sexta-feira, junho 06, 2014


CAPITAL SEC.XXI
Lidos diversos artigos em revistas estrangeiras, referindo o «Capital no Séc.XXI», de Thomas Piketty, apressei-me a mandar vir de França (onde está já disponível), um exemplar do livro.
Volto assim ao «Capital».
As primeiras leituras, era ainda rapazinho muito moço. Frequentava os primeiros anos da Universidade, e já me embrenhava no «Capital» de Karl Marx. Consegui, então, duas edições(proibidas), que guardo ainda. Aprendi muito com a sua leitura. Claro que me induziu a outras  leituras, levando-me aos Troksty, Lenine, Rosa Luxemburgo,e muitos outros ideologos comunistas. Como não poderia deixar de ser,quase me tornei um fervoroso  adepto do materialismo, histórico e dialético.
Sol de pouca dura,logo que visitado in locco o sistema.Marx não teve culpa.E da teoria à aplicação, as veredas são tortuosas.
Deixemos Marx por ora...muito embora sem esquecer o que a sua genialidade ensinou. 
Li (já) as primeiras cem páginas do  «Capital no Séc. XXI».Desde logo impressiona  a simplicidade da explicação de problema tão complexo.O autor é extremamente escorreito e didático, nas explicações, fugindo, de todo,de conceitos abstractos. Basicamente, o autor, interroga-se :
                   1-A repartição da riqueza,a acumulação do capital privado,conduz inevitavelmente  a uma concentração,da riqueza e do poder, em uma parte (muito) exígua da população,como afirmou Marx?
                     2-Ou será que as forças equilibradoras do crescimento conduzem a uma redução de desigualdades, e consequentemente, a uma harmoniosa estabilização nas fases do
desenvolvimento?
 
De interrogação  a cada parte deste multiplo problema, Piketti vai-nos dando resposta,fundamentada, nos dados observados, de 1700, para cá.
Para já, e nesta fase iniciática de leitura, o que mais me desconcertou foi:
           - O crescimento médio da produção por habitante,de 1700 até 2010, não ultrapassou uma média de 0,8%, por ano.
           - O crescimento do PIB,terá sido de 1,5% - max. 2%,e é praticamente impossivel ,esperar crescimentos maiores.
Logo se percebe do interesse deste livro para uma Europa que fecha aos olhos a uma realidade histórica.
E como vamos nós lidar com a nossa divida publica, com  taxas de crescimento impossíveis ? (para lá de uns hipotéticos max.de 2%).
SF

 PS-O livro só chegará a Portugal ,prevê-se no final do anos.

Aos amigos interessados,aconselho ,vivamente,a sua aquisição na versão francesa (ou inglesa) na Amazon.

 

 

Sf 

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