sábado, agosto 15, 2015




Nota .este blog é pessoal, e por isso ,de relativo interesse, senão para a sobrinhada. Lerá quem o quiser faze ,depois de avisado)


Eu e …. a Srª do Pranto

       




 São em alguns momentos contraditórias, as lembranças que me ocorrem com o festejos da Srª do Pranto, acontecimento religioso-pagão, desde sempre muito ligado à minha família paterna: os Fonsecas.Naquele tempo em que a família era como que um clã.


Não tive a felicidade de conhecer o patriarca, o Prof. Fonseca, meu avô, homem de uma personalidade muito vincada e própriaOnde a dureza, a exigência e a ética, atingiam valores de excepção (até excessivos,ouvi alguns queixarem-se...). Dele ouvi relatos que muito influíram na minha postura perante a vida. Muito ligado ao Convento, à Capela e à sua remodelação, professor da segunda Escola de Ílhavo, sua propriedade (como o eram as Escolas dos Moitinhos e Gafanha de Aquém) o Avô foi um dos maiores de Cimo de Vila. Este «maior» ,era um apelido advindo de uma célebre história.O da construção da estrada Ílhavo –Gafanha da Maluca, que se pretendeu ser financiada pelos «40 maiores», expressamente convocados para o efeito. Ora, o maior dos maiores, era então, dizia-se, o Padre Manuel Nunes da Fonseca, meu tio avô. Vamos lá saber como o Padre arranjou tal fortuna, e como a transmitiu. Nunca me falaram de tal história.
A Família esteve sempre envolvida nos festejos em honra da Senhora (a pietà à portuguesa).

O meu tio Avô, «Manel», era um exímio tocado de concertina. E para lá disso, um «cantador ao desafio», de excelência. Parecia ter resposta para todos os introitos colocados na contenda. Das redondezas vinham cantadores afamados, para se «bater» com ele, em público, em local aprazado. O Tio «Manel», era o homem que guardava o «Arco da Festa», e era na sua imensa eira que o mesmo era, anualmente reparado. Matador de porcos (para lá da sua lavra),quase que diríamos, oficial publico do ofício, a cegueira fê-lo passar as facas ao seu filho único, meu primo Manuel Fonseca. Com a recomendação de, mais tarde, elas passarem para o mais novo Fonseca. Que era eu!!!...ora vai-te …eu que não me atrevia a matar um frango, ia um dia manusear aqueles facalhões (?!)….O pior é que a família parecia acreditar. E sempre que havia matadela, lá tinha eu de ir ajudar o Manuel a limpar(lavar os gorgomilos) ao pobre bicho, a ver se estava bem amarrado pelo pernil, segurar-lhe bem o «pezunho» encolhido, e ver o espectáculo horrível do facalhão …uma…duas…três vezes…. ir buscar todo o sangue ao animal. Não aquilo não era espectáculo que me animasse a desejar ser, o herdeiro das facas ,Se bem que demonstrasse nata aptidão para com elas proceder ao desmanchar do porco.




 Bem voltemos à Srª do Pranto…

Até certa altura tudo lindo. O pior é que, chegada a idade dos namoricos, estivesse onde estivesse, houvesse o que houvesse – e quase sempre havia: – regatas, bailes etc. etc. – eu teria de comparecer, ainda que a mau gosto, em Ílhavo.E por ali ficar todo o tempo da festa.

Para lá da parte religiosa, em que não era obrigado a participar – à excepção de uma ou duas vezes acolitar o Padre Ângelo, na missa –,os festejos tinham o seu cartaz de marca, que os distinguia na emulação bairrista com os de «lá de baixo», especialmente na degustação excessiva de vitualhas e iguarias. Senhores de grandes e fartas casa, andavam de uma para a outra, em visita «às capelinhas» dos «primos», parecendo que já não se víam há anos (quando o mais certo era terem lá estado na semana anterior).Só que agora em visita mais demorada, com ida à «mesa da cozinha de dentro», se o «primo», nesse ano, tivesse recebido a «vara de Juiz».


Em casa dos meus Avós, alinhava-se uma catrefa de caçoilas pretas ,onde o «chibo» era cozinhado com todo o saber e arte:
 -Oh Virgínia (a cozinheira) cuidado :olha que o Sr Dr. é muito esquisito no carneiro. Oxalá que o Alpoim(o fornecedor do animal) ,nos tenha servido bem. Ferveu bem, na hortelã? E esta era fresquinha, bem cheirosa ?

Eu, rapazola atrevido, estava (muito) mais interessado no peito farto e eriçado da Virgínia, do que propriamente nas caçoilas. E ia fazendo de conta que estava a «vigiar» as ditas...
As caçoilas depois de prontas, muito tempo antes da festa. Eram então ensacadas, e depois penduradas na frescura do poço. Um enorme poço que mantenho ( embora sem as caçoilas….).

O almoço de 15,tinha lugar na «casa da Escola», em Cimo de Vila, no pátio enorme, debaixo de frondosa parreira.Reservado à Família mais chegada. À noite vinham jantar os amigos ( Dr Amilcar, Teiguinha, dr Julio Calisto, Tio Dorindo etc. etc.) Em qualquer das comezainas lá estava a caçoila, depois de previamente fervida três vezes (duas antes de ir estagiar no poço,e a ultima ao ir para degustação. Tinha de chegar à mesa, a ferver, em cachão. Senão era logo recambiada.

À tarde era a procissão.



 As Irmandades ladeavam os anjinhos de vestimenta a condizer, onde pontificavam as asas brancas.Que era imaginado levá-los a passear pelo céu. Vinham os andores, enfeitados, jardins prodigamente floridos, sendo o da Senhora, o último. Era seguido pelo «pálio» que albergava o Priorado, conduzido por figuras gradas da comunidade. A banda marcava o compasso,seguida por multidão que engrossava a fileira dos adeptos do Orago.

O andor….


....tinha acabado o sétimo ano, e comigo, o Zé Balseiro, o Malaquias e o Álvaro, rapaziada estudante de Cimo de Vila. Convencidos do bom olhado do Orago, todos prometemos, se as coisas corressem bem, levar o andor na procissão. Quando fomos buscar (a miniatura... veja-se bem!!!!) à «Capela do Morgado da Srª da Nazaré, constatámos que apesar de miniatura, a Senhora ( que diziam ser uma réplica pequena) era toda feita de pedra de granito, tendo um peso de se lhe tirar o chapéu. Vamos desenrascar isto… e se bem o pensámos, logo o fizemos A primeira coisa foi tirar as costas, à dita, substituindo-as por palha. Ainda por cima a procissão, nesse ano, ia dar a volta ao Cruzeiro (o que nem sempre sucedia). E lá começámos …o nosso calvário. Levar a Senhora a percorrer as vias sacras do Cruzeiro, vir à Igreja Matriz, e voltar a Cimo de Vila. Foi um caso sério. Eu e o Malaquias, à frente, mais baixos, apanhávamos com o peso, acrescido da componente da deslocação inclinada. E por vezes andávamos aos baldões. Foi preciso recorrer aos garfeiros (?,)amiúde, para nos acudir (devem ter um nome próprio, as varas com a muleta para pousio nos momentos de paragem, metidos nos varais).
Lembro-me que só não chorei por vergonha. Mas raios (!), um «Fonseca» ir-se abaixo das canetas (?!), era miserável. Depois soube, que, afinal, todos estivemos com vontade de desistir. Mas pela mesma razão, por respeito aos nossos nomes, cerrámos dentes, retesámos músculos e levámos a Senhora, sã e salva, a bom porto…(ando a descontar pecados desde então…).À noite estávamos todos encangados, a tratamento de pachos quentes, para safar as pisaduras. Aí pensei seriamente no sofrimento de Cristo a levar a cruz ao calvário...


O arraial da festa tinha lugar à «sombra» do Arco imponente.




                         Excepcional foto de Manuel Fernandes



As tendinhas dos bolos (suspiros – de que eu gostava particularmente –, bolos de gema ,cavacas, etc.); as tasquinhas de «comes e bebes», a mesa da vermelhinha (onde eu perdia tempo para decifrar o enigma),a quermesse, o balcão do tiro às latas, eram locais por onde o povo ia gastando a noite.Pelo ar havia uim cheiro a querosone, que fedia, das lamparinas que davam a luz mortiça e tremula, á mesinha da venda. 

                             Lamparinas a querosone


 Lá para as 11 da noite, havia o ponto mais esperado: -o concerto das bandas. Entre os temas reproduzidos, os assistentes deslocavam-se de coreto em coreto (lembra-me de ver a Musica Velha, sob regência do Prof.Guilhermino, e a Musica Nova, sob a batuta do maestro José Morgado, em franco despique, a levar ao rubro a assistência.Sucedendo, não raro, o desforço físico,numa sarrafuscada do caneco !),para melhor ouvir os acordes(e as desafinações…).Os maestros –ouvi dizer– tinham estratégias delineadas: logo que uma das bandas tocava uma peça de determinado grau de dificuldade, logo o outro contendor ripostava, atacando com peça, ainda (!) de mais complexa execução. Durante a exibição de cada peça reinava um silêncio sepulcral; no final, as palmas . A intensidade e duração das mesmas, levaria ao reconhecimento do vencedor do duelo.


O dia seguinte era o que mais me atraía ao largo da Capela. Era tempo para divertimento popular: foguetes que ao explodirem soltavam bonecos de papel que voavam; lançamento de cavacas à multidão(tipo S.Gonçalinho). Subida ao mastro encerado para trazer o bacalhau. O puxar da corda, a corrida de sacos, a disputa do jogo da malha etc. Este jogo popular, vindo das calendas do tempo, era praticado por equipas espalhadas pelo Concelho (ou fora dele ), que aprazavam jogos aos fins de semana, exibindo os jogadores virtualidades de precisão incríveis. Onde o posicionar do corpo, ligeiramente agachado, pés, um atrás do outro, braço esquerdo estendido servindo de equilíbrio ao braço lançador, era um espectáculo de rara beleza, em que apenas no golf encontro sincronização tão exigente.


No jogo da corda a equipa que contasse com o Carlos Fonseca era a ganhadora; o Carlos, meu primo, filho do Manuel, era um verdadeiro Apollo. Forte como um touro, de uma força braçal incomensurável, tronco hercúleo num corpo de quase dois metros..., não me recorda de alguma vez ter visto outra tão colossal figura

E VIVA A PÁTRIA!!!!!!
 

Exultava a dançar, a encolher e esticar o fole da concertina, comandando o trio de exímios concertinistas; o exímio tocador, o meu tio, o Velho Ti Manel (com os seus 82 anos) , puxava pelos concertistas: o seu filho Manuel Fonseca, e o meu pai ,também de seu nome, Manuel Fonseca. Lá em casa só eu é que desbotei….Nem bombo nem ferrinhos...coisa nenhuma....


Com o tempo, veio o desmembrar da família. Já praticamente só resto eu.
Cada vez mais, me fui separando do meu sítio. Tenho lá a casa dos meus ancestrais, que tento manter una. Difícil. E na certeza que comigo ela desaparecerá. A não ser que uma Instituição promova algo de concreto e e sólido, e a requeira. Ao visitá-la, vem-me à ideia o percurso onde me fiz homem – com montes de virtudes e mais defeitos –, e onde bebi que o gesto de Cristo, de oferecer a outra face, é lindo mas inútil. A todo o acto de violência, venha de onde, ou de quem vier, reage-se de que maneira for, mas reage-se. Entre a espada e a parede…a espada.  

Este ano fui observando os esforços de dar, à festa, uma nova roupagem. Depois de uns anos de esquecimento, obra do «troglodita esteves», que no meio da pipa de massa que andou a desbaratar, nem uns míseros tostões encontrou para a recuperação do Arco ,as coisas mudaram com o apoio de uma Junta, finalmente, a marcar a agenda em Ílhavo. O outro peralvilho, nem sabia que o «arco da Srª do Pranto» é mais genuíno, que o encomendado, delirante e fantasioso, brasão de Ílhavo.



Já se foi. Bons olhos o vejam. Entretido a dar cabo da cultura dos cagaréus.

Uma Comissão genuína, interessada e devotada à tarefa, ofereceu á parte pagã da festa, uma nova vestimenta.


                                 O «Novo Banco» da Cidade

Interessante união de gentes em volta de um projecto disposto a dar vida a uma parte da cidade onde restam, ainda, uns interessantes tiques do passado. Reavivar esse historial, recuperar tradições, unir gentes,é uma tarefa de grande interesse social. Certamente que a continuar surgirão novas ideias e projectos.

Bem o merece :um lugar de gentes diferentes.

SF


 

 

quarta-feira, julho 15, 2015


Deixa  ficar um pouco mais de Ti

 

 

Olha amor!

As coisas esta noite

Não têm de acabar desta forma,

Nem desta maneira.

Vá (!)... deixa aqui ficar

Um pouco mais de ti.

E dá me as carícias

Abre-me o portal

Do  teu palácio escondido

Sob a gramínea negra do teu púbis.

A noite dorme lá no alto;

Deixa correr o tempo

Que o sol acorda tarde.

 

 

Dá-me tempo para me perder

Na orgia dos  teus jardins  de areia,

Onde o mar se vem consumir na pedra

para nela adormecer.

Nas conchas das minhas mãos

Deixa-me agasalhar  os teus túmidos

Seios

Deixa que a noite adoce o arroxeado

Das suas pontas   

Para eu saciar a minha guloseima,

Perdido por entre os vales

Inocentes do teu peito .

Por onde ao entardecer

A  maresia parecia correr  apressada

Trazendo-me o ar quente feminino

Do teu coração, pois tu e só tu

Podes  ser a dadora  secreta

Do transplante dos teus sentidos

Para mim, que por julgar te perder

Quase morri.

 

 

Morrer de amor... não é morrer

É entardecer ao amanhecer

É sentir, descontente,

O contentamento da suavidade cristalina

Dos sentidos.

É um momento único

Onde até o ar, amiúde, dói

Diluindo as metáforas

Das doridas despedidas.

                  ..................

                  Ah! a tua mão

                   Nua, inquieta, nervosa,

                   Procura

                   Quase clandestina,

                   Algo onde se  abraçar.....

                   Percebo que abri autoestradas no teu coração.

                    Por elas vão os meus dedos passear....

                   Vou-me imolar no  fogo

                    Que corre do teu  ventre

                     Quente.

                    

 

SF. 15.7.2015


 

terça-feira, julho 14, 2015


«Ecos e Sussurros» dos Mares do Norte

Valdemar Aveiro em Bueu....

 


Acabada a prédica sobre a epopeia «dos bacalhaus» e quando me preparava para vir para o Hotel, enquanto o Valdemar  atestava, autografando, os livros adquiridos pelos «bueus»,  galegos, que deparo no r/c do museu Massó, com uma longa mesa onde se alinhavam  vitualhas, verdadeiras   iguarias que o Valdemar, sempre um gentleman, providenciou  em oferecer aos convivas: bolos de bacalhau, pataniscas ,línguas ,carinhas fritas. E tudo regado por um excelente e genuíno Dão, provindo da lavra do Editor.

Gostaria de descrever os elogios tecidos àquelas «tapas» excelentes. Caso para dizer : bué(u) de bom ....como hoje é moda, no léxico da rapaziada. Era um «lufa-lufa» ...um «chega-te para lá»....  no intuito de cada um chegar á distância de uma «braça», o suficiente para agarrar um bolo de bacalhau, e ou.....

Enquanto isso ...

O Valdemar lá continuava ancorado, rodeado de leitores interessados, livros na mão, postados em fima indiana, aguardando o autografo do ilustre palestrante.

Bonito serão. Que fez muito de promocional da nossa região.

SF

segunda-feira, julho 13, 2015



 

«Ecos e Sussurros»   do mar do Norte...na Galiza....
por  VALDEMAR AVEIRO

 
O Capitão  Valdemar Aveiro, um amigo de velha data, desafiou-me aqui há uma semana a, com o Rui Bela, fazermos um documentário sobre a pesca do bacalhau.O Valdemar ia fazer a apresentação dos seus livros, a convite de uma Associação de Capitães pescadores de BUEU (Galiza),mais propriamente  no Museu  Massó, e gostaria de ter um «pano» de fundo

A tarefa, dado o momento, não era fácil(no tempo disponível ).Mas ao Valdemar não podia dizer que não.

Convidado o Rui, pusémos mãos à obra(muito mais ele que eu ,claro...).

E na passada sexta feira rumámos à Galiza.Mais propriamente ao Porto Pesqueiro de Bueu..

A pequena Villa encanta. Umas praias magníficas banhadas por uma água caprichosa de um verde esmeralda de encher o olho, aqui e ali tingido por um azul safira, num degradèe verdadeiramente estonteante. Águas calmas, interiores, já bem longe das Islas Cies, banhando um areal  soberbo. Um «pueblo» tipicamente  galego, onde a cada passo se tropeça num bar onde no «altar» se podem  degustar umas excelentes tapas acompanhadas  de um soberbo e fresco  «albarinho». ali mesmo junto à praia. Ao centro do areal um pequeno estaleiro (a abarrotar!)  de embarcações de pesca da costa. Mais ao lado,  uma pequena marina e um ancoradouro exterior, onde amarram dezenas de embarcações tradicionais. O sítio deslumbrou-me, e jurei lá voltar.
 
                                   
                                                                   Villa de BUEU

Em Bueu  existe um Museu -o museu MASSÓ- museu náutico interessante, albergado num edifício de antologia. Que uma família rica doou ao Município para tal finalidade. No frontispício, duas pedras graníticas, imponentes, exibem em baixo relevo uma  nau e  uma caravela, quinhentistas, identificando o local.

Bueu é  uma praia  que « quixo facer honra do seu nome. Unha salgadeira ,um forno alfar e um tipo especial de ânfora ,gardan  a memória de intensa vida deste lugar na época dos romanos. Co passo do tempo das salgas, deram passo às conservas», lê-se num folheto local.

«Bueu», é pois, a designação de uma ânfora romana.

 

                                                

                                                                   «BUEU»

A história de tão cativante lugarejo, está ligada ao domínio peninsular romano, pois ali existiu uma fluorescente industria de olaria ,cuja peça  mais notória recebeu a designação de «bueu».E a afamada (e bonita!) ânfora deu o nome ao lugar.

Voltemos á apresentação de Valdemar Aveiro...

Às vinte uma horas  a sala do auditório  do museu Massó estava repleta de interessados em conhecer,  ouvir e partilhar com o  autor da série de livros (são ja quatro)  os «ecos» duma história vivida de pescador do bacalhau, primorosamente trazidos à memória recente. Muitos à falta de lugar, enchiam o corredor de acesso. Meia dúzia de conterrâneos nossos, fizeram gala em mostrar o apreço por Valdemar Aveiro,e compareceram. E nem faltou um caprichoso e galhardo «Confrade  do Bacalhau», trajdo a rigor, despertando a curiosidade dos que olhavam aquele insólito gabão, num dia quente estival, quase intolerante. A vida de confrade «oblige»...ou julgam que é só andar nos «comes e bebes»?
                      
 
 
                                      Um  «Confrade» a rigor...e um «paisano»
O que mais me impressionou foi o interesse demonstrado,as muitas perguntas a que Valdemar com a sua proverbial ,pausada, e lucida eloquência, soube dar. Dando-se ao luxo de exibir um curioso sotaque, e  até léxico, galego. E encheu ...a rede....

 

                                       


                                            VALDEMAR AVEIRO a «dar o lanço»

 Mas acima de tudo gostei,porque o que  me foi dado assistir, está nos antípodas do observado em «outros locais», onde não vislumbro essa camaradagem. Nem  o carinho que muitos colegas de profissão, hoje também eles retirados da faina, mostraram ,em Bueu, por Valdemar  Aveiro. Quer elogiando-o como um excelente  profissional, mas acima de tudo, muito singular e relevante, pelo seu  carácter de camarada solidário, sempre pronto a ajudar.


 

                                   


Amigos, camaradas e....curiosos.

(cont)

domingo, julho 05, 2015


 E o «Costa-Nova» navegou......

Hoje a Ria vestiu-se a primor: a embarcação «Costa-Nova», pediu-lhe licença para um passo de dança, no seu majestoso tablado.

Um tango?

Nem por isso: vento de 25 nós, vaga forte, marés vivas, vaga empolada: a «catraia» atrevida, entrou...e... mostrou-se: elegante, de linhas tão suaves que não se sabe onde começam as redondezas e...se vão esconder as «entradas»... (de águas, seus malandros viciosos !!!!).

A «catraia» é atrevida. Gaiata e gosta de fandango, saracoteando-se ao mais leve afago que lhe indica o rumo.

Parece querer fugir, e logo volta, rosa encravada nos lábios, ancas bamboleantes, olhar guloso, sem pedir «amuras» só a pedir:

– Dança comigo: as coisas vão e não voltam mais... não.. não te queixes que não há vento. Há vento sempre que um homem e uma mulher quiserem...
 

 
Gira …gira...coração...

Vem dançar a música da vida

Que já não sabes tocar

A tua deusa...é a mulher ausente

 Vestida no meu corpo presente

Não… não a quero trair

Nenhum beijo traduz

Ou atenua

A fome desse corpo imaginado.



SF.  


 

sábado, junho 20, 2015



Canção da noite...

 

Noite  tardia

A entrar porta escancarada

Nos meus loucos

Sentidos,

Ainda despertos.

A penumbra cai sobre a ria

nesta hora morta de fim de tarde...

Penso em ti,

E na loucura das vezes em que

Me acordavas

Só para eu te dizer:

Dorme,

Que  eu deixo o meu coração

A teu lado:

Sei de cor

A côr dos teus olhos

Os embrulhos do teu cabelo

A quentura dos teus beijos:

Dorme---

E tu pousavas  as tuas mãos

No mais profundo de mim,

A procurar o caloroso alento

do meu corpo ardente.

 

 

Tu não saberás, nunca(!)

Amor...

Como hoje peno

O beijos  que  deixei  arder no tempo,

 E o tempo que não tive

para morrer  dentro de ti.

Assim era bom «adormecer»...

Meu coração

No teu aconchegado.

 

 

SF

 

terça-feira, junho 16, 2015


 

FREDERICO DE CERVEIRA

 Recebi de pessoa amiga(e minha parente) um exemplar de «Os Sucessos»,de 22 de Janeiro de 1921,em que em  na primeira e segunda página, se dava conta  do infausto acontecimento que foi a morte do distinto ilhavense, Dr. Frederico Cerveira.
 
 

 
Dr Frederico de Cerveira
 
  Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Frederico de Cerveira casou com a sua prima, D. Henriqueta Maia(filha do ilustre  Maia Alcoforado, dono do Palacete dos «Maias Alcoforados»).


                                                                    Brasão Dos Maias Alcoforados

 Distinguia a D Henriqueta ,o ser uma piedosa Senhora ,pródiga em ajuda aos pobres, deslocando-se semanalmente ao terreiro onde mais tarde se ergueu o Mercado Municipal, por Diniz Gomes.E nesse local distribuir esmolas aos necessitados que ali vinham esmoçar. E quando dava por falta de algum, a D.Henriqueta  mandava a esmola a sua casa .Por isso, no historial de Ílhavo ,esse terreiro foi por vezes conhecido, por «Chão dos Pobres», confundindo-o com a verdadeira história da Viscondessa de Almeidinha(outra prodigiosa  benfeitora).

Ora como referimos ,Henriqueta Maia casaria com Frederico de Cerveira. Este apoiava e incitava a sua Esposa para tão virtuosa acção. Refere «Os Sucessos`», que  Cerveira  era um desvelado protector da pobreza, que exercia às ocultas aquela sublime virtude, enxugando muitas lágrimas ,mitigando muitas dores ,levando o conforto a muitos lares sem pão. Era um bom e um justo!

Anualmente, em dia certo ,franqueava  os portões de sua casa, para aí oferecer um lauto bodo aos pobres da Vila.

Frederico de Cerveira conseguiria o que o seu sogro nunca conseguiu: ser Presidente da Câmara Municipal deÍlhavo.

Nas obras que à frente da Edilidade lhe são atribuídas, conta-se a estrada da ligação de Ílhavo à Costa-Nova.Importante via de ligação que muitos benefícios trouxe às Gafanhas, mas e também,  a toda a gente que diariamente se deslocava  àquela praia, para aceder á labuta das companhas-E para os muitos almocreves, que percorriam a mesma ao amanhecer, a reservar boa compra. E ao entardecer, por ela partirem com os seus burricos carregados da bela sardinha, depois de afagado o estomago com uma bucha , recobrado o ânimo de caminheiro das tortuosas e escuras  veredas serranas, com um bom copo de tinto bairradino ,cobrado no altar da loja de fim de linha da velha Ti Norta. Que os jericos ,esses !,tinham estagiado o dia no alpendre da boa velhota que lhes distribuíra fresca ração, retemperadora  das andanças das idas e vindas ,sempre em correria desbragada.

Ainda o céu não garimpara lá no serradio do Caramulo a iluminar o cuidador das almas, o  S. Giraldo, e passada a nova ponte do Juncal Ancho, era já um corrupio de gentiaga, que a pé, em conversa animada ,passo miúdo muito lesto, em grupo de conversados, procurava apanhar a primeira barca da alva, do Ti Labareda.  

Foi ainda a Câmara de Frederico de Cerveira que adquiriu o terreno  contiguo ao «Casarão dos Pinto Basto», onde mais tarde se instalou o Mercado Municipal.

Frederico de Cerveira foi, depois do cargo exercido, convidado para Governador Civil. E ainda  para Deputado da Nação, tendo recusado um e outro, pois não se sentia bem afastado da Família e das suas gentes.

O casal Henriqueta Maia e Frederico da Cerveira não teria filhos  e o seu Palacete foi parar às mãos do seu médico familiar Dr Ritto.


Ílhavo atribuiu, à rua que vai da Igreja  Matriz (antigo Passal),  a Alqueidão (desembocando no Palacete ), o nome de Frederico de Cerveira, assim o homenageando .Talvez muitos não saibam, contudo, é que nessa rua existiam dois pontões de pedra, em tudo  idênticos á chamada «ponte romana da Malhada», servindo para passar por cima do Rio da Vila.

David Rocha (excelente poeta ilhavense) dedicou-lhe poema enaltecedor

                       (....)

                    Ai quantos infelizes tornarão

                    A ir bater  à porta do Solar

                    Na ilusão que há-de vir ainda

                    Alguém na sua miséria atentar

 
                    Mas não encontram já seu Benfeitor!

                    E ali só vem a voz da eternidade

                   Dizer que aquela casa triste e só,

                   É um passado morto e uma saudade!....

SF



domingo, junho 14, 2015


AML   homenageada pelo CHIO.PÓ.PÓ

 
O Chio-Pó-Pó ,vestuta e original comandita, sarcástico -politiqueira, ficou nos anais do historial de Ílhavo .E nele perdurou como referência carnavalesca para mascarar de ridículo, o sério,  por vezes mézinha irónica,  purga de grande efeito.   

Nascido num tempo de agonia monárquica, o CHIO-PÓ-PÓ é hoje, depois de outros caminhos ensaiados(mas e também louváveis) uma Associação com um programa diversificado, sempre preocupada com uma intervenção de cariz marcada, e preocupadamente, interventora- cultural .

Na sua  ultima iniciativa(ontem ) trouxe ao palco para  render  justo destaque , a  ilhavense Ana Maria Lopes.E louvar com os seus amigos e admiradores ,o que aquela tem feito pela cultura ilhavense..

Antes de opinarmos sobre a homenageada, permitam-me que saliente como, muito salutar e original,que o CHIO-PÓ-PÓ ,nestas suas iniciativas ,junte aos «velhos da praia» -que já não trazem surpresas  nos gestos, nem nos feitos! -novas promessas..Gostei desta nova gente que envereda por uma  nova musicalidade, longe do facilitismo serôdio,desbravando novas experiências   onde o erudito se mistura com o novo ( bach com variações).E  até com o «novo» de criação própria, destes ambiciosos jovens.

Sempre acreditei que Ílhavo tinha(tem...) novos jovens capazes de ombrear com os «velhos.Não do restelo ....mas da cidade da nocha»».

Mais do que fazer o caixote do CCI, Ílhavo deveria ter-se preocupado  em criar bases de apoio para esta geração.  Apoiando merecidos autores, fosse no campo da escrita, musica ,teatro, cinema etc.. etc. Mas isso era uma nova visão politica. E de politicos, estamos conversados.....
Parabéns  CHIO-Pó-Pó...e continuem....  

Ah!...sim...voltemos à homenageada..

É sem duvida um case study esta AML. Numa terra em que a mulher não costumava assumir relevo fora de casa -assim mandava o cardápio da terrinha- a AML projectou-se com um natural (congénito..) interesse pelas «Marintimidades».

Não sendo uma criativa, é uma excepcional e metódica «reparadora de... ». Coleccionadora de «imagens», muitas vezes só registadas no sensório. É uma etnóloga  com clara vocação linguistica .
Gosta de colaborar...em certas condições, claro.

Foi até hoje a única mulher  Directora do Museu. E durante a sua vigência, fez esforços e conseguiu,  que o Museu  assumisse cada vez mais, o seu pendor marítimo. Esforçou-se por privilegiar na sua mostra uma certa componente do historial lagunar(nem sempre com rumo correcto, em nossa opinião). E mostrou às escancaras a sua predilecção pelo «Moliceiro», de que viria a editar um interessante livro, rara colecção de painéis que sempre lhe despertaram, curiosa e apaixonada atenção.
Conheço-a particularmente bem. Para lhe enaltecer as virtudes e criticar os defeitos.

Aqui há oito anos apontei-lhe um :
 - Gostava que escrevesses com mais paixão, menos sujeita ao descritivo da imagem...

Não sei se ligou a tal...mas que ela sabe que hoje escreve muito mais apaixonadamente as suas «marintimidades» não tenho-não tenho eu ,e ouvi-o de várias bocas- a menor duvida.

  SF


domingo, junho 07, 2015


 

Vá ...provas..provas....

 Objectivamente não tenho razões para ter certezas  no caso Sócrates.

Lamentaria(revoltava-me ) se verificasse, um dia, que Sócrates terá cometido os «crimes» de que é acusado, no julgamento público  da Comunicação Social. Que não do Tribunal .Esse ainda vem longe-
Enoja-me desde já:

         1- Este sistema judicial,que usa primeiro a Comunicação Social ,e só depois tenta provar as suas teses. E que lenta ,mas inexoravelmente ,vai vendo ruir as loucas e desconcertantes noticias que cede (de que modo ainda o não sabemos, mas saberemos....)  na ideia de com elas  comprar a opinião publica. Denotando claramente uma cobardia  indigna de um sistema judicial de um país civilizado.
Andam há anos a vasculhar a vida do arguido. E ainda não tiveram tempo de formular a acusação de um modo concreto, assumido.
Compare-se  este processo com a acusação feita á FIFA. Um dia acusou-se e ao outro difundiam-se provas claras e inequívocas.

         2- Assistir a muitos antigos aduladores de Sócrates, agora calados, parecendo ter medo de falar do dito, dentro ou nas «beiras», do partido.
Ainda um dia os hei-de ver ,de novo ,a levar Sócrates aos ombros.

Que fique claro: se fosse Sócrates, nunca - mas nunca! - aceitaria a pulseira. Custasse o que custasse. A dignidade não tem preço.
Se a conjura (a cavala) politico -judicial ,fosse isso mesmo ,e nada mais do que isso, a negação a qualquer ilusória concessão,era a maior prova de inocência.

SF

 

 

segunda-feira, junho 01, 2015


 
 
A Rádio Faneca a despertar ....sonhos...
Entre muitas outras coisa (boas!) que a Rádio Faneca trouxe, para lá do intercambio entre gentes e lugares, gerações a quererem recordar cruzando-se com outras àvidas de saber, movimento de caras novas à descoberta dos nossos becos ...etc.etc.  a Rádio Faneca trouxe  para o palco, a necessidade que há muito reclamo, da recuperação da chamada «Drogaria Vizinho». Provavelmente uma das três mais famosas construções, com farto historial,  de Ílhavo. Ou melhor. Atrevo-me a dizê-lo :  com o maior historial....
 
 
Casa Sousa Pizarro
 
Aquela casa foi mandada construir por Sousa Pizarro, fidalgo  ,cavaleiro, homem de armas e feitos praticados ,com lugar na corte, casado com D Inês de Sousa Magalhães (filha mais nova de Cap.João Sousa Ribeiro) .Tiveram uma filha ,D Benedita ,que irá casar com o Visconde de Almeidinha .A Viscondessa D Benedita, foi a  figura  central da célebre história de bem fazer e grande  pratica solidária -«O Chão dos Pobres»).
A construção da casa é contemporânea à edificação da Igreja Matriz(como o é a casa da Sr SALSA em Cimo de Vila), tendo aliás traços  que se assemelham,  nas cimalhas, o que poderá significar que o autor do projecto terá sido o mesmo.
Viria mais tarde  a nascer nesta Casa senhorial ,essa figura ínclita de Ílhavo ,o Conselheiro José Ferreira da Cunha, um homem probo ,ornamento da magistratura publica, homem superior carácter, figura maior de Ílhavo .E do  distrito.
A história  deste edifício não ficaria por aqui :um grupo de  Ilhavenses, amantes de Minerva, compraram-no e entregaram ao Eng. Tavares Lebre a feitura de um belíssimo teatrino. Estreado com a peça «Camões no Rocio», onde acturam Eduardo Pereira, Rosa Gomes, João Barreto ,com   musica a cargo de João Carolla (que foi regente da «Filarmónica Ilhavense») O teatro tinha como pano de cena uma excelente pintura representando Egas Moniz.E no galerim a evocação dos nossos maiores dramaturgos(ainda hoje visíveis).
Dificuldades, levaram a que no salão se viesse a instalar o « Clube dos Novos»(outro baluarte histórico ilhavense), requintadamente mobilado. Um ambiente «dandy»,«chic»,«d'époque», muito conseguido, onde os sofás tipo inglês vermelhos davam um ar  de intimidade,servindo de pousio a uma nova geração irrequieta que sonhava já com novos tempos.
Mas e sempre as dificuldades acabaram por matar o sonho. E a sociedade acaba por se desfazer. E a casa  é então, comprada  pelo empreendedor  Sr. Vizinho.
Era pois neste edifício (em nossa opinião ) que  deveria ter nascido o CCI (recuperado o edifício em toda a sua beleza e dimensão).E  havia espaço anexo para muita outra coisa.
Se a Rádio Faneca conseguir despertar interesses para recuperação (deste sim!)Património Histórico, então a Rádio Faneca  terá cumprido a sua gloriosa missão.
 
SF
(quem quiser ter mais informação pode consultar  www.senosfonseca.com , clicar em «avançar» ....e escolher entre «Factos» ou «Figuras» o historial do «Chão dos Pobres», do «Recreio Artistico», de Conselheiro Ferreira da Cunha etc etc.)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aquela casa foi mandada construir por Sousa Pizarro, fidalgo  ,cavaleiro, homem de armas e feitos praticados ,com lugar na corte, casado com D Inês de Sousa Magalhães (filha mais nova de Cap.João Sousa Ribeiro) .Tiveram uma filha ,D Benedita ,que irá casar com o Visconde de Almeidinha .A Viscondessa D Benedita, foi a  figura  central da célebre história de bem fazer e grande  pratica solidária -«O Chão dos Pobres»).

A construção da casa é contemporânea à edificação da Igreja Matriz, tendo aliás traços  que se assemelham,  nas cimalhas, o que poderá significar que o autor do projecto terá sido o mesmo.

Viria mais tarde  a nascer nesta Casa senhorial ,essa figura ínclita de Ílhavo ,o Conselheiro José Ferreira da Cunha, um homem probo ,ornamento da magistratura publica, homem superior carácter, figura maior de Ílhavo .E do  distrito.

A história  deste edifício não ficaria por aqui :um grupo de  Ilhavenses, amantes de Minerva, compraram-no e entregaram ao Eng. Tavares Lebre a feitura de um belíssimo teatrino. Estreado com a peça «Camões no Rocio», onde acturam Eduardo Pereira, Rosa Gomes, João Barreto ,com   musica a cargo de João Carolla (que foi regente da «Filarmónica Ilhavense») O teatro tinha como pano de cena uma excelente pintura representando Egas Moniz.E no galerim a evocação dos nossos maiores dramaturgos(ainda hoje visíveis).

Dificuldades, levaram a que no salão se viesse a instalar o « Clube dos Novos»(outro baluarte histórico ilhavense), requintadamente mobilado. Um ambiente «dandy»,«chic»,«d'époque», muito conseguido, onde os sofás tipo inglês vermelhos davam um ar  de intimidade,servindo de pousio a uma nova geração irrequieta que sonhava já com novos tempos.

Mas e sempre as dificuldades acabaram por matar o sonho. E a sociedade acaba por se desfazer. E a casa  é então, comprada  pelo empreendedor  Sr. Vizinho.

Era pois neste edifício (em nossa opinião ) que  deveria ter nascido o CCI (recuperado o edifício em toda a sua beleza e dimensão).E  havia espaço anexo para muita outra coisa.

Se a Rádio Faneca conseguir despertar interesses para recuperação (deste sim!)Património Histórico, então a Rádio Faneca  terá cumprido a sua gloriosa missão.

SF

 

(quem quiser ter mais informação pode consultar  www.senosfonseca.com , clicar em «avançar» ....e escolher entre «Factos» ou «Figuras» o historial do «Chão dos Pobres», do «Recreio Artistico», de Conselheiro Ferreira da Cunha etc etc.)

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...