segunda-feira, junho 09, 2014




Coisas certas que fiz para pessoas erradas.


Um individuo não se deve decepcionar pelo que foi fazendo, e não resultou. Mas pode e deve exprimir, que há pessoas que o decepcionaram.

Na verdade eu não sinto as coisas subtilmente. Se o fizesse era fácil tornar-me indiferente. Vivo, e queria continuar a viver tudo :- paixões, emoções, enganos e desenganos, intensamente. Como se já não houvesse tempo para mais nada…

Volto– me para a ria.

Aconselhado a não sair do meu paralelo, olhei lá para o fundo as águas claras. Eu não as quero sujar…

E fixei-me numa vaga que vinha tocada, lá do sul. De longe, trazia-me o quê? Paisagem da outra margem? Notícias de alguém perdido? Silêncios de quem se sente descoberto?

E a vaga veio e desfez-se, batendo nas pedras da muralha. E em mim, desfez-se com ela, a angústia da dúvida.

À minha volta o silêncio deixou de respirar. As gaivotas pareceram desertar,livres.

A vaga trouxe com ela uma brisa sua. Tocou-me ao de leve para me acordar. A tarde finava-se sossegadamente, enquanto a brisa leve me cariciava. Só que hoje, não há maresia que me desperte.

É branda esta tarde do meu cativeiro. Agora que vomitei a verdade que trazia há longo tempo comigo, e me incomodava, levando-me a atitudes que não são habituais em mim, a consciência tem a noção da perda, mas o meu eu ficou limpo de chocarrices. 

-vou passear pela vida, calado.

Nunca me arrependo das coisas erradas que fiz; arrependo-me é das coisas certas que fiz para pessoas erradas.

 

SF

 

Sem comentários:

De dúvida em dúvida...vamos aprendendo. Se há parte da História de Portugal que nos foi mal “vendida” nos bancos da Escola, foi a da ...