quinta-feira, junho 30, 2016





 Novo apontamento…

Na procura documental, de vez em quando,surgem-me casos que me vêm esclarecer duvidas antigas. Ou ao contrário, criar novos motivos de procura.

 Registo este ,como um daqueles, que, se tiver tempo, hei-de esclarecer.

Um documento encontrado, fez-me melhor perceber o que no livro «Rotas dos Bacalhaus» então escrevi, já lá vão quase vinte anos. O documento, encontrado na BN ,na altura mais ou menos inédito,  contava um pouco da história da Companhia de Pescarias Lisbonenses. Relatei ,então, seguindo um pouco desta história, os factos  que marcaram o início do regresso à pesca do bacalhau.



Referi o caso das escunas(ou outras embarcações) que vieram de Inglaterra(com dóris e mestres de pesca, o que se revelou um desastre),e a encomenda, surpreendente,de doze escunas  a uns Estaleiro doe Vieira de Leiria. De uma assentada , 12 Escunas!.

Ora agora nesta investigação pelo litoral, dei com o Estaleir ,que não fez as doze ,mas fez apenas cinco. E li a trabalheira que foi, para as tirar  do Rio Lis ,sem barra suficiente para o efeito. Era o estaleiro do (eng.) Manuel Luís dos Santos, um notável construtor de embarcações, de grande porte, em madeira.

Mais espantoso foi aparecer aos meus olhos uma clara evidência: para lá dos mestres de pesca açorianos ,que vieram ,então ,substituir os ingleses, espantou-me que uma maioria dos Capitães desses bacalhoeiros, fossem  naturais da Figueira da Foz.



Em 1837,  o figueirense, cap. José Pereira Pestana, comandou o patacho Espadarte, e mais tarde  a barca Empreza.

Em 1839, Manuel Luís dos Santos ,da Figueira, depois de pilotar o Thetis, comandou a escuna Tartaruga,e depois, novamente,  a Sereia.

José Joaquim Mesquita, em  1841, viria a comandar a escuna Delfim, e logo depois a Tartaruga..

Manuel de Aguivar, viria a comandar  a escuna Tristão, para logo depois(1842) comandar a Thetis e ,mais tarde, o patacho Alvacora.

Em 1844, surge o figueirense Francisco de Lemos a comandar  o brigue Vestal .

Em «Rotas dos Bacalhaus», na pg. 89 já referimos a maior parte destas embarcações.
«Nas Rotas dos Bacalhaus»

Só em 1837  nos aparece um Cap.Pena a comandar  a comandar o patacho Neptuno. Refere-se ser de ílhavo. Levanta-se, pois, aqui e agora, uma interrogação. Há qua apurar os dados.

Mas um novo dado surge a exigir esclarecimento. Se sabemos quem foram os capitães, ao fazer uma leitura das tripulações, logo salta, à vista, a predominância(quase extrema maioria) de pescadores da TRAFARIA e CAPARICA.

Ora no final sec.XIX, na Trafaria (e na Caparica) predominavam os «ílhavos». Historicamente um facto.

E então concluiremos (para já) : -nesta segunda etapa, os figueirenses comandaram, e «os ílhavos» pescaram. Curiosa situação que anos mais tarde, se iria inverter.
Na próxima visita ao Arquivo Geral da Marinha iremos investigar.

SF




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