sábado, outubro 12, 2013




 

O sol, afinal apareceu

 

Acordo desta sonolência em que ,de tarde, sozinho ,me deixei cair.

Lá fora uma existência serena, a que falta bulício e vida. A tarde foge e acaba imperceptivel. E eu vou-me com ela.

Olho o céu e não lhe vejo o azul claro; há um azul vago.Vago como é a minha vida, hoje. Começa a aparecer um rosado ,a anunciar o ocaso. E o meu ocaso? Será que também tem um rosa desvanecido, só para dizer: ainda cá mora….

Fixo a ria. Tingida de um uns tons inexplicavelmente submissos, perante a sonolência que nos envolve: a mim e a ela.

E encontro repentinamente o esclarecimento: o que existe em mim é tédio. E por isso vejo tudo empardecido. Nesta tarde em que me deixei vencer, percebo como o tédio logo deu para conviver comigo. O tédio sou eu mesmo. O mundo exterior está lá. Eu é que não consigo sair de dentro de mim.

Não me apetece fazer nada. Um torpor de existência sem sentido.
Não gosto, sinceramente, deste azulado indefinido.
Mas eis que repentinamente se abriu o pano de cena. E veio a diva: de vermelhão…

E atrevida, descalça um sapato (ele vermelho, também …) e pergunta:-Posso?
E logo as sensações decorativas da minha alma mudaram de tom. E acordei…
Sinto que ao acordar, estou a sentir uma grande esperança:  a   de viver o momento que passa.

Depois que o pano baixe. O sol, afinal apareceu. Bastante….
SF Out 2013
 

sexta-feira, outubro 11, 2013




CALDO ENTORNADO

Ontem fui ao Porto, não por acaso, mas intencionalmente, para assistir no maravilhoso site cultural da cidade- a livraria Lello-  à apresentação ,do livro do Waldemar Aveiro –«Murmúrios do Vento».

Falarei disso noutra altura.

Cheguei com horas apertadas, fui á bilheteira comprar ingresso, mas o funcionário disse-me que não era preciso tirar bilhete, pois tinha três viagens no cartão. Quando entrei no comboio veio o revisor, que fez cara estranha ao cartão. Disse-lhe o  que o colega me tinha transmitido. Mas não! O problema, informou em proposição tipo policial o zeloso funcionário da CP,é  que eu deveria ter «validado?»  o bilhete antes de entrar no comboio.

Caldo entornado…
-Mas então Você não está aí para validar?
-Não,eu estou para «rever»…
- E revendo você verifica que eu ainda tenho três viagens ,pagas!!!!!
-Pois…mas tenho de o multar…
-Olhe multe, se isso lhe dá gozo…

E passa-me uma factura de 176,00€!!!!!!

-Você é parvo ou…quê?....e quer que eu assine isto?.....vá dar uma volta ….e encontramo-nos no tribunal se eu ainda for vivo(ou se os revisores da CP, não forem despedidos até lá…).
E assim fui até ao Porto.
Este tipo despertou em mim a gostosura de mandar estes gajos (tipo policias),imbecis, que nem se apercebem o que lhe estão a fazer:

À merda….
SF   Out 2013
 

terça-feira, outubro 08, 2013







   Delete



   Entrei no bar ,e sentei-me ao lado de um excelente fotografo  da nossa praça. Mais um free lancer à procura do seu….momment (está em moda)

   Copo atrás de copo, e saiu-me

 - E andei eu, dezenas de anos, atrás de um amor mítico ….queixei-me.

-E eu ando há mais – respondeu-me, bebericando e gesticulando. E olhe: não fixei nada de mítico. Tudo banalidades.

-Pois, mas  para tal, tu só tiveste de  carregar, só e apenas, no botão da tua Nikon. Eu esfarrapei-me.

-Olhe faça como eu: carregue no «delete»….e já está….apague o que não presta. Não pense mais nisso.
 
   SF  OUT 2013

domingo, outubro 06, 2013



   Ouves o mar a chamar por nós?

Fui passear à noite ao mar. Fui só para cumprir um ritual, pois parece mal, estar aqui há sete meses, e nunca me ter apetecido ir ao mar.

Vai-se ao mar, creio eu, olhando o passado, quando a vida é alegre e despreocupada.

Certo que em novo, fui dezenas de vezes, à noite, acompanhado (bem acompanhado!) ao mar. Estranhamente parecia que o som das ondas, à noite, tinha o seu quê de toque estranho. Parece que nós próprios, nos tornávamos diferentes ao ouvi-lo.

Parece naquele som vago da onda que rebenta e nos envolve, se resume a quantidade de esperanças que ganhamos ou perdemos.

Quando no mar a onda rebenta contra a areia, fica um longo sussurro (choro) que se prolonga, audível, pela noite fora.

Ontem pareceu que a vida tinha parado. Oh! que sentido de leveza. Coração e vida parados, vagueei no sonho, arremessei, desenhei formas e palavras, regressando àquelas brincadeiras de garotos, em que escrevíamos na areia:

 – AMO-TE (como se existisse de verdade, e em verdade, o amor).

Ou mais simplesmente se desenhavam dois corações dilacerados por impiedosa seta (unificadora na glória da ….). Todos aqueles símbolos (oi!!!!, tantos…tantos ….) eram uma expressão de sentir ou querer, logo – sei lá se felizmente apagados pela onda seguinte. Claro: a vida a apagar, nós a teimar, na afirmação. Quem sabe nessa idade o que pensa ou até o que deseja (fora do natural e humano desejo (?!).

A verdade era  que

aquela música sensual  ouvida, ritmada, com  a vaga a enrolar na areia da praia parada, parecia ser uma ordem para que os corpos se alinhassem ao comprido, e cumprissem a razão da sua diferença.

 
Amei muito ao som da música (enlevo do mar).Quando disso me recordo, não choro!....de saudade.  Ergo uma taça, brindo, e repito:
 
                                   Oh!  tempo bendito
                                    Tempo infantil;
                                    De duna em duna
                                    A sussurrar-te ao ouvido:
                                    Ouves o mar a chamar por nós?
 
 
                                     E a duna foi a nossa cama florida
                                     O doce colchão do nosso amor
                                     Em festa….de vida nua,
                                     No pulsar aflito sob a paz que vinha
                                     Do céu…
                                     E do mar, que a areia de branco
                                                                                   [debrua.
SF. Outubro 2013

 
 
 

sexta-feira, setembro 27, 2013


 

 

Pediram-no?

Pois  ele aí está: – o Inverno  do meu descontentamento (embora na comodidade da lareira, às vezes não o seja).
Dia pardacento, ria encrespada, irritada, vento barulhento  vindo lá de baixo, vento frio, mais parecendo-me um vento escuro a que nos apetece fechar a porta, e dizer : vai-te, arrenegado!

                     

Sentado em frente da ria, vivo momentos de tristeza introvertida, minha, só minha, que não quereria transmitir aos outros. Felizmente (?) estou só…
Esta quase sonolência, oprime. E por vezes acode-me a ideia da estupidez que é esta vida. Dificilmente se consegue extrair um sentido profundamente justificativo para a mesma.
Mas a questão é que eu, e quase todos aqueles que conheço, contamos os invernos  a ver se ainda cresce mais algum.
Amamos a vida mesmo que ela nos não ame. É estúpido…. mas é assim.
 
SF   

quarta-feira, setembro 25, 2013


 
Somos ou não um país ocupado?
 
 
Somos!. Ocupação muito pior que as mordomias,roubos e  dislates praticados pelo sargento Junot (ao menos este roubou a quem o tinha, mal ganho)

 Somos -não duvidem! -um País que perdeu a liberdade governativa.
Quem duvida, ao ver um inapto a ser Primeiro-ministro, e a  continuar a sê-lo mesmo das calinadas praticadas onde não existe ponta de vergonha. Ou pudor!!!
Claramente: hoje somos um protectorado.
cabemos, pois,  com a farsa, que só veste aos cobardes. Estamos com um pé em cima da nossa garganta. Haverá um 2ºresgate e depois um terceiro….e....

 Perdermos a liberdade de nos governar segundo as nossas ideias, segundo as nossas opiniões.
 Dão-nos dinheiro para o racionamento. Ora eu lembro-me de ir muitas vezes para a bicha, em 45,para ir buscar o açúcar e o azeite, lá para casa. E jurei que nunca mais me veriam numa bicha. Toda a gente que me conhece sabe que não suporto estar numa bicha. Nunca mais provei o açúcar… Uma bicha para mim são dois.....

Então, perdida a liberdade, não entendo como é que estes super– economistas, tipo bruxos da Pedriscosa, pagos principescamente (BCE,FMI,EU etc. etc.) para funcionarem como lobbies na TV, ainda não chegaram ao momento de, abertamente, dizerem com sapiência que até parece deles: vamos ter que mudar a Constituição, à cautela, ou no próximo mês não há pilim  .(lá chegaremos, olhos nos olhos)
Mudada a dita, é chegado o tempo para «a vilanagem se governar á farta!». Eles andaram a doutorar-se na matéria, num processo de que um dia saberemos os contornos).

E depois, os de sempre, vão ter de trabalhar por uma côdea…
Uma côdea?!…Vá lá….vá lá !!!. E não se queixem, se querem ser competitivos. (Devo aqui declarar: o trabalhador português é ,enquadrado,o mais genial , produtivo-e competitivo -trabalhador da Europa. As élites que os comandavam ,é que eram-hoje houve uma clara melhoria - uma MERDA .Provo-o á saciedade. Poucos, muito poucos, o experimentaram como eu).
Somos, neste momento, um País de cobardolas. Ainda virá o tempo em que verei muitos «revolucionários» a votar a nova Constituição.

SF – Set 2013

 

 

segunda-feira, setembro 23, 2013



Votar para quê?       


É vulgar ouvir dizer que esta capacidade de «pensar» foi o maior bem que Deus nos deu, quando botou o homem à Terra.

Eu  cá  por mim, não sei ?!….Tenho duvidas .Talvez fosse escusado, e o mundo seria bem melhor. Às vezes penso que a minha cadela, a «China», é muito mais feliz, porque não tem que pensar. Quando muito exprime-se pelo ladrar. Não por pensar, mas porque algo saiu do sítio (ou do horário) onde sempre esteve.

É verdade que muitos que por aí andam não pensam ( se houvesse duvidas, basta olhar para os cartazes que pululam por aí a mostrar uns putativos candidatos a sherif de qualquer coisa, sempre a rirem-se. Não sei de que se riem(?!)… nem  porque se riem(?!).Só sei que aqueles  tipos, vindos de uma qualquer  gelfeira juventude, de um qualquer alinhamento abecedário partidário ) não foram feitos para pensar. Empurrados pelo sistema, aí chegaram aos cartazes tipo  WANT's.

E depois o Povo !... que também não pensa. Não pensa, e ainda por cima não parece saber escolher quem o faça por si. Isto é trágico: nem pensa…. nem escolhe quem por ele pense.

 Se nos putativos candidatos não há nenhum que sirva, não se vote em ninguém. Porque o do lado, ainda é pior que mau.
 Pensar é claramente separar e escolher. Ora pensar nesta complexidade que é a vida  comunitária, e dar um voto a um calhau daqueles, é um perigo. Felizes, pois, os que não têm o hábito de pensar.
 Quem não pensa, não se suicida. Ora aqui está algo de positivo, no não pensar. Porque quem não pensa nem sequer age. Deixa correr….
Mas......

Queiramos ou não, a democracia esvaiu-se na sua própria essência: – os Partidos. Todos! já não suporto o nonsense de nenhum deles. Eu e certamente, muitos. Há um cansaço nítido (que o votar ainda esconde) uma consciência abstrata que ainda nos parece obrigar a ir ás urnas ,em nome da dita   democrácia. Vamos votar, como em putos íamos à missa ao domingo.

Desta vez nem com um frasco de álcool de litro (para lavar as mãos da porcaria), vou fazer de Pilatos.

SF-Set 2013
NB- pois...pois...chamem-me nomes...

domingo, setembro 22, 2013



Fim de tarde…

leve, ameno, suave e até aqui radioso, ao inicio do lusco fusco.

  Os que não creem e erram –tal e qual como eu –, reconhecendo que erram, porque  errar é humano, continuam a ganhar forças neste fim de dia, para amanhã ,humanos, recomeçarem a carregar, de novo, a sua cruz. Não creem nesta ordem natural de sobreposições de dia e noite, obedecendo a desígnios Divinos. Mas como eu, não deixarão de, espantados, reconhecer que por detrás da natureza visível, existe uma ordem ( um programa a correr…),num servidor imenso ( impensável de dimensionar ou definir em mega-giga-bites). E a partir daí todas as lucubrações são possíveis. Cada um sirva-se da explicação, mais próxima, mais á mão.

O sol vai caindo ali para as bandas do mar. Começa um cinza claro a inundar o horizonte. Traz a melancolia de fim da tarde.

O remanso das águas, soprado por ligeira brisa, encrespa-se de pequenas marolas cintilantes, que contrastam com a pureza virgem das margens deixadas pela maré. O azul –ou melhor – todos os azuis, desmaiam. Sinal para paragem das actividades  humanas sobre as águas. Os peixes têm direito a um pouco de sossego.

Há ainda um silêncio, em que o sol, morno, parece trazer lucidez às coisas em que pensamos.

Tudo em volta tende a perder a exactidão dos seus contornos: barcos, malhadais, casas da outra banda, pinhais, serranias.

Em outros  tempos eram horas dos «malhadinhas» partirem com os seus burricos pelas veredas serranas ,a levar a fresca sardinha, ajoujada nos costados dos rocinantes jericos, para que chegasse, ainda  de sangue na guelra, ao outro dia, lá para o interior das beiras.

Começam a surgir umas nuances sanguíneas. É o sol que ao chegar ao fim da caminhada se incendeia de um fogo vermelhão, que tinge tudo quanto está à sua volta.

 

As pálpebras parecem aceitar, e acomodarem-se ao tom morno do fim da tarde. A pedir repouso, no lusco-fusco do entardecer.

Hora dos crentes dedilharem umas Avé- Marias, agradecidas.

Hora de outros, que não foram bafejados pela peleja divina, agradecerem a si mesmo, o ainda estarem «vivos». Não no sentido de ainda respirarem, mas sim no sentido de ganharem forças para juntar mais carga emotiva à vida.Para que amanhã o dia seja diferente (melhor?) do que hoje.

Com a Troika e Cª cá, isso não será possível. Estes tipos vieram depenar frangos. E depois de nos depenar, põem-nos, na grelha, a tostar.
É bem certo: não se pode comer um bolo sem o perder....não se podem depenar os frangos sem lhes acabar com a raça...

Choca-me ao ver este Povo sem irritação. Ver um Povo infeliz, parecer ser feliz, é terrifico e desolador. Roubar um pão por ter fome, é mais do que moral, é legitimo.   


SF-SET 2013
SF  - SET 2013
 

terça-feira, setembro 17, 2013


É Verão;  ainda há poucos anos estávamos, ainda agora, a pouco mais do meio de devaneio estival.

 

 Há que  retomar o Verão
 
Não sei  explicar a razão. Mas há momentos  em que estando ainda a temperatura amena sinto um frio inexplicável e torturante a percorrer-me. As horas nessa altura perdem o encanto  do tempo que vai lá fora (por vezes bonito e glorioso)e parecem revestir-se de um cinzento pálido ,doentio, amarfanhante. E os momentos que desejamos corram ,parecem parar no tempo.
 
E não raro pareço sentir uma mão que já foi quente, apertar-me como que a dizer: salta para fora disto…..
 
Nesses momentos, parece que o sentido da vida se esvai. Teimo então olhar lá para fora, e nas imagens ainda quentes, encontrar as forças para resistir.
Teimo….teimo….e sei que tenho de ultrapassar isto. Se eu já não sonho com nada ,porque me importo.
Desligo a luz.
Os dói- dói  do sentimento, doíem mais do que os da inteligência.
Porque a verdade é que quando desprezamos a inteligência, todos os males que fazemos,parecem não ter grande importância. Ora manda a verdade dizer, que  a dignidade humana deveria exigir outro tipo de comportamento.
Mas eu ,por mim, já desisti de acreditar nessas coisas bonitas
 
SF

sábado, julho 20, 2013




 

 

Católico anticristão ,ou cristão anticatólico?

 

Hoje divago sobre assunto muito sério.

Falávamos de religião .Creio que me foi imperioso dizer:

-Estás pois, contente, com a tua fé? Pois.. ainda bem. Mas aceita que eu esteja contente com a minha  não crença.
O que de modo algum nos impede de fazer parte em igualdade da construção humana. A questão é de ambição: eu creio que o mundo terreno me basta. Os crentes são mais ambiciosos.

Se não fora o mal de a história referenciar períodos de violência extrema por parte das religiões(e neste momento abeiramo-nos de um período negro de um certo niilismo),ambos, crentes e não crentes, deveriam apenas preocupar-se como o problema ético do empenhamento de cada um na beleza das relações humanas.

Mal que a religião em períodos negras tenha regressado à barbárie.
O facto de Deus existir ou não, pouco importa. Por enquanto. Importante é que na ética comportamental de cada um, se saiba discernir o bem do mal
Eu não posso é  entender que existindo Deus-um qualquer das religiões dos profetas –este deixe um dos seus perfilhados praticar um acto contra um ou qualquer filho de uma outra qualquer religião. Seja filho ou enteado.

Por isso digo convictamente: eu não garanto que «Deus» não exista….sei é que essa falta de convicção não me faz falta nenhuma, para me mover e agir, dentro de parâmetros que persigo. Parâmetros  profundamente –talvez exacerbadamente éticos.

E por não ser crente, tal não significa, de modo nenhum, que me falte espiritualidade. Claro que isso exige uma busca interior muito profunda.

Ora á minha volta vejo montes de católicos, anticristãos . A sua fé está apenas no emblema que lhe apuseram na lapela.

 A mim  não me repugnava a ideia de ser um cristão anticatólico.
 

SF

domingo, junho 30, 2013



Só o chamar à noitinha por ti


O chamar à noitinha por ti

É qualquer coisa que não sei explicar:

Mas todo o meu interior amansa

E até o desespero parece amainar.

 

Não paras um só momento

Afadigada a carrear vida de um lado para o outro.

Aves sobre ti vão a voar

Levando consigo as tuas penas.

Ai quem me dera as minhas lavar

Para Te olhar de outro modo, amor

E contigo me deixar levar.

 

A estrela lá no céu flutua

No espaço.

De longe vem o odor dos pinos

E por cima de todos os ruídos o mar!

Já nele não vogam marinheiros cegos

À procura do desconhecido.

Eles, as aves, tu e eu, voltamos ao mesmo destino.

 

 

Ir e vir, a contar as horas, em profundo desatino.

Só tu sabes a minha história;

Dá-me a leveza das asas das tuas aves

Cobre-me com o manto com que te defendes do vento.

Acalma o mar encrespado que nem a sede mata,

E vem aliviar a tristeza incurável que invade meu coração:

A minha tristeza é não caberes dentro de mim, adormecida,

Para juntos irrompermos pela madrugada

A ver o dia e as suas cores pela cor dos teus olhos.

 

SF. 13.Junho.2013

 

 

 

 

quinta-feira, junho 27, 2013



Romance…

 
Nunca escrevi um Romance. Dirão: - por não o saber fazer. Talvez.
Mas para mim o romance «nasce» no autor, fruto de múltiplas relações. Ora em mim essas relações foram sempre desligadas umas das outras (ou raramente).Nunca se entrelaçaram,colidiram, ou até, se defrontaram. Isto é : vivi com tranquilidade, diferentes relações posicionando-as onde cada uma  deveria estar. No essencial nunca deixando de esclarecer logo á partida as premissas, para não gerar equívocos. Assassinava o «romance»  logo ali, é verdade, mas ficava tranquilo.
Fácil de entender ? Uma ova…por isso sei bem as classificações que por detrás da cortina me vão(ainda !!!) atribuindo.
Isto é meus caros, e eu me confesso: –«vivi» romances serôdios. De cordel. Que não  me sujaram senão por fora. Então manda a verdade dizer: não vivi,passei por eles.  
Romances pategos, de esquina. Vou ali e já venho. Se olhar para trás, muito pouco me resta de saudade por esses atrevimentos .
Vem isto a propósito de quê?  (perguntarão, os  amigos que ainda me aturam…)
Ora bem : a propósito de ter ouvido um intelectual livresco na TV,  dizer que nunca tivemos um romancista a sério.
Pois : isto é um País de pategos. Bem se esforçou Camilo em fazer «amores de perdição» a cordel.

Ele bem se poderia esforçar. Mas os personagens, esses eram sempre os mesmas(ou quase)

SF

domingo, junho 23, 2013



Vamos indo….
Grão caso, este, de sentir uma certa sonolência de dia, e uma quase lucida insónia ( de noite).
Bem : à falta de melhor, leio .E esta noite encontrei no meio da leitura esta pérola do P. António Vieira(revisitado continuadamente).
Queixava-se, Vieira, a determinado Senhor, de tão pouco se fazer de um negócio de tanta importância e consequência ;mas toda a culpa tem o nosso governo, que se ocupa com as regateiras e almotacés, sinal que não passam os seus olhos a outras lamas que mais enlodam, e a outros interesses que mais nos danam. Cedo seremos só Reis de Lisboa ,e queira Deus que ainda essa saibamos guardar como convém (carta a Duarte Ribeiro de Macedo,1827).
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Pergunta-me :porque fazes tantos poemas(?) à ria ?….
Olha: por vezes não é exactamente à Ria ,mas sim por intermédio dela. Metaforicamente.
A verdade é que muitos fazem versos á namorada, amante ou à mãe.
É como vesti-las de um modo diferente….
Eu não aprecio tal. Sou mau costureiro. Gosto mais de sonhar .
Por isso os meus arremedos são apenas a expressão de um desnudar continuado.
A Ria contém ela em si, um continuado sexo de formas sonhadas, sempre em mutação. Pano infindável para fazer as minhas trouxas.
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 O Ministro da Finanças nivela este país pela pobreza (retiradas meia dúzia de excepções). O Ministro da Educação propõe-se nivelar o país pela incultura e o não saber. O Ministro da Saúde propõe-se  nivelar o País pelos que já morreram(felizmente) e os que se apressa a deixar morrer, para poupar.
O Primeiro Ministro, esse , transforma este país em duas categorias: os que já tiveram dignidade, e os que encolhem os ombros. A dignidade perdeu-se na mansidão deste pacato e cordato povo.
Sf (Junho 2013)

sexta-feira, maio 31, 2013


 

«Cantiga de amor»

 Por esta ria adiante
Vai vogando o meu olhar…

Ai vai atrás de ti, meu amor,
Com ele vai o meu penar.

 
Por esta ria adiante
Vai meu coração dorido
Ai vai atrás de ti, meu amor,
Dizer-te  que estou perdido.

Por esta ria adiante
Vão minhas palavras ao vento
Ai vão atrás de ti, meu amor,
A chorar o meu lamento.

 
Por esta ria adiante
Vão a correr minhas lágrimas
Ai vão atrás de ti, meu amor

Meus olhos  cegos de mágoas.

 
Por esta ria adiante

Vai  com ela o  meu alento
Vai atrás de ti, meu amor

Matar meu olhar sedento. 

 
Por esta ria adiante

Vogo eu pelas estrelas guiado
Vou atràs de ti, meu amor,

Enlaçar teu corpo amado.

 
 Por esta ria adiante…

Vai o meu choro, vai meu pranto.

Vão atrás de ti, meu amor.
 Eu fico aqui no meu canto.

 
Fico aqui à tua espera;

Na ilusão da aurora
Ou no crepúsculo da noite,

Fico aqui, só, desejando

Que o labirinto do tempo
Desfaça a terrível demora.

 
Volta amor; volta!
Ai amor… foste no vento

Deixaste-me  tão vazio e só

A lamentar minha dor,
De não ter outra dor

Que a de não te ter eternamente.

 SF (Maio 2013)

terça-feira, maio 28, 2013


 

O meu tamanho visto ao espelho, de facto, engana-me.

Cada vez que tudo «isto» avança -e ai, avança…avança….- vem–me à ideia uma frase que,ou li em qualquer parte ,ou a criei no meu espírito. Vá lá saber-se tanta coisa que já li…
Ora é verdade: a vida é coisa séria demais para ser vivida sem intensidade. E sem honestidade ética. Só  vivendo-a nesses estados de graça permanente, vale a pena o sacrifício de «aqui» aportar por uns tempos.

E ter por isso direito a belos momentos. Como este em que martelo a máquina infernal, á janela, em silêncio a percorrer o ondulado da ria. Silêncio livre que olha os vales e os ecos da montanha lá ao longe,sem medo de ser perturbado.

Sempre á espera de cantares novos. Venham eles… ou não …

Percebo pois, cada vez menos, que haja pessoas (como muitas que conheço), que passaram uma vida a olhar, única e exclusivamente, para o seu umbigo. Não digo até que não tenham sido bons(excelentes desempenhadores de oficio).Mas só isso…e mais nada.
Sentido ? Nenhum….Viver servo  de uma contemplação do seu redor.«Isso» chega?

Não  viver (?) mais do que a simples vulgaridade :– «levar a vida».
Levar para onde e para quê?

Ora gaita! Se falassem, os cães também diriam o mesmo .E até as flores.
Esta inconsciência absoluta, materialista, de alguns, choca-me.

E falo com eles circunstancialmente, porque para despertá-los …já é tarde.

E lá vou para outra palestra. Faço já isto,como quem bebe um fino….e no fim: arrota (com licença!).
Que raio: se ao menos as ditas fossem  pagas ,como as  do Mário Soares….
Ele a vender a «banha de cobra» com aplauso e com umas coroas para a Fundação.Eu sem aplauso (que se veja) e afundando-me…Pois nem sonhando com outra vida, mesmo assim ela me parece merecedora de deleite.

O meu tamanho visto ao espelho, de facto, engana-me.   

SF (Maio 2013)

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...