domingo, março 16, 2008

Marginalizado não ; «Marginal» assumido


Perguntou-me, não sem um certo ar de pena:

-Não te incomoda seres, assim tão marginalizado, por estes invertebrados que representam o poder serôdio, aqui…?

- Não pá, … não me incomoda, nada. Porque de facto eu não sou marginalizado por eles, eu sou, tão só, um Marginal (assumido) do lamaçal onde chafurdam.

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SÍTIO PARADISIACO


Convidado, inesperadamente para uma charla na Associação dos Moinhos e Ambiente da Região da Gândara, deparei, quando lá cheguei (foi preciso GPS) com um local maravilhoso.
O ribeirão dobrava-se em curvas e contracurvas, até desaguar, enfim no caldeiro do moinho. Sobre o ribeiro que vinha desaguar á barrinha, debruçava-se uma vegetação luxuriante, que fazia de dossel em tons de verde, tão verde que a água nos parecia escurecida, à falta de receber os raios do sol ; choupos, salgueirais, faias, canaviais pendiam até lhe tocar. E nele pretendiam mirar-se ao espelho. Os nenúfares que quase escondiam as águas, povoando-o de verdura viva esparrinhada, cortavam a vaidade ao luxuriante arvoredo. Encarrapitados nesta paisagem, dispunham-se, porta com porta, seis moinhos, numa correria alva de fazer inveja a enxoval de noiva. Ao lado a casinha velha, comunitária, onde escarrapachado sobre uma fogueira, à antiga, fumegava um panelo de um caldo de feijão que ajudou a suportar a charla. A broa quentinha a sair do forno, feita de uma mistura de dois de milho para um de trigo ,era meiga, macia ,e se sobrelotada por naco de linguiça da lavra caseira ,tornava-se pecado mais provocatório que o dito original. Que diga-se, já agora que estamos com a mão na massa, nada tem de original. Ou dito de outro modo. Para ser original tem que se ser possuído de grandes dotes de inovação, para além de se suar às estopinhas..

Se me quisesse inspirar para descrever o tal Paraíso terrestre, era ali, naquela paz dos salgueiros, choupos e faias debruçados sobre o caldeiro onde o ribeiro era aprisionado, que iria buscar fôlego. O ribeiro parava para, depois de guilhotinado, se escapar e deixar cair sobre a roda do moinho, dando-lhe movimento, num ro ro continuo, a transformar o grão na alva e macia farinha, que ia, quartilho a quartilho, caindo para o saco..

O sussurro da água chapinhando na roda, ou o produzido pela leva encanada na vala do ladrão, gera uma sensação de irrealidade interior, libertadora.


Neste espaço idílico, não era fácil - imaginei! - deixar de dar uma trincadela á mação oferecido com segundas intenções pela Eva.
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Por falar de maçã.

Já aqui, no ano passado referi como é bom comer um apetitoso pêssego.Mas a maçã é um fruto muito menos indigesto. E por isso deve ser comida muito mais assiduamente, e até regularmente.

Eu faço-o, ainda que agora, com muito menos frequência.

Fazia-o de manhã em jejum. Era uma boa maneira de entre vale de lençóis, mal desperto, gozar o prazer de morder uma boa maçã. Beber um copo de água depois de …sabia bem. Há outros que o bebem em vez de … São os trouxas…

Mas á noite, ao deitar, era ainda o melhor momento de acariciar a maçã, descascando-a ao de leve, e ferrando-lhe a dentuça. Ao princípio só pela borda depois, indo depois bem mais ao fundo. Saboreada, é tempo de cair na modorra sonolenta que nos envolve pós repasto, saciado o apetite, degustado o suculento fruto depois de um belo descasque. Tempo para, enfim, cair nos braços do Orpheu, ou ainda melhor se no aconchego de outros menos poéticos, mas bem mais humanos.

Desde cedo que fui aconselhado, e aceitei a recomendação dada por quem sabia da poda, de nunca comer uma boa maçã, mesmo que tenra – porque um pêro bravo(bafo?) de esmolfe, nem pensar – depois de uma farto e empazinador repasto. Pode parar a digestão, imbróglio que pode levar um incauto e apressado Adão a embarcar para o céu, direitinho. E isto céu e paraíso, bem melhor é tornar-se comensal deste último.

Um indivíduo deve apreciar e criar o hábito, de trincar a maçã do seu quintal; às vezes a maçã do quintal do vizinho é tentadora, mas indigesta.

Também por vezes podem ser apreciadas maçãs bravas, nos quintais à beira da estrada, sem muro de indicação de propriedade privada. Muito coloridas, muito polidas e até quase oferecidas, são tentação demoníaca. Resistir, persignando-se, defendendo-se da tentação, e seguir viagem com a maçã que leva ao lado, é indicado, posto o cidadão perante a demoníaca visão.

Há os que às maçãs mais duras, por falta de dentes para as trincar, as cozam, antes de as deglutir. É uma maneira de desenrascar. Mais vale uma, que nenhuma.


Agora uma questão da maior importância.

Este episódio do Paraíso mostra -à s(o) ciedade - que o assédio sexual perfidamente imaginado e como sempre levado até às ultimas consequência ,pela Mulher, que sendo a autor se costuma armar em vitima. .

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Quer um Título de Mestrado, ou um Prémios Literário?….

Não espere… vá à NET


Já aqui o referi à exaustão.Hoje há prémios para tudo.Para premiar, mesmo, a estupidez.

E até ao que li, fazer engenheiros em oito sábados no Alentejo (são uns espetos estes compadres), li no Jornal e ouvi na Televisão. Estive até para me inscrever para, no final, poder dizer: desses também tenho um igual ao teu, ó maráu…

Vem isto a propósito da última oferta que recebi.

Conhecedores – diziam no mail - das minhas virtualidades de escriba (quem diria?) muy roconecidas em Leon et Castella - coitado do D Afonso IV- informavam que me tinha sido atribuído um prémio literário pela Universidade de Lèon, que seria comprovado por diploma, assinado e lacrado .

E para a cerimónia da sua entrega pelo Reitor Sr Jimenez Caldeiron (só nome impressiona, não é?) não precisaria de lá ir. Bastava mandar uma fotografia minha (do escriba) de casaqueta e gravata, Claro o Photo – Shop faria o resto.Até dar-me uma silhueta de intelectual.

Para o que bastaria enviar a módica importância de 1.250€.

Eu não Vos disse.

Qualquer dia verão a notícia :

“Universidade de Rilhafóis concede prémio ao projecto do novo Centro Cultural da cidade de Ílhavo”

Aladino

Sem comentários:

De dúvida em dúvida...vamos aprendendo. Se há parte da História de Portugal que nos foi mal “vendida” nos bancos da Escola, foi a da ...