quarta-feira, setembro 24, 2008

Volto,hoje, ao que me aflige:

como mudar ideologicamente o estado do mundo.?
Poderia aqui contar histórias da treta. Era fácil –facílimo !- sustentar essa inutilidade vaidosa. Eu prefiro pensar, e dar conta do que penso, sem outra intenção que não seja a de me sentir bem ,sabendo que enquanto pude, tentei compreender o meu tempo. E saber que me preocupei com ele. Não faço o Blog para que me leiam, mas sim porque gosto de falar e discutir ideias. E agora retirado da vida activa, é esta a maneira de participar.
Dia a dia a observação da convulsão capitalista, confirma o que tantas vezes, nestes anos a blogar, aqui fui dizendo - deixado à solta o capitalismo, devora-se, destrói-se a si mesmo. É auto-fágico quanto deixado sem trela,à solta.
E foi isso o que aconteceu. A engenharia (?) especulativa atingiu níveis impensados. E o certo é que muitos bendiziam o que julgavam ser distribuição de benesses dadas em nome de progresso. E por cá foi-se copiando :- um pouco mais tarde, é certo. E até apareceram Bancos a pagarem 10% das despesas ,diziam, e dizem ,como se eles só não dessem um atilho, a quem lhes desse um porco. Gastem amigos ,nós pagamos era o slogan ,deste e outros incentivadores compulsivos ao gastar desenfreado.
As entidades reguladoras nada fizeram para acabar com o facilitismo. Não havia dia que o telefone não ringasse a oferecer dinheiro; toda a gente parecia querer ser o Pai Natal, de todos os dias. Natal já não era quando o homem quisesse:-era todos os dias ,porque os especuladores assim queriam ,apanhar os últimos trocos.
Muitos –tantos! - sentiram-se experts na especulação bolsista ,que deixavam envergonhados quem se recusava a entrar na jogatina de brincar aos papel pardo das acções. Mesmo que estes, se o fizessem, só arriscassem o que era seu. Enquanto os chico – espertos do ganho fácil arriscavam com o pelo do cão do seu banco, emprestado. Quando chegou a hora da verdade, é que foram elas. Pagar o pêlo do cão do banco ,custou-lhes o próprio pêlo, e o da familia.Tansos…

Ora agora é que é a altura de perguntar :- então tem, ou não, de haver intervencionismo do Estado ,no mercado? Então paras se salvarem milhões de famílias, tem ou não de se SOCIALIZAR a divida contraída? Estamos dispostos - todos! - a entrar nesse empréstimo social? Ou ainda não percebemos que a injecção de triliões de dollars, e ou euros, injectados para suportar activos que se transformaram de repente em passivos, terão de ser pagos por todos nós, proporcionalmente? Ou continuar-se-à a pensar que o dinheiro dos cofres dos Estados, existe mesmo ali ao lado, produto de poupanças geradas, para gastar quando for preciso?

A desgraça, a nosso ver, ainda não chegou cá em toda a dimensão. O tsunami deu-se nos EUA; cá, vai chegar lá para o fim do ano, vão ver….
Há que encontrar outro modelo social, económico e politico. E só a Europa pode consegui-lo.
A convulsão social que vem aí pode ter fins trágicos .E ou depressa se encontram os meios e os métodos –a nova forma - de acabar com a «roleta capitalista», ou entraremos num período que só sabemos como começa ,mas não sabemos como acabará.
É mesmo verdade: basta de discutir falsos esquerdismos. A esquerda se quer salvar a Europa tem de perceber que é agora, ou nunca! Concentre-se essa esquerda no essencial ,deixe com pragmatismo a luta de classes - que já nada tem de realismo - e salve-se o que está por aí esfarrapado.
E deixemo-nos de tonterias : não é um País que mudará o mundo. Todos terão de procurar e aceitar as novas regras. Onde estão os dirigentes que ponham mão á obra? Aqui é que está o busílis. Aqui é que começa a minha primeira dúvida, e o desconforto.
É que neste ponto entrámos em crise , por esse mundo fora.
Aladino

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