sexta-feira, julho 03, 2009

É proibido…proibir ser feliz…

Uma pessoa amiga que me vem acompanhando nesta caminhada solidária, dizia há dias com uma convicção de crente assumida «ter alcançado todos os objectivos da vida, e ser, portanto, uma pessoa feliz».
Feliz, acredito. Regozijo-me que uma pessoa - neste caso estimável – se assuma. São afinal poucos, os que o conseguem ser.A minha amiga é,pois ,uma sortuda.

Mas esta frase inocente, que outros presentes ouviram também, e certamente nem importância terão dado, a mim martelou-me a mente; não uma, mas dezenas de vezes, dei repentinamente comigo a reflectir no seu sentido. A questionar a afirmação (respeitando-a ,claro…)

Gostaria de desfazer a convicção (assumida) desta amiga. Mas para quê interrogar os que convictamente assumem o alcance da felicidade como se esse sentimento -ou estado de alma – dependa, exclusivamente, da observação restrita do seu eu, desligado do que o rodeia?
Posso eu ser feliz num mundo que ,propositadamente ou não , não foi feito para tal?

Gostaria -mas para quê (?!), pergunto-me - de Lhe fazer notar que a meio da vida nunca se deve deixar de fixar novos – e desafiadores objectivos - porque se o não fizermos a vida passa de coisa suportável, a coisa entediante.
E, como habitualmente, dou comigo,por mero exercício retórico, a ir ao absurdo da questão.

Podemos em qualquer altura da vida dizer que atingimos os objectivos que num momento qualquer(qual?) fixámos? Não! Respondo…desde logo.

Basta ir a um só exemplo…

Há um objectivo final que julgo ser comum a todos os mortais: o de findar dignamente. Ora a verdade é que nunca saberemos se o alcançámos.
Então apetecia-me dizer á minha amiga que corrigisse o discurso e,no futuro, dissesse:
-Sou feliz porque alcançei todos os objectivos que até ontem (!) fixei.


Mas não direi. São tão poucos os que á minha volta têm essa convicção, que eu não tenho direito de a beliscar, um instante que seja.


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País de brandos costume, exaltado….


Vai por aí hoje uma freima.

Parece ser insulto indiciar bonitos enfeites cornigeros a uns peralvilhos que assentam o rabinho, ano após ano, nas cadeiras do redondel da praça a insultarem-se desbragadamente ,dia após dia,nada mais fazendo do que vomitar tolas pantominices demagógicas.


Porquê, pois, tamanho pudor, que faz de um facto banal- a transcrição gestual do simbolo«Ápis»- uma ofensa pátria? Provavelmente com direito a« manif» de desagravo, com data marcada, á boa maneira Salazarista. Ora se Pinho em vez de indiciar com os dedos em riste ,indiciasse com as mãos «em concha»,talvez acertasse mais e escandalizasse menos.Parece que ser-se burro não ofende,mas ser-se remanso já é aviltante.


Ou estavam, antes, à espera que uma «cicciolina portuguesa» mostrasse as maminhas como é habitual lá pela Itália, onde ninguém se sentiu insultado, à excepção de quem não possuía tais atributos? Ou se, como acontece nos «Comuns» de sua Alteza, se questionasse o ilustre deputado,de «to be or not be»um «corno de vaca»? (O que convenhamos é muito mais duro de encaixar e muito mais aviltante).


Amanhã, é certo, a imagem vai aparecer em todos os jornais e fazer manchete de todos os noticiários televisivos, com o se os «Portugueses» tivessem ficado escandalizados com tal gesto.
Ora aposto que o sentimento do portuguesinho de hoje é precisamente o contrário. Até gostou do gesto.
Depois do célebre «toma» do Zé Povinho do Bordalo, o expressivo gesto do Pinho ficará na história. Daquela cambada de indigentes demagogos que se alimentam da teta da vaca pátria, nem rasto ficará.
Lembrei-me hoje dos tempos da 1ª Republica. O que hoje sucedeu, naquele tempo resolvia-se logo ali, á bengalada. Mas a acusação gestual, indicia que a falta bengala, é precisamente a causa do expressivo gesto.
Aquilo foi o discurso do «Estado da Nação? Oh pá, se foi, a coisa deve estar mesmo má.
Aqueles tipos- todos! os que palraram -viverão em Portugal, ou virão apenas aqui para o palratório costumeiro?


Aladino

1 comentário:

Maria Helena disse...

"Ser feliz" é um juízo de valor e como tal muito subjectivo!E tem a ver com a capacidade que cada um tem de aceitar o pouco que se lhe dá e considerá-lo muito.
Infeliz é aquele que considera sempre insuficiente o que tem, quer seja pouco ou muito!Ambicioso? Inconformado? Ávido?...Mas sabe o que me marcou mais? A palavra "amiga". Apesar de ser há pouco tempo, acho que acertou!

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