segunda-feira, junho 01, 2015


 
 
A Rádio Faneca a despertar ....sonhos...
Entre muitas outras coisa (boas!) que a Rádio Faneca trouxe, para lá do intercambio entre gentes e lugares, gerações a quererem recordar cruzando-se com outras àvidas de saber, movimento de caras novas à descoberta dos nossos becos ...etc.etc.  a Rádio Faneca trouxe  para o palco, a necessidade que há muito reclamo, da recuperação da chamada «Drogaria Vizinho». Provavelmente uma das três mais famosas construções, com farto historial,  de Ílhavo. Ou melhor. Atrevo-me a dizê-lo :  com o maior historial....
 
 
Casa Sousa Pizarro
 
Aquela casa foi mandada construir por Sousa Pizarro, fidalgo  ,cavaleiro, homem de armas e feitos praticados ,com lugar na corte, casado com D Inês de Sousa Magalhães (filha mais nova de Cap.João Sousa Ribeiro) .Tiveram uma filha ,D Benedita ,que irá casar com o Visconde de Almeidinha .A Viscondessa D Benedita, foi a  figura  central da célebre história de bem fazer e grande  pratica solidária -«O Chão dos Pobres»).
A construção da casa é contemporânea à edificação da Igreja Matriz(como o é a casa da Sr SALSA em Cimo de Vila), tendo aliás traços  que se assemelham,  nas cimalhas, o que poderá significar que o autor do projecto terá sido o mesmo.
Viria mais tarde  a nascer nesta Casa senhorial ,essa figura ínclita de Ílhavo ,o Conselheiro José Ferreira da Cunha, um homem probo ,ornamento da magistratura publica, homem superior carácter, figura maior de Ílhavo .E do  distrito.
A história  deste edifício não ficaria por aqui :um grupo de  Ilhavenses, amantes de Minerva, compraram-no e entregaram ao Eng. Tavares Lebre a feitura de um belíssimo teatrino. Estreado com a peça «Camões no Rocio», onde acturam Eduardo Pereira, Rosa Gomes, João Barreto ,com   musica a cargo de João Carolla (que foi regente da «Filarmónica Ilhavense») O teatro tinha como pano de cena uma excelente pintura representando Egas Moniz.E no galerim a evocação dos nossos maiores dramaturgos(ainda hoje visíveis).
Dificuldades, levaram a que no salão se viesse a instalar o « Clube dos Novos»(outro baluarte histórico ilhavense), requintadamente mobilado. Um ambiente «dandy»,«chic»,«d'époque», muito conseguido, onde os sofás tipo inglês vermelhos davam um ar  de intimidade,servindo de pousio a uma nova geração irrequieta que sonhava já com novos tempos.
Mas e sempre as dificuldades acabaram por matar o sonho. E a sociedade acaba por se desfazer. E a casa  é então, comprada  pelo empreendedor  Sr. Vizinho.
Era pois neste edifício (em nossa opinião ) que  deveria ter nascido o CCI (recuperado o edifício em toda a sua beleza e dimensão).E  havia espaço anexo para muita outra coisa.
Se a Rádio Faneca conseguir despertar interesses para recuperação (deste sim!)Património Histórico, então a Rádio Faneca  terá cumprido a sua gloriosa missão.
 
SF
(quem quiser ter mais informação pode consultar  www.senosfonseca.com , clicar em «avançar» ....e escolher entre «Factos» ou «Figuras» o historial do «Chão dos Pobres», do «Recreio Artistico», de Conselheiro Ferreira da Cunha etc etc.)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aquela casa foi mandada construir por Sousa Pizarro, fidalgo  ,cavaleiro, homem de armas e feitos praticados ,com lugar na corte, casado com D Inês de Sousa Magalhães (filha mais nova de Cap.João Sousa Ribeiro) .Tiveram uma filha ,D Benedita ,que irá casar com o Visconde de Almeidinha .A Viscondessa D Benedita, foi a  figura  central da célebre história de bem fazer e grande  pratica solidária -«O Chão dos Pobres»).

A construção da casa é contemporânea à edificação da Igreja Matriz, tendo aliás traços  que se assemelham,  nas cimalhas, o que poderá significar que o autor do projecto terá sido o mesmo.

Viria mais tarde  a nascer nesta Casa senhorial ,essa figura ínclita de Ílhavo ,o Conselheiro José Ferreira da Cunha, um homem probo ,ornamento da magistratura publica, homem superior carácter, figura maior de Ílhavo .E do  distrito.

A história  deste edifício não ficaria por aqui :um grupo de  Ilhavenses, amantes de Minerva, compraram-no e entregaram ao Eng. Tavares Lebre a feitura de um belíssimo teatrino. Estreado com a peça «Camões no Rocio», onde acturam Eduardo Pereira, Rosa Gomes, João Barreto ,com   musica a cargo de João Carolla (que foi regente da «Filarmónica Ilhavense») O teatro tinha como pano de cena uma excelente pintura representando Egas Moniz.E no galerim a evocação dos nossos maiores dramaturgos(ainda hoje visíveis).

Dificuldades, levaram a que no salão se viesse a instalar o « Clube dos Novos»(outro baluarte histórico ilhavense), requintadamente mobilado. Um ambiente «dandy»,«chic»,«d'époque», muito conseguido, onde os sofás tipo inglês vermelhos davam um ar  de intimidade,servindo de pousio a uma nova geração irrequieta que sonhava já com novos tempos.

Mas e sempre as dificuldades acabaram por matar o sonho. E a sociedade acaba por se desfazer. E a casa  é então, comprada  pelo empreendedor  Sr. Vizinho.

Era pois neste edifício (em nossa opinião ) que  deveria ter nascido o CCI (recuperado o edifício em toda a sua beleza e dimensão).E  havia espaço anexo para muita outra coisa.

Se a Rádio Faneca conseguir despertar interesses para recuperação (deste sim!)Património Histórico, então a Rádio Faneca  terá cumprido a sua gloriosa missão.

SF

 

(quem quiser ter mais informação pode consultar  www.senosfonseca.com , clicar em «avançar» ....e escolher entre «Factos» ou «Figuras» o historial do «Chão dos Pobres», do «Recreio Artistico», de Conselheiro Ferreira da Cunha etc etc.)

quinta-feira, maio 07, 2015


E assim  vamos indo. Mal....

 A prestação de Passos Coelho,digna de um entertainer,foi ontem uma boutade ridicula..qb.

Mais ridículos só aqueles elementos na plateia: o « Cherne» ria-se...De quê?! De não ter percebido ,ou ninguém lhe escarrar nas fuças, que ficará na história como um trânsfuga, fugido à desgraça de um País a mergulhar no fosso, para ir servir de clown, a dizer o que lhe mandavam dizer. Ou o «liliputiano»  Marques Mendes, chefe de negociatas mil ,o herdeiro de de futura citação, de capitalista bem sucedido (vidè Passos Coelho ,ao chefe Loureiro).E muitos mais. Riam-se da palhaçada tonta, despropositada, inventiva, do histriónico Passos. Que fala de algo que ele pensa ser o seu País, sem perceber que está a falar de coisas que só existem na sua imaginação fértil.

Sabe-se que Portas no final do espectáculo lhe mandou um sms ,a dizer:

-Deixa-te de palhaçadas, e tem tino...pá...já farta...assim largo-te de mão...de vez.

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Acabo de ler L'Observateur.

E descubro  na edição de hoje o elogio a  Mariana Mortágua. Que o jornal francês classifica como la tombeuse des Rockefeller portugais, heroína da luta contra o capitalismo.

Gostei.
Gosto do ímpeto de M M. E da sua acutilância. Non, je ne suis pas,comme les autres ,assume MM. Não o foi no caso BES..., como ainda ontem a ouvi meter o Passos no saco, dar-lhe um nó, e embrulhá-lo : há 4.000.000 de razões para o seu elogio a Loureiro. Um upper cut que deixou Passos KO.

MM está  naquela idade em que pensamos  ir mudar o mundo. Certo é que seu Pai(Camilo Mortágua) também sonhou com isso na ditadura. Teve bom exemplo. Mulher de luta, cuja carreira será bom não perder de vista. 
Se isto fosse como no futebol, dizia já ao PS para lhe comprar o «passe».
Que chefe de bancada ali estaria...

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  Noticia o Point :
O Chefe da Al- Qaida ,foi bombardeado...e foi -se---

Pois foi.... Nasser Al-Ansi, foi atingido por um drone americano. Nasser foi quem reivindicou o ataque contra Charlie Hebdo.
Bem já deve estar entre a 12000 virgens, em pleno gozo de desvirgulagem colectiva.
 
SF

 

segunda-feira, maio 04, 2015


 

Tlim---Tlim....Tlam..

 No repouso quieto
Desta noite

Os nossos beijos.....

 E o teu coração quente

Para me aquecer..

                      .... mais nada

Um beijo...outro

 E a noite vai.

Ficamos nós

A ouvir o eco

                          tlim--tlim

                          tlam
SF -Maio .....

sexta-feira, maio 01, 2015


 
Pikkety ...e (de novo)  o CAPITAL

Ouvi com muito interesse e com deleite, a entrevista a Thomas Piketty, de quem, aqui há um ano, referenciei e sugeri  a leitura do best seller(16 milhões de livros vendidos.) «Capital  no século XXI» (agora já em português)

De Piketty, diz-se ser uma das mais brilhantes cabeças do século. Um  economista que privilegia o papel da história na investigação económica, analisando o passado,  para desmontar o presente. Para então  propor o futuro. Tipo brilhante. Explicando (como já o tinha feito no livro) matéria tão complexa de um modo tão simples e cativante. Ao alcance de qualquer cabeça pensante.  

E é claro,reafirma: com austeridade nada se resolve.Com inflação zero ,nunca pagaremos a divida. As dividas publicas são pagas(?) -explica  - de diversa maneira, mas poucas ou nenhuma vez «a contado».

Toda a estrutura politica europeia está errada, declara.E logo explica porquê. Soberanamente evidente. E logo acrescenta: - não é um País, mas (tem de ser) um grupo de Países alinhados que terão de mudar a arquitectura europeia.

Coisas tão evidentes, que nos deixam perplexos porque (e beneficiando quem?) estamos a teimar na formula errada.

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Nóvoa... ou névoa a dissipar-se

Não estou muito preocupado com as eleições presidenciais. estou muito mais temeroso, isso sim, com as legislativas. Quando já se elogia Dias Loureiro na antena  partidária,tudo é possivel vir a suceder .O mundo é dos que não têm vergonha.

Neste avanço de candidatos, vejo com interesse sair do nevoeiro, o Nóvoa. Gosto do seu raciocínio, gosto da sua postura, gosto das suas ideias.

Vou seguir com atenção....E ver, se sujeito à pressão, é homem para se aguentar.

Uma coisa tenho certa desde já: Nóvoa pensa com a cabeça...Cavaco pensa com os pés...

E se de dentro do nevoeiro......(nada...nada...deixem....)

SF

sábado, abril 25, 2015




E venha outro!!!!!!!
 

 

Tantos a falar do 25 de Abril.

E tão poucos a cumpri-lo no dia a dia.

Esta cultura partidária, está esgotada. Se a Democracia na sua essência está ela também esgotada? Eu creio que sim...

E nesta atitude reside o meu mal. Aquilo em que creio, põe-me em contrapé com uma maioria que me rodeia. Uns preferem tão simplesmente viver. Chega-lhes.

A mim, viver não é bastante. Tenho de me interrogar permanentemente porquê, e para  quê, vivo. E só o pensar me basta.

O 25 de Abril enquanto criança fazia-me acreditar que um dia qualquer ...aconteceria...um novo sebastião. Hoje já não creio...

Hoje parece que o vento bateu nele, e que  todos os sonhos , ambições e desígnios (!),foram  vergados, deitados por terra .«Este» 25 de Abril não tem mais capacidade de voltar a ser. Talvez nem sequer de voltar a querer ser.

                                                  Já se cerra  o Abril dos quarenta

                                             Cuja  ementa

                                             Foi sonho já  passado

                                             De um   povo aquietado.

                                             Quero um  Abril novo levantado,

                                             Erguido pelo grito da turva

                                            Que de novo pelo sonho incendiada

                                                                             [ Grite:

                                                                              é por aqui que quero ir

                                                                             .... e não por aí.

 

SF 25 de Abril 2015


domingo, abril 05, 2015


Amigos:

 

 Não tenho qualquer tipo de religião. Tenho, do exercício das mesmas,  razão profunda de afastamento por me lembrar que as  maiores atrocidades sobre o indefeso humanoide, foram sempre( ou quase sempre...) levadas a cabo evocando falsos credos e equívocos deuses.

Por isso a Páscoa, pouco o nada me diz.Muito embora respeite todos os que assim não pensam. Neste dia, sexta feira, meu Pai comia só (e nada...nada mais...) que um rabo de sardinha salgada. Eu, por educação(e sem saber porquê), respeito a tradição. E hoje vi-me grego para encontrar as sardinhas (péssimas...diga-se...).

Foi um dia massacrante para mim. Não vesti o sudário para com ele amenizar as penas que a vida me trouxe. Não..não me queixo: pois se a vida assim procede comigo, eu também a enganei muitas vezes. Estamos pois, quites...

Mas agora (nesta noite) sobraçando a ria no meu paraíso-acreditem oh! incrédulos!, em boa verdade vos digo que o dito existe-  fui ali ao terraço, encher-me dela .E libertar-me.

Uma penetrante, acre e doce, intensa mas esquiva, maresia, chega-me brotando com uma intensidade   que me resgata, como individuo ,do pesadelo da memória colectiva que hoje é este País. Esta minha obstinação em disfrutar esta maravilhosa dádiva que me é oferecida, levanta-me alguns temores de ingratidão cósmica. Esta obstinação cativa-me. E comove-me. Maravilha-me. Sinto que tenho - ou me foi concedida!- uma alma imensa que não cabe dentro de mim, fisicamente.

 

Ao olhar a Lua lá nos meios da abobada celeste, hoje um pouco enfarruscada, fujo em me  perder no imbróglio desta imensidão que me perturba. E pouso os olhos na paisagem lagunar. Pareço antever  a madrugada, o nascer de novo dia, na peregrina ideia de que o meu dia, seja, amanhã , bem melhor que o de hoje.

Mas se não for, sigo em frente...

 

SF

sexta-feira, abril 03, 2015



 

Carta Aberta á Professora de Flauta do meu neto ....

 

Chegado o neto mais novo,  casa, para passar a Páscoa, comigo,  inquirido sobre as notas do período, lamentou-se o rapaz que, sendo boas a notas a  todas, teve de novo negativa a Musica.

-Eh! pá não me digas que não sabes ,nem ao menos, tocar ferrinhos?

-Não avô o problema é que não aprendo a tocar flauta....

-Ainda bem rapaz, isso é instrumento de meninas..

E vai daí resolvi escrever esta carta á Digmª Professora de Flauta:

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Ex. m ª Senhora Professora:

Triste e psicologicamente abatido, o meu neto(J.B..........) trouxe-me a notícia de, e uma vez mais, ser anotado com negativa, na importante e fundamental cadeira lecionada por V Exª, mais concretamente na matéria: FLAUTA.

Ora eu não estou em crer na dificuldade do instrumento, se bom e convenientemente manejável .Bem soprado, sempre acabará, mesmo que mal tocado, por corresponder ás pretensões do proprietário. E às expectatvas  da soprano.

Devo dizer a V Exª que ,sem dote algum que me indiciasse poder,um dia ,ser um «mozart»,fui um esforçado professor de «flauta». Instrumento proibido antes de Abril de 74,a que era atribuído um nome fellatiano, muito  poético mas estranho na compreensão literal portuguesa, muito mais talhada para os enfeites peitorais, foi depois introduzido nas camadas populares, decididas a aprender novas motivações sensoriais. E ai da novas gerações que não saibam tocar «flauta». A «sublevação» nunca será consumada.

Preocupei-me sempre em demonstrar que a «flauta», não é, só em si ,e por si, um instrumento de sopro. Não!.... É um instrumento onde a movimentação, suave mas certeira do dedo, extrai todas as virtualidades da «cana»- Digo «cana» porque  naqueles primeiros tempos, o popular caniço, era o instrumento menos espaventoso, mas bem mais redondinho(muito mais popular) ,e por isso mais alcance das camadas mais desfavorecidas. Não na «cana»-longe disso!-  mas na disponibilidade partouze «pífara».

Com muita paciência -e por boa causa,registe-se - ensinei que não era apenas um simples movimento labial que fazia «vir» a musica celestial». Não. Definitivamente. A corrente tumultuosa  vinda das profundezas, perturbadora da razão e do espirito, e dos sentidos, furacão que eleva o mortal ás alturas dos deuses,  só se consegue com um suave -e  bem ajustado- manejo dos dedos, nos orifícios  instrumentais.

Fico pois perplexo como é que V Exª, formada numa Universidade moderna, certamente «praxada» e certamente solicitada  -certamente «et por cause», outras por «cause e Comp.»-para o citado exercício instrumental, com que a massa estudantil desfilava  metaforicamente ilustrando grupos  estudantis, não consegue explicar a matéria, na sua complexa mas saborosa, complexidade. Melhor é voltar á reciclagem....

Tomo  a liberdade de informar V Exª de que me predispus ao seu tutelar Ministro, Crato de nome, cretino de ideias, a oferecer-me como voluntário para o exame de avaliação nesta matéria,  certo de que não  me disponho a julgar, mas a exercer uma avaliação continuada da aprendizagem na matéria (assim sim,é que se aprende o ofício).    

Reconhecendo a importância de que o propósito luso está no saber «musical» do corridinho flauteado, à portuguesa, sou,

De V Exª muito penhorado

 

SF

quarta-feira, abril 01, 2015




Aveiro (cont): Capela de S-João Baptista
 



 

Incluo hoje este documento fotográfico que marca um momento histórico para Aveiro.

Depois de implantada a República, numa certa, incontrolada e assanhada  atitude, houve por todo o lado a destruição, pura e simples, de diversos templos ligados à Igreja. Cujas posições  muito próxima do miguelismo não tinham ,ainda, sido digeridas pela ala mais jacobina  republicana. e porque um clero pouco evoluído, retrógrado, ainda ignorante e com medo de perder os privilégios ,era feroz oposição para os princípios republicanos,

Aveiro ,cujos ideais  liberais tinham sido pagos com a vida e o desterro de muitos dos seus heróis, não poderia ter escapado  a uma vingança, ainda que simbólica. Curiosamente já tal tinha sucedido com a destruição da Igreja de S.Miguel, sem duvida um templo anterior à formação Pátria .E assim, o templo do S. João Baptista, do Rossio, será completamente destruído, nada dele restando : arrasado pedra sobre pedra .

 




                                                     Foto 1-      A Igreja de S.  João  ainda erecta

 



                                          Foto 2-   Restos da Igreja de S. João (já praticamente demolida)

O local, que cremos é perfeitamente identificável ,ficava sobre a curva do canal  do Côjo (o principal) contornando o Rossio, frente à ponte da Dubadoura (também em tempos conhecido como da Ribeira, ou canal das Azenhas)..
 







foto3-  Rossio






Foto 4-Outro documento,  na curva do canal
 
Usando  uma leitura do Mapa de Teixeira Albornaz (1641) poderíamos (?) pressupor que a referida Igreja, é, pós  aquela data. E pós Estaleiro de S João, que ali esteve instalado. Só que não sabemos a data exacta do trabalho de Albornaz, em Aveiro, integrado no lindíssimo  Atlas de El Rey Planeta. De facto entre a data da publicação e o inicio da representação de todos os portos da Península, mediaram décadas.



                    Grav.1-Detalhe de Aveiro por  Teixeira Albornaz. Vê-se nitidamente a representação do Estaleiro de S. João.(Atlas de El rey Planeta)

 

 Grav 2-A Vila  Séc XVII

Já na representação do mapa que pretende desenhar a Vila em 1696,também nela não se assinala nenhum templo no Rossio.. Teria sido posteriormente  erecta?.

Na verdade o templo de  S.João começou a tomar forma em 1607.

Com a destruição da Capela de S.Miguel, demolida em 1835,as relíquias de  S.Sebastião oferecidas por D João III,depois de um devastador surto de peste e que lá estavam, guardadas a três  chaves, vieram para a Capela do S. João  Baptista. Em grande, vistosa  e muito concorrida procissão:-referiu-se ao tempo. As relíquias continuaram a ir na  procissão, que todos os anos se realizava a  20 de Janeiro .

A Capela de S.João deveria ter sido erecta numa zona(ainda) alagadiça ,de marinhas e quando da sua destruíção  pode ser   apreciado um enorme palheiro pertença da marinha de sal, anexa.



foto5-A Capela de S.João Baptista de outro angulo e casa anexa

 

SF -Abril 2015

(Foto 2 e3- Horta Carinha col.postais) Restantes : Onda vídeo -Rui Bela-

 

 


segunda-feira, março 30, 2015




Os princípios da Urbanização da vila (anos 30)

 

É bem verdade: há sempre um a fotografia que nos prende o olhar.

 Rua João de Deus com o  largo do Oitão ao fundo.

 
Por mero acaso encontrei estas(más fotos).as muito interessantes para quem está mais interessado na informação do que na qualidade fotográfica .Fixam pedaços das ruas mais importante da Vila, num momento da sua história: quando  se começavam a definir áreas de circulação para os peões(passeios). Que apesar disso ,mantinham o costume de circular pelo centro da via.
Do lado direito vê-se um pouco da casa onde esteve instalada a Tipografia Beira Mar. Logo a seguir,para mim curiosamente, fixa  a casa da minha avó Bolé  (que foi depois de meus Pais, e onde vivi até me casar.)Percebe-se, claramente, o desenho dos passeios.

 Agora podemos observar um pouco da Rua Serpa Pinto:
 
 Vê-se um naco do antigo edifício da Câmara (já propriedade  do Cap.Corujo),depois a casa de Arthur Sacramento, e claro o local onde esteve instalado o Clube dos Novos, mais tarde a Drogaria Vizinho.  Também aqui, se podem apreciar, os passeios públicos.

Vejamos,agora,um trecho da Rua de Camões:
 
 

 


Ao fundo a Praça da Républica,  para onde se dirige o ciclista. Do lado direito ficaria o Beco da Manga.Do lado esquerdo é perceptivel  o edifício onde esteve, em meados do Séc.XX , a Adega do Sr. Borralho .

 

E agora a ultima deste bloco: a Rua Direita.



 Também esta para mim particularmente curiosa, pois que a segunda casa de r/c, que se pode ver, à direita, foi a casa de meu sogro, Cap.Vitorino Parracho herdada de sua mãe Rita Mauricio. E depois da minha mulher. Logo a seguir a Farmácia Diniz Gomes.
Muito curioso notar os elevados rebates das portas para onde ao domingo vinha o mulherio ver os passantes

(espero que saia algo visível)

SF
 









domingo, março 29, 2015




Os Jesuítas e o seu novo método de Ensino....

 

Tínhamos já sido despertados para a experiência que a Finlândia pretende fazer no seu Ensino, uma verdadeira revolução. Só que hoje fomos (de novo despertados) para o facto de que afinal, a Finlândia, vai tão só (aderir) e seguir os métodos de ensino praticados (já hoje )em diversos colégios Jesuítas.

Neste novo  método de ensino, o aluno é o centro do ensino. A avaliação é contínua, e o professor faz perguntas. Não dá respostas. Não há qualquer tipo de exame, mas tão só uma avaliação continuada .A ideia é levar os alunos a  aprender, fazendo. Os trabalhos são por projecto, e a aprendizagem autónoma. O novo método de ensino, já implantado em vários centros jesuítas ,tem a designação - projecto  Horizonte 2020.

Há colégios onde os dois tipos de ensino convivem: o anterior ainda com o púlpito do professor na frente  dos alunos : portas fechadas, janelas timidamente rasgadas. No Horizontes 2020,as portas estão sempre abertas ,o acompanhamento pelo professor  é contínuo, e as janelas são completamente rasgadas para o exterior. As mesas dos alunos têm rodízios e aqueles são convidados a constituírem grupos de aprendizagem, associando-se. Não há ensino por disciplinas ,mas por matérias, e os horários são  livres.

Ora no nosso país conhecemos, desde  há muito, as vantagens e os inconvenientes da educação Jesuíta. Até ao Sec XVIII ,praticamente  foi a única fonte do conhecimento em Portugal. Depois sonharam alto e ricos e poderosos, pensaram mesmo substituir o poder do Rei. Sabemos também-e não o esquecemos- como esse ensino se tornou obsoleto e perigoso, pois, posto perante a razão e os conhecimentos que desmontavam a posição dogmática da Igreja, logo tomou em mãos o Tribunal da Santa Inquisição, com que pretendia (ou julgava pretender) opor-se e fechar o país à verdade cientifica.

Tudo hoje mudou. E naturalmente que o ensino jesuíta, despido de mentalidades retrógradas e com uma igreja que procura reencontrar-se com o Homem, voltou a ser um centro do conhecimento, ao que parece, de novo inovador. De louvar. Não há catequização: apenas 15 minutos de reflexão conjunta  para charlar sobre boas maneiras e desejar em grupo um bom dia.

Curioso o facto de a Finlândia ,sem ligações ao passado Jesuíta, tenha atenta e logo revolucionariamente , aderido à nova metodologia, vinda de uma Instituição que lhe não é próxima.

sábado, março 28, 2015


 A vida é feita de ais e silêncios....

 

Olho a harmonia das coisas

Com a mesma indiferença

Com que olho, e conto,

As desilusões do coração

Desfeito.

Sinto ainda o sabor  do desejo

Que o vento me traz

Por entre as dunas do teu peito.

Entras  sem eu querer

Aos tropeções,

Corres por mim acima

As tuas mãos  convulsão de desafios

Teus lábios  fazem-me arder  como pavio.

Vens de lá longe

Como aquela bateira negra,

Tão negra como a vida,

Que  vem de lançar as redes

À procura de estranhos seres.

Ai se ela  nos  enredasse,

A mim e a ti também,

E nos levasse para um canto do mar

Onde teu fogo

Consumisse o meu fogo,

Num a zaragata de ais e silêncio

A esquecer quanto a vida tece

E nos entristece.
 
SF Março 2015

 

quarta-feira, março 25, 2015



 

Na morte de Herberto Hélder

 

Anunciada a morte  de Herberto Hélder, uma perda assinalável ( quiçà irreparável...),logo acorreram nas redes toda uma série de clichès, onde (até) parece que o autor enclausurado, era  um autor fácil, com uma escrita transparente, de adesão universal.

Muitas foram (e são)as citações. Poucas ou nenhumas enveredaram  pela a apreciação e  identificação da poesia do autor que ,por vontade própria passou de uma vivência em casa de passe, para uma clausura de desígnio.

É estranho que este mito (H.H.),fizesse tudo para ser mito mesmo antes de...

Um poema de HH, é como uma Guernica  surrealista de Picasso: olhamos e temos de aprofundar, ir e voltar, até conseguir o fio condutor que a torne visível ...e perceptível..

Dizia Pessoa (o mito anterior a HH) que escrever é objectivar sonhos. Mas ao dá-los aos leitoes, fica a pergunta: o que tem o mundo destes como meu mundo interior do autor?

Uma obra de arte pode de imediato colher todos os nossos sentidos e emoções. Mas pode exigir uma descoberta : do mundo em que vive o autor. Numa cela ou num deserto. E o mundo do autor pode ser bem diferente do mundo do leitor .Assim cada palavra escrita pode trair o autor. Por isso, aqueles que transcendem os limites, obrigam-se a escrever, mas são avaros em se publicar.

Morreu Herberto Hélder :  o País perdeu um artista da escrita que se obrigou a talhar um escritor á imagem do seu ideal.

Tenho contudo a impressão que ainda é cedo para assimilarmos a sua mensagem escrita. E a de vida...

Comecem ,pois, a lê-lo....e perceberão que se pode gostar muito(e é ,nesse caso uma orgia...)...mas também se pode ficar pela interrogação : o quer dizer HH? (não há que ter medo...).

A HH, só lhe faltava saber tudo...

SF

domingo, março 22, 2015




 A Poesia está em qualquer lado...em qualquer dia



 
 

Pela noitinha ia para a janela

Do meu quarto

Que despejava

 para a rua do Loureiro

Ver passar as minhas putas

 No trottoir  vizinho dos seus outeiros.

Mulheres da vida, vencidas

Mulheres da vida, de todos

Mulheres da vida, de nada,

Iam fazer pela vida .

 

Escombros de seres que já foram

Roídos pelo taredo,

Sem dia para carenar,

Deixavam no ar um rasto,um perfume,

Que mais do que cativava,

Enjoava.

 

           

Lírios roxos desmaiados

Pintados, retocados,

Papoilas outrora vermelhas

Hoje caiadas de um esborratado

Zarcão,

Em tempos esbeltas;

Hoje derreadas, a carregarem

Todas as estrelas do céus

Que miraram,

Enquanto delas outros se  iam servindo.

 

 

Nos olhos ia-lhes uma tristeza imensa

Ao verem o corrupio  de  gente

Que passava e não parava,

Sem nunca lhes ter chegado

Aos  ouvidos a serenata

Que delas fizesse

Meninas enamoradas.

 

 

E  Lourdes,a mariposa mais bela

Da rua do Loureiro,

Outrora Rainha no trono

Hoje festim de prazeres,

Esconde no peito

A sua alma negra

Cheia de vícios e de outras façanhas.

Onde já nem um sol pardacento

Brilha,

E pede ao vento:

 
 

Oh vento polidor de estrelas

Vem! Vem dai dessas fráguas,

Vem amaciar minha carne

Vem -me dar o afago do teu corpo 

Vem levar  os arrepios de frio que sinto

Os ais gelados

De quem tudo perdeu

E já nada tem.

Nem respeito nem dignidade

 Só o  agradar a quem me

desagrada.

Vem vento ! E leva para longe

Pedaços do meu coração estilhaçado

 

Vem vento!

Para me levares a mim...

Meu corpo já não se vende

Meu corpo já não me basta

Meu corpo já de nada me serve

Para  deixar de ser  escrava.
 
SF
 
 
(Com a devida vénia ,cito Gabriel Garcia Marques)
 

 

AS viagens da Grande Armada de ZHENG Já num outro trabalho, publicado em Blog especial, aqui há uma dezena de anos, trouxemos  ...