sexta-feira, dezembro 19, 2014
quarta-feira, dezembro 17, 2014
LAGUNA : Património da Humanidade
A singularidade, o esforço humano posto no embate com o meio ambiente no desejo de o afeiçoar, levaram-me a propor ás Entidades e Instituições da beira ria, avançarem com a candidatura da Laguna a tal entendimento.
Fundamental para a preservar, agora, da cobiça humana, posta ao serviço de outros interesses. Proponho a consulta de
Boa leitura
SF
segunda-feira, dezembro 15, 2014
Salta já à
vista, e mais do que isso, ao entendimento, que as apregoadas e badaladas
«suposições» feitas a Sócrates, começam a mostrar a sua esfarrapada
inverosimilidade .
É por isso, insustentável,
é insuportável, que por meras desconfianças, se coloque o símbolo da maior
Instituição da democracia eleita, sob
prisão, sem haver uma única acusação, clara, provada.
A imagem de
Portugal,lá fora , é a de um novo farwest, onde a lei era a do mais rápido.Que sacava primeiro e perguntava depois….
É claro que
temos em breve de discutir «esta justiça».
A proibição,
há pouco conhecida, da entrevista de Sócrates ao Expresso,é um acto cobarde,
de quem nega, sem identificar «razões nem porquês», a possibilidade, a quem
diariamente se vê enxovalhado por noticias «vendidas» a órgãos de comunicação
social, especialmente seleccionados para o efeito, delas se defender.
Admitamos
que «amanhâ» concluímos que tudo isto não passou de um acerto «de contas
atrasadas», com alguém intencionalmente
escolhido, para fins claramente, então,percebidos.
O que vamos fazer a estes «caçadores
de troféus».
SF
NB No tyempo
da PIDE os agentes tinham de frequentar cafés,comícios,esquinas…etc para ouvir
«os perigosos inimigoa da Pátria».Agora estão atràs dos telefones, bebendo uns
copos, no quentinho, tipo big-brothers á
solta.
terça-feira, dezembro 09, 2014
PRESÉPIO
Muito embora a minha relação com a religião
seja nula, sempre respeitei as ideias
diferentes da família(e claro,de todos….).
Que como quase todas as educadas num ambiente
profundamente católico, cristão, não perdem a oportunidade de, no Natal,
misturar o pagão com o religioso. E assim colocam a árvore ao lado do
presépio. Símbolos de que os mais novos gostam sempre.
Apesar de todas as circunstâncias, há dias,
foi-me perguntado se este ano não se fazia o presépio? Claro !... vamos pedir a
quem o saiba fazer….E o presépio e tudo o resto, enfeitam já a casa. Que parece
talhada para fazer sobressair estes símbolos natalícios. A tal ponto que ela me
sugeriu o poema natalício que irei oferecer aos meus amigos.
Mas, admirado fiquei, quando o mais novo cá de casa, me perguntou.
Porque estão ali o Boi e o burro, e o que querem
dizer?
Excelente questão. Tenho a impressão que uma
grande maioria não sabe o porquê….e lá fui explicando.
Olha
pá!....a presença do boi e do burro, é «relativamente» recente, isto é
,muito mais nova do que a descrição do nascimento de Jesus (um dos episódicos bíblicos
da vida de Jesus).
Um evangelista
apócrifo (e lá tive de explicar o que isso significava), que ficou conhecido
pelo pseudo-Mateus (este, Evangelista bíblico) inventou a presença do boi e do
burro, no Século VI da nossa era. Fê-lo
na convicção do profeta Hacuc, quando este augura «Tu
Te manifestarás no meio de dois animais». Ora o profeta Isaías tinha dado a
imagem de «que o boi conhece o seu proprietário;
e o burro, a manjedoura do seu mestre». Assim o apócrifo pseudo –Mateus associa essas profetizações, e
concebe a presença no presépio destes
dois animais. Daí em diante presépio sem boi e burro, não é presépio que se
preze.
E na ideia popular logo se deu uma utilidade
da presença dos animais : a de
aquecimento do menino.
- E
porque não pôs um cão, que reúne as duas características daqueles?domingo, dezembro 07, 2014
Mário Soares é, incontornavelmente,
a figura pátria depois do 25 de Abril.
Como os peixes precisam da águia
para viver, Mário Soares precisa da Liberdade para se alimentar e respirar. É impressionante, neste Homem, o seu poder combativo, felino, indomável, de
alguém sempre disposto a assumir o combate, quando a Liberdade, pátria ou até individual, é posta em
causa.
Retenho Mário Soares:
A primeira vez quando no final do Congresso Republicano, de 69,em
Aveiro, assisti sem perceber bem, mas de perto, à sua má disposição. E a troca
azeda de palavras tidas com Mário Sacramento, este, sempre sem perder o tom
fleumático, Mário Soares, como depois muitas vezes iria ver, perdendo as
estribeiras.
Uns anos mais tarde abri-lhe a porta de minha
casa. Mário Soares em campanha pretendia assistir a uma declaração televisiva de
Maria de Lourdes Pintassilgo. E foi na sala, com a Maria João Avilez, rapariguinha
nova jornalista que cobria a campanha ,sentada no chão, encostada ao sofá, que fomos ouvindo o
discurso televisivo de Pintassilgo. E ouvindo,em
simultâneo, os remoques «enviados» por
Soares. Como de costume, manifesta e exuberantemente participativo .
Curiosamente (e só por isso!) foi em minha casa, como combinado, que
Frederico de Moura recebeu o convite telefónico de Mário Soares, para ser
cabeça de lista do PS. Falámos da boa escolha ,pois o0 PS pôde contar com o alto contributo daquele meu saudoso amigo, um intelectual da mais fina água.
Mário Soares tem um sentido muito raro de
perceber antecipadamente as coisas, mesmo que, inevitavelmente, como humano, também,
por vezes, tenha errado. Mas mesmo nestas situações Mário Soares tem a enorme
grandeza de nunca se ter sentido vencido. Perder uma batalha não é importante
para se ganhar a guerra. Mário Soares nunca deitou a toalha ao chão. Nem hoje, já
com 90 Anos, deixa de dizer umas coisas nas trombas
daqueles tipos.
Mário Soares tem lugar de relevo
no panteão Pátrio. Poucos souberam ser patriotas tendo como companhia de jorna, permanentemente, a Democracia e a Liberdade.
Eu Te saúdo Mário Soares, neste
teu aniversário. Precisamos, ainda ,de Ti…
SF
sábado, dezembro 06, 2014
EPISÓDIOS SOCRÁTICOS
Compreendo que certos amigos me piquem,enchendo-me o mail com mensagens sobre o Sócrates.
Democraticamente aceito o «picanço». Mas em jeito de recado, devo manifestar, alto e bom som ,que estou solidário com Sócrates.
Magoou –me muito o acontecido. Tantas atoardas sempre vão deixando as marcas de uma certa duvida que quero rejeitar até ao fim.
E até esse momento chegar, concedo o benefício da duvida. Se me enganar….Bem!... vai doer.
Hoje o «Sol», um dos pasquins que comprou os direitos do processo para saber todas as delirantes invencionices, traz a suspeita de que o ex- primeiro Ministro teria interferido num aconchego ao Governo de Angola, em um potencial negócio para a Lena.
Então eu fui um corruptor nato (et voilà…). Quantas vezes fui bater á porta de Ministros e Secretários de Estado para despacharem ,ou intercederem ,num dado processo? E o que faz o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, senão andar a pedir para a Empresas A,B ou C? E a receber a Altice? Ou…….
Outra noticia escandalosa, foi –escreve-se –, o Sócrates ter contribuído para a eleição de Costa. E quem contribuiu para a eleição de Cavaco, ou Passos? Já agora…e por contribuir para a eleição de Costa : somos todos corruptores ?
E ainda outra : a de que Sócrates, enviando as missivas da cadeia, está a querer provocar um levantamento popular para fazer justiça à justiça?!!!! Parece que alguém está com medo….
Esta de não se discutir a justiça, parece-me uma Salazarenta exigência da «pátria una», que não se discute.
Se se discute Deus( e este até o permite….ao que parece )porque é que não poderemos discutir o errado que está perante os nossos olhos? Se a Democracia é o regime – é isto! – em que estamos a viver, então temos de mudar este regime. E não há cobardia que chegue para nos escondermos. Um dia alguém acerta contas pelos «cobardes».
Por outros motivos bem diferentes fui preso três vezes. Por dita violência sobre policias que ousaram sacar da arma, e que pelo inaudito levaram um bom sopapo, em troca. Nunca suportei o excesso de autoridade, e muito menos o abuso desproporcionado de meios, muito menos de uma arma. Fui absolvido.Sempre!
Em uma das vezes,era então oficial da Marinha. E quando recebi ordem para acompanhar o policia, identifiquei-me, e disse-lhe:
- Diga onde tenho de me apresentar que eu vou lá ter…..E assim aconteceu.
Por acaso este episódio foi nos tempos salazarentos. Há limites de respeito e direitos básicos que não podem ser ultrapassados.
Se isto é um estado democrático, em que os julgamentos são feitos na praça pública, através de uns tantos escribas corruptos, pagos para colocarem cirurgicamente umas «propositadas verdades», que lhes são passadas para justificarem, o injustificável:
Meus caros, cuidai….que «ela» está próxima.
Hoje na comemoração do II Congresso Republicano de 1969,quando um interveniente comparou o liberalismo a uma ditadura, em acrescentei –lhe em conversa particular:
-Pior : é que uma ditadura tem rosto. E sabe-se como lhe pôr fim….O liberalismo fanático do capital, é anónimo. Limpa-se um, mas o cancro fica lá.
Já estou como o «outro»: começo a enxofrar, eu também…
SF
PS- Amigos: mandem tudo- A ler é que a gente «SE INSTRÒI»
sábado, novembro 01, 2014
a casa do olhar
Esta casa onde nunca morou
A indiferença,
Nem sequer o fazer de conta
Das vezes sem conta
Em que houve os dias maus,
Em que as rosas pareciam
Nascer ao revés….
É, hoje ainda, a casa do olhar
E espelho pousado
Sobre o cristal azul da ria
Não
virás, eu sei.
Nunca mais voltarás.
Mas eu pressinto
No crepúsculo
das tardes
O marulhar de um corpo
Vindo da finas areias
Misturar- se nas letras
Dos meus livros,
Parecendo ali ficar em vigília
Perpétua.
Descubro-te neles
Elevo as tuas mãos
Com que me acaricio
Cinjo o teu corpo
No sonho da sua violência
A provocar a lembrança
Dos amantes que fomos.
A morte não
consegue
Apagar os sinais densos
Que gravámos, vida fora.
Olha : não
sei dar o nome
À vida na tua ausência.
Sei apenas
Que somo as horas perdidas
À procura do chão do teu corpo.
Para a seu lado me deitar.
O inverno vai chegar.
Ai quem me dera
Amar sem te magoar
A prolongar a primavera.
Sabes amor ?
Queria morrer amanhã ..amanhã de amanhã...
Desde que fosse ontem..
SF (1 Nov 2014 )
domingo, outubro 26, 2014
O PS Francês….atormentado
E a implosão do PS Francês
continua na ordem do dia. Impressionante: cerca de 40% entende que o PS se
deve dissolver; uma percentagem,mais ou menos idêntica, acha que se deve
reformular, mantendo o nome.Seja como for: o partido está claramente dividido, estando no poder.
Problema muito sério.
A mudança de nome dos Partidos, não tem nada
de estranho, principalmente quando não são carregados de uma consistente
ideologia, e se pulverizam em clientelas desacomodadas.
O PS português teve problemas desses : ( tive a particular
felicidade de ter estrado em todas as transformações –evoluções) do PS português,
mas sempre –não sempre
bem ! – superou-os.
A estrutura partidária
é reacionária em relação às grandes discussões. E por isso não aprofundamos o
que é ser Socialista, hoje, num mundo onde o liberalismo desenfreado tomou
conta do poder numa Europa, que não consegue resolver os seus problemas de
desenvolvimento( está bem claro que nos próximos decénios a Europa nunca superará os 2% de crescimento)
Então porque não abrir à
discussão :
deverá um Partido Socialista(histórico),
tentar inverter por dentro o sistema (isto é movendo-se no sistema, aceitando
determinadas limitações ) ou deve auto excluir-se, deixando campo aberto à
destruição do sistema social por uma extrema direita que já, sem temor, se mostra
disposta ao pior?
Muito vai mudar neste
ano que se aproxima. Valery d’Estaing assegura, que, dentro de pouco, a França será uma nova Grécia. E propõe
algo drástico: reduzir a Europa comunitária a 12 Paises…
A PT não é
uma fábrica de cervejolas….senhor Lima…..
O actual governo, e
dentro dele alguns elementos que nos pareciam
incapazes de o fazer, utiliza a mentira descabelada e descarada, como instrumento de
desculpa para omissões. Pires de Lima, que tudo fez para despachar politicamente
o seu antecessor, prometendo ser o génio da viragem, vem agora desculpar-se de
nem sequer saber o que fazer com a PT. Este senhor é mais um exemplo inegável do principio de Peter.
O não controlo da
decisão sobre o futuro da PT, é um crime de lesa pátria. A PT não é,
propriamente, uma fábrica de «cervejolas», sr. Lima.
E sobre Sócrates e a
Golden Share, o senhor é um crápula mentiroso. Há que criar condições claras
sobre controlo estratégico das empresas emblemas. Sócrates movimentou-se e
preparou, o que os senhores não querem aplicar, ou nem sequer perceberam .
É
que a PT, não é negócio de juntar mais ou
menos água ao produto.
Respeito…mas
lamento…
Respeito o PC e os seus
apaniguados. Sou suficientemente tolerante para perceber que a sua sobrevivência
de influência, não se mede na dimensão politica, mas na rua.
Pragmaticamente este
tipo de postura é um constante desandar da história. Numa batalha, se o ataque
não pode ser massivo e frontal, há que atacar os flancos. E penetrar no
inimigo. Politicamente o PC não passa cheques em branco(diz!), mas também não os
passa como participante no acto de governar.
No concreto a praxis institucional do PC, favorece a estadia de uma
direita arrogante. O inimigo do PC, é quem lhe disputa os votos.
O PC à espera de Godot….
SF
sexta-feira, outubro 24, 2014
O PS Francês á beira da implosão...
Sigo com particular atenção a discussão politica instalada no
PS francês.Nem sempre as noticias aparecidas nos joprnais portugueses traduzem
fielmente ,o que se está a passar,cujo desfecho pode ser um sério aviso para a o
PS português, claramente a caminho de uma complexa encruzilhada
Sigo hora a hora esta questão , por um lado porque gosto de
ver equacionar ideias ,concorde ou não com as mesmas. Não suporto teias de
aranha. E aceito experiências, mesmo que as mesmas tenham riscos implícitos.
Colocado na «tormenta» de governar, Hollande , ao principio
um esperançoso Presidente, quedou-se, por uma mais que sombria decepção. Uma
incapacidade absoluta de afirmação, que me deixou perplexo.
Exemplo claro ,da real constatação que um Partido é uma «coisa» na
oposição, outra, quando chegado ao
governo.Mostrando, depressa demais, que por
incapacidade ideológica da mal estruturada massa humana da sua entourage, ou porque submetido
a outras forças que parecedesconhecer,ou avalia mal, repete ,absurdamente, os erros do anterior
governo. E a alternância –essa ! – é só
nos interesses ,mais ou menos insatisfeitos, dos seus boys..
Ora certo é que a França era ( e é!) talvez, o mais promissor
aliado dos países do sul da Europa, para fazer frente a uma Alemanha kaiserista
: no passado ,agora, e sempre.
Hollande depois de sucessivos falhanços recorreu, in extremis,
a Valls, nomeando-o seu primeiro
ministro. Sem duvida, pelo que tenho lido, um politico determinado, pragmático(ou descrente na
ideologia) que assume, contundentemente,
a dificuldade de governar à esquerda numa Europa dominada por esquizofrénica maleita do quanto pior ,melhor .Valls, socialista que
milita no PS francês desde os dezoito anos (um J…socialista), parece querer separar-se
do que considera ser ,o ferrete socialista, e veio, inopinadamente lançar uma enorme confusão no seio do Partido.
Por um lado apela à esquerda, exortando-a a constituir uma
«casa comum» para se poder exercer um governo de esquerda. E até aceita, que
para isso ,no futuro, o Partido Socialista mude de nome(sem explicar bem como
ficará ideologicamente…).Quer separar o Partido do anátema que a palavra socialista,
liga o Partido ás experiências bolcheviques totalitárias.
Mas foi o fim!...logo os fundadores vieram á liça, e até
rejeitaram as suas propostas
orçamentais…E questionam :ou Ele, ou nós….
Valls, a meu ver, veio
dizer algo que, no mínimo, urge discutir.
O que quer afinal a esquerda (?) ; e onde se situam alguns que, dizendo-se de esquerda, agem ,apenas e só
numa estratégia, pobremente individualista? E que agarrados a uma ideia perdida
no tempo, não conseguem posicio nar-se,num tempo que nada tem a ver um
passado(tenebroso).
Há nesta União Monetária Europeia uma quase impossibilidade
de se governar diferente. Tão grande são as limitações de ir mais além, na
ideia de uma maior ou menor intervenção do estado, na regulação (intervenção)
económica e social do País. Um País, (sozinho) não muda o estado das coisas. E
até se atingir um outro equilíbrio de forças (global), há que ser
pragmático O poder especulativo faz dos
governos marionetes, e dos governantes
uns moles e agradecidos, pedintes corruptos.
A reacção a Valls no
interior do seu Partido, foi pois, má. E
fora dele, um encolher de ombros de uma esquerda (que com o em Portugal) quer
ser, apenas e só, interveniente pela palavra (contestação),ainda que com tal
postura vá perdendo batalha a batalha, ingloriamente. E que por vezes (ou quase
sempre) não se exclui de se aliar, no voto,
à ultra direita liberal,
reacionária. Ora eu não compreendo porque num momento tão critico (o de mostrar
restos de força nacional à Alemanha no distender da austeridade) ,o PS não
debata a questão levantada por Valls, sem que com isso apareçam as espingardas.
E encontre um meio termo para nova estratégia de afirmação.
Valls vira-se agora ao centro.E este responde-lhe : não
obrigado…
Será capaz, Hollande, de resistir a uma dissolução da Assembleia?
(Este problema do PS
Francês,é um bom aviso para António Costa).
SF
domingo, outubro 19, 2014
Solidão: enquanto souber
sonhar, não te vendo a alma….
Sou
avesso a estados de alma aonde a solidão navegue. Mudo facilmente de rumo, a
trocar-lhe as voltas.
Mas há dias-
Num
destes dias, desta semana, era hora sobrante para fechar a portada. Abri a
porta, e deparei com aquela chuva de lágrimas
fortes, intensa ,mas não de cântaros. Derrame queixumento vindo lá do alto,
que me encanta. Nunca na vida usei guarda chuva; nem nunca me
apressei para dela fugir,
Um
dia pus em discussão, na Faculdade, a seguinte questão: se um individuo correr
á chuva, molha-se mais -ou menos –, do que quando percorrer a mesma distância,
paulatinamente? A discussão durou horas, com cálculos pelo meio, e até Einstein
veio dar ajuda .
Aqui chegados, é um facto: gosto de apanhar a
chuva de «caras, de frente». Como a vida: pegá-la pelos cornos.
Ora
olhando lá para «os sules», notei uma
noite escurecida pela bruma. Mas, em contraste, e como habitual neste micro
clima que metro a metro se transforma, a noite era brilhante em frente do meu
terraço. E eu juro que distingui na ria, seis vénus vestidas de um branco num
cantar belo e repousado, uma espécie de silêncio frouxo, ondulado, carregado de
virginais convites.
O
choro grosso vindo lá das alturas, à falta de vento, parecia querer repousar nas
agulhas do pinheiro, aqui debruçado, a pedir licença para pernoita ..O pinheiro
solitário, iluminado pela luz vinda da rua, deixava ver um verde esplendoroso
na ramagem. As gotículas gravitavam nas agulhas inclinadas, e iam caindo a
chorar de novo, pingo a pingo,lentamente. Luzes brilhantes, minúsculas, que se
iam apagando e acendendo, numa harmonia
silenciosa..
A
ria parecia eriçada, irritada pelos bagos de chuva que a adoçavam. A ria não
gosta de ser doce. O eriçamento quebrava
a monotonia de uma noite muito calma, despida de vento, que pronunciava a
tareia que lá viria. O vento amortalhado
ao largo, deixava claramente ver o
quadro impressivo das casinhas brancas da Maluca, aqui e ali salpicados
de pontilhados provindos da iluminação ribeirinha, amarelada, a ver-se ao
espelho da ria. Esvaindo-se…nuns requebros de turbulência calma.
Nno
meu fato de noite (calções e camisolinha
de nanar), estonteado, pregado á natureza, o cérebro em paixão renovada ,interrogava-se
:que raio de silêncio é este que me acaricia e me faz sonhar, que cheira a urze
fresca e me sabe a suspiro?. Pensando que, se «a caprichosa» natureza me arrasta para o irreversível fim,
mitiga-me a dor de me lamentar, ao
deixar-me, ainda, saborear a sua portentosa beleza. A ponto, talvez(!), de ter
dor de não ter «dor», esquecido do resto que ai vem.
E
de repente estremeci; pareceu-me que uma mão que sempre conheci, me convidava.
-Anda….
E
eu fui…«podão« que sempre fui nos volteios da dança, não neguei, «Ela» sempre me
soube dar o jeito para percorrer as alamedas do salão, dando ritmo ao meu corpo tosco. E quando assim era,
todos os meus sonhos pareciam de vermelho vivo, aveludado. Irreais. Cisne, borboleta,
milhafre…tudo eu queria ser.
Senti
uma frescura maravilhosa inundar-me de vida. E a ria nesta noite, era uma
imensa avenida luminosa que «percorríamos» enlaçados, rodeados pelas vénus que
nos salpicavam de flores. Uma maravilhosa cascata de gotículas cristalinas, brilhantes,
a impedir o eco dos nossos corpos nos espelhos que nos cercavam. E vogámos pala
ria, entre beijos, até á ilha dos «desejos»…
E
então percebi que para matar a solidão não é preciso procurar as estrelas, nem
a lua, nem o azul. Na esplendorosa negrura da noite vi todos as minhas
recordações plasmadas.
-Voltas?
……
-Sim
na noite …da «noite».
Sou
um velho ainda menino, ainda a gosta de brincar, com a ternura do silêncio
apetecido.
Solidão: enquanto souber sonhar, não
te vendo a alma…..
SF
quarta-feira, outubro 15, 2014
Em
que ficamos: os anjos têm asas, ou não?!…
Desde miúdo que me recordo de
olhar paras pinturas nos altares da
igrejas, e de pousar a minha atenção para as figuras angélicas, que, ou tocavam
trombetas, certamente tipo fog horns nas navegações celestiais, ou sopravam nos
caldeirões onde os hereges eram «fritos». Esta dicotomia , entre anjos bons, de
anuncio de grandes e bons acontecimentos, e anjos maus,que apesar dos rostos
infantis, praticavam ou colaboravam,com as maiores tropelias de uma «igreja» que,
de Cristo, nada tinha.
Interroguei-me ao longo da vida, por mera curiosidade, sobre a questão: afinal os anjos têm asas, ou não?
Fui lendo e colhendo informação …
Fiquei a saber que o Novo Testamento dá aos anjos uma
catalogação de figuras celestes – uma espécie de lobby – intermediários entre
Deus e os homens.
Sejam querubins, os portadores da mensagem (hoje gente dos midias) ou os serafins,
guardadores do trono (hoje chamar-se iam guarda
costas),tais figuras são, mesmo aos olhos de quem não acredita, fascinantes
no seu misticismo.
Aos querubins competia avisar a «malta». E pré anunciar mensagens
apocalíticas, a quem se afastasse das labirínticas veredas do Senhor .Mas e também, carrear
presentes (prometidos) aos bons .Já
no mundo grego eram designados por àgellos.
Mas quer em Isaías, quer depois
no Novo Testamento, há unanimidade, em que os anjos da Igreja de Cristo
(esses!) tinham asas. Duas.. quatro…e
até seis… asas! Criaturas fantásticas, talvez de inspiração assírio-babilónica (como
hoje se pensa), de quem se chega a afirmar «sobe,
voa,e plana, sobre o vento», talvez influenciados, pela aventura de Ícaro.
Sem duvida as asas davam um
certo misticismo no transmitir da mensagem,na comunicação com os homens (ainda
sem Internet e sem wi-fi).
E o certo é que mesmo no
judaísmo, os anjos não desapareceram (livro
de Henoch).
Eu por mim, descrente, mas
desejando viver em boa paz com os anjos(só me faltando as asas para o ser!...)
os anjos existiram. E se existiram teriam de ter asas, para se deslocarem nos céus .De La Palisse ..
Eram uma
espécie de transportadores de avisos e mensagens, à época, como é hoje o
inefável Marcelo. Que não tendo asas (ou terá,tal a sua mobilidade) , mergulhou
no Tejo, ..sobreviveu…e aí está a passar a mensagem.
SF
segunda-feira, outubro 13, 2014
O EI é mais perigoso que o ébola
Esta questão do EI (Estado Islâmico)
é quase tão preocupante quanto o surto da ébola.
Estamos perante uma cobardia dos países
constituintes da ONU, que tardam hipocritamente em intervir. E com o adiamento
de soluções, e um encolher de ombros hipócrita, condenam milhares e milhares
inocentes à degola.
Claro que impressiona,de igual modo,
estes novos «cruzados ?», que fazem agora, a viagem. Mas ao invés (dos cruzados) anteriores. Os
primeiros, idos em nome de «Deus» cristão, libertar Jerusalém (destruindo
civilizações e povos). Agora idos em nome do «Profeta», refazer o califado .Nihilista
e passadista, o EI ,é o fruto de um vácuo politico criado numa região, onde o
Ocidente tem profundas e inegáveis culpas. Nascido da «razão» para o combate,
de um grupo de elites de Saddam,a que se juntaram uns velhos fundamentalista,
para lutar contra o invasor americano, o movimento(e ganhou expressão)em 2011, com
as revoltas árabes. Descontroladas, desenvolvendo-se aqui e ali ,como os cogumelos.
No passado mataram-se, degolaram-se,
incineram-se milhares e milhares (talvez
milhões!) de inocentes, em nome de «deus» em vão. Não se prometiam as virgens (coisa
que, parece, por aqui é moeda rara, e ainda bem!) mas prometia-se ouro, riquezas,
territórios, prebendas, sem fim.Agora, estes jovens «europeus adoptados» inadaptados, desprezados e desinseridos, sem
futuro á vista, deitados ao lixo por uma sociedade capitalista que despreza as pessoas, doentiamente fixada ,apenas, no
lucro de uma exploração continuada, são presa fácil para uns loucos e fanáticos
terroristas( o fim dos tempos está aí, e….) . Para em nome de Alá (também ele citado em vão) levarem a jihad até ao fim. O califado quer
regressar á Europa para acertar contas.
Nos múltiplos contactos de duas
dezenas de anos com a gente árabe, entre a qual criei, fortes e duradouras
amizades, materializada em mútuas visitas,
amiúde e continuadas, sempre me impressionou o conhecimento profundo daquela gentes
do Corão (independentemente do seu grau
de formação). Percebi que os actuais cristãos desconhecem, literalmente, a Biblia.
Que invocam amiúde sem nunca a terem lido.E mais: –analisado. Nessa atitude
existe uma profunda e inegável diferença, entre os seguidores das religiões. E
eu que não sigo nenhuma, fui com curiosidade anotando essas diferenças. Aquela
gente pareceu-me formatada na escola, para acreditar cegamente.
Estou plenamente convencido de
que se avizinham tempos de extrema delicadeza para o Ocidente. Qualquer leigo percebe que com a
aviação não se matam «moscas». Se nem sequer acertam nas instalações petrolíferas
em mãos terroristas, que raio de precisão tem essa tecnologia americana (drones & comp)? À trinotonante decisão americana, o EI radical, aproxima-se da Turquia(e depois?!) e está dentro de Bagdad.
24 horas de indecisão numa guerra,
pode representar a sua perda. Napoleão soube-o tarde .A perda desta batalha, que
deverá, inevitavelmente, ser travada no terreno, pode ter consequências irreversíveis.
sábado, setembro 27, 2014
Votai...e votai bem....
E pois bem: fiel ao que desde a primeira hora, afirmei, não irei votar.Isso não significa que não tenha uma clara proximidade a um dos candidatos.
Mas claramente...não gostei de timming escolhido por Antonio Costa,para se atirar a esta disputa.A política tem pouco de ético.Eu sei isso.Mas há mínimos a cumprir,nesta guerrilha do vale tudo,a qualquer preço.
Não estou optimista,sobre se o P.S ganhará algo de muito significativo,com este episódio,um pouco burlesco.Dificilmente vejo que num ano as chagas se curem.
Fica claro: Antônio Costa ou ganha tudo....ou perde tudo.Não há para ele meio termo.A jogada foi muito arriscada.
Antonio Jose Seguro, se perder, ( o que acontecerá) terá mais tarde outras chances.Basta - lhe esperar,com as malas, que o comboio apite duas vezes.
Custou- me muito!assistir aos espectáculos televisivos ....Que contudo,era previsível,fossem exactamente,o que foram.
SF
Um telefonema de um amigo de
longa data, que comigo caminhou na diáspora que foi o «assalto» dos ílhavos à enseada dos «mouros»,
ferozmente acantonados no CVCN, onde se julgavam, donos e senhores de tal histórica instituição,
trouxe-me à recordação a «estória» desse tempo. E logo,as muitas e variadas
peripécias até que, varrida a praça forte dos infiéis ocupantes, foi tempo de
refazer o arraial.
O campo que encontrámos, era quase
tudo, escombros. Tudo era podre, como eram os ocupantes. O Clube penhorado por
todos, sem crédito, sem nem qualquer dose de confiança, caloteiro madraço qb.
Ora entre muitas coisas, feitas num
verdadeiro sprint e em com desarcado trabalho (sim, porque há camaradas que pensam
que as coisas aparecem feitas por obra e graça do Espirito Santo, que deu no
que deu…),mas ainda maior imaginação, mesmo envolvidos num turbilhão continuo
de processos judiciais, feita a tomada posse em fim do ano, na primavera seguinte, estava já o Clube a marear, imparável. Uma Direcção
excepcional.
Disposto o CVCN –como o fez! – a dizer no panorama dos Clubes
navais: contém connosco porque queremos ser os melhores.
Bem ,mas nesta véspera da Sr ª da
Saúde, esse amigo(por sinal também adversário aquando das famosas caldeiradas)
ligou-me a «chorar» de ver o estado de abandono a que o CVCN, chegou. Mete dó, de
verdade…De degrau em degrau foi-se afundando, inexoravelmente, e poderá até ser
conduzido a um beco sem saída.
Bem …
Algo que a Direcção daquele tempo
pôs em marcha, foi trazer à Srª da Saúde a Regata dos Moliceiros, carreando
gente para a festa, animando e embelezando a Ria com o colorido estonteante
daquelas embarcações do historial lagunar .

…e lá vieram (Foto Rui Bela)
Poucos saberão como foi
trabalhoso, convencer(quer na ideia, quer materialmente),os arrais a virem, pela
primeira vez, à Costa-Nova. Gente de trato amigo ( depois de vencido o primeiro
contacto, que é sempre muito difícil),foi necessário bater porta a porta, e
com muita insistência,dar garantias de serem, arrais e famílias, bem
acolhidos. Eles nem sonhavam, o que iria ser !
Julgo que teve importância
decisiva, a feijoada das noites de sábado, servida na Garagem Samuel Maia, a
Arrais e familiares, mas e também, o desafio inédito da «Melhor Caldeirada».Que
veio substituir o estafado concurso de painéis. Com um valor pecuniário que
cobria largamente as despesas, havia prémios de certa dimensão para as melhores
do concurso. Esta iniciativa levantou grande interesse e curiosidade, e perto
do meio dia de Domingo, muitos eram os curiosos, vindos apenas para apreciar, e
degustar, as caldeiradas apresentadas a concurso. Verdadeiras obras primas do cardápio lagunar, tal o seu vernáculo extremo.
Fotos Rui Bela
Vinham os familiares e amigos das tripulações, que aproveitavam o fim da tarde de sábado, e a manhã de domingo, para
visita ao Orago, mas e também, à célebre feira de então.
Às duas dava-se a partida para
regata, em frente da muralha. Era um espectáculo assombroso, empolgante, soberbo, apreciar os
inúmeros truques usados por estes mestres da vela a procurar (à dentada, á paulada, ao achega-te para lá, por todo os meios) a melhor posição de largada.
O povo estendia-se por toda a marginal,
participando com grande alarido no apoio aos seus mais próximos.As viragens
de amur a,executadas ali a dois passos da muralha, estendido o bordo até ao
ultimo momento – quando a assistência já gritava e fechava os olhos, prevendo a
batidela desastrosa – na pretensão de ganhar barlavento ao que está ali ao lado,
são feitas debaixo de imprecações,em alta vozearia. «Agora!»…«agora» (leme)…«
mete»(pá) …e «calca…calca» (calcador) estipôr……maneia-te .E logo do lado vinham
gritos :«amuras!....amuras…aaamuras!».
…e assim era o CVCN (Rui Bela)
Quiseram os deuses que em certas, das
várias regatas, o vento soprou forte, e que o pano retesado, levado ao extremo,
conduziu ao raro espectáculo, que era ver um moliceiro em «cuecas»,com os
baixos à mostra. Vira!? …não vira?!..Ahhhhhhhhhhh, safaste-te desta. Aquele
pessoal sente o barco como o cavaleiro tauromáquico. E governa-o com simples
toques (aqui, ali,mais doces ou mais apertados…), que o Moliceiro parece entender, reagindo de imediato ao «desejo»
do seu arraias. O Moliceiro, vela a panear, bombordo-estibordo, leme um chinquilho metido, sai ás arrecuas, como ginete em elegante garbo de trote, a dar posição de investida, ao seu cavaleiro.
Depois da regata, atracados, atenuada a sede, garrafão passado de barco em barco,por ali ficavam até ao receber dos prémio. Que o CVCN, tinha o maior gosto em
entregar, orgulhoso desta iniciativa,
que reputo, ser das mais brilhantes do
seu historial. E foi numa dessas conversas que ouvi a Ti Armanda «Russa», descrever-me as virtudes, da proa do Moliceiro para o supremo acto do amor. Onde tinha feito seis filhos: mãos nas «cheleira», pés bem assentes na antepara, e o suave erguer ao céu da proa onde se estendia em espera sôfrega, faziam toda a diferença.....Sabe amigo ,dizia-me marota: agora as fidalgotas chamam-lhe queques.(ou parecido),nós chamávamos -lhe: avia-te!!!..
...alinhados (fotoAML)
A regata custava 500 a 800 contos!!!. Que
importa? A « arquitectura económico -financeira, dada ao CVCN, permitia isso, e
muito…muito mais….Hoje prefere-se ir aos Bancos, para as despesas
corrente!!!!!!. Depois queixem-se…..
Voltando às Regatas :
Chegámos a um grau de relação tão próxima que as gentes
da Murtosa, da Torreira, das Quintas(a quem rendíamos presença, nas suas
regatas, como nosso moliceiro « O Ilhavense») que eles nos tinham(e têm), como
os amigos da Costa-Nova.E respeito pelos nossos Arrais. (João Senos e Pedro
Paião) aquém foram desvendando todos os segredos dessa obra prima lagunar: O Moliceiro.
Recordo pois, sem saudades, mas
apenas com o sentimento de uma enorme experiência vivida
e com a sensação de um desafio, cumprido.
Mas voltaremos ao CVCN.
SF
Nota; para o êxito destes eventos, foram fundamentais, o saudoso Daniel, e a directora TC.
Nota; para o êxito destes eventos, foram fundamentais, o saudoso Daniel, e a directora TC.
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