domingo, outubro 26, 2014



  

O PS  Francês….atormentado

 

E a implosão do PS Francês continua na ordem do dia. Impressionante: cerca de 40% entende que o PS se deve dissolver; uma percentagem,mais ou menos idêntica, acha que se deve reformular, mantendo o nome.Seja como for: o partido está claramente dividido, estando no poder.

Problema muito sério.

 A mudança de nome dos Partidos, não tem nada de estranho, principalmente quando não são carregados de uma consistente ideologia, e se pulverizam em clientelas desacomodadas.

O PS português teve problemas desses : ( tive a particular felicidade de ter estrado em todas as transformações –evoluções) do PS português,  mas sempre –não sempre bem ! – superou-os.

A estrutura partidária é reacionária em relação às grandes discussões. E por isso não aprofundamos o que é ser Socialista, hoje, num mundo onde o liberalismo desenfreado tomou conta do poder numa Europa, que não consegue resolver os seus problemas de desenvolvimento( está bem claro que nos próximos decénios a Europa nunca superará os 2% de crescimento)

Então porque não abrir à discussão :

             deverá um Partido Socialista(histórico), tentar inverter por dentro o sistema (isto é movendo-se no sistema, aceitando determinadas limitações ) ou deve auto excluir-se, deixando campo aberto à destruição do sistema social por uma extrema direita que já, sem temor, se mostra disposta ao pior?

Muito vai mudar neste ano que se aproxima. Valery d’Estaing assegura, que, dentro de pouco, a França será uma nova Grécia. E propõe algo drástico: reduzir a Europa comunitária a 12 Paises…

 

A PT não é uma fábrica de cervejolas….senhor  Lima…..

O actual governo, e dentro dele  alguns elementos que nos pareciam incapazes de o fazer, utiliza  a mentira  descabelada e descarada, como instrumento de desculpa para omissões. Pires de Lima, que tudo fez para despachar politicamente o seu antecessor, prometendo ser o génio da viragem, vem agora desculpar-se de nem sequer saber o que fazer com a PT. Este senhor  é mais um exemplo inegável do principio de Peter.

O não controlo da decisão sobre o futuro da PT, é um crime de lesa pátria. A PT não é, propriamente, uma fábrica de «cervejolas», sr. Lima.  

E sobre Sócrates e a Golden Share, o senhor é um crápula mentiroso. Há que criar condições claras sobre controlo estratégico das empresas emblemas. Sócrates movimentou-se e preparou, o que os senhores não querem aplicar, ou nem  sequer perceberam .

É que a PT, não é negócio  de juntar mais ou menos água ao produto.
 

 

Respeito…mas lamento…

Respeito o PC e os seus apaniguados. Sou suficientemente tolerante para perceber que a sua sobrevivência de influência, não se mede na dimensão politica, mas na rua.

Pragmaticamente este tipo de postura é um constante desandar da história. Numa batalha, se o ataque não pode ser massivo e frontal, há que atacar os flancos. E penetrar no inimigo. Politicamente o PC não passa cheques em branco(diz!), mas também não os passa como participante no acto de governar.

No concreto a praxis  institucional do PC, favorece a estadia de uma direita arrogante. O inimigo do PC, é  quem  lhe disputa os votos.

O  PC à espera de Godot….

SF

sexta-feira, outubro 24, 2014




O PS Francês á beira da implosão...



Sigo com particular atenção a discussão politica instalada no PS francês.Nem sempre as noticias aparecidas nos joprnais portugueses traduzem fielmente ,o que se está a passar,cujo desfecho pode ser um sério aviso para a o PS português, claramente a caminho de uma complexa encruzilhada

Sigo hora a hora esta questão , por um lado porque gosto de ver equacionar ideias ,concorde ou não com as mesmas. Não suporto teias de aranha. E aceito experiências, mesmo que as mesmas tenham riscos implícitos.
Colocado na «tormenta» de governar, Hollande , ao principio um esperançoso Presidente, quedou-se, por uma mais que sombria decepção. Uma incapacidade absoluta de afirmação, que me deixou perplexo.
Exemplo claro ,da real  constatação que um Partido é uma «coisa» na oposição, outra, quando  chegado ao governo.Mostrando, depressa demais, que  por incapacidade ideológica da mal estruturada  massa humana da sua entourage, ou porque submetido a outras forças que parecedesconhecer,ou avalia mal,  repete ,absurdamente, os erros do anterior governo. E a alternância –essa ! – é  só nos interesses ,mais ou menos insatisfeitos, dos seus boys..
Ora certo é que a França era ( e é!) talvez, o mais promissor aliado dos países do sul da Europa, para fazer frente a uma Alemanha  kaiserista : no passado ,agora, e sempre. 
Hollande depois de sucessivos falhanços recorreu, in extremis, a Valls, nomeando-o  seu primeiro ministro. Sem duvida, pelo que tenho lido, um politico  determinado, pragmático(ou descrente na ideologia)  que assume, contundentemente, a dificuldade de governar à esquerda numa Europa   dominada por esquizofrénica maleita  do quanto pior ,melhor .Valls, socialista que milita no PS francês desde os dezoito anos (um J…socialista), parece querer separar-se do que considera ser ,o ferrete socialista, e  veio, inopinadamente  lançar uma enorme confusão no seio do Partido.
Por um lado apela à esquerda, exortando-a a constituir uma «casa comum» para se poder exercer um governo de esquerda. E até aceita, que para isso ,no futuro, o Partido Socialista mude de nome(sem explicar bem como ficará ideologicamente…).Quer separar o Partido do anátema que a palavra  socialista, liga o Partido ás experiências bolcheviques totalitárias.
Mas foi o fim!...logo os fundadores vieram á liça, e até rejeitaram as suas propostas  orçamentais…E questionam :ou Ele, ou nós….
Valls, a meu ver,  veio dizer  algo que, no mínimo, urge discutir. O que quer afinal a esquerda (?) ; e onde se situam alguns que,  dizendo-se de esquerda, agem ,apenas e só numa estratégia, pobremente individualista? E que agarrados a uma ideia perdida no tempo, não conseguem posicio nar-se,num tempo que nada tem a ver um passado(tenebroso).
 Há nesta União  Monetária Europeia uma quase impossibilidade de se governar diferente. Tão grande são as limitações de ir mais além, na ideia de uma maior ou menor intervenção do estado, na regulação (intervenção) económica e social do País. Um País, (sozinho) não muda o estado das coisas. E até se atingir um outro equilíbrio de forças (global), há que ser pragmático  O poder especulativo faz dos governos marionetes, e dos governantes  uns moles e agradecidos, pedintes corruptos.
A reacção  a Valls no interior do seu Partido, foi pois, má.  E fora dele, um encolher de ombros de uma esquerda (que com o em Portugal) quer ser, apenas e só, interveniente pela palavra (contestação),ainda que com tal postura vá perdendo batalha a batalha, ingloriamente. E que por vezes (ou quase sempre) não se exclui de se aliar, no voto,  à  ultra direita liberal, reacionária. Ora eu não compreendo porque num momento tão critico (o de mostrar restos de força nacional à Alemanha no distender da austeridade) ,o PS não debata a questão levantada por Valls, sem que com isso apareçam as espingardas. E encontre um meio termo para nova estratégia de afirmação.
Valls vira-se agora ao centro.E este responde-lhe : não obrigado…
Será capaz, Hollande, de resistir a uma dissolução da Assembleia?
(Este problema do PS Francês,é um bom aviso para António Costa).


SF

domingo, outubro 19, 2014



                                                                         
Solidão: enquanto souber sonhar, não te vendo a alma….   

Sou avesso a estados de alma aonde a solidão navegue. Mudo facilmente de rumo, a trocar-lhe as voltas.

Mas há dias-

Num destes dias, desta semana, era hora sobrante para fechar a portada. Abri a porta, e deparei com  aquela chuva de lágrimas fortes, intensa ,mas não de cântaros. Derrame queixumento  vindo lá do alto, que me encanta.   Nunca na vida usei guarda chuva; nem nunca me apressei para dela fugir,
Um dia pus em discussão, na Faculdade, a seguinte questão: se um individuo correr á chuva,  molha-se  mais -ou menos –, do que  quando percorrer a mesma distância, paulatinamente? A discussão durou horas, com cálculos pelo meio, e até Einstein veio dar ajuda .
 Aqui chegados, é um facto: gosto de apanhar a chuva de «caras, de frente». Como a vida: pegá-la pelos cornos.
Ora olhando lá para  «os sules», notei uma noite escurecida pela bruma. Mas, em contraste, e como habitual neste micro clima que metro a metro se transforma, a noite era brilhante em frente do meu terraço. E eu juro que distingui na ria, seis vénus vestidas de um branco num cantar belo e repousado, uma espécie de silêncio frouxo, ondulado, carregado de virginais convites.
O choro grosso vindo lá das alturas, à falta de vento, parecia querer repousar nas agulhas do pinheiro, aqui debruçado, a pedir licença para pernoita ..O pinheiro solitário, iluminado pela luz vinda da rua, deixava ver um verde esplendoroso na ramagem. As gotículas gravitavam nas agulhas inclinadas, e iam caindo a chorar de novo, pingo a pingo,lentamente. Luzes brilhantes, minúsculas, que se iam apagando e  acendendo, numa harmonia silenciosa..
A ria parecia eriçada, irritada pelos bagos de chuva que a adoçavam. A ria não gosta de ser doce. O eriçamento  quebrava a monotonia de uma noite muito calma, despida de vento, que pronunciava a tareia que lá viria. O vento  amortalhado ao largo, deixava claramente ver o  quadro impressivo das casinhas brancas da Maluca, aqui e ali salpicados de pontilhados provindos da iluminação ribeirinha, amarelada, a ver-se ao espelho da ria. Esvaindo-se…nuns requebros de turbulência calma.
Nno meu fato de noite (calções  e camisolinha de nanar), estonteado, pregado á natureza, o cérebro em paixão renovada ,interrogava-se :que raio de silêncio é este que me acaricia e me faz sonhar, que cheira a urze fresca e me sabe a suspiro?. Pensando que, se «a caprichosa» natureza  me arrasta para o irreversível fim, mitiga-me   a dor de me lamentar, ao deixar-me, ainda, saborear a sua portentosa beleza. A ponto, talvez(!), de ter dor de não ter «dor», esquecido do resto que ai vem.
E de repente estremeci; pareceu-me que uma mão que sempre conheci, me convidava.
-Anda….
E eu fui…«podão« que sempre fui nos volteios da dança, não neguei, «Ela» sempre me soube dar o jeito para percorrer as alamedas do salão, dando  ritmo ao meu corpo tosco. E quando assim era, todos os meus sonhos pareciam de vermelho vivo, aveludado. Irreais. Cisne, borboleta, milhafre…tudo eu queria ser.
Senti uma frescura maravilhosa inundar-me de vida. E a ria nesta noite, era uma imensa avenida luminosa que «percorríamos» enlaçados, rodeados pelas vénus que nos salpicavam de flores. Uma maravilhosa cascata de gotículas cristalinas, brilhantes, a impedir o eco dos nossos corpos nos espelhos que nos cercavam. E vogámos pala ria, entre beijos, até á ilha dos «desejos»…
E então percebi que para matar a solidão não é preciso procurar as estrelas, nem a lua, nem o azul. Na esplendorosa negrura da noite vi todos as minhas recordações plasmadas.     
-Voltas? ……
-Sim na noite …da «noite».
Sou um velho ainda menino, ainda a gosta de brincar, com a ternura do silêncio apetecido.
Solidão: enquanto souber sonhar, não te vendo  a alma…..

SF

quarta-feira, outubro 15, 2014


Em que ficamos: os anjos têm asas, ou não?!

 

Desde miúdo que me recordo de olhar paras pinturas  nos altares da igrejas, e de pousar a minha atenção para as figuras angélicas, que, ou tocavam trombetas, certamente tipo fog horns nas  navegações celestiais, ou sopravam nos caldeirões onde os hereges eram «fritos». Esta dicotomia , entre anjos bons, de anuncio de grandes e bons acontecimentos, e anjos maus,que apesar dos rostos infantis, praticavam ou colaboravam,com as maiores tropelias de uma «igreja» que, de Cristo, nada tinha.

Interroguei-me ao longo da vida,  por mera curiosidade, sobre a questão: afinal os anjos têm asas, ou não?

Fui lendo e colhendo informação …

Fiquei a saber  que o Novo Testamento dá aos anjos uma catalogação de figuras celestes – uma espécie de lobby – intermediários entre Deus e os homens.

Sejam querubins, os portadores da mensagem (hoje gente dos midias) ou os serafins, guardadores do trono (hoje chamar-se iam guarda costas),tais figuras são, mesmo aos olhos de quem não acredita, fascinantes no seu misticismo.

Aos querubins competia avisar a «malta». E pré anunciar mensagens apocalíticas, a quem se afastasse das labirínticas veredas do Senhor .Mas e também, carrear presentes (prometidos) aos bons .Já no mundo grego eram designados por àgellos.

Mas quer em Isaías, quer depois no Novo Testamento, há unanimidade, em que os anjos da Igreja de Cristo (esses!) tinham asas.  Duas.. quatro…e até seis… asas! Criaturas fantásticas, talvez de inspiração assírio-babilónica (como hoje se pensa), de quem se chega a afirmar «sobe, voa,e plana, sobre o vento», talvez influenciados, pela  aventura de Ícaro.

Sem duvida as asas davam um certo misticismo no transmitir da mensagem,na comunicação com os homens (ainda sem Internet e sem wi-fi).

E o certo é que mesmo no judaísmo, os anjos não desapareceram (livro de Henoch).    

Eu por mim, descrente, mas desejando  viver em boa paz  com os anjos(só me faltando as asas para o ser!...) os anjos existiram. E se  existiram teriam de ter asas, para se deslocarem nos céus .De La Palisse ..
 
 Eram uma espécie de transportadores de avisos e mensagens, à época, como é hoje o inefável Marcelo. Que não tendo asas (ou terá,tal a sua mobilidade) , mergulhou no Tejo, ..sobreviveu…e aí está a passar a mensagem.
 
SF

segunda-feira, outubro 13, 2014





O EI é mais perigoso que o ébola


Esta questão do EI (Estado Islâmico) é quase tão preocupante quanto o surto da ébola.

Estamos perante uma cobardia dos países constituintes da ONU, que tardam hipocritamente em intervir. E com o adiamento de soluções, e um encolher de ombros hipócrita, condenam milhares e milhares inocentes à degola.

Claro que impressiona,de igual modo, estes novos «cruzados ?», que fazem agora, a viagem. Mas  ao invés (dos cruzados) anteriores. Os primeiros, idos em nome de «Deus» cristão, libertar Jerusalém (destruindo civilizações e povos). Agora idos em nome do «Profeta», refazer o califado .Nihilista e passadista, o EI ,é o fruto de um vácuo politico criado numa região, onde o Ocidente tem profundas e inegáveis culpas. Nascido da «razão» para o combate, de um grupo de elites de Saddam,a que se juntaram uns velhos fundamentalista, para lutar contra o invasor americano, o movimento(e ganhou expressão)em 2011, com as revoltas árabes. Descontroladas, desenvolvendo-se aqui e ali ,como os cogumelos.   

No passado mataram-se, degolaram-se, incineram-se  milhares e milhares (talvez milhões!) de inocentes, em nome de «deus» em vão. Não se prometiam as virgens (coisa que, parece, por aqui é moeda rara, e ainda bem!) mas prometia-se ouro, riquezas, territórios, prebendas, sem fim.Agora, estes jovens «europeus adoptados»  inadaptados, desprezados e desinseridos, sem futuro á vista, deitados ao lixo por uma  sociedade capitalista que despreza  as pessoas, doentiamente fixada ,apenas, no lucro de uma exploração continuada, são presa fácil para uns loucos e fanáticos  terroristas( o fim dos tempos está aí, e….) . Para em nome de Alá (também ele  citado em vão) levarem a jihad até ao fim. O califado quer regressar á Europa para acertar contas.

Nos múltiplos contactos de duas dezenas de anos com a gente árabe, entre a qual criei, fortes e duradouras amizades, materializada em  mútuas visitas, amiúde e continuadas, sempre me impressionou o conhecimento profundo daquela gentes  do Corão (independentemente do seu grau de formação). Percebi que os actuais cristãos desconhecem, literalmente, a Biblia. Que invocam amiúde sem nunca a terem lido.E mais: –analisado. Nessa atitude existe uma profunda e inegável diferença, entre os seguidores das religiões. E eu que não sigo nenhuma, fui com curiosidade anotando essas diferenças. Aquela gente pareceu-me formatada na escola, para acreditar cegamente.

Estou plenamente convencido de que se avizinham tempos de extrema delicadeza para o  Ocidente. Qualquer leigo percebe que com a aviação não se matam «moscas». Se nem sequer acertam nas instalações petrolíferas em mãos terroristas, que raio de precisão tem essa tecnologia  americana (drones & comp)? À  trinotonante decisão americana, o EI radical,  aproxima-se  da Turquia(e depois?!) e está dentro de Bagdad.

24 horas de indecisão numa guerra, pode representar a sua perda. Napoleão soube-o tarde .A perda desta batalha, que deverá, inevitavelmente, ser travada no terreno, pode ter  consequências irreversíveis.

SF

sábado, setembro 27, 2014



Votai...e votai bem....


E pois bem: fiel ao que desde a primeira hora, afirmei, não irei votar.Isso não significa que não tenha uma clara proximidade a um dos candidatos.
Mas claramente...não gostei de timming escolhido por Antonio  Costa,para se atirar a esta disputa.A política tem pouco de ético.Eu sei isso.Mas há mínimos a cumprir,nesta guerrilha do vale tudo,a qualquer preço.
Não estou optimista,sobre se o P.S ganhará algo de muito significativo,com este episódio,um pouco burlesco.Dificilmente vejo que num ano  as chagas se curem.
Fica claro:  Antônio Costa ou ganha tudo....ou perde tudo.Não há para ele meio termo.A jogada foi muito arriscada.
Antonio  Jose Seguro, se perder, ( o que acontecerá) terá mais tarde outras chances.Basta - lhe esperar,com as malas, que o comboio apite duas vezes.
Custou- me muito!assistir aos espectáculos televisivos ....Que contudo,era previsível,fossem exactamente,o que foram.
SF

 Quando recordar….irrita….


 

Um telefonema de um amigo de longa data, que comigo caminhou na diáspora que foi o «assalto» dos ílhavos à enseada dos «mouros», ferozmente acantonados no CVCN, onde se julgavam, donos e senhores de tal histórica instituição, trouxe-me à recordação a «estória» desse tempo. E logo,as muitas e variadas peripécias até que, varrida a praça forte dos infiéis ocupantes, foi tempo de refazer o arraial.

O campo que encontrámos, era quase tudo, escombros. Tudo era podre, como eram os ocupantes. O Clube penhorado por todos, sem crédito, sem nem qualquer dose de confiança, caloteiro madraço qb.

Ora entre muitas coisas, feitas num verdadeiro sprint e em com desarcado trabalho (sim, porque há camaradas que pensam que as coisas aparecem feitas por obra e graça do Espirito Santo, que deu no que deu…),mas ainda maior imaginação, mesmo envolvidos num turbilhão continuo de processos judiciais, feita a tomada posse em fim do ano, na primavera seguinte, estava  já o Clube a marear, imparável. Uma Direcção excepcional.
Disposto o CVCN  –como o fez! – a dizer no panorama dos Clubes navais: contém connosco porque queremos ser os melhores.

Bem ,mas nesta véspera da Sr ª da Saúde, esse amigo(por sinal também adversário aquando das famosas caldeiradas) ligou-me a «chorar» de ver o estado de abandono a que o CVCN, chegou. Mete dó, de verdade…De degrau em degrau foi-se afundando, inexoravelmente, e poderá até ser conduzido a um beco sem saída.

Bem …

Algo que a Direcção daquele tempo pôs em marcha, foi trazer à Srª da Saúde a Regata dos Moliceiros, carreando gente para a festa, animando e embelezando a Ria com o colorido estonteante daquelas embarcações do historial lagunar .



      …e lá vieram (Foto Rui Bela)

Poucos saberão como foi trabalhoso, convencer(quer na ideia, quer materialmente),os arrais a virem, pela primeira vez, à Costa-Nova. Gente de trato amigo ( depois de vencido o primeiro contacto, que é sempre muito difícil),foi necessário bater porta a porta, e com muita insistência,dar garantias de serem, arrais e famílias, bem acolhidos. Eles nem sonhavam, o que iria ser !

Julgo que teve importância decisiva, a feijoada das noites de sábado, servida na Garagem Samuel Maia, a Arrais e familiares, mas e também, o desafio inédito da «Melhor Caldeirada».Que veio substituir o estafado concurso de painéis. Com um valor pecuniário que cobria largamente as despesas, havia prémios de certa dimensão para as melhores do concurso. Esta iniciativa levantou grande interesse e curiosidade, e perto do meio dia de Domingo, muitos eram os curiosos, vindos apenas para apreciar, e degustar, as caldeiradas apresentadas a concurso. Verdadeiras obras  primas do cardápio lagunar, tal  o seu vernáculo extremo.
                                         





 



 
 
                                                   Fotos Rui Bela
 
Vinham os familiares e amigos das tripulações, que aproveitavam o fim da tarde de sábado, e a manhã de domingo, para visita ao Orago, mas e também, à célebre feira de então.

Às duas dava-se a partida para regata, em frente da muralha. Era um espectáculo assombroso, empolgante, soberbo, apreciar os inúmeros truques usados por estes mestres da vela a procurar (à  dentada, á paulada, ao achega-te para lá, por todo os meios) a melhor posição de largada.

 

                                     
                         ............................procurando posição (Rui Bela)

 

O povo estendia-se por toda a marginal, participando  com grande alarido  no apoio aos seus mais próximos.As viragens de amur a,executadas ali a dois passos da muralha, estendido o bordo até ao ultimo momento – quando a assistência já gritava e fechava os olhos, prevendo a batidela desastrosa – na pretensão de ganhar barlavento ao que está ali ao lado, são feitas debaixo de imprecações,em alta vozearia. «Agora!»…«agora» (leme)…« mete»(pá)  …e «calca…calca» (calcador) estipôr……maneia-te .E logo do lado vinham gritos :«amuras!....amuras…aaamuras!».



…e assim era o CVCN (Rui Bela)

 

Quiseram os deuses que em certas, das várias regatas, o vento soprou forte, e que o pano retesado, levado ao extremo, conduziu ao raro espectáculo, que era ver um moliceiro em «cuecas»,com os baixos à mostra. Vira!? …não vira?!..Ahhhhhhhhhhh, safaste-te desta. Aquele pessoal sente o barco como o cavaleiro tauromáquico. E governa-o com simples toques (aqui, ali,mais doces ou mais apertados…), que o Moliceiro parece entender, reagindo de imediato ao «desejo» do seu arraias. O Moliceiro, vela a panear, bombordo-estibordo, leme um chinquilho metido, sai ás arrecuas, como ginete em elegante garbo de trote, a dar posição de investida, ao seu cavaleiro.

Depois da regata, atracados, atenuada  a sede, garrafão passado de barco em barco,por ali ficavam até ao receber dos prémio. Que o CVCN, tinha o maior gosto em entregar, orgulhoso  desta iniciativa, que reputo, ser  das mais brilhantes do seu historial. E foi numa dessas conversas que ouvi a Ti Armanda «Russa», descrever-me as virtudes, da proa do Moliceiro para o supremo acto do amor. Onde tinha feito seis filhos: mãos nas «cheleira», pés bem assentes na antepara, e o suave erguer ao céu da proa onde se estendia em espera sôfrega, faziam toda a diferença.....Sabe amigo ,dizia-me marota: agora as fidalgotas chamam-lhe queques.(ou parecido),nós chamávamos -lhe: avia-te!!!..
 
 
                                      
                                   ...alinhados (fotoAML)
 

 A regata custava 500 a 800 contos!!!. Que importa? A « arquitectura económico -financeira, dada ao CVCN, permitia isso, e muito…muito mais….Hoje prefere-se ir aos Bancos, para as despesas corrente!!!!!!. Depois queixem-se…..

Voltando às Regatas :

Chegámos  a um grau de relação tão próxima que as gentes da Murtosa, da Torreira, das Quintas(a quem rendíamos presença, nas suas regatas, como nosso moliceiro « O Ilhavense») que eles nos tinham(e têm), como os amigos da Costa-Nova.E respeito pelos nossos Arrais. (João Senos e Pedro Paião) aquém foram desvendando todos os segredos dessa obra prima lagunar: O Moliceiro.

Recordo pois, sem saudades, mas apenas com o sentimento de uma enorme experiência vivida

e com a sensação de um desafio, cumprido.

Mas voltaremos ao CVCN.

 

SF
Nota; para o êxito destes eventos, foram fundamentais, o saudoso Daniel, e a  directora  TC. 







domingo, setembro 21, 2014


Amanhã, de novo,o amor, trazes-mo Tu.

 
 

No leito

Revolto onde tudo é desalinho

Postas-te possuidora

Sentada sobre mim.

Lá fora as águas dóceis

Da ria correm

É verão

Deixa-as ir

Nem eu sei para onde, elas, irão.

Tempo onde os morangos

Sangram colorindo

Os teus lábios

De um rubor vilão.

 

 

Deitado

Com as mãos pousadas

Na nuca,  peço- te

Sossego,

Vencido.

Sobre mim sinto o aroma

De todo o teu corpo

De amor entontecido.

 

 
E toque a toque penetras- me,

Corpo eriçado, curvado

Esfinge de helena

Grega,

Peitos túmidos espetados

Pela força dos teus braços

Sobre os meus joelhos,

Deixas apenas que a espuma das palavras

Chegue aos lábios

Num estertor de animal ferido.

 

 

Só nós meu amor

Só nós ..

No mundo não existe

Alguém!....ninguém!....

Tudo à volta é  o nosso rumor.

 

E continua o frenesim do teu

Bamboleio ritmado

Fausto festim

De corpos incendiados

No carmesim da colcha enrodilhada.

 

 

Só nós meu amor,

Só nos..

Ninguém ouve a música que sai

Dos nossos corpos amurados

Em outras margens.

Ai!....

 

 

 

O vai vem, o sobe e desce
 
teu,                                                                                                                                 

Permitem aos tropeções

Um corpo dentro

De outro corpo, 

A dar  amor às golfadas

 

 

Soergo- me um pouco

Para que avances mais;

Um degrau de prazer

Ainda mais (!?)....

Trazes então a boca

Ao encontro da minha.

A perversão

Da tua língua húmida

Faz -me enlear

No  mais  gostoso paladar

Do teu doce amor.

É a ria que não pode parar.

 

Envolvo -me na dança

Frenética dos nossos corpos

E vou ao teu encontro

Implorando que me abras

As portas do teu porto.

Negas- me!

Hoje a possuidora és tu!

 

E é então que me apertas

Entre teus joelhos

E bem preso, manietado

Puxas- te toda à frente

Levada pelo  desejo

Imparável

 de seres toda

Toda minha.

 

E eu pássaro

De asas quebradas

Soldadas

Pelo fogo do amor intenso,

Imenso !

Abandono- me aos gestos nupciais

Colho a tua mão

Entrego me ao prazer

De esbeijocar   os dedos

Puxo- te a cabeça

De um modo doce

Quase a medo

E enleio- me no teu cabelo

A ouvir os  compassados  ais

Do teu fim de linha.

 

E vem o silêncio

 

Lado a lado,

Inertes, os nossos corpos brilham.

Saciados

De tanto sal de beijos

E afagos

É tempo de morrer a teu lado.

Neste espairecer lento

No gozo de gastar o ultimo

Alento.

 E tantas loucuras dizer

Que importa?

Palavras leva- as o vento,

E de novo, o  amor

Amanhã, trazes-mo tu.

 

 

SF   Setembro 2014

segunda-feira, setembro 01, 2014


 

Entre as dunas


A duna estava deserta;

O céu parecia ter subido

Ainda lá  para mais acima,

Quando a areia se acolchoou

E o pássaro que fazia pio-pio

Calou-se um instante,

Para não nos perturbar.

 

Era já moreno o dia

Quando o abraço perpétuo

Te transformou, Menina,

Mulher.

Navegámos por entre o rio do desejo

 À descoberta das suas margens,

Fazendo da duna

 O barco dos nossos beijos.

 

Entre o juncal a saber a feno

E o cheiro da alfazema marinha,

Procurámos aconchego para um corpo

Entrar ,doce,

No outro.

As bocas eram tão jovens

Que arder, era saltar de uma para a outra

Até o vento nelas se incendiar

 E iluminar os esponsais.

 Foi ali, tão perto do mar

Era Setembro.Na areia frágil,

E meiga,

 Ondulada docemente pela brisa

Escrevemos

«Para sempre…»

 

Éramos nós, amor…

Éramos nós. Só nós.

Separados do mundo

Saciando a sede;

Em  cada espasmo matando

A inocência ali abandonada,

A cada entrega, consumada.

Só nós….

Viciados no vício de nós.  
 
SF    2 Set-2014

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...