quarta-feira, março 05, 2008


COMENTÁRIOS:


Em relação aos últimos Blogs tenho recebido algumas reacções ,por mail ou por telefone .De um modo geral , insurgindo-se com as minhas posições .

Tudo bem .É salutar .É compreensível .

Assim é que deve ser .

O que eu estranho é que sendo matéria tão discutível os «Professores» não se tenham aberto ao dialogo publico, local ,explicando-nos in locco, as suas razões. Era uma maneira de se perceber que a discussão da «ESCOLA» deve também ser local.Com factos de todos conhecidos.

SF
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From : Dr .Francisco Meneses

Normalmente reservo-me o direito de estar calado nestas questões da educação,
mas o seu post «Assim não vamos lá» mexeu um bocado comigo.
Escrevia António Sérgio, pela voz do seu «Califa», «Melhor é ainda pensá-las bem!». E é a isto que eu o convido, com a amizade de quem se conhece há muitos anos.
No tal post, começa o engenheiro por diluir as culpas do estado a que isto chegou no mundo da educação:«andámos a brincar ao ensino», «Destruiu-se …e nada se construiu ...».
Depois, num passe de mágica, estreita a tal diluição das culpas para «a maior parte deles nunca mais soube o que era se actualizar»; a seguir a maior parte passa a ser «molhada»; os órgão directivos das escolas passam a ser os «ditos conselhos directivos», até chegar à «indecorosa falta de assiduidade do professorado»
Finalmente, numa espiral de quase insulto, é «esta classe profissional que pensa ter direito a emprego saído da Faculdade» (A propósito, também não era assim no seu tempo?), que não quer ser avaliada, é reaccionária e vai acabar encurralada nas escolas!

Veja lá como eu, e muitos milhares como eu, se não devem sentir ao ler tal «naco» de prosa!
Porque será que toda a gente que passou pela escola acha que tem direito a ser especialista em educação?!
Não será melhor seguir o conselho de Sérgio e «pensá-las bem», engenheiro?

PS: Como já há muitos anos conheço o seu «feitio» impulsivo, não lhe levo a mal o desaforo e se algum dia quiser falar de educação a sério, será um prazer.
Um abraço
F. Menezes
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From : Dr. João Resende

É óbvio que no ensino, como em todas as profissões, há de tudo. É óbvio que a progressão na carreira acontecia naturalmente, mediante a presentação de um relatório crítico (que era analisado) e de uns créditos em acções de formação, muitas vezes ridículas, que em nada contribuíam para o enriquecimento da actividade profissional dos professores. Havia professores a progredirem com acções sobre danças de salão (e gabavam-se disso) e outros com cursos de pós graduação frequentados em universidades. Tudo foi feito ao abrigo da lei e com a acreditação dos organismos estatais, que assim desbarataram os dinheiros que foram chegando da Europa.
Reconheço que a ministra neste aspecto impôs alguma moralidade ao exigir que 50 % das formações fossem feitas nas áreas disciplinares dos professores. Mas, actualmente, não há formação em inúmeras áreas e os professores poderão ser impedidos de progredir na carreira por esse motivo. Se quiserem, que vão a Lisboa e que paguem a dita formação. Não têm dinheiro nem tempo para isso os professores.
Este ME tem apresentado um conjunto de medidas de forma precipitada e que transtorna o ano lectivo. Faz sentido que um estatuto do aluno seja implantado a meio do ano lectivo? Faz sentido que o estatuto do aluno venha confrontar as escolas, os pais e os alunos com um novo regime de faltas que não distingue os efeitos das faltas justificadas das faltas injustificadas. O Tio acha bem que um aluno que falte para andar na vadiagem ou para ficar na cama seja posto em pé de igualdade de um outro que sofreu um acidente ou faltou por motivos de saúde. Resultado, para os dois casos, são os professores que têm de elaborar provas de recuperação, reunir para analisar os resultados das referidas provas e tomar as decisões. O ME mandou aplicar a lei. Passadas umas semanas veio mandar suspender alguns artigos até ao final do ano. As escolas não sentem chão debaixo dos pés. Em que é que ficamos? Os pais perguntam-nos "Como é que é?". Hoje dizemos-lhes um coisa, amanhã outra. Faz sentido que nos exames de português uma resposta de quatro linhas com 4 erros graves tenha de ter a mesma cotação que uma resposta sem um único erro? Se calhar faz, até porque o referido estatuto do aluno infringe várias regras gramaticais de forma escandalosa.
Nesta altura do ano, relativamente à Avaliação, é absurdo teimar em impor um sistema de avaliação que contém insuficiências, falhas e aspectos burucráticos que de forma séria e honesta se poderão ultrapassar. É absurdo querer que um professor "titular" - o dito avaliador - que poder ter ao seu encargo 6 ou 7 turmas, em alguns casos, seja obrigado a avaliar 20 ou 30 professores com seriedade. É desonesto considerar que um professor de Matemática ou de Educação física sejam beneficiados ou prejudicados consoante os resultados escolares dos seus alunos. É lógico que nestes parâmetros o primeiro, por muitas qualidades que tenha, será sempre menos pontuado do que o segundo.
Os instrumentos de avaliação não estão prontos mas o ME quer que este sistema vá para a frente, custe o que custar... e já estamos em MArço.
É lógico que um professor que lecciona disciplinas teóricas, que exigem elaboração de testes e a respectiva correcção tenha o mesmo número de horas lectivas e não lectivas que um professor de Moral ( essa disciplina cujos professores são escolhidos pelo Bispo mas que são pagos pelo EStado)?
Conhecemos todos professores que têm um segundo emprego em ginásios ou em negócios pois a sua vida enquanto professor só existe dentro da escola e há outros que prolongam em casa, por muitas horas o trabalho da escola.
Em suma, este sistema de avaliação é cego a estas e a outras injustiças e sendo aparentemente muito corajoso, não tem coragem para atacar o essencial. A avaliação vai acentuar as injustiças que existem.
É verdade que o ME e o governo querem apresentar resultados. Há, efectivamente, mais alunos nas escolas e por mais tempo. Há crianças a almoçar em contentores (cá em Ílhavo, por exemplo). Há muitos meninos a aprender inglês e música nas escolinhas. Também é certo que os miúdos passam, a meu ver e de muitos pais que conheço, horas de mais em espaços exíguos e sem as condições desejáveis. Entendo que a solução da massificação vai trazer maus resultados. O barulho, a confusão, a desordem e a indisciplina grassam nas escolas e têm aumentado imenso. Mas os professores têm que apresentar resultados! Custe o que custar. O ME vê as escolas como fábricas de resultados. Vê mal.
A sociedade, tal como está, e não sou só eu a defenfer, exigiria um modelo de escolas mais pequenas, com menos alunos, como forma de responder aos problemas de exclusão e "abandono" familiar que não existiam antigamente. Os problemas humanos e sociais dificilmente se combatem massivamente.
No ano passado, o ME insistiu em ir para a frente com a TLEBS. Os professores (alguns) cumpriram as orientações mas em Abril, ne sequência da contestação de inúmeros especialistas na matéria, resolveu suspender o diploma. Quem cumpriu teve que, a partir dessa data até ao final do ano, dizer aos alunos "Isto afinal já não é assim!" e teve que começar a substituir a terminologia nova pela antiga. Vai-me dizer que isto é normal?. O ME diz hoje uma coisa e a poucos meses do fim do ano lectivo, altera as regras, sem o menor pingo de vergonha. Já frequentei uma accção de formação promovida por este ME. Foi um caos em termos organizativos. Alteravam as datas e locais das sessões na véspera... um caos.
Por estas e muitas razões não confio nos políticos que de forma ligeira e irresponsável comandam ou descomandam as escolas. Os professores que andam nas marcham têm os seus motivos, muitos deles. Só alguns é que andarão ao sabor da corrente.

JR
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NOTA . O Blog está aberto a todos os que desejem exprimir os seus pontos de vista.
SF

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