quinta-feira, agosto 21, 2014



(Nota imp.  Amigo teve a gentileza de me enviar este documento de Henrique Moutela ,que faz um resumo da história dos Estaleiros de S.Jacinto, que tão bem conheci, onde estagiei com  C.Roeder e H.Moutela. Julgo curioso divulgar esta fonte . As fotos ~foram cedidas por AML.)






OS ESTALEIROS DE SÃO JACINTO
50 ANOS DE HISTÓRIA

 

Por
                                                                                      
Henrique Moutela

 

Janeiro de 1990

 
INTRODUÇÃO

Sendo dos chamados Fundadores dos Estaleiros São Jacinto, o único ainda vivo, com quarenta e quatro anos de actividade diária, sei que se não for eu a historiar os muitos bons e maus momentos vividos nestes anos, dificilmente haverá quem o faça.

Vamos pois dizer a verdade.

 

AS ORIGENS

A grande tradição piscatória de Aveiro, esteve sempre ligada a três tipos de pesca:

 Pesca lagunar feita por bateiras utilizando um variadíssimo número de artes de pesca;

 A pesca de xávega, feita no litoral e que chegou a alimentar grande número de fábricas de conservas;

 A pesca longínqua, do bacalhau, feita em pequenos dóris, em mar aberto, a partir do navio mãe, que era como se sabe, um lugre construído em madeira e apenas com propulsão à vela.

 Data de 1501 a saída dos primeiros veleiros de Aveiro para a pesca do bacalhau, nos bancos da Terra Nova.

 Por volta dos anos trinta do nosso século esta pesca atravessou uma das maiores crises da sua vida, levando os Armadores a suportarem dificuldades de toda a ordem, em especial no domínio financeiro.

 Em 1931, quatro bravos capitães, cujos nomes não é demais recordar, Labrincha, João da Cruz, João Cajeira e Bilelo, resolveram ir em comboio, se é que o termo está correcto, nesses veleiros desprovidos de quaisquer meios de propulsão além das velas e sem quaisquer meios de comunicação, até aos mares gelados na Gronelândia, pescar bacalhau.

Foi um feito heróico e, graças ao carregamento que trouxeram, abriram novas perspectivas a esse tipo de economia. Porém, negaram-se a lá voltar sem motor auxiliar de propulsão, o que é absolutamente lógico.

 É nessa altura que Carlos Roeder na qualidade de representante em Portugal dos motores diesel “Guldner”,  aparece em Aveiro a vender motores para os veleiros da Empresa de Pesca de Aveiro. Fá-lo a crédito e, mais tarde é convidado a entrar como sócio dessa empresa com o valor da venda dos motores, o que aceita. É assim que Carlos Roeder, cidadão do Sul do País e principal fundador e accionista dos Estaleiros São Jacinto, aparece em Aveiro.

 Convence os sócios da Empresa de Pesca de Aveiro e abandonarem a pesca à linha em dóris, por a considerar desumana e ultrapassada e a iniciar a pesca por arrasto. Assim, nasce em 1935 o primeiro arrastão português, o "Santa Joana", para a pesca longínqua, mandado construir na Dinamarca por Carlos Roeder.

 Com o seu elevado espírito de progresso, Carlos Roeder adquire um segundo arrastão, o "Santa Princesa", e toma a decisão de construir nos terrenos da E.P.A. um estaleiro para construção naval em aço, no porto de Aveiro. Mas não entenderam assim os restantes sócios da E.P.A..

Carlos Roeder que era de ideias fixas, resolve então, com um grupo de amigos e colaboradores, iniciar no ano de 1940, na povoação de São Jacinto, a construção de um estaleiro com este nome.

SITUAÇÃO

 O Estaleiro situado no braço da Ria que forma o canal de São Jacinto para Ovar, com acesso directo à barra de Aveiro, tem a área aproximada de setenta mil metros quadrados, dos quais vinte mil de área coberta.

 O local onde, anteriormente havia uma fábrica de guano que trabalhava com excesso de peixe capturado pelas artes da xávega, estava hipotecado ao Crédito Predial e foi adquirido pela importância de cinquenta mil escudos.

 De notar como curiosidade , que a embarcação "Mina" ainda existe, e que foi o primeiro elo de ligação motorizado entre as duas margens da Ria, custou tanto como o terreno e alguns dos edifícios existentes.

 
O ARRANQUE INICIAL

 Sem pretender ser enfadonho, haverá que realçar que toda a contribuição dada por estes Estaleiros à construção naval nacional, está intimamente ligada ao espírito evoluído e altamente progressista do seu fundador.

 Carlos Roeder foi realmente um homem de invulgares qualidades de trabalho e capacidade técnica, evoluiu. Depois de ter concluído os estudos da escola politécnica de Lisboa, foi para a Alemanha cursar engenharia. Como é sabido, a Alemanha, saída de uma guerra e a preparar-se para a segunda, teve uma evolução tecnológica invulgar. De entre um número sem fim de soluções tecnológicas, poderá dizer-se que aquilo que mais concretamente influenciou a construção naval foi o aparecimento e desenvolvimento do motor a diesel e do emprego da soldadura eléctrica.

 Carlos Roeder agarra nessa nova tecnologia e é ele que lança, com anos de avanço a soldadura eléctrica em Portugal, logo no primeiro navio construído em São Jacinto. Diga-se, com grande avanço, em relação a grandes países construtores como, por exemplo, a Inglaterra.

 Os Estaleiros foram, como se disse, fundados em 1940, isto é em plena guerra mundial. A falta de materiais fez com que até 1945 se dedicassem exclusivamente á construção metálica e de máquinas, sendo o primeiro grande trabalho de engenharia, o ainda existente e sempre belo hangar da Base de S. Jacinto, na altura pertença da aviação naval. Trata-se de um hangar com 60 metros de vão e que teria de suportar nas asnas, dois hidroaviões.

 Ainda hoje é uma obra de engenharia digna de ser apreciada.

 
A ACTIVIDADE NAVAL

 Como se disse, os Estaleiros de São Jacinto foram fundados em 1940, mas devido às vicissitudes da guerra, só em 1945 iniciaram a sua actividade em construção naval.

 O primeiro trabalho de reparação e transformação naval feito nos Estaleiros de São Jacinto foi no navio de arrasto do Cabo Branco, "São Gonçalo", propriedade da firma Bagão Nunes e Machado. Compreendeu a substituição da caldeira e máquina a vapor por um motor a diesel, transformação das bancas de carvão em tanques de combustível, novo arranjo geral de alojamentos e montagem de um guincho de arrasto accionado por um motor diesel.

 
Ainda em 1945 é iniciada a construção dos navios "Caramulo" e "Nereus", o primeiro para a empresa Continental de Navegação e o segundo para a firma Bagão Nunes e Machado. Tratava-se de dois modestos navios gémeos para 500 toneladas de carga geral e destinados à grande cabotagem. Foram os primeiros navios em Portugal com larga aplicação de soldadura eléctrica.

 Em 1946, é convidado o signatário deste depoimento a integrar os quadros deste estaleiro, com a incumbência de desenhar e dirigir a construção do maior navio até então construído em Aveiro. Tratava-se do "Dione", navio para 1100 toneladas de carga, propulsionado por um motor diesel "Mirless" de 800 BHP sobrealimentado. Nota-se que foi o segundo ou terceiro motor diesel marítimo sobrealimentado montado em Portugal.

 
O PRIMEIRO “JUMBOISING”

 Em abono da verdade, em 1951, a palavra "jumboising" ainda não tinha entrado na construção naval mundial: cortar um navio ao meio e aumentá-lo, melhorando-lhe a capacidade de carga, não era normal.

 Passou a sê-lo sim, a partir dos anos 60.

 Acontece que, em 1951, havia em Aveiro o navio "Rui Alberto", propriedade do armador João dos Santos, da Gafanha. O navio tinha pouca capacidade de carga.

Estaleiros de São Jacinto tomou o compromisso de fazer cálculos, encalhou o navio na carreira, cortou a meio, aumentou-o 6 metros e, se não fez o primeiro "jumboising" do mundo, fez de certo, com 10 anos de avanço, o primeiro "jumboising" português.

 Outras construções se seguiram sem  grande significado tecnológico para a época, até à construção nº 23. Os tempos eram maus e a influência política, os ditos e os mexericos, que se viviam na época, fizeram com que os Estaleiros de São Jacinto fossem considerados sem qualquer interesse nacional.

 Ao contrário dos administradores de outros estaleiros, Carlos Roeder não era político e, pelo contrário, devido à sua grande capacidade técnica e espírito aberto e por não recear alcançar factos comprometedores, era considerado persona non grata no pequeno mundo da construção naval e, em especial, nas pescas.

 Os estaleiros da província, nasceram quase exclusivamente para contribuírem para a concretização da construção e, mais tarde, da renovação das várias frotas de pescas. O apoio dado às pescas pela política do Estado Novo, nas pessoas do Ministro da Marinha, Américo Thomaz e delegado do Governo para as Pescas, Henrique Tenreiro, justificam plenamente a constituição desses Estaleiros. A confirmá-lo está o facto de, durante trinta anos, terem mantido uma actividade plena.

 Por volta de 1955, Américo Thomaz, na qualidade de Ministro da Marinha, anuncia em discurso público a renovação de todas as frotas de pesca, desde a costeira à longínqua, passando pela do alto e África do Sul. Nesse discurso, não só se indica o número de navios a construir, como também os Estaleiros contemplados, nos quais não havia lugar para os de São Jacinto. Nesse mesmo dia, um telegrama de protesto é enviado para Salazar e acontecendo ter esse discurso coincidido com a tomada de posse como Governador Civil de Aveiro, do grande aveirense Dr. Francisco do Vale Guimarães, este actuou de forma e que Aveiro tivesse, na construção naval, os mesmos direitos de Viana do Castelo e da Figueira da Foz.

Esclarecidas todas as dúvidas, é nessa altura que se dá a grande transformação na actividade destes Estaleiros.
 
 
 
 
                                                                   Estaleiros .S.Jacinto
 UMA NOVA ERA

Com a entrega ao estaleiro da construção do navio de pesca à linha para a pesca longínqua, "João Ferreira" destinado à Industria Aveirense de Pesca, indica-se uma nova época de actividade. São construídas carreiras de construção de maiores dimensões. As oficinas crescem a par com os aparelhos de elevação e o número de trabalhadores vai aumentando progressivamente passando de 150 para mais de 600, em 1975.

Em 1963, com a construção dos modernos arrastões de arrasto pela popa para pesca longínqua, aumenta-se a caldeira, a oficina de pré-fabricação e inicia-se a construção pré-fabricada de blocos de 40 toneladas. Abdica-se totalmente da pouquíssima cravação usada até essa altura, passando a usar-se unicamente a soldadura, tendo-se lançado pela primeira vez em Portugal, no navio "João Ferreira" a iluminação e força motriz com corrente alterna, em substituição da corrente contínua usada até ai.

Como contributo tecnológico registe-se em especial o seguinte:

 Nos Navios de Pesca Longínqua à Linha

Com adjudicação do navio "João Ferreira" em 1955 projectaram os serviços técnicos dos Estaleiros de São Jacinto, um navio de características e arranjo geral idêntico a todos os outros construídos ou em construção, até essa altura. Apresentado o projecto a Carlos Roeder, ele, com o respeito que o trabalho alheio lhe merecia, louvou os executantes, mas, passados momentos, lamentou que o navio fosse igual aos outros, sem qualquer novidade, e irracional. Perguntou se alguma vez alguém tinha pensado por que razão os navios tinham aquele tipo de arranjo.

Na sua óptica, os navios a motor de pesca à linha tinham derivado do lugre que sucessivamente, por imposição da pesca se foi alterando, com a instalação de um motor auxiliar de propulsão, alojamento à popa para mais alguns tripulantes, como motoristas e piloto, necessidade de embarque do isco, improvisando-se um frigorífico sobre o convés a meia nau, mantendo-se o restante na mesma. Havia pois que refazer tudo de novo.

Porquê os pescadores à proa, em rancho comum, que servia de dormitório e refeitório, aquecido com o calor da cozinha integrada no respectivo rancho, havendo que transportar a comida da proa para popa para os oficiais ?

 Porquê a instalação de extracção de óleo dos fígados a ré, em local de privilégio para alojamentos e, em especial, porquê o frigorifico, colocado sobre o convés a meia nau, em lugar de privilégio para primeira classe?

 Destes reparos nasce a nova geração de quatro navios de pesca à linha, "João Ferreira", o "Rio Alfusqueiro", o "Vimieiro" e o semelhante "Neptuno", que fizeram as delicias de quem neles embarcou. No castelo, à proa, em vez do rancho e cozinha foi colocada a zona industrial, formada por paióis de apetrechos de pesca, instalação de extracção de óleo dos fígados e instalação frigorífica para o porão do isco e câmaras de mantimentos. O porão frigorífico foi colocado sobre o convés à proa, por baixo das máquinas frigoríficas e por ante a vante foram colocados os tanques para o óleo dos fígados. A parte central do navio ficou reservada para a faina da pesca. Sobre o convés, montou-se pela primeira vez em Portugal a máquina de lavar peixe e cintas transportadoras para o transporte do peixe dos quetes para a máquina de lavar e desta para o porão. À ré colocaram-se todos os alojamentos, para oficiais e pescadores, divididos por um arranjo de escadas e corredores com comunicação de emergência. Pela primeira vez os pescadores são instalados em camaratas decentemente decoradas, com ventilação forçada e aquecimento central. Uma ampla sala para o serviço de refeições e momentos de lazer, é servida por elevador directamente da cozinha. Pela primeira vez é instalada água quente nas instalações sanitárias dos pescadores e nos restantes camarotes do navio.

Os primeiros destes três navios puderam ser facilmente transformados em arrastões clássicos, como se para tal tivessem nascido, graças à distribuição inicial adoptada.

Na Pesca do Arrasto

Penso ter sido neste sistema de pesca que mais se tem feito sentir o espírito evoluído destes Estaleiros e ser do maior interesse contar uma breve história que só por si traduz a raiz desse espírito.

 Quando, em 1946, fui assinar o compromisso da minha vinda para Aveiro, Carlos Roeder pediu-me um favor. Disse-me que, como consultor técnico da E.P.A. tinha em seu poder os desenhos de construção de três arrastões que essa empresa acabara de contratar. O "São Gonçalinho" em Viana do Castelo (salvo erro, a primeira construção desse estaleiro), o "Santo André", na Holanda, e o "Santa Mafalda", em Itália.

 Manifestei-lhe o meu espanto por uma encomenda tão grande para a época, mas logo me disse para o não felicitar pois os navios ainda não tinham sido iniciados e já estavam ultrapassados. Com mais espanto meu, disse-me que deveriam ser de arrasto pela popa, já que um arrastão nada mais era do que um rebocador da rede.

Estas palavras foram proferidas quase dez anos antes do aparecimento dos primeiros arrastões alemães de arrasto pela popa e catorze anos antes da construção do primeiro arrastão português de arrasto pela popa, o "Atrevido", construído por estes Estaleiros para as Pescarias Beira Litoral, igualmente fundados a partir deste estaleiro.

 Só em 1964, isto é, dezanove anos após aquela afirmação, é entregue o primeiro arrastão português de arrasto pela popa para a pesca longínqua: o "Santa Isabel" para a E.P.A., construído em São Jacinto.

 Antes da construção do "Atrevido" em São Jacinto, iniciou-se a renovação da frota de pesca de Cabo Branco. A Administração da Companhia Portuguesa de Pesca manteve as melhores ligações com estes Estaleiros, no sentido do arranque do arrasto pela popa. Foi feito o ante-projecto e tudo indicava a sua concretização. Porém à última hora os Armadores confessaram não terem coragem para arriscar nesse projecto. Mais tarde, Henrique Tenreiro chama Carlos Roeder e pede-lhe para São Jacinto projectar um arrastão de arrasto pela popa, para a pesca do Cabo Branco.
 
                             
                                                        Arrastão Costeiro «Cap.Pisco»

 Carlos Roeder sugere que, em vez de se arriscar verba nessa construção, autorizasse a construção do "Atrevido" para a pesca costeira. A autorização foi dada e assim nasceu o primeiro arrastão português de arrasto pela popa.

 Colaboraram estes Estaleiros com o Engenheiro Luís Pinto Vilela num novo projecto de navio de arrasto pela popa para a pesca costeira. Coube-me a mim, por incumbência de um grupo de armadores, escolher o protótipo, para uma série de seis navios iguais.

 Escolhi o projecto "Vilela", com o qual havíamos colaborado, e assim nasceu uma frota de cerca de 100 novos navios, dos quais São Jacinto fez mais de 30 unidades.

 Em colaboração com o Engenheiro Conrad Birckoff, projectaram-se e construíram-se os arrastões de arrasto pela popa tipo "Santa Isabel", dos quais se construíram oito navios, todos com alterações sucessivas de modernização, sendo os dois últimos, o "Adélia Maria" e o "Vila do Conde" já projecto total de S. Jacinto.

 De referir que também neste tipo de navios o sistema utilizado de recolha do aparelho de pesca é ainda hoje, passados vinte e cinco anos, mais moderno e eficiente do que o usado em modernos navios que incompreensivelmente não evoluíram nesse processo.

 De realçar que o último navio construído, o "Vila do Conde", é o único que possui aros de pesca oscilantes, de sistema hidráulico, com comando à distância, que permitem com a maior das facilidades os cabos reais na rampa para pesca no gelo. Só recentemente temos visto aplicado sistema diferente (ice gallows) em navios das frotas dos países nórdicos.

 Em 1986, somos qualificados por um projectista da Noruega para construir novos navios para as suas frotas, obedecendo aos mais rigorosos regulamentos do D.N.V. e do Norwegian Maritime Directorate.

 Em 1987, é entregue o primeiro navio, o "Sea Prawn", de características fora do normal no que se refere à relação entre as dimensões principais. Trata-se de um navio altamente sofisticado, com o casco em chapa de 20 mm de espessura, para operar todo o ano, acima do Círculo Polar Ártico. Todos as superfícies metálicas expostas ao tempo, são aquecidas por cabos eléctricos, de forma a não permitir a acumulação de gelo. Tem montado numa coberta de trabalho, com apenas dez metros por dez, uma fábrica automática de processamento de camarão que selecciona, coze, descasca totalmente, congela em túneis contínuos e armazena, tendo esta instalação, custado mais de quatro milhões de coroas dinamarquesas, o equivalente, na época, a oitenta mil contos.

Para as frotas da Noruega e Gronelândia, foram construídos mais três navios, dois dos quais para arrasto em mares de gelo, todo o costado praticamente construído em chapa 25 mm de espessura. Tratava-se de um navio com três pavimentos, em que o próprio convés de recolha da rede é protegido, estando os guinchos auxiliares colocados num pavimento à proa, sob o molinete, o que permite com toda a segurança recolher a rede de uma só vez.

 
Utilizando esta nova tecnologia, os Estaleiros de São Jacinto projectaram e construíram o primeiro arrastão para a pesca longínqua, após o 25 de Abril. Tratava-se de um supercompacto, onde com apenas 56 metros de comprimento entre perpendiculares, se conseguiram 1300 m3 de porão, 740 m3 de combustível e uma tracção de 34 toneladas com 2000 BHP.


                                                       Arrastão Novos Mares



 Outros Tipos de Navios

Coube ainda a estes Estaleiros, projectarem e construírem os primeiros navios palangreiros para o palangre de superfície, o "Paralelo" e o "Meridiano", mais concretamente, para a pesca do espadarte. Tal só foi possível graças ao dinamismo da firma armadora dos mesmos navios, Sociedade de Pesca Miradouro, Lda.

 
Ainda em colaboração com o mesmo Armador, estão estes Estaleiros a construir uma nova geração de navios para o palangre, para a pesca longínqua, em cujo projecto, vários armadores se encontram altamente interessados.

 Penso terem sido estes Estaleiros os únicos que, em Portugal, construíram, com projecto "Campbell" de San Diego, dois atuneiros oceânicos, obedecendo à mais alta tecnologia aplicada a este tipo de navios.

 Além da contribuição dada por estes Estaleiros à construção naval no domínio das pescas, navios de outros tipos, tais como navios tanques, navios fruteiros, dragas e rebocadores, projectados na totalidade ou em colaboração, e construídos nestes Estaleiros, merecem ser realçados, em especial o que se refere a dragas e rebocadores. Em colaboração com firmas inglesas e holandesas, foram construídas seis dragas. Duas estacionárias de sucção, duas de sucção com propulsão e duas de "grabe". As quatro últimas, dispondo já de equipamento electrónico de controle de profundidade de dragagem e densidade de dragados.

 

Nos rebocadores de 1200 CV projectados e construídos para o ministério do Ultramar, primeiros de uma solução bimotora com uma linha de veios de passo variável, foi incorporado por sugestão dos Estaleiros, pela primeira vez no redutor, o sistema de comando do passo variável.

 Deverá ser realçada ainda, uma série de rebocadores onde com apenas 2200 BHP, se conseguiram 36 toneladas de tracção ao ponto fixo.

Esta série, projectada por S. Jacinto a pedido da Lisnave, teria de obedecer a um baixo custo de produção e de exploração e um elevado poder de tracção, de forma a serem utilizados na manobra de docagem dos superpetroleiros. Com hélice de passo fixo, a baixo número de rotações, o que obrigou a um elevado calado a ré, de forma a permitir um hélice de grande diâmetro, tubeira leme "Kort" e máquina do leme de grande eficiência com vários postos de comando, resultou que a referida série se estendesse a dezoito unidades, o que atesta bem a eficiência do projecto.

 Com ligeiras alterações no que se refere a alojamentos, foram construídos oito para a "Lisnave", seis para os “Estaleiros do Bahrain", dois para a "Soponata" e dois para a "Setenave". Uma série de dezoito navios atesta o contributo positivo do projectista e construtor à economia nacional.

 
CONCLUSÃO

 Penso que ao fim de cinquenta anos de existência, dos quais praticamente só quarenta e cinco foram dedicados à construção naval, terem-se construído e em construção duzentos e onze navios dos mais variados tipos, alguns dos quais com grande inovação tecnológica, é razão mais que suficiente para nos considerarmos realizados por termos contribuído validamente para o engrandecimento do pais.

Se a tudo isto se juntar terem estes Estaleiros sido pioneiros em:

 utilização em grande escala de soldadura eléctrica a partir de 1944;
terem projectado e construído o primeiro arrastão português de arrasto pela popa, o "Atrevido", e terem pugnado a nível nacional pelo lançamento deste tipo navios;

terem construído, os primeiros arrastões de arrasto pela popa a pesca longínqua;

 terem concebido e alterado profundamente o navio de pesca longínqua a linha;

 terem sido os primeiros em 1956 a utilizar a bordo a corrente alterna trifásica em substituição da corrente contínua, data da qual se deixaram praticamente de se construir navios com outro tipo de corrente eléctrica;

 terem sido os primeiros a fabricar a partir de 1960, tubeiras leme "Kort", sob licença;

 Penso estar justificado o orgulho, que os técnicos e colaboradores deste Estaleiro, sentem em ter colaborado na execução de todos estes projectos.

 
NOTA FINAL

 

A história destes 50 anos de existência dos Estaleiros São Jacinto, não ficaria completa se não fossem realçadas as virtudes de 5 homens que através de qualidades verdadeiramente inexcedíveis, tornaram possível a formação e consolidação duma empresa que se tem imposto pela sua austeridade, humildade e espírito inovador.

A homenagem que aqui se presta a essa geração de elite, servirá certamente de incentivo a todos os seus seguidores.

 

Carlos Roeder

 Fundador de várias empresas em Portugal entre elas, os Estaleiros de São Jacinto.

 Dotado de uma capacidade técnica invulgar, espírito sagaz, de rara visão inovadora, incutiu na mente de todos quantos com ele trabalharam, a necessidade do rigor, da competência exemplar, do cálculo austero. Jamais aceitou que se aplicasse um quilograma de ferro, onde apenas se justificava usar novecentos e cinquenta gramas.

 Contudo, em mais de quarenta anos de actividade, não consta que alguma vez tenha conhecido o insucesso técnico.

 Homem de espírito simples e aberto, teve a sorte ou sabedoria de se rodear de pessoas que lhe foram totalmente fieis de corpo e coração.

 Conseguiu fazer verdadeiras escolas de trabalho e de virtudes ,dentro das empresas.

 Deu oportunidade a que o simples aprendiz pudesse vir a ser administrador. E de tal forma esta tradição se enraizou nos Estaleiros de São Jacinto, que ainda hoje, aprendizes de outrora se transformaram em engenheiros, chefes de departamento, chefes de serviço, encarregados e como se disse atrás, administradores.

 Teve poucos momentos para dedicar à sua vida privada, já que desconhecia a existência de sábados e domingos. Esqueceu-se de casar; e quando morreu não tinha herdeiros descendentes. Pouco mais de uma semana antes de falecer, incumbiu os seus mais directos colaboradores de elaborar os Estatutos de uma Fundação, à qual pudesse legar todos os seus bens. Nasceu assim a Fundação Roeder, cuja administração, atribuiu vitaliciamente àqueles que lhe tinham dedicado toda a sua vida e cujos rendimentos se destinariam a todos os trabalhadores das empresas onde detinha capital accionista de alguma importância.

 Através dos tempos tem esta Fundação contribuindo de forma decisiva para o bem-estar dos trabalhadores, quer através de empréstimos, sem juros, para a construção de habitação própria, quer através de bolsas de estudo, aquisição de livros e material escolar para os trabalhadores e seus filhos, quer, ainda, através de ajudas pontuais àqueles que pelas vicissitudes da vida, se aprestam com problemas materiais graves.

 Foi agraciado com a comenda de Mérito Industrial, em 1960.

 Deixou-nos para sempre em 9 de Fevereiro de 1965.

 
Jorge Pestana

Foi o primeiro e principal colaborador de Carlos Roeder. Começaram a trabalhar juntos nos Estabelecimentos Industriais da Metalúrgica Alentejana, em Beja, onde ocupava o lugar de encarregado.

 Percorreu o pais a pé, orientando a construção de diversas estruturas civis. Procedeu à montagem de praticamente todos os postes metálicos para o transporte de energia eléctrica, existentes em Portugal.

 Pessoa de inteligência invulgar de humor finíssimo, o "Mestre Jorge" como respeitosamente era tratado, contava histórias das suas andanças sem fim, do Minho ao Algarve, das Beiras Interiores e Beiras Litorais.

Em 1940, foi chamado por Carlos Roeder para dirigir a montagem do que então se transformou nos Estaleiros São Jacinto, sendo seu sócio fundador.

 A sua argúcia, capacidade de trabalho, bondade de princípios e humor repentino, fizeram dele um dos técnicos mais considerado no sector e um cidadão respeitado e lembrado com saudade, por todos quantos tiveram o privilégio de com ele privar.

Tratava e educava os trabalhadores como se fossem seus filhos.

 Vestiu-os, calçou-os, ensinou-os, e alguns, então miúdos, dizem hoje com algum prazer, que lhes chegou a "roupa ao pêlo".

 Quando alguém faltava a um compromisso, dizia com graça e sem rancor "Promessas não são correntes de ferro".
Ao excesso de confiança posto na execução dum segundo trabalho, lembrava: "Duas coisas iguais não são a mesma coisa".

 Podia dar-se ao luxo de alardear a simplicidade só permitida às inteligências superiores.

 Teve uma vida cheia. Foi feliz e fez as pessoas felizes. Nada o desmoralizava, nem a morte. Vive certamente com todos os que o conheceram.

Sempre habitou dentro do Estaleiro desde a sua fundação e aqui faleceu aos 20 de Dezembro de 1977.

 

João dos Santos

 Também alentejano, começou a sua actividade na organização ainda muito novo, nos escritórios da Metalurgia Alentejana, como paquete.

 Órfão de pai e muito pobre, foi casapiano em Beja, onde aprendeu as regras de humildade e austeridade próprias daquela organização. Trabalhando de dia e estudando de noite, foi aprendendo conhecimentos firmes de contabilidade.

 Quis o destino que a morte tivesse levado o então chefe de escritório da Metalurgia Alentejana, na época, uma das mais prestigiadas empresas do sul do país. Logo Carlos Roeder se viu envolvido numa teia de pedidos e de influências, no sentido desse lugar vir a ser ocupado por pessoa importante.

 Após vários meses de reflexão, Carlos Roeder com o seu espírito arguto costumeiro, perguntou quem havia mantido a organização financeira e contabilística da empresa durante aquele período. Responderam-lhe: "Um miúdo de 16 anos".

 
Reconhecedor do mérito daqueles que tinham a coragem e a capacidade para assumir responsabilidades, Carlos Roeder não hesitou, entregando ao "miúdo de 16 anos" a chefia dos escritórios.

Começando os Estaleiros São Jacinto nos anos 1944/45 a ter alguma projecção nacional e havendo necessidade de consolidar o sector administrativo da empresa, Carlos Roeder, convida então João dos Santos a transferir-se para Aveiro, onde toma conta de todo o sector administrativo, financeiro e contabilístico dos Estaleiros.

 De elevados princípios éticos e morais e dotado de uma tenacidade e austeridade ímpares,cedo consegue impor uma linha de conduta financeira, que lhe valeu a alcunha de "Salazar dos Estaleiros", que ainda hoje perdura, passados que foram 10 anos da sua morte.

Procurador e servidor fiel de Carlos Roeder, idolatrou-o como a um pai que não teve.

 Ocupou os cargos de administrador dos Estaleiros São Jacinto, Metalurgia Alentejana, Cerâmica Aveirense, Estaleiros Mónica, Frapil, Nortenha e Navalria.

 
Impôs-se a todos e granjeou o maior respeito no meio, não pela sua cordialidade ou abertura, que não possuía por acanhamento, mas pela seriedade ímpar, pelo rigor, pela simplicidade imbatível.

 Ninguém o viu alguma vez adquirir objectos de uso pessoal, ou enaltecer bens materiais.

 Nos períodos maus pós 25 de Abril, jamais pactuou com o granel instaurado. Não se demitiu na altura, por entender ser cobardia abandonar a empresa nos períodos difíceis. Logo que a vida da firma estabilizou, pediu a sua demissão.

Dizia que a rectidão de princípios sempre venceria. E venceu. Os trabalhadores do Estaleiro, com surpresa geral, não aceitaram que saísse. Conjuntamente, as comissões de trabalhadores e sindicais com aquela dignidade que sempre nos uniu durante estes 50 anos, souberam-no vergar pela humildade.

 

A morte levou-o subitamente a 10 de Junho de 1980.

 

 

Vale Guimarães

 

O único homem público que passou por estes Estaleiros.

 Político de reconhecidos méritos, Governador Civil de Aveiro em dois períodos diferentes, foi também o grande impulsionador dos congressos da oposição ao regime, efectuados em Portugal antes do 25 de Abril.

 Consentiu-os e defendeu-os. Sentia vaidade nessa exclusividade.

 Licenciado pela Universidade de Coimbra, tornou-se administrador dos C.T.T. onde desempenhou funções no pelouro do pessoal.

 Acérrimo defensor do distrito de Aveiro, fez parte de uma geração de homens políticos que se notabilizaram na defesa dos interesses da região.

 Recusou lugares ministeriais por entender que a sua vocação e os seus conhecimentos seriam úteis às gentes da sua terra.

 Propagava o "aveirismo" quase com patriotismo.

 Jamais alguma autoridade pisou o chão do seu distrito, sem que estivesse presente nas suas estremas.

Recebeu Humberto Delgado com honras de Presidente da República e a dignidade que lhe merecia qualquer candidato ao cargo. Impediu, nessa altura, nas fronteiras do distrito que a policia de Coimbra viesse controlar a situação. Esta atitude valeu-lhe de imediato, a demissão decretada por Salazar.

Orador de méritos incontestáveis, conhecedor profundo da História de Portugal contemporânea, era um admirador de José Estevão o qual procurava, sempre que possível, citar. Pensa-se que terá morrido com mágoa de nunca ter sido convidado para ocupar um lugar no Parlamento, onde certamente, melhor teria realçado as suas qualidades de tribuno exímio.

Nos últimos dias da sua vida foi mandatário da campanha presidencial de Mário Soares no distrito de Aveiro, facto que muito terá desgostado o Presidente do partido que apoiava e também candidato às presidenciais, Dr. Freitas do Amaral.

 

Liberal de princípios e de consciência livre e independente, entendeu que Mário Soares seria o candidato melhor colocado para defender os interesses do país. Dizia que uma vitória de Freitas seria susceptível de conduzir a confrontações, dada a relação de forças existentes em Portugal.

Travou conhecimento com Carlos Roeder, na época em que o Estaleiro estava a ser preterido por razões políticas. Na verdade, tratava-se da maior injustiça, pois nunca algum dirigente desta empresa pensou noutra coisa que não fosse trabalho.

 Vale Guimarães, na altura Governador Civil, não teve quaisquer dúvidas em interceder junto do Governo.

 Carlos Roeder jamais esqueceria tal atitude. À hora da morte incumbiu-o especialmente de presidir aos trabalhos de preparação da Fundação Roeder e nomeou-o seu Administrador vitalício.

Foi presidente dos Estaleiros São Jacinto desde a morte do seu fundador, até ao seu próprio falecimento, tendo sido também Presidente da Navalria.

Homem estruturalmente bom e de altos princípios morais, tentou ajudar todos quantos o solicitaram. Poucos aveirenses haverá que não tenham recebido os seus favores. Pagou dívidas que não lhe pertenciam, empenhou-se e vendeu valores para cobrir despesas alheias. E quando lhe deveriam estar gratos, afinal não havia amigos. Havia sim, gente com muito medo de juntar o seu nome ao de Vale Guimarães, quando em muitos casos, fora ele a dar-lhes o nome.

 

Talvez por complexo, talvez por ser Presidente e não querer comprometer a empresa, nada solicitou aos Estaleiros a este respeito.

 

Mas a gratidão e a dignidade são valores que esta empresa sempre defendeu. O seu bom nome foi merecidamente preservado para sempre.

Para que fique na história, nos finais da década de 70, Vale Guimarães pagou todas as dívidas e deu aos seus trabalhadores todas as acções duma tipografia de Lisboa, onde nem sequer tinha interesses materiais. Apenas por haver em anos anteriores, cometido o "crime" de pedir a alguns amigos que subscrevessem capital na mesma, para fazer o favor a outro amigo, não quis ver o seu nome envolvido em qualquer manobra política.

Mesmo assim houve quem o incluísse na lamentavelmente famosa lista da "Matança da Páscoa".

Recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Aveiro.

Faleceu honrosamente a 22 de Fevereiro de 1986.

 

O Senhor Presidente da República esteve presente no seu funeral.

 

 

Henrique Moutela

 

...

«Amor» ….é o quê?

O tempo tem-me ensinado, em boa verdade, que a palavra «amor» entre duas pessoas, não existe. Não amamos ninguém, mas tão somente a ideia que fazemos do outro.
Na vida do dia a dia, o erro de pensarmos estar a amar, o outro, advém do sentir prazer pela aceitação das nossas ideias. Chamamos a isso um comungar de ideias.E uns confundem,isso, com amor.
No prazer sexual, buscamos o prazer. O nosso, dado pelo corpo do outro(cito sem saber de onde)
Quando em jeito de despedida digo:
-Amo-te,
E ela me responde:
-Gosto de Ti, homem…
Pensamos coisas totalmente diferentes, que contabilizamos como iguais. Mas a verdade é que são duas interpretações diferentes, dois estados de alma diferentes. E até de vidas…..
Sim não confundamos vida…com amor.
Um dia perceberemos que vida é a soma dos «reais» acontecidos; amor é a soma abstracta de impressões da alma.

SF

terça-feira, agosto 19, 2014


«NESTE MAR É SEMPRE INVERNO»



Por razões, para aqui  sem interesse, não estive no lançamento do livro de Tibério Paradela, «Neste Mar é sempre Inverno».
Isso não me impediu de ler o livro, tão cedo quanto possível.
E assim, cumprir a delicada tarefa a que todos fogem, a de exprimir, publicamente, a minha ideia sobre o trabalho.
Começo por dizer que me surpreendeu, agradavelmente, o sentido e a qualidade expressiva da narrativa, em algumas das suas partes. Num primeiro trabalho de fundo, é difícil fazer melhor. Há momentos belos, em que somos retirados ao texto, convidados a fazer comparações de valor estético, muito surpreendentes e agradáveis.

Ao conteúdo romanesco….

A história do «Nova Esperança» enferma, a meu ver, de alguns erros que lançam pardacento nevoeiro sobre a qualidade da escrita. Dois que reputo, fundamentais:
                        1-Ao expor – num local conhecedor – relações hipotéticas da viagem do «Nova Esperança» como a dos «Novos Mares», datando, até, o acontecimento, o autor ata o seu romance, ao tempo e ás personagens reais, que são facilmente identificáveis (talvez sem querer, a dele próprio).Ora ao longo do livro, o leitor, despertado para essa (não)  pura coincidência dos factos, acaba por, instintivamente, colocar em causa personagens «ainda vivos», pelo menos  na nossa memória (ainda que alguns já mortos).Acresce que  o autor descreve-nos perfis,  por demais conhecidos. E depois insere-os de uma maneira livre (sua) em cenas do romance, onde o perfil anteriormente delineado, não coincide nada com a cena . Ah!...pode o autor  dizer que é livre de fazer o que entender com a sua personagem ?  Sim, se a personagem for só dele.. E se nada tivesse sido de véu levantado, com  « Os Novos Mares», então aquelas personagens poderiam ser, com total liberdade,suas. Pior é quando   desenha o «Cap.Valério», e o vai buscar à realidade actual, e depois, no romance, o mostra  com falta de coragem para dar más noticias a Quico (capitão é Deus a bordo…) ou até, pensar o que ele estaria a pensar, no turbilhão da tempestade, um pouco acagaçado, aí as coisas não serão lineares. Deixasse ser o «cap.Valério» totalmente incógnito, saído inteiramente da pena do autor, e aí seria correcto.
                          2- O autor faz desabar, o tudo, o quase impossível, sobre o infeliz «Nova Esperança». E por isso o leitor é levado a desvalorizar… e duvidar de tanta desgraça numa viagem só. Tê-las-á havido. Eu sei. Mas para palco restrito de um romance ,não é boa ideia a meu ver .O que sucedeu poderia ser distribuído, levando o leitor  a viver melhor, os desideratos   O leitor tem necessidade de acreditar piamente que o romance, é mesmo verdadeiro .Tantas desgraças, só no Fernando Mendes Pinto… …Distribui-las, trazendo à boca de cena, novas personagens em novos locais, talvez desse outra intensidade ao romance, e o objectivo final sairia reforçado, deixando de ser ,o que não quer ser, caderno de viagem .                              A literatura francesa, no particular da pesca do bacalhau, está pejada de grandes trabalhos, de  famosos autores.

Não faria nada mal aos nossos autores, que pretendem embrenhar-se no mundo descritivo de uma história com profundas raízes, sociais, económicas e culturais, fazer-lhes uma visita. Também não se pode ser romancista em Portugal ,se o putativo autor não visitar e estudar, os  eças, camilos, vieiras, saramagos, etc etc.  
 Em França parece bem ao contrário do que acontece aqui, ninguém querer  ajustar contas com ninguém. Bem ao contrário. E por isso aqueles têm tido o saber de levar o leitor de um lado para o outro(livro para livro), para lhes explicar que o santo graal da pesca do bacalhau( até muito tarde pensou-se mesmo que o seria), não poderia ter deixado de ser o que foi, e como foi. « Ceux des Tempetes» (Manoir) tiveram uma «Vie Miserable» (Barrault)porque ao tempo não podia deixar de ser assim. Verdadeiras «Galères  des Brumes» (Convenant) onde se lutava pela pura sobrevivência . «L'impitoyable mètir»(Bresson) era isso mesmo.A vida tinha de ser mesmo assim. É que em cada época, não havia condições para ser melhor. Há pois que contar a(s) história(s) inserindo-a(s) no tempo.
 A história da pesca do bacalhau, á linha, na maior frota (Terre- Neuvas) do mundo, diferiu no tempo (andou á frente) mais ou menos 40 anos, da nossa. Sou dos que pensam, por conhecer bem, uma e outra, que com, ou  sem Salazar, tudo seria na mesma. Até ao momento em que insistimos na pesca à linha, sem dar o salto (quem souber que fale disso…) seguimos os passos dos mais adiantados. De todo lógico. Os problemas sentidos, vividos, as correcções  introduzidas na pesca do bacalhau, se compararmos a obra «Les Dernières Terre-Neuvas» com o que se passou nos primeiros decénios do Séc.XX, em Portugal, foram um  quase integral decalque. Um seguidismo absoluto, até ao momento da viragem para a pesca de arrasto. Nos barcos à linha franceses (Terre-Nueuvas) as condições  de vida foram sempre piores que as nossas. O grau de formação dos oficiais (daquele País) no fim do Séc.XIX e princípios do Séc. XX, e o que deles se exigia, era muito semelhante à nossa situação em 1930 (e tais).
A história, ou o facto histórico, não pode ser analisado desenquadrado do seu tempo. Senão, não é mais do que narração.

O livro «Neste mar é sempre inverno» talvez não atinja (não pode!) o que Paradela queria. Mas o autor coloca-se na linha da frente dos que têm qualidade, para cerzir os meandros de um romance, coisa bem diferente dos de um caderno de viagem. A nossa apreciação vale o que vale. Importante é que esteja atento e saiba ouvir. Só assim poderá fazer melhor na próxima
Parabéns, pois, ao autor. Nota francamente positiva.


Senos Fonseca

Nota : A tradução dos titulos dos livros franceses é de minha autoria e responsabilidade.

sábado, agosto 16, 2014

(Parte III)


Eu e a SRª do Pranto



Com o tempo, veio o desmembrar da família. Já praticamente só resto eu.

Cada vez mais, me fui separando do meu sítio. Tenho lá a casa dos meus ancestrais, que tento manter, una. Difícil. E na certeza que comigo ela desaparecerá. A não ser que uma Instituição promova algo de concreto e e sólido, e a requeira. 

Ao visitá-la, vem-me à ideia o percurso onde me fiz homem – com montes de virtudes e mais defeitos –, e onde bebi que o gesto de Cristo, de oferecer a outra face, é lindo mas inútil. A todo o acto de violência, venha de onde, ou de quem vier, reage-se de que maneira for, mas reage-se. Entre a espada e a parede…a espada.  





Este ano fui observando os esforços de dar, à festa, uma nova roupagem. Depois de uns anos de escalabroso e escandaloso, esquecimento, do «troglodita esteves», que no meio da pipa de massa que andou a desbaratar, nem uns míseros tostões encontrou para a recuperação do Arco,as gentes de lá de cima encheram-se de brios e criatividade. 
Aquele peralvilho, não sabia que o Arco da Srª do Pranto é mais genuíno, que o encomendado, delirante e fantasioso, brasão de Ílhavo.
Já se foi.Bons olhos o vejam,hoje, cagaréu devotado.



Ora uma Comissão genuína, ofereceu à parte pagã da festa, uma nova vestimenta.Reinventou o atractivo  Surpreendeu-me a ideia e gostei do que vi, como primeiro ensaio. Pode vir a fazer-se muito mais, e melhor (!).Estou certo que tal será o desejo da Comissão, com repetidas experiências.



Parabéns.





E aqui vão imagens garridas de um «novo Cimo de Vila».

Um lugar de gentes diferentes, gentes que surpreendem.









E o ARCO,IMPONENTE, É A LIGAÇÃO DO PASSADO AO PRESENTE. 


Os de lá de baixo devem estar a roer as unhas e a pensar ,como os chefes das bandas: e agora o que vou eu tocar?????



SF Agosto 2014 

sexta-feira, agosto 15, 2014



(Parte II)

Eu e a Srª do Pranto

 
À tarde era a procissão. As Irmandades, ladeavam os anjinhos de vestimenta a condizer, onde pontificavam as asas brancas, que era imaginado levá-los a
 
 
 
 passear pelo céu. Vinham os andores, enfeitados, jardins prodigamente floridos, sendo o da Senhora, o último. Era seguido pelo «pálio» que albergava o Priorado, conduzido por figuras gradas da comunidade. A banda marcava o compasso, e era seguida por multidão que engrossava a fileira dos adeptos do Orago.
 
 
                                                                                                                               
 
A propósito do andor….
tinha acabado o sétimo ano, e comigo, o Zé Balseiro, o Malaquias e o Álvaro, rapaziada estudante de Cimo de Vila. Convencidos do bom olhado do Orago, todos prometemos, se as coisas corressem bem, levar o andor na procissão. Quando fomos buscar (a miniatura,veja-se bem!!!!) à «Capela do Morgaqdo da Srª da Nazaré, constatámos que apesar de miniatura,o Orago ( que diziam ser uma réplica pequena) era todo feito de pedra de granito, tendo um peso de se lhe tirar o chapéu. Vamos desenrascar isto… se bem o pensámos, logo o fizemos A primeira coisa foi tirar as costas, ao dito, substituindo-as por palha. Ainda por cima,  a procissão, nesse ano, ia dar a volta ao Cruzeiro (o que nem sempre sucedia). E lá começámos …o nosso calvário. Levar a Senhora a percorrer as vias sacras do Cruzeiro, vir à Igreja  Matriz, e voltar a Cimo de Vila. Foi um caso sério. Eu e o Malaquias, à frente, mais baixos, apanhávamos com o peso, acrescido da  componente da deslocação, inclinada. E por vezes andávamos aos baldões. Foi preciso recorrer aos garfeiros (?) (devem ter um nome próprio, as varas com a muleta para pousio nos momentos de paragem, metidos nos varais) amiúde para nos acudir.
Lembro-me que só não chorei por vergonha. Mas raios (!), um «Fonseca» ir-se abaixo das canetas, era miserável. Depois soube, que, afinal, todos estivemos com vontade de desistir. Mas pela mesma razão, por respeito aos nossos nomes, cerrámos dentes, retesámos músculos e levámos a Senhora, sã e salva, a bom porto…(ando a descontar pecados desde então…).À noite estávamos todos encangados, a tratamento de pachos quentes, para safar as pisaduras. 

O arraial da festa tinha lugar à «sombra» do Arco imponente.

          

 

As tendinhas dos bolos (suspiros – de que eu gostava particularmente –, bolos de gema ,cavacas, etc), as tasquinhas de «comes e bebes», a mesa da vermelhinha (onde eu perdia tempo para decifrar o enigma),a quermesse, o balcão do tiro às latas, eram  locais por onde o povo ia gastando  a noite.

Lá para as 11 da noite, havia o ponto mais esperado: -o concerto das bandas. Entre os temas reproduzidos, os assistentes deslocavam-se, de coreto em coreto  (lembra-me de ver a Musica Velha, sob regência do Prof.Guilhermino, e a Musica Nova, sob a batuta do maestro José Morgado, em franco despique que levava ao rubro a assistência ,sucedendo, não raro, o desforço físico),para melhor ouvir os acordes(e as desafinações…).Os maestros –ouvi dizer– tinham estratégias delineadas, em que  uma peça de uma das bandas, de determinada dificuldade, levava  logo o outro contendor, a  atacar, com peça, ainda (!), de mais complexa execução. Durante a exibição de cada peça reinava um silêncio sepulcral; no final, as palmas . A  intensidade e duração, das mesmas, levaria ao reconhecimento do vencedor do duelo.

 

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O dia seguinte era o que mais me atraía ao largo da Capela. Era tempo para divertimento popular: foguetes, que ao explodirem soltavam bonecos de papel que voavam; lançamento de cavacas á multidão. Subida ao mastro encerado, para trazer o bacalhau. O puxar da corda, a corrida de sacos, a disputa do jogo da malha.Um popular jogo, onde as equipas espalhadas pelo Concelho ou fora dele (até!),se batiam, exibindo virtualidades de precisão incríveis, e onde o posicionar do corpo, ligeiramente agachado, pés, um atrás do outro, braço esquerdo estendido, servindo de equilíbrio ao braço lançador, era um espectáculo de rara beleza, em que  apenas  no golf  encontro sincronização tão exigente.
No jogo da corda a equipa que contasse como Carlos Fonseca era a ganhadora; o Carlos, meu primo, filho do Manuel ,era um verdadeiro Apollo. Forte como um touro, de uma força braçal incomensurável, tronco hercúleo num corpo de quase dois metros,, não me recorda de alguma vez ter visto outra tão colossal figura  
 
E VIVA A PÁTRIA!!!!!! exultava a dançar, a encolher e esticar o fole da concertina, comandando o trio de exímios  Maneis Concertinistas : O Velho Ti Manel (com os seus 82 anos) ,o seu filho Manuel Fonseca, e o meu pai -sim o meu Pai safava-se bem na sanfona -de seu nome, ele também, Manuel Fonseca. Lá em casa só eu é que desbotei….

SF 15 agosto 2014




Nota .este blog é pessoal, e por isso ,de relativo interesse, senão para a sobrinhada,para memórias futura dos «Fonsecas» em extinção. 

Eu e …. a Srª do Pranto

 PARTE I

São em alguns momentos contraditórias as lembranças que me ocorrem, com o festejos da SRª do Pranto, acontecimento  religioso-pagão, a que, desde sempre,esteve muito ligado a minha família paterna: os «Fonsecas», naquele tempo em que a família era como que um clã, raça irredutivel, emproada e nervosa,que tinha fama de só terem medo de si mesma.

Não tive a felicidade de conhecer o patriarca do séc XIX, o Prof. Fonseca, meu avô, homem de uma personalidade(afirmam) muito vincada e própria, onde a dureza, a exigência e a ética, atingiam valores de excepção. Dizia ele: quando as coisas não se resolvem por convicção,resolvem-se á bengalada,e acabada esta,a tiro.Dele ouvi relatos que muito influíram na minha postura perante a vida. Muito ligado ao Convento, à Capela e à sua remodelação, professor da segunda Escola de Ílhavo, sua propriedade (como o eram as Escolas dos Moitinhos e Gafanha de Aquém) o Avô foi um dos maiores  de Cimo de Vila. Este «maior» ,era um apelido advindo de uma célebre história, a construção da estrada Ílhavo –Gafanha da Maluca, que se pretendeu ser financiada pelos «40 maiores», expressamente convocados para o efeito. Ora, o maior dos maiores, era então, dizia-se, o Padre Manuel Nunes da Fonseca, meu tio avô. Vamos lá saber como o Padre arranjou tal fortuna, e como a transmitiu. Nunca me falaram de tal história.


Mas este Padre ,seu padrinho,acagaçou-se quando ele resolveu casar com a Maria Rosa (minha avó) ,sua criada,e por isso deserdado.Ora num dia aproveitou a presença do Padre na Capela,correu com o sacrista,agarrou na Maria Rosa,fechou a porta à chave,e mandou:
-Pois a coisa é facil: no conluio familiar, Você não quer.Eu também não queria que fosse meu padrinho e aguentei .Você agarrado à saca dos tostões.Eu aos trocos. Agora escolha : ou me casa aqui com a Maria Rosa,ou atiro-o do cimo da igreja...Vá ou case-me ou encomende-se que vai para as catâmbrias, para o inferno. Não me moa a paciência, e poupe aqui a Maria Rosa a espectáculos impróprios para Senhoras
E ao contar-me isto a Ti Vicência, inquiria: julgas que não? Atirava-o mesmo....
Quando um dia a vi, de machado em punho, rebentar com a porta ao Tourega (o mauzão lá de Cima),e este a «borrar-se» a pedir socorro, pensei: - gaita o Padreca devia ter ficado como este...

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A  Família esteve sempre envolvida nos festejos em honra da Senhora (a pietà  á portuguesa).

O meu tio Avô,o Tio Manuel, era um exímio tocado de concertina. E para lá disso, um «cantador ao desafio» de excelência, que parecia ter resposta para todos os introitos colocados na contenda. Vinham cantadores afamados das redondezas, bater-se com ele, em público, em local combinado. O Tio Manel, era o homem que guardava o Arco da Festa, e era na sua imensa eira que o mesmo era reparado, anualmente. Matador de porcos (para lá da sua lavra),quase que diríamos, oficial do ofício, de Cimo de Vila, a cegueira fe-lo passar as facas ao seu filho único, meu primo Manuel  Fonseca. Com a recomendação de, mais tarde, elas passarem para o mais novo «Fonseca».

 

Que era eu!!!...ora vai-te …eu que não me atrevia a matar um frango, ia um dia manusear aqueles facalhões (?!)….O pior é que a família parecia acreditar, e sempre que havia matadela, lá tinha eu de ir ajudar o Manuel, a limpar(lavar os gorgomilos)  ao pobre bicho,a ver se estava bem amarrado pelo pernil, segurar-lhe bem o «pezunho» encolhido para não atrapalhar a faca, e ver o espectáculo horrível do facalhão …uma…duas…três vezes…. ir buscar todo o sangue ao animal. Não aquilo não era espectáculo que me animasse a desejar ser, o herdeiro das facas ,se bem que demonstrasse nata aptidão para com elas proceder ao desmanchar do porco.

E bem: voltemos à Srª do Pranto…

Até certa altura tudo lindo. O pior é que, chegada a idade dos namoricos, estivesse onde estivesse, houvesse o que houvesse – e quase sempre havia: – regatas, bailes etc.  etc. – eu teria de comparecer, ainda que a mau gosto, em Ílhavo, e por ali ficar todo o tempo da festa.

Para lá da parte religiosa, em que não era obrigado a participar – à excepção de uma ou duas vezes acolitar o P.Angelo, na missa –,os festejos tinham o seu cartaz de marca, que os distinguia na emulação bairristra com os de «lá de baixo», na degustação excessiva de vitualhas e iguarias. Senhores de grandes e fartas casa, andava-se de uma para a outra, em visita «das capelinhas» dos primos, parecendo que já não nos víamos  há anos (quando o mais certo era ter lá estado na semana anterior).Só que agora  em visita mais demorada, com ida á «mesa da cozinha de dentro», se o primo ,nesse ano, tivesse recebido a «vara de Juiz».

 Em  casa dos  meus Avós, era uma catrefa de caçoilas pretas ,onde o «chibo» era cozinhado com todo o saber e arte:

 -Oh Virginia (a cozinheira) cuidado :olhe que o Sr Dr. é muito esquisito no carneiro. Oxalá que o Alpoim(o fornecedor do animal) ,nos tenha servido bem. Ferveu bem ,na hortelã? E esta era fresquinha, bem cheirosa ?

As caçoilas depois de prontas, muito tempo antes da festa, eram ensacadas, e depois penduradas, na frescura do poço. Um enorme poço  que mantenho ( embora sem as caçoilas….).


O almoço de 15,feito na casa da Escola, em Cimo de Vila, no pátio enorme, debaixo de frondosa parreira,e era reservado à Família mais chegada. À noite vinham jantar os amigos ( Dr Amilcar, Teiguinha, dr Julio Calisto, Tio Dorindo etc. etc.) Em qualquer das comezainas lá estava a caçoila, depois de previamente fervida três vezes. E tinha de chegar á mesa em cachão. Senão era logo recambiada

(cont)

domingo, agosto 03, 2014



(Como ontem foi forte, e impeditivo de enviar  a algumas Amigas,  o link.....hoje envio um suave e terno lírio negro)



Dizer o teu nome.

 

Gostava que o teu nome fosse

Um dos três últimos a pronunciar

Quando a lucidez da vida se esvaísse.

E a luz do sol me falhasse no brilho
 
do olhar.

Mas eu sei lá:

No fim não há

 voz nem alento
 
E por vezes nem sequer, momento.

 

Por isso hoje

Antes que a vida me traia

Vou gritar ao vento

O teu nome.  (I.....).

 

E diga- o, ou o não diga,

Naquela derradeira hora

Prometo essa lealdade última

E por isso quero afastados os engulhos

Todos esses pedregulhos

Que nos fizeram tropeçar na vida.

E quando  a lua pairar sobre a ria
 
Ou voar, correndo com o vento
 
Nessa hora fria,saberei,amor
 
Onde  tu estás .....Quero ir para aí.
 
 
 SF

 

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...