». Importam-me, isso sim, «os deuses fracos». 
Por isso Te entendi quando parecia que todos os dias (santos e não santos, para Ti todos eram iguais na angústia), a vida te flagelava de propósito, desafiando-Te.

João

(Nota : este Blog deveria ser lançado na web em 25/11,dia da morte da Zeca.Por erro informático,adiantou .Aqui fica o reparo)

segunda-feira, novembro 19, 2012



 

Por cá vamos indo…

 

Cá por casa tudo continua como «Ela» gostaria que estivesse. Coisas com as quais respeitosamente, eu concordava, a que  me fora moldando ao longo dos anos de uma vida partilhada intensamente. Houve altos,houve baixos?: claro, mas apenas alevanto de vento que logo passava; para o que bastava uma abordagem,doce, pelo meu lado «ronca».

Uma  sabedoria de vida que nem todos conseguiam facilmente abarcar : o convívio  fácil com as pessoas fáceis, para com quem tinha -sempre!–um gesto ou uma palavra de carinhosa brincadeira, quando não  um dito que transformava uma maledicência num sorridente  remoque; mas bem ao contrário a fuga às gentes artificialmente emproadas  que dificilmente tolerava. Tudo na Z. era natural transparente e frontal. Demasiadamente frontal.   

Agora : os sapatos deixados á entrada, desalinhados,  é uma das poucas liberdades   que desde já  assumo transgredir. Não havia meio de me corrigir: entrava  e logo iam sapatos para aqui ,casaco para ali, calças para o varandim: à medida que entrando no meu refúgio  respirava a sensação de eu, só eu ,e mais ninguém, tinha o direito de transgredir as regras da boa arrumação . Pacientemente zangada, ia apanhando tudo e colocando o rol no local aonde ao outro dia, eu encafuava o que lá estivesse e me fosse distribuído para vestir. Poderia ser amarelo, azul às riscas, o que quer que fosse: - eu vestia (ainda que fosse uma meia de cada côr). E agora, grande trabalho é o meu,este, de aprender onde estão as coisas. Apesar de que ultimamente, pressentindo o desfecho, me foi dando referências do local de armazenagem..

 No meu luto interior ( e só esse é meu!) recordo-lhe a dimensão solidária, o dar-se inteira e integralmente a todos –mas é que era mesmo todos …tantos!!!-que dela precisassem, independentemente do preço que muitas dessas atitudes nos acarretassem. Tomada a decisão,   assumíamo-la  por completo.

Por isso o nosso meio «familiar» era grande e preenchido. Se não pudemos fazer melhor, não foi porque nos eximíssemos  a uma ou outra tarefa por mais  difícil que fosse, para  o concretizar. Apenas porque não foi possível, fazer melhor, dentro das circunstâncias.

Espantosamente dedicava aos seus animais ,a mesma dedicação que dedicava aos seus. Não ia a lado nenhum sem a sua companhia. Podia tentar convencê-la a ir a um longo passeio: ia se os «meninos também  fossem». Ponto final! O mundo da Z. era o seu mundo próximo. O dos seus.

 E assim não havendo outra hipótese, um dia  fomos –finalmente! – todos.  A trabalheira para meter nos hotéis(em França e Espanha) os cachorros embarcados em malas, foi coisa épica. De outro modo os passeios ,só poderiam ter o máximo de duração dois dias.

Casaco,calças,ou outro, de que eu me esquecesse uns meses, desapareciam como por encanto. À pergunta : então  onde está «aquilo»?. Ora : olha dei a quem mais falta tinha delas que tu….Eu encolhia os ombros, claramente satisfeito….Um dia um ladrãozito entrou-me na casa da Costa.Quando foi apanhado e  fomos chamados á GNR para prestar declarações, às tantas dei que tinha vestido um belíssimo casaco de cabedal,meu. Claro que perguntei: de quem é esse casaco ? É seu :gostei muito dele,respondeu-me.

Tire-o ,já…E quando o rapazola cumpria a ordem diz a Z…: deixa, que o casaco até o tinhas esquecido na Costa. E ao «rapazinho»,faz-lhe jeito. E fica-lhe bem. A ti já te estava apertado, ora….

Fisicamente  a  Z. era um poder do senhor: agarra aí…e eu dizia, como é que te atreves?…e afinal era eu que desistia.  Esquerdina, tinha uma força desusada naquele braço ,e ai de quem o quisesse experimentar.

Bem poderia aqui estar até amanhã a falar de pequenas incidências da nossa vida em intimidade que se prolongou por mais de sessenta anos.

A secretária onde escrevo começa a estar um pouco desarrumada. Como eu. A vida também começa a desarrumar-se dentro de mim. Nunca me subordinei a nada e agora o vazio toma conta de mim.

Emocionalmente ,sinto-me equilibrado. Sobre factos futuros, não tenho curiosidade de maior. Sobreviver.
Os condenados sabem, que amanhã ou depois, os espera o cadafalso. Aos ditos  a decisão humana substituirá  a  interferência  do destino .Seremos  nós diferentes desses condenados, só porque aspiramos a uma morte sem data pré-anunciada?

Prossigamos, então, nesse intervalo, surpreendendo-nos mais a nós do que aos outros. Viver a vida por inteiro, é impossível. É ficção.
Vivamos a vida arrumando vivências, saudades, memórias, sem abdicar de viver o resto com dignidade. Aspergindo  a monotonia  da inconsistência dos dias, acreditando que só vale morrer de pois de ter amado. Mas não apenas…

Vejo para aí tantos louco a fazer-nos acreditar que acreditam nas suas delirantes loucuras, que começo a sentir  estar a perder  a minha pobre lucidez. Os meus sentimentos são fortes de mais,mesmo para quem arranja argumentos para os colocar em causa. O que os meus sentimentos podem, é estar errados com a vida.

SF

sexta-feira, novembro 09, 2012


REENCONTRO





Vem Ria!

Corre e vem roubar-me a este desengano

A este silêncio amargo que me entedia,

Tão intenso que o seu «ruído» me ensurdece.

Tenho frio de ver a noite, tenho sede de  ver o dia.


Vem Ria!

Foi no meu mar interior que o rio da vida veio desaguar;

Trouxe no seu ventre o inverno da vida.

 Vejo pessoas como barcos negros a navegar

 Cruzando o breu da noite sem se verem, ou sequer saudar.


Vem Ria!

Traz contigo o vento para varrer as minhas penas.

Quero nele verter as minhas rosas de espinhos

Quero nele sentir o ressoar do meu coração distante

Quero que ele me traga a parte do meu sonho que pereceu.


Vem Ria!

Traz-me o azul para nele embrulhar as recordações

Onde nem tudo, no passado, foi falso

Quero recordá-lo para o volver presente

Trazer para junto de mim, quem está ausente.


Vem Ria!

Oh! Quanto nos afastámos neste verão de dor

Recomecemos, hoje, o nosso inocente amor.

Deixa que este tempo  do não viver, não dura sempre:

Eu vou acordar deste sono falso, deste cansaço aparente.


Vem Ria!

Eu não sonho possuir-te, ser contigo carnal

Não: contigo não quero ser, assim, banal

Quero voltar a ver-te nua, mas não possuída

Quero voltar contigo ao pedaço de vida interrompida.  


SF. Nov. 2012

quarta-feira, novembro 07, 2012


 

CARPE  DIEM versus  BEATUS ILLE

A propósito do CARPE DIEM publicado (3Nov 2012), à medida que as horas  silenciosas vão correndo, vou  eu discorrendo….
Creio que sempre que  a vida nos prega uma partida, paramos e juramos: é agora .Parece  chegada a altura de procurar viver segundo Horácio , o poeta  venesino.
Viver segundo as regras do poeta era viver na suprema virtude (perfeição )da vida.
Seguir Horácio –e muitos juraram segui-lo ,e imitá-lo –tinha entre  outros saberes (  virtudes) o  beatus ille, que seria o viver «afastado» , num modo (propósito) contemplativo. Ora manda a verdade dizer que os nossos Árcades, cantavam esse viver. Só que  não muito longe do bulício (e prazeres)da cidade. Era o tal viver lá fora, cá dentro. Quando muito cantavam as suas Odes nos jardins públicos, a paisagem citadina que imitava (?!)a «Arcádia» pastoril.
Por mim, também aderia (poeticamente) ao CARPE DIEM.
Só que prometi fazê-lo um ror de vezes, e voltei sempre ao mesmo. Mas tantas foram as vezes que jurei dizer palavras que afinal nunca disse; tantos foram os gestos ensaiados e logo fenecidos á nascença; tantos foram os sentimentos que guardei só para mim, quando os devia lançar ao vento e deixá-los ribombar por todos os cantos….,A cada promessa ensaiada, logo voltava à estaca zero.
 Chego pois á conclusão, que (já) não mudarei, embora o tenha prometido, agora,uma vez mais.
E  por isso continuarei a querer importar-me ;e continuarei a querer saber; e continuarei a aceitar sofrer. E continuarei a guardar a sete chaves muito dos meus sentimentos, que não contarei  a ninguém. Que levarei comigo. Como levarei os gestos e as palavras, os sorrisos e as lágrimas.
E vou andando. Continuarei a deixar-me agir impulsionado por um qualquer sonho. Não tenho outro modo de me deixar existir. Parece que nunca aprendi. Ou não quis.
E discorro: os avisos e propósitos de Horácio, ficaram registados  nos compêndios literários. Morrem lá enterrados, bafientos. Utopia inalcançável..  

SF  (7 Nov 2012)

sábado, novembro 03, 2012


 

       Carpe diem

 

      Recolho-me aqui, bem para junto de Ti

       Na tentativa de me render à filosofia

        Da natureza que nos criou e alimenta.

       Carpe diem ,

        É a mensagem que me pareces recomendar:

        Saber é proibido.

        Querer saber o fim que um qualquer «deus»

        Me dará, é proibido.

        Saber se faltam ainda poucos

        Ou muitos invernos, que um qualquer «deus» me concederá,

        Saber até se este  não será o ultimo,

        É proibido.  Fugaz, é a única certeza da vida.

         Mas se o for, que  sendo este o ultimo

          Não seja o menos importante.

         Traz pois contigo as musas para com elas beber

         Todo o meu vinho;

          Que o melhor  não fique guardado

         Bebamos à vida; olha que o tempo é ciumento

         E foge para longe de nós.

         Deixa-o ir; fica aqui junto de mim,

         Nunca acredites no amanhã!

          Vamos aproveitar o que a vida nos oferece

           E colher  cada botão acabado de florescer

           Antes que só nada mais haja que espinhos

            Para  viver ou..morrer.

             SF   1 Nov 2012

quarta-feira, outubro 31, 2012


 

 O complexo problema da Fé

 Com a  morte a rondar-me  a porta, num ciclo cujo timing alterou as minhas perspectivas de vida, remeto-me, nestas horas pateticamente dolorosas, porque nos sentimos perfeita e irremediavelmente vencidos.IMPOTENTES.
E claro  há pequenos (grandes!) problemas com que inesperadamente  nos deparamos, depois de uma vida em comum, pacífica, onde nunca houve  a mais pequena divergência  no que  concerne às convicções religiosas de cada um. Respeito integral de cada um, pelo outro.
Ambos fomos educados  dentro do maior respeito e prática  cristã. Cedo, de minha parte ,tal praxis foi conscientemente abandonada. Mas sem nunca colocar em causa o caminho que o outro queria seguir. Nunca falámos ,minimamente desta divergência.
E por isso neste momento transcendente do fim ,vi-me confuso de como proceder em relação ao possível desejo de reconforto cristão, que acredito desejado.
E dei comigo a reflectir:
Aceito que uma das razões, a ultima, do cristianismo será o de dar ao homem ,uma indicação substantiva de uma regra moral a seguir, certamente porque é admissivel que o homem o não conseguiria fazer por si só, ao não ser capaz  de atingir tal desiderato pela própria razão.

Se assim fosse a a religião confinava-se á moral.
Creio que sim.
E se assim for,e tal como me posiciono, aceito um «deus», não à minha imagem ou semelhança mas ,sei lá!, um simples(ou complexo) programa evolutivo que se auto programa onde reside um princípio  racional  supremo. Nada de qualquer apropriação religiosa.

Senos Fonseca

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...