domingo, setembro 21, 2014


Amanhã, de novo,o amor, trazes-mo Tu.

 
 

No leito

Revolto onde tudo é desalinho

Postas-te possuidora

Sentada sobre mim.

Lá fora as águas dóceis

Da ria correm

É verão

Deixa-as ir

Nem eu sei para onde, elas, irão.

Tempo onde os morangos

Sangram colorindo

Os teus lábios

De um rubor vilão.

 

 

Deitado

Com as mãos pousadas

Na nuca,  peço- te

Sossego,

Vencido.

Sobre mim sinto o aroma

De todo o teu corpo

De amor entontecido.

 

 
E toque a toque penetras- me,

Corpo eriçado, curvado

Esfinge de helena

Grega,

Peitos túmidos espetados

Pela força dos teus braços

Sobre os meus joelhos,

Deixas apenas que a espuma das palavras

Chegue aos lábios

Num estertor de animal ferido.

 

 

Só nós meu amor

Só nós ..

No mundo não existe

Alguém!....ninguém!....

Tudo à volta é  o nosso rumor.

 

E continua o frenesim do teu

Bamboleio ritmado

Fausto festim

De corpos incendiados

No carmesim da colcha enrodilhada.

 

 

Só nós meu amor,

Só nos..

Ninguém ouve a música que sai

Dos nossos corpos amurados

Em outras margens.

Ai!....

 

 

 

O vai vem, o sobe e desce
 
teu,                                                                                                                                 

Permitem aos tropeções

Um corpo dentro

De outro corpo, 

A dar  amor às golfadas

 

 

Soergo- me um pouco

Para que avances mais;

Um degrau de prazer

Ainda mais (!?)....

Trazes então a boca

Ao encontro da minha.

A perversão

Da tua língua húmida

Faz -me enlear

No  mais  gostoso paladar

Do teu doce amor.

É a ria que não pode parar.

 

Envolvo -me na dança

Frenética dos nossos corpos

E vou ao teu encontro

Implorando que me abras

As portas do teu porto.

Negas- me!

Hoje a possuidora és tu!

 

E é então que me apertas

Entre teus joelhos

E bem preso, manietado

Puxas- te toda à frente

Levada pelo  desejo

Imparável

 de seres toda

Toda minha.

 

E eu pássaro

De asas quebradas

Soldadas

Pelo fogo do amor intenso,

Imenso !

Abandono- me aos gestos nupciais

Colho a tua mão

Entrego me ao prazer

De esbeijocar   os dedos

Puxo- te a cabeça

De um modo doce

Quase a medo

E enleio- me no teu cabelo

A ouvir os  compassados  ais

Do teu fim de linha.

 

E vem o silêncio

 

Lado a lado,

Inertes, os nossos corpos brilham.

Saciados

De tanto sal de beijos

E afagos

É tempo de morrer a teu lado.

Neste espairecer lento

No gozo de gastar o ultimo

Alento.

 E tantas loucuras dizer

Que importa?

Palavras leva- as o vento,

E de novo, o  amor

Amanhã, trazes-mo tu.

 

 

SF   Setembro 2014

Sem comentários:

De dúvida em dúvida...vamos aprendendo. Se há parte da História de Portugal que nos foi mal “vendida” nos bancos da Escola, foi a da ...