domingo, abril 13, 2014


Costa Nova

Uma praia injustiçada

 

Há praias em Portugal

Que estão na nossa memória

O que é muito natural

Fazem parte da História

 

Ó Costa Nova do prado

Minha praia injustiçada

Tua estória é um tratado
 
E nunca foste afamada,
 

 

Para narrar estes feitos

E sentir inspiração

Invoquei os meus eleitos

 
 
 
 
 
 
St. António, S. Pedro e S. João


Deu ordens o nosso Infante
 
P’ra navegar nos canais

Do ocidente ao levante

Sobre moliço e juncais

 
Trazei grandes alegrias
Conquistai a terra ímpia

Se cheirar a pó de enguias

Já descobristes a Índia

 



Até El Rei D.João II

Com seus trajes reais

Quis sair do galeão

P’ra pisar os areais

 

Mas caiu uma borrasca                                              
                                                                                      
Que arrancou o traquete

E El-rei ficando à rasca

Sentou-se no cagarete

 


Vasco da Gama também

Aqui veio navegar

Pouco experiente, porém,

Na coroa foi encalhar                                                          

 

P’ró astrolábio olhou

E disse em bom português

Esta merda avariou

Mas foi a primeira vez

 
Gritou ao timoneiro:
 

P’ra que são as malaguetas?

Estamos num atoleiro

Vais levar duas galhetas

 






Quando Albuquerque chegou


Tão cheio de munições

Nem a salva disparou

Com medo dos gafanhões

                                                                                          

Viu a bica dum moliceiro

Que estava em amanhação

Julgou que era um morteiro

E escondeu-se no porão

 

físico Frei-Vieira

Com perícia e muita calma

À tripulação inteira

Tratou do corpo e da alma




Animou os encalhados

Medicou os cagarolas

E vestiu os descarados

Dos indígenas matolas

                                                                           
                                                                                                                  
 
Estando cá desterrado

O grande Camões um dia,


Sentiu-se logo inspirado

P’las ninfas da nossa ria
 

Dos Deuses familiar

A Júpiter fez o pedido

Para vir recompensar

Este esforço desmedido

 

Do Olimpo veio Baco

Com os vinhos e leitão

E todos dentro de um barco
 

Festejaram a expedição

 
Assim se faz justiça

Às enormes proezas

Da que é a mais castiça

Das praias portuguesas

 
Alcina C. Parracho
2012

















domingo, março 16, 2014


 
   Uma relíquia da aventura do Desertas
 
 
Entre tanta foto que me passou pelas mãos(dezenas e dezenas), esta  que insiro abaixo, e que agora me foi trazida pelo Rui Bela, é das que mais aprecio .
 
Admito que muito poucos tenham tido acesso, a tão bom e significativo  documento do trabalho
da  ciclópica  tarefa, que foi a de trazer o «Desertas» para a Ria.
 
Ora esta  foto  que fixa a já completa execução da abertura do canal, permite ver a Ria a dois passos. E nesta os Moliceiros  vadios, na  faina de pentear a ria com os seus ancinhos ferrados na tamanca.
 
 
 
 
                                  
                                               Finalmente ...a Ria
 
 
Do lado de lá ,embora a preto, os campos da «galefenha dos caseiros». Pedaço de terra prometida,  já bem pontilhada  de paredes brancas, alapadas no prado que era já verdejante,viçoso.
A chegada à Ria  do «Desertas» parecia  ser o final do ciclópico trabalho. Mas ainda haveria  pela frente soberbo e pesado trabalho. O não saberem  que a Ria não tinha fundos suficientes para engolir o calado do «Desertas», ainda que vazio, causa-me perplexidade.(que raio de engenhocas?!)
Ainda bem ,porque por via desse desconhecimento, «nasceria» a necessidade de abrir, na Ria, o «Canal do Desertas». Canal que permitiu que aquela se mantivesse navegável, durante  mais de um século. Até à recente intervenção levada a cabo no Séc.XX.
 
Para os que quiserem conhecer a interessante «estória» do «Desertas», «estória» recheada de pressupostos e intrigas, e até bombardeamentos de um navio que, dizia-se, estaria carregado de armas(para uns), de volfrâmio(para outros),e afinal vazio, aconselho a leitura do livro :
 
 
 
 
                                       
.
                                                      «DESERTAS »na praia 
 
do  livro « Costa-Nova-do -Prado-200 Anos de História e Tradição» p 179 e seguintes. Ou o interessante trabalho em vídeo de Rui Bela.
 
 
 
 
                                                  
 
MAPA PERCURSO «DESERTAS»
 
 
 E a propósito: bem lá colocámos, naquele local, uma placa Comemorativa.
 
 Pensando que a CMI dela cuidasse.....
 
SF
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, março 14, 2014





       Mapa da Villa de AVEIRO- 1696


  Mais vez vindo do espólio de RUI BELA, foi-me enviado este mapa.

  Muito embora já o conhecesse, e até já referido, e em parte descrito, nunca chegou às minhas mãos de um modo tão claro.




 
 
 
Verdadeira preciosidade:
 
          1- Podem-se apreciar as portas da Villa, numa época em que Aveiro, tinha já atingido notável desenvolvimento mercantil.
            2- Muito curiosa a Rua da Fonte-Nova, que ladeava as muralhas junto ao cana do Cojo; e neste o ilhote do Cojo.
            3-Perfeitamente identificável,o canal que virá a ser chamado dos Botirões, e a Rua de S.Gonçalo.
             4-  Também nítida, a Ribeira de Vilar.
 
              5- Notar que o canal Central tinha o nome de Canal das Azenhas ,e neste havia já o cais das barcas(mercantéis).
 
Enfim ,cada um pode obter o mapa, e  deixar, depois,  que a sua curiosidade por ele navegue.
 
 
No próximo Blog ,aparecerá nova  curiosidade, com a mesma proveniência.
 
 SF
 
 
 


quinta-feira, janeiro 30, 2014


Exame da  Prostata

Andava mijando errado
Com a urina em atraso

Era uma gota no vaso,
Três ou quatro na lajota

Quando não era nas botas,

Nas cuecas ou no selim,

Ou mesmo mijando em mim!
Que tamanha porcaria
E o meu rico parecia
Uma mangueira de jardim
 

O pensamento passava
O pau não obedecia
Quando a bexiga enchia
Eu mijava a prestação
P’ro banheiro em procissão.
Uma ida atrás da outra
Numa mijada marota
Contrastando com meu zelo:
P’ra beber era um camelo
P’ra mijar um conta-gotas
 
Depois de passar um bom tempo
Convivendo com esse horror

Fui procurar o  Ricardo, doutor

P’ra atender meu pedido

Julguei me desse algum comprimido
P’ra empurrar, goela abaixo
Tenho a certeza não acho
Que antes que eu prossiga
É importante que diga
Que não deixei de ser macho

 
Mas agora voltando ao caso
É natural que reclame,
Depois de um monte de exames
De urina e ecografia
E até fotografia,
Da minha arma de trepa
Me pôs a baixar
Ajoelhado em penico
Enfiando-me  um troço, no dito
Que me dói só de lembrar.

Ainda dei o meu sangue
P’ra vampira diplomada
E pensei : tinha acabado (!);
Só me faltava a receita
Eu já tinha ideia feita
Ponho-a  no bolso… e adeus doutor,
Recupero o mijadouro
Não sonhava concluir
Que alguém  iria invadir
Meu buraco expulsor.

Fiquei por isso lixado
Apanhei mesmo tremendo choque
Quando me falou em um toque
Que achei desagradável;
Para macho é coisa impensável
Um dedão(!) furando a vaga.
Vejam pois o meu dilema
É o pau que dá problema
E meu cú é que o paga.

 
Tentei todos os argumentos
Esquivei-me o quanto pude
Mas…se é por bem da saúde
Não me deve fazer mal
Expor assim meu anal,
A fazer papel de mulher
É coisa que a gente não quer;
Mas de acordo (?) com os planos
 fui abaixando  os panos,
Salve-se lá o que puder.

 
De cotovelo na mesa
E com o rabo empinado
 No meu cú não entra nada
Nem dedinho apertado…
Mas o dedo estava treinado
Acostumado a furar
E eu que nunca dei as costas
P’ra desaforo de macho
Pensava de cabeça p’ra baixo:
O pior é se da coisa  gostar.


Pra mim foi mais que  estupro
Aquilo entrou ardendo
E fiquei então sabendo
Como se caga p’ra dentro.
Aquele dedão nojento
Que fere sem piedade
E me entra:  que barbaridade!
Foi alívio quando saiu
Garanto p’ra quem não viu
Que não vou sentir saudade

Enfiei as calças ligeiro
Com vergonha e bem corado
Vai que o doutor abusando
Sem pena das minhas pregas
Chamasse um outro colega
P’ra segunda opinião
Porra !....apertei o cinturão
Fiz uma cara de bravo
Dois mexendo no meu rabo
Alto( !): isso seria diversão.

 
Depois daquela tragédia
Pior p’ra mim não há
Não comentei com ninguém
P’ra evitar falatório
Se me falam em consultório
Fico logo  cheio de medo
E disso não faço segredo
Da macheza que  alardo
Mas cada vez que eu cago
Lembro-me logo do tal dedo.

sábado, janeiro 25, 2014




A «ílhava» - Parte III

Tenho sido interrogado com alguma insistência, sobre se a «ílhava» ia por mar para Lisboa (?). Creio que a leitura de algumas referências trapalhonas, pouco assertivas (quase nunca!), cheias de confusão e  certa ignorância, têm permitido a  duvida.

É do conhecimento, registo, e até fotos, a construção na Laguna de «Varinos», «Barcos de Água Acima», «Fragatas» e «Enviadas»[1], na área Lagunar. As quais eram levadas para Lisboa, na chamada aventura de «varar o mar» de que há muitas (e excelentes!) referências. Eram embarcações de tonelagem já elevada, embarcações quase fechadas, de borda alta, de 40, 60, 80, até 120 ton. (leia-se tonéis)


                             
               Enviada (Gravura Ilustração Portuguesa -Diniz Gomes)

Era nestas embarcações que se aproveitava para carregar lenha, sal, peixe… e claro as bateiras abertas, embaratecendo o frete. Nestas e nas de cabotagem…e até nos lugres do bacalhau. Há até fotografias de um Varino carregado com duas bateiras no seu tombadilho.

 


                                                                Varino com duas bateiras

A ílhava era uma embarcação de baixo pontal (60 /70 cm). Frágil e completamente aberta.Sem qualquer reforço longitudinal. Os «ílhavos» eram gente irredutível que só tinham medo do santo cair do altar. Mas não eram loucos…

Por outro lado a capacidade real  (de segurança)  de carga da «ílhava» não ultrapassaria as 2,5 a 3 toneladas. Não confundir esta com a arqueação, coisa como sabem, os que da matéria mais do que a simples Wikipédia, é coisa bem diferente. Se nem lastradas quanto mais carregadas com 5 toneladas ????????

Por isso embora pudesse admitir que nas idas para o Douro, a viagem pudesse ser feita por mar, não há um único registo que prove a loucura de a levar até Lisboa.

Esta é a minha convicção…. A convicção de quem preparou a viagem de um «moliceiro» a Lisboa… mas concluiu pela loucura inconsciente de tal aventura (ainda que acompanhada, em viagem de conserva) .
A outra hipótese é boa para urdir lendas… tão só.
Bem, concluindo:

 Ílhavo começou a contar a sua história pelo princípio (que nada tem a ver com o seu (embora) bonito, mas delirante Brasão).

O MMI, os AMMI, todos os que viveram este projecto, estão, pois, de parabéns. Agradeço a oportunidade que me deram de comprovar que estava certo. O que nem sempre sucede a quem pede demasiado à vida e vê muitos projectos seus, mortos e enterrados na gaveta. Nas felicitações destaco o mestre Esteves que não me desiludiu (bem pelo contrario) a família Marco ( e desembaraço e paixão da mulher e filhos, por estas coisas, e o entusiasmo e qualidade de trabalho  fotográfico da Etelvina  Almeida. A AML foi boa companheira de jorna,e creio que para ela foi uma boa fonte de aprendizagem, com os constante s apontamentos e registos, feitos. Do Cap. Marques da Silva já falei acima. Simplesmente impecável. E por fim o entusiamo do Presidente dos AMMI que viveu a o «feito».   

Agora que todos se agarrem à matéria e corrijam, melhorem, ou refaçam, o que outros até aqui fizeram.
Levem-se por mim: há sempre a possibilidade de melhorar os nossos conhecimentos. Façam-no!
SF 




[1] A palavra «enviada» foi confundida generalizando-se a qualquer embarcação ida da Laguna. Mas «enviada» era no Tejo um tipo próprio de embarcação, barco redondo de quilha, e vela bastarda.


 
 

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...